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Archive for the ‘Lendas desconhecidas’ Category

Cisowski brilhou no RC Paris

Um dos grandes goleadores de sempre do futebol gaulês foi um ponta de lança de origem polaca que se assumiu como grande matador ao serviço de clubes como o Metz e Racing Club de Paris: Thadée Cisowski. Três vezes melhor marcador da primeira divisão francesa e uma vez melhor marcador do segundo escalão, Cisowski era um goleador nato, que se movimentava muito bem entre os defesas e que se assumia como um verdadeiro oportunista na hora de atirar à baliza. Depois de se naturalizar francês, o Mundial 1958 podia ter sido o bonito palco da sua consagração internacional, todavia, as lesões já tinham deixado uma fatal marca no avançado-centro…

Destacou-se no Metz e explodiu no Racing Club de Paris

Thadée Cisowski nasceu a 16 de Fevereiro de 1927 em Lazki, Polónia, mas viajou para a França em 1947 para representar o Metz. Nesse clube, o atacante assumiu-se como grande goleador, marcando 69 golos em 119 jogos e tendo se consagrado melhor marcador da segunda divisão francesa em 1951 com 23 tentos.

Em 1952, transferiu-se para o Racing Club de Paris, clube que pagou a verba recorde de 13 milhões de francos para contar o seu concurso. Perante as pressão dos números envolvidos, Cisowski não tremeu, marcando 186 golos em 206 jogos pelo clube da capital francesa. No período em que representou o Racing (1952-1960), o avançado-centro foi três vezes melhor marcador do campeonato francês, mas nunca conquistou qualquer título colectivo de realce.

Lesões apressaram o final da carreira

Quando se transferiu para o Valenciennes em 1960, a carreira de Cisowski já estava em declínio devido às inúmeras lesões, tendo o atleta naturalizado francês falhado o Mundial 1958 devido a essa mesma situação.

Ainda assim, tanto no Valenciennes na época de 1960/61 (28 jogos, 9 golos), como no Nantes na temporada seguinte (19 jogos, 8 golos), o ponta de lança de origem polaca efectuou épocas dignas, terminando assim a sua carreira sem espectacular fulgor, mas com o respeito que o seu passado futebolístico exigia.

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O "Pelé Árabe"

O maior talento futebolístico da história do desporto rei da Arábia Saudita foi um avançado que jogou toda a sua carreira no Al-Nassr e que ficou com a sugestiva alcunha de Pelé Árabe: Majed Abdullah. Dono de uma longa carreira (jogou profissionalmente por 21 anos) e dotado de uma evoluidíssima técnica individual, o atacante conquistou inúmeros títulos nacionais e internacionais pelo Al-Nassr, tendo ainda a felicidade de participar no Mundial de 1994, campeonato do Mundo onde a Arábia Saudita fez a sua estreia e conseguiu a melhor participação de sempre, pois apenas foi eliminada nos oitavos de final.

21 anos de Al-Nassr

Majed Ahmed Abdullah Al-Mohammed nasceu a 1 de Novembro de 1959 em Jeddah, Arábia Saudita, e actuou no Al-Nassr em toda a sua carreira desportiva, marcando 320 golos em 455 jogos entre 1977 e 1998. Excelente finalizador e com uma muito evoluída técnica individual, o avançado saudita foi sempre idolatrado pelos seus conterrâneos, tendo granjeado a sugestiva alcunha de “Pelé Árabe.”

Durante o longo percurso no histórico clube da Arábia Saudita, Majed Abdullah conquistou cinco campeonatos, quatro taças do Rei da Arábia Saudita, uma Taça das Taças asiática, uma Supertaça asiática e duas taças dos clubes campeões do Golfo.

Esteve presente no Mundial dos Estados Unidos

Internacional por 139 vezes (67 golos), Majed Abdullah apenas participou num campeonato do Mundo aos 34 anos, disputando o Mundial dos Estados Unidos em 1994.

Nessa prova, um veterano “Pelé Árabe” fez dois jogos, ajudando a Arábia Saudita a conseguir atingir surpreendentemente os oitavos de final onde caiu diante da Suécia.

Antes disso, Majed Abdullah também tinha participado noutra grande competição: Jogos Olímpicos de 1984, mas, aí, apesar de ter marcado um golo em três jogos, viu a Arábia perder todos os desafio da fase de grupos e ser eliminada precocemente.

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Ablanedo na selecção de Espanha

Produto da Escola de futebol de Mareo, ou seja, a famosa “cantera” do Sporting Gijón, Juan Carlos Ablanedo foi uma das lendas dessa clube asturiano, apenas não tendo maior impacto na selecção espanhola, pois coabitou com outro guarda-redes de excepção: Andoni Zubizarreta. Entre 1983 e 1999 disputou cerca de 400 jogos pelo Sporting Gijón, mesmo tendo sofrido lesões graves que o obrigaram a ficar no estaleiro durante toda a época de 1991/92 e a só fazer duas partidas na sua última temporada. Ainda assim, lesões e Zubizarreta à parte, Ablanedo estará sempre no coração dos adeptos asturianos que, tendo em conta os seus magníficos reflexos, lhe colocaram a carinhosa alcunha de “Gato.”

Toda a carreira no Sporting Gijón

Juan Carlos Ablanedo nasceu a 2 de Setembro de 1963 em Mieres, Astúrias, tendo actuado toda a sua carreira no Sporting Gijón, clube pelo qual disputou cerca de 400 jogos oficiais.

Após boas exibições no clube secundário do Sporting Gijón, a relutância de Vujadin Boskov em apostar num guarda-redes de 1,77 metros levou-o a uma utilização muito intermitente nos primeiros tempos, ainda que tudo tenha mudado com a chegada de José Manuel Díaz Novoa.

Apesar da longa carreira, o guarda-redes nunca conquistou qualquer título ao serviço do Sporting Gijón, ainda que apenas tenha jogado uma época fora do primeiro escalão: a última (1998/99).

Individualmente, ao invés, o guarda-redes espanhol foi sempre muito reconhecido em Espanha, tendo conquistado o Troféu Zamora (título para o melhor guarda-redes numa de terminada temporada) por três vezes.

Apenas quatro internacionalizações mas dois mundiais

Surgindo na mesma altura que apareceu Andoni Zubizarreta, Ablanedo não teve muitas hipóteses de actuar com a camisola da selecção espanhola, somando apenas quatro internacionalizações.

Ainda assim, esteve presente nos campeonatos do Mundo do México (86) e Itália (90) como guarda-redes de reserva. Contudo, em ambas as provas, não disputou qualquer partida.

Assim sendo, o seu melhor momento nas selecções espanholas surgiu ainda no escalão de sub-21, quando foi peça importante na conquista do campeonato da Europa de 1986, pois defendeu três dos quatro penaltis apontados pelos italianos no desempate por castigos máximos que decidiu a final.

Sofreu com as alterações às regras do jogo

Elástico, rápido e muito decidido nas saídas, tanto aos cruzamentos como aos pés dos adversários, Ablanedo tinha, porém, uma lacuna muito grande, pois era muito fraco no jogo de pés.

Esse defeito haveria de lhe prejudicar e muito os últimos anos da sua carreira, pois com o impedimento de se agarrar o esférico após um atraso com os pés, essa lacuna tornou-se mais visível e recorrente durante os desafios.

Apesar de tudo, isso não foi suficiente para que o asturiano deixasse de ser a lenda viva que, por certo, ainda deixa imensas saudades aos adeptos do Sporting Gijón.

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Duckadam com a Taça dos Campeões

Existem jogadores que por maior que seja a sua carreira, ficam eternamente ligados a um momento único, um dia (ou noite) que lhes oferece a imortalidade pelo êxito que conseguiram naquele momento inédito de classe e inspiração. Para Duckadam, guarda-redes romeno de origem germânica, esse momento foi em Sevilha, na final da Taça dos Campeões de 1985/86 diante do super-favorito Barcelona. Num jogo desequilibrado e de domínio catalão, o Steaua soube sofrer e aguentar o 0-0 durante 120 minutos, esperando, depois, ser feliz no desempate por pontapés da marca da grande penalidade. Aí, os romenos tiveram a sorte que ansiaram, personificada na inspiração divina de Duckadam, jogador que cometeu a proeza de defender as quatro grandes penalidades apontadas pelos jogadores do Barça…

Chegou ao Steaua em 1982

Nascido a 1 de Abril de 1959, Helmuth Robert Duckadam actuou no Constructorul Arad e no UTA Arad, antes de se transferir para o Steaua Bucareste em 1982.

No clube da capital romena, o guarda-redes haveria de actuar até ao verão de 1986, tendo efectuado 80 jogos pelo Steaua Bucareste e conquistado dois campeonatos romenos, uma Taça da Roménia e, mais importante que isso, uma Taça dos Campeões.

Essa prova, conquistada em 1986 em Sevilha, foi vencida no desempate de grandes penalidades após um 0-0 durante os 120 minutos, num jogo em que o Barcelona foi sempre superior ao Steaua, mas esbarrou na capacidade de Duckadam que tudo defendeu durante o jogo e, principalmente, no desempate por grandes penalidades.

Apenas duas vezes internacional

Apesar dessa noite de glória em Sevilha, a carreira do romeno de origem germânica nunca pode ter esse grande momento como exemplo. De facto, o guarda-redes apenas foi internacional romeno por duas ocasiões e, após a vitória na final da Taça dos Campeões, foi desaparecendo da vista, primeiro por uma suposta lesão nas mãos e, depois, por um suposto problema no sangue.

Ainda tentou regressar ao futebol em 89, mas sem grande sucesso, dizendo-se que o seu súbito ocaso se deveu à inveja do filho do ditador Ceausescu, homem que, diz-se, lhe trucidou a carreira quando soube que o guarda-redes ousou criticar o regime do seu pai.

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Eilts com a camisola do Werder Bremen

Conhecido como o Alemão da Frísia Oriental, não por ser obviamente germânico, mas por se parecer futebolísticamente com o emblemático internacional brasileiro Alemão, Dieter Eilts marcou uma época no futebol germânico, tanto ao serviço do Werder Bremen, seu clube de sempre, como da selecção alemã. Duas vezes vencedor da Bundesliga e tendo ajudado a Alemanha a conquistar o Euro 96, o raçudo, mas elegante médio-centro será sempre um futebolista que deixará muitas saudades, pelas excelentes exibições que ofereceu aos adeptos do Werder Bremen e da selecção alemã de futebol.

Uma carreira inteira ao serviço do Werder Bremen

Dieter Eilts nasceu a 13 de Dezembro de 1964 em Upgant-Schott, República Federal da Alemanha, tendo actuado no Werder Bremen toda a sua carreira futebolística.

Nesse clube alemão, efectuou 390 jogos (7 golos) entre 1985 e 2002, tendo conquistado dois campeonatos alemães, três taças da Alemanha e uma Taça das Taças. 

Curiosamente, o único título europeu de clubes foi conquistado em Lisboa, em 1992, numa final em que o Werder Bremen superou o Mónaco de Rui Barros por duas bolas a zero.

Peça importante na conquista do Euro 96

Internacional alemão por 32 ocasiões, Dieter Eilts apenas participou numa grande competição internacional ao serviço da Alemanha, o Euro 96, competição que, curiosamente, a equipa germânica haveria de vencer.

Surpreendentemente chamado por Otto Rehhagel, que o conhecia bem do Werder Bremen, Eilts acabou por conquistar a admiração de quem tanto torceu o nariz à sua convocação, sendo a sua generosidade na recuperação defensiva o principal factor que permitiu que Matthias Sammer se destacasse em perigosas incorporações ofensivas.

Após a retirada, Eilts tornou-se treinador, tendo já treinado a selecção sub-21 alemã e o Hansa Rostock.

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Bimbo Binder era sinónimo de golos

O maior goleador e mito do futebol austríaco é um histórico avançado do Rapid de Viena que ficou eternamente conhecido por “Bimbo” Binder. Internacional por 20 vezes, foi peça fundamental do mítico “Wunderteam”, grande equipa austríaca que acabou por ter existência mais curta do que o esperado devido ao “Anschluss” (anexação da Áustria pela Alemanha Nazi). Avançado-centro à moda antiga, tratava-se de um ponta de lança que passeava pelas zonas ofensivas com uma quase exagerada tranquilidade, mas cujo futebol se resumia a uma mera e simples formalidade: marcar golos, muitos golos…

Uma carreira inteira no Rapid Viena

Nascido a 1 de Dezembro de 1911, Franz “Bimbo” Binder iniciou a sua carreira futebolística em 1930, tendo actuado sempre no mesmo clube (Rapid Viena) até ao final da sua carreira em 1949.

Durante esse período, o ponta de lança austríaco marcou 1006 golos em 756 jogos, um registo impressionante que lhe dá uma média de 1,33 golos por jogo. Para além disso, Bimbo Binder é dos poucos jogadores a marcarem mais de 1000 golos no Mundo do futebol, estando ao lado de lendas como Gerd Müller ou Pelé.

Vencedor de quatro campeonatos austríacos e, curiosamente, de um campeonato alemão e uma Taça da Alemanha (o Rapid Viena disputava competições germânicas na altura em que a Áustria foi anexada pela Alemanha), Bimbo Binder foi ainda o melhor marcador do campeonato austríaco em 1933, 1937 e 1938 e do campeonato alemão em 1939, 1940 e 1941.

Internacional austríaco e… alemão

Bimbo Binder foi internacional austríaco por 19 vezes (16 golos) e alemão por nove ocasiões (10 golos), tendo, dessa forma, se assumido como goleador com as duas camisolas.

Apesar de tudo, o magnífico ponta de lança nunca disputou nenhuma grande competição internacional, fosse pela Áustria ou pela Alemanha, sendo essa uma das poucas lacunas que tem na sua carreira futebolística.

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Metin Oktay é uma lenda turca

Uma das maiores lendas do futebol turco foi um goleador que actuou no Galatasaray nos anos 50 e 60, tendo marcado quase 300 golos pelo clube de Istambul. Internacional turco por 36 vezes (19 golos), Metin Oktay foi a primeira grande figura do Galatasaray, um homem-golo que não perdoava na hora de atirar à baliza e que conquistou inúmeros títulos pelo “Cim Bom”, contando-se dois campeonatos turcos, dois campeonatos de Istambul e quatro taças da Turquia. Também esteve no Palermo, mas a estadia foi curta, pois o habitat natural deste goleador por excelência sempre foi o aguerrido e intenso futebol turco.

Iniciou a carreira no Izmirspor

Metin Oktay nasceu a 2 de Fevereiro de 1936 em Izmir, Turquia, e iniciou a sua carreira em 1955/56, ao serviço de um clube da sua cidade natal, o Izmirspor. Nesse clube, surpreendeu pelas capacidades goleadoras, tendo marcado 17 golos em 18 jogos e garantido uma transferência para o Galatasaray no fim da temporada.

No Galatasaray haveria de se assumir como um avançado-centro sem precedentes, tendo marcado 157 golos em 141 jogos até à temporada de 1960/61. Essa fantástica média fez com que o internacional turco se tornasse muito cobiçado pelos grandes clubes do futebol europeu, acabando por se transferir para o Palermo na temporada 1961/62.

Sem sucesso no futebol italiano

Apesar da grande curiosidade que despertou no futebol italiano, a passagem de Metin Oktay pelo clube siciliano acabou por ser curta. De facto, Metin Oktay apenas permaneceu uma temporada no Palermo, tendo marcado três golos em doze jogos e regressado, sem honra nem glória, ao Galatasaray no final da época.

De novo no futebol turco, o avançado-centro haveria de continuar com excelentes registos goleadores, tendo marcado 137 golos em 178 jogos até ao final da sua carreira, ou seja, até 1968/69. Curiosamente, apesar dos números não serem tão impressionantes que os alcançados na primeira passagem pelo Galatasaray, foi nesta fase que o avançado-centro conquistou os títulos mais importantes ao serviço do gigante de Istambul, tendo ganho o campeonato turco em 1962/63 e 1968/69 e a Taça da Turquia em 1962/1963, 1963/1964, 1964/1965 e 1965/1966.

Também se mostrou goleador na selecção turca

Muito longe da qualidade actual, a selecção turca da altura raramente pisava os grandes palcos, tendo apenas participado do Mundial 1954 e onde não passou da primeira fase.

Como tal, Metin Oktay não conseguiu disputar nenhuma grande competição internacional, limitando-se a particulares e aos habituais jogos de qualificação para o Europeu e Mundial.

Assim sendo, foi com naturalidade que não fez muitos jogos pela selecção turca, ainda que tenha conseguido uma média de golos superior a um a cada dois jogos:19 tentos em 36 partidas. Números fantásticos para um jogador que fez do golo a sua vida.

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