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Archive for Março, 2015

Poucos fizeram melhor que Marco Silva no Séc. XXI

Poucos fizeram melhor que Marco Silva no Séc. XXI

Devo começar por dizer que não sou um defensor cego do Marco Silva e estou muito longe de o achar perfeito, até porque concordo com muitas críticas que lhe são imputadas, como o seu jogo excessivamente lateralizado ou a renitência em apostar mais rapidamente em alguns jogadores da equipa B.

De qualquer maneira, é para mim insuportável ler ou ouvir algumas críticas que lhe são feitas, e que tentam fazer dele o principal culpado de, neste momento, o Sporting estar praticamente arredado da luta pelo acesso directo à próxima edição da Liga dos Campeões.

Afinal, não colocando em causa que o Sporting perdeu alguns pontos que não devia ter perdido, há que analisar o actual pecúlio pontual deste leão de Marco Silva pelo seu todo e compará-lo, quanto mais não seja, com o que se passou ao longo deste século.

Neste momento, o Sporting soma 53 pontos e, desde 2000/01 (ou seja, nos últimos 15 campeonatos nacionais), apenas por quatro vezes o clube de Alvalade tinha um maior pecúlio pontual a esta altura do campeonato: 2001/02 (+1 ponto com Bolöni); 2003/04 (+5 pontos com Fernando Santos); 2006/07 (+2 pontos com Paulo Bento); e 2013/14 (+4 pontos com Leonardo Jardim).

Depois, em 2008/09, com Paulo Bento, o pecúlio pontual era exactamente o mesmo que o actual e, nos outros nove campeonatos, chegou-se sempre à 25.ª jornada com menos do que os actuais 53 pontos, com grande destaque para 2004/05, com José Peseiro, o muito aclamado treinador do “quase” e que chegou a esta fase da época com menos 11 pontos do que tem agora Marco Silva.

Ignorando a Taça da Liga, que a direcção do Sporting optou por desvalorizar em 2014/15, alarguemos agora a análise às competições europeias e à Taça de Portugal e falemos apenas e só das épocas em que os leões tiveram mais sucesso, ou seja, aquelas em que chegaram a esta fase com tantos ou mais pontos do que os que tem agora o Marco Silva.

2001/02: ainda na Taça de Portugal (havia de vencê-la) e eliminado na 3.ª eliminatória da Taça UEFA (0-2 e 1-1 com o AC Milan)

2003/04: já eliminado da Taça de Portugal (0-1 com o Vitória de Setúbal, em Alvalade, logo na 5.ª eliminatória, e da Taça UEFA (1-1 e 0-3 com o Gençlerbirligi, logo na 2.ª eliminatória)

2006/07: ainda na Taça de Portugal (havia de vencê-la) e eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões

2008/09: já eliminado da Taça de Portugal (1-1 e 4-5 g.p com o FC Porto, na quarta eliminatória) e afastado nos oitavos de final da Liga dos Campeões (0-5 e 1-7 com o Bayern)

2013/14: já eliminado da Taça de Portugal (3-4 com o Benfica, na quarta eliminatória).

Ou seja, em todas estas épocas em que o Sporting teve melhor pecúlio pontual, apenas por uma vez fez melhor carreira europeia (2008/09) e, por três vezes, já havia sido eliminado na Taça de Portugal, reduzindo precocemente o número de frentes em que a equipa esteve envolvida.

Mais importante que isso, é perceber que, cingindo-nos aos resultados globais da época, envolvendo todas as competições oficiais, este Sporting está a par com os melhores do século.

Isto são factos e costuma-se dizer que contra factos não há argumentos, mas, se insistirem muito, eu numa próxima ocasião falarei do Estoril-Praia e de como a equipa da Linha tem menos 16 pontos do que o ano passado…

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O trio que comanda o leão

Inácio, Bruno de Carvalho e Marco Silva deverão estar preparados para um cenário sem Champions

A vitória do Sporting Clube de Portugal no Caldeirão dos Barreiros, aliada à derrota do Sporting Clube de Braga, na Luz, diante do Sport Lisboa e Benfica, deixou os leões com sete pontos de avanço no terceiro lugar do campeonato nacional e, dessa maneira, mais perto de alcançarem o objectivo mínimo do playoff de acesso à Liga dos Campeões da próxima temporada.

Ainda assim, há que ter a consciência de que esse mesmo terceiro lugar e consequente acesso ao último obstáculo de acesso à “Champions” está longe de poder ser visto com os mesmos olhos que os portistas o viram em 2014/15 e acabou, efectivamente, por redundar no apuramento azul-e-branco para a prova milionária, fruto de dupla vitória sobre o Lille (1-0 e 2-0).

Afinal, o Futebol Clube do Porto, em função do seu estatuto de oitava equipa com melhor ranking da UEFA, conseguiu alcançar esse mesmo playoff como cabeça de série, tendo como adversários possíveis nessa ronda os franceses do Lille (que lhe viriam a cair em sorte), os espanhóis do Athletic de Bilbau, os turcos do Besiktas, os dinamarqueses do FC Copenhaga e os belgas do Standard de Liège.

Ora, esse panorama simpático dificilmente se repetirá para o Sporting, que, lembre-se, fez uma miserável campanha europeia em 2012/13 e nem sequer esteve presente nas provas da UEFA na temporada seguinte, algo que prejudicou acentuadamente o seu ranking e o impede de ser cabeça de série no playoff de acesso à Liga dos Campeões.

Aliás, se os campeonatos europeus terminassem hoje, e só para terem ideia do cenário que se depararia aos leões, há que sublinhar que os adversários possíveis seriam nada mais nada menos que o Manchester United (Inglaterra), Atlético de Madrid (Espanha), Bayer Leverkusen (Alemanha), Shakhtar Donetsk (Ucrânia) e Nápoles (Itália), algo que naturalmente complicará, e muito, nova participação do Sporting na Liga Milionária.

Ainda assim, isto não é a mesma coisa que dizer que o terceiro lugar não tem grande valor, por que o tem, quanto mais não seja financeiro, uma vez que o playoff garante um encaixe imediato de 2,1 milhões de euros e, no mínimo, mais 1,3 milhões de euros do acesso directo à fase de grupos da Liga Europa. Depois existirão ainda as receitas de bilheteira que poderão vir associadas à presença de uma grande equipa europeia em Alvalade.

De qualquer maneira, numa fase de reestruturação financeira, e com o Sporting ainda a pagar pelos (muitos) erros do passado, há que ter em conta a perspectiva mais pessimista (que aqui se confunde com realismo) e preparar orçamentalmente a próxima temporada sempre com o cenário da Liga Europa e dos naturalmente menos avultados prémios financeiros dessa prova da UEFA.

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