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Domingos da Guia revolucionou a posição de defesa-central

Chamavam-lhe o “divino mestre” e, na verdade, foi um jogador revolucionário, pois numa altura em que os defesas-centrais eram sinónimo de agressividade e pontapé para a frente, Domingos da Guia era um defesa-central de fino recorte técnico, que sabia ter a bola no pé e subir no terreno com ela bem redondinha. Com grande capacidade de drible e excelente visão de jogo, o defesa-central brasileiro conseguia ser o primeiro elemento ofensivo das suas equipas, driblando adversários e mostrando uma habilidade inexistente, até aí, num jogador dessa posição. Nos dias de hoje, há mesmo quem diga que foi o melhor “zagueiro” brasileiro do Século XX.

Nascido a 19 de Novembro de 1912, Domingos da Guia iniciou a sua carreira em 1929, ao serviço dos cariocas do Bangu, onde permaneceu por três anos. Depois, haveria de representar clubes de três países diferentes e onde, curiosamente, ganhou títulos em todos: Nacional (campeão uruguaio em 1933), Vasco da Gama (campeão carioca em 1934) e Boca Juniors (campeão argentino em 1935).

Em 1936, haveria de transferir-se para o clube onde teve mais impacto na sua carreira, o Flamengo. Nessa equipa carioca, esteve por sete temporadas, fazendo mais de 200 jogos e conquistando o campeonato carioca em 1939, 1942 e 1943.

Antes do final da sua carreira, ainda esteve nos paulistas do Corinthians (1943-1947) e, em 1948, regressou ao Bangu, onde terminou a sua carreira de futebolista um ano mais tarde.

Internacional brasileiro por 30 ocasiões, foi considerado o melhor defesa do Mundial de 38, onde mostrou ao mundo toda a sua técnica, velocidade e habilidade, provando que um defesa-central não tem de ser só um jogador para dar pancada, mas, também, o primeiro elemento do processo ofensivo de uma equipa.

O legado dessa mudança de paradigma no futebol pertence a este magnífico defesa chamado Domingos da Guia, mas eternizado como o “divino mestre”.

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A Itália dispensa apresentações. Campeã do mundo por quatro ocasiões (1934, 38, 82 e 2006) e vice campeã por duas vezes (1970 e 1994), a selecção azzurra é sempre uma equipa a ter em conta. Com a habitual e quase sempre perfeita mistura entre experiência (Cannavaro, Pirlo, Camoranesi…) e jovens talentos (Marchisio, Criscito, Chiellini…), a equipa transalpina não teve dificuldades em apurar-se para o Mundial sul-africano e também não deverá ter problemas em conquistar o primeiro lugar no Grupo F. Se tudo correr pelo normal, com adversários como a Eslováquia, o Paraguai e a Nova Zelândia, o verdadeiro mundial dos italianos apenas começará nos oitavos de final.

A Qualificação

O apuramento dos italianos para o campeonato do mundo foi um autêntico passeio. Integrados no Grupo 8, com República da Irlanda, Bulgária, Chipre, Montenegro e Geórgia, os azzurri garantiram o primeiro lugar com sete vitórias e três empates, ou seja sem concederem qualquer derrota.

No entanto, há que destacar o facto dos italianos terem sido incapazes de surpreender a Irlanda de… Trapattoni, pois empataram em casa (1-1) e fora (2-2).

Ainda assim, o facto de terem terminado o agrupamento com seis pontos de avanço sobre os irlandeses (2º) é a prova cabal da superioridade italiana neste grupo da zona europeia de qualificação.

Grupo 8 – Classificação

  1. Itália 24 pts
  2. República da Irlanda 18 pts
  3. Bulgária 14 pts
  4. Chipre 9 pts
  5. Montenegro 9 pts
  6. Geórgia 3 pts

O que vale a selecção italiana?

A selecção italiana apresenta, neste campeonato do mundo, os seus habituais pontos fortes. Experiência, organização, talento e, acima de tudo, a sua habitual eficácia e frieza no momento da verdade.

A baliza transalpina será entregue aquele que, provavelmente, é o melhor guarda-redes do Mundo: Buffon. Trata-se de um jogador experiente, elástico e que é uma voz de comando para toda a defesa.

No sector recuado, a squadra azzurra deverá apresentar um quarteto com dois centrais: Cannavaro-Chiellini, sendo que o experiente Fabio Cannavaro será o patrão do centro da defesa, um jogador forte no um contra um e imbatível pelo chão, enquanto Chiellini será um central mais posicional, mais de choque e importante na segurança aérea do último reduto italiano. Por outro lado, nas alas, os azzurri deverão apresentar Criscito (à esquerda) e Zambrotta (à direita). Neste esquema, o atleta do Milan deverá ser um lateral que fará todo o corredor, enquanto Criscito será um verdadeiro defesa-esquerdo, mais defensivo e com a obrigação de encostar aos centrais sempre que necessário.

No meio campo, a Itália deverá apresentar o duplo-pivot: Marchisio-De Rossi. Tratam-se de dois elementos de enorme pulmão e com condições tanto para assegurar a segurança defensiva como a construção ofensiva. Depois, à frente deles, deverá actuar Pirlo. Mais que um médio ofensivo puro, Pirlo aparecerá um pouco mais recuado que um número 10, mas essa será uma estratégia para o libertar das marcações e criar condições para os seus magníficos passes de ruptura. Por fim, nas alas do meio campo, deverão aparecer Di Natale (à esquerda) e Camoranesi (à direita). Tratam-se de dois elementos com missões bastante diferentes, pois enquanto Di Natale funcionará como falso extremo, aproveitando o facto de Criscito ser um lateral muito defensivo para praticamente só atacar e fazer imensas diagonais para o centro, Camoranesi será um ala direito que irá aparecer muitas vezes no ataque, mas também irá fechar ao centro e compensar as subidas de Zambrotta pelo flanco destro.

Por fim, no ataque, a Itália deve optar por actuar apenas com Gilardino, um avançado rápido, com muita mobilidade e com excelente capacidade de finalização. Ainda assim, não será de colocar de parte a hipótese de Lippi abdicar de Marchisio, recuar Pirlo para o duplo-pivot e lançar Iaquinta ou Quagliarella ao lado de Gilardino.

Em suma, trata-se de uma equipa experiente e talentosa, que não deverá dar hipóteses aos seus adversários no Grupo F do Mundial 2010.

O Onze Base

A Itália deverá usar o esquema: 4-2-3-1 com Buffon (Juventus) na baliza; Criscito (Génova), Cannavaro (Al Ahli), Chiellini (Juventus) e Zambrotta (Milan) na defesa; Marchisio (Juventus), De Rossi (Roma), Pirlo (Milan), Camoranesi (Juventus) e Di Natale (Udinese) no meio campo; Gilardino (Fiorentina) será o ponta de lança.

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

A equipa italiana é muito mais experiente que os seus adversários. Para além disso, a squadra azzurra é muito evoluída tacticamente e, mesmo em termos de talento puro, superioriza-se a Paraguai e Eslováquia e está anos luz acima da Nova Zelândia. Assim sendo, se os italianos não terminarem o Grupo F no primeiro lugar, será uma enorme surpresa.

Calendário – Grupo F (Mundial 2010)

  • 14 de Junho: Itália vs Paraguai
  • 20 de Junho: Itália vs Nova Zelândia
  • 24 de Junho: Itália vs Eslováquia

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Com o mundo em rebuliço, mais que o Mundial desejado este foi o Mundial possível. A Espanha, dizimada pela Guerra Civil, recusou participar, a Áustria, invadida pela Alemanha, foi, também, impossibilitada de entrar na competição e argentinos e uruguaios também recusaram viajar até França, pois sentiram-se traídos por Jules Rimet que havia prometido a alternância de continentes entre Europa e América do Sul, faltando, depois, à palavra. Com tantas ausências, a que se juntava a já habitual ausência inglesa, este Mundial disputado em França facilitou a tarefa italiana que, assim, se assumiu como a grande potência futebolística da época. Mesmo num país hostil, com os franceses a protestarem por todo o lado contra os italianos, a squadra azzurra confirmou a sua enorme qualidade e tornou-se bicampeã do mundo.

Oitavos de Final

O modelo deste campeonato do mundo foi uma cópia exacta do Mundial anterior, disputado em Itália e, assim, a competição foi disputada em jogos a eliminar até à final. A única diferença foi a presença de apenas 15 selecções, pois a Áustria, que havia sofrido o “Anschluss” (anexação germânica), foi impedida, à última hora, de participar no certame. Assim sendo, a Suécia, que iria defrontar os austríacos, apurou-se automaticamente para os quartos de final.

Em Paris, disputou-se um dos mais interessantes encontros desta ronda, opondo Alemanha (reforçada com atletas austríacos) e Suíça. Num jogo equilibrado, a partida terminou (1-1) após prolongamento e foi necessário jogo de desempate. Na partida decisiva, Hitler esteve de ouvido colado ao rádio até ao 2-0 para os germânicos. Convencido da superioridade alemã, recusou-se a ouvir o resto do jogo, pedindo, apenas, que lhe dissessem o resultado final. Imaginem como se deve ter sentido quando lhe disseram que a Alemanha acabou por perder (2-4) com a Suíça e que havia sido eliminada da competição.

Em Toulouse, a Roménia defrontava uma desconhecida selecção de Cuba, que, com tantas desistências, participava sem ter feito fase de qualificação. No primeiro jogo, cubanos e romenos empataram a três bolas, num jogo em que o guarda-redes Caravajales foi o grande herói com defesas atrás de defesas que impediram a vitória da Roménia. No entanto, no jogo de desempate, todos estranharam a ausência do guarda-redes cubano. Pensou-se que estivesse lesionado ou doente, mas, na verdade, apenas tinha aceito o convite da rádio cubana para comentar o jogo. Curiosamente, mesmo sem Caravajales, Cuba venceu 2-1 e seguiu para os quartos.

Por outro lado, a Hungria, em Reims, goleou a selecção das Índias Orientais Holandesas (actual Indonésia) por seis bolas a zero, num jogo sem história e que demonstrou a gritante diferença de valor entre os dois conjuntos.

Grande superioridade também demonstrou a equipa da casa, a França, que venceu a Bélgica por três bolas a uma, mas podia ter vencido por muitos golos mais.

Nos restantes jogos, destaque para todos terem sido decididos após prolongamento. A Checoslováquia venceu a Holanda por 3-0; a Itália sofreu imenso para vencer a Noruega por 2-1 (após 1-1 nos 90 minutos); e o Brasil venceu a Polónia num jogo fantástico por 6-5, após um empate a quatro bolas no tempo regulamentar.

Quartos de Final

A Suécia que havia garantido o apuramento directo para os quartos devido à ausência austríaca, defrontou, nesta fase, a surpreendente equipa de Cuba. Depois da eliminação da Roménia, esperava-se que os cubanos dessem trabalho aos suecos, mas, na verdade, apenas deram trabalho aos jornalistas que tiveram dificuldade em apontar todos os marcadores dos oito golos da equipa escandinava. Os cubanos despediam-se, assim, do Mundial, com uma pesada derrota por oito bolas a zero.

Por outro lado, o Brasil defrontou a Checoslováquia em Toulouse e o jogo foi uma autêntica batalha campal com três expulsões (duas para os sul-americanos e uma para os europeus). A partida terminou empatada a uma bola e foi necessário disputar um jogo de desempate, que foi bem diferente do primeiro encontro, pois a agressividade havia sido tão grande na primeira partida, que os brasileiros tinham nove jogadores lesionados e os checoslovacos oito. Nesse segundo jogo, os brasileiros foram mais fortes (em termos futebolísticos…) e venceram por duas bolas a uma.

Nas restantes partidas da ronda, a Itália confirmou a sua candidatura ao bicampeonato ao vencer, em Paris, a França, por três bolas a uma; e a Hungria superiorizou-se ao carrasco dos germânicos, a Suíça, por duas bolas a zero.

Meias-Finais

Itália e Brasil disputaram a presença na final do Mundial em Marselha e a confiança era elevada na comitiva canarinha. Os brasileiros acreditavam de tal maneira na sua superioridade, que o seleccionador Ademar Pimenta, optou por fazer descansar Tim (o armador de jogo) e o goleador e estrela da equipa: Leónidas da Silva. No entanto, a Itália acabou por vencer o jogo por duas bolas a uma e, assim, os brasileiros acabaram por pagar a sua arrogância. No dia seguinte, “La Gazzetta dello Sport”, prestigiado jornal desportivo italiano, exaltou a vitória com um título que punha a nu a ideologia fascista: “Saudamos o triunfo da inteligência italiana sobre a força bruta dos negros.” Afinal, estávamos em vésperas da 2ª Guerra Mundial.

Menos emocionante foi a outra meia-final, pois a Hungria, em Paris, venceu a Suécia por 5-1. Curiosamente, os suecos até marcaram logo no primeiro minuto, mas, depois, acabaram “atropelados” pelo futebol ofensivo dos magiares.

Terceiro e Quarto Lugar

Tal como no Mundial anterior, voltou a disputar-se um encontro de atribuição do terceiro e quarto lugar. Já com Leónidas da Silva em campo, o Brasil venceu a Suécia por quatro bolas a duas. Os suecos, tal como no encontro com os húngaros, voltaram a estar em vantagem (2-0), mas acabaram por, uma vez mais, permitirem a cambalhota no marcador.

Final * Itália 4-2 Hungria

Na final, a Itália tinha uma enorme vantagem física sobre o seu adversário, a Hungria. Os italianos haviam sido os únicos a viajarem de avião entre os jogos, pois tinham uma aeronave para o efeito, disponibilizada por Mussolini.

Durante o jogo decisivo, notou-se que, apesar das equipas serem equilibradas do ponto de vista técnico, a superioridade física e táctica dos italianos era abissal. Com uma entrada dominadora, os italianos chegaram rapidamente à vantagem por Colaussi (6′) e nem o golo do empate de Titkos (8′) parou a locomotiva azzurra que, até ao intervalo, fez mais dois golos (Piola 16′ e Colaussi 35′) e chegou ao descanso a ganhar 3-1.

Na segunda metade, a Hungria ainda reduziu, aos 70 minutos, por Sarosi, mas esse golo de pouco valeu aos magiares, pois, doze minutos mais tarde, Piola fez o 4-2 final e acabou com as dúvidas sobre o vencedor do Mundial 1938.

Bicampeões do mundo, os italianos, quando chegaram a Roma foram recebidos em delírio e receberam, pela conquista do Mundial, 8000 liras. Um ano depois, estoirou a 2ª Guerra Mundial e o campeonato do mundo só regressaria em 1950.

Números do Mundial 1938

Campeão: Itália

Vice-Campeão: Hungria

Terceiro classificado: Brasil

Quarto classificado: Suécia

Eliminados nos quartos de final: Cuba, França, Suíça e Checoslováquia

Eliminados nos oitavos de final: Alemanha, Roménia, Holanda, Bélgica, Índias Orientais Holandesas (actual Indonésia), Noruega e Polónia

Melhor Marcador: Léonidas (Brasil) – 8 golos

Equipa do Mundial 1938: Planicka (Checoslováquia); Domingos (Brasil) e Rava (Itália); Zezé (Brasil), Andreolo (Itália) e Locatelli (Itália); Sarosi (Hungria), Meazza (Itália), Biavati (Itália), Titkos (Hungria) e Leónidas (Brasil).

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