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Agostinho Oliveira era o seleccionador

Após a nossa selecção ter conquistado o bicampeonato mundial de sub-20, a ideia era atacar o tricampeonato na longínqua Austrália, esperando, no mínimo dos mínimos, que Portugal superasse a primeira fase da prova. Contudo, a equipa treinada por Agostinho Oliveira e que contava com jogadores como Costinha, Litos, Andrade, Porfírio ou Bambo acabou por fazer uma prova deplorável, perdendo todos os jogos que disputou e abandonando a competição sem honra nem glória. Podemos sempre dizer que o grupo era complicado (Gana, Alemanha e Uruguai) e que nunca nos adaptámos ao facto dos jogos se disputarem nas manhãs portuguesas, todavia, para a história fica a pior participação portuguesa de sempre num Mundial sub-20.

A equipa portuguesa que esteve na Austrália

Três jogos, três derrotas

Portugal estreou-se no Mundial de sub-20 diante da poderosa Alemanha, que contava com jogadores como Jancker, Hamann ou Ramelow. Num jogo extremamente disputado e equilibrado, a equipa lusitana haveria de sucumbir perto do final do jogo, graças a um tento do inevitável Carsten Jancker, iniciando a prova de forma negativa.

No segundo duelo, diante do Uruguai, Portugal estava obrigado a não perder para continuar a sonhar com o apuramento para os quartos de final. Entrando a perder com um golo madrugador de Fabián O’Neill (esse mesmo que chegou a jogar na Juventus), a equipa portuguesa conseguiu igualar a contenda, graças a um golo de Bambo, que havia de ser o único golo que Portugal marcaria na competição. Perto do fim, quando já todos pareciam resignados à igualdade, o mesmo O’Neill haveria de bisar e dar a vitória à equipa sul-americana, levando a que o jogo de Portugal, na última jornada, diante do Gana, fosse meramente para cumprir calendário.

Desmotivada e sem nenhum objectivo desportivo, a equipa das quinas rapidamente sucumbiu à equipa africana, sofrendo dois golos na primeira parte e deixando o jogo escoar até final na segunda sem qualquer intensidade competitiva. A derrota (0-2) fez com que os portugueses abandonassem a competição sem qualquer ponto e garantiu o apuramento aos ganeses para a fase seguinte.

Jardel pouco jogou na prova

Brasil campeão com Marcelinho Paulista e… Mário Jardel

O Brasil conquistou o campeonato do Mundo graças às grandes exibições de Adriano um avançado que, na altura, representava os suíços do Neuchatel Xamax, marcou quatro golos na prova e foi considerado o melhor jogador do Mundial sub-20. Nessa equipa, também brilhava Marcelinho Paulista  e estava presente Mário Jardel que, porém, apenas fez 12 minutos durante toda a competição.

Na fase de grupos, o Brasil venceu o agrupamento D, empatando com a Arábia Saudita (0-0) e vencendo México (2-1) e Noruega (2-0). Depois, nos quartos de final, os canarinhos superaram os Estados Unidos (3-0) e, nas meias finais, foi a vez da equipa anfitriã (Austrália) sucumbir por duas bolas a zero.

Por fim, na final, a equipa brasileira defrontou a poderosa selecção do Gana, que contava com autênticas promessas como Samuel Kuffour, Nii Lamptey, Charles Akonnor ou o nosso bem conhecido Emmanuel Duah. Nesse duelo, o Brasil até esteve a perder graças a um golo de Duah (15′), todavia, Yan (50′) e Gian (88′) deram a volta ao marcador e garantiram o título mundial à equipa verde-e-amarela. Foi o terceiro título do Brasil no Mundial sub-20.

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O Mundial 1954, disputado na Suíça, parecia destinado à magnífica selecção magiar, uma equipa que foi, sem dúvida, a mais extraordinária da primeira metade dos anos 50. A Hungria não perdia desde Junho de 1950, havia vencido os Jogos Olímpicos de 1952 e cometido a proeza de golearem os ingleses por 6-3 (em Wembley) e 7-1 (em Budapeste). Depois de ter vencido a Alemanha Ocidental na primeira fase por 8-3, os magiares voltaram a encontrar os germânicos na final e ninguém acreditava noutro resultado que não uma nova vitória da grande selecção de Puskas, Kocsis e Hidegkuti. Todavia, em Berna, um novo país, acabado de renascer das cinzas da 2ª Guerra Mundial acabava com o reinado daqueles que eram considerados os deuses do futebol. A Alemanha Ocidental vencia a Hungria por 3-2 e sagrava-se campeã do mundo de futebol.

Primeira Fase

O Mundial 1954 teve uma primeira fase no mínimo curiosa. As 16 selecções participantes foram divididas, naturalmente em quatro grupos de quatro, contudo, em vez de jogarem todos contra todos, criou-se um sistema de dois cabeças de série e dois não cabeças de série que não jogavam entre si. Assim, num grupo de quatro equipas, cada uma apenas fazia dois jogos. Depois, se o segundo e terceiro classificado acabassem empatados, teriam de fazer um jogo de desempate, mesmo que já tivessem jogado entre si. Isto explica o facto de RFA e Suíça terem jogado e vencido, por duas vezes, turcos e italianos para seguirem para os quartos de final.

No Grupo A, os cabelas de série foram Brasil e França, que defrontaram Jugoslávia e México. Neste agrupamento, apuraram-se o Brasil que empatou com a Jugoslávia (1-1) e venceu o México (5-0) e os jugoslavos que, além do empate com os canarinhos, surpreenderam a França (1-0). Neste grupo aconteceu uma história curiosa. O Brasil e a Jugoslávia qualificaram-se empatando entre si, mas os sul-americanos não sabiam que o empate lhes bastava e foram chorar para o balneário até que alguém lhes explicou que, afinal, tinham passado aos quartos de final.

No Grupo BHungria e Turquia defrontaram RFA e Coreia do Sul. Os magiares limitaram-se a passear superioridade e golearam a RFA (8-3) e a Coreia (9-0). No entanto, os turcos, que também golearam os coreanos, mas por 7-0, perderam com a Alemanha Ocidental (1-4) e, assim, tiveram de defrontar novamente os germânicos num jogo de desempate. Aí, os alemães voltaram a ser mais fortes, goleando os turcos (7-2) e acompanhando os hungaros no apuramento para a fase seguinte.

No Grupo C, Uruguai e Áustria, cabeças de série, confirmaram o favoritismo e superiorizaram-se à Escócia e à Checoslováquia. Os uruguaios venceram a Checoslováquia (2-0) e a Escócia (7-0) e os austríacos venceram os escoceses por uma bola a zero e os checoslovacos por cinco bolas a zero. Assim sendo, com duas vitórias e sem sofrerem qualquer golo, Uruguai e Áustria seguiram para os quartos de final.

Por fim, no Grupo D, A Inglaterra e a Itália foram designados como cabeças de série e defrontaram Suíça e Bélgica. Os britânicos apuraram-se em primeiro lugar, após um empate com a Bélgica (4-4) e uma vitória diante da Suíça (2-0). No entanto, a squadra azzurra, perdeu com os helvéticos (1-2) e, assim, mesmo tendo vencido os belgas (4-1), tiveram de jogar com a Suíça um duelo para desempate. Nesse encontro, os anfitriões supreenderam os italianos (4-1) e seguiram em frente.

Quartos de Final

A primeira partida dos quartos de final foi o ÁustriaSuíça, em Lausana. A equipa anfitriã entrou muito bem e, aos 23 minutos, já vencia por três bolas a zero. Contudo, até ao intervalo, os austríacos conseguiram dar a volta e chegaram ao descanso a ganhar 5-4… Na segunda metade, a Áustria manteve a superioridade e acabou por vencer o encontro (7-5).

Em Basileia, o Uruguai, que continuava imbatível em campeonatos do mundo, defrontou a Inglaterra e continuou a mostrar ser uma selecção de topo, pois venceu os britânicos por quatro bolas a duas.

Intenso foi o duelo entre Hungria e Brasil, que terminou com a vitória magiar por quatro bolas a duas. Um húngaro (Bozsik) e dois brasileiros (Nilton Santos e Humberto) foram expulsos e o jogo ficou conhecido como “A batalha de Berna”. A pancadaria chegou mesmo às cabinas onde os seleccionadores se agrediram e Puskas acertou com uma garrafa no brasileiro Pinheiro, que, por isso, teve de levar três pontos na cabeça.

Por fim, a Alemanha Ocidental venceu a Jugoslávia (2-0) e também garantiu o bilhete para as semi-finais.

Meias-Finais

Na primeira semi-final, começou a pairar a ideia que a Hungria estava tão convencida da sua superioridade sobre todos os adversários, que poderia vir a ter um dissabor. No duelo diante do Uruguai, chegaram ao 2-0 no início da segunda metade e começaram a descansar. Aproveitando esse factor, os sul-americanos que, lembre-se, ainda não haviam perdido nenhum jogo em campeonatos do mundo, apoiaram-se na raça do seu futebol e empataram graças a um bis de Holberg. Com o desafio empatado nos noventa minutos, foi necessário jogar o prolongamento e, aí, os magiares foram mais fortes, vencendo por 4-2. Era o primeiro aviso que os húngaros poderiam, afinal, descer à terra.

Pouca história teve a segunda meia-final. Em Basileia, a Alemanha Ocidental, em claro crescente de forma, goleou a Áustria (6-1) e seguiu calmamente para a final do Mundial.

Terceiro e Quarto Lugar

O Uruguai, desiludido pela impossibilidade de disputar a final, teve pouca motivação para a disputa deste encontro e, assim, foi sem surpresa que acabou por perder com a Áustria (1-3), terminando o Mundial 1954 na quarta posição. Por outro lado, a Áustria, graças a estre triunfo, conseguia a melhor classificação de sempre, o terceiro lugar.

Final* RFA 3-2 Hungria

A Hungria entrou neste jogo motivada, mas com uma grande preocupação. Puskas, que havia falhado os jogos com o Brasil e Uruguai, após ter sido lesionado pelos alemães no jogo da primeira fase, continuava diminuido. No entanto, o “Major Galopante”, mesmo coxo, pediu para jogar o encontro decisivo.

Tudo começou bem para os magiares que, aos oito minutos, já venciam por 2-0, graças aos golos de Puskas (6′) e Czibor (8′), contudo, demorou pouco a felicidade da Hungria, pois a Alemanha Ocidental rapidamente empatou com golos de Morlock (10′) e Rahn (18′).

Apesar de, tecnicamente, os hungaros serem muito superiores ao seu adversário, os alemães mostravam uma forma física impressionante, que, na altura, levantou tantas suspeitas que a FIFA, a partir do mundial seguinte, passou a instaurar o controlo anti-doping.

Com o passar do tempo, a sua superioridade física foi se tornando decisiva e, aos 84 minutos, Rahn bisou e fez o 3-2. Pouco depois, terminou a partida com a surpreendente vitória da República Federal da Alemanha.

Quem assistiu a este Mundial e teve o prazer de ver jogar a Hungria, afirma que o futebol cometeu a proeza de não coroar os deuses do jogo. No entanto, a história tem sido mais generosa e a equipa magiar continua a ser lembrada como uma das equipas mais inovadoras e geniais de todos os tempos.

Números do Mundial 1954

Campeão: RFA

Vice-Campeão: Hungria

Terceiro Classificado: Áustria

Quarto Classificado: Uruguai

Eliminados nos Quartos de Final: Suíça, Inglaterra, Brasil e Jugoslávia

Eliminados na Fase de Grupos: França, México, Turquia, Coreia do Sul, Checoslováquia, Escócia, Itália e Bélgica

Melhor Marcador: Kocsis (Hungria) – 11 golos

Equipa do Mundial 1954: Grocics (Hungria); Santamaria (Uruguai), Varela (Uruguai e Andrade (Uruguai); Bozsik (Hungria), Liebrich (RFA) e Czibor (Hungria); Kocsis (Hungria), Fritz Walter (RFA), Rahn (RFA) e Hidegkuti (Hungria). 

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No dia 16 de Julho de 1950, o Brasil, segundo o antropólogo Roberto da Matta, viveu “a maior tragédia da sua história contemporânea”. Num desafio diante do Uruguai, em que lhe bastava um empate para se sagrar campeão mundial, o Brasil perdeu (1-2), em pleno Maracanã, e deixou um país inteiro a chorar. O Uruguai vencia, assim, o primeiro campeonato do mundo do pós 2ª Guerra Mundial, um campeonato no rescaldo de um planeta em ruínas e que podia ter assistido à primeira participação de Portugal, convidado para suprimir as muitas desistências existentes. No entanto, os portugueses, em pleno Estado Novo, alegaram dificuldades logísticas e, acima de tudo, a incapacidade de aceitarem participar em algo, para o qual não tinham garantido, no campo, legitimidade para o fazer.

Primeira Fase

Neste campeonato do mundo disputado no Brasil, voltou-se a um modelo com fase de grupos. A ideia era dividir 16 selecções em quatro grupos de quatro, todavia, a desistência de Índia, Escócia e Turquia, deixou o Mundial com apenas 13 participantes. Curiosa foi a desistência dos indianos, que abandonaram a prova após a FIFA recusar o seu pedido para jogarem descalços.

Curiosamente, o organismo que tutela o futebol mundial, em vez de minimizar as coisas, deixou tudo como estava, limitando-se a suprimir as selecções desistentes. Assim sendo, os grupos A e B contaram com quatro selecções, o C com três e o D ficou com apenas duas selecções.

No Grupo A, o Brasil defrontou Jugoslávia, Suíça e México e confirmou o favoritismo vencendo o agrupamento. Um empate com a Suíça (2-2) não manchou o excelente percurso demonstrado nas vitórias diante do México (4-0) e Jugoslávia (2-0).

Por outro lado, no Grupo B, a Espanha demonstrou superioridade, vencendo Estados Unidos (3-1), Chile (2-0) e Inglaterra (1-0) e apurando-se para a fase seguinte. Neste agrupamento, temos de destacar a escandalosa derrota dos ingleses com os americanos por uma bola a zero. Esse resultado pareceu tão inacreditável que alguns meios de comunicação ingleses, quando o receberam, pensavam que era engano e publicaram que a Inglaterra havia vencido por… 10-1!

Grupo C, que era para ter a participação indiana, ficou reduzido a três selecções: Suécia, Itália e Paraguai com o favoritismo a ir todo para a squadra azzurra. No entanto, a Suécia surpreendeu a Itália e venceu por 3-2. Esse resultado, aliado a um empate diante dos sul-americanos (2-2), garantiu o apuramento escandinavo para o grupo final.

Por fim, tivemos o curioso Grupo D, que de grupo tinha muito pouco. Com as desistências de Escócia e Turquia, o agrupamento ficou reduzido a Bolívia e Uruguai e, no único jogo realizado, a equipa azul celeste venceu os bolivianos por oito bolas a zero, qualificando-se para a fase final.

Grupo Final

Ao contrário das edições anteriores que contaram com meias finais e final, este Mundial colocou as quatro equipas num grupo final em que iriam jogar todos contra todos.

Nos primeiros dois jogos, Brasil e Uruguai defrontaram a Suécia e a Espanha, mas tiveram resultados bem diferentes. Os canarinhos “esmagaram” a Suécia por sete bolas a uma e a Espanha por seis bolas a uma, enquanto os uruguaios empataram com a Espanha (2-2) e venceram, a Suécia, à tangente (3-2).

Assim sendo, depois da Suécia ter vencido a Espanha por 3-1 e conquistado o terceiro lugar, brasileiros e uruguaios defrontaram-se para a conquista do título mundial.

Jogo Decisivo* Brasil 1-2 Uruguai

Com um ponto de vantagem, os brasileiros sabiam que lhes bastava um empate para conquistarem, em casa, o campeonato do mundo. Depois, como tinham goleado Espanha e Suécia, os brasileiros estavam em delírio e não colocavam sequer em causa a possibilidade de perderem o jogo decisivo.

A confiança era tal que, no dia da final, o jornal brasileiro “O Mundo” tinha uma foto da selecção brasileira com as seguintes palavras: “Estes são os novos campeões do Mundo.” Estas situações foram enervando os uruguaios e o seu capitão Obdulio Varela, quando viu essa capa, atirou-a ao chão, urinou-lhe para cima e atirou, de forma profética: “Eu nunca perdi uma final antes de jogar.”

Mal começou o jogo, percebeu-se que o Brasil tinha muito melhor equipa que o Uruguai e lançou-se rapidamente ao ataque. No entanto, o golo brasileiro só chegou ao minuto 46, por intermédio de Friaça.

Esse golo lançou o Maracanã em delírio e os jornalistas presentes no evento começaram a fazer manchetes com a virtual vitória brasileira. Doze minutos depois, Schiaffino empatou a partida, mas nem esse golo adormeceu a festa canarinha.

Contudo, aos 79 minutos, surgiu o que ninguém imaginou possível. Ghiggia, descaído para o flanco direito, atirou cruzado e Barbosa acabou batido pela segunda vez. O Uruguai vencia (2-1) e as duzentas mil pessoas presentes no Maracanã ficaram em completo silêncio.

Abalados pelo segundo golo azul celeste, os brasileiros foram incapazes de reagir e acabaram por perder o Mundial diante de uma selecção francamente inferior, mas que nunca deixou de acreditar em si própria. O povo brasileiro ficou, assim, mergulhado numa depressão profunda, que só seria aliviada, em 1958, com a conquista do título mundial.

Acabava, assim, o Mundial em que, segundo Jules Rimet: “Tudo esteve previsto menos a vitória do Uruguai…” 

Números do Mundial 1950

Campeão: Uruguai

Vice-Campeão: Brasil

Terceiro classificado: Suécia

Quarto Classificado: Espanha

Eliminados na fase de grupos: Jugoslávia, Suíça, México, Inglaterra, Chile, Estados Unidos, Itália, Paraguai e Bolívia

Melhor Marcador: Ademir (Brasil) – 8 golos

Equipa do Mundial 1950: Ramallets (Espanha); Bauer (Brasil), Andrade (Uruguai) e M. González (Uruguai); Zizinho (Brasil), Varela (Uruguai), Tejera (Uruguai) e Skoglund (Suécia); Ghiggia (Uruguai), Jair (Brasil) e Ademir (Brasil)

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