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Archive for the ‘Lendas desconhecidas’ Category

Raymond Kopa

Kopa, o “Napoleão do Futebol”

Filho de emigrantes polacos, Raymond Kopaszewski “Kopa” foi um dos primeiros foras de série do futebol francês, um verdadeiro mago com a bola nos pés e que brilhou com as camisolas do Reims, Real Madrid e selecção gaulesa. Apresentando grande visão de jogo e uma irresistível capacidade de passe, Kopa sempre gostou muito de fintar, algo que, por vezes, motivava as críticas da imprensa que o acusava de agarrar-se demasiado à bola. Aí, contudo, até Albert Batteux, seu treinador no Reims, saiu em sua defesa, ameaçando tirá-lo da equipa se parasse de driblar… Algo sintomático da grandeza deste fenómeno.

Começou no Angers

Raymond Kopa nasceu a 13 de Outubro de 1931 em Noeux-les-Mines, França, filho de imigrantes polacos, tendo evoluido nas camadas jovens do US Noeux-les-Mines e estreado-se profissionalmente em 1949, com a camisola do Angers.

Nesse clube, em duas temporadas, haveria de somar 60 jogos e 15 golos, merecendo então o salto para o Stade Reims, clube que, nessa altura, era um dos gigantes do futebol gaulês.

13 anos no Reims

No Stade Reims, o talentoso médio-ofensivo haveria de permanecer por 13 anos, divididos em dois ciclos: (1951-56) e 1959-67), períodos em que somou um total de 402 jogos e 84 golos e conquistou quatro campeonatos franceses e uma Taça Latina, isto sem esquecer uma final perdida da Taça dos Campeões Europeus.

Pelo meio, passou três fantásticas temporadas no Real Madrid, o grande colosso europeu da época, onde efectuou 79 jogos (24 golos) e ganhou dois campeonatos espanhóis, uma Taça Latina e três Taças dos Campeões Europeus.

Presente em dois mundiais

Ao serviço da selecção francesa, Kopa participou em dois campeonatos do Mundo (1954 e 58), sendo que no primeiro, de má memória para os gauleses, que foram eliminados logo na primeira fase, o médio-ofensivo entrou mesmo no onze do torneio.

Já em 1958, em Mundial disputado na Suécia, Kopa foi uma das grandes figuras de uma selecção francesa que haveria de se sagrar terceira classificada, tendo apontado dois golos e contribuído para muitos dos 13 apontados pelo goleador Just Fontaine.

Aliás, para a “France Football”, foi precisamente Kopa e não Fontaine o Bola de Ouro de 1958, numa decisão que premiou o génio do “Napoleão do Futebol” sobre a eficácia.


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Tostão faz parte da história gloriosa do futebol brasileiro

Tostão faz parte da história gloriosa do futebol brasileiro

O risco de ficar cego obrigou-o a retirar-se do futebol aos 26 anos e no auge das suas capacidades, mas a verdade é que o médio-ofensivo que chegou a merecer a alcunha de “Pelé Branco” já tinha feito mais do que o suficiente para atingir a imortalidade no futebol brasileiro e mundial. Pentacampeão mineiro e campeão brasileiro pelo Cruzeiro, Tostão foi ainda campeão do Mundo de 1970 pelo “escrete” e ao lado do “Rei Pelé”, apresentando sempre o mesmo futebol pleno de inteligência e brilhantismo técnico.

Um símbolo do Cruzeiro

Eduardo Gonçalves de Andrade, conhecido no meio futebolístico por “Tostão”, nasceu a 25 de Janeiro de 1947 em Belo Horizonte, Brasil, e começou a sua carreira profissional no América Mineiro, emblema onde, entre 1962 e 63, e quando ainda era extremamente jovem, somou 16 golos em 26 jogos.

Em 1964, contudo, regressou ao clube onde havia feito a sua formação, o Cruzeiro, emblema que ficaria para sempre ligado ao internacional brasileiro, uma vez que foi aí que passou quase a totalidade da sua carreira. Ao todo, foram cerca de oito anos de glória na “Raposa”, com Tostão a somar 378 jogos e 249 golos, e conquistando cinco campeonatos mineiros e um campeonato brasileiro.

Problema na retina afastou-o dos relvados

Depois de tempos muito marcantes no Cruzeiro, onde ainda é o melhor marcador de sempre, Tostão transferiu-se para o Vasco da Gama em Abril de 1972 e naquela que, na altura, foi a maior transferência do futebol brasileiro.

Nesse clube carioca, que passava por uma crise, Tostão foi importantíssimo para devolver a confiança a colegas e adeptos, tendo somado 19 golos em 30 jogos, num registo que poderia ter sido muito mais marcante se o internacional brasileiro não tivesse de se retirar dos relvados com 26 anos, isto devido ao agravamento de um problema na retina que ameaçava deixá-lo cego.

Sucesso também no “Escrete”

O futebol rendilhado e pleno de classe que foi apresentando ao nível dos clubes por onde passou e que lhe valeram alcunhas como a de “Pelé Branco” e “Rei Branco”, também foi transposto para a selecção brasileira, pela qual somou 65 jogos e 36 golos.

Ao longo dessa passagem pelo “escrete”, Tostão viveu naturalmente inúmeros momentos altos, ainda que os mais marcantes foram obviamente a conquista do Campeonato do Mundo de 1970, numa campanha onde somou dois golos; e a vitória no Torneio da Independência de 1972, uma espécie de mini-Mundial em que os brasileiros venceram Portugal (1-0) na final.

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O eterno Zé da Europa

O eterno Zé da Europa

Quando se recordam os melhores jogadores da história do futebol português, fala-se naturalmente dos célebres “cinco violinos” do Sporting, ainda que mais do goleador Fernando Peyroteo, deixando José Travassos numa posição menos cintilante. Certo, de qualquer maneira, é que este interior-direito lisboeta brilhou tanto quanto o angolano, tendo inclusivamente sido o primeiro jogador luso a ser convocado para uma selecção europeia, algo que lhe valeria uma alcunha para a eternidade: “Zé da Europa”.

Começou na CUF

José António Barreto Travassos nasceu a 22 de Fevereiro de 1926 em Lisboa e começou a sua carreira na CUF, ainda que rapidamente se tenha mudado para o Sporting, clube que representou entre 1946 e 1959.

Durante esse longo percurso, somou 457 jogos oficiais pelos verde-e-brancos, tendo apontado 172 golos, sendo de destacar os inúmeros títulos conquistados, nomeadamente oito campeonatos nacionais e duas taças de Portugal.

O “Zé da Europa”

Interior-direito de grandes recursos técnicos e excelente capacidade criadora e finalizadora, José Travassos mereceu, na sua época, o reconhecimento nacional e internacional, sendo que um jornalista inglês foi mesmo peremptório em afirmar que “Portugal não figura entre os seis primeiros países da Europa do futebol, mas possui um interior-direito que vale 50 mil libras”. Uma fortuna na época.

Perante esse reconhecimento internacional, o futebolista do Sporting foi mesmo o primeiro português a figurar numa selecção europeia, tendo participado num amigável em Belfast, a 13 de Agosto de 1955, onde a tal selecção do Velho Continente superou a Inglaterra por 4-1. Por isso, será para sempre o “Zé da Europa”.

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Mazzolla e Francisco Ferreira no Benfica-Torino de 1949

Mazzolla e Francisco Ferreira no Benfica-Torino

Começou a sua carreira no FC Porto, mas foi no Benfica que haveria de garantir a sua imortalização, fruto de 15 temporadas consecutivas de águia ao peito e de inúmeros títulos conquistados, dos quais se destacam quatro campeonatos nacionais e seis taças de Portugal. Perante esse glorioso percurso, até o então grande Torino se ofereceu para uma festa de tributo, em 1949, que terminou com a vitória do Benfica por 4-3. Infelizmente mais relevante do que esse resultado, foi a morte de toda a comitiva italiana, isto na viagem de avião que os trazia de regresso a Turim.

Pedido de aumento afastou-o do FC Porto

Francisco Ferreira nasceu a 23 de Agosto de 1919 em Guimarães e começou a sua carreira no FC Porto, emblema que representou entre 1936/37 e 1937/38, tendo contribuído para a conquista de um Campeonato de Portugal.

Recebendo muito pouco dinheiro nos dragões, isto em contraste com algumas estrelas como Pinga, Francisco Ferreira pediu um aumento ao FC Porto, mas esse pedido acabou por ser muito mal recebido pelos responsáveis do clube nortenho, que abdicaram dos seus préstimos.

Glória no Benfica

Na jogada, entrou imediatamente o Benfica, que assegurou a contratação de um jogador que haveria de representar as águias entre 1938 e 1952, somando 265 jogos e 13 golos, isto só ao nível do campeonato nacional.

Tendo ganho quatro campeonatos e seis taças de Portugal pelo Benfica, ficará como grande mágoa na carreira de Francisco Ferreira o facto de não ter participado na campanha encarnada que redundou na conquista da Taça Latina em 1949/50, isto em virtude de uma doença.

Representava a mística da águia

Sem ser um prodígio de técnica, Francisco Ferreira era um médio que primava pela inteligência táctica, grande pulmão e raça, transportando, em campo, a mística do Benfica.

Por esse motivo, até o Torino, então grande dominador do futebol italiano, ofereceu-se para participar numa festa de tributo a Francisco Ferreira, em 1949, isto num jogo em que os encarnados haveriam de superar o “Toro” por 4-3.

Ligado ao desaste de Superga

Entusiasmado com a exibição de Francisco Ferreira, o presidente do Torino ainda tentou que este viajasse com a comitiva do “Toro” para Itália, isto para discutirem um possível transferência.

Para sua sorte, Francisco Ferreira acabou por não abandonar Portugal, escapando então à morte certa, uma vez que toda a comitiva do Torino haveria de falecer quando o avião que os transportava para Turim embateu na catedral de Superga.

Poucas horas depois, o internacional português (25 jogos) haveria de receber a cruel notícia da morte de quem tinha acabado de o homenagear, tendo optado por enviar imediatamente os 50 contos que o Torino lhe oferecera para as famílias dos futebolistas mortos.

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Pavão foi um dos grandes jogadores da história do FC Porto

Pavão foi um dos craques da história do FC Porto

Médio-centro de grande raça, inteligência táctica e visão de jogo, Fernando Pascoal Neves, mais conhecido no Mundo do futebol por “Pavão”, foi um dos grandes jogadores do futebol português dos anos 60 e 70, brilhando com a camisola do FC Porto e da selecção nacional. Infelizmente, numa fatídica 13.ª jornada do Campeonato Nacional 1973/74, ao minuto 13, e num jogo diante do Vitória de Setúbal (2-0), o craque azul-e-branco haveria de tombar inanimado, numa queda que muitos dos presentes no Estádio das Antas estavam longe de perceber que se iria traduzir na morte precoce de quem tanto acarinhavam.

Começou no D. Chaves

Pavão nasceu a 12 de Julho de 1947 em Chaves, tendo inclusivamente iniciado a sua carreira no Desportivo local, isto antes de se transferir para o FC Porto, em 1963.

Nos azuis-e-brancos, haveria de actuar profissionalmente entre 1965 e 1973, tendo somado um total de 186 jogos e 17 golos e contribuído para a conquista da Taça de Portugal em 1967/68, isto numa final em que os dragões venceram o Vitória de Setúbal por 2-1.

Falecimento precoce travou outros títulos

Mas se os sadinos foram os adversários no dia da maior alegria desportiva de Pavão, foram também os oponentes no fatídico dia 16 de Dezembro de 1973, quando o médio-centro haveria de morrer subitamente em campo, fruto de um fulminante ataque de coração.

Nessa altura, o jovem luso tinha apenas 26 anos, sendo impossível de prever quantos mais títulos e glórias o talentoso médio poderia vir ainda a alcançar se o destino lhe tivesse proporcionado a continuação de uma vida e carreira normal…

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Just Fontaine foi um goleador de excelência

Just Fontaine foi um goleador de excelência

Ainda é o jogador que marcou mais golos numa fase final de um Campeonato do Mundo (13 em 1958), isto naquele que foi o momento alto da carreira de um jogador que, ao serviço da selecção francesa, somou 30 golos em 21 internacionalizações, numa média de 1,42 golos/jogo. Forte fisicamente, com excelente técnica e controlo de bola, e letal na hora de atirar à baliza, Just Fontaine foi, afinal, um verdadeiro goleador que ficará para sempre na história dos “bleus” e do então gigante Stade Reims.

Nascido em Marrocos

Lenda do futebol gaulês, Just Fontaine nasceu a 18 de Agosto de 1933 no Continente Africano, mais concretamente na actual cidade de Marraquexe, isto numa altura em que grande parte de Marrocos era um protectorado de França.

Sem surpresa, começou a sua carreira ainda em Marrocos, no Casablanca, apenas se mudando para França em 1953, então para presentar o Nice, clube onde somou 83 jogos e 52 golos em três temporadas.

A glória no Reims

No Nice, os golos de Just Fontaine já o tinham catapultado para a conquista de um Campeonato Francês e de uma Taça de França, mas a mudança para o Stade Reims, em 1956/57, abriu o horizonte ao goleador gaulês de muitos outros títulos.

De facto, apontando 145 golos em 152 jogos, isto até 1961/62, Just Fontaine contribuiu para a conquista de mais três Campeonatos de França, uma Taça de França e duas Supertaças. Para além disso, disputou ainda a final da Taça dos Campeões em 1958/59, perdida para o Real Madrid (0-2).

Lesão grave tirou-o precocemente dos relvados

Presente ainda no Mundial 1958, onde foi o melhor marcador da prova com 13 golos, e no qual ajudou a França a conquistar o terceiro lugar, a verdade é que Just Fontaine terá sempre o gosto amargo de ter sido forçado a um precoce abandono dos relvados.

Afinal, em 1960, num jogo com o Sochaux, um defesa adversário teve uma entrada violentíssima à sua perna, deixando-o com tíbia a perónio fracturados. Ora, naqueles tempos, lesões deste tipo representavam praticamente o fim de uma carreira, e se atacante ainda voltou aos relvados depois desse infortúnio, a verdade é que jamais foi o mesmo, acabando por pendurar as botas em 1962, quando tinha apenas 28 anos…

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Greaves era um prolífico goleador

Greaves era um prolífico goleador

Tal como sucedia com o germânico Gerd Müller, era um daqueles pontas de lança que valiam, acima de tudo, pelos golos que marcava, merecendo inclusivamente uma definição perfeita de Bill Nicholson: “Tudo o que ele fez esta tarde foi marcar aqueles quatro golos…” Aliás, é sintomático que tenha sido, na sua época, e com apenas 21 anos, o mais jovem futebolista a atingir os 100 golos na Liga, podendo ainda gabar-se de ter sido campeão do Mundo pela Inglaterra em 1966 e de ter participado num dos períodos mais gloriosos da história do Tottenham.

Explodiu no Chelsea

James Peter “Jimmy” Greaves nasceu a 20 de Fevereiro de 1940 em Essex, Inglaterra, tendo começado a sua carreira profissional no Chelsea, clube onde somou 132 golos em 169 jogos, isto entre 1957/58 e 1960/61.

Esse excelente desempenho no clube londrino, aliás, valeu-lhe o acesso à selecção inglesa e uma transferência para o AC Milan no Verão de 1961, ainda que Jimmy Greaves nunca se tenha adaptado verdadeiramente ao futebol italiano, abandonando os “rossoneri” após marcar “apenas” nove golos em 14 jogos.

Momentos de glória no Tottenham

Afinal, ainda a meio dessa temporada de 1961/62, Jimmy Greaves regressou a Inglaterra, mas para representar um grande rival do Chelsea, mais concretamente o Tottenham, clube no qual jogaria até 1969/70.

Nessa fase, aliás, contribuiu para uma época gloriosa dos “spurs”, somando 268 golos em 381 jogos e ajudando o emblema londrino a conquistar duas Taças de Inglaterra, uma Taça das Taças e duas Supertaças.

Campeão do Mundo pela Inglaterra

Nesse período em que se assumia como grande goleador do Tottenham, o ponta de lança viveu também momentos verdadeiramente épicos pela selecção inglesa, tendo ganho o Mundial 1966 e participado ainda no Mundial 1962 e no Euro 1968.

Ao todo, os seus números pela selecção dos “três leões” são mesmo impressionantes, uma vez que Jimmy Greaves somou 57 internacionalizações e apontou 44 golos, numa média de 0,77 golos/jogo.

West Ham e o declínio

Abandonando os “spurs a meio da temporada 1969/70, Jimmy Greaves rumou ao West Ham, onde na época e meia seguinte ainda haveria de somar 13 golos em 40 jogos.

Nessa fase, contudo, começou por perder a motivação para jogar futebol, acabando por retirar-se e enveredar pelo alcoolismo. Alguns anos mais tarde, ainda voltaria aos relvados, mas apenas em representação de clubes modestos como o Brentwood, Chelmsford City, Barnet e Woodford Town, e isto quando obviamente era apenas uma sombra do outrora grande goleador dos anos 60…


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