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O "Pelé Árabe"

O maior talento futebolístico da história do desporto rei da Arábia Saudita foi um avançado que jogou toda a sua carreira no Al-Nassr e que ficou com a sugestiva alcunha de Pelé Árabe: Majed Abdullah. Dono de uma longa carreira (jogou profissionalmente por 21 anos) e dotado de uma evoluidíssima técnica individual, o atacante conquistou inúmeros títulos nacionais e internacionais pelo Al-Nassr, tendo ainda a felicidade de participar no Mundial de 1994, campeonato do Mundo onde a Arábia Saudita fez a sua estreia e conseguiu a melhor participação de sempre, pois apenas foi eliminada nos oitavos de final.

21 anos de Al-Nassr

Majed Ahmed Abdullah Al-Mohammed nasceu a 1 de Novembro de 1959 em Jeddah, Arábia Saudita, e actuou no Al-Nassr em toda a sua carreira desportiva, marcando 320 golos em 455 jogos entre 1977 e 1998. Excelente finalizador e com uma muito evoluída técnica individual, o avançado saudita foi sempre idolatrado pelos seus conterrâneos, tendo granjeado a sugestiva alcunha de “Pelé Árabe.”

Durante o longo percurso no histórico clube da Arábia Saudita, Majed Abdullah conquistou cinco campeonatos, quatro taças do Rei da Arábia Saudita, uma Taça das Taças asiática, uma Supertaça asiática e duas taças dos clubes campeões do Golfo.

Esteve presente no Mundial dos Estados Unidos

Internacional por 139 vezes (67 golos), Majed Abdullah apenas participou num campeonato do Mundo aos 34 anos, disputando o Mundial dos Estados Unidos em 1994.

Nessa prova, um veterano “Pelé Árabe” fez dois jogos, ajudando a Arábia Saudita a conseguir atingir surpreendentemente os oitavos de final onde caiu diante da Suécia.

Antes disso, Majed Abdullah também tinha participado noutra grande competição: Jogos Olímpicos de 1984, mas, aí, apesar de ter marcado um golo em três jogos, viu a Arábia perder todos os desafio da fase de grupos e ser eliminada precocemente.

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A selecção portuguesa que esteve na Colômbia

Depois da fraca prestação no Europeu de sub-19, onde a equipa portuguesa não passou da fase de grupos e, inclusivamente, foi goleada pela Croácia (0-5), as expectativas para esta participação no campeonato do Mundo eram bastante baixas, havendo mesmo pessoas quem duvidasse da possibilidade dos lusos chegarem aos oitavos de final. No entanto, apoiados numa equipa generosa e de grande entreajuda, os lusitanos foram ultrapassando todos os obstáculos até à final, surpreendendo um país que até foi privado de assistir à primeira fase da prova, tal era a descrença dos meios de comunicação social na equipa das quinas. Aí, no jogo decisivo, os canarinhos foram mais fortes, mas para a história fica uma equipa que provou que com motivação, força e querer, nada é impossível.

Portugal festeja vitória diante dos Camarões

Eficácia e calculismo no caminho até aos oitavos de final

Portugal foi uma equipa na verdadeira acepção da palavra, funcionando sempre como um bloco e abdicando de ser espectacular, para se impor como uma equipa extremamente calculista e eficaz.

De facto, na fase de grupos, a equipa portuguesa não foi além de um nulo com o Uruguai e de duas magras vitórias por 1-0 diante dos Camarões e Nova Zelândia, resultados pouco entusiasmantes, mas ainda assim suficientes para o apuramento para os oitavos de final como primeiro classificado do grupo e com direito a defrontar a pior equipa das dezasseis ainda em prova na fase de eliminatórias, a Guatemala.

Mika foi herói diante da Argentina

Uma equipa em crescendo nas eliminatórias

Curiosamente, diante da equipa da América Central, Portugal fez a pior exibição no torneio, não indo além de nova vitória por uma bola a zero e, inclusivamente, apanhando inúmeros sustos diante de uma equipa que havia perdido por 5-0 com a Nigéria e 6-0 com a Arábia Saudita na fase de grupos. Imediatamente, pensou-se que era o último obstáculo que a equipa das quinas ia ultrapassar,

Ainda para mais, o adversário nos quartos de final era a mais do que favorita Argentina, gerando-se uma descrença nos portugueses que, todavia, já valorizavam interiormente a prestação lusitana, pensando que termos chegado aos quartos de final já era um resultado de registo, até porque era a melhor participação da nossa selecção desde 1995.

Contudo, a equipa portuguesa voltou a surpreender positivamente os seus conterrâneos, equilibrando o jogo com os sul-americanos e até dispondo das melhores oportunidades para desfazer um nulo que, todavia, resistiu até ao final dos 120 minutos.

Nos penaltis, os portugueses chegaram a estar a perder por 3-1 e com os argentinos a terem dois “match-points” para vencerem a eliminatória. Todavia, Mika apareceu quando tinha de aparecer e Portugal deu a volta ao texto, eliminando os sul-americanos (5-4 nos penaltis) e seguindo para as semi-finais.

Por incrível que pareça, foi no último degrau até à final que a equipa das quinas acabou por vencer de forma mais confortável, superando a França por 2-0, graças a dois golos ainda na primeira metade. Esse resultado fez com que Portugal chegasse à final da prova sem sofrer qualquer golo, destacando-se pela inteligência táctica, capacidade de sofrimento colectivo, calculismo e eficácia.

Brasil foi mais feliz na final

E o título mundial ali tão perto…

Na final, Portugal sofreu um golo muito cedo e, pelas características da nossa equipa, pensou-se que a nossa selecção não seria capaz de dar a volta ao texto. No entanto, a equipa das quinas voltou a mostrar talentos que ninguém reconhecia até esta prova e fez questão de calar quem não acreditava no conjunto.

Com golos de Alex e Nélson Oliveira, Portugal entrou bem dentro do segundo tempo em vantagem (2-1) e ainda viu o avançado do Benfica desperdiçar uma oportunidade de fazer o 3-1 e matar definitivamente o encontro.

Infelizmente, Cedric havia saído da equipa por lesão e o adaptado Pelé estava com dificuldades para parar Dudu no flanco direito da defesa portuguesa. Assim sendo, após alguns sustos, foi sem surpresa que Dudu superou Pelé e cruzou para o empate de Óscar que obrigou o encontro a chegar ao prolongamento.

Nos trinta minutos suplementares, foi a vez de Caetano ser infeliz, falhando um chapéu que poderia ter devolvido a vantagem aos portugueses. Depois, com a equipa lusa de rastos (Danilo foi mesmo obrigado a sair, fazendo com que a equipa das quinas terminasse com dez), o Brasil haveria de ser extremamente feliz, chegando ao 3-2, graças a um cruzamento mal medido de Óscar que só parou no fundo da baliza de Mika.

Após esse tento canarinho, Portugal ainda tinha dez minutos para tentar chegar novamente ao empate, mas se a vontade e a crença eram enormes, a força era quase nula, fazendo com que a equipa das quinas fosse incapaz de regressar ao jogo.

Assim sendo, quando o árbitro apitou para o final da partida e enquanto os brasileiros festejavam o seu quinto título mundial, os portugueses entregavam-se a um choro incontrolável de quem percebeu que esteve a um pequeno passo de conquistar o título mundial de sub-20.

Nélson Oliveira confirmou todo o seu talento

O futuro da “Geração Coragem”

Poucos acreditavam na qualidade individual e colectiva desta selecção de sub-20, todavia, ao longo de sete desafios, Portugal fez questão de demonstrar que tem matéria prima para que o futuro do nosso futebol seja menos sombrio do que se chegou a temer.

Colectivamente, fiquei impressionado pela evoluidíssima inteligência táctica e capacidade de ocupação de espaços no sector recuado, porque defender bem também é uma arte e não é limitada a um autocarro à frente do guarda-redes. Na minha opinião, em termos de processo defensivo, Portugal roçou a perfeição e só isso explica que tenhamos atingido a final sem sofrer qualquer golo.

Ofensivamente, notou-se que faltou talento e criatividade à equipa portuguesa, demasiado dependente de um avançado-centro que ou muito me engano, ou vai ser o ponta de lança da selecção A durante anos a fio: Nélson Oliveira. Com um jogador de elevada criatividade na posição “dez”, a equipa das quinas poderia ter alcançado outra excelência no processo ofensivo, limitando a dependência do avançado do Benfica e tornando-se menos previsível no ataque.

Ainda assim, temos razões para estarmos bem satisfeitos e estou certo que jogadores como Mika, Cedric, Roderick, Nuno Reis, Danilo, Caetano e, acima de tudo, Nélson Oliveira, têm tudo para vingarem no futebol profissional e ajudarem e muito o futebol português.

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Agostinho Oliveira era o seleccionador

Após a nossa selecção ter conquistado o bicampeonato mundial de sub-20, a ideia era atacar o tricampeonato na longínqua Austrália, esperando, no mínimo dos mínimos, que Portugal superasse a primeira fase da prova. Contudo, a equipa treinada por Agostinho Oliveira e que contava com jogadores como Costinha, Litos, Andrade, Porfírio ou Bambo acabou por fazer uma prova deplorável, perdendo todos os jogos que disputou e abandonando a competição sem honra nem glória. Podemos sempre dizer que o grupo era complicado (Gana, Alemanha e Uruguai) e que nunca nos adaptámos ao facto dos jogos se disputarem nas manhãs portuguesas, todavia, para a história fica a pior participação portuguesa de sempre num Mundial sub-20.

A equipa portuguesa que esteve na Austrália

Três jogos, três derrotas

Portugal estreou-se no Mundial de sub-20 diante da poderosa Alemanha, que contava com jogadores como Jancker, Hamann ou Ramelow. Num jogo extremamente disputado e equilibrado, a equipa lusitana haveria de sucumbir perto do final do jogo, graças a um tento do inevitável Carsten Jancker, iniciando a prova de forma negativa.

No segundo duelo, diante do Uruguai, Portugal estava obrigado a não perder para continuar a sonhar com o apuramento para os quartos de final. Entrando a perder com um golo madrugador de Fabián O’Neill (esse mesmo que chegou a jogar na Juventus), a equipa portuguesa conseguiu igualar a contenda, graças a um golo de Bambo, que havia de ser o único golo que Portugal marcaria na competição. Perto do fim, quando já todos pareciam resignados à igualdade, o mesmo O’Neill haveria de bisar e dar a vitória à equipa sul-americana, levando a que o jogo de Portugal, na última jornada, diante do Gana, fosse meramente para cumprir calendário.

Desmotivada e sem nenhum objectivo desportivo, a equipa das quinas rapidamente sucumbiu à equipa africana, sofrendo dois golos na primeira parte e deixando o jogo escoar até final na segunda sem qualquer intensidade competitiva. A derrota (0-2) fez com que os portugueses abandonassem a competição sem qualquer ponto e garantiu o apuramento aos ganeses para a fase seguinte.

Jardel pouco jogou na prova

Brasil campeão com Marcelinho Paulista e… Mário Jardel

O Brasil conquistou o campeonato do Mundo graças às grandes exibições de Adriano um avançado que, na altura, representava os suíços do Neuchatel Xamax, marcou quatro golos na prova e foi considerado o melhor jogador do Mundial sub-20. Nessa equipa, também brilhava Marcelinho Paulista  e estava presente Mário Jardel que, porém, apenas fez 12 minutos durante toda a competição.

Na fase de grupos, o Brasil venceu o agrupamento D, empatando com a Arábia Saudita (0-0) e vencendo México (2-1) e Noruega (2-0). Depois, nos quartos de final, os canarinhos superaram os Estados Unidos (3-0) e, nas meias finais, foi a vez da equipa anfitriã (Austrália) sucumbir por duas bolas a zero.

Por fim, na final, a equipa brasileira defrontou a poderosa selecção do Gana, que contava com autênticas promessas como Samuel Kuffour, Nii Lamptey, Charles Akonnor ou o nosso bem conhecido Emmanuel Duah. Nesse duelo, o Brasil até esteve a perder graças a um golo de Duah (15′), todavia, Yan (50′) e Gian (88′) deram a volta ao marcador e garantiram o título mundial à equipa verde-e-amarela. Foi o terceiro título do Brasil no Mundial sub-20.

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A única presença da Coreia do Norte num campeonato do mundo foi em 1966, mas tratou-se de uma participação surpreendente. Após ultrapassarem o grupo (venceram a Itália e empataram com o Chile), os norte-coreanos defrontaram os portugueses nos quartos de final e estiveram mesmo a ganhar por três bolas a zero. No entanto, Portugal, liderado por Eusébio, soube reagir e acabou por dar a volta ao marcador, vencendo por cinco bolas a três. Agora, 44 anos depois, os asiáticos regressam ao campeonato do mundo com vontade de voltar a surpreender tudo e todos. Ainda assim, os tempos são outros e como o talento norte-coreano não é abundante, prevê-se que a selecção asiática regresse rapidamente e sem grande glória a Pyongyang.

A Qualificação

A campanha norte-coreana na zona asiática de apuramento para o campeonato do mundo conheceu duas fases totalmente distintas.

A primeira etapa, após terem eliminado a extremamente frágil Mongólia (4-1 e 5-1), foi passada com distinção, pois a equipa norte-coreana terminou o Grupo 3 na segunda posição com os mesmos pontos da Coreia do Sul (1º) e não perdeu qualquer desafio, apurando-se facilmente para a fase decisiva.

Contudo, na 3ª e última fase, os norte-coreanos tiveram de sofrer muito para assegurarem o segundo lugar e consequente apuramento para o campeonato do mundo. Sem ser capaz de vencer um único jogo diante de Irão (1-2 e 0-0) e Coreia do Sul (1-1 e 0-1), a Coreia do Norte chegou à última jornada com a necessidade de empatar no difícil campo da Arábia Saudita para se apurar para o Mundial. Tratou-se de uma partida dominada pelos sauditas, mas os coreanos foram heróicos na forma como defenderam o seu último reduto e garantiram o 0-0 final, apurando-se pela segunda vez para um Mundial de futebol.

1ª Fase – Eliminatória

Mongólia 1-4 Coreia do Norte / Coreia do Norte 5-1 Mongólia

3ª Fase: Grupo 3 – Classificação

  1. Coreia do Sul 12 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Jordânia 7 pts
  4. Turquemenistão 1 pt

4ª Fase: Grupo B – Classificação

  1. Coreia do Sul 16 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Arábia Saudita 12 pts
  4. Irão 11 pts
  5. Emirados Árabes Unidos 1 pt

O que vale a selecção norte-coreana?

Com a noção clara das limitações da selecção asiática, o seleccionador norte-coreano costuma apresentar um 5-3-2 bastante conservador e que faz da segurança defensiva o seu forte. A prova disso foi o facto da Coreia do Norte só ter feito sofrido sete golos em catorze jogos de qualificação para o Mundial da África do Sul.

O quinteto defensivo é composto por três centrais muito inexperientes e frágeis nas bolas paradas: Pak Nam-Chol, Ri Kwang-Chon e Pak Chol-Jin. Atrás deles, a baliza deverá ser entregue a Ri Myong-Guk, um guarda-redes que brilhou na fase de apuramento para o Mundial. Por fim, nas alas, deverá aparecer o experiente e mais ofensivo: Ji Yun-Nam (à esquerda) e o inexperiente e defensivo: Ri Jun-Il (à direita).

Depois, no meio campo, a equipa apresenta um trinco (Ahn Young-Hak) que é dos poucos que jogam no estrangeiro (Japão) e que reforça, ainda mais, a tracção defensiva desta selecção. Na ala esquerda, a equipa deve apresentar o interior: Kim Yong-Jun, pois como o lateral esquerdo é ofensivo, o seleccionador Kim Jong-Hun sente-se obrigado a colocar um jogador que saiba compensar as subidas de Ji Yun-Nam. Por outro lado, na ala direita, deve surgir Mun In-Guk, um jogador veloz e tecnicista que, por certo, aproveitará o facto de Ri Jun-Il ser um lateral muito defensivo para ser um autentico extremo.

Por fim, no ataque, os norte-coreanos devem apostar numa dupla móvel e com qualidade: Hong Yong-Jo e Jong Tae-Se. Tratam-se de dois elementos que actuam no estrangeiro, tendo, assim, condições para dar um toque de experiência internacional à selecção da Coreia do Norte. Desta dupla, destaque para Jong Tae-Se, um jogador virtuoso e claramente com qualidade suficiente para jogar num clube europeu.

Apesar de não ser uma equipa tão frágil como, por exemplo, a Nova Zelândia, os norte-coreanos estão ainda bem longe da elite do futebol mundial.

O Onze Base

A Coreia do Norte, tal como referido anteriormente, deve jogar em 5-3-2 com Ri Myong-Guk (Pyongyang) na baliza; Ri Jun-Il (Sobaesku), Pak Nam-Chol (April 25), Ri Kwang-Chon (April 25), Pak Chol-Jin (Amrokgang) e Ji Yun-Nam (April 25) na defesa; Ahn Young-Hak (Ardija), Kim Yong-Jun (Pyongyang) e Mun In-Guk (April 25) no meio campo; Jong Tae-Se (Kawasaki Frontale) e Hong Yong-Jo (FC Rostov) no ataque.

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Integrada num agrupamento muito difícil com Portugal, Brasil e Costa do Marfim, não é credível que a Coreia do Norte consiga fazer um ponto sequer. Ainda assim, se os adversários os desprezarem, a enorme capacidade de luta norte-coreana aliada à sua defesa numerosa poderá fazer estragos.

Calendário – Grupo G (Mundial 2010)

  •  15 de Junho – Coreia do Norte vs Brasil
  •  21 de Junho – Coreia do Norte vs Portugal
  •  25 de Junho – Coreia do Norte vs Costa do Marfim

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Owairan festeja o seu golo magnífico

Estava quente, muito quente como aquelas tardes do deserto a que Owairan costumava estar habituado e o relógio marcava cinco minutos do encontro: Arábia Saudita-Bélgica a contar para o Mundial 94. Os europeus, já apurados, estavam mais tranquilos e ainda estudavam o adversário quando Saeed Al-Owairan decidiu iniciar a sua corrida imparável no seu próprio meio campo. Passou um belga, passou dois, passou três e o quarto, bem o quarto foi recuando e recuando na expectativa de lhe tirar a bola, mas também foi ultrapassado. Por fim, à saída de Preud’Homme, o saudita sabia que não podia falhar, atirou forte e não falhou. Owairan tornava-se, instantaneamente, no novo Maradona e todos lhe auguravam o grande futuro, porém, a história acabaria por ser-lhe cruel.

Nunca uma equipa do golfo pérsico havia ultrapassado a fase de grupos. Tanto o Kuwait (1982) como o Iraque (1986) e os Emirados Árabes Unidos (1990) haviam sido eliminados precocemente, sendo que apenas o Kuwait havia conseguido fazer um ponto.

Assim sendo, ninguém esperava muito dos sauditas que estavam integrados num grupo com Holanda, Bélgica e Marrocos, pedindo-se apenas dignidade na sua participação.

No primeiro encontro, a Arábia Saudita defrontou a Holanda e criou o primeiro impacto no campeonato do mundo dos Estados Unidos. Após abrir o activo por Amin (19′), os sauditas chegaram ao intervalo a vencer e, mesmo depois de consentirem o empate (Jonk, 50′), foram aguentando a igualdade até ao minuto 86, quando Taument fez o 1-2 final.

Este resultado era um aviso que esta Arábia Saudita era diferente das outras equipas do golfo pérsico. Tratava-se de uma equipa com maior disciplina táctica e, acima de tudo, mais talentosa.

No segundo jogo, os sauditas defrontaram os marroquinos. Como ambas as equipas haviam perdido a primeira partida, era uma espécie de final em que quem vencesse continuava a lutar pelo apuramento e quem perdesse começaria a fazer as malas. Tratou-se de um desafio intenso, mas os Falcões Verdes venceram por 2-1 e, assim, iriam defrontar os belgas com possibilidades reais de chegarem aos oitavos de final.

Nessa partida, os sauditas precisavam de apenas um empate para se apurarem para os oitavos e esse era o mesmo resultado que os europeus necessitavam para garantirem o primeiro lugar no grupo.

Aos cinco minutos, surgiu o momento mágico de Owairan que passou por quatro jogadores belgas e fez o golo inaugural da partida. Os sauditas rejubilaram, mas ao mesmo tempo pensaram que ainda faltavam muitos minutos para o final da partida, temendo que os belgas dessem, facilmente, a volta ao resultado.

No entanto, os sauditas foram heroicos e, inclusivamente, seguraram o triunfo, conquistando o segundo lugar no grupo e consequente apuramento para a 2ª Fase.

Não passaram dos oitavos de final (perderam com a Suécia, 1-3), mas o seu lugar na história estava garantido. Haviam sido a primeira equipa do golfo pérsico a atingir a 2ª Fase do campeonato do mundo. Além disso, Saeed Al-Owairan, graças ao golo “à Maradona”, havia garantido a atenção do mundo do futebol, falando-se, inclusivamente, de uma transferência para um grande clube europeu.

No entanto, existia uma lei na Arábia Saudita que impedia os jogadores locais de actuarem no estrangeiro e, como tal, Owairan via-se privado do sonho de jogar num clube europeu. Ainda assim, o azar do saudita não ficou por aqui.

No ano seguinte, o internacional da Arábia Saudita cometeu adultério, crime grave naquele país. Por isso, esteve um ano preso e levou 60 chicotadas na praça pública.

Depois de cumprir a pena, o “Maradona das Arábias” voltou a jogar futebol e, até, esteve presente no Mundial 1998, todavia, nunca mais foi o mesmo. Aquele grande golo, mais do que o ter catapultado para um plano superior do futebol mundial, acabou por diluir-se na história do futebol e, para Owairan, acabou por ser o início do declínio da sua carreira como jogador de futebol.

Uma crueldade que se agrava quando revemos esse grande golo apontado pelo internacional saudita.

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Apesar de já não serem aquele grupo de bons rapazes que, em 1954, fez duas partidas, marcou zero golos e sofreu dezasseis, continuam a ter um percurso modesto nos campeonatos do mundo de futebol. A equipa sul-coreana participou em sete mundiais e, em seis deles, não passou da primeira fase. No único em que o conseguiu fazer (Coreia/Japão 2002), atingiu o quarto lugar, todavia, fê-lo após arbitragens muito duvidosas diante de Itália e Espanha. Ainda assim, a equipa asiática tem demonstrado algum crescimento e, no último mundial, apesar da eliminação precoce, conseguiu empatar com a França e vencer o Togo. Assim sendo, integrada num grupo onde Grécia e Nigéria lhe dão algumas esperanças de qualificação, cabe à Coreia do Sul mostrar que continua a evoluir ou, ao invés, que ainda não tem estofo para defrontar as melhores selecções do futebol mundial.

A Qualificação

Apesar da zona asiática de qualificação não ser a mais competitiva, temos de destacar o imaculado percurso dos sul-coreanos que, em duas fases de qualificação, não perderam qualquer jogo.

Na 3ª fase, defrontaram Coreia do Norte, Jordânia e Turquemenistão, vencendo três partidas e empatando outras três. Os sul-coreanos ficaram, assim, em primeiro lugar do grupo com os mesmos pontos do segundo: Coreia do Norte.

Apurados para a 4ª e última fase, encontraram nesse agrupamento: Coreia do Norte (de novo), Arábia Saudita, Irão e Emirados Árabes Unidos. Aqui, os sul-coreanos mostraram-se ainda mais impressionantes, pois ganharam o grupo com uma vantagem de quatro pontos sobre o segundo, novamente a Coreia do Norte. No seu percurso, que não teve nenhuma derrota, temos de destacar a vitória na Arábia Saudita (2-0) e os empates nos sempre difíceis campos do Irão (1-1) e Coreia do Norte (1-1).

Assim sendo, os sul-coreanos, com relativa facilidade, garantiram o acesso ao campeonato do mundo de futebol.

3ª Fase: Grupo 3 – Classificação

  1. Coreia do Sul 12 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Jordânia 7 pts
  4. Turquemenistão 1 pt

4ª Fase: Grupo B – Classificação

  1. Coreia do Sul 16 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Arábia Saudita 12 pts
  4. Irão 11 pts
  5. Emirados Árabes Unidos 1 pt

O que vale a selecção sul-coreana?

A equipa asiática actua em 4-4-2, num esquema muito ofensivo em que os laterais sobem muito no terreno. Esta ideologia atacante sempre foi a génese do futebol sul-coreano, mas acentuou-se na estadia do seleccionador Guus Hiddink.

Na defesa, os centrais são competentes, mas são o ponto mais frágil de um sector que conta com um guarda-redes muito experiente (Lee Woon-Jae) e dois laterais muito ofensivos e de grande qualidade: Lee Young-Pyo, um jogador que passou grande parte da carreira na Europa e Cha Du-Ri, lateral direito do Friburgo.

Depois, no meio campo, os sul-coreanos jogam com dois médios centro: Kim Nam-Il (um trinco puro) e Kim Jung-Woo (um box to box) e dois alas: Park Ji-Sung (A grande estrela da equipa), que joga à esquerda e Lee Chung-Yong, que actua no flanco oposto. Neste sector, os alas voltam a ser os melhores elementos, pois têm enorme inteligência táctica e, quando os laterais sobem no terreno, são exímios a flectirem para o meio de forma a criarem desequilíbrios.

Por fim, no ataque, actua um ponta de lança mais fixo: Lee Dong-Gook e um avançado centro muito inteligente, rápido e móvel: Park Chu-Young. O primeiro não é um fora de série, mas, devido às características do avançado móvel, acaba por encaixar muito bem no esquema sul-coreano.

Globalmente, se pensarmos em valores individuais, esta equipa está ao nível da Nigéria e da Grécia. Todavia, com uma dupla de centrais mediana, o seu futebol extremamente ofensivo poderá criar-lhe problemas. Principalmente contra a calculista selecção helénica, pois a Argentina, essa, está num patamar acima.

Assim sendo, se souber optar, em certas ocasiões, por um futebol mais realista e abdicar da essência atacante do seu futebol poderá, até, ficar em segundo lugar. Caso contrário, o realismo grego ou o poder físico nigeriano poderá obrigá-los a fazerem mais cedo as malas.

O Onze Base

A Coreia do Sul deverá jogar com o veteraníssimo Lee Woon-Jae (Suwon) na baliza; um quarteto defensivo com Lee Young-Pyo (Al Hilal), à esquerda, Cha Du-Ri (Friburgo), à direita, e a dupla de centrais: Cho Yong-Hung (Jeju United) e Lee Jung-Soo (Kashima Antlers); depois, no meio campo, jogará Park Ji-Sung (Manchester United), à esquerda, Lee Chung-Yong (Bolton), à direita, e, no miolo, a dupla: Kim Nam-Il (Tomsk) e Kim Jung-Woo (Gwangjiu); por fim, o ataque será entregue à dupla: Lee Dong-Gook (Chombuk) e Park Chu-Young (Mónaco)

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Em condições normais é o principal candidato ao último lugar do Grupo B. Contudo, se conseguir incutir algum realismo ao seu futebol, poderá complicar a vida a gregos e nigerianos, pois, tecnicamente, os sul-coreanos têm uma equipa de grande qualidade. Veremos se o seleccionador Huh Jung-Moo consegue trabalhar esta nuance táctica e, assim, surpreender os seus adversários directos.

 Calendário – Grupo B (Mundial 2010)

  •  12 de Junho – Coreia do Sul vs Grécia
  •  17 de Junho – Coreia do Sul vs Argentina
  •  23 de Junho – Coreia do Sul vs Nigéria

 

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A elasticidade de Al-Deayea

No verão de 2001 poderia ter acontecido algo que mudaria a vida de Mohamed Al-Deayea para sempre. O Manchester United, após a saída de Peter Schmeichel, havia estado dois anos a exprimentar guarda-redes, sempre sem o sucesso que desejava e, nesse momento, interessou-se pelo saudita. Na altura, com 29 anos, seria a altura ideal para dar o salto para a Europa e tornar-se um guarda-redes lendário. Todavia, a federação inglesa não emitiu a permissão de trabalho e Al-Deayea teve de permanecer na Liga Saudita, ficando impedido de mostrar as suas enormes qualidades a mais pessoas e de se tornar uma lenda como merecia…

Criado nas escolas do Al-Ta’ee, esteve no modesto clube saudita durante os primeiros oito anos da carreira (91-99), sendo totalista em cada uma das oito temporadas.

No entanto, o saudita que era titular da selecção e havia jogado nos mundiais de 94 (onde ajudou a levar a Arábia Saudita aos oitavos de final) e 98, pretendia um clube que lhe permitisse lutar por títulos e, assim, em 1999, assinou pelo gigante saudita: Al-Hilal.

Desde que está no clube, já jogou 11 épocas e, como é seu apanágio, foi sempre titular absoluto, mostrando segurança, reflexos fantásticos, boa ocupação da baliza e excelentes saídas aos cruzamentos.

Al-Deayea, no Al-Hilal, teve também os títulos que merecia e procurava, conquistando 4 campeonatos sauditas, 7 Taças do Príncipe, 3 Taças sauditas, 1 Taça dos Campeões Asiáticos, 1 Taça das Taças da Ásia e 1 Supertaça asiática.

Continua, neste momento, com 37 anos, a jogar no Al-Hilal com o mesmo talento e alegria, lamentando, provavelmente, não ter assinado pelo Manchester United e jogado na Europa. Estou certo que este saudita poderia ter evoluído ainda mais se tivesse ido para o futebol inglês, mas, ainda assim, 177 internacionalizações, a presença em quatro mundiais e a sua enorme qualidade como guarda-redes, permitem que Al-Deayea tenha, para sempre, um espaço na história do futebol…

Deixo um vídeo para recordarem a sua enorme qualidade.

 

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