Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Maio, 2016

BdCJJ

Bruno de Carvalho e Jorge Jesus estão unidos

Em primeiro lugar parabéns ao Benfica por ter ganho o campeonato nacional pela terceira vez consecutiva.

Em segundo lugar, o Sporting. E é do Sporting que vou falar, porque é preciso fazer-se um balanço do que foi feito esta temporada e, também, de um percurso de pouco mais de três anos com uma nova direcção e um novo paradigma.

Apoiando-me primeiro no aspecto puramente desportivo, há que sublinhar que esta foi uma grande época do Sporting.

O Sporting jogou 6 vezes com os seus principais rivais e ganhou 5 jogos. Na Europa, mesmo a meio gás, ganhou na Rússia (onde nunca tinha ganho), eliminou o Besiktas (que é campeão turco) e só não chegou à Liga dos Campeões pelas razões que sabemos.

Falhou, acima de tudo, nos jogos com equipas menores, onde faltou um pouco mais de qualidade (e eficácia) em zonas de decisão. Afinal, terá faltado um desbloqueador como Carrillo e um Teo dos últimos jogos em full-time. E, sendo assim, nem teriam sido preciso reforços.

Perceba-se que foram 86 pontos no campeonato, mais nove do que o campeão Inácio, mais 11 do que o campeão Bölöni e mais 21 pontos do que quando Trapattoni foi campeão no Benfica na atípica época de 2004/05.

E pegando nessa mesma época, há que lembrar todos os sportinguistas que tantos anos lamentaram o despedimento do medíocre José Peseiro, um treinador que terminou a sua única época completa no Sporting com 61 pontos. Menos 25 (!!!) do que Jorge Jesus.

JJ, aliás, soube dar seguimento e fazer um claro upgrade aos seus antecessores (Jardim e Marco Silva), que já haviam recolocado o Sporting como uma equipa que “contava” no topo do campeonato português, mas que ainda apresentavam, um e outro, certas lacunas que os impediam de chegar ainda mais além, ao final das decisões.

Quem bem me conhece sabe que eu divido um treinador em duas vertentes: a de treinador de campo e a do treinador de gabinete, e eu não tenho quaisquer dúvidas que Jorge Jesus é um dos melhores treinadores do Mundo nesse primeiro desiderato, isto apesar de infelizmente estar longe do mesmo nível no seguinte.

O salto que foi dado esta temporada com Jorge Jesus foi gigantesco. Com Jardim havia solidez, com Marco Silva havia qualidade de jogo, mas com Jorge Jesus existiu, finalmente, a ter a conjugação das duas coisas.

Depois, é pensar em todos os jogadores que Jorge Jesus moldou e catapultou para um patamar incomparavelmente superior. E se João Mário será o exemplo mais mediatizado, a verdade é que não é o mais gritante. Slimani e Adrien Silva, por exemplo, passaram do 8 para o 80 e o próprio Schelotto teve um crescimento gigantesco em apenas poucos meses.

Ora, só a valorização gigantesca de um destes activos paga facilmente o contrato de Jorge Jesus. E é por isso que JJ não é caro para o Sporting, que inteligentemente renovou o seu contrato por mais uma época, como também não o foi em seis anos no rival.

Infelizmente, e tal como ressalvei anteriormente, Jorge Jesus perde-se um pouco quando o tema não é do domínio do jogo propriamente dito. E aqui ele falhou redondamente, deixando que o seu enorme ego acabasse por funcionar como motivação para que o principal rival do Sporting tenha conseguido sair do buraco onde o próprio Sporting o tinha colocado nos primeiros meses da temporada.

Neste aspecto, todavia, terá existido também culpa da direcção do Sporting, que não soube (ou não conseguiu) controlar o seu treinador, acabando por embalar numa onda que, é certo, mobilizou os sportinguistas, mas também uniu decisivamente um quase colapsado balneário encarnado.

Mas isso será a única coisa que se pode apontar à direcção do Sporting: faltou a prudência e a serenidade para gerir de outra forma as euforias e depressões de uma longa época.

Afinal, se perdeu Carrillo (e quem percebe minimamente de futebol rapidamente concluiu que seria quase impossível contornar os obstáculos que foram sendo colocados nesse processo de renovação), a verdade é que o Sporting conseguiu renovar com (TODAS) as outras mais-valias do plantel, sendo que (TODOS) os principais activos do clube estão devidamente blindados com elevadíssimas cláusulas e contratos de longa duração.

Aliás, essa perda do activo Carrillo (de que o Sporting apenas detinha 50% do passe), aliada à perda do caso Doyen serão facilmente contornadas pela venda de Slimani, futebolista que terá triplicado o seu valor de mercado neste último ano.

É que enquanto muitos se revezam nas críticas ao único R&C trimestral desta direcção que deu prejuízo, esquecem-se do somatório do valor de mercado do plantel do Sporting em 2013 em contraponto com 2016. Aí percebemos como 10 milhões de euros negativos são irrisórios, pois os ganhos com esse investimento, tanto ao nível do valor dos direitos económicos dos jogadores, como do crescimento do entusiasmo e, consequentemente, do investimento dos adeptos do Sporting torna-se incomparavelmente superior.

Esse entusiasmo, aliás, vê-se facilmente no facto do Sporting ter terminado a temporada com assistências médias acima dos 40 mil espectadores, algo ao qual o clube jamais se tinha sequer aproximado desde a construção do Alvalade XXI.

Depois, existe ainda uma construção de um pavilhão a todo o vapor (e quão importante e decisivo será isso para o reforço do eclitismo do Sporting), e um contrato com a NOS, que, tendo em conta o background recente do clube, é absolutamente fantástico.

Por tudo isto acredito que o futuro do Sporting será risonho. Até porque quando se vêem estas grandes massas de adeptos do Sporting, que se movimentam de norte a sul do país, sabemos que estes não vão desaparecer à mínima dificuldade. E se não desapareceram nos anos negros recentes, também não será nesta fase de crescimento que o irão fazer, certamente.

Anúncios

Read Full Post »