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Posts Tagged ‘Apoel Nicósia’

Actual líder do campeonato russo, o Zenit São Petersburgo chega a este duelo dos oitavos de final da Liga dos Campeões diante do Benfica após ter ficado em segundo lugar no seu grupo, curiosamente, à frente de outra equipa portuguesa, o FC Porto. Clube milionário graças ao patrocínio da Gazprom (maior empresa de gás do Mundo), o Zenit tem conhecido um passado recente cheio de títulos, tendo conquistado inclusivamente a Taça UEFA em 2007/08 e procurando agora, pela primeira vez na sua história, o acesso aos quartos de final da prova mais importante do continente europeu.

O Zenit actua no Estádio Petrovsky

Quem é o Zenit?

O Zenit São Petersburgo foi fundado em 1925, mas nunca foi um gigante no futebol soviético, tendo apenas ganho uma Taça da União Soviética (1944) e um campeonato soviético (1984), numa fase em que o futebol da URSS era dominado pelos clubes moscovitas e pelo Dínamo Kiev.

No entanto, já depois da dissolução da União Soviética, o clube de São Petersburgo chegou mesmo a cair na nova segunda divisão da Federação Russa, tendo regressado em 1996 e recebido um grande incremento de qualidade quando beneficiou do patrocínio da Gazprom.

Esse enriquecimento haveria de garantir frutos em 2007 com o primeiro título russo, tendo ainda o Zenit conquistado a Taça UEFA em 2007/08, a Supertaça Europeia em 2008 e novo campeonato russo em 2010, assumindo-se, neste momento, como um dos grandes clubes da Rússia, tendo grandes jogadores como Bruno Alves, Danny, Kerzhakov e Criscito.

Luciano Spalletti é o treinador do Zenit

Como joga?

Treinado pelo italiano Luciano Spalletti, o Zenit é um conjunto que sabe praticar bom futebol, mas também é conservador quando necessário, podendo actuar com o bloco demasiado baixo em inúmeras partidas como foi exemplo o duelo diante do FC Porto na última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Defensivamente é uma equipa bastante segura, destacando-se Bruno Alves como chave da boa qualidade do sector, tendo depois no ataque elementos rápidos e perigosíssimos como Lazovic ou Faizulin, ainda que esteja orfã por lesão daquele que é a grande estrela da companhia, o internacional português Danny.

No duelo diante do Benfica e apesar das ausências de Danny e Criscito, o clube russo deverá manter o 4x3x3, actuando com um onze que não deve andar longe do seguinte: Zhevnov; Anyukov, Bruno Alves, Hubocan e Lombaerts; Zyrianov, Shirokova e Denisov; Faizulin, Kerzhakov e Lazovic.

Kerzhakov é um avançado de qualidade

Quem é que o Benfica deve ter debaixo de olho? Kerzhakov

Na ausência de Danny, a grande estrela do Zenit é o ponta de lança internacional russo Kerzhakov, jogador que tem grande experiência internacional ao serviço de clubes como o de São Petersburgo, mas também o Sevilha e o Dínamo Moscovo. Produto das escolas do Zenit, o avançado-centro marcou 95 golos em 205 jogos entre 2001 e 2006 com a camisola do clube patrocinado pela Gazprom, tendo garantido depois uma transferência para Espanha e para o Sevilha.

No futebol espanhol, nunca brilhou ao nível que havia feito no Zenit e, assim, regressou à Rússia em 2008, transferindo-se para o Dínamo Moscovo onde, em duas épocas, efectuou excelente registo (59 jogos, 23 golos). De regresso ao Zenit desde 2010, o internacional russo já marcou 33 golos em 59 jogos, tendo sido peça importante na conquista do título russo no ano em que regressou a São Petersburgo.

Pelas suas características: mobilidade, capacidade técnica e enorme frieza na hora de atirar à baliza, trata-se de um jogador que os benfiquistas não deverão deixar respirar neste duelo dos oitavos de final, obrigando a dupla Garay-Luisão a atenções redobradas na marcação ao internacional russo.

Como chegou aos 8/final?

Fase de Grupos:

  • Zenit vs Apoel Nicósia (CHI) 0-0 e 1-2
  • Zenit vs FC Porto (POR) 3-1 e 0-0
  • Zenit vs Shakhtar Donetsk (UCR) 1-0 e 2-2
Classificação:
  1. Apoel Nicósia (CHI) 9 pontos
  2. Zenit 9 pontos
  3. FC Porto (POR) 8 pontos
  4. Shakhtar Donetsk (UCR) 5 pontos

Confrontos com equipas portuguesas em provas da UEFA

Taça UEFA (2005/06): Zenit vs V. Guimarães 2-1

Liga Europa (2009/10): Zenit vs Nacional 1-1 e 3-4

Liga dos Campeões (2011/12): Zenit vs FC Porto 3-1 e 0-0

As possibilidades do Sport Lisboa e Benfica

Por várias razões, entendo que o Benfica é superior ao clube russo, tanto a nível de plantel como das condicionantes que envolvem esta partida: o campeonato russo está parado e a grande estrela do Zenit (Danny) está impedido de actuar por lesão.

Ainda assim, os encarnados terão de ser uma equipa muito inteligente na forma como abordarão a eliminatória, pois o clube russo é uma equipa muito fria e eficaz e, se conseguir um bom resultado em São Petersburgo, não terá qualquer problema de “estacionar o autocarro” no Estádio da Luz para defender a vantagem.

Assim sendo, o Benfica terá de ser uma equipa muito concentrada e matreira o quanto baste, para que possa superar com naturalidade este adversário russo.

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Tratou-se do único clube cipriota-turco que fundou a Liga de Chipre, surgindo ao lado de outros sete clubes cipriota-gregos: AEL Limassol, Trast AC, Anorthosis Famagusta, Apoel Nicósia, Olympiakos Nicósia, Aris Limassol e EPA Larnaca na estreia do campeonato daquela ilha do Mediterrâneo. Para além disso, foi o único clube a conquistar campeonato, taça e supertaça, tanto da federação cipriota unida, como da federação cipriota-turca, assumindo-se, assim, o Çetinkaya como um clube único no espectro futebolístico da longínqua ilha de Chipre.

Fundado em 1930 como Lefkosa Türk Spor Kulübü

O Çetinkaya Türk Spor Kulübü só surgiu em 1949 e como uma junção de dois clubes cipriota-turcos, o Lefkoşa Türk Spor Kulübü, fundado em 1930 e o Çetinkaya Türk Asnaf Ocağı, fundado em 1943. Após a fusão, o Çetinkaya transformou-se num grande clube do futebol cipriota, tendo conquistado três campeonatos, duas taças e três supertaças até 1955, altura em que a federação cipriota se separou em federação cipriota-turca e federação cipriota-grega.

Desde essa data, o Çetinkaya actua na liga cipriota-turca, competição que não é reconhecida pela UEFA, pois a República de Chipre-Norte, de cultura turca, não é reconhecida como país, mas sim como uma zona da República de Chipre, ocupada, indevidamente, pela Turquia.

Continuou o maior clube cipriota-turco depois da cisão

Desde 1955, o clube que já era o maior clube cipriota-turco na altura em que estes actuavam lado a lado com os clubes cipriota-gregos manteve essa superioridade, tendo conquistado treze campeonatos, dezasseis taças de Chipre-Norte e sete supertaças.

Neste momento, o Çetinkaya, por certo, esperará o fim da divisão política de Chipre para que possa confrontar-se com os grandes clubes da zona grega da Ilha do Mediterrâneo como o Apoel Nicósia, Omónia de Nicósia ou Anorthosis e para que possa disputar as competições europeias, conseguindo, dessa forma, atingir uma glória que lhe estará vedada enquanto estiver limitado ao não reconhecido internacionalmente campeonato de Chipre-Norte.

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Malafeev segurou o nulo no FC Porto-Zenit

O FC Porto não conseguiu superar o Zenit de São Petersburgo em duelo da Liga dos Campeões e, dessa forma, ficou privado do apuramento para os oitavos de final da prova milionária, situação que para além do prestígio desportivo, também priva os dragões de conquistarem três milhões de euros. Todavia, tanto no plano desportivo como financeiro, será que se tratou de uma eliminação assim tão prejudicial?

Primeiro pensemos pelo plano desportivo. O FC Porto tem uma excelente equipa e, de facto, apenas Falcao está ausente da grande equipa que se exibiu por essa Europa fora na temporada transacta. Todavia, a saída do avançado colombiano não foi minimamente compensada pelos responsáveis azuis-e-brancos, que teriam ficado bem mais servidos com uma solução como a do Sporting (van Wolfswinkel), um atacante móvel, lutador, com sentido de baliza e capacidade de luta, do que com Kléber, que apesar do talento inegável, está a ter muitas dificuldades na transição psicológica de um clube médio para um clube de top.

Para além disso, Vítor Pereira também está a revelar-se um erro de casting, pois revela-se incapaz de motivar a equipa e impotente para oferecer ao FC Porto aquilo que de melhor os portistas ofereceram em 2010/11, uma excelente dinâmica posicional, que fazia com que todos os elementos soubessem o que fazerem dentro de campo. Ontem, diante do conjunto russo, o FC Porto até nem jogou propriamente mal, mas sentia-se que muitos elementos se escondiam do jogo, receosos, algo estranho e pouco habitual no clube azul-e-branco.

Nesse seguimento, partindo do princípio que Pinto da Costa não vai abdicar facilmente de Vítor Pereira e que, financeiramente, será difícil encontrar um avançado que faça a diferença neste mercado de Janeiro, dificilmente um apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões garantiria um percurso muito longo, pois mesmo sendo primeiro do grupo (Curiosamente a derrota do Apoel Nicósia diante do Shakhtar garantia isso ao FC Porto), teria sempre a possibilidade de encontrar equipas complicadas como o Milan, Manchester United (se o Benfica vencer e não houver surpresa na Suíça), Nápoles/Manchester City, etc. E mesmo que tivesse fortuna no sorteio e passasse aos quartos de final, esse seria garantidamente o último degrau para os azuis-e-brancos, pois, aí, só um milagre os faria resistir a um Barcelona, Real Madrid, Bayern ou Chelsea.

Assim sendo, uma passagem para a Liga Europa é muito mais interessante do ponto de vista de crescimento da equipa, pois o FC Porto terá a possibilidade de defrontar equipas exigentes, mas que estão ao seu alcance, podendo, nessa competição, ambicionar perfeitamente o que fez em 2010/11, ou seja, vencer o ceptro.

Por outro lado, em termos financeiros, o desastre também pode não ser assim tão notório, porque vejamos: na Liga dos Campeões, se os portistas passassem aos oitavos de final, recebiam mais 3 milhões de euros, enquanto que se fossem eliminados nos quartos de final, receberiam mais 3,3 milhões de euros, ou seja, um total de 6,3 milhões de euros.

Na Liga Europa, caso o FC Porto chegue às meias-finais, a equipa portista receberá 1,6 milhões de euros, valor que passa para 3,6 milhões caso seja finalista e 4,6 milhões caso vença a Liga Europa. A isso, terá sempre que juntar as receitas de bilheteira e lembre-se que, caso chegue às meias-finais, fará sempre quatro jogos em casa, ao contrário de um jogo caso fosse eliminado nos oitavos de final da “Champions” e dois no caso de ser eliminado nos quartos de final dessa mesma prova.

Depois, há ainda as questões do ranking português na UEFA. A eliminação do FC Porto priva-o imediatamente de cinco pontos bónus, mas, continuando na Liga dos Campeões, dificilmente faria muito mais que isso, ao contrário da Liga Europa. Para terem uma ideia, em 2008/09 o FC Porto chegou aos quartos de final da “Champions League” e somou 17, 3570 pontos. O ano passado, na Liga Europa, somou 31, 7600, ou seja, quase o dobro.

Como tal, só no final da temporada poderemos perceber se este 0-0 diante do Zenit foi negativo ou uma benesse para os portistas que, caso as coisas corram bem na segunda prova mais importante do futebol europeu, ainda podem agradecer a todos os santinhos as grandes intervenções de Malafeev no Estádio do Dragão.

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Os adeptos do AEK Larnaca são entusiastas

Quando falamos do actual futebol cipriota é certo que os mais atentos vão reconhecer o nome do AEK Larnaca, equipa que, inclusivamente, chegou a defrontar o Barcelona numa eliminatória da Taça das Taças da temporada 1996/97, tendo empatado a zero em Chipre e perdido 2-0 no Nou Camp. No entanto, o AEK Larnaca é um clube extremamente recente, sendo o resultado da fusão de dois históricos clubes: Pezoporikos Larnaca e EPA Larnaca. Estes dois clubes marcaram uma época no futebol dessa ilha mediterrânica e importa que sejam lembrados.

Pezoporikos Larnaca – O clube do camelo

O Pezoporikos foi fundado em 1927 e as suas cores eram o verde e o branco, sendo que o seu emblemático símbolo era inconfundível pela presença de um camelo. Entre a sua fundação e o momento em que se fundiu com o EPA para formar o AEK Larnaca, o Pezoporikos conquistou dois campeonatos cipriotas (1954 e 1988) e uma Taça de Chipre (1970), sendo que foi segundo classificado do campeonato em oito ocasiões e finalista derrotado da Taça de Chipre em sete.

Sete vezes este clube cipriota participou nas competições europeias, sendo que nunca passou uma eliminatória ou, inclusivamente, ganhou um jogo. De facto, o melhor que este clube conseguiu nas provas da UEFA foram empates com o Slask Wroclaw, Malmö, Cardiff City e FC Zurique.

EPA Larnaca – O clube mais titulado de Larnaca

Fundado em 1930 e dissolvido em 1994  para dar lugar ao AEK Larnaca, o EPA continua a ser o clube que conquistou mais titulos em toda a cidade de Larnaca. Campeão por três ocasiões (1945, 46 e 70) e vencedor da Taça de Chipre por cinco (1945, 46, 50, 53 e 55), o EPA Larnaca foi ainda segundo classificado do campeonato cipriota por cinco ocasiões e perdeu três finais da Taça de Chipre.

Todavia, em termos europeus, o sucesso do EPA é ainda inferior ao do Pezoporikos, tendo apenas participado por três vezes nas competições da UEFA, sem nunca ter passado uma eliminatória e somando seis derrotas nos seis encontros realizados.

AEK Larnaca – Fusão não trouxe o sucesso esperado

Quando Pezoporikos e EPA se fundiram em 1994 e deram lugar ao AEK, esperava-se que Larnaca passasse a ter um clube que pudesse ombrear com os históricos Apoel, Omónia e Anorthosis, todavia, isso não veio a acontecer.

Desde que o AEK existe, o único título importante que a equipa conquistou foi a Taça de Chipre em 2004, quando superou o AEL Limassol na final por 2-1, tendo ainda perdido duas finais da taça em 1996 (0-2 com o Apoel Nicósia) e 2006 (2-3 também com o Apoel Nicósia).

A única consolação do AEK, é que a equipa já conseguiu algo que os seus antecessores nunca conseguiram: triunfos e apuramentos europeus.

Em 1996/97, na pré-eliminatória da Taça das Taças, eliminou o Kotaik Erevan (5-0 e 0-1) da Arménia, sendo depois eliminado na primeira eliminatória pelo Barcelona, ainda que tenha feito uma eliminatória muito digna (0-0 em casa e 0-2 em Nou Camp).

Depois, em 2004/05, na segunda pré-eliminatória da Taça UEFA, entrou muito bem ao vencer os israelitas do Hapoel Petach Tikva (3-0), mas depois acabou por ser eliminado após perder em terras hebraicas por quatro bolas a zero.

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Comitiva leonina mostra Taça das Taças a Salazar

A 15 de Maio de 1964, o Sporting venceu o MTK Budapeste (1-0) na finalíssima da Taça das Taças, conseguindo, dessa forma, o seu primeiro e único troféu europeu. Foi um percurso longo e sinuoso que obrigou a dois playoffs de desempate com Atalanta e Lyon; uma reviravolta com o Manchester United (5-0) após os leões perderem a primeira mão por 4-1; e, inclusivamente, uma finalíssima, pois o primeiro jogo da final com a equipa húngara, terminou empatado a três bolas. Ainda assim, o grande caminho valeu a pena, pois, hoje, todos os portugueses recordam com saudade do “Cantinho de Morais”, um momento mágico que garantiu para Portugal a sua única Taça das Taças.

A uma difícil pré-eliminatória seguiu-se um rebuçado cipriota

O percurso dos leões na Taça das Taças (1963/64) iniciou-se na pré-eliminatória e logo diante de uma equipa de respeito, os italianos da Atalanta. Após perderem em Bérgamo (0-2) e vencerem em Alvalade (3-1), os verde-e-brancos beneficiaram da ausência do desempate por golos fora para avançarem para um playoff de desempate, disputado em Barcelona. Nesse desafio decisivo, os leões foram mais fortes e, após o 1-1 no tempo regulamentar, venceram os italianos no prolongamento por 3-1, apurando-se para a primeira ronda da prova.

Curiosamente, a primeira eliminatória da Taça das Taças foi bem mais acessível, com os leões a atropelarem os cipriotas do Apoel Nicósia com um agregado de 18-1. Curiosamente, ambos os jogos realizaram-se em Portugal, sendo que, no primeiro, os verde-e-brancos venceram por 16-1, num resultado que ainda é recorde das competições europeias.

Manchester United e Lyon não resistiram aos leões

Após o rebuçado cipriota, veio um osso bem duro de roer, o Manchester United e o primeiro jogo, disputado em Old Trafford, cumpriu com todas as piores expectativas, com o Sporting a perder por quatro bolas a uma. No entanto, na segunda mão dos quartos de final, os leões, talvez beneficiando de algum snobismo dos “red devils” que, provavelmente, julgavam que a eliminatória estava decidida, golearam o Manchester United por cinco bolas a zero, num jogo mágico em que Osvaldo Silva fez um hat-trick.

Eliminado o colosso inglês, faltava apenas uma etapa para chegar à final e o adversário que caiu em sorte aos leões foi o Lyon. Após dois empates (0-0 em Lyon e 1-1 em Lisboa), teve, novamente de se disputar um playoff de desempate, onde o Sporting venceu por 1-0 e garantiu o tão ambicionado acesso à final da Taça das Taças para defrontarem o MTK Budapeste

Sporting precisou de duas finais para conquistar a Taça das Taças

Essa final, disputada a 13 de Maio de 1964, no Estádio Heysel, em Bruxelas, e para apenas cerca de 3200 espectadores, começou melhor para os húngaros, que, graças a um golo de Sandor (19′) se colocaram em vantagem. Depois, os leões deram a volta ao resultado (2-1), antes do MTK fazer o mesmo, fazendo o 3-2 a quinze minutos do final.

Pensou-se no pior para as cores verde-e-brancas, todavia, um golo de Figueiredo a dez minutos do fim acabou por garantir o empate a três bolas e, segundo o regulamento da época, uma finalíssima.

Dois dias depois, em Antuérpia e, desta feita, para cerca de 13000 espectadores, os verde-e-brancos acabaram por marcar cedo, de canto directo, por João Morais (19′) e, depois, souberam aguentar os ímpetos húngaros para conquistarem a Taça das Taças e escreverem o momento mais alto da história do futebol leonino a nível internacional.

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Portugal sentiu na pele a evolução cipriota

Os maus resultados da selecção portuguesa diante de Chipre (empate 4-4) e Noruega (derrota por 1-0) indicaram, claramente, que a equipa das quinas estava à deriva, mas, mesmo não duvidando que a novela à volta do ex-seleccionador Carlos Queirós teve influência nos desfechos negativos, não podemos branquear a evolução de alguns países emergentes no contexto futebolístico, que, outrora, eram “carne para canhão” e, neste momento, batem o pé às nações mais poderosas, como é o caso de Chipre.

Estrangeiros são benéficos quando acrescentam qualidade

Longe vão os tempos em que o Apoel Nicósia foi jogar a Alvalade e saiu derrotado por um copioso dezasseis a um. Neste momento, os clubes cipriotas estão recheados de jogadores estrangeiros de qualidade como o congolês ex-Newcastle e Olympiakos: Lua Lua, o internacional peruano Rengifo, o ex-Marítimo Marcinho ou o internacional grego: Chiotis. Curiosamente, a liga cipriota também está cheia de jogadores portugueses como Paulo Jorge (ex-Braga), Bruno Aguiar (Ex-Benfica) ou Vargas (Ex-Alverca e Leiria), isto para dar apenas alguns exemplos, pois o número de jogadores lusitanos em Chipre ultrapassa a centena.

Este incremento de estrangeiros de qualidade fez Chipre subir bastante no contexto do futebol europeu de clubes e, como tal, começámos a ver equipas como o Anorthosis ou o Apoel Nicósia a chegarem à fase final da Liga dos Campeões, algo que, há cerca de dez anos atrás, seria pouco menos que uma utopia. Para termos uma ideia mais clara dessa evolução, Chipre, que em 2005 se encontrava no 29º lugar do ranking da UEFA, saltou, em apenas cinco anos, para o vigésimo lugar, estando, neste momento, à frente de países como a Bulgária, a Croácia, a Sérvia e a Suécia.

Este exemplo que nos é dado por Chipre, prova que o problema do futebol português e de outros não está nos estrangeiros, mas sim na quantidade e qualidade dos mesmos. Afinal, qual é a logíca de enchermos a nossa liga de estrangeiros de qualidade duvidosa, para depois os jogadores portugueses emigrarem para países como Chipre? Será que atletas como o Hélio Roque, Bruno Aguiar, Paulo Jorge, Vargas, Nuno Morais ou Edgar Marcelino, todos a jogar em Chipre, não teriam lugar na Liga Zon Sagres em deterimento dos contentores de estrangeiros que chegam, anualmente, a Portugal?

Selecção cipriota ganhou com a legião estrangeira

Se pensam que a evolução qualitativa do futebol cipriota se resumiu ao futebol de clubes, estão completamente enganados. Curiosamente, após esta entrada de valores estrangeiros na principal liga desta ilha do Mediterrâneo, também se deu uma evolução da selecção cipriota que, cada vez mais, joga de igual para igual com qualquer selecção.

Por exemplo, na qualificação para o Mundial 2010, a equipa de Chipre venceu, em casa, a Bulgária por 4-1 e, mesmo perdendo todos os jogos que efectuou com Itália e República da Irlanda, fê-lo sempre pela margem mínima, sendo que, na deslocação a Itália, esteve a ganhar 2-0 até bem perto do final do jogo.

Agora, na qualificação para o Euro 2012, foi a vez de Portugal sentir, na pele, o crescimento do futebol cipriota, sendo vergado a um empate (4-4) em Guimarães, num resultado que, por certo, colocou muita gente a olhar o futebol cipriota com outros olhos.

Estes resultados são a prova que o talento estrangeiro não destruiu o aparecimento de talentos locais, nem tirou o lugar aos cipriotas mais experientes, que, depois de carreiras passadas em campeonatos mais competitivos, voltaram a Chipre para contribuirem para a evolução do futebol daquele país.

Assim sendo, assistimos, nos últimos tempos, ao aparecimento de inúmeros jovens talentos locais, como o lateral/extremo: Andreas Avraam (Omónia), o extremo-direito: Georgios Efrem (Omónia) ou o atacante Christofi (Omónia), que, juntamente com jogadores experientes como os avançados Okkas (Anorthosis), Konstantinou (Omónia) e o médio Charalambides (Apoel Nicósia), têm ajudado a selecção cipriota a atingir outro patamar.

Um exemplo que nos chega do leste do Mediterrâneo, que podia servir de exemplo aos responsáveis do futebol indígena.

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Em 1948, os jogadores do Apoel Nicósia estavam a ser aconselhados a assinar papéis que os ligassem a partidos e ideologias de extrema-direita durante um período de grande instabilidade política no Chipre. Muitos recusaram-se a assinar esses documentos e, assim, foram banidos do Apoel. No entanto, esses atletas não estavam dispostos a desistir e, nesse mesmo ano, fundaram um clube onde puderam continuar a jogar futebol. Uma instituição que se iria tornar em uma das maiores da ilha mediterranica do Chipre e que já conquistou 20 campeonatos cipriotas e 12 Taças do Chipre: Omónia Nicósia.

Ideologia anti-fascista na fundação do Omónia

O Omónia Nicósia foi fundado a 17 de Junho de 1948 por elementos que haviam saido do Apoel Nicósia por se recusarem a aliarem-se com a extrema-direita do Chipre, num período de grande instabilidade política naquela ilha do Mediterraneo. Após cinco anos nas divisões secundárias, o Omónia chegou, em 1953/54, à primeira divisão cipriota. Ainda assim, até ao final da década de cinquenta, o melhor que os “verdes” conseguiram foi um terceiro lugar em 1956/57.

Os primeiros títulos surgiram na década de 60, com o Omónia a conquistar dois campeonatos (1961 e 66) e uma Taça (1965), todavia, os tempos de grande glória só surgiriam na época seguinte.

Épocas de ouro com a benção de Kaiafas

Sotiris Kaiafas só conheceu a camisola do Omónia na sua longa carreira (1967-1984) e podemos dizer que os “verdes” agradecem bastante essa preferência. Durante o período em Kaiafas jogou, o Omónia conquistou 11 campeonatos e 6 Taças, sendo que para isso muito contribuiu o atacante cipriota, pois Kaiafas fez 261 golos em 388 jogos pelo Omónia, sagrando-se o melhor marcador da Liga cipriota por oito ocasiões (1972, 74, 76, 77, 79, 81, 83 e 84).

Mesmo após a retirada dessa grande lenda do futebol de Chipre, a década de 80 continuou a trazer títulos para o Omónia que haveria de se sagrar campeão por mais três ocasiões (85, 87 e 89) e ainda venceu a Taça de Chipre em 1988, ainda assim,

Rauffmann festeja mais um golo pelo Omónia

A queda que Rauffmann conseguiu travar

A década de 90 foi bem menos proveitosa para o Omónia que se limitou a conquistar um campeonato (1993) e duas Taças de Chipre (1991 e 94). Nesta década de falta de títulos, os “verdes” contrataram um alemão que haveria de se tornar numa das grandes lendas do Omónia, o avançado Rainier Rauffmann. Este goleador esteve no clube de Nicósia durante sete temporadas (1997-2004) e, nesse período, teve um impressionante registo de 192 golos em 153 jogos.

Em termos individuais, tudo se processou muito rápido, pois na primeira época (97/98) fez 42 golos e na segunda ficou-se por “apenas” 35 tentos, sagrando-se o melhor marcador do campeonato cipriota nessas duas temporadas.

Ainda assim, os títulos colectivos só surgiram na terceira temporada ao serviço do Omónia (1999/00), quando Rauffmann sagrou-se o melhor marcador, mas, desta vez, conquistou um título: a Taça de Chipre. Na época seguinte, além de novo título de melhor marcador, juntou-lhe o título de campeão de Chipre, sendo que, na época da retirada (2002/03), o avançado alemão voltou a ser campeão, marcando 41 golos em todos os encontros oficiais.

A retirada do avançado alemão trouxe nova seca de títulos

Sem Rauffmann, a equipa do Omónia voltou a entrar num período com poucos títulos, limitando-se a conquistar a Taça de Chipre em 2005 e o campeonato cipriota na última temporada. No entanto, os seus fiéis adeptos, conhecidos por defenderem ideologias anti-racistas e anti-fascistas, continuam na esperança que, em breve, apareça um novo filho pródigo da linhagem de Sotiris Kaiafas e Rainer Rauffmann e que devolva o Omónia de Nicósia aos tempos de glória.

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