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Posts Tagged ‘Bobby Robson’


Hulk é muitas vezes imparável

Hoje li que Hulk estava a ser ponderado como possibilidade para ser convocado para o particular do Brasil diante da Argentina e, até aqui, tudo estava bem. Afinal, o avançado do FC Porto conta, esta temporada, com 13 golos em 13 jogos, gerando uma média de um golo por jogo. No entanto, depois li o porquê da convocatória e fiquei estupefacto. Citando Mano Menezes: “Tem uma característica diferente dos nossos outros atacantes: força física. Não tem o talento que tem o Coutinho, o Neymar ou até o Nilmar, mas destaca-se na força. Quando pensarmos em alguém assim, ele estará lá…”

Portanto, o seleccionador brasileiro refere-se a Hulk como um poço de força e pouco mais, ponderando apenas a sua convocatória com uma possibilidade de muscular o ataque canarinho perante certo tipo de adversários que o exigem. Ora, esta ideia transparecida por Mano Menezes leva-me a pensar que, ou o seleccionador brasileiro viu apenas um ou dois jogos de Hulk e limita-se a falar quase de cor sobre o avançado portista (apesar de ser grave, trata-se apenas de desleixo) ou, ao invés, viu bastantes jogos do avançado e, simplesmente entende que Hulk não é mais que um jogador forte e poderoso ao estilo do Júlio Baptista (neste caso revela uma incapacidade extrema na análise de um atleta e já é do capítulo da incompetência).

Neste momento, Hulk, é, possivelmente, o jogador brasileiro em crescimento com maior capacidade de atingir o topo e já começou a limar alguns aspectos em que, no passado, pecava como eram a excessiva impetuosidade na abordagem de alguns lances e o mau timing na decisão de passe, drible ou remate. Agora, o internacional canarinho começou a tornar-se um amigo do colectivo portista.

Os golos que tem feito ultimamente, com destaque para o segundo diante do Besiktas e o chapéu ao leiriense Gottardi, demonstram todo o talento de um jogador que tem velocidade, explosão, força, técnica, inteligência e drible, num misto quase impossível de obter num só atleta e que o começa a aproximar dos tempos do Ronaldo (Fenómeno) no Barcelona de Bobby Robson.

Obviamente que o caminho a trilhar por Hulk para chegar ao patamar que atingiu o actual atacante do “Timão” ainda é longo e passível de nunca ser alcançado, porém, neste momento, o atacante do FC Porto está bastante longe (para muito melhor) da ideia do avançado forte que Mano Menezes quis vender.

Hulk é neste momento um talento que vale o bilhete, um jogador que colocou a fanática torcida de um dos maiores clubes de Istambul a bater-lhe palmas em sinal de admiração, um avançado que, por certo, continuará a seguir o seu caminho rumo a ser um dos melhores jogadores do actual contexto futebolístico e, contra isso, não haverão maus juízos de Mano Menezes ou inexplicáveis ausências na convocatória brasileira para o impedir.

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Eriksson ajudou a criar o fantasma de Baía

A 30 de Abril de 1996, FC Porto e Sporting disputam a finalíssima da Supertaça Cândido de Oliveira no Parque dos Príncipes em Paris. Ambas as equipas colocam toda a carne no assador. o Sporting de Octávio Machado apresentava Amunike, Sá Pinto, Pedro Barbosa e Naybet, enquanto o FC Porto de Robson, por sua vez, apresentava Aloísio, Edmilson, Drulovic e Domingos. O encontro tinha tudo para ser equilibrado, mas, para sorte dos leões, o desiquilíbrio começou na baliza portista, onde os portistas, órfãos de Vítor Baía, tinham um sueco, que até era internacional A e segunda opção da selecção atrás de Ravelli: Lars Eriksson. Esse guarda-redes escandinavo, apesar das boas referências, nunca se encontrou nos dragões, tendo como momento mais “alto” ter entregue, de bandeja, à Supertaça aos verde e brancos. 

Lars Eriksson iniciou a sua carreira no Hammarby em 1986, onde se destacou e, até, chegou à selecção sueca. Essas boas exibições chamaram a atenção de clubes suecos de maior nomeada e, em 1989, o guarda-redes escandinavo assinou pelo IFK Norrköping. 

Nesse clube sueco viveu os melhores cinco anos da sua carreira, pois além de ter sido o dono da baliza do IFK Norrköping, participou em três grandes competições de selecções (Mundial 1990, Euro 1992 e Mundial 1994), ainda que sempre como suplente de Thomas Ravelli. 

No rescaldo do Mundial dos Estados Unidos, Eriksson saltou para o campeonato da Bélgica, jogando a época de 1994/95 no Charleroi. Apesar de se tratar de um clube bastante modesto, o guarda-redes sueco não se conseguiu impor e terminou a época com apenas nove jogos efectuados. 

Ainda assim, na época seguinte, o FC Porto, que havia transferido Vítor Baía para o Barcelona, pensou que Lars Eriksson podia ser um bom substituto e não hesitou em contratá-lo. O guarda-redes sueco foi apresentado como um internacional pelo seu país e um jogador de renome que iria fazer esquecer Baía. Puro engano. 

Três foram as temporadas do pobre Eriksson no FC Porto e, apesar de apenas ter feito nove jogos para o campeonato, representou perdas de pontos para os azuis e brancos, que só não foram mais graves pois os dragões, nessas temporadas, dominavam totalmente o futebol português. No entanto, aquela Supertaça em Paris, perdida diante do Sporting (0-3) teve grande quota de culpa do guarda-redes sueco, que está às aranhas no primeiro golo, é mal batido no segundo e faz um penalti desnecessário no lance que daria o terceiro tento. 

No final da época (1997/98) os portistas perceberam, enfim, que o guarda-redes escandinavo nunca poderia ser o substituto de Baía e recambiaram-no para a Suécia e para o Hammarby, o clube onde tinha iniciado a carreira. Lars Eriksson fez mais três épocas e, em 2001, retirou-se dos relvados, passando, posteriormente, a treinador de guarda-redes desse mesmo clube sueco. 

Ainda hoje, quando revê a sua carreira, deve dizer, orgulhoso, que um dia jogou no FC Porto. Esperemos que, quando mostre imagens dessa passagem, não mostre o vídeo da sua exibição diante do Sporting, na Supertaça de 1996 no Parque dos Príncipes. 

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Paulo Sérgio o futuro treinador do Sporting

Após o anúncio da saída de Carlos Carvalhal todos se questionaram quem seria o treinador do Sporting para a próxima temporada. Muito se falou, mas, mais uma vez, todos nós “rematámos ao lado”.

Nomes como Paul Le Guen, Manuel José ou Villas Boas eram falados e todos obedeciam a um critério válido e óbvio. Le Guen, entre outros (não portugueses), seria visto como o estrangeiro de qualidades inquestionáveis, que traria prestígio, métodos de trabalho e uma nova maneira de estar ao clube. Manuel José seria visto como um treinador com grande experiência, conhecedor do futebol português e que após experiências ganhadoras fora de Portugal tinha as condições para treinar e ter sucesso num grande clube português. O caso de Vilas Boas era visto como um treinador jovem e com experiência de trabalho em grandes clubes europeus ao lado de José Mourinho, o que lhe atenuava a pouca experiência “a solo”.

Diferentes critérios que se podiam aceitar para uma escolha que se pedia arrojada. No entanto, o resultado nada teve de arrojado e podemos mesmo dizer que “a montanha pariu um rato”. Pedia-se mais e uma aposta mais arrojada, que fosse capaz de mobilizar os sportinguistas.

Não tenho nada contra Paulo Sérgio, mas apesar de lhe reconhecer valor ao nível técnico-táctico, tenho grandes dúvidas se não será cedo para treinar um clube grande e arrisco-me a dizer que era preferível ficarmos com Carlos Carvalhal – que tem feito um bom trabalho, dentro do possível. Não será cedo para Paulo Sérgio dar o salto? Não tendo largos anos de experiência como treinador, nem qualquer experiência em clubes de topo, arrisco-me a dizer que, apesar das qualidades e potencial, pode não estar preparado para treinar um clube grande.

Nos últimos 20 anos, poucos foram os treinadores campeões em Portugal em situações de falta de experiência (anos de carreira ou experiências ao mais alto nível). Apenas me recordo de Fernando Santos, que treinou o FC Porto numa série de vitórias e sob o “efeito Jardel”, e claro de Bölöni, com uma equipa onde, também, figurava o “Super Mário”. Todos os outros tinham anos de carreira (Trapattoni, Robson, Jaime Pacheco, Jesualdo Ferreira) ou vivência de clubes grandes como jogador/treinador/adjunto (Inácio, Co Adriaanse ou António Oliveira). Se acreditarmos no que o historial do nosso campeonato nos diz, Le Guen, Manuel José e Vilas Boas teriam mais chances de ser campeões do que o treinador escolhido.

Da minha parte, o treinador Paulo Sérgio terá todo o apoio e benefício da dúvida. Mas não posso apoiar uma escolha em que os critérios são pouco claros e o historial de treinadores campeões não corre nada a seu favor. Estará Paulo Sérgio preparado e terá as condições para levar o Sporting ao título de campeão? O tempo o dirá.

PS: uma nota para a participação do Sporting no torneio quadrangular nos Estados Unidos. Dá prestígio participar neste tipo de torneios, mas existe um pormenor de que todos se esqueceram: datas. Como é possível se planear uma época desportiva sem olhar ao calendário? O Sporting joga a 3º pré-eliminatória da Liga Europa a 29 de Julho, enquanto o torneio acaba a 25 do mesmo mês. Quatro dias de diferença, contando que existe uma viagem de oito horas e um jetlag de cinco horas, acrescentando a hipótese de o Sporting jogar fora a primeira mão. Ou o Sporting cancela o torneio, ou tenho grandes dúvidas em relação à condição da equipa para esse jogo.

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Longe vão os tempos da participação do Zaire (actual RD Congo) no mundial de 1974. Nessa competição chocou a forma infantil e, em muitos casos, totalmente ridícula como essa formação africana sofria golos ou via cartões.
Em 1982, os Camarões já mostraram um futebol bem mais competitivo, acabando mesmo a competição sem qualquer derrota (apesar de eliminados na 1ª fase…) e, em 1990, atingiram mesmo os quartos de final, onde apenas foram eliminados pela Inglaterra de Bobby Robson (2-3 a.p.).
Poderão vocês recordarem-me outros exemplos como a Argélia (82) ou Marrocos (86) (Olá Saltillo!), mas apenas me estou a debruçar no futebol da chamada “África Negra”, pois sempre me pareceu o futebol mais talentoso e com mais margem de progressão de África, levando, ano após ano, a uma simples pergunta: Quando será uma Selecção africana campeã do mundo?
Com o sucesso dos Camarões em Itália, esperava-se que os africanos lapidassem melhor os seus defeitos e acreditava-se que, pelo menos em 1998 ou 2002, já houvesse uma equipa africana a lutar por esse título, contudo, isso nunca aconteceu.
As equipas africanas continuam a mostrar as mesmas qualidades e defeitos que a equipa de Roger Milla mostrou em 1982. Se têm técnica elevada, correm o tempo todo, são corajosos e solidários, também, demonstram desconcentrações incompreensíveis, jogam para o público quando deveriam segurar vantagens, demonstram agressividade exagerada o que custa cartões, etc.
Assim sendo, começa-se a acreditar que, independentemente de técnicos europeus ou sul-americanos, as selecções africanas vão sempre mostrar as mesmas qualidades e defeitos, que são, na verdade, inerentes ao seu código genético. Assim, ver futebol africano será sempre um carrossel de emoções como o jogo de ontem (Angola 4-4 Mali) em que uma equipa (Angola) sofreu três (!!!) golos a partir do minuto 88.
Nós, adeptos de futebol, continuamos a agradecer o futebol ofensivo e aquela pureza que só os africanos nos conseguem dar, todavia, é essa mesma magia que tanto nos cativa, que os afasta de ganharem uma grande competição…

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