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Posts Tagged ‘Bayern’

Quando pensamos no futebol bávaro e, mais concretamente, em clubes de Munique, o conjunto que vem imediatamente à cabeça é o colosso Bayern, clube onde passaram estrelas como Beckenbauer, Gerd Müller ou Klinsmann e que ganhou inúmeros títulos germânicos e internacionais. Todavia, o primeiro clube de Munique a disputar o principal campeonato alemão foi outro, um conjunto agora modesto, mas que fez parte da génese do futebol alemão, o 1860 Munique. Apesar de só ter conquistado um campeonato alemão em contraponto com os 22 conquistados pelo Bayern, o 1860 Munique pode sempre se orgulhar de o ter feito  antes do primeiro título do clube de Beckenbauer e esse crédito, diga-se, nunca ninguém nunca lhe pode tirar.

Fundado em 1860, chegou à Bundesliga em 1964 e conquistou-a em 1965/66

O 1860 Munique, como o nome indica, foi fundado em 1860 e criou o seu departamento de futebol em 1899. Até à década de 60 do século XX, o futebol germânico não tinha qualquer campeonato nacional, sendo as equipas integradas em ligas regionais e apenas disputando uma Taça nacional. Nessa fase, o 1860 Munique destacou-se por ter conquistado o campeonato bávaro em 1941 e 1943 e a Taça da Alemanha em 1942.

Em 1963/64, criou-se a Bundesliga e o 1860 Munique garantiu a entrada nessa nova competição ao vencer o campeonato regional do sul da Alemanha no ano anterior. Nessa mesma época em que se estreou no principal campeonato, o 1860 Munique voltou a conquistar a Taça da Alemanha, somando, dessa forma, a segunda da sua história.

Para termos uma noção da importância que foi essa entrada rápida na Bundesliga, devemos dizer que o Bayern, por exemplo, só conseguiu entrar no principal campeonato alemão em 1965/66, ou seja, duas temporadas depois do seu vizinho de Munique. Esse ano de estreia do Bayern foi, também, o ano mais importante da história do 1860 Munique, pois foi a temporada em que o clube conquistou o seu único título da Bundesliga.

Disputou final europeia em 1964/65

Em 1964/65, no rescaldo de ter conquistado a Taça da Alemanha na temporada anterior, o 1860 Munique disputou a Taça das Taças, efectuando campanha de luxo que só pararia na final.

De facto, depois de eliminar o Union Luxemburgo, o FC Porto, o Légia Varsóvia e o Torino, o clube bávaro chegou à final, onde defrontou o poderoso clube inglês do West Ham.

No duelo decisivo, o clube londrino foi mais feliz e superou o 1860 Munique por 2-0. Todavia, esta é, até hoje, a melhor campanha europeia de sempre do 1860 Munique.

Declínio começou nos anos 70

Depois do excelente inicio da década de 60, o 1860 Munique começou a perder gás no contexto futebolístico alemão, acabando por descer de divisão no final da época 1969/70.

A partir daqui, o clube entrou numa era de sete anos no segundo escalão, passando depois por uma fase de clube “io-io.” Ou seja, andava entre o primeiro e segundo escalão sem se cimentar em nenhuma das provas.

Em 1982, o clube bávaro haveria de conhecer um dos momentos mais tristes da sua história, ao ver-se relegado ao terceiro escalão, situação que surgiu em virtude de uma grave crise financeira.

Regresso ao primeiro escalão surgiu em 1994

Em 1993/94, o clube de Munique terminou a 2ª Bundesliga em terceiro lugar e conseguiu regressar finalmente ao primeiro escalão do futebol alemão. Desta feita, o clube bávaro permaneceu dez temporadas na Bundesliga, destacando-se o quarto lugar averbado em 1999/2000 e que permitiu que o 1860 Munique disputasse as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões na temporada seguinte.

Em 2003/04, porém, o clube bávaro haveria de descer novamente ao segundo escalão, mantendo-se o 1860 Munique na 2ª Bundesliga até aos dias de hoje.

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o duelo Ronaldo vs Messi começa a ser nefasto para o futebol português.

Final do Barcelona-Real Madrid. Portugueses saltam para as redes sociais e ruas para festejar (ou reclamar) do resultado do jogo mais importante do futebol espanhol. “Tudo tem a ver com Portugal”, pensei. Afinal, de um lado estavam os fãs de Cristiano Ronaldo, José Mourinho e da legião portuguesa dos merengues, enquanto do outro estão os que não gostam do perfil algo arrogante do treinador português e do melhor jogador português da actualidade. Apesar de achar que a mente lusitana deveria estar mais preocupada com o final do campeonato português e com os jogos dos nossos clubes, dei o desconto… Até ontem.

Ontem era dia de Barcelona-Chelsea, jogo importantíssimo, imperdível. De um lado, um barça que jogava muito da sua época após ficar praticamente arredado da possibilidade de conquistar a liga espanhola, enquanto do outro, o Chelsea, tinha a hipótese de chegar à segunda final da “Champions” da sua história, numa temporada em que, valha a verdade, as coisas não tem lhe saído como era desejável.

Apurou-se o Chelsea com muito sofrimento à mistura, mas o que mais confusão me fez foi o final da partida. Mesmo com Raúl Meireles e Bosingwa na equipa londrina, a felicidade de alguns pelo Chelsea ter superado os catalães não era por estarem a torcer pelos portugueses da equipa londrina, mas, ao invés, por poderem se congratular com um desaire dos “culés.” “Adeptos do Real Madrid”, pensei imediatamente. Do outro lado da barricada, as virgens ofendidas, que empunhavam a espada do “tiki-taka” e de como a vitória “blue” podia significar algo de muito perigoso para o futebol moderno… “Adeptos do Barcelona”, pensei, preocupado…

E estou verdadeiramente preocupado. Preocupado por aquilo que pode ser um futuro muito sombrio para um crescente futebol português que, lembre-se, está no quinto lugar do ranking UEFA de clubes, não falha uma competição internacional de selecções desde 1998 e tem dos melhores jogadores e treinadores do Mundo.

Transtornado porque os portugueses começam a preocupar-se mais com o Real Madrid e o Barcelona do que com o Benfica, FC Porto e Sporting. Porque alguns já preferem ver os duelos internacionais que a nossa liga e, pior, porque já ficam mais felizes ou tristes quando os catalães ou merengues vencem ou perdem do que se fosse com o clube deles…

Este paradigma poderá fazer com que as crianças de hoje cresçam a preocupar-se mais com a “La Liga” ou outro campeonato internacional, que cheguem a adolescência a ver o Barcelona e o Real Madrid e que quando lhes perguntem o seu clube, não saia um natural clube nacional, mas, ao invés, um “Hala Madrid” ou um “Visca el Barça.”

Este fenómeno, natural em países nórdicos, pois estes, com um historicamente fraco campeonato nacional, sempre olharam com atenção redobrada para o campeonato inglês, começa a enraizar-se perigosamente em Portugal, bastando para isso que se olhe para os “facebooks” deste país que insiste na auto-flagelação, mesmo em aspectos em que somos bons, como é claramente o futebol. Se esta ideia prevalecer, o futuro, são estádios cada vez mais vazios, clubes com cada vez menos dinheiro e uma espiral de auto-destruição que pode voltar a devolver o futebol português aos primórdios da sua história, que é como quem diz os 9-1 da Áustria e os 9-0 da Espanha.

No meio disto tudo, o Sporting, amanhã, joga um dos jogos mais importantes da sua vida, podendo alcançar a terceira final europeia da sua história. Contudo, por mais triste que este pensamento seja, temo que os portugueses continuem demasiado preocupados em discutir a eliminação do Barcelona e o resultado do Real Madrid-Bayern de hoje…

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Malafeev segurou o nulo no FC Porto-Zenit

O FC Porto não conseguiu superar o Zenit de São Petersburgo em duelo da Liga dos Campeões e, dessa forma, ficou privado do apuramento para os oitavos de final da prova milionária, situação que para além do prestígio desportivo, também priva os dragões de conquistarem três milhões de euros. Todavia, tanto no plano desportivo como financeiro, será que se tratou de uma eliminação assim tão prejudicial?

Primeiro pensemos pelo plano desportivo. O FC Porto tem uma excelente equipa e, de facto, apenas Falcao está ausente da grande equipa que se exibiu por essa Europa fora na temporada transacta. Todavia, a saída do avançado colombiano não foi minimamente compensada pelos responsáveis azuis-e-brancos, que teriam ficado bem mais servidos com uma solução como a do Sporting (van Wolfswinkel), um atacante móvel, lutador, com sentido de baliza e capacidade de luta, do que com Kléber, que apesar do talento inegável, está a ter muitas dificuldades na transição psicológica de um clube médio para um clube de top.

Para além disso, Vítor Pereira também está a revelar-se um erro de casting, pois revela-se incapaz de motivar a equipa e impotente para oferecer ao FC Porto aquilo que de melhor os portistas ofereceram em 2010/11, uma excelente dinâmica posicional, que fazia com que todos os elementos soubessem o que fazerem dentro de campo. Ontem, diante do conjunto russo, o FC Porto até nem jogou propriamente mal, mas sentia-se que muitos elementos se escondiam do jogo, receosos, algo estranho e pouco habitual no clube azul-e-branco.

Nesse seguimento, partindo do princípio que Pinto da Costa não vai abdicar facilmente de Vítor Pereira e que, financeiramente, será difícil encontrar um avançado que faça a diferença neste mercado de Janeiro, dificilmente um apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões garantiria um percurso muito longo, pois mesmo sendo primeiro do grupo (Curiosamente a derrota do Apoel Nicósia diante do Shakhtar garantia isso ao FC Porto), teria sempre a possibilidade de encontrar equipas complicadas como o Milan, Manchester United (se o Benfica vencer e não houver surpresa na Suíça), Nápoles/Manchester City, etc. E mesmo que tivesse fortuna no sorteio e passasse aos quartos de final, esse seria garantidamente o último degrau para os azuis-e-brancos, pois, aí, só um milagre os faria resistir a um Barcelona, Real Madrid, Bayern ou Chelsea.

Assim sendo, uma passagem para a Liga Europa é muito mais interessante do ponto de vista de crescimento da equipa, pois o FC Porto terá a possibilidade de defrontar equipas exigentes, mas que estão ao seu alcance, podendo, nessa competição, ambicionar perfeitamente o que fez em 2010/11, ou seja, vencer o ceptro.

Por outro lado, em termos financeiros, o desastre também pode não ser assim tão notório, porque vejamos: na Liga dos Campeões, se os portistas passassem aos oitavos de final, recebiam mais 3 milhões de euros, enquanto que se fossem eliminados nos quartos de final, receberiam mais 3,3 milhões de euros, ou seja, um total de 6,3 milhões de euros.

Na Liga Europa, caso o FC Porto chegue às meias-finais, a equipa portista receberá 1,6 milhões de euros, valor que passa para 3,6 milhões caso seja finalista e 4,6 milhões caso vença a Liga Europa. A isso, terá sempre que juntar as receitas de bilheteira e lembre-se que, caso chegue às meias-finais, fará sempre quatro jogos em casa, ao contrário de um jogo caso fosse eliminado nos oitavos de final da “Champions” e dois no caso de ser eliminado nos quartos de final dessa mesma prova.

Depois, há ainda as questões do ranking português na UEFA. A eliminação do FC Porto priva-o imediatamente de cinco pontos bónus, mas, continuando na Liga dos Campeões, dificilmente faria muito mais que isso, ao contrário da Liga Europa. Para terem uma ideia, em 2008/09 o FC Porto chegou aos quartos de final da “Champions League” e somou 17, 3570 pontos. O ano passado, na Liga Europa, somou 31, 7600, ou seja, quase o dobro.

Como tal, só no final da temporada poderemos perceber se este 0-0 diante do Zenit foi negativo ou uma benesse para os portistas que, caso as coisas corram bem na segunda prova mais importante do futebol europeu, ainda podem agradecer a todos os santinhos as grandes intervenções de Malafeev no Estádio do Dragão.

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Depois de uma década de 60 em que o Górnik Zabrze conquistou seis campeonatos polacos e três Taças da Polónia, a consagração internacional surgiu com a fantástica campanha do clube de Zabrze na Taça das Taças (69/70), onde eliminou Olympiakos, Glasgow Rangers, Levski Sófia e AS Roma no caminho para a final diante do Manchester City. Nessa final, a equipa britânica foi mais forte e venceu por duas bolas a uma, todavia, o Górnik Zabrze, pelo magnífico percurso que fez nessa prova europeia, garantiu um lugar muito especial na história do futebol.

Esperou apenas nove anos pelo primeiro grande título

O Górnik Zabrze foi fundado em 1948, apenas três anos após a fronteira polaca ter avançado para oeste no culminar da Segunda Guerra Mundial. Apenas sete anos depois, a equipa havia de conseguir a promoção à primeira divisão, vencendo, no jogo de estreia, o Ruch Chorzów por 3-1.

Em 1957, o clube polaco haveria de conquistar o primeiro campeonato polaco, apoiado na classe da sua grande estrela: Ernst Pohl, repetindo a proeza em 1959 e 1961.

Anos de ouro garantiram pentacampeonato e presença em final europeia

Entre 1963 e 1967, o clube polaco conquistou o pentacampeonato, somando, nessa década de sessenta, seis campeonatos polacos e três Taças da Polónia.

No final da década, em 1969/70, o clube haveria de ter a melhor presença numa prova europeia da sua história, superando Olympiakos (2-2 e 5-0), Glasgow Rangers (3-1 e 3-1), Levski Sófia (2-3 e 2-1) e AS Roma (1-1 e 2-2) para chegar à final da Taça das Taças diante dos ingleses do Manchester City.

Nessa final, o City entrou mais forte e rapidamente vencia por 2-0, sendo que o golo de Oślizło, a meio da etapa complementar, apenas atenuou o desaire e não impediu que a taça viajasse até Inglaterra.

Nos dois anos seguintes, o Górnik Zabrze haveria de conquistar a dobradinha, todavia, essas duas épocas de sucesso acabariam por ser o canto do cisne dos anos dourados do clube polaco.

Sucesso só voltou no final dos anos 80

Entre 1973 e 1984, o clube de Zabrze não haveria de conquistar qualquer título, parecendo estar a cair no esquecimento. Todavia, na segunda metade da década de 80, a equipa polaca voltou a encontrar o caminho do sucesso, conquistando o tetracampeonato (85, 86, 87 e 88) e defrontando grandes equipas europeias como o Anderlecht, Bayern, Real Madrid e Juventus, ainda que tenha sido eliminado por todos esses colossos.

Após esses momentos de glória, a equipa polaca voltou a entrar numa fase de seca de títulos, tendo, inclusivamente, descido à segunda divisão no final da temporada 2008/09. Ainda assim, a triste travessia no segundo escalão apenas durou uma época e, esta temporada, o Górnik Zabrze já se encontra na Ekstraklasa, surgindo, actualmente, na sétima posição.

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Portugal acabou por fazer um campeonato do mundo mediano, limitando-se a cumprir com aquilo que poderíamos considerar, à partida, os serviços mínimos: alcançar os oitavos de final. Individualmente, muitos jogadores estiveram abaixo das suas capacidades, alguns acabaram por serem iguais a si próprios e outros, uma minoria, superaram todas as expectativas, acabando por fazer um excelente Mundial. Neste artigo, irei definir aqueles que, para mim, foram a surpresa, a revelação, a confirmação, a desilusão e o ausente da selecção das quinas no campeonato do mundo da África do Sul.

A surpresa – Eduardo (Guarda-Redes)

Depois da excelente prestação no campeonato do mundo, termos descoberto que o antigo guarda-redes do Sp. Braga assinou pelo modesto Génova, quando se chegou a falar da hipótese Bayern Munique, acabou por ser uma desilusão. Eduardo foi, no Mundial 2010, provavelmente o jogador mais importante da selecção nacional. Voz de comando de todo o sector defensivo, mostrou uma extraordinária elasticidade e enorme segurança entre os postes, tanto pelo chão como pelo ar. Apesar das poucas internacionalizações, Eduardo esteve sempre ao seu melhor nível, nunca se atemorizando na presença de jogadores tão credenciados como Drogba, Luís Fabiano ou David Villa, terminando o campeonato do mundo com apenas um golo sofrido. Na verdade, o ex-jogador do Sporting de Braga esteve ao nível dos melhores anos de Vítor Baía e esse é, provavelmente, o melhor elogio que lhe podemos fazer.

A revelação – Fábio Coentrão (Lateral-Esquerdo)

Chamar ao jogador do Benfica de lateral esquerdo acaba por ser uma minimização daquilo que Fábio Coentrão foi no campeonato do mundo da África do Sul. Bem trabalhado por Jorge Jesus ao longo de toda a época 2009/10, a jovem promessa apareceu no Mundial numa forma excelente e, surpreendentemente, sempre sem mostrar sob pressão, encarando os adversários de frente e, muitas vezes, servindo de exemplo de raça e querer para todos os seus companheiros. Ao longo dos desafios, Coentrão foi sempre competente a defender e, mais importante que isso, foi, quase sempre, o maior desiquilibrador que a equipa teve no flanco esquerdo. Foi uma enorme surpresa ver um jogador tão jovem fazer todo um corredor com aquela qualidade, confiança e competência, raramente tendo um deslize ou uma má opção. Depois de muitos anos a penar, os portugueses podem ficar descansados, descobriu-se um (grande) lateral esquerdo para a selecção.

A confirmação – Bruno Alves (Defesa-Central)

A qualidade do central do FC Porto esteve sempre acima de qualquer dúvida, mas temia-se pela sua agressividade excessiva que, por vezes, prejudica-lhe a ele e à sua equipa. No entanto, ao longo do campeonato do mundo, Bruno Alves foi sempre um exemplo de correcção, rigor, inteligência e segurança no sector defensivo português. Jogador habituado ao choque, foi quase sempre intransponível, provando ser o par ideal para o experiente Ricardo Carvalho, nunca perdendo a calma, nunca mostrando ser afectado pela pressão e dando sempre a ideia que, se Portugal qubrasse, nunca seria por culpa dele. Imperial tanto nas alturas como com a bola junto à relva e com uma técnica bastante boa para um defesa central de choque, Bruno Alves, aos 28 anos, merece, depois deste Mundial, um contracto com um grande clube da Europa.

A desilusão – Cristiano Ronaldo (Avançado)

Não podemos dizer que a prestação do jogador do Real Madrid foi horrivel, mas, para um jogador do seu calibre, esteve, por certo, bem abaixo daquilo que o madeirense sabe e pode fazer. Ao longo dos jogos de Portugal, Ronaldo foi utilizado tanto na ala como a ponta de lança e se nos flancos ainda deu um ar da sua graça, provou que, sozinho na frente de ataque, é peixe fora de água e pouco pode fazer para ajudar a selecção das quinas. Um golo, uma assistência, dois remates aos postes e algumas boas iniciativas acabam por ser um reflexo pálido daquilo que se esperava de Cristiano Ronaldo e acabam por provar que ainda está para chegar alguém à selecção que saiba tirar partido da plenitude do seu talento e enorme qualidade.

O ausente – Deco (Médio-Ofensivo)

Na despedida da selecção das quinas, esperava-se que o “Mágico” aparecesse ao seu melhor nível e fosse o farol das iniciativas atacantes da equipa portuguesa. Apesar de estar no ocaso da carreira, o luso-brasileiro continuava a ser um jogador com boa capacidade técnica e excelente timing de passe, o que aliado a uma frente de ataque com jogadores rápidos como Ronaldo ou Simão, podia fazer estragos nas defesas contrárias. Infelizmente, Deco apenas fez o jogo inaugural diante da Costa do Marfim, onde esteve bem abaixo do que costuma fazer, mostrando-se lento e sem ideias, um pouco como, aliás, esteve quase toda a equipa portuguesa. Após esse jogo, Deco teceu duras críticas a Queirós, queixando-se da posição em que foi colocado a jogar. Pouco depois, lesionou-se e desapareceu, sem deixar rasto, até ao final da participação portuguesa no campeonato do mundo.

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Vice-campeã do Mundo em 1974 e 1978, a Holanda costuma ter selecções de alto nível nos mundiais mas, por vezes, acaba por desiludir nas fases finais. Um exemplo foi o Itália 90, em que depois de ser campeã da Europa e tendo jogadores como Gullit, Rijkaard e Van Basten não venceu um único jogo. Ainda assim, os adeptos da Laranja Mecânica acreditam que desta vez, na África do Sul, será a vez da Holanda. Com uma equipa com jogadores como Robben, Sneijder, Van der Vaart e Van Persie, a turma holandesa tem condições de fazer um excelente mundial e, quiçá, alcançar uma posição entre as quatro melhores equipas do mundo. No entanto, para que não se repitam as desilusões do passado, há que pensar jogo a jogo e, como tal, primeiro há que eliminar Dinamarca, Japão e Camarões.

A Qualificação

O grupo não era particularmente difícil, mas a campanha holandesa no grupo 9 da zona europeia de qualificação foi impressionante. A Laranja Mecânica, que defrontou Noruega, Escócia, Macedónia e Islândia, venceu todos os jogos, marcou 17 golos e sofreu apenas dois.

Apesar da relativa facilidade do agrupamento, vencer na Noruega (1-0) ou na Escócia (1-0) nunca é fácil e só prova o enorme poderio da equipa holandesa, que terminou o Grupo 9 com uma vantagem de catorze pontos sobre a Noruega (2º).

Assim sendo, foi sem dar hipóteses aos seus adversários que a Holanda se qualificou para o Mundial 2010.

Grupo 9 – Classificação

  1. Holanda 24 pts
  2. Noruega 10 pts
  3. Escócia 10 pts
  4. Macedónia 7 pts
  5. Islândia 5 pts

O que vale a selecção holandesa?

A equipa holandesa é, do meio campo para frente, provavelmente das melhores selecções presentes no campeonato do mundo, mas, por outro lado, a defesa, sem ser má, é apenas mediana, com alguns veteranos já em fase descendente da carreira (Van Bronckhorst e Ooijer) e outros com pouca experiência internacional (Van der Wiel).

O seleccionador Van Marwijk deverá jogar com o guarda-redes: Stekelenburg, que não sendo espectacular, também não compromete e um quarteto defensivo com Van Bronckhorst à esquerda, Van der Wiel à direita e a dupla de centrais: Ooijer-Mathijsen. O lateral direito é muito ofensivo e, assim, a presença do experiente Van Bronckhort, na esquerda, é muito importante para equilibrar o esquema da selecção holandesa. Depois, a dupla de centrais, composta por dois trintões, ganha em experiência e em posicionamento táctico, mas, principalmente no caso de Ooijer, poderá ter alguns problemas com avançados velozes e fortes no um contra um.

Por outro lado, o meio campo é um sonho para qualquer amante de futebol. O experiente Van Bommel deverá ser o trinco e a seu lado jogará Van der Vaart como médio centro, ou seja, com maior liberdade ofensiva e com capacidade para fazer a ligação com o nº10, o fantástico jogador do Inter, Wesley Sneijder. Depois, nas alas, deverão aparecer Robben (à esquerda) e Van Persie (à direita). Dois alas que tanto procuram a linha como fazem diagonais para o centro para procurarem uma tabelinha ou um remate de longe.

Por fim, no ataque, deverá jogar sozinho o atacante do Liverpool: Kuyt. Curiosamente, este jogador costuma jogar como ala no clube inglês e, assim, mais que um ponta de lança fixo, vai ser um elemento muito móvel que trocará várias vezes de posição tanto com os alas como com o próprio Sneijder, confundindo as marcações e permitindo à Holanda fazer o seu tão famoso futebol total.

Em suma, e apesar da defesa holandesa não estar ao nível do meio campo e do ataque, é bem provável que, num grupo com a Dinamarca, Japão e Camarões, a Holanda termine facilmente no primeiro lugar.

O Onze Base

A Holanda deverá apresentar um esquema: 4-2-3-1 com Stekelenburg (Ajax) na baliza; Um quarteto defensivo com Van Bronckhorst (Feyenoord), Ooijer (PSV), Mathijsen (Hamburgo) e Van der Wiel (Ajax); Um meio campo com o duplo pivot: Van Bommel (Bayern)/Van der Vaart (Real Madrid), os alas: Robben (Bayern)/Van Persie (Arsenal) e o médio ofensivo: Sneijder (Inter); E, no ataque, jogará o muito móvel Dirk Kuyt (Liverpool).

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Tendo em conta que tem um conjunto superior a qualquer dos seus adversários, é provável que a Holanda vença sem dificuldade o Grupo E do Mundial 2010. Ainda assim, a Laranja Mecânica deve encarar os seus oponentes com respeito e dar tudo de si, pois, grandes selecções holandesas fracassaram no passado com equipas tão boas ou melhores que esta.

Calendário – Grupo E (Mundial 2010)

  • 14 de Junho: Holanda vs Dinamarca
  • 19 de Junho: Holanda vs Japão
  • 24 de Junho: Holanda vs Camarões

 

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“O futebol são onze contra onze e, no final, ganham os alemães…” foi assim que um dia, Gary Lineker, fantástico atacante inglês, resumiu a essência do desporto rei. O avançado pretendia dar ênfase à frieza germânica que, no momento chave, raramente dava hipóteses aos adversários. Tricampeã mundial (1954, 74 e 90) ainda antes da reunificação alemã, a “mannschaft” não tem, neste momento, as estrelas de outrora e a situação agravou-se com a lesão do motor do meio campo: Ballack. Ainda assim, a Alemanha nunca é uma selecção para encarar de ânimo leve. Afinal, foram vice-campeões da Europa em 2008 e terceiros classificados no Mundial 2006. Números muito positivos para uma selecção sem estrelas, mas sempre com um colectivo forte, frio e, acima de tudo, letal.

A Qualificação

Integrada no Grupo 4 da zona europeia com Rússia, Finlândia, País de Gales, Azerbaijão e Liechtenstein, a Alemanha não teve dificuldades em apurar-se, terminando o agrupamento em primeiro lugar e sem perder (oito vitórias e dois empates).

Curiosamente, apesar de excelentes resultados como as vitórias em Gales (2-0) e os dois triunfos diante dos russos (2-1 e 1-0), a equipa germânica foi incapaz de vencer a Finlândia, empatando fora (3-3) e em casa (1-1).

Ainda assim, foi um apuramento fácil e que mostrou todo o poderio de uma equipa que, mesmo desprovida de grandes estrelas, é sempre para respeitar e ter em conta.

Grupo 4 – Classificação

  1. Alemanha 26 pts
  2. Rússia 22 pts
  3. Finlândia 18 pts
  4. País de Gales 12 pts
  5. Azerbaijão 5 pts
  6. Liechtenstein 2 pts

 O que vale a selecção germânica?

A equipa alemã vale, essencialmente, pelo seu todo. É uma equipa muito forte em termos físicos e tácticos, que demonstra grande frieza e raramente falha na hora H.

Curiosamente, a defesa, que costuma ser sempre um poço de experiência, deverá apresentar alguns elementos de futuro, que irão dar à “mannschaft” frescura e capacidade ofensiva sem lhe tirar a sua habitual segurança. Wiese, um guarda-redes experiente, mas ainda jovem (28 anos) deverá ser o titular da baliza, o jovem lateral do Hoffenheim: Beck, deverá ser o dono do lado direito da defesa, Lahm (26 anos) é indiscutível no flanco esquerdo e Mertesacker (25 anos) titularíssimo no centro defensivo. Assim sendo, o único atleta experiente deverá ser o companheiro de Mertesacker no centro da defesa: Friedrich (31 anos). Todavia, não será totalmente descabida a hipótese do central do Hertha ser preterido pela jovem promessa do Bayern: Badstuber.

Se a defesa alemã é muito jovem, o meio campo é outra prova do claro rejuvenescimento do futebol germânico. Privado de Ballack, o meio campo deverá funcionar em losango, com Khedira (23 anos) como vértice mais defensivo, Trochowski (26 anos) como ala esquerdo, Schweinsteiger (25 anos) como ala direito e Özil (21 anos) como nº 10. Um sector que perde em experiência e capacidade defensiva, mas ganha em criatividade e capacidade ofensiva. Ainda assim, a ausência de Ballack foi um rude golpe e transformou este sector no mais frágil da selecção alemã.

Por fim, o ataque, deverá ser entregue a Podolski (avançado mais móvel) e Mário Gomez (ponta de lança mais fixo). São dois atletas que combinam muito bem e que vão garantir grande poder de fogo à Alemanha. No entanto, a “mannschaft” não se fica por aqui em termos ofensivos e a prova de que este é o sector mais forte da equipa é o facto de atletas como Cacau, Klose e Kiessling estarem no banco.

Integrada no Grupo D, com Gana, Sérvia e Austrália, a Alemanha é claramente a selecção mais forte do grupo e deverá prová-lo em campo com maior ou menor dificuldade.

O Onze Base

A Alemanha deverá apresentar um 4-4-2 losango com Wiese (Werder Bremen) na baliza; Um quarteto defensivo com Lahm (Bayern), Mertesacker (Werder Bremen), Friedrich (Hertha) e Beck (Hoffenheim); Depois, o trinco deverá ser Khedira (Leverkusen), o interior esquerdo: Trochowski (Hamburgo), o interior direito: Schweinsteiger (Bayern) e o nº 10: Özil (Werder Bremen); Por fim, na frente, deverão jogar o atacante móvel: Podolski (Colónia) e o ponta de lança fixo: Mario Gomez (Bayern).

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

A Alemanha é superior a qualquer dos seus adversários do Grupo D e, como tal, é pouco provável que Sérvia, Gana ou Austrália, lhe causem problemas de maior na primeira fase. Ainda assim, a equipa germânica, pela falta de experiência, deverá ter dificuldades a partir da fase a eliminar.

Calendário – Grupo D (Mundial 2010)

  • 13 de Junho: Alemanha vs Austrália
  • 18 de Junho: Alemanha vs Sérvia
  • 23 de Junho: Alemanha vs Gana 

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