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Posts Tagged ‘África do Sul’

Gadi Brumer é uma referência

Podia ter sido o primeiro e único jogador israelita a actuar no Manchester United, no entanto, apesar de ter feito um excelente “trial” ao serviço dos “Red Devils”, acabou por não ficar no clube inglês que, na altura, preferiu o norueguês Ronny Johnsen. Esse teste aconteceu no ano de 1996 e, após essa data, Gadi Brumer esteve muitas vezes perto de clubes da Premier League, todavia, preferiu sempre manter-se no clube de sempre e no qual se tornou um ídolo e uma referência para todos os jovens israelitas que lá chegam, ambicionando seguir-lhe as pisadas, o Maccabi Telavive.

Uma vida ao serviço do Maccabi Telavive

Nascido a 5 de Novembro de 1973 em Joanesburgo, África do Sul, Gadi Brumer apenas conheceu um clube durante toda a sua carreira: o Maccabi Telavive, que representou entre 1991 e 2004.

Durante esse período, o líbero israelita efectuou 316 jogos (7 golos), conquistando três campeonatos de Israel, quatro taças de Israel e uma “Toto Cup” (Taça da Liga de Israel).

As suas constantes boas exibições ao serviço do gigante da capital israelita, valeram-lhe o interesse de vários clubes europeus no seu concurso, tendo, inclusivamente, o tal teste no Manchester United, que quase levou o jogador a assinar pelos “Red Devils”

Ainda assim, nunca nada se concretizou e o israelita foi permanecendo no Maccabi Telavive, tornando-se num dos poucos futebolistas mundiais que apenas conheceram um clube na sua carreira.

Um líbero de qualidade

Internacional israelita por 24 ocasiões, Gadi Brumer era um líbero à maneira antiga, que jogava sempre de cabeça levantada e comandava todo o sector defensivo do Maccabi Telavive.

Muito inteligente em termos posicionais, tratava-se de um jogador raçudo e com enorme espírito de combate, nunca dando um lance por perdido e nunca facilitando minimamente a tarefa aos adversários.

O seu amor pelo Maccabi Telavive e pelo jogo, fez com que jogasse inúmeras vezes lesionado, funcionando como exemplo tanto para colegas como adversários que sempre admiraram a sua entrega e talento.

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A saída de Queiroz surgiu com meses de atraso

Antes de mais, devo admitir que esperei pela inevitabilidade do despedimento de Carlos Queiroz para, finalmente, dar a minha opinião sobre uma novela que, infelizmente, se arrastou demasiado com os terríveis custos de dois desaires incompreensíveis em termos desportivos, como foi o empate caseiro com Chipre (4-4) e a derrota na Noruega (0-1).

O agora ex-seleccionador nacional é, na minha opinião, um profissional competente e com grande talento na criação e implementação de projectos de fundo em termos organizacionais como foi bem patente no projecto de futebol jovem que, nos anos 80, foi criado e com o sucesso que se reconhece. No entanto, durante muito tempo, caiu-se, perigosamente, no erro de  esse talento organizacional de Queiroz ser confundido, várias vezes, com uma suposta capacidade técnica acima do comum, situação que, na verdade, o ex-adjunto de Alex Ferguson não tem.

Queirós, tirando os dois títulos mundiais de sub-20, foi, ao longo da sua carreira, um treinador que pouco conquistou, tendo, inclusivamente, ficado ligado a uma das mais humilhantes derrotas dos leões diante do seu eterno rival Benfica (3-6) e a perda de dois campeonatos por parte do Sporting, em duas temporadas (1993/94 e 1994/95) em que os verde e brancos tiveram dos melhores plantéis da sua história com nomes como Balakov, Figo, Valckx, Paulo Sousa, entre outros. Antes disso, Queirós já havia falhado o apuramento para o Mundial 94, ao serviço da selecção nacional, tendo, nessa altura, sido superado pela Itália e pela…Suíça.

Depois do insucesso total em Portugal em termos de futebol sénior, Queirós encetou um percurso pelo Mundo do futebol, onde passou por campeonatos e selecções menores e onde teve o único momento de algum sucesso na África do Sul, quando apurou os “bafana bafana” para o Mundial 2002. Essa proeza levou-o ao Manchester United, onde permaneceu bastante tempo como adjunto de Alex Ferguson, apenas quebrando essa ligação na temporada 2003/04, quando abraçou a liderança do Real Madrid, numa temporada em que fez os “merengues” terminarem a Liga Espanhola na quarta posição.

Curiosamente, apesar de nunca ter sido um treinador de grande sucesso, Queiroz conseguiu sempre criar uma imagem de grande prestígio no mundo do futebol como treinador e, assim, encarou-se com naturalidade a sua chamada para seleccionador nacional para a caminhada para o Mundial 2010.

Na minha opinião, nunca se deve dar uma segunda hipótese a um treinador que já falhou ao serviço de uma selecção, até porque a pressão dos adeptos sobre ele será sempre superior a um estreante. Ainda assim, quis esperar para ver se Queiroz, para além de por a equipa a jogar (bom) futebol conseguia criar elan, tanto com a equipa, como com os portugueses, situação que Scolari, mesmo não sendo um grande treinador, sempre soube fazer na perfeição.

Na verdade, o percurso de Queiroz na fase de qualificação roçou o medíocre, com Portugal a empatar com a Albânia em casa e a ser incapaz de vencer um simples jogo dos quatro que fez com Suécia e Dinamarca. Ainda assim, uma feliz combinação de resultados fez com que garantíssemos o segundo lugar no grupo e, posteriormente, num playoff diante da pouco cotada da Bósnia, conseguimos o apuramento para o Mundial da África do Sul.

Curiosamente, até acho que os resultados de Portugal no Mundial 2010 foram dignos, pois empatámos com duas boas selecções, goleámos a Coreia do Norte e apenas perdemos, nos oitavos de final, diante da equipa que se sagraria campeã do Mundo: Espanha.

Ainda assim, as exibições, tirando a segunda parte diante da Coreia, foram sempre muito pobres, percebendo-se que Queiroz não havia conseguido incutir na selecção o bom futebol que os adeptos esperam e que, ao longo dos tempos, sempre foi a imagem da equipa lusa.

Mas, se o percurso desportivo no Mundial até podia garantir a Queiroz a permanência na equipa das quinas, os acontecimentos ocorridos na Covilhã com o comité anti-dopagem, obrigavam a que, mal Portugal terminasse a presença no campeonato do Mundo, fosse feita uma reunião de emergência na Federação. Se antes do Mundial, essa situação não se podia por em causa, pois iria colocar em xeque a nossa participação no Mundial 2010, era necessário que se tomassem medidas logo após o certame, pois o apuramento para o Euro iniciava-se logo em Setembro e havia que criar condições para que a equipa portuguesa tivesse sucesso.

Infelizmente, foi tudo mal feito, arrastando-se o caso Queirós por meses a fio e custando-nos, em dois jogos, que Portugal fosse orientado por telemóvel e à distância, por um seleccionador que, na verdade, todos sabíamos que deixaria de o ser.

Agora, após termos feito dois resultados deploráveis e de estarmos, à segunda jornada, a fazer contas para chegarmos ao Euro 2012, é que se tomou a decisão de despedir Queiroz, numa decisão que, além de tardia, apenas prova que a Federação Portuguesa de Futebol é uma organização totalmente desorganizada e que, tal como a selecção, necessita de uma mudança de 180º para que possa, novamente, merecer o respeito dos portugueses.

Vamos esperar pelas eleições e, sinceramente, por sangue novo que possa dar outra alma à Federação. Até lá, esperemos que a escolha do novo treinador seja criteriosa e, acima de tudo, de risco baixo, pois, neste momento, o apuramento para o europeu já se encontra, infelizmente, na corda bamba.

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Shaqiri é uma promessa do Basileia

A polivalência de um jogador é sempre algo apreciado por qualquer treinador e, quando a essa polivalência se pode aliar um enorme talento e margem de progressão, estamos, certamente, a falar do suíço Xherdan Shaqiri.

O jovem de apenas 18 anos nasceu no Kosovo, mas foi para a Suíça ainda criança, onde cresceu nas camadas jovens do SV Augst e, posteriormente, do Basileia.

Nesse importante clube suíço, sagrou-se, em 2007, o melhor jogador do Torneio Nike Sub-15, motivando o interesse de vários clubes de topo no seu concurso. Ainda assim, Shaqiri preferiu manter-se no Basileia, pois entendeu que era melhor para o seu crescimento como jogador de futebol.

Estreando-se pela equipa principal do Basileia a 12 de Julho de 2009, o jogador de ascendência kosovar fez uma grande época de estreia (2009/10) com 32 jogos efectuados e quatro golos apontados. Essa excelente temporada, fez com que Shaqiri chegasse à selecção helvética e, inclusivamente, a estar presente no Mundial 2010, disputado na África do Sul.

Capaz de jogar a lateral (ofensivo) ou a ala/extremo, tanto no flanco esquerdo como no flanco direito, o internacional suíço é um jogador competente a defender, rápido, de boa técnica, que é forte no um contra um e também finaliza muito bem.

Um jogador a descobrir melhor num jogo do Basileia ou da Suíça.

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Bruno Alves vai deixar saudades no FC Porto

Antes da verdadeira razão deste artigo, gostava de dar crédito a Pinto da Costa por mais um excelente negócio. A venda do central Bruno Alves por 22 milhões de euros é uma excelente manobra de gestão desportiva e que ganha maior impacto quando verificamos que o central portista caminha para os 29 anos e que, Miguel Veloso, uma promessa de apenas 24 anos, foi vendido pelo Sporting por menos de 10 milhões de euros. No entanto, se para o FC Porto este foi um grande negócio, custa-me a entender que o seja para o Bruno Alves. O central portista é um jogador maduro e, na verdade, estava na última oportunidade para dar o salto, mas será que ir para o Zenit pode ser considerado uma boa gestão pessoal da carreira?

Bruno Alves foi um jogador que soube esperar e que, acima de tudo, nunca deixou de trabalhar para alcançar uma posição de destaque no futebol português e internacional. Apesar de ter chegado à equipa principal do FC Porto em 2001, precisou de três empréstimos sucessivos a equipas como o Farense, V. Guimarães e AEK Atenas e, ainda, de uma época quase sem jogar nos dragões (2005/06) quando com Co Adriaanse ao leme, apenas fez sete jogos.

Contudo, na época seguinte, a chegada de Jesualdo Ferreira foi fundamental para Bruno Alves que passou a fazer dupla com Pepe e a destacar-se no centro da defesa portista. Apesar de muitas vezes apelidado de jogador demasiado duro, o central foi conquistando o respeito de colegas, adeptos e da própria imprensa em geral.

Com o passar dos anos, Bruno Alves foi refreando as suas emoções, tornando-se um defesa menos duro, sem, ainda assim, perder a sua eficácia. A sua fama foi galgando fronteiras e, após o excelente campeonato do mundo que fez na África do Sul, o interesse de grandes tubarões da Europa no seu concurso foi sendo publicitada.

Percebia-se, claramente, que o FC Porto não o conseguiria segurar e todos esperavam a transferência do internacional português para uma das principais ligas europeias, todavia, quem acabou por assegurar a contratação do defesa-central acabou por ser o Zenit do campeonato russo.

Sem colocar em causa o valor do clube de São Petersburgo que já ganhou uma prova europeia e vem de um campeonato em claro crescimento, penso que é uma mudança arriscada para o atleta português. Lembrem-se que, no passado, vários jogadores portugueses foram para o campeonato russo (Costinha, Maniche, Jorge Ribeiro, Custódio, etc…), sendo que o resultado foi quase sempre o insucesso e a inadaptação com a justa excepção de Danny, curiosamente futuro companheiro de Bruno Alves no Zenit.

Depois, mesmo que a adaptação seja um sucesso, a Liga russa é um campeonato distante e que tem pouca visibilidade para os grandes clubes europeus. Assim sendo, quando sabemos que o Bruno Alves está quase com 29 anos, a possibilidade de, um dia, cumprir o sonho de jogar num grande clube europeu, num Barça, Manchester United, Inter ou Real Madrid passa a ser quase uma utopia.

Acredito que, financeiramente, este contracto possa ser tão bom para o Bruno Alves como foi para o FC Porto, mas pergunto-me se, para a carreira desportiva do ex-jogador dos dragões, esta transferência possa ser tida como uma boa mudança ou se, ao invés, o defesa-central acabará por chorar o facto de, um dia, ter cedido à força dos rublos…

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Esperava-se mais de Ronaldo no Mundial

Até 2010, Portugal havia participado em apenas quatro campeonatos do mundo: 1966, 1986, 2002 e 2006. Curiosamente, nas participações em terras europeias (1966 em Inglaterra e 2006 na Alemanha), Portugal havia feito excelentes campanhas ficando em terceiro e quarto lugar respectivamente, enquanto nas presenças fora da Europa (1986 no México e 2002 na Coreia/Japão) as campanhas foram péssimas, com a selecção das quinas a não passar da fase de grupos, perdendo mesmo com equipas que pareciam acessíveis como Marrocos (1986), Estados Unidos (2002) e Coreia do Sul (2002). Assim sendo, na terceira participação em terras distantes do velho continente, todos ficamos ansiosos para saber se à terceira era de vez e fazíamos uma boa campanha ou se, ao invés, voltávamos a fracassar como no México ou na Coreia/Japão. Curiosamente, acabamos por nem fazer uma coisa nem outra, terminando com uma campanha digna, mas modesta, pois limitamo-nos a cumprir com os serviços mínimos: oitavos de final. A única “consolação”? A Espanha, que nos eliminou, sagrou-se campeã do mundo de futebol. 

A Fase de Grupos 

Integrados no Grupo G com Costa do Marfim, Coreia do Norte e Brasil, percebeu-se, desde cedo, que Portugal iria disputar o apuramento para os oitavos de final com a equipa marfinense. Nesse aspecto, o facto da equipa lusitana defrontar a equipa canarinha na última jornada poderia revelar-se um ponto a favor da nossa selecção como, aliás, se confirmou. 

O primeiro jogo de Portugal, diante da Costa do Marfim, foi, sem sombra de dúvida, o pior da campanha lusitana na África do Sul. Portugal até começou melhor, ficando na retina um grande remate de Cristiano Ronaldo ao poste da baliza de Barry, mas depois, com o passar do tempo, Portugal foi recuando, foi ficando parco em ideias e foi dando, perigosamente, a iniciativa de jogo aos marfinenses. Ronaldo não existia, Danny mostrava ser um equívoco, Paulo Ferreira tinha dificuldades para parar os velozes avançados africanos e Liedson, esse, sozinho na frente, era incapaz de fazer o que fosse perante os gigantes defesas da Costa do Marfim. Neste jogo, salvou-se Coentrão (grande exibição), Eduardo (sempre atento) e o facto de Drogba, completamente isolado, já nos descontos, ter tentado um passe, quando tinha tudo para marcar um golo que, quase de certeza, iria ser fatal para a passagem portuguesa aos oitavos de final. No final, o nulo foi bem melhor que a exibição. 

A equipa lusitana encarou o segundo jogo com os norte-coreanos com algumas cautelas, pois os asiáticos haviam, na primeira partida, perdido apenas por um golo (1-2) com o Brasil. Na primeira parte os asiáticos ainda deram um ar da sua graça com bons processos ofensivos e alguns remates perigosos, mas Portugal chegou ao intervalo a vencer por uma bola a zero e percebia-se que bastaria a equipa das quinas acelarar na segunda parte para fazer mais golos. Na verdade, essa segunda metade, foi o melhor período de Portugal no campeonato do mundo. Com um futebol fluído, com bastantes passes ao primeiro toque e muita velocidade, Portugal foi trucidando o sector recuado norte-coreano. Coentrão e Ronaldo combinavam muito bem no flanco esquerdo, Tiago mostrava ser um autêntico maestro do meio campo e os golos iam se sucedendo. Simão, Tiago (2), Hugo Almeida, Cristiano Ronaldo e Liedson marcaram, assim, seis tentos nos segundos quarenta e cinco minutos e a partida terminou com uma vitória lusa por 7-0, provando que Portugal, quando quer, pode jogar um futebol ofensivo, imaginativo e do agrado do espectador. 

Como se esperava, o Brasil havia vencido a Costa do Marfim (3-1) e, assim, esse resultado aliado ao facto de termos despachado a Coreia do Norte por 7-0, deixava-nos praticamente apurados para a fase seguinte. Ainda assim, Queirós, talvez temendo que os asiáticos pudessem levar um correctivo da equipa africana ao nível do que haviam levado de Portugal, preferiu apresentar uma equipa cautelosa, com Ricardo Costa e Duda como laterais, Ronaldo como ponta de lança e Fábio Coentrão no meio campo. Acabou por ser um jogo bastante enfadonho, com poucas oportunidades de golo e com ambas as equipas contentes com o zero a zero, pois, com esse resultado, o Brasil assegurava o primeiro lugar e Portugal assegurava o apuramento para os oitavos de final. Ainda assim, destaque para a fraca exibição de Ricardo Costa e de Danny que pareciam estar a mais em campo, sendo que o defesa, muitas vezes, até parecia estorvar os companheiros do sector enquanto o jogador do Zenit, perto do fim, na única vez em que fez algo de útil, desperdiçou uma grande oportunidade de dar a vitória a Portugal e colocar-nos no primeiro lugar do agrupamento. Esse falhanço obrigava-nos, assim, a jogar com a Espanha nos oitavos de final. 

Oitavos de Final 

No jogo contra a Espanha, Queirós voltou a surpreender, insitindo na utilização de Ricardo Costa a lateral direito (menos mau que com o Brasil, mas muito fraquinho) e apostando em Hugo Almeida na frente de ataque (uma nulidade), quando se esperava o mais móvel: Liedson. 

Os primeiros quinze minutos de Portugal foram um pesadelo. A Espanha trocava a bola no meio campo lusitano de forma rápida e incisiva, conseguindo criar lances de perigo sucessivos para a baliza de um sempre atento e muitas vezes heroico Eduardo. Ainda assim, com o passar do tempo, Portugal foi equilibrando a partida, conseguindo, até, chegar algumas vezes à baliza de Casillas. 

Neste período, a “Roja” com Villa e Torres a descaírem muito nas alas, ia perdendo alguma objectividade e o jogo foi se arrastando até que Del Bosque, aos 58 minutos, decide tirar Fernando Torres e lançar, no seu lugar, o ponta de lança fixo: Llorente. Esta alteração desorientou totalmente Portugal, que além de não ter sabido reagir à mudança táctiva, viu Carlos Quirós tirar Hugo Almeida, que apesar de ter feito um mau jogo ainda prendia os defesas castelhanos e lançar Danny, deixando Portugal sem referência ofensiva. 

Tantos equívocos não podiam resultar em coisa boa e, pouco depois, David Villa fez o golo da Espanha. Ainda faltava cerca de meia hora, mas para a equipa das quinas o jogo podia ter terminado naquele instante. Queirós, no banco, era incapaz de fazer o que quer que fosse para alterar o rumo dos acontecimentos, apesar de ainda ter tentado emendar a mão, lançando Liedson e voltando a colocar a equipa lusa com uma referência atacante. No entanto, era tarde demais e a alteração foi incapaz de fazer efeito perante uma equipa que se arrastava em campo sem ideias colectivas e sem qualquer rasgo ou momento de inspiração individual. 

Assim sendo, foi sem surpresa que o jogo se arrastou até final, terminando com uma vitória da Espanha por uma bola a zero, num jogo em que ficou a ideia que se Portugal tivesse tido mais ambição podia ter tido outro resultado. 

Conclusão 

Para os apreciadores de estatísticas, temos que admitir que foi a melhor participação de Portugal fora do velho continente (passamos, enfim, a fase de grupos), que foi a vez que sofremos menos golos (apenas um) e que marcámos tantos golos como no Alemanha 2006 (sete, curiosamente todos contra a Coreia do Norte). 

Em termos globais, cumprimos com aquele que podia ser considerado o objectivo mínimo: os oitavos de final. Num grupo com o Brasil e Costa do Marfim, seria extremamente difícil ficar em primeiro lugar, ainda que, agora, analisando a frio, tenhamos a noção que com mais ambição e com um esquema mais arrojado teria sido possível vencer o agrupamento. Ainda assim, termos sido eliminados pela Espanha, nos oitavos de final, sabendo que “nuestros hermanos” acabaram por vencer o Mundial, nunca pode ser encarado como um fracasso absoluto. 

O pior, na verdade, foram as exibições e a atitude competitiva da selecção portuguesa. Tirando os segundos 45 minutos com a Coreia do Norte, Portugal pareceu sempre uma equipa abaixo das suas possibilidades. Mostramos muitos receios, pouca ambição, tivemos sempre mais preocupação em defender do que em assumir o jogo e isso, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre por ser fatal. Carlos Queirós terá, se continuar (como se espera) como seleccionador nacional, que rever algumas das suas ideias e perceber, de uma vez por todas, que jogadores como Ricardo Costa nunca podem ser titulares da nossa equipa, que Duda não acrescenta nada a Portugal, que Ronaldo não pode jogar sozinho na frente e que Hugo Almeida apenas pode ser titular em condições muito especiais. 

No entanto, nem tudo é mau no horizonte futuro. Bosingwa e Nani estão aí a regressar, Rúben Micael será uma opção e Quaresma, agora no Besiktas, também poderá voltar à selecção. Estes jogadores poderão permitir a Carlos Queirós uma mudança no seu paradigma táctico, utilizando um esquema mais ofensivo, mais criativo e, acima de tudo, mais de acordo com a génese daquele que é, na realidade, o futebol português. Veremos se tem a capacidade para o fazer, pois, na verdade, as qualificações para o Euro 2012 estão aí mesmo à porta…

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Portugal acabou por fazer um campeonato do mundo mediano, limitando-se a cumprir com aquilo que poderíamos considerar, à partida, os serviços mínimos: alcançar os oitavos de final. Individualmente, muitos jogadores estiveram abaixo das suas capacidades, alguns acabaram por serem iguais a si próprios e outros, uma minoria, superaram todas as expectativas, acabando por fazer um excelente Mundial. Neste artigo, irei definir aqueles que, para mim, foram a surpresa, a revelação, a confirmação, a desilusão e o ausente da selecção das quinas no campeonato do mundo da África do Sul.

A surpresa – Eduardo (Guarda-Redes)

Depois da excelente prestação no campeonato do mundo, termos descoberto que o antigo guarda-redes do Sp. Braga assinou pelo modesto Génova, quando se chegou a falar da hipótese Bayern Munique, acabou por ser uma desilusão. Eduardo foi, no Mundial 2010, provavelmente o jogador mais importante da selecção nacional. Voz de comando de todo o sector defensivo, mostrou uma extraordinária elasticidade e enorme segurança entre os postes, tanto pelo chão como pelo ar. Apesar das poucas internacionalizações, Eduardo esteve sempre ao seu melhor nível, nunca se atemorizando na presença de jogadores tão credenciados como Drogba, Luís Fabiano ou David Villa, terminando o campeonato do mundo com apenas um golo sofrido. Na verdade, o ex-jogador do Sporting de Braga esteve ao nível dos melhores anos de Vítor Baía e esse é, provavelmente, o melhor elogio que lhe podemos fazer.

A revelação – Fábio Coentrão (Lateral-Esquerdo)

Chamar ao jogador do Benfica de lateral esquerdo acaba por ser uma minimização daquilo que Fábio Coentrão foi no campeonato do mundo da África do Sul. Bem trabalhado por Jorge Jesus ao longo de toda a época 2009/10, a jovem promessa apareceu no Mundial numa forma excelente e, surpreendentemente, sempre sem mostrar sob pressão, encarando os adversários de frente e, muitas vezes, servindo de exemplo de raça e querer para todos os seus companheiros. Ao longo dos desafios, Coentrão foi sempre competente a defender e, mais importante que isso, foi, quase sempre, o maior desiquilibrador que a equipa teve no flanco esquerdo. Foi uma enorme surpresa ver um jogador tão jovem fazer todo um corredor com aquela qualidade, confiança e competência, raramente tendo um deslize ou uma má opção. Depois de muitos anos a penar, os portugueses podem ficar descansados, descobriu-se um (grande) lateral esquerdo para a selecção.

A confirmação – Bruno Alves (Defesa-Central)

A qualidade do central do FC Porto esteve sempre acima de qualquer dúvida, mas temia-se pela sua agressividade excessiva que, por vezes, prejudica-lhe a ele e à sua equipa. No entanto, ao longo do campeonato do mundo, Bruno Alves foi sempre um exemplo de correcção, rigor, inteligência e segurança no sector defensivo português. Jogador habituado ao choque, foi quase sempre intransponível, provando ser o par ideal para o experiente Ricardo Carvalho, nunca perdendo a calma, nunca mostrando ser afectado pela pressão e dando sempre a ideia que, se Portugal qubrasse, nunca seria por culpa dele. Imperial tanto nas alturas como com a bola junto à relva e com uma técnica bastante boa para um defesa central de choque, Bruno Alves, aos 28 anos, merece, depois deste Mundial, um contracto com um grande clube da Europa.

A desilusão – Cristiano Ronaldo (Avançado)

Não podemos dizer que a prestação do jogador do Real Madrid foi horrivel, mas, para um jogador do seu calibre, esteve, por certo, bem abaixo daquilo que o madeirense sabe e pode fazer. Ao longo dos jogos de Portugal, Ronaldo foi utilizado tanto na ala como a ponta de lança e se nos flancos ainda deu um ar da sua graça, provou que, sozinho na frente de ataque, é peixe fora de água e pouco pode fazer para ajudar a selecção das quinas. Um golo, uma assistência, dois remates aos postes e algumas boas iniciativas acabam por ser um reflexo pálido daquilo que se esperava de Cristiano Ronaldo e acabam por provar que ainda está para chegar alguém à selecção que saiba tirar partido da plenitude do seu talento e enorme qualidade.

O ausente – Deco (Médio-Ofensivo)

Na despedida da selecção das quinas, esperava-se que o “Mágico” aparecesse ao seu melhor nível e fosse o farol das iniciativas atacantes da equipa portuguesa. Apesar de estar no ocaso da carreira, o luso-brasileiro continuava a ser um jogador com boa capacidade técnica e excelente timing de passe, o que aliado a uma frente de ataque com jogadores rápidos como Ronaldo ou Simão, podia fazer estragos nas defesas contrárias. Infelizmente, Deco apenas fez o jogo inaugural diante da Costa do Marfim, onde esteve bem abaixo do que costuma fazer, mostrando-se lento e sem ideias, um pouco como, aliás, esteve quase toda a equipa portuguesa. Após esse jogo, Deco teceu duras críticas a Queirós, queixando-se da posição em que foi colocado a jogar. Pouco depois, lesionou-se e desapareceu, sem deixar rasto, até ao final da participação portuguesa no campeonato do mundo.

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Ruben amorim

Chegou à última da hora e pode ser uma mais valia

Apesar de muitos defenderem a sua presença nos convocados de Queirós, apenas foi chamado à última da hora para substituir Nani. Aos 25 anos, Ruben Filipe Marques Amorim é um jogador completo e num bom momento de forma, que poderá ser muito útil à selecção nacional.

Começou como médio e ez a sua formação no Belenenses, onde estreou-se no campeonato português em 2003, na vitória frente ao Alverca (2-0 no restelo). Mas foi na época 2005/06 que se estabeleceu como peça fundamental da equipa treinada, fazendo três épocas em bom plano – duas das quais onde foi orientado pelo seu actual treinador, Jorge Jesus. Em 2007, apesar do interesse de vários clubes (incluindo o Benfica, Sporting de Braga, FC Porto, Shalke 04 ou Tottenham), Ruben rejeita uma possível transferência. Na temporada seguinte (2008/09), muda-se para o Benfica, após o seu vínculo ao Belenenses expirar, e foi titular indiscutível, efectuando exibições de grande regularidade e consistência. Esta época, com a chegada de Javi Garcia e Ramires, perde espaço no meio campo, mas acaba por ser adaptado a defesa direito, onde faz um grande final de época.

Ruben Amorim é um jogador inteligente, dedicado e bom tacticamente. Não sendo um prodígio técnico, tem um domínio da bola interessante para as posições onde joga. A sua capacidade de preencher os espaços e “ler o jogo”, permitem-lhe que actue no centro do terreno e no lado direito da defesa sem perder a consistência da sua performance. Como lateral, não é especialmente rápido, mas a sua inteligência em campo permite-lhe uma gestão impecável das suas movimentações pelo corredor. O seu ponto fraco é o jogo aéreo, não sendo alto (1,80m), nem tendo uma impulsão acima da média, acaba por ser um alvo fácil neste aspecto.

Ruben esteve presente das camadas jovens da selecção portuguesa, participando no campeonato europeu de sub-21 (2007) e nos Jogos Olímpicos desse mesmo ano. A sua chamada ao mundial aconteceu com a lesão de Nani e jogou logo o primeiro jogo da competição.

Perante a sua boa forma e qualidade como jogador, poderá ser uma alternativa viável para o lado direito da defesa ou como interior (num 4-4-2 losango). Mas, se quiser agarrar um lugar no onze, terá de mostrar nos treinos o que os seus colegas mostraram durante dois anos às ordens de Queirós.

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