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Posts Tagged ‘Adolf Hitler’

Preussen_Danzig_KMMuitos clubes se extinguem pelas mais variadas razões, mas custará ainda mais ver um clube morrer por culpa dos megalómanos desejos de Adolf Hitler, que, na sua cruzada por criar uma “Grande Alemanha”, acabou por vê-la perder um terço do seu território do pré-Segunda Guerra Mundial. Afinal, nos acordos de paz, ficou definido que a Alemanha iria perder todos os seus territórios a leste da linha do Oder-Neisse e, nesse seguimento, extinguiam-se para sempre clubes como o VFB Königsberg, de quem já falámos, e também o Preussen Danzig, que merece hoje a nossa homenagem.

Clube criado em 1909 mas o futebol só surgiu passados 14 anos

O Turn-und Fechtverein Preussen Danzig nasceu em 1909, mas como um clube de ginástica e esgrima, sendo que apenas em 1923 é que seria criado um pólo de futebol, com a designação de Sportclub Preussen 1909 Danzig.

Durante a sua história, o Preussen Danzig conheceu sempre sucesso algo limitado, ainda que participasse, a partir de 1933, na Gauliga da Prússia-Leste, um dos 16 principais campeonatos regionais do Terceiro Reich. Essas divisões, ainda assim, conheceram várias pequenas alterações, sendo que o Preussen Danzig também jogou na Gauliga Danzig (1935-38) e Gauliga Danzig-Prússia Ocidental (1940-45).

Sem impacto a nível nacional

Se a nível regional o Preussen Danzig chegou a ganhar o campeonato de Danzig-Prússia Leste em 1941, a verdade é que o clube das margens do Báltico nunca teve grande sucesso nacional, jamais passando das rondas preliminares do campeonato germânico (então disputado pelos vários campeões regionais) ou da primeira ronda da precursora da Taça da Alemanha.

De qualquer maneira, é inegável que também não foi dado muito tempo ao Preussen Danzig para se assumir como um clube com impacto no futebol alemão, uma vez que, em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, Danzig passou a ser uma cidade polaca com a designação de Gdansk, algo que, naturalmente, valeu a imediata extinção ao clube germânico.

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Um clube germânico que morava nas margens do Mar Báltico, poderia estar, neste momento, a fazer cento e dez anos, caso Adolf Hitler não decidisse tentar conquistar o mundo e a Alemanha acabar por, ao invés de aumentar de tamanho, perder todos os seus territórios a leste da linha do Oder-Neisse. Assim sendo, graças aos desejos expansionistas do Führer, o VFB Königsberg extinguiu-se no mesmo ano em que terminou a segunda guerra mundial e, como tal, caiu no esquecimento da maioria dos amantes do desporto rei que, certamente, desconhecem que na actual Kalinigrado, existiu, em tempos, um importante clube alemão.

Fundação e primeiros anos do VFB Königsberg

Criado a 7 de Julho de 1900 como Fußball-Club Königsberg, o clube germânico assumiu a denominação existente na data da sua extinção (VFB Königsberg) em 1907.

Entre 1907 e 1932, o clube dominou o campeonato regional local, vencendo onze campeonatos e chegando aos playoffs nacionais por várias ocasiões. A mais emblemática dessas incursões foi em 1923, quando o VFB Königsberg apenas foi eliminado nas meias-finais pelo Hamburgo (2-3), equipa que, nesse ano, havia de se sagrar campeã nacional.

A vida após a reorganização competitiva do Terceiro Reich

Em 1933, a Alemanha, sob o domínio do Terceiro Reich, dividiu o seu panorama competitivo em dezasseis ligas regionais e o VFB Königsberg ficou na Gauliga da Prússia Leste. Apesar de ter tido sempre equipas fortes, o clube do Báltico apenas conquistou a Gauliga da Prússia Leste pela primeira vez em 1940, ainda que, após esse primeiro título, tenha conquistado todos os campeonatos até à extinção desse campeonato regional e do próprio clube de Königsberg.

No período do Terceiro Reich, o clube participou algumas vezes no playoff nacional, mas o melhor que conseguiu alcançar foi chegar aos quartos de final em 1942, acabando eliminado pelo Blau Weiß 90 Berlin (1-2).

Na Taça da Alemanha, o VFB Königsberg também participou algumas vezes, sendo que a melhor participação terminou de forma arrasadora, pois o clube do Báltico, em 1940, apesar de ter chegado aos quartos de final, acabou derrotado pelo Dresdner SC por oito bolas a zero.

O final da Segunda Guerra Mundial resultou na extinção do VFB Königsberg

Em 1945, com o final da Segunda Guerra Mundial e com anexação de Königsberg pela União Soviética (agora chama-se Kalinigrado e faz parte da Federação Russa), o clube germânico acabou por extinguir-se e, neste momento, não passa de uma memória distante do futebol alemão.

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Com o mundo em rebuliço, mais que o Mundial desejado este foi o Mundial possível. A Espanha, dizimada pela Guerra Civil, recusou participar, a Áustria, invadida pela Alemanha, foi, também, impossibilitada de entrar na competição e argentinos e uruguaios também recusaram viajar até França, pois sentiram-se traídos por Jules Rimet que havia prometido a alternância de continentes entre Europa e América do Sul, faltando, depois, à palavra. Com tantas ausências, a que se juntava a já habitual ausência inglesa, este Mundial disputado em França facilitou a tarefa italiana que, assim, se assumiu como a grande potência futebolística da época. Mesmo num país hostil, com os franceses a protestarem por todo o lado contra os italianos, a squadra azzurra confirmou a sua enorme qualidade e tornou-se bicampeã do mundo.

Oitavos de Final

O modelo deste campeonato do mundo foi uma cópia exacta do Mundial anterior, disputado em Itália e, assim, a competição foi disputada em jogos a eliminar até à final. A única diferença foi a presença de apenas 15 selecções, pois a Áustria, que havia sofrido o “Anschluss” (anexação germânica), foi impedida, à última hora, de participar no certame. Assim sendo, a Suécia, que iria defrontar os austríacos, apurou-se automaticamente para os quartos de final.

Em Paris, disputou-se um dos mais interessantes encontros desta ronda, opondo Alemanha (reforçada com atletas austríacos) e Suíça. Num jogo equilibrado, a partida terminou (1-1) após prolongamento e foi necessário jogo de desempate. Na partida decisiva, Hitler esteve de ouvido colado ao rádio até ao 2-0 para os germânicos. Convencido da superioridade alemã, recusou-se a ouvir o resto do jogo, pedindo, apenas, que lhe dissessem o resultado final. Imaginem como se deve ter sentido quando lhe disseram que a Alemanha acabou por perder (2-4) com a Suíça e que havia sido eliminada da competição.

Em Toulouse, a Roménia defrontava uma desconhecida selecção de Cuba, que, com tantas desistências, participava sem ter feito fase de qualificação. No primeiro jogo, cubanos e romenos empataram a três bolas, num jogo em que o guarda-redes Caravajales foi o grande herói com defesas atrás de defesas que impediram a vitória da Roménia. No entanto, no jogo de desempate, todos estranharam a ausência do guarda-redes cubano. Pensou-se que estivesse lesionado ou doente, mas, na verdade, apenas tinha aceito o convite da rádio cubana para comentar o jogo. Curiosamente, mesmo sem Caravajales, Cuba venceu 2-1 e seguiu para os quartos.

Por outro lado, a Hungria, em Reims, goleou a selecção das Índias Orientais Holandesas (actual Indonésia) por seis bolas a zero, num jogo sem história e que demonstrou a gritante diferença de valor entre os dois conjuntos.

Grande superioridade também demonstrou a equipa da casa, a França, que venceu a Bélgica por três bolas a uma, mas podia ter vencido por muitos golos mais.

Nos restantes jogos, destaque para todos terem sido decididos após prolongamento. A Checoslováquia venceu a Holanda por 3-0; a Itália sofreu imenso para vencer a Noruega por 2-1 (após 1-1 nos 90 minutos); e o Brasil venceu a Polónia num jogo fantástico por 6-5, após um empate a quatro bolas no tempo regulamentar.

Quartos de Final

A Suécia que havia garantido o apuramento directo para os quartos devido à ausência austríaca, defrontou, nesta fase, a surpreendente equipa de Cuba. Depois da eliminação da Roménia, esperava-se que os cubanos dessem trabalho aos suecos, mas, na verdade, apenas deram trabalho aos jornalistas que tiveram dificuldade em apontar todos os marcadores dos oito golos da equipa escandinava. Os cubanos despediam-se, assim, do Mundial, com uma pesada derrota por oito bolas a zero.

Por outro lado, o Brasil defrontou a Checoslováquia em Toulouse e o jogo foi uma autêntica batalha campal com três expulsões (duas para os sul-americanos e uma para os europeus). A partida terminou empatada a uma bola e foi necessário disputar um jogo de desempate, que foi bem diferente do primeiro encontro, pois a agressividade havia sido tão grande na primeira partida, que os brasileiros tinham nove jogadores lesionados e os checoslovacos oito. Nesse segundo jogo, os brasileiros foram mais fortes (em termos futebolísticos…) e venceram por duas bolas a uma.

Nas restantes partidas da ronda, a Itália confirmou a sua candidatura ao bicampeonato ao vencer, em Paris, a França, por três bolas a uma; e a Hungria superiorizou-se ao carrasco dos germânicos, a Suíça, por duas bolas a zero.

Meias-Finais

Itália e Brasil disputaram a presença na final do Mundial em Marselha e a confiança era elevada na comitiva canarinha. Os brasileiros acreditavam de tal maneira na sua superioridade, que o seleccionador Ademar Pimenta, optou por fazer descansar Tim (o armador de jogo) e o goleador e estrela da equipa: Leónidas da Silva. No entanto, a Itália acabou por vencer o jogo por duas bolas a uma e, assim, os brasileiros acabaram por pagar a sua arrogância. No dia seguinte, “La Gazzetta dello Sport”, prestigiado jornal desportivo italiano, exaltou a vitória com um título que punha a nu a ideologia fascista: “Saudamos o triunfo da inteligência italiana sobre a força bruta dos negros.” Afinal, estávamos em vésperas da 2ª Guerra Mundial.

Menos emocionante foi a outra meia-final, pois a Hungria, em Paris, venceu a Suécia por 5-1. Curiosamente, os suecos até marcaram logo no primeiro minuto, mas, depois, acabaram “atropelados” pelo futebol ofensivo dos magiares.

Terceiro e Quarto Lugar

Tal como no Mundial anterior, voltou a disputar-se um encontro de atribuição do terceiro e quarto lugar. Já com Leónidas da Silva em campo, o Brasil venceu a Suécia por quatro bolas a duas. Os suecos, tal como no encontro com os húngaros, voltaram a estar em vantagem (2-0), mas acabaram por, uma vez mais, permitirem a cambalhota no marcador.

Final * Itália 4-2 Hungria

Na final, a Itália tinha uma enorme vantagem física sobre o seu adversário, a Hungria. Os italianos haviam sido os únicos a viajarem de avião entre os jogos, pois tinham uma aeronave para o efeito, disponibilizada por Mussolini.

Durante o jogo decisivo, notou-se que, apesar das equipas serem equilibradas do ponto de vista técnico, a superioridade física e táctica dos italianos era abissal. Com uma entrada dominadora, os italianos chegaram rapidamente à vantagem por Colaussi (6′) e nem o golo do empate de Titkos (8′) parou a locomotiva azzurra que, até ao intervalo, fez mais dois golos (Piola 16′ e Colaussi 35′) e chegou ao descanso a ganhar 3-1.

Na segunda metade, a Hungria ainda reduziu, aos 70 minutos, por Sarosi, mas esse golo de pouco valeu aos magiares, pois, doze minutos mais tarde, Piola fez o 4-2 final e acabou com as dúvidas sobre o vencedor do Mundial 1938.

Bicampeões do mundo, os italianos, quando chegaram a Roma foram recebidos em delírio e receberam, pela conquista do Mundial, 8000 liras. Um ano depois, estoirou a 2ª Guerra Mundial e o campeonato do mundo só regressaria em 1950.

Números do Mundial 1938

Campeão: Itália

Vice-Campeão: Hungria

Terceiro classificado: Brasil

Quarto classificado: Suécia

Eliminados nos quartos de final: Cuba, França, Suíça e Checoslováquia

Eliminados nos oitavos de final: Alemanha, Roménia, Holanda, Bélgica, Índias Orientais Holandesas (actual Indonésia), Noruega e Polónia

Melhor Marcador: Léonidas (Brasil) – 8 golos

Equipa do Mundial 1938: Planicka (Checoslováquia); Domingos (Brasil) e Rava (Itália); Zezé (Brasil), Andreolo (Itália) e Locatelli (Itália); Sarosi (Hungria), Meazza (Itália), Biavati (Itália), Titkos (Hungria) e Leónidas (Brasil).

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