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Posts Tagged ‘João Pereira’

Miguel Lopes foi uma surpresa

Uma das grandes surpresas da convocatória de Paulo Bento para este campeonato da Europa é, claramente, Miguel Lopes, lateral-direito do Sporting de Braga que poucos esperavam que estivesse nos 23 elementos que vão representar Portugal no Euro 2012. Produto das escolas de clubes como o Oriental, Olivais e Moscavide ou Alverca, Miguel Lopes iniciou a sua carreira profissional no Benfica, todavia, teve de dar alguns passos atrás na carreira até conseguir, este ano, o momento mais alto da sua carreira desportiva, sendo titular no Sp. Braga e conseguindo a viagem para a Polónia e Ucrânia.

Percurso Desportivo

Hugo Miguel Almeida Costa Lopes nasceu a 19 de Dezembro de 1986 em Lisboa, Portugal, tendo iniciado a sua carreira no Oriental e passado pelo Olivais e Moscavide e Alverca, antes de se transferir para o Benfica. Nos encarnados, representou a equipa B em 2005/06, tendo realizado 24 jogos e marcado 4 golos. Ainda assim, não convenceu os responsáveis encarnados, tendo se transferido depois para o Operário na época seguinte.

Nos açorianos, em plena II Divisão B, Miguel Lopes jogou com regularidade (23 jogos, 7 golos), garantindo, sem surpresa, uma transferência para o Rio Ave, clube que representou entre 2007 e 2009 e onde  foi peça importante no regresso dos vilacondenses ao primeiro escalão.

Esse bom desempenho no Rio Ave permitiu novo salto ao jovem lateral, sendo que Miguel Lopes se mudou para o FC Porto no início de 2009/10. Todavia, nessa época, o lateral português não se impôs totalmente, acabando emprestado ao Betis em 2010/11.

Depois de uma época de bom nível na equipa andaluza (22 jogos), Miguel Lopes preparava-se para ser novamente emprestado a outro clube espanhol (Saragoça) em 2011/12, contudo, vários problemas inerentes a essa cedência acabaram por fazer com que o internacional português ficasse parado durante os primeiros seis meses da última temporada.

Como tal, Miguel Lopes apenas voltou à acção na segunda metade de 2011/12, desta feita, num empréstimo ao Sp. Braga, clube onde terminou a época em excelente nível, tendo garantido a titularidade e, também, um lugar no Euro 2012.

Como joga?

Miguel Lopes é preferencialmente um lateral-direito que defende com critério e sabe subir com coerência pelo seu flanco, criando desequilíbrios no ataque.

Raçudo e inteligente em termos posicionais, não é um portento de técnica, contudo, tem assinalável qualidade de passe e cruza com qualidade quando ganha a linha.

Apesar de tudo, e havendo João Pereira e, até, Ricardo Costa como opção para a lateral-direita, será difícil que Miguel Lopes tenha grandes ocasiões para jogar no Euro 2012.

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João Pereira será o lateral-direito titular

Aos 28 anos, João Pereira estreia-se numa grande competição internacional e logo como provável titular, dado ao afastamento da selecção portuguesa daquele que seria o seu mais sério concorrente na posição de lateral-direito: José Bosingwa. Inicialmente um extremo-direito, mas que, com o tempo, foi recuando no terreno, João Pereira é um jogador de sangue na guelra e que nunca dá nenhum lance por perdido, acabando, muitas vezes, traído pelo seu feitio algo conflituoso que o levam a somar acções disciplinares e, também, algumas desconcentrações fatais.

Percurso desportivo

João Pedro da Silva Pereira nasceu em Lisboa a 25 de Fevereiro de 1984 e é um produto das escolas do Benfica, clube para onde se transferiu, ainda no escalão de escolas, oriundo do Domingos Sávio.

Nos encarnados, fez toda a formação e estreou-se na equipa principal em 2003/04, como extremo-direito, tendo jogado com interessante regularidade com José António Camacho (35 jogos, 5 golos). No ano seguinte, com Trapattoni, os índices de utilização mantiveram-se altos (34 jogos, 1 golo)

Os problemas, no Benfica, começaram em 2005/06, quando após um incidente com Koeman, acabou, inclusivamente, na equipa B das águias, tendo, a meio da época, se transferido para o Gil Vicente, onde acabou a temporada como titular.

No clube de Barcelos, João Pereira manteve-se na temporada seguinte, uma campanha de 2006/07 que acabou por ser na Liga de Honra devido à descida do Gil Vicente, situação motivada pelo caso Mateus. Nesse ano, o internacional português fez 25 jogos e garantiu a transferência para o Sp. Braga, regressando, dessa forma, ao primeiro escalão do futebol português.

Nos arsenalistas, esteve duas épocas e meia, onde se destacou pela regularidade (93 jogos, 2 golos) e qualidade exibicional, acabando por ser natural o salto para o Sporting.

Nos verde-e-brancos, mesmo numa fase complicada destes em termos desportivos, João Pereira tem sido um dos intocáveis, somando impressionantes 105 jogos nas últimas duas temporadas e meia.

Qualidades e Lacunas

Inicialmente um extremo-direito, João Pereira mantém algumas características dessa posição, pois continua a ser um jogador muito ofensivo, que encara os adversários sem medo e que procura tanto o cruzamento como as diagonais para o centro do terreno.

Todavia, esse perfil demasiado ofensivo expõe em demasia as suas costas, sendo que no Sporting, esses problemas se tornavam mais visíveis quando, ao invés de Izmailov ou Pereirinha, actuava à sua frente um jogador com menos consciência defensiva como Carrillo.

Para além disso, João Pereira é um jogador demasiado agressivo, sendo isso muitas vezes positivo na forma como intimida e desarma os adversários, mas também existe a outra face da moeda, que passa por inúmeras admoestações que o condicionam no seu desempenho.

Em suma, trata-se de um jogador que poderá oferecer profundidade ofensiva ao futebol da equipa das quinas, mas que terá de se mostrar especialmente concentrado, para que esse incremento de qualidade atacante não seja, ao mesmo tempo, o ruir do castelo defensivo que está a ser preparado por Paulo Bento.

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Insúa com a camisola do Sporting

Uma das lacunas mais apontadas ao Sporting neste início de temporada residia no lado esquerdo da defesa, mas pode-se dizer que o Sporting soube suprimi-la com a contratação de um lateral-esquerdo de grande qualidade individual: Insúa.

Nascido a 7 de Janeiro de 1989, Emiliano Adrián Insúa Zapata iniciou a sua carreira nas camadas jovens do Boca Juniors, mas, com apenas 18 anos, transferiu-se para o histórico Liverpool.

No clube inglês, esteve entre 2007 e 2011, ainda que apenas tenha sido titular durante a época de 2009/10, quando foi um dos mais utilizados dos “reds” e se pensou que tinha garantido o lugar de lateral-esquerdo do Liverpool para as temporadas seguintes.

Sem sucesso no futebol turco

Surpreendentemente, e depois de ter estado perto da Fiorentina, o internacional argentino acabou emprestado ao Galatasaray, onde passou a época transacta, mas sem se impor verdadeiramente, pois apenas fez 16 jogos pelo clube turco.

Assim sendo, no actual defeso, o lateral-esquerdo argentino acabou por regressar ao Liverpool, mas, sem espaço no clube inglês, acabou por se transferir de forma definitiva para o Sporting, onde se espera que se imponha como o dono do lado canhoto da defesa verde-e-branca.

lateral-esquerdo de elevado pendor ofensivo

Emiliano Insúa é um lateral-esquerdo de perfil ofensivo, que gosta de subir no terreno e criar desequilíbrios no processo ofensivo da sua equipa. Veloz, raçudo, bom tecnicamente e com uma excelente capacidade para cruzar para a área, é o puro lateral ofensivo que, por essa característica bastante atacante do seu futebol, obriga a que um dos médios-centro compense várias vezes a suas arrancadas.

Por esse motivo, e tendo em conta que no Sporting deverá ter João Pereira (também ele um lateral muito ofensivo) no outro flanco, será necessário que os leões tenham muita atenção na forma como os elementos do meio-campo vão compensar a possibilidade dos leões actuarem com dois laterais de perfil atacante.

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Os adeptos leoninos voltam a acreditar

Depois de duas épocas desastrosas em termos desportivos, o Sporting procura reassumir-se como um grande de pleno direito no contexto actual do futebol português. Após a vitória nas recentes eleições de Godinho Lopes, o duo de directores gerais: Luís Duque e Carlos Freitas lançaram as mãos à obra, dispensando jogadores como Nuno André Coelho, Maniche, Pedro Mendes ou Vukcevic e adquirindo jogadores de renome como Diego Capel, Bojinov, Schaars, Rodríguez ou Rinaudo, numa enorme revolução, mas que se exigia, devido ao triste passado recente do clube verde-e-branco. Agora, num ano em que muitos julgavam de transição, o Sporting até parece em condições de lutar pelo título, mas a pergunta exige-se: Qual será o melhor onze do Sporting?

Rodríguez tem tudo para ser o líder defensivo

Uma defesa segura e com mais centímetros

Na baliza e nas laterais do sector recuado não haveriam alterações a 2010/11 nem poderiam haver. Rui Patrício (guarda-redes) e João Pereira (lateral-direito) foram dos melhores elementos verde-e-brancos da temporada passada e Evaldo, mesmo sem ter feito uma temporada brilhante, não tem um verdadeiro concorrente do lado-esquerdo da defesa, pois o francês Turan ainda está demasiado “verde” para tamanha responsabilidade.

No entanto, no centro da defesa, a entrada de Onyewu e de Rodríguez é exigível, pois a dupla irá acrescentar muita qualidade aos verde-e-brancos, pelo poder físico e competência no jogo aéreo do norte-americano e, também, pela velocidade, capacidade de desarme e superior leitura de jogo do internacional peruano. Na verdade, estes dois jogadores poderão ser a chave para uma época bem mais descansada que a transacta em termos defensivos.

Schaars é uma clara mais-valia

Um duplo-pivot que já conquistou os adeptos

Apesar de existirem outras soluções de qualidade para as posições “seis” e “oito” como André Santos e Luís Aguiar, a titularidade deverá ser entregue ao internacional argentino Rinaudo e ao internacional holandês Schaars.

O ex-Gimnasia é um puro médio-defensivo que tem um pulmão inesgotável e que disputa cada lance como se fosse o último momento da sua vida, usando e abusando de uma agressividade (não confundir com maldade intencional) que tanto escasseou na temporada anterior. Esse futebol de Rinaudo será importantíssimo para as rápidas recuperações do esférico e para a segurança nas transições defesa-ataque e ataque-defesa.

Depois, na transição ofensiva, o jogador chave será o esquerdino Schaars. Um internacional holandês com uma capacidade táctica e técnica acima da média, que prima por uma extraordinária visão de jogo e uma qualidade fantástica na marcação de bolas paradas. O antigo jogador do AZ fará a ligação entre o “seis” (Rinaudo) e o “dez” (Matías), não havendo no plantel nenhum jogador que o possa fazer com a mesma competência e qualidade.

Matias deve jogar mais próximo da zona de tiro

Um trio de médios-ofensivos de luxo

À frente do duplo-pivot: Rinaudo/Schaars, surge uma linha de três jogadores, sendo dois deles alas/extremos (Diego Capel e Izmailov) e o outro (Matías) um puro “dez”.

Nas alas, optaria por dois jogadores de características diferentes. Do lado esquerdo, e porque Evaldo está cada vez mais um defesa-esquerdo e cada vez menos um lateral-esquerdo, colocava Diego Capel, que é um extremo mais puro e que pela sua velocidade e qualidade técnica se preocuparia mais em dar profundidade ofensiva à equipa com poucas preocupações defensivas, pois Evaldo e mesmo Schaars (excelente nas dobras no flanco esquerdo) seriam suficientes para esse desiderato.

Por outro lado, no flanco direito, colocava Izmailov, um jogador que para além de todas as suas inúmeras qualidades técnicas, é muito inteligente em termos tácticos, sendo capaz de dar profundidade ao lado direito do ataque, mas, ao mesmo tempo, equilíbrio táctico ao centro, abrindo também espaços para as subidas do lateral-direito João Pereira.

Por fim, numa posição intermédia entre o “dez” e o “nove”, numa posição tantas vezes desempenhada por João Pinto no Benfica ou no Sporting colocaria Matías Fernandez. O chileno é um “dez” com bastante sentido de baliza e deve jogar mais próximo do ponta de lança do que nas temporadas anteriores. Ali, mais perto da zona de tiro, penso que a qualidade técnica e de remate do internacional chileno poderá ser bem melhor aproveitada.

van Wolfswinkel marcou 20 golos a época passada

Uma referência de área

A ponta de lança, não se limitando a esperar que a bola lhe chegue aos pés, mas sempre preocupado em ser um farol para todo o futebol ofensivo dos verde-e-brancos actuaria van Wolfswinkel. Apesar de muito jovem, o internacional holandês é um jogador com uma qualidade técnica apreciável e que sabe movimentar-se muito bem na zona de tiro, sendo frio e letal na hora de atirar à baliza, seja com a cabeça ou com os pés.

Depois, bem servido por jogadores como Schaars, Capel, Matías ou Izmailov, tem todas as condições para explodir já nesta temporada e assumir-se como o principal goleador do Sporting 2011/12.

Porquê o 4x2x3x1?

Fala-se muito do Sporting poder actuar em 4x1x3x2, mas sem colocar essa táctica de parte para certo tipo de jogos, nomeadamente os de grau de dificuldade mais baixo, penso que os leões têm tudo a ganhar se usarem este 4x2x3x1. É uma táctica equilibrada, que permite segurança defensiva e profundidade ofensiva e, acima de tudo, mantém a equipa sempre equilibrada, facilitando as transições defesa/ataque e ataque/defesa.

Por outro lado, o 4x1x3x2, muitas vezes, ou não garante segurança à frente da defesa, abrindo demasiados buracos entre a defesa e o meio-campo ou faz com que os dois médios-centro fiquem demasiado distantes dos dois avançados, obrigando a que um dos atacantes recue muito no terreno para ir buscar jogo e funcione quase como um dez. Quando isso acontece, a táctica acaba por se transformar num 4x2x3x1, mas muitas vezes com um “dez” a “oito” e um ponta de lança a “dez”… Lembram-se de quantas vezes isto aconteceu ao Sporting na temporada transacta?

Assim sendo, e tendo em conta o valioso banco que o Sporting teria, com jogadores do calibre de Luís Aguiar, Bojinov, Hélder Postiga ou André Santos, penso que este onze em 4x2x3x1 seria o mais indicado, ficando o 4x1x3x2 como esquema alternativo para quando a ocasião o exigisse.

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A supertaça 2007/08 foi o último título dos leões

Terminou mais uma temporada infeliz do Sporting Clube de Portugal, sendo que este mediano terceiro lugar não pode esconder uma época deplorável que viu o Sporting perder todas as competições que disputou, sendo que as eliminações da Taça de Portugal e da Liga Europa, diante de duas equipas (V. Setúbal e Glasgow Rangers) claramente inferiores aos leões são reveladoras do mau momento que se vive para os lados de Alvalade.

O Sporting acabou o campeonato a, imagine-se, 36 pontos do FC Porto, sendo que os dragões terminaram a competição com mais do dobro das vitórias (27) obtidas pelos verde-e-brancos (13). Mesmo o Benfica, que terminou o campeonato em desaceleração e perdendo pontos surpreendentes, conseguiu terminar a prova com mais quinze pontos que os leões.

Assim sendo, parece lógico que o Sporting precisa de preparar muito bem 2011/12 e, nesse seguimento, é necessário uma análise cuidada ao actual plantel, dividindo os elementos desse mesmo grupo de trabalho em indispensáveis, transferíveis, emprestáveis e dispensáveis.

Na minha opinião, e começando pelos dispensáveis, optava pelos seguintes elementos:

  • Hildebrand
  • Tiago
  • Abel
  • Grimi
  • Anderson Polga
  • Nuno André Coelho
  • Maniche
  • Tales
  • Cristiano
  • Carlos Saleiro

 Obviamente que as razões da dispensa destes elementos depende de factores diferentes. Anderson Polga, Tiago e Abel foram excelentes profissionais, mas estão no fim da linha do seu percurso nos verde-e-brancos, já não acrescentam grande coisa ao plantel em termos de qualidade, sendo que Abel (João Gonçalves) ou Tiago (Vítor Golas) têm soluções internas bem menos onerosas e sem défice em termos de qualidade individual. Quanto a Anderson Polga, até podia falar de Nuno Reis, contudo, o defesa-central emprestado ao Cercle Brugge ainda precisa de rodar pelo menos mais um ano para se poder começar a pensar num regresso a Alvalade.

Quanto a Hilderbrand e Maniche, tratam-se de dois jogadores demasiado caros para o rendimento que apresentaram ao serviço do Sporting, não se justificando a sua continuidade, sendo que tanto o internacional alemão como o internacional português devem ser substituídos por elementos de qualidade, mas necessariamente mais baratos a nível de ordenados. Vicent Enyeama (guarda-redes do Hapoel Telavive) e Rafael Robayo (Médio-centro do Millionarios) são bons exemplos.

Por fim, Nuno André Coelho, Grimi, Tales, Cristiano e Carlos Saleiro não parecem ter qualidade suficiente para se manterem no plantel leonino e devem ser dispensados, sendo que a situação mais simples a de Tales e Cristiano, pois terminam contracto com os verde-e-brancos. Já no caso de Nuno André Coelho, Grimi e Carlos Saleiro, deve ser encontrada uma solução que satisfaça clube e atletas, que poderá passar por um empréstimo ou, até, por um acordo de rescisão, pois dificilmente estes atletas terão mercado, à excepção, talvez, do lateral-esquerdo argentino.

Passando aos emprestáveis, optava por estes dois elementos:

  • Cedric Soares
  • Diogo Salomão
Tanto o lateral/ala-direito como o extremo-esquerdo são elementos que parecem ter condições para serem mais valias no Sporting Clube de Portugal, todavia, acredito que Cedric Soares e Diogo Salomão irão ter muito poucas oportunidades para jogar na próxima temporada e, na minha opinião, ambos os atletas precisam de minutos de jogo para que possam continuar a sua evolução futebolística. Assim sendo, aconselho um empréstimo dos dois a um clube médio/médio-baixo do principal escalão do futebol português.
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Dos emprestáveis, sigo para os transferíveis, ou seja, jogadores com valor para se manterem no plantel do Sporting, mas que, na presença de uma boa proposta, deve ser ponderada a sua saída:
  • Daniel Carriço
  • Yannick Djaló
  • Zapater
  • Simon Vukcevic
Estes três elementos estão nesta lista por situações diferentes. Daniel Carriço é um defesa de qualidade e com mercado, mas, na minha opinião, a sua baixa estatura e fraca impulsão que lhe garantem dificuldades no jogo aéreo, irão impedi-lo sempre de ser o tal patrão da defesa leonina. Assim sendo, uma proposta que supere os 10/12 milhões de euros deve ser imediatamente considerada.
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Yannick Djaló, por sua vez, é um jogador com talento, mas parece-me pouco constante e nunca explodiu da maneira que se esperava, sendo que uma boa  proposta, na ordem dos 8/9 milhões de euros, deve ser suficiente para se negociar a sua saída.
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Depois, apesar de não achar que é o péssimo jogador que muitos vêem em Zapater, entendo que facilmente se encontraria uma jogador de nível superior, sem ser necessário gastar muito dinheiro. Assim sendo, e sabendo que o espanhol tem mercado, aconselhava a venda do aragonês, desde que o valor da transferência não fosse inferior a dois milhões de euros.
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Por fim, Simon Vukcevic é um caso diferente e representa um jogador muito talentoso e com condições para ser dos melhores da Europa, mas que é demasiado problemático e inconstante, sendo que poderá, inclusivamente, ser um destabilizador de balneário. Assim sendo, e apesar de toda a sua qualidade incontestável, penso que o Sporting o deveria vender pelo seu preço de custo e, assim, prescindir de um atleta que pode continuar a revelar-se um problema bicudo.
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Para finalizar, os elementos imprescindíveis, ou seja, os elementos que devem continuar no plantel do Sporting e assumirem-se como a base 2011/12, porque mesmo numa grande revolução de plantel, há que garantir um nível mínimo de continuidade.
  • Rui Patrício
  • Evaldo
  • Torsiglieri
  • João Pereira
  • André Santos
  • Pedro Mendes
  • Izmailov
  • Jaime Valdés
  • Matías Fernandez
  • Hélder Postiga
Assim sendo, chegamos a uma lista de dez jogadores (14, caso não se consiga vender os tais quatro elementos que entendo como transferíveis) +1, que, neste caso, não é um chinês, mas o peruano Carrillo, já contratado pelo Sporting.
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Partindo do princípio que Daniel Carriço, Yannick Djaló, Vukcevic e Zapater ficam no plantel e que Vítor Golas e João Gonçalves regressam de empréstimo, o Sporting fica com 17 jogadores, faltando nove para a tal lista de 23+3 promessas de que falou Godinho Lopes.
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Nesse caso, seriam necessários nove jogadores e, como tal, pensando que os leões avançarão para um 4-3-3/4-2-3-1, acho que o Sporting devia tentar as seguintes contratações:
  • Um guarda-redes de valor para ser o concorrente de Rui Patrício. O referido Enyeama seria uma excelente opção.
  • Um lateral-esquerdo (Wendt é uma possibilidade, Sílvio, pela polivalência, seria o ideal)
  • Dois defesas-centrais de altíssima qualidade (Rodríguez do Sp. Braga e outro, que fosse experiente, uma clara mais-valia e necessariamente mais alto)
  • Um médio-centro de grande pulmão e qualidade que pudesse jogar tanto a “seis” como a “oito”. Rafael Robayo, já referido, seria uma boa aquisição.
  • Um extremo puro, ou seja, um verdadeiro flanqueador, que desse a largura de jogo ao Sporting que a equipa tanto precisa e que fosse uma clara mais valia para o plantel.
  • Dois avançados, sendo um mais posicional e referência atacante (ao que tudo indica, o ex-Besiktas Bobô) e outro mais polivalente e que pudesse jogar sozinho na frente, mas também como avançado de suporte num alternativo 4x4x2 e, se possível, descaído numa das alas na táctica 4x3x3.
  • Por fim, um jogador jovem, tal como Carrillo e que se juntasse a João Gonçalves e ao peruano (não incluo Vítor Golas por se tratar de um guarda-redes e, como tal, uma situação diferente) como uma das três promessas que o novo presidente do Sporting quer ter no plantel.
Na minha opinião, este será o caminho que o Sporting tem de fazer para que possa ser mais competitivo em 2011/12. Dificilmente dará para ser campeão já na próxima temporada, mas pode ser fulcral para que os leões comecem a construir uma equipa que, num futuro próximo, ombreie com dragões e águias pelo lugar mais alto do pódio do futebol nacional.

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Rudnevs evitou quinta-feira sem derrotas

Numa quinta-feira de grandes emoções, o futebol português tem razões para sorrir, pois todas as quatro equipas envolvidas nos dezasseis avos de final da Liga Europa garantiram resultados que lhes permitem sonhar com a passagem aos oitavos de final da prova. Os dragões, pela vitória em Sevilha (2-1), são os que se encontram mais perto desse objectivo, contudo, o Benfica, que venceu o Estugarda (2-1) na Luz, o Sporting que empatou em Glasgow diante do Rangers (1-1) e, até, o Sporting de Braga que perdeu num enorme manto de neve, diante do Lech Poznan (0-1), têm grandes hipóteses de seguirem em frente.

Benfica 2-1 Estugarda

A primeira parte dos encarnados foi má demais para ser verdade. Uma equipa desligada, sem alma e, até, a parecer que olhava o seu adversário do alto de uma pseudo-superioridade que não se verificava no relvado. Assim sendo, foi sem surpresa que os germânicos alcançaram a vantagem no marcador graças a um golo de Harnik (21′).

Veio o intervalo, provavelmente uma dose de gritos de Jorge Jesus, e o Benfica surgiu transfigurado na segunda metade. De facto, os encarnados passaram a pressionar e a empurrar o seu adversário às cordas, reduzindo-o a uma mediocridade que esteve longe de aparentar no primeiro tempo.

Dois golos foram marcados, um por Cardozo (70′) e outro por Jara (81′), mas muitos outros ficaram por concretizar, devido à falta de pontaria dos avançados encarnados e, também, graças à boa exibição do guarda-redes Ulreich.

Ainda assim, este 2-1, aliado ao facto do Estugarda estar longe de ter uma equipa que possa meter grande medo, abre excelentes perspectivas do Benfica superar esta ronda e passar aos oitavos de final da Liga Europa.

Lech Poznan 1-0 Sp. Braga

O frio e a neve assustavam, mas a verdade é que o Sp. Braga, durante toda a primeira parte, foi uma equipa adulta, segura e pressionante, controlando totalmente o jogo, mesmo que não tenha criado grande perigo para a baliza da equipa polaca.

No entanto, após o descanso, a equipa minhota perdeu a frieza do primeiro tempo, parecendo ficar amedrontada com o passar dos minutos. Foi recuando, recuando e apostando quase todas as suas fichas na segurança da sua defesa e, acima de tudo, do guarda-redes Artur Moraes.

Infelizmente para o conjunto português e apesar da excelente exibição do guarda-redes brasileiro, este foi incapaz de suster o remate de Rudnevs (72′) que garantiu uma preciosa mas magra vitória do Lech Poznan por uma bola a zero. Em suma, tudo em aberto para a segunda mão, em Braga.

Sevilha 1-2 FC Porto

Deve estar escrito em algum manual celestial, mas o certo é que o FC Porto costuma ter estrelinha em Sevilha. Ontem, no Sanchez Pizjuan, os azuis e brancos fizeram uma primeira parte sóbria, sem grandes rasgos, mas a suficiente para controlar uma equipa andaluza extremamente dependente do jogo pelas alas para criar perigo. Assim sendo, quando o árbitro apitou para o intervalo, o zero a zero justificava-se plenamente pelo que as equipas fizeram dentro do terreno de jogo.

Após o descanso, todavia, o Sevilha apareceu mais pressionante do que nos primeiros quarenta e cinco minutos, ainda que, curiosamente, acabou por ser o FC Porto a abrir o activo, naquele que foi o seu primeiro lance de perigo do segundo tempo. Livre de James Rodríguez e Rolando, com um toque subtil, a desviar de Palop e a fazer o 0-1.

A perder, os andaluzes arregaçaram as mangas e foram para cima do conjunto português, que passou um mau bocado. Kanouté, aos 65 minutos, empatou a partida e, aos 77 minutos, falhou inacreditavelmente a reviravolta. Luís Fabiano, de cabeça, também esteve perto do 2-1.

Contudo, no meio do vendaval ofensivo dos sevilhanos, quando já poucos acreditavam nessa possibilidade, Cristian Rodríguez aproveitou um erro crasso de Fazio, avançou, chocou com Palop e, na recarga, Freddy Guarín atirou para o 2-1, garantindo aos azuis-e-brancos um excelente resultado para a segunda mão a disputar no Estádio do Dragão.

Glasgow Rangers 1-1 Sporting

O Sporting é, neste momento, uma equipa que por vezes quebra à menor dificuldade, mas ontem, no inferno do Ibrox, foi uma equipa generosa que, mesmo sem fazer uma grande exibição, alcançou um resultado que lhe abre excelentes perspectivas para o jogo da segunda mão.

Durante a primeira parte, assistiu-se a um pacto de não agressão entre portugueses e escoceses, com os lances de perigo a serem muito escassos, salvo as excepções de um remate cruzado de Hélder Postiga (39′), um remate ao lado de Whittaker (40′) e um lance em que Yannick (43′), isolado perante McGregor, desperdiçou.

Contudo, na segunda metade, os protestantes perceberam que o zero a zero não seria um bom resultado para levarem para o Alvalade XXI e aumentaram ligeiramente o ritmo de jogo para tentarem chegar ao golo. Ainda assim, a sua fraca qualidade técnica limitava-os de sobremaneira, percebendo-se que só seriam realmente perigosos em lances de bola parada e/ou cruzamentos para a área.

Sem surpresa, foi assim que chegaram ao 1-0. Aos 68 minutos, na sequência de um pontapé de canto de Weiss, Whittaker, de cabeça, não perdoou e colocou o Glasgow Rangers em vantagem.

Apesar da desvantagem, Paulo Sérgio sabia que esta equipa escocesa está longe de ser um colosso do futebol europeu e, assim, apesar de algo tardiamente, decidiu fazer alguma coisa, lançando Matías Fernandez e Saleiro. Curiosamente, foi na sequência de uma abertura de Saleiro para o cruzamento de João Pereira que surgiu o golo do chileno Matías, que, solto de marcação, atirou de cabeça para o empate (1-1).

Estávamos no minuto 89, mas este Sporting é uma equipa extremamente intranquila e, até ao apito final, ainda sofreu um bocado, ainda que, aí, Rui Patrício tenha estado em grande nível, segurando este 1-1, que dá todas as condições do Sporting, em Alvalade, confirmar o apuramento.

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A festa do golo bracarense

Na Pedreira, o Sporting de Braga venceu o Sevilha (1-0) e deu um importante passo rumo à fase de grupos da Liga dos Campeões. Neste momento, os arsenalistas, se marcarem um golo na Andaluzia, até podem perder pela margem mínima que seguem em frente. Por outro lado, na Liga Europa, apenas os dragões deram aos portugueses razões para sorrir, após irem à Flandres, vencer o Racing Genk por 3-0, um resultado que deixa os portistas praticamente apurados  para a fase de grupos, pois Sporting (0-2, em casa diante do Brondby) e Marítimo (0-3, na Bielorrússia, diante do BATE) colocaram a sua vida nas competições europeias à beira do precepício.

Matheus voltou a ser decisivo

Braga 1-0 Sevilha

A primeira parte do jogo foi totalmente dominada pelo Sevilha que, em alguns momentos, chegou a massacrar a equipa portuguesa. Ainda assim, apesar de terem jogado quase sempre nas imediações da baliza de Felipe, a equipa espanhola apenas esteve realmente perto do golo por uma vez, quando Luís Fabiano, aos quatro minutos, num cabeceamento colocado, levou a bola a embater no poste.

No entanto, um lance de Matheus, em cima do intervalo, que, cara a cara com Palop, quase bateu o guarda-redes sevilhano, deu o mote para uma segunda metade, que apresentou duas equipas transfiguradas: a do Braga para melhor e a do Sevilha para muito pior.

O cariz do jogo, assim, sofreu uma viragem de 180º, com a equipa bracarense a passar a dominar o jogo e a beneficiar de uma alteração muito inteligente de Domingos, que retirou o amarelado e demasiado preso Miguel Garcia e colocou um bem mais desenvolto Sílvio.

Mais tarde, com a saída de Luís Aguiar e a entrada de Lima, Alan passou a organizar o jogo ofensivo dos arsenalistas e a equipa ganhou ainda mais profundidade ofensiva.

Passado poucos minutos, na sequência de um excelente cruzamento de Sílvio, Matheus, na recarga a um cabeceamento de Paulo César, fez o 1-0 e colocou o Sporting de Braga na frente.

Daqui até final, os bracarenses, sempre com muita cabeça, dominaram o jogo e até podiam ter feito mais golos, no entanto, Salino e Lima falharam boas oportunidades para ampliar a vantagem. Ainda assim, pela segunda parte e pelo triunfo, os arsenalistas abrem boas prespectivas para a segunda mão.

Falcao continua a ser decisivo

Racing Genk 0-3 FC Porto

A experiência europeia dos dragões e o nome FC Porto têm muita força na Europa do futebol e só isso explica a forma tímida e encolhida como o Genk encarou a primeira parte do encontro com os portistas.

Com um saldo de 19-1 em golos neste início de temporada, ninguém, por certo, esperava ver o Genk a actuar dessa forma, mas os dragões agradeceram, aproveitando para fazerem uma primeira parte muito tranquila em que trocavam a bola como queriam e criando algumas oportunidades de golo, sendo que, ainda assim, apenas conseguiram concretizar por uma vez, na sequência de um penalti transformado por Falcao, a meio da primeira parte.

Após o descanso, a equipa belga, a perder, passou a arriscar um pouco mais, começando a criar alguns problemas para o último reduto portista. Nessa fase, valeu Helton, com um punhado de excelentes defesas e, também, a expulsão de Matoukou, aos 66 minutos, que, colocando o Genk com menos uma unidade, matou, definitivamente, as hipóteses da equipa da Flandres.

A partir desse momento, o FC Porto sentiu que podia matar a eliminatória ali mesmo em Genk e após Villas Boas trocar o seu 4-3-3 por um 4-2-3-1, viu a equipa portista marcar mais dois golos (e que golos) por intermédio de Souza e Belluschi. Dois tentos que garantiram uma vitória por 3-0 e o apuramento mais que assegurado para a fase de grupos da Liga Europa.

Yannick é o rosto da desilusão leonina

Sporting 0-2 Brondby

Após a derrota com o Paços de Ferreira, esperava-se que o Sporting espevitasse neste compromisso europeu, no entanto, o que os adeptos leoninos viram foi apenas o prolongar do pesadelo.

Paulo Sérgio apostou num 4-4-2 clássico com Matias e Valdes nas alas e o duplo pivot (André Santos-Maniche), um sistema que teve velocidade e mobilidade durante cerca de cinco/dez minutos, mas, depois, veio a revelar-se num enorme equívoco, com destaque para a incapacidade de Matias e Valdes darem profundidade nas alas e para a ausência total de jogo de André Santos.

Dessa forma, o jogo avançava com um Sporting inoperante, desligado e sem qualquer fio de jogo, todavia, o pior ainda estava para vir, pois, aos 43 minutos, o Brondby colocou a vida do Sporting ainda mais difícil, após grande golo de Kristiansen, a premiar uma boa jogada de contra-ataque.

Após o intervalo, pensou-se que o Sporting viria de ideias mais vincadas e com outra mentalidade, todavia, o segundo golo do Brondby, apontado aos 53 minutos por Jallow, deixou os leões ainda mais desesperados.

Assim sendo, a reacção leonina foi sempre muito mais com o coração do com a cabeça e, quando a isso se associa a falta de sorte (remates ao poste de Liedson e Nuno André Coelho) e a má prestação do árbitro (penalti negado por falta clara sobre João Pereira) o destino é quase sempre a derrota e, neste caso, a quase certa eliminação precoce das competições europeias.

Baba lutou mas foi ineficaz

BATE 3-0 Marítimo

A deslocação madeirense à Bielorrússia conta-se em dois momentos completamente díspares: Uma excelente primeira parte e uma segunda parte que foi pouco menos que um pesadelo.

No primeiro tempo, o Marítimo jogou muito bem, criou algumas oportunidades de golo e, durante muito tempo, conseguiu empurrar o BATE para o seu meio campo. Nesse período, havia a clara noção de que os madeirenses podiam vencer na Bielorrússia e nem um remate ao poste de Rodionov em cima do intervalo punha em causa essa ideia.

Contudo, o segundo tempo foi um desastre. A equipa recuou no terreno e, após sofrer o primeiro tento (Olekhnovich, 57′), a equipa entrou em desnorte completo.

Aproveitou assim o BATE para fazer mais dois golos (Bressan e Pavlov) e deixou o Marítimo a precisar de um milagre na Madeira para seguir em frente na Liga Europa.

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A última época do Sporting foi um autêntico desastre que se resumiu a uma total ausência de títulos e a um triste quarto lugar na Liga Portuguesa. Ainda assim, penso que o futuro pode ser risonho, pois os ajustes do inverno passado e deste verão permitem que os verde e brancos tenham uma equipa mais equilibrada e com condições de fazerem um campeonato bem melhor que o transacto. Com bastantes soluções no meio campo e com o problema do lateral esquerdo resolvido, a integração de Stojkovic será, assim, o passo seguinte para que os leões possam ombrear pelo título nacional.

Pensando nessa integração e analisando todo o plantel leonino, este seria, na minha opinião, o melhor onze do Sporting Clube de Portugal.

 

Na baliza iria optar por Stojkovic, um jogador rápido, ágil, muito seguro e corajoso, que é, de longe, o melhor guarda-redes do plantel leonino. Graças ao atleta sérvio, o Sporting iria, por certo, conquistar muitos pontos, que seriam muito importantes no percurso verde e branco.

Quanto à defesa, penso que não há grandes dúvidas. Evaldo e João Pereira, nas laterais, dão garantias de serem competentes a defender e, acima de tudo, inteligentes e incisivos no ataque. Estes dois jogadores garantem ao Sporting uma profundidade ofensiva que nunca poderia ser dada por Leandro Grimi e Abel, podendo ser importantíssimos na nova época do futebol leonino. Por outro lado, no centro do reduto defensivo, o Sporting continua a não ser muito forte. Ainda assim, Daniel Carriço, mais liberto de marcações e com a possibilidade de subir no terreno com a bola controlada e Tonel, central mais de choque e de marcação, continuam a ser os jogadores que dão mais garantias.

No meio campo, o Sporting tem muitas e boas alternativas. No centro, optaria pelo duplo pivot: Miguel Veloso-Maniche, dois jogadores que são competentes a defender (principalmente Maniche) e que sabem lançar o ataque com enorme qualidade, pois são jogadores de boa visão de jogo e técnica apurada. Ainda assim, em jogos mais complicados, talvez fosse mais seguro retirar Miguel Veloso e colocar Pedro Mendes, pois o ex-Rangers é um jogador mais raçudo, que ocupa melhor os espaços e defende melhor.

Nas alas, colocaria Izmailov na esquerda e Sinama-Pongolle na direita. O russo seria um extremo mais puro, que procuraria mais a linha, ainda que também fizesse bastantes diagonais para o centro, ou para combinar com Liedson ou para fazer uso do seu forte pontapé de meia distância. Já o francês funcionaria, no flanco oposto, como um falso extremo, aparecendo várias vezes ao lado de Liedson e usando o seu posicionamento no flanco, apenas como uma armadilha para aparecer embalado no um contra um com os adversários. Este esquema, sem extremos puros, aproveita o facto do Sporting ter laterais com capacidade de dar profundidade ao jogo ofensivo, pois sempre que João Pereira não possa jogar na direita, será mais inteligente usar Valdes no lugar de Sinama Pongolle.

Por fim, no centro do ataque, optaria por colocar Matias Fernandez na posição dez, dando ao chileno liberdade total para libertar o seu futebol criativo. O chileno teria poucas preocupações defensivas e teria a missão tanto de criar jogo como de funcionar como muleta para o ponta de lança Liedson, um jogador que pareceria, em primeira instância que estaria sozinho na frente de ataque, mas teria sempre a companhia ou de Pongolle ou de Fernandez, para fazer combinações que o deixassem em posições privilegiadas para finalizar.

Com bons suplentes como Vukcevic (para o lugar de Izmailov, Pongolle ou, até, Matias Fernandez) e Postiga (Tanto pode jogar como ponta de lança como avançado centro), o Sporting, com esta base táctica, seria sempre uma equipa com condições para discutir o título nacional e fazer uma boa campanha na Liga Europa.

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Uma peça de equilíbrio táctico

Uma peça de equilíbrio táctico

Com a impossibilidade de Bosingwa estar presente na fase final do campeonato do mundo, a discussão pelo lugar de lateral direito ficou em aberto.

Vários nomes surgiram em agenda para além dos que acabaram por ser convocados: Ruben Amorim, João Pereira ou mesmo Miguel Lopes. Jogadores dos três grandes nacionais e que integraram a pré-convocatória do seleccionador. No entanto, Queirós optou por jogadores com experiência na selecção (Miguel e Paulo Ferreira), com quem já tinha trabalhado e que sabia com o que podia contar – um critério válido e coerente quando existe pouco tempo de trabalho para integrar jogadores novos numa área que necessita de aprendizagem de rotinas, o sector defensivo.

Analisemos então Paulo Ferreira. Nascido em Janeiro de 1979, o jogador de 31 anos é um lateral polivalente que tanto pode jogar na ala direita, como na ala esquerda da defesa.

Iniciou a sua carreira no Estoril, onde jogou até 1999/00, tendo-se transferido posteriormente para o Vitória de Setúbal. Em Setúbal jogou duas épocas com grande regularidade, chegando a despertar o interesse do Sporting. Mas, seria o Porto a assegurar a sua contratação, pela mão de José Mourinho. No Porto, Paulo Ferreira jogou duas temporadas foi sempre titular, fez exibições de grande regularidade, dando equilíbrio e segurança à equipa e ganhou quase tudo o que podia ganhar: dois campeonatos, uma taça de Portugal, uma Supertaça Portuguesa, um Taça UEFA e uma Liga dos Campeões. Mais uma vez pela mão de Mourinho, transfere-se para o Chelsea, em 2004, onde joga actualmente. Apesar de começar a sua aventura em Londres como titular, Paulo Ferreira foi perdendo lugar na equipa do Chelsea a partir da sua segunda temporada.

Apesar de perder o fulgor no seu clube, na selecção foi sempre uma opção válida para Scolari e para Queirós, jogando à direita e à esquerda sempre que necessário e marcou presença em todas as competições internacionais desde 2004.

Paulo Ferreira é um lateral que agrada mais aos técnicos com quem trabalha do que aos adeptos que o vêm jogar. Não é um lateral rápido e desiquilibrador que entusiasma a plateia com rasgos individuais ou desequilíbrios na parte ofensiva do jogo – apesar de ser ser bom nos cruzamentos para a área. O seu grande talento é a regularidade e capacidade táctica, cumprido à risca com as ordens que vêm do banco e dando consistência defensiva à equipa. Não sendo um gigante, é um jogador alto para a posição de lateral (1,82m), o que pode ser útil para compensar o défice de altura que a nossa selecção, por regra, tem em relação a alguns adversários.

Numa equipa que deverá jogar com três jogadores de tarefas claramente ofensivas e um lateral esquerdo de características atacantes (tanto Duda como Fábio Coentrão são laterais ofensivos), Paulo Ferreira pode desempenhar um papel muito importante no equilíbrio da equipa, libertando o génio dos alas Cristiano Ronaldo, Simão ou Nani.

Pela sua regularidade, experiência e “encaixe no sistema táctico” deverá ser o titular da selecção – pelo menos em jogos mais equilibrados e que requerem maiores cuidados defensivos. No entanto, parece-nos uma opção limitada do ponto de vista ofensivo, pelo que em jogos ou situações em que for necessário um forcing atacante mais acentuado faz todo o sentido que seja uma peça a sacrificar.

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Todos nós conhecemos o chamado “efeito borboleta”: o simples bater de asas de uma borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e assim provocar um tufão do outro lado do mundo. No mundo do futebol, este fenómeno acontece mais vezes do que seria de esperar e nem sempre de forma aleatória.

Na passada terça-feira jogou-se o derby lisboeta entre os dois eternos rivais. O Sporting estava a fazer um bom jogo e bastou uma borboleta bater as asas para influenciar o rumo dos acontecimentos. Não querendo entrar em debate sobre quem mereceu ganhar ou se o resultado foi justo, centro o meu texto em torno de como um só fenómeno pode mudar o rumo de um jogo.

Aos 47 minutos de jogo (logo no início da segunda parte), o árbitro faz vista grossa a uma entrada a pés juntos, com o jogo interrompido e pelas costas, do jogador Luisão sobre Liedson. O arbitro vê o lance e mostra o cartão amarelo em vez do cartão vermelho – que segundo as regras se aplicava, implicando a expulsão do referido jogador. A partir daí o jogo decorre de forma (a)normal.

Durante o jogo, houve mais lances para expulsão (para ambos os lados) – como a agressão do mesmo Luisão a Tonel, ou a entrada agressiva de Veloso sobre Ramires, mas o que este lance tem de diferente?

Em primeiro lugar, a forma como o arbitro faz vista grossa e não aplica as regras: foi à frente do arbitro que vê e pune o lance; ao ver o lance tinha obrigatoriamente de expulsar o jogador já que a entrada é clara e não deixa margem para dúvidas; e, se o lance está interrompido não podia punir uma falta para amarelo porque não há disputa de bola num lance, mas sim uma agressão e correspondente vermelho. Em segundo lugar, o efeito psicológico que este lance tem nas duas equipas: no início de uma parte o arbitro decide, de forma escandalosa, não aplicar as leis de jogo e esta decisão inibe uma equipa que se vê descriminada, enquanto relaxa a outra que se sente protegida. Um lance que condiciona o desenrolar de um jogo.

Acrescentemos que na jornada anterior o jogador Izmailov tinha sido expulso, justamente, por uma entrada semelhante e o Sporting é condicionado por não poder contar com o russo na partida seguinte. Na meia final da Taça da Liga, o jogador João Pereira foi expulso no início da partida por uma entrada violenta sobre o jogador Ramires e o Sporting encontra-se condicionado durante quase toda a partida.

Parece-me óbvio que pequenas coisas fazem grandes diferenças sobre o desenrolar de um jogo de futebol. Mas, é deveras preocupante que “o bater das asas das borboletas” não seja uniforme. Mais preocupante ainda é que as entidades responsáveis façam vista grossa e legitimem determinadas situações para uns e as punam para outros.

Sou um grande adepto da inclusão das novas tecnologias no futebol para reduzir a entropia de determinadas decisões, mas há situações que ultrapassam a mera questão do erro humano.

PS: Três notas importantes,

1- As declarações como as do jogador Luisão sobre o lance, em que diz que escorregou, são absurdas. Toda gente viu que foi deliberado, se queremos seriedade no futebol não podemos legitimar este condutas.

2 – O caso de Luisão não é o único caso de protecção que influencia a verdade desportiva e as “virgens ofendidas” que tanto falaram do caso de Bruno Alves na final da taça da liga deviam de ter o mesmo discurso sobre o jogador Luisão.

3 – Uma palavra para Costinha que esteve muito bem ao assumir para si a responsabilidade da conferência de imprensa para falar sobre a dualidade de critérios sobre jogadas semelhantes. Ao mesmo tempo que disse a verdade, protegeu Carlos Carvalhal de um possível castigo por este tipo de declarações. Bom trabalho.

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