Em apenas duas jornadas, o Benfica perdeu cinco pontos e deixou-se ultrapassar pelo FC Porto no topo do campeonato nacional, contudo, se com o Estoril o empate se deveu, principalmente, ao mérito da equipa canarinha, tudo se alterou no duelo contra os dragões, pois aí o Benfica acabou por pagar a sua fraca ambição ao longo dos noventa minutos.
É verdade que o Benfica controlou completamente o jogo e que o FC Porto raramente conseguiu incomodar Artur, sendo que, na segunda parte, o único aviso antes do golo de Kelvin surgiu num lance em que James Rodríguez partiu de posição irregular. Ainda assim, custa a perceber a falta de risco de Jorge Jesus, que nem quando os azuis-e-brancos arriscaram tudo, procurou, sequer, explorar o contra-ataque.
Na verdade, o técnico encarnado preferiu dar a ideia para dentro de campo que o único objectivo do Benfica passava pelo empate e esse momento surge principalmente quando troca Gaitán por Roderick. Nesse momento, Jesus mostrava que vencer não era objectivo e, de certa forma, abriu espaço para que Vítor Pereira se lançasse de forma ainda mais decidida na procura de uma vitória.
Foi uma derrota inglória, é certo, mas também é o culminar de dois aspectos que têm acompanhado o Benfica de Jorge Jesus. Um, desde sempre, e que passa pelo intenso desgaste físico e psicológico que as águias apresentam nesta fase da época. O outro, desde um fatídico Liverpool-Benfica para a Liga Europa, quando Jorge Jesus deixou de ser o treinador que pretendia fazer do Benfica um rolo compressor durante os noventa minutos e passou a gerir muitos jogos com demasiadas cautelas, situação que, valha a verdade, ainda não lhe trouxe qualquer benefício prático.
Talvez Jorge Jesus tenha pensado que esse futebol extremamente ofensivo que utilizou durante a maior parte da época 2009/10 o afastasse das grandes conquistas e que podia fazer dele um novo “Peseiro”, ou seja, um treinador muito atacante e vistoso, mas condenado a não conquistar títulos. Ironia das ironias, têm sido esses temores que o têm afastado dos títulos nas últimas épocas e que o têm feito morrer muitas vezes na praia, como acontecia com o actual técnico arsenalista.
Que o duelo no Estádio do Dragão sirva de exemplo ao técnico encarnado e que este, na quarta-feira, apareça em Amesterdão com uma equipa ofensiva e segura de si. Só um treinador com mentalidade “à Benfica” poderá afastar finalmente a maldição de Guttmann e Jesus precisa de se reencontrar com o seu “eu” de 2009/10, que era o único que preenchia esses requisitos.
Nesta altura do campeonato, não parece haver ninguém na família portista que não peça a cabeça de Vítor Pereira. Pertíssimo de perder o tricampeonato numa temporada em que os azuis-e-brancos falharam em todas as outras competições, o técnico portista é o fácil bode expiatório de uma campanha 2012/13, que, na verdade, sem se poder considerar péssima, será sempre negativa para as naturais fortes ambições da equipa que tem dominado o espectro futebolístico português nas últimas duas décadas.
No entanto, uma análise mais aprofundada aos resultados de Vítor Pereira permite-nos perceber que o treinador azul-e-branco melhorou em toda as competições disputadas, conseguindo, de forma paradoxal perante tanto descrédito generalizado, demonstrar uma evolução que surpreenderá o adepto mais distraído.
De facto, em 2011/12, o FC Porto foi eliminado na fase de grupos da “Champions”, caiu à primeira na Taça de Portugal e foi eliminado nas meias-finais da Taça da Liga, enquanto nesta temporada os comandados de Vítor Pereira subiram mais um degrau em todas essas competições, pois atingiram os “oitavos” da Liga dos Campeões, os 16/final da Taça de Portugal e a final da Taça da Liga.
Em termos de campeonato, todavia, o segundo lugar que Vítor Pereira ocupa em 2012/13 parece sugerir um retrocesso, mas não será bem assim. Na temporada transacta, o técnico azul-e-branco foi campeão com 75 pontos e, esta temporada, ainda pode chegar aos 78, podendo até terminar o campeonato sem qualquer derrota.
Claro que a evolução nestas provas é pouco significativa, pois não valeu títulos e mesmo a subida pontual no campeonato pode ser facilmente explicável pela queda qualitativa de muitas equipas portuguesas, situação que criou um gigantesco fosso entre Benfica e FC Porto e todos os seus adversários. Ainda assim, em termos de números, Vítor Pereira está melhor que na temporada passada e isso é indesmentível.
Não estou, contudo, a sugerir que considero Vítor Pereira um excelente treinador. É falso. Penso que é um técnico limitado na sua concepção estratégica, que insiste de forma quase doentia num 4x3x3 e que domina muito mal a comunicação externa, todavia, já o era assim o ano transacto e, nessa altura, ninguém pediu de forma tão veemente a sua cabeça no Dragão.
Uma vez mais a verdade estará algures no meio. Ou seja, nem Vítor Pereira teria a qualidade que justificasse mais um ano no comando azul-e-branco, nem será assim tão mau como o estão a pintar nesta temporada, porque, tal como foi referido anteriormente, os resultados até demonstram uma certa evolução.
Curiosamente, a factor que o terá feito permanecer mais uma época no FC Porto será o mesmo que vai fazer com que o seu percurso azul-e-branco tenha um fim provável neste Verão e chama-se Jorge Jesus. De facto, o demérito do treinador encarnado, que perdeu o campeonato transacto quando este já parecia uma certeza, foi fundamental para a permanência de Vítor Pereira e, em contraponto, o super-campeonato que está a fazer em 2012/13, deverá selar o abandono do actual técnico portista.
E sabem o que é mais irónico? Em três jogos para o campeonato, Jorge Jesus nunca venceu Vítor Pereira, somando dois empates e uma derrota e esse pecúlio até poderá piorar, caso o FC Porto, na próxima jornada, supere o Benfica no Dragão. Paradoxos do futebol que provam que o desporto rei não é uma ciência exacta e ainda bem…
Luís Filipe Vieira voltou a vencer confortavelmente as eleições para a presidência do Benfica, sendo que, neste momento, muitas das críticas dos adeptos encarnados se dirigem ao seu treinador, Jorge Jesus, deixando um pouco de lado Luís Filipe Vieira, Presidente que, valha a verdade, pouco fez para que o Benfica tivesse um 2012/13 de sucesso.
Neste momento, o plantel do Benfica é desequilibrado e, por mais que custe admitir a muitos benfiquistas, bastante inferior ao do FC Porto. É verdade que os encarnados têm individualidades de enorme qualidade e um ataque de luxo (a contratação de Lima foi uma excelente decisão de…Jesus), todavia, as saídas de Witsel e Javi García deixaram o meio-campo defensivo entregue a Matic e o castigo de Luisão, deixou o esforçado, mas pouco qualificado Jardel como titular ao lado de Garay.
Para além disso, o Benfica denota muitas fragilidades no lado esquerdo da defesa, onde conta com Melgarejo e Luisinho, dois jogadores que, por mais que se tente provar o contrário, não têm valor para vestir a camisola encarnada e, do lado direito, apenas conta com Maxi Pereira, sendo que o pânico varre os adeptos do Benfica sempre que o internacional uruguaio se lesiona ou é castigado.
Perante todas estas condicionantes e tendo em conta o plantel azul-e-branco, pensou-se que dificilmente o Benfica teria capacidade para ombrear com o FC Porto, principalmente até Janeiro, altura em que duas ou três aquisições podiam reequilibrar o plantel das águias. No entanto, Jorge Jesus tem conseguido não descolar dos dragões, mesmo contando com muito menos soluções que o seu adversário nortenho.
De facto, o Benfica continua na frente do campeonato (ex-aequo com os dragões), somando seis vitórias e dois empates, mantém-se sólido na Taça de Portugal e apenas tem vacilado na Liga dos Campeões, ainda que a lógica convide a pensar que duas vitórias caseiras diante de Celtic e Spartak Moscovo até podem garantir a qualificação para os oitavos de final.
Aqui, o mérito é de Jorge Jesus, que tem conseguido manter um excelente desempenho colectivo da sua equipa com todas as condicionantes que lhe ofereceram e, acima de tudo, sem nunca ter usado qualquer tipo de desculpa, mesmo quando não lhe deram o lateral-esquerdo que queria (Eliseu) ou quando o privaram de dois titularíssimos da equipa em cima do fecho das transferências (Witsel e Javi).
Neste momento, ainda assim, os adeptos pedem muito mais a sua cabeça que a de Luís Filipe Vieira que continua a ser (quase) idolatrado pela grande maioria dos benfiquistas, todavia, é Jesus que continua a manter o Benfica no topo e não a gestão do seu Presidente, cabendo aos adeptos encarnados perceberem isso, limitando-se, para isso, a lembrarem-se do que se passou com o Sporting e Paulo Bento…
A contratação de Yannick Djaló por parte do Sport Lisboa e Benfica poderá ser muito positiva para os encarnados tanto a nível desportivo como financeiro, pois tratou-se de um investimento muito baixo por um jogador que poderá trazer inúmeros proveitos, quanto mais não seja pelo impacto mediático da chegada de um jogador que estava bastante conotado com um clube rival das águias, ou seja, o Sporting Clube de Portugal.
Chegado a custo zero aos encarnados, Yannick Djaló surge na Luz em estado de graça. Além de se ter assumido como benfiquista ferrenho, o internacional português beneficia do facto dos próprios adeptos do Sporting, na fase final da sua estadia em Alvalade, lhe terem feito a vida negra, assobiando cada lance em que o luso-guineense falhava, situação que precipitou a saída do avançado. Esse desdém dos sportinguistas, aproxima o internacional português dos adeptos do Benfica que, agora, estarão sedentos de que o jogador possa brilhar com a camisola encarnada, apoiando-o ao máximo para que este possa vingar no Benfica e seja mais uma razão para ferroadas ao rival do outro lado da Segunda Circular.
Para além disso, Yannick Djaló encontra no Benfica um panorama muito mais “fácil” do que o que deixou em Alvalade. O Benfica lidera o campeonato e mantém o mesmo treinador de há dois anos e meio para cá, um treinador que sabe potenciar o talento mais escondido dos jogadores e que terá todo o interesse de transformar o luso-guineense num elemento útil ao plantel, seja como extremo ou, até, como segundo avançado.
Depois, esta contratação vem também amenizar a ideia de que o Benfica só comprava estrangeiros, surgindo agora um jogador nacional e que, mais importante do que isso, se trata de um internacional português, um jogador de que Paulo Bento sempre gostou e que até tem grandes condições de estar no Euro 2012, o que seria uma valorização financeira muito apreciável para o jogador e para o detentor do seu passe, o Benfica.
Por fim, no Mundo do futebol actual, não podemos negar que o facto de Yannick ser casado com Luciana Abreu também pode ser um factor do qual o Benfica poderá colher dividendos, pois a associação de Lucy ao internacional português e, por conseguinte, ao clube encarnado, pode ser fonte de notoriedade para a marca “Benfica.”
Por todas estas razões e pelo baixo investimento que a transferência trouxe aos encarnados, podemos dizer que a chegada de Djaló ao Benfica trás inerente um risco muito reduzido ao Benfica, podendo, inclusivamente, deixar mais assustados os adeptos do Sporting, que irão abanar a cabeça a cada tento que o antigo “Djálol” marcar com a camisola das águias, principalmente se esse golo surgir, imagine-se, na baliza verde-e-branca.
No Belenenses da Liga Orangina, actua um defesa-central brasileiro de grande talento e que está emprestado aos azuis pelo Sport Lisboa e Benfica: Léo Kanu.
Nascido a 14 de Janeiro de 1988, Leonardo Medeiros da Silva “Léo Kanu” iniciou a sua carreira no Esporte Clube Cruzeiro, clube gaúcho da quarta divisão brasileira onde permaneceu entre 2008 e 2011, com curta passagem pelo modesto Taubaté em 2009.
No defeso de 2011/12, Léo Kanu foi descoberto pelos olheiros do Benfica que, encantados com as suas qualidades, avançaram para a sua contratação. Percebendo que o jogador, apesar de talentoso, estava pouco adaptado às exigências dos campeonatos mais competitivos, os responsáveis encarnados acharam por bem emprestá-lo ao Belenenses, para que este se pudesse ir adaptando ao futebol europeu pela porta de uma liga menos exigente. Na verdade, o defesa-central brasileiro tem aproveitado bem esta cedência, impondo-se no coração do último reduto azul e somando já 20 jogos (4 golos) pelo clube da cruz de Cristo.
Defesa-central alto, forte e com boa técnica
Léo Kanu é um possante defesa-central de 1,96 metros e 88 quilos, sendo praticamente intransponível no jogo aéreo, mas também muito competente quando tem de defender junto à relva, pois não é um defesa lento e sabe se posicionar muito bem no terreno de jogo.
Forte no desarme e inteligente na antecipação, o brasileiro também brilha no processo ofensivo, pois sabe subir muito bem com a bola controlada e é fortíssimo em lances de bola parada, mostrando-se um exímio cabeceador.
Neste momento, com 24 anos, talvez mereça a integração no plantel encarnado da temporada 2012/13, sendo certo que, com o trabalho rigoroso de Jorge Jesus, o defesa-central se pode tornar um elemento muito útil para o Sport Lisboa e Benfica.
Enquanto o FC Porto (até ver com a base do plantel 2010/11 sólida) e o Sporting (mesmo com muitas contratações, com o plantel quase definido neste início de Julho), o Benfica vive um enorme mar de indefinições em que o lado esquerdo da defesa é o ponto mais preocupante.
De facto, após a saída de Fábio Coentrão, o Benfica até tem três hipóteses para a posição de lateral-esquerdo, todavia, Carole, Shaffer e César Peixoto estão muito longe de agradar aos adeptos e, inclusivamente, a Jorge Jesus, que, no passado, apenas acreditou em Peixoto e mais para o colocar a ala-esquerdo do que, propriamente, no lado canhoto da defesa.
Esta situação preocupa consideravelmente os adeptos encarnados que vivem o paradoxo de terem quase uma dezena de alternativas atacantes e, depois, sentem que a defesa está a ser negligenciada. De facto, mesmo o centro da defesa poderá gerar preocupações neste início de temporada, pois Luisão e Garay encontram-se na Copa América e o Benfica corre o risco de perder Roderick para o Mundial sub-20, ficando apenas com Jardel e Miguel Vítor para o importante compromisso da terceira pré-eliminatória da “Champions League”, levando todos a pensar se o empréstimo de Sidnei não poderia ter esperado mais algumas semanas…
Para além de tudo isto, o Benfica ainda vive outro problema que passa pelo excesso de estrangeiros. Mesmo com um elevado número de jogadores a poderem ser inscritos (17 na UEFA e 19 na Liga de Clubes), os encarnados vivem um problema enorme para encaixarem os vários estrangeiros que ainda estão no plantel, sendo muito por esta razão que Melgarejo (recém-contratado) deverá ser emprestado ao Paços de Ferreira e que Júlio César, caso Roberto não saia, também seja cedido, vindo um guarda-redes português para o seu lugar.
No meio disto tudo, não podemos escamotear que Jorge Jesus é o treinador com maior responsabilidades dos três grandes, pois já terminou a temporada passada numa situação complicada com os adeptos encarnados, que não lhe perdoam uma época bastante abaixo das (elevadíssimas) expectativas criadas no início da temporada. Ora, pelo exemplo da época passada, todos percebemos que um início de época titubeante pode ser fatal para as aspirações do Sport Lisboa e Benfica.
Apesar de tudo, a pré-época ainda está no seu início e os encarnados saberão como agir, até porque será suposto que tenham aprendido com os erros cometidos em 2010/11. Para o bem do Benfica, dos adeptos encarnados e do futebol português em geral, todos esperamos que as águias superem as dificuldades e sejam uma equipa forte no contexto nacional e internacional em 2011/12.
Numa quinta-feira de grandes emoções, o futebol português tem razões para sorrir, pois todas as quatro equipas envolvidas nos dezasseis avos de final da Liga Europa garantiram resultados que lhes permitem sonhar com a passagem aos oitavos de final da prova. Os dragões, pela vitória em Sevilha (2-1), são os que se encontram mais perto desse objectivo, contudo, o Benfica, que venceu o Estugarda (2-1) na Luz, o Sporting que empatou em Glasgow diante do Rangers (1-1) e, até, o Sporting de Braga que perdeu num enorme manto de neve, diante do Lech Poznan (0-1), têm grandes hipóteses de seguirem em frente.
Benfica 2-1 Estugarda
A primeira parte dos encarnados foi má demais para ser verdade. Uma equipa desligada, sem alma e, até, a parecer que olhava o seu adversário do alto de uma pseudo-superioridade que não se verificava no relvado. Assim sendo, foi sem surpresa que os germânicos alcançaram a vantagem no marcador graças a um golo de Harnik (21′).
Veio o intervalo, provavelmente uma dose de gritos de Jorge Jesus, e o Benfica surgiu transfigurado na segunda metade. De facto, os encarnados passaram a pressionar e a empurrar o seu adversário às cordas, reduzindo-o a uma mediocridade que esteve longe de aparentar no primeiro tempo.
Dois golos foram marcados, um por Cardozo (70′) e outro por Jara (81′), mas muitos outros ficaram por concretizar, devido à falta de pontaria dos avançados encarnados e, também, graças à boa exibição do guarda-redes Ulreich.
Ainda assim, este 2-1, aliado ao facto do Estugarda estar longe de ter uma equipa que possa meter grande medo, abre excelentes perspectivas do Benfica superar esta ronda e passar aos oitavos de final da Liga Europa.
Lech Poznan 1-0 Sp. Braga
O frio e a neve assustavam, mas a verdade é que o Sp. Braga, durante toda a primeira parte, foi uma equipa adulta, segura e pressionante, controlando totalmente o jogo, mesmo que não tenha criado grande perigo para a baliza da equipa polaca.
No entanto, após o descanso, a equipa minhota perdeu a frieza do primeiro tempo, parecendo ficar amedrontada com o passar dos minutos. Foi recuando, recuando e apostando quase todas as suas fichas na segurança da sua defesa e, acima de tudo, do guarda-redes Artur Moraes.
Infelizmente para o conjunto português e apesar da excelente exibição do guarda-redes brasileiro, este foi incapaz de suster o remate de Rudnevs (72′) que garantiu uma preciosa mas magra vitória do Lech Poznan por uma bola a zero. Em suma, tudo em aberto para a segunda mão, em Braga.
Sevilha 1-2 FC Porto
Deve estar escrito em algum manual celestial, mas o certo é que o FC Porto costuma ter estrelinha em Sevilha. Ontem, no Sanchez Pizjuan, os azuis e brancos fizeram uma primeira parte sóbria, sem grandes rasgos, mas a suficiente para controlar uma equipa andaluza extremamente dependente do jogo pelas alas para criar perigo. Assim sendo, quando o árbitro apitou para o intervalo, o zero a zero justificava-se plenamente pelo que as equipas fizeram dentro do terreno de jogo.
Após o descanso, todavia, o Sevilha apareceu mais pressionante do que nos primeiros quarenta e cinco minutos, ainda que, curiosamente, acabou por ser o FC Porto a abrir o activo, naquele que foi o seu primeiro lance de perigo do segundo tempo. Livre de James Rodríguez e Rolando, com um toque subtil, a desviar de Palop e a fazer o 0-1.
A perder, os andaluzes arregaçaram as mangas e foram para cima do conjunto português, que passou um mau bocado. Kanouté, aos 65 minutos, empatou a partida e, aos 77 minutos, falhou inacreditavelmente a reviravolta. Luís Fabiano, de cabeça, também esteve perto do 2-1.
Contudo, no meio do vendaval ofensivo dos sevilhanos, quando já poucos acreditavam nessa possibilidade, Cristian Rodríguez aproveitou um erro crasso de Fazio, avançou, chocou com Palop e, na recarga, Freddy Guarín atirou para o 2-1, garantindo aos azuis-e-brancos um excelente resultado para a segunda mão a disputar no Estádio do Dragão.
Glasgow Rangers 1-1 Sporting
O Sporting é, neste momento, uma equipa que por vezes quebra à menor dificuldade, mas ontem, no inferno do Ibrox, foi uma equipa generosa que, mesmo sem fazer uma grande exibição, alcançou um resultado que lhe abre excelentes perspectivas para o jogo da segunda mão.
Durante a primeira parte, assistiu-se a um pacto de não agressão entre portugueses e escoceses, com os lances de perigo a serem muito escassos, salvo as excepções de um remate cruzado de Hélder Postiga (39′), um remate ao lado de Whittaker (40′) e um lance em que Yannick (43′), isolado perante McGregor, desperdiçou.
Contudo, na segunda metade, os protestantes perceberam que o zero a zero não seria um bom resultado para levarem para o Alvalade XXI e aumentaram ligeiramente o ritmo de jogo para tentarem chegar ao golo. Ainda assim, a sua fraca qualidade técnica limitava-os de sobremaneira, percebendo-se que só seriam realmente perigosos em lances de bola parada e/ou cruzamentos para a área.
Sem surpresa, foi assim que chegaram ao 1-0. Aos 68 minutos, na sequência de um pontapé de canto de Weiss, Whittaker, de cabeça, não perdoou e colocou o Glasgow Rangers em vantagem.
Apesar da desvantagem, Paulo Sérgio sabia que esta equipa escocesa está longe de ser um colosso do futebol europeu e, assim, apesar de algo tardiamente, decidiu fazer alguma coisa, lançando Matías Fernandez e Saleiro. Curiosamente, foi na sequência de uma abertura de Saleiro para o cruzamento de João Pereira que surgiu o golo do chileno Matías, que, solto de marcação, atirou de cabeça para o empate (1-1).
Estávamos no minuto 89, mas este Sporting é uma equipa extremamente intranquila e, até ao apito final, ainda sofreu um bocado, ainda que, aí, Rui Patrício tenha estado em grande nível, segurando este 1-1, que dá todas as condições do Sporting, em Alvalade, confirmar o apuramento.
Na equipa de Juniores do Benfica, actua um médio-ofensivo muito inteligente em campo e que demonstra uma maturidade muito interessante para a sua tenra idade: Rúben Pinto.
Nascido a 24 de Abril de 1992, em Odivelas, Rúben Rafael Melo Silva Pinto iniciou-se no clube da sua cidade-natal, tendo-se transferido para o Benfica ainda com idade de Infantil.
Desde que está nos encarnados, revelou-se um jogador muito bom tecnicamente, aliando a essa qualidade uma evoluída visão de jogo, uma boa capacidade finalizadora e um excelente posicionamento em campo. Esses talentos fazem de Rúben Pinto um jogador talhado para a posição “dez”, ainda que, a extremo, o jogador também se adapte com bastante à vontade, desde que lhe permitam efectuar diagonais da ala para o centro do terreno.
Nos últimos tempos, tem se falado do interesse de alguns clubes ingleses no seu concurso, situação que deve orgulhar o capitão dos Juniores dos encarnados, até porque este tem o desejo de, no futuro, actuar na Premier League. Ainda assim, nos próximos tempos, o jogador que até já foi elogiado por Jorge Jesus deverá ter o objectivo de conseguir um lugar na equipa principal do Benfica.
O líder do campeonato desloca-se a Paços de Ferreira, num desafio onde procurará manter a sua invencibilidade neste campeonato nacional. Com onze vitórias e dois empates, os dragões caminham para um dos melhores campeonatos de sempre, mas os castores procurarão ser a primeira equipa a vencer o FC Porto na temporada 2010/11. Nesta jornada catorze, destaque ainda para a deslocação do Sporting a Setúbal, onde irá, por certo, tentar vingar-se da eliminação na Taça de Portugal e para a recepção do Benfica ao Rio Ave, numa partida que as águias têm de vencer para continuarem a sonhar com o título nacional.
Paços de Ferreira – FC Porto
O FC Porto tem passeado classe e triunfos por este país fora e, nesta deslocação a Paços de Ferreira, é super-favorito a conquistar a décima segunda vitória na Liga Zon Sagres. No entanto, o Paços de Ferreira já surpreendeu os leões na capital do móvel e quererá pelo menos pontuar diante dos dragões. Veremos como Hulk, Falcao e companhia reagem às dificuldades que os castores lhes vão colocar na Capital do Móvel.
Benfica – Rio Ave
Há umas jornadas, seria muito mais fácil atribuir favoritismo ao Benfica, não porque as águias estivessem especialmente melhor, mas porque os vilacondenses estavam francamente piores. No entanto, neste momento, os comandados de Carlos Brito já saíram da linha de água e têm se revelado uma equipa bem mais complicada para os adversários, tendo, inclusivamente, vencido o Braga em casa. Assim sendo, grande expectativa para ver se Jorge Jesus consegue uma vitória que lhe garanta um Natal mais tranquilo do que se previa há uns tempos.
V. Setúbal – Sporting
Há uma semana, os leões foram eliminados da Taça de Portugal após perderem com este Vitória de Setúbal e, como tal, o desejo de vingança do Sporting deve estar nos píncaros. Ainda assim, a equipa verde e branca não parece estar em boa forma, como foi prova a derrota averbada esta quinta-feira, na Bulgária, diante do Levski. Assim sendo, veremos se, desta vez, os leões reagem positivamente as adversidades ou se, ao invés, é Manuel Fernandes que volta a sorrir no confronto contra o seu clube de sempre.
Nos restantes jogos da Jornada 14, destaque para o Sp. Braga-Académica, num jogo entre duas equipas que vêm de derrotas e estão completamente proibidas de perder (aos arsenalistas só a vitória interessa) e para a deslocação do V. Guimarães a Aveiro, num duelo que os vimaranenses procurarão vencer para continuarem na luta pelo terceiro lugar.
A jornada conclui-se com o Naval-U. Leiria, o Marítimo-Portimonense e o Olhanense-Nacional.
Chegou em 2006/07 ao Boavista rotulado de avançado de grande capacidade finalizadora, situação que, na verdade, rapidamente confirmou sendo facilmente um dos melhores jogadores de um clube axadrezado bem longe dos momentos de glória. Era um avançado rápido, de remate fácil e preciso que, posteriormente, se transferiu para o Sp. Braga onde se iniciou muito bem, mas, que, com o tempo e de forma algo inexplicável se foi eclipsando até abandonar definitivamente os arsenalistas. Eis Roland Linz, a prova de que, no futebol português, a qualidade e o talento nem sempre são suficientes.
Nascido a 9 de Agosto de 1981 em Leoben, Roland Linz iniciou a sua carreira nas camadas jovens do clube da sua cidade natal, passando, posteriormente, para o segundo clube da capital da Baviera, o 1860 Munique.
No salto para o futebol profissional, regressou ao Leoben, onde brilhou durante duas épocas na segunda divisão austríaca, marcando 27 golos em 53 jogos e atraindo o interesse de clubes de maior nomeada. Após uma luta entre os principais clubes austríacos, o Áustria Viena foi mais feliz e assegurou o concurso de Linz.
Durante cinco temporadas, o avançado austríaco totalizou 26 golos em 81 jogos pelo Áustria Viena, números que parecem modestos mas que são facilmente explicáveis pelo facto do atleta apenas ter feito três temporadas completas pelo gigante austríaco, pois em 2003/04 esteve emprestado ao Admira Wacker Mödling (33 jogos, 15 golos) e em 2004/05 ao Nice (14 jogos) e Sturm Graz (15 jogos, 4 golos).
No final da última temporada ao serviço do Áustria Viena, que foi a mais produtiva para o ponta de lança (15 golos em 31 jogos), Roland Linz transferiu-se para Portugal e para o Boavista numa mudança que, segundo o avançado austríaco, visava experimentar um campeonato mais competitivo que o fizesse evoluir como futebolista.
Durante a época de 2006/07, Roland Linz brilhou ao serviço de uma equipa axadrezada que não passou da décima posição. Rápido, frio e implacável na hora de atirar à baliza, marcou dez golos e acabou por dar o salto para o europeu Sp. Braga.
Nos arsenalistas foi uma peça importante da equipa que, em 2007/08, atingiu os dezasseis avos de final da Taça UEFA (foi eliminada pelo Werder Bremen (0-3 e 0-1) e alcançou a sétima posição da Liga Sagres. No entanto, na temporada seguinte, foi começando a perder espaço de forma pouco compreensível na equipa de Jorge Jesus e acabou por ser emprestado ao Grasshoppers, onde voltou a ser o que sempre foi, um avançado de grande qualidade.
Em 2009/10 ainda começou a temporada no Gaziantepsor, mas não se adaptou ao futebol turco, regressando a meio dessa mesma temporada, ao futebol austríaco e ao Áustria Viena.
Neste momento, Linz continua a jogar no gigante da capital austríaca, marcando golos e sendo influente na manobra ofensiva do Áustria Viena. Aos 29 anos, já foi internacional austríaco por 38 vezes (8 golos) e, até hoje, custa a perceber como não foi melhor aproveitado pelo Sporting de Braga ou por qualquer outro clube português.