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Arquivos para a Categoria ‘Liga Sagres’

Jesus pagou pelas cautelas no Dragão

Jesus pagou pelas cautelas no Dragão

Em apenas duas jornadas, o Benfica perdeu cinco pontos e deixou-se ultrapassar pelo FC Porto no topo do campeonato nacional, contudo, se com o Estoril o empate se deveu, principalmente, ao mérito da equipa canarinha, tudo se alterou no duelo contra os dragões, pois aí o Benfica acabou por pagar a sua fraca ambição ao longo dos noventa minutos.

É verdade que o Benfica controlou completamente o jogo e que o FC Porto raramente conseguiu incomodar Artur, sendo que, na segunda parte, o único aviso antes do golo de Kelvin  surgiu num lance em que James Rodríguez partiu de posição irregular. Ainda assim, custa a perceber a falta de risco de Jorge Jesus, que nem quando os azuis-e-brancos arriscaram tudo, procurou, sequer, explorar o contra-ataque.

Na verdade, o técnico encarnado preferiu dar a ideia para dentro de campo que o único objectivo do Benfica passava pelo empate e esse momento surge principalmente quando troca Gaitán por Roderick. Nesse momento, Jesus mostrava que vencer não era objectivo e, de certa forma, abriu espaço para que Vítor Pereira se lançasse de forma ainda mais decidida na procura de uma vitória.

Foi uma derrota inglória, é certo, mas também é o culminar de dois aspectos que têm acompanhado o Benfica de Jorge Jesus. Um, desde sempre, e que passa pelo intenso desgaste físico e psicológico que as águias apresentam nesta fase da época. O outro, desde um fatídico Liverpool-Benfica para a Liga Europa, quando Jorge Jesus deixou de ser o treinador que pretendia fazer do Benfica um rolo compressor durante os noventa minutos e passou a gerir muitos jogos com demasiadas cautelas, situação que, valha a verdade, ainda não lhe trouxe qualquer benefício prático.

Talvez Jorge Jesus tenha pensado que esse futebol extremamente ofensivo que utilizou durante a maior parte da época 2009/10 o afastasse das grandes conquistas e que podia fazer dele um novo “Peseiro”, ou seja, um treinador muito atacante e vistoso, mas condenado a não conquistar títulos. Ironia das ironias, têm sido esses temores que o têm afastado dos títulos nas últimas épocas e que o têm feito morrer muitas vezes na praia, como acontecia com o actual técnico arsenalista.

Que o duelo no Estádio do Dragão sirva de exemplo ao técnico encarnado e que este, na quarta-feira, apareça em Amesterdão com uma equipa ofensiva e segura de si. Só um treinador com mentalidade “à Benfica” poderá afastar finalmente a maldição de Guttmann e Jesus precisa de se reencontrar com o seu “eu” de 2009/10, que era o único que preenchia esses requisitos.

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Josué seria uma mais-valia para o novo Sporting

Josué seria uma mais-valia para o novo Sporting

van Wolfswinkel já partiu e, por certo, muitos outros vão abandonar o plantel verde-e-branco. Alguns como Boulahrouz, Jeffrén ou Adrien Silva dificilmente deixarão saudades na massa associativa leonina, contudo, as previsíveis saídas de elementos como Rui Patrício, Diego Capel ou mesmo Bruma prometem deixar a família sportinguista à beira de um ataque de nervos e de uma claro medo do futuro.

Ainda assim, penso que não há razões para temores gigantescos. Se houver critério e se souber escolher, é perfeitamente possível fazer uma equipa que possa lutar pelo terceiro lugar na próxima temporada e que garanta, pelo menos, o quarto lugar da classificação geral.

Muitos de vós vão dizer que o quarto lugar não é um lugar à “Sporting” e que mesmo o terceiro é limitado para aquilo que deviam ser as ambições verde-e-brancas. Contudo, desde 2009/10, passaram-se quatro temporadas e, em duas delas, os leões ficaram em quarto lugar, nesta vão ficar na mais remota e positiva das hipóteses no quinto e, em 2010/11, é verdade que os verde-e-brancos atingiram o terceiro lugar, mas foi in extremis e devido ao Sporting de Braga ter priorizado a campanha europeia nessa temporada (atingiu a final da Liga Europa).

Se a isto acrescentarmos que o orçamento nessas temporadas foi sempre superior ao que vamos ter em 2013/14, concluímos que o quarto lugar deve ser apontado como o objectivo mínimo, esperando, obviamente, poder lugar por algo superior a isso. Realisticamente, superior ao quarto só existe o terceiro, pois FC Porto e Benfica, por mais que possa custar aos verde-e-brancos, estão num patamar inalcançável na actualidade.

Assim sendo, há que preparar um plantel menos oneroso e que privilegie a evolução. Ou seja, a aposta tem de ser feita em jogadores jovens que possam evoluir e não em jogadores que apesar de poderem dar um incremento de qualidade a curto-prazo, não possam ser rentabilizados. A crise financeira não o permite.

Nesse sentido, torço o nariz a contratações de jogadores como Edinho, Cícero ou Hugo Viana. Existem alternativas mais jovens, e com margem de progressão bem mais promissora. Para o ano vai existir uma espécie de ano zero em Alvalade e um ano zero só faz sentido se houver um projecto de crescimento sustentado assente nessa primeira pedra. É assim que penso e seria assim que formaria o plantel do Sporting para 2013/14.

Num mero exercício hipotético e pegando no tal plantel de 20 jogadores que Bruno de Carvalho quer implementar na próxima época, este seria uma hipótese perfeitamente viável para um orçamento de 20 milhões de euros, que se pensa ser a base de 2013/14.

  • Guarda-Redes: Marcelo Boeck e Douglas (ex-V. Guimarães)
  • Lateral-Direito: Miguel Lopes e Cédric Soares
  • Lateral-Esquerdo: Jefferson (ex-Estoril)
  • Defesa-Central: Marcos Rojo, Tiago Ilori, Eric Dier e Steven Vitória (ex-Estoril)
  • Médio-Defensivo: Rinaudo e Gonçalo Santos (ex-Estoril)
  • Médio-Centro: André Martins e Schaars
  • Médio-Ofensivo: Labyad e Josué (ex-Paços de Ferreira)
  • Extremo/Avançado: André Carrillo, Bruma e Viola 
  • Ponta de Lança: Ghilas (ex-Moreirense) e Suk (ex-Marítimo)

Perante um plantel curto como o previsto, é preciso apostar na polivalência de alguns jogadores e mesmo as posições que foram pensadas com apenas um jogador (lateral-esquerdo), terão sempre em mente a possibilidade de haver jogadores que, não tendo essa como posição prioritária, poderão lá actuar, como é exemplo Marcos Rojo (a lateral-esquerdo).

Para além disso, existe sempre a equipa B, e, para a próxima temporada, futebolistas como Zezinho, João Mário, Ricardo Esgaio, Diego Rubio ou Vítor Golas seriam chamados sempre que necessário, promovendo-se, dessa forma, uma motivação extra para a equipa secundária, pois, com um plantel principal mais curto, os recrutamentos à equipa B serão naturalmente mais frequentes.

Obviamente que a manutenção de jogadores com elevado potencial como Bruma, Labyad, Carrillo, Dier, Ilori ou Marcos Rojo, para além da aquisição de outros como Josué ou Ghilas terá um custo elevado para um orçamento limitado, todavia, convenhamos que, mesmo com um orçamento de cerca de 20 milhões, será possível fazê-lo desde que se abdique dos jogadores que eu passo a citar.

Para vender porque é impossível mantê-los

  • Rui Patrício
  • Diego Capel

Para vender porque o rendimento/vencimento não justifica a sua permanência no clube

  • Adrien Silva
  • Jeffrén
  • Elias (está emprestado ao Flamengo, mas seria importante conseguir fazer já algum encaixe)
  • Gelson Fernandes (está emprestado, mas seria importante conseguir fazer já algum encaixe)
  • André Santos (actualmente emprestado ao Deportivo, a cedência termina no final da época e seria importante tentar fazer um encaixe, mesmo que mínimo)
  • Diogo Salomão (actualmente emprestado ao Deportivo, a cedência termina no final da época e seria importante tentar fazer um encaixe, mesmo que mínimo)

Para libertar mesmo que a custo zero

  • Boulahrouz
  • Bojinov
  • Pranjic
  • Evaldo

Para usar como contrapartida para facilitar contratações ou, em último caso, libertar a custo zero, mantendo partes do passe

  • Nuno Reis
  • Renato Neto
  • Wilson Eduardo
  • Owusu

Na minha opinião, este seria um excelente arrumar de casa para uma temporada que se espera de verdadeira transição, prometendo, acima de tudo, um plantel mais competitivo, barato e com uma excelente margem de progressão e de ganhos financeiros futuros. Na verdade, tem de se começar rapidamente a mudança de paradigma e estou convicto que assim seria a forma mais acertada.

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Jesualdo é essencial para o momento actual do Sporting

Jesualdo é essencial para o momento actual do Sporting

Devo começar por dizer que não acho Jesualdo Ferreira um treinador fora de série. Não é. Trata-se de um treinador demasiado académico, ou seja, daqueles técnicos que dominam quase na perfeição os aspectos teóricos, mas que, depois, têm algum défice na leitura mais instintiva do jogo, acabando por ser demasiado reféns de dogmas.

Para além disso, o “Professor” (a alcunha que lhe é dada encaixa na perfeição pela razão supra-citada…) tem uma concepção de jogo algo conservadora, ou seja, terá sempre dificuldade para ser bem visto por adeptos que anseiam por futebol de ataque e constantes exibições convincentes.

Ora, um Sporting normal (já nem digo um Sporting forte…) sempre teve na sua génese uma certa necessidade de procurar um futebol bonito e atractivo e isso, muitas vezes, faz com que os adeptos deturpem os próprios números na sua mente e se lembrem, simplesmente, daquelas exibições mais míticas.

Querem exemplos? Nunca ouvi nenhum adepto suspirar por Fernando Santos, mas o actual seleccionador grego terminou a época de 2003/04 com 73 pontos e apenas a nove do super-FC Porto campeão europeu de José Mourinho. Nessa época e apesar de terminado a um ponto do Benfica, depois de uma fraca recta final temporada, foi a única equipa que ainda beliscou a superioridade azul-e-branca. Ainda assim, todos o esquecem. Porquê? Porque o futebol não era super-ofensivo, não era esmagador, não era “à Sporting”.

Um ano depois chegou José Peseiro. Tinha uma das melhores equipas do Sporting dos últimos tempos e duas vantagens sobre Fernando Santos: José Mourinho havia saído e o Benfica estava mais fraco que na temporada anterior. Dessa época muitos falam de um Sporting que teve o azar de perder tudo numa semana, que dava goleadas e exibições magistrais. Pois é, mas também se esquecem de muita coisa.

Peseiro não perdeu esse campeonato no Estádio da Luz e com o golo de Luisão. Perdeu por ser derrotado em casa com equipas como o Marítimo, Penafiel ou Nacional e empatar com o Sp. Braga (não confundir com o actual), V. Setúbal, União de Leiria e Académica. Fez uma grande carreira europeia? Fez. Mas sejamos sinceros, que equipas de top eliminou? O Newcastle United (14º da Premier League)? o Middlesbrough (7º)? o AZ (3º da Eredivisie a 23 pontos do PSV)? o Feyenoord (4º)? Já nem vou falar que perdeu a final, em casa, diante do CSKA Moscovo. Avancemos…

Esta atracção leonina por treinadores de futebol vistoso, mesmo que de fim inconsequente, parece tornar Jesualdo Ferreira desajustado ao Sporting actual, contudo, este Sporting não é um Sporting normal.

Esta equipa com 107 anos de história está a passar a maior crise de que há memória e, para o ano, ninguém pode esperar um futebol vistoso e ganhador. A próxima temporada é um ano zero, um ano de reestruturação desportiva e que vai implicar uma novo paradigma. Um paradigma a que, infelizmente, os adeptos verde-e-brancos vão ter de se habituar nas próximas épocas e que passa por o Sporting se consciencializar que não pode competir com o Benfica ou FC Porto. Custa? Claro que sim, mas há que encarar a realidade dura e como ela é.

Neste momento, o Sporting tem de passar por uma “braguização”, que não deve ser entendida por uma colocação ao nível do Sporting de Braga, pois as histórias e potencialidades de ambos os clubes nem se comparam, mas, ao invés, uma aposta mais forte nas estruturas e quando digo estruturas digo internas e externas.

Na minha opinião, o Sporting tem de se fortalecer por dentro e, para isso, tem de afastar todos os elementos supérfluos que por lá habitam e condicionam o crescimento do clube. Bruno de Carvalho parece estar a fazer essa “limpeza” e, aí, estou a cem por cento com o presidente do Sporting.

Depois, há que recuperar os poderes nas altas esferas do futebol português. Foi esse trabalho de base que Luís Filipe Vieira soube fazer, calmamente, ao longo dos anos e com os resultados que se vêem. Lembram-se onde estava o Benfica há doze anos? São coisas que levam tempo, mas têm de ser feitas, pois, caso contrário, o Sporting será sempre um “calimero” das arbitragens, não retirando quaisquer benefícios palpáveis desse constante “choro”.

É neste estado de coisas que entendo que Jesualdo Ferreira é o treinador ideal para o momento actual do leão. Na próxima temporada, o mais importante para o Sporting é diminuir o fosso para os dois actuais gigantes do futebol português e discutir o terceiro lugar com o Sp. Braga. (esqueçam o Paços de Ferreira, que esta época não se repete…)

Para isso, é preciso potenciar uma série de jovens talentosos (as gerações de 93 e 94 são das mais fortes da história do Sporting) e começar a construir uma equipa de futuro. Formar e evoluir têm de ser conceitos fundamentais.

Ora, isso são as principais qualidades de Jesualdo. Já repararam no que tem evoluído Ilori ou Bruma com o “Professor”? E mesmo Rinaudo e Viola? Existe muito trabalho de base e muita paciência do actual treinador do Sporting e, neste momento, é o que o leão precisa.

Por outro lado, perante o plantel ainda mais jovem que o Sporting terá em 2013/14 será necessária outra das grandes qualidades de Jesualdo Ferreira: a gestão psicológica. Será preciso gerir as euforias e as depressões de uma época que, garantidamente, terá das duas coisas e, nisso, o actual treinador verde-e-branco é especialista. De facto, basta verificar  a forma como ele pegou esta temporada numa equipa completamente destruída e com riscos sérios de cair à Liga de Honra e conseguiu fazê-la renascer das cinzas.

Para além disso, é preciso realismo. É preciso perceber que, muitas vezes, há que reconhecer a superioridade do adversário e ser-se mais pragmático e matreiro. Lembram-se do Sporting-FC Porto, que muitos dizem que foi o momento em que o Sporting quebrou finalmente com a época desastrosa? Nesse jogo, Jesualdo Ferreira aceitou a superioridade azul-e-branca e jogou retraído e organizado, arrancando um ponto (podia ter ganho com um van Wolfswinkel mais acertado) e um grande “boost” psicológico para a equipa.

Daqui a dois ou três anos, se tudo correr bem, o Sporting vai precisar de um treinador diferente de Jesualdo Ferreira. Contudo, neste momento, o Sporting precisa mais de um gestor e de um formador que de um treinador de top e, como tal, o meu voto vai para o “Professor”. Que continue o seu excelente trabalho nos leões.

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Maxi Pereira evitou males maiores com o Estoril

Maxi Pereira evitou males maiores com o Estoril

Ontem assisti com bastante interesse ao Benfica-Estoril, duelo que, em primeiro lugar, era importantíssimo para as contas do título, mas, ao mesmo tempo, também assumia contornos quase decisivos na intensa batalha pelo último posto de acesso à Liga Europa, que, lembre-se, é o único objectivo que o Sporting ainda tem para este final de época.

Antes de mais, há que dar os parabéns à equipa do Estoril. Nestes casos, existe a injusta tendência de se procurar demérito no favorito, todavia, o que se assistiu no Estádio da Luz foram uns canarinhos adultos, personalizados e, valha a verdade, a justificarem o facto de estarem bem perto do inédito apuramento para as competições europeias.

Não partilho da opinião de que o Benfica tenha entrado em campo com a certeza de que ia ganhar, de uma maneira ou de outra. Os encarnados lutaram para vencer e, perante 90% dos adversários que encontram no campeonato nacional, teriam triunfado sem problemas com a mesma exibição que fizeram ontem. O seu azar foi encontrarem um Estoril inspirado e a grande nível.

Nesta fase da época, não falta alma às águias, o que poderá faltar, aqui e ali, são pernas, pois o Benfica está a pagar um percurso quase imaculado que o leva a somar um total de 53 jogos oficiais na temporada 2012/13. É verdade que o Benfica tem um plantel com soluções e que Jorge Jesus tem procurado fazer uma gestão da equipa, todavia, também é bem notório que alguns jogadores chegam a esta fase da época em natural quebra de forma.

Independentemente de tudo isto, não deixo de ficar um pouco surpreendido com as claras variações de humor que existiram em muitos adeptos benfiquistas depois do dia de ontem. De facto, depois de uma crença quase inabalável no título 33, muitos passaram a uma fase de quase depressão, prevendo, até, situações extra-futebol que os poderão condicionar no próximo clássico no Estádio do Dragão.

Numa opinião alheia à cor clubística, fui lendo e ouvindo que a pressão passava agora a estar no lado do Benfica e que o FC Porto passava a estar mais tranquilo e com o tricampeonato à sua mercê. Pois bem, não posso concordar minimamente com estes temores e análises. Para mim, o Benfica continua com menos pressão que o FC Porto e as razões são várias:

  1. O Benfica continua com mais dois pontos que o FC Porto e, como tal, vai ao Dragão a jogar para dois resultados possíveis (vitória e empate)
  2. Mesmo que o FC Porto vença o Benfica, a equipa azul-e-branca terá de ganhar em Paços de Ferreira na última jornada. Um duelo muito difícil perante um adversário que, lembre-se, tem apenas três derrotas no campeonato nacional.
  3. O campeonato é o único título que o FC Porto pode vencer esta temporada, situação que, obviamente, criará uma pressão extra nos portistas, pois o Benfica ainda está em três frentes e, como tal, com muito maiores probabilidades de sucesso generalizado
  4. O Benfica tem melhor equipa que o FC Porto. Mesmo não estando na melhor forma da temporada, os encarnados têm mais soluções que os azuis-e-brancos e, acima de tudo, são mais bem treinados

Como tal, continuo a considerar o Benfica favorito para a conquista do campeonato nacional e não posso partilhar das teorias de muitos “profetas da desgraça” que, ao mínimo deslize, começam logo a prever a hecatombe de todos os sonhos construídos até esse momento.

Ainda assim, não quero com isto dizer que o Benfica será, sem margem de dúvida, campeão nacional em 2012/13. O FC Porto, por certo, terá uma palavra a dizer e, com este empate encarnado, as suas possibilidades de atingir o tricampeonato aumentaram exponencialmente. No entanto, o favorito continua a ser o Benfica. Como já era antes desta igualdade com o Estoril.

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Neto nos tempos do Varzim

Uma das atracções da actual edição da Liga Zon Sagres é um jovem defesa-central português ex-Varzim e que tem brilhado com a camisola do Nacional: Neto.

Nascido a 26 de Maio de 1988 na Póvoa de Varzim, Portugal, Luís Carlos Novo Neto é um produto das escolas do Varzim, clube que representou entre 1998/99 (escolas) e a temporada transacta e onde efectuou um total de 53 jogos (3 golos) na Liga de Honra.

Após ser titular na equipa poveira que acabaria por descer de divisão em 2010/11, Neto transferiu-se para o Nacional, clube onde se estreou, esta época, no primeiro escalão do futebol português.

Nos madeirenses, o internacional sub-21 não tem sentido o choque do principal escalão, garantindo rapidamente a titularidade ao lado de Danielson e somando 32 jogos (1 golo) em todas as competições oficiais.

Defesa-central rápido e agressivo

Neto é um defesa-central com excelente presença na área, sendo inteligente na ocupação de espaços e efectivo tanto no capítulo da antecipação como do desarme.

Rápido e agressivo (no bom sentido), é um defesa muito forte nos duelos um contra um, sendo extremamente difícil de ultrapassá-lo em drible ou em velocidade.

Depois, com 1,86 metros, trata-se de um jogador que domina muito bem o jogo aéreo, limpando facilmente os lances de cabeça e sendo muito importante no controlo desse capítulo defensivo do jogo.

Por todas estas características, surge com naturalidade o interesse de clubes como o FC Porto no seu concurso, sendo previsível que dê um salto na carreira já no próximo defeso.

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Fernando Gomes ainda pode vetar o alargamento

Uma vez mais pressiona-se pelo alargamento do principal escalão do futebol português. Após o chumbo de um campeonato sem descidas por parte da Federação Portuguesa de Futebol, hoje foi aprovada a liguilha entre os dois últimos da Liga Zon Sagres e o terceiro e quarto da Liga Orangina, como forma de aumentar o campeonato de 16 para 18 equipas como é pretendido de forma quase cega por inúmeros iluminados do nosso futebol.

Ainda a necessitar de validação por parte do organismo presidido por Fernando Gomes, este alargamento, na minha opinião, não vai beneficiar em nada o futebol português, pois o que se percebe é que existem cada vez menos clubes capazes para estarem no principal escalão do futebol luso como é fácil de perceber pela situação deplorável que vive a União de Leiria.

De facto, o campeonato beneficiava muito mais com uma redução e não com o alargamento, sendo que, na minha opinião, o melhor sistema contemplaria 12 equipas no principal escalão, disputando-se uma primeira fase a duas voltas (22 jogos) e uma segunda fase em que as equipas se dividiriam nos seis primeiros (iriam com metade dos pontos da primeira fase) para a luta pelo título e competições europeias e seis últimos (iriam também com metade dos pontos da primeira volta) para evitarem cair nos dois últimos lugares da tabela que garantiam descida de divisão.

Este modelo, garantia 32 jogos no principal escalão e, garantidamente, 12 jogos entre Benfica, FC Porto, Sporting , com todos os benefícios que isso traria. Para além disso, os outros clubes que conseguissem ficar entre os seis primeiros também garantiriam mais jogos com os “grandes” e, assim, mais receitas.

No segundo escalão, dividia a competição em duas zonas (norte e sul), cada uma com 10 equipas. Esta medida, diminuía o custo de deslocações aos clubes, além de que motivaria a existência de mais interesse na prova, pois motivaria mais rivalidades locais do que jogos entre clubes que têm pouca ligação entre eles como, por exemplo, Penafiel e Portimonense.

A prova disputaria-se a quatro voltas (36 jogos) subindo os líderes de cada zona à primeira divisão e descendo os dois últimos de cada zona à II divisão B. Essa II Divisão B, seria dividida em quatro zonas também (norte, norte-centro, centro-sul e sul-ilhas) subindo então o primeiro de cada zona ao segundo escalão. Terminavam-se os playoffs e sabia-se sempre que quem era campeão tinha o direito de subir.

Depois, optava-se pela reformulação da Taça de Portugal, transportando os patrocínios da Taça da Liga para a prova rainha do futebol português. A prova seria sempre disputada por eliminatórias de jogo único até aos quartos de final, altura em que a competição começaria a ser disputada a duas mãos. Os clubes da primeira e segunda divisão entrariam nos 32/final (32 apurados das II divisão B, III divisão e distritais +32 equipas do primeiro e segundo escalão), com a nuance de que nessa e nas duas eliminatória seguintes, jogaria sempre em casa a equipa da divisão inferior, a exemplo do que se faz em Espanha.

Perante as dificuldades do calendário, a Taça da Liga passaria a ser uma competição de início de época (disputada em finais de Julho e Agosto), numa medida que traria muitos benefícios para as equipas envolvidas, pois ao invés de estarem a disputar jogos de preparação sem importância competitiva, poderiam ter logo jogos importantes. Essa medida, seria especialmente benéfica para os clubes que disputassem os playoffs da Liga dos Campeões/Liga Europa, pois daria ritmo competitivo que, normalmente, nunca têm nessa fase da época.

Todas estas medidas, na minha opinião, potenciariam muito mais o futebol português do que qualquer alargamento que nos querem impor de forma cega e que, possivelmente, apenas irá criar mais tristes casos como o da União de Leiria.

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Ricardo Sá Pinto tirou o Sporting do poço

Devo, à priori, admitir que torci um pouco o nariz à contratação de Ricardo Sá Pinto para a posição de treinador principal do Sporting Clube de Portugal. Tratava-se de um treinador com pouca experiência e iria pegar num clube verde-e-branco que, valha a verdade, tem se assumido como um verdadeiro triturador de responsáveis técnicos.

Por outro lado, Ricardo Sá Pinto tinha uma vantagem, o Sporting estava muito perto de embater com estrondo no fundo de um poço competitivo. Eliminado da Taça da Liga e em quinto lugar no campeonato nacional, restava ao Sporting a consolação do apuramento para a final da Taça de Portugal e para os 16/final da Liga Europa, feitos, ainda assim, pouco relevantes, tendo em conta a (excelente) qualidade do plantel e as paupérrimas exibições que os leões realizavam desde há imenso tempo.

Consciente das dificuldades, o jovem treinador português teve a capacidade de compreender que o Sporting não poderia passar do 8 ao 80 de forma imediata e, assim, foi capaz de definir um caminho progressivo no seu percurso como treinador verde-e-branco. Primeiro, seria necessário devolver a confiança aos próprios jogadores e, depois, tentar-se ia melhorar de forma progressiva a qualidade futebolística.

Isso é notório nos próprios resultados. Tirando a estreia em Varsóvia, e onde o Sporting até foi feliz no empate (2-2) obtido, os leões nunca marcaram mais do que um tento até ao sétimo jogo de Sá Pinto (5-0 ao V. Guimarães), destacando-se, principalmente, por só terem sofrido três golos e por terem vencido quatro dos seis duelos, com realce óbvio para aquele que foi o jogo que provocou o ponto de viragem neste Sporting 2011/12: o 1-0 ao Manchester City.

De facto, num jogo em que até a maioria dos leões ficaria contente com uma derrota digna, o Sporting foi capaz de surpreender o então líder do campeonato inglês, criando as bases para outro “milagre” posterior: o 2-3 de Manchester que garantiu o apuramento leonino para os quartos de final da Liga Europa. Nesse duplo duelo com o Manchester City, também se percebeu outra coisa, o Sporting tinha encontrado o modelo perfeito para os confrontos com adversários iguais ou superiores: defender com bloco baixo, pressionar a zona de construção do oponente e desenvolver rapidamente o contra-ataque. Foi assim com os milionários ingleses, mas também foi assim que os pupilos de Ricardo Sá Pinto eliminaram o Metalist e superaram o Benfica.

Com o modelo defensivo praticamente definido e bem afinado (vejam o quanto melhorou Anderson Polga com a chegada de Ricardo Sá Pinto), caberá agora a Ricardo Sá Pinto fazer evoluir algo que ainda é uma grande lacuna deste Sporting: a dificuldade em ser incisivo e efectivo perante adversários que esperam pacientemente que os leões assumam as rédeas do jogo. Ou seja, o jovem treinador já tem a poção para quando o Sporting surge em campo como “lobo disfarçado de cordeiro”, mas tem ainda que encontrar o antídoto certo para quando são os adversários a encararem o conjunto verde-e-branco dessa forma.

Com poucos jogos até final da temporada e sendo muitos deles de grau de exigência muito elevado (FC Porto, Sporting de Braga, Athletic Bilbau (duas vezes) e, espera-se, final da Liga Europa), serão poucas as oportunidades de afinar essa nova concepção estratégica ainda em 2011/12, restando então a Sá Pinto manter a sua (eficaz) postura de “lobo na pele de cordeiro” na tentativa de obter títulos (lembre-se que o Sporting ainda está em duas frentes) e esperar a pré-época pacientemente, para, depois, afinar um Sporting de duas caras para enfrentar 2012/13.

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Carlos Fonseca é um dos bons valores do campeonato

Apesar da má temporada que está a fazer o Feirense, existem bons valores em Santa Maria da Feira e que não podem ser ignorados. Um excelente exemplo, é o extremo-esquerdo Carlos Fonseca.

Nascido a 23 de Agosto de 1987 em Barcelos, Portugal, Carlos Manuel Costa Fernandes Fonseca iniciou a sua carreira profissional no Santa Maria, tendo chegado depois ao Tirsense na temporada 2008/09.

No clube de Santo Tirso, na II Divisão, esteve duas temporadas, marcando, no total, oito golos em 56 jogos e garantindo, no final de 2009/10, uma transferência para o Feirense.

Está no Feirense há duas temporadas 

Em Santa Maria da Feira, em 2010/11, fez 33 jogos em 2 golos e foi importantíssimo na boa campanha que levou o Feirense de regresso ao primeiro escalão.

Este ano, num plantel ainda mais forte com o intuito de alcançar a manutenção, Carlos Fonseca tem sido um jogador regularmente utilizado, somando 21 jogos (3 golos) pelo Feirense. Contudo, apesar das suas boas exibições e das boas actuações colectivas do Feirense, as coisas não têm corrido bem ao conjunto de Santa Maria da Feira que, neste momento, é último classificado.

Um extremo rápido e com qualidades finalizadoras

Carlos Fonseca é um extremo rápido e com boa técnica, que sabe se movimentar muito bem em zonas ofensivas, sabendo ir à linha ou efectuar diagonais para o centro consoante a ocasião.

Forte no um contra um e inteligente nas movimentações, o jovem português de 24 anos é um elemento que tanto se adapta a um 4x3x3 como avançado-esquerdo como a ala canhoto num 4x2x3x1, tendo qualidades suficientes para se adaptar às duas nuances tácticas.

Ainda na primeira época no principal escalão e com uma idade que ainda lhe permite evoluir exponencialmente, o extremo português deverá ser acompanhado de perto e, quiçá, merecer uma oportunidade num clube com outros pergaminhos num futuro próximo.

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Wilson Eduardo tem estado bem em Olhão

No Olhanense encontra-se um avançado que, por certo, merecia uma oportunidade na equipa principal do Sporting, falamos, obviamente, de Wilson Eduardo.

Nascido a 8 de Julho de 1990 em Massarelos, Portugal, Wilson Bruno Naval da Costa Eduardo iniciou a sua carreira no Pedras Rubras em 2000, tendo ainda passado pelo FC Porto antes de chegar às camadas jovens do Sporting em 2003/04.

Nos leões permaneceu depois até ao final do seu percurso juvenil, acabando emprestado ao Real Massamá na temporada 2009/10. No clube da Linha de Sintra, o avançado efectuou 13 jogos e marcou 1 golo, mudando a meio da temporada para o Portimonense da Liga de Honra, clube onde marcou três golos em dez jogos e ajudou a chegar ao principal escalão do futebol português.

Sucesso em Aveiro e Olhão

Em 2010/11, o Sporting entendeu que estava na hora de Wilson Eduardo ser emprestado a um clube da primeira divisão e, nesse seguimento, emprestou-o ao Beira-Mar. No conjunto aveirense que acabaria o campeonato na décima terceira posição, o avançado português foi peça importante, marcando cinco golos em trinta e duas partidas oficiais.

No defeso da actual temporada, ainda se pensou que Wilson Eduardo pudesse ter uma oportunidade na equipa principal do Sporting, todavia, o atacante acabou por ser novamente emprestado, desta feita ao Olhanense. No clube algarvio, o internacional sub-21 continuou a mostrar clara evolução futebolística, levando neste momento seis golos em vinte e cinco jogos e assumindo-se como peça importantíssima do Olhanense.

Extremo ou segundo avançado de grande talento

Wilson Eduardo começou a carreira como ponta de lança, mas as suas características têm levado o nortenho a actuar mais sobre os flancos do ataque, zona onde pode dar azo à sua enorme velocidade, técnica e repentismo.

Forte fisicamente e de remate fácil, o avançado de 21 anos é um jogador que não tem medo de enfrentar os adversários, sendo muito forte em lances de um contra um e inteligente na forma como surpreende os defesas.

Além de poder actuar como extremo, Wilson Eduardo também será extremamente efectivo nas costas ou apoio a um ponta de lança mais fixo, utilizando toda a sua mobilidade e inteligência posicional para arranjar espaços para o tiro ou para um desequilíbrio.

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O Alargamento foi uma das bandeiras eleitorais de Mário Figueiredo

Sempre achei estranho este frenesim pelo alargamento do principal campeonato português. Mesmo sabendo que seria do interesse dos clubes mais pequenos a existência de uma liga com dezoito equipas ao invés de apenas dezasseis, tive sempre dificuldades em compreender todo este delírio em, inclusivamente, se alargar a prova já em 2012/13.

Durante muito tempo, atribui essa “pressa” súbita, pelo facto de serem integradas seis equipas B na Liga de Honra, obrigando a competição a ter um alargamento súbito a 22 equipas, situação que seria minimizada para 20, caso se alargasse o principal campeonato para 18 equipas.

No entanto, hoje tivemos acesso a uma informação que pode justificar esse mesmo alargamento súbito. O tribunal administrativo de Lisboa anulou a decisão de despromover o clube axadrezado e, ao que tudo indica, o Boavista irá exigir a imediata reintegração na Liga Zon Sagres, prevendo-se, também, que não se coíba de pedir uma choruda indemnização.

Caso isso vá mesmo para a frente, mesmo alargando o campeonato a dezoito equipas, terá de se criar condições justas para esse incremento de duas equipas no principal escalão e as hipóteses são várias:

  • Não descer ninguém e subirem os dois primeiros da Liga de Honra (Só é possível caso o Boavista não seja reintegrado)
  • Descer o último da Liga Zon Sagres, subirem os dois primeiros da Liga de Honra e reintegrar o Boavista
  • Descerem os dois últimos da Liga Zon Sagres e subirem os quatro primeiros da Liga de Honra (Só é possível caso o Boavista não seja reintegrado)
  • Descerem os dois últimos da Liga Zon Sagres, subirem os três primeiros da Liga de Honra e reintegrar o Boavista
  • Reintegrar o Boavista, subirem os dois primeiros da Liga Orangina e criar uma liguilha entre os dois últimos da Liga Zon Sagres e o terceiro da Liga Orangina para decidir qual é o outro clube a ficar no primeiro escalão.
  • Subirem os dois primeiros da Liga Orangina e criarem uma liguilha entre os dois últimos da Liga Zon Sagres e o terceiro e quarto da Liga Orangina para decidirem quais são os outros dois clubes a ficarem no primeiro escalão (Só é possível caso o Boavista não seja reintegrado)


Na minha opinião, qualquer opção que implique que os dois últimos da Liga Zon Sagres fiquem no primeiro escalão sem sequer disputarem uma liguilha de manutenção, é uma aberração. Além de se perder a sempre emocionante luta pela manutenção, também se pode desvirtuar outras lutas, pois os clubes da parte baixa da tabela poderão aproveitar para rodar o plantel e fazer experiências, tornando-se mais ou menos fortes em duelos com equipas que lutam pelo título, “Champions” ou Liga Europa.

Como tal, e num período em que se vai votar os trâmites em que este alargamento será efectuado (caso seja mesmo efectuado), será necessário haver a consciência que a decisão de não fazer descer nenhum clube, apesar de naturalmente agradar aos Presidentes de clubes que se encontram na parte baixa da tabela, pode ser uma decisão desastrosa, passível de desvirtuar o que falta decidir na Liga Zon Sagres.

Ironicamente, a (possível) reintegração do Boavista pode ser muito benéfica no capítulo da verdade desportiva deste campeonato 2011/12, pois a entrada do clube portuense no primeiro escalão, aliada à obrigação dos dois primeiros da Liga Orangina subirem, implica que, no mínimo, um clube da Liga Zon Sagres seja despromovido. A menos, claro, que se alargue o campeonato a 20 equipas… Numa daquelas decisões à portuguesa…

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