O lema de “Il Duce” Benito Mussolini para este Mundial em solo europeu era simples e objectivo: “Vencer ou Morrer”. O ditador fascista empenhou-se para que o segundo campeonato do mundo servisse para exaltar a nova Itália que estava a construir e, acima de tudo, para que os italianos ganhassem a competição. Funcionando como um décimo segundo jogador, Mussolini escolheu árbitros e naturalizou quatro argentinos e um brasileiro, ajudando à conquista do Mundial por parte do país anfitrião. Assim sendo, num Mundial que não contou com o detentor do título (o Uruguai recusou-se a participar, pois a Itália havia feito o mesmo quatro anos antes) e que estreou uma seleção africana (Egipto), o título sorriu, novamente, à equipa da casa.
Oitavos de Final
Desta vez com a presença de desasseis selecções, o comité organizador abdicou da fase de grupos e optou por jogos a eliminar desde o primeiro momento. Outra curiosidade, foi o facto de, em cada eliminatória, os jogos serem sempre no mesmo dia e à mesma hora. Estávamos, obviamente, longe da época das ditaduras televisivas.
A Itália defrontou os Estados Unidos em Roma e provou que, apesar da mãozinha de “Il Duce”, tinha uma selecção de qualidade, goleando os norte-americanos por sete bolas a uma.
Em Trieste, a Checoslováquia teve um encontro duro diante da Roménia e esteve mesmo a perder (0-1), graças a um golo de Dobay (11′). No entanto, Puc (50′) e Nejedly (67′), deram a volta ao marcador e garantiram a passagem dos checoslovacos.
O primeiro jogo em campeonatos do mundo com necessidade de prolongamento foi o Áustria-França, disputado em Turim. Depois de um 2-2 no tempo regulamentar, os austríacos foram mais felizes no tempo extra e acabaram por vencer por três bolas a duas
O Brasil, que não havia passado da primeira fase em 1930, voltou a desiludir, sendo eliminado, em Génova, pela Espanha (1-3).
A Alemanha, na sua estreia em mundiais, venceu, em Florença, a Bélgica por 5-2 e assumia-se, na altura, como uma das candidatas à vitória final.
Em San Siro, a Suíça mostrou ser mais forte que a Holanda e venceu por três bolas a duas.
Bolonha assistiu à escandalosa eliminação da Argentina, vice-campeã do mundo, aos pés da Suécia. Uma derrota (2-3) obrigou os argentinos a viajar rapidamente para casa.
Por fim, em Nápoles, a Hungria venceu o Egipto por quatro bolas a duas, num jogo em que os hungaros esperariam, por certo, um adversário mais fácil do que se revelaram os norte-africanos.
Quartos de Final
Após a primeira ronda, apenas restavam equipas europeias e, nos quartos de final, todos os jogos foram equilibrados e emocionantes.
A Itália defrontou uma fabulosa equipa de Espanha em Florença e, após prolongamento, não foi além de um empate a uma bola. Como neste torneio não havia lugar a desempates por penáltis, foi necessário um segundo jogo e, aí, a equipa anfitriã mostrou-se mais forte e venceu por 1-0, graças a um golo de Meazza.
Em Milão, a Alemanha passou mais uma barreira, após vencer a Suécia por duas bolas a uma. Ainda assim, os suecos, de quem pouco se esperava, abandonaram o Mundial com a cabeça bem levantada.
Nesta ronda, um dos jogos mais interessantes foi, sem dúvida, o Áustria-Hungria. Defrontavam-se dois países que, até ao final da primeira guerra mundial, estavam unidos no Império Austro-Húngaro e a vitória acabou por sorrir aos austríacos (2-1).
Por fim, Turim assistiu à eliminação da Suíça que não resistiu ao maior poder da Checoslováquia e perdeu (2-3).
Meias-Finais
A Itália defrontou a Áustria nas semi-finais do Mundial e não teve um jogo nada fácil. Apesar de ter feito um golo cedo por Guaita (21′), o resto do jogo foi extremamente duro e os italianos tiveram de sofrer bastante para garantirem, em Milão, o apuramento para a final.
Na outra meia-final, disputada em Roma, a Checoslováquia não deu hipóteses à Alemanha e venceu por três bolas a uma. Nejedly foi o carrasco dos germânicos, pois fez os três golos da selecção checoslovaca.
Terceiro e Quarto Lugar
Este Mundial foi o primeiro a ter um jogo para decidir o terceiro e o quarto classificado. Em Nápoles, num jogo considerado de pouco interesse, a Alemanha superiorizou-se à Áustria por 3-2 e conquistou o bronze neste campeonato do Mundo. Um encontro curioso, pois quatro anos mais tarde, a Áustria seria absorvida pela Alemanha e os seus jogadores iriam juntar-se aos alemães numa selecção comum.
Final * Itália 2-1 Checoslováquia
O grande sonho de Mussolini estava praticamente cumprido. A Itália havia chegado à final e, na opinião dos italianos, seria difícil que os checoslovacos colocassem em causa a vitória da equipa anfitriã.
No entanto, a Checoslováquia foi anulando os pontos fortes da squadra azzurra e, aos 70 minutos, surgiu um enorme balde de água fria para os adeptos da casa, quando Puc colocou a selecção checoslovaca em vantagem.
Além deste golo, a Checoslováquia havia enviado três bolas aos postes e a Itália parecia que ia perder o Mundial em plena Roma.
Contudo, aos 80 minutos, Orsi fez um golo milagroso. Um golo de tal maneira portentoso, que, no outro dia, tentando explicar como o fez aos fotógrafos, tentou por vinte vezes e jamais fez igual.
Graças a este tento, os italianos garantiram a ida ao prolongamento e, aí, com mais frescura física que o seu adversário, chegaram à vitória graças a um golo de Schiavio. A Itália sagrava-se, assim, pela primeira vez, campeã do mundo de futebol.
Números do Mundial 1934
Campeão: Itália
Vice-Campeão: Checoslováquia
Terceiro classificado: Alemanha
Quarto classificado: Áustria
Eliminados nos quartos de final: Suécia, Hungria, Espanha e Suíça
Eliminados nos oitavos de final: Estados Unidos, Roménia, Bélgica, França, Brasil, Argentina, Egipto e Holanda
Melhor Marcador: Nejedly (Checoslováquia) – 5 golos
Equipa do Mundial 1934: Zamora (Espanha); Monzeglio (Itália) e Quincoces (Espanha); Wagner (Áustria), Monti (Itália) e Cilaurren (Espanha); Meazza (Itália), Guaita (Itália), Conen (Alemanha), Orsi (Itália) e Nejedly (Checoslováquia)
