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Archive for the ‘FIFA’ Category

Zeferino era a estrela da selecção

De regresso a um Mundial de sub-17 após o terceiro lugar de 1989, Portugal surgia neste campeonato do Mundo com algumas figuras de proa como o goleador Vargas, o defesa-central Marco Caneira, o médio Pedro Hipólito e o atacante Zeferino, então jogador do Real Madrid. Ainda assim, apesar das elevadas expectativas que rodeavam a equipa das quinas, Portugal haveria de não fazer um grande mundial, tendo mesmo muita sorte na forma como superou a fase de grupos e  acabando por não passar pelo Gana nos quartos de final da prova equatoriana.

Dois primeiros jogos foram um desastre

Portugal foi integrado no Grupo B, juntamente com Argentina, República da Guiné e Costa-Rica, pensando-se que a equipa lusa passaria facilmente à segunda fase.

Contudo, os dois primeiros jogos não correram nada bem a Portugal, pois no primeiro, diante da Argentina, a equipa lusitana foi atropelada pelo conjunto sul-americano por 3-0, enquanto no segundo desafio, diante da supostamente frágil Guiné, Portugal até esteve a ganhar por 2-0, mas acabou por perder por 3-2 com a formação africana.

Milagre na última jornada garantiu passagem aos quartos

Assim sendo, à partida para o último jogo do grupo, Portugal precisava de um pequeno milagre para se apurar para os quartos de final: ganhar à Costa-Rica por pelo menos dois golos de diferença e esperar que a Guiné perdesse com a Argentina.

Ao minuto 87 do jogo com os costa-riquenhos, tudo parecia perdido, pois o 0-0 teimava em não sofrer alterações, contudo, um final de jogo electrizante com dois golos de Vargas e outro de Adolfo garantiu aos lusos uma vitória por 3-0, beneficiando ainda a equipa portuguesa do triunfo da Argentina diante da Guiné (2-0) para se apurar para os quartos de final.

Contudo, a alegria da equipa portuguesa acabou por não durar muito. Nos quartos de final, diante da forte selecção ganesa, Portugal acabou derrotado por 2-0, restando a consolação da equipa das quinas ter perdido com a equipa que se haveria de sagrar campeã mundial.

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Nelo levanta a Taça

No já longínquo ano de 1995, Portugal haveria de conquistar o seu único título internacional no futebol sénior, um torneio de pouca importância no contexto futebolístico mundial e que teve a curiosidade de ser disputado num sintético e numa arena totalmente fechada: Toronto’s Skydome. Disputado em Janeiro e numa altura em que os campeonatos europeus estavam em fases competitivas cruciais, muitas estrelas lusas acabaram por não ser convocados para o certame, permitindo que jogadores como Vado, Caetano ou Tulipa garantissem surpreendentes internacionalizações pela equipa das quinas.

Portugal 1-1 Canadá

O torneio contava com apenas três equipas (Canadá, Dinamarca e Portugal) que iriam jogar a competição num sistema de todos contra todos. No primeiro jogo disputado em Toronto, Portugal defrontou a equipa da casa, o Canadá, que contava com o então maritimista Alex Bunbury como a sua grande estrela.

Nessa partida, Portugal até saiu na frente com um golo madrugador de Folha, todavia, a oito minutos do final, Alex acabou por empatar a contenda e negar à equipa lusitana a possibilidade de vencer o jogo inaugural do torneio.

Portugal festeja após a vitória diante da Dinamarca

Portugal 1-0 Dinamarca

Antes de Portugal ter empatado com a equipa canadiana, já se havia disputado o Dinamarca-Canadá, com a vitória a sorrir aos escandinavos por 1-0.

Assim sendo, a equipa das quinas era obrigada a vencer a Dinamarca para conquistar o torneio, algo que não se afigurava assim tão difícil, pois os dinamarqueses, tal como os lusos, também estavam privados das suas grandes estrelas, surgindo apenas com jogadores que actuavam na liga local.

Ainda assim, tratou-se de um jogo muito difícil para os portugueses, que raramente conseguiram criar perigo para a baliza dinamarquesa, prevendo-se que o jogo iria terminar como começou, ou seja, com um nulo.

Todavia, no último minuto do desafio, Paulo Alves acabou por quebrar a barreira escandinava e fazer o único golo da partida, garantindo a vitória a Portugal e o único título conquistado pelo nosso futebol sénior.

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Ilídio Vale também teve boas individualidades

Apesar de Portugal se ter imposto principalmente pela sua qualidade colectiva, existem jogadores que se destacaram individualmente dos demais, levando-nos a acreditar que possam ter um maior futuro no Mundo do futebol, dadas as enormes capacidades que revelaram no campeonato mundial disputado na Colômbia. Nesse seguimento, escolhi oito jogadores portugueses que, na minha opinião, demonstraram mais qualidade e talento para que consigam superar a difícil transição para o futebol profissional. Esses jogadores são Mika, Cedric, Mário Rui, Roderick, Nuno Reis, Danilo, Caetano e Nélson Oliveira.

Mika é um guarda-redes elástico

Mika – Guarda-redes – 20 anos – Benfica

Com enorme envergadura (1,88 metros), Michael Simões dos Santos “Mika” tem tudo para vingar no futebol profissional, pois reune todas as qualidades para um jogador da sua posição.

Ao longo do campeonato do Mundo, Mika assumiu-se como um guarda-redes frio, seguro pelo ar e pelo chão, destacando-se pelos bons reflexos e maturidade de realce para alguém tão jovem.

Ainda assim, numa fase tão embrionária do seu crescimento futebolístico, talvez se justificasse o empréstimo a um clube onde pudesse jogar, do que se manter como terceiro guarda-redes do Benfica.

Cedric espera crescer na Briosa

Cédric Soares – Lateral-direito – 19 anos – Sporting (cedido à Académica)

Lançado precocemente na equipa principal do Sporting durante a época passada, Cedric Soares foi uma das boas surpresas neste campeonato do Mundo de sub-20.

Bom no processo ofensivo e nas transições defesa/ataque e ataque/defesa, o actual jogador da briosa é muito bom tecnicamente e nunca se retrai perante a oposição, mostrando ser raçudo e guerreiro o quanto baste.

Neste momento, cedido à Académica, terá todas as possibilidades para continuar a crescer como futebolista e tornar-se uma alternativa para o Sporting e para selecção nacional.

Mário Rui é um lateral-esquerdo talentoso

Mário Rui – Lateral-esquerdo – 20 anos – Parma (cedido ao Gubbio)

Apesar de muito jovem, Mário Rui já passou por Sporting, Benfica e Valência, estando agora ligado contratualmente ao Parma, ainda que tenha sido cedido ao modesto Gubbio da Série B italiana.

Actuando numa posição onde Portugal é historicamente fraco (Fábio Coentrão é uma das felizes excepções…), Mário Rui surpreendeu pela velocidade e pela capacidade como sobre no terreno com a bola controlada, sendo muito efectivo tanto no capítulo do cruzamento, como, inclusivamente, na finalização.

O seu empréstimo a um modesto clube da Série B poderá ajudá-lo na adaptação ao difícil calcio e a permitir-lhe evoluir de forma decisiva em termos tácticos.

Roderick é uma aposta de futuro dos encarnados

Roderick – Defesa-central – 20 anos – Benfica (cedido ao Servette)

Outra das confirmações portuguesas neste campeonato do Mundo de sub-20 foi Roderick Miranda, um defesa-central que pouco jogou na última temporada ao serviço do Benfica, mas que acaba de ser cedido ao Servette para que possa actuar com maior regularidade.

Defesa-central alto (1,91 metros) e possante, é muito bom no jogo aéreo, mas também é extremamente competente pelo chão, assumindo-se como um jogador rigoroso e eficaz na abordagem aos lances, raramente perdendo a calma ou o posicionamento no terreno de jogo.

Agora, nesta temporada no campeonato suíço, veremos como o defesa-central evolui e se já conseguirá garantir um lugar no plantel encarnado para 2012/13.

Nuno Reis tem brilhado em Brugge

Nuno Reis – Defesa-central – 20 anos – Sporting (cedido ao Cercle Brugge)

A seguir a Nélson Oliveira, Nuno Reis foi claramente o jogador que mais me entusiasmou ao longo do campeonato do Mundo, demonstrando qualidades que o podem elevar a um patamar elevadíssimo no contexto futebolístico luso.

Jogador sóbrio, seguro e eficaz, trata-se de um defesa-central que parece estar sempre no sítio certo para o desarme ou para dobrar um colega, assumindo-se ainda como um líder natural e revelando enormes qualidades técnicas para subir com a bola controlada sempre que para isso tenha chances.

Titular indiscutível do Cercle Brugge em 2010/11, volta nesta temporada ao clube belga para continuar o seu crescimento futebolístico e preparar-se para o inevitável, que é como quem diz, a titularidade no Sporting Clube de Portugal.

Danilo espera vingar em Itália

Danilo Pereira – Médio-defensivo – 19 anos – Parma

Uma das razões para Portugal ter aguentado seis jogos sem sofrer qualquer golo foi um médio-defensivo de origem guineense e que surpreendeu bastante na Colômbia: Danilo Pereira.

Guerreiro incansável na luta do miolo, Danilo não é um jogador muito refinado em termos técnicos, mas assume-se de elevada importância pela enorme envergadura física, eficaz capacidade de desarme e pela forma como ajuda os centrais no processo defensivo e tapa todos os caminhos para a área.

Ligado contratualmente ao Parma, terá poucas hipóteses de jogar nos “gialloblu” e precisará  de ser emprestado a um clube onde possa jogar com regularidade e continuar a evoluir futebolísticamente, pois sabemos que esta fase é fulcral no crescimento de qualquer atleta.

Caetano é um poço de talento

Caetano – Extremo-esquerdo – 20 anos – Paços de Ferreira

Um dos poucos poços de criatividade da equipa nacional na Colômbia residiu na capacidade técnica de um jogador que tem futebol nos genes (o pai actuou inúmeros anos no Tirsense e chegou a ser internacional A) e se assumiu como um extremo desconcertante: Caetano.

Rápido, tecnicamente muito evoluído e com grande objectividade em todas suas movimentações, Caetano foi uma pincelada de classe numa equipa maioritariamente operária, dando mesmo a ideia que poderia e deveria ter sido ainda mais utilizado do que foi ao longo do Mundial.

Pérola do Paços de Ferreira, está no clube certo para continuar a sua ascensão no futebol português, sendo provável que dê um salto para um clube de outra envergadura daqui a uma ou duas épocas.

Nélson Oliveira poderá ser o futuro “nove” luso

Nélson Oliveira – Ponta de lança – 20 anos – Benfica

O ponta de lança da equipa das quinas sagrou-se com toda a justiça o segundo melhor jogador do campeonato do Mundo, prémio mais que merecido para um jogador que, por vezes, parecia lutar contra o Mundo e mesmo assim conseguia fazer o que pretendia, tal como é exemplo o golo que marcou ao Brasil.

Abandonado entre os centrais adversários durante todo o Mundial, Nélson Oliveira nunca cedeu às dificuldades, tornando-se, ao invés, num pesadelo para os adversários, que não sabiam como parar um avançado possante (1,86 metros) mas que também reúne inúmeras qualidades técnicas e de finalização.

Neste momento, após os empréstimos ao Rio Ave e Paços de Ferreira, terá a sua prova de fogo ao serviço da equipa sénior do Benfica, todavia, nesta fase, já ninguém duvida que o destino do avançado-centro será o sucesso ao serviço das águias e da equipa principal portuguesa.

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A selecção portuguesa que esteve na Colômbia

Depois da fraca prestação no Europeu de sub-19, onde a equipa portuguesa não passou da fase de grupos e, inclusivamente, foi goleada pela Croácia (0-5), as expectativas para esta participação no campeonato do Mundo eram bastante baixas, havendo mesmo pessoas quem duvidasse da possibilidade dos lusos chegarem aos oitavos de final. No entanto, apoiados numa equipa generosa e de grande entreajuda, os lusitanos foram ultrapassando todos os obstáculos até à final, surpreendendo um país que até foi privado de assistir à primeira fase da prova, tal era a descrença dos meios de comunicação social na equipa das quinas. Aí, no jogo decisivo, os canarinhos foram mais fortes, mas para a história fica uma equipa que provou que com motivação, força e querer, nada é impossível.

Portugal festeja vitória diante dos Camarões

Eficácia e calculismo no caminho até aos oitavos de final

Portugal foi uma equipa na verdadeira acepção da palavra, funcionando sempre como um bloco e abdicando de ser espectacular, para se impor como uma equipa extremamente calculista e eficaz.

De facto, na fase de grupos, a equipa portuguesa não foi além de um nulo com o Uruguai e de duas magras vitórias por 1-0 diante dos Camarões e Nova Zelândia, resultados pouco entusiasmantes, mas ainda assim suficientes para o apuramento para os oitavos de final como primeiro classificado do grupo e com direito a defrontar a pior equipa das dezasseis ainda em prova na fase de eliminatórias, a Guatemala.

Mika foi herói diante da Argentina

Uma equipa em crescendo nas eliminatórias

Curiosamente, diante da equipa da América Central, Portugal fez a pior exibição no torneio, não indo além de nova vitória por uma bola a zero e, inclusivamente, apanhando inúmeros sustos diante de uma equipa que havia perdido por 5-0 com a Nigéria e 6-0 com a Arábia Saudita na fase de grupos. Imediatamente, pensou-se que era o último obstáculo que a equipa das quinas ia ultrapassar,

Ainda para mais, o adversário nos quartos de final era a mais do que favorita Argentina, gerando-se uma descrença nos portugueses que, todavia, já valorizavam interiormente a prestação lusitana, pensando que termos chegado aos quartos de final já era um resultado de registo, até porque era a melhor participação da nossa selecção desde 1995.

Contudo, a equipa portuguesa voltou a surpreender positivamente os seus conterrâneos, equilibrando o jogo com os sul-americanos e até dispondo das melhores oportunidades para desfazer um nulo que, todavia, resistiu até ao final dos 120 minutos.

Nos penaltis, os portugueses chegaram a estar a perder por 3-1 e com os argentinos a terem dois “match-points” para vencerem a eliminatória. Todavia, Mika apareceu quando tinha de aparecer e Portugal deu a volta ao texto, eliminando os sul-americanos (5-4 nos penaltis) e seguindo para as semi-finais.

Por incrível que pareça, foi no último degrau até à final que a equipa das quinas acabou por vencer de forma mais confortável, superando a França por 2-0, graças a dois golos ainda na primeira metade. Esse resultado fez com que Portugal chegasse à final da prova sem sofrer qualquer golo, destacando-se pela inteligência táctica, capacidade de sofrimento colectivo, calculismo e eficácia.

Brasil foi mais feliz na final

E o título mundial ali tão perto…

Na final, Portugal sofreu um golo muito cedo e, pelas características da nossa equipa, pensou-se que a nossa selecção não seria capaz de dar a volta ao texto. No entanto, a equipa das quinas voltou a mostrar talentos que ninguém reconhecia até esta prova e fez questão de calar quem não acreditava no conjunto.

Com golos de Alex e Nélson Oliveira, Portugal entrou bem dentro do segundo tempo em vantagem (2-1) e ainda viu o avançado do Benfica desperdiçar uma oportunidade de fazer o 3-1 e matar definitivamente o encontro.

Infelizmente, Cedric havia saído da equipa por lesão e o adaptado Pelé estava com dificuldades para parar Dudu no flanco direito da defesa portuguesa. Assim sendo, após alguns sustos, foi sem surpresa que Dudu superou Pelé e cruzou para o empate de Óscar que obrigou o encontro a chegar ao prolongamento.

Nos trinta minutos suplementares, foi a vez de Caetano ser infeliz, falhando um chapéu que poderia ter devolvido a vantagem aos portugueses. Depois, com a equipa lusa de rastos (Danilo foi mesmo obrigado a sair, fazendo com que a equipa das quinas terminasse com dez), o Brasil haveria de ser extremamente feliz, chegando ao 3-2, graças a um cruzamento mal medido de Óscar que só parou no fundo da baliza de Mika.

Após esse tento canarinho, Portugal ainda tinha dez minutos para tentar chegar novamente ao empate, mas se a vontade e a crença eram enormes, a força era quase nula, fazendo com que a equipa das quinas fosse incapaz de regressar ao jogo.

Assim sendo, quando o árbitro apitou para o final da partida e enquanto os brasileiros festejavam o seu quinto título mundial, os portugueses entregavam-se a um choro incontrolável de quem percebeu que esteve a um pequeno passo de conquistar o título mundial de sub-20.

Nélson Oliveira confirmou todo o seu talento

O futuro da “Geração Coragem”

Poucos acreditavam na qualidade individual e colectiva desta selecção de sub-20, todavia, ao longo de sete desafios, Portugal fez questão de demonstrar que tem matéria prima para que o futuro do nosso futebol seja menos sombrio do que se chegou a temer.

Colectivamente, fiquei impressionado pela evoluidíssima inteligência táctica e capacidade de ocupação de espaços no sector recuado, porque defender bem também é uma arte e não é limitada a um autocarro à frente do guarda-redes. Na minha opinião, em termos de processo defensivo, Portugal roçou a perfeição e só isso explica que tenhamos atingido a final sem sofrer qualquer golo.

Ofensivamente, notou-se que faltou talento e criatividade à equipa portuguesa, demasiado dependente de um avançado-centro que ou muito me engano, ou vai ser o ponta de lança da selecção A durante anos a fio: Nélson Oliveira. Com um jogador de elevada criatividade na posição “dez”, a equipa das quinas poderia ter alcançado outra excelência no processo ofensivo, limitando a dependência do avançado do Benfica e tornando-se menos previsível no ataque.

Ainda assim, temos razões para estarmos bem satisfeitos e estou certo que jogadores como Mika, Cedric, Roderick, Nuno Reis, Danilo, Caetano e, acima de tudo, Nélson Oliveira, têm tudo para vingarem no futebol profissional e ajudarem e muito o futebol português.

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Agostinho Oliveira era o seleccionador

Após a nossa selecção ter conquistado o bicampeonato mundial de sub-20, a ideia era atacar o tricampeonato na longínqua Austrália, esperando, no mínimo dos mínimos, que Portugal superasse a primeira fase da prova. Contudo, a equipa treinada por Agostinho Oliveira e que contava com jogadores como Costinha, Litos, Andrade, Porfírio ou Bambo acabou por fazer uma prova deplorável, perdendo todos os jogos que disputou e abandonando a competição sem honra nem glória. Podemos sempre dizer que o grupo era complicado (Gana, Alemanha e Uruguai) e que nunca nos adaptámos ao facto dos jogos se disputarem nas manhãs portuguesas, todavia, para a história fica a pior participação portuguesa de sempre num Mundial sub-20.

A equipa portuguesa que esteve na Austrália

Três jogos, três derrotas

Portugal estreou-se no Mundial de sub-20 diante da poderosa Alemanha, que contava com jogadores como Jancker, Hamann ou Ramelow. Num jogo extremamente disputado e equilibrado, a equipa lusitana haveria de sucumbir perto do final do jogo, graças a um tento do inevitável Carsten Jancker, iniciando a prova de forma negativa.

No segundo duelo, diante do Uruguai, Portugal estava obrigado a não perder para continuar a sonhar com o apuramento para os quartos de final. Entrando a perder com um golo madrugador de Fabián O’Neill (esse mesmo que chegou a jogar na Juventus), a equipa portuguesa conseguiu igualar a contenda, graças a um golo de Bambo, que havia de ser o único golo que Portugal marcaria na competição. Perto do fim, quando já todos pareciam resignados à igualdade, o mesmo O’Neill haveria de bisar e dar a vitória à equipa sul-americana, levando a que o jogo de Portugal, na última jornada, diante do Gana, fosse meramente para cumprir calendário.

Desmotivada e sem nenhum objectivo desportivo, a equipa das quinas rapidamente sucumbiu à equipa africana, sofrendo dois golos na primeira parte e deixando o jogo escoar até final na segunda sem qualquer intensidade competitiva. A derrota (0-2) fez com que os portugueses abandonassem a competição sem qualquer ponto e garantiu o apuramento aos ganeses para a fase seguinte.

Jardel pouco jogou na prova

Brasil campeão com Marcelinho Paulista e… Mário Jardel

O Brasil conquistou o campeonato do Mundo graças às grandes exibições de Adriano um avançado que, na altura, representava os suíços do Neuchatel Xamax, marcou quatro golos na prova e foi considerado o melhor jogador do Mundial sub-20. Nessa equipa, também brilhava Marcelinho Paulista  e estava presente Mário Jardel que, porém, apenas fez 12 minutos durante toda a competição.

Na fase de grupos, o Brasil venceu o agrupamento D, empatando com a Arábia Saudita (0-0) e vencendo México (2-1) e Noruega (2-0). Depois, nos quartos de final, os canarinhos superaram os Estados Unidos (3-0) e, nas meias finais, foi a vez da equipa anfitriã (Austrália) sucumbir por duas bolas a zero.

Por fim, na final, a equipa brasileira defrontou a poderosa selecção do Gana, que contava com autênticas promessas como Samuel Kuffour, Nii Lamptey, Charles Akonnor ou o nosso bem conhecido Emmanuel Duah. Nesse duelo, o Brasil até esteve a perder graças a um golo de Duah (15′), todavia, Yan (50′) e Gian (88′) deram a volta ao marcador e garantiram o título mundial à equipa verde-e-amarela. Foi o terceiro título do Brasil no Mundial sub-20.

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Peres Bandeira era o seleccionador

Agora que estamos à beira de nova participação no Mundial de sub-20, desta feita, a disputar na Colômbia, achei interessante recordar aquela que foi a primeira presença portuguesa no certame. Há trinta e dois anos, no Japão, Portugal participou na segunda edição do Mundial de sub-20, levando uma equipa de jogadores cheios de sonhos a terras nipónicas e efectuando uma participação digna, mas sem grande brilho, pois a equipa lusitana não haveria de passar dos quartos de final. Ainda assim, a equipa das quinas conseguiu revelar jogadores que haveriam de ser bastante importantes no futebol nacional como Zé Beto, Quim, Bastos Lopes ou Diamantino e tornou-se percursora de uma nova mentalidade futebolística que, dez anos mais tarde, iria garantir o título mundial em Riade…

Surpreendente derrota com o Canadá não evitou apuramento

Portugal estreou-se da pior forma no Mundial de sub-20, perdendo de forma inesperada com o Canadá (1-3) no primeiro jogo do Grupo C. Após um golo de Branko Segota (7′), Grilo (46′) ainda empatou para a equipa nacional, todavia, Segota (66′) novamente e Nagy (79′) garantiram o triunfo da equipa canadiana. Com este resultado, Portugal via-se obrigado a não perder com o Paraguai para continuar a sonhar com o apuramento para os quartos de final.

Curiosamente, num jogo que se previa bem mais complicado que o disputado com a equipa da América do Norte, os lusos haveriam de surpreender vencendo os sul-americanos por 1-0 (golo de Ferreira aos 23 minutos). Graças a este magro triunfo e caso o Canadá-Paraguai não terminasse empatado, bastaria a Portugal um empate diante da Coreia do Sul para assegurar a passagem aos oitavos de final.

Antes de começar o jogo com os sul-coreanos, soube-se que o Paraguai havia vencido o Canadá por 3-0 e, assim, bastaria mesmo um empate à equipa das quinas para seguir em frente na prova. Diante de uma Coreia que precisava de vencer, o jogo foi duro e intenso, contudo, Portugal defendeu-se bastante bem e segurou um precioso nulo que colocava a equipa nacional nos quartos de final do Mundial de sub-20.

Uruguai foi carrasco no prolongamento

Nos quartos de final, Portugal defrontou o Uruguai, equipa que era super-favorita, pois havia vencido União Soviética (1-0), Hungria (2-0) e Rep. Guiné (5-0), vencendo facilmente o Grupo D.

Contudo, Portugal, treinado por Peres Bandeira, foi fazendo de tudo para evitar o golo uruguaio, utilizando todas as manhas habituais do futebol luso para impedir o tento dos favoritos sul-americanos.

A estratégia resultou na perfeição até ao minuto 94, quando Ruben Paz, já no prolongamento, fez o golo que garantiu à equipa uruguaia a vitória (1-0) e o apuramento para as semi-finais. Portugal terminava assim, nos quartos de final, a primeira presença num Mundial de sub-20.

Maradona com a taça do Mundial sub-20

Argentina campeã com o goleador Ramon Diaz e… Diego Maradona

O grande vencedor deste Mundial de Sub-20 foi a Argentina que conquistou o certame, vencendo todos os jogos da prova, marcando 20 golos e sofrendo apenas dois.

Na fase de grupos, os sul-americanos despacharam Indonésia (5-0), Jugoslávia (1-0) e Polónia (4-1), superando depois a Argélia (5-0) nos quartos de final, Uruguai (2-0) nas semi-finais e União Soviética (3-1) na final.

As estrelas dos argentinos foram o avançado Ramon Diaz, que marcou oito golos e foi o melhor marcador da prova e, também, Diego Maradona, que com apenas dezoito anos, mostrou todo o seu talento e assumiu-se como a principal estrela do Mundial de sub-20.

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