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Posts Tagged ‘Bruno de Carvalho’

VarandasO Sporting viaja novamente numa daquelas espirais de auto-destruição que lhe são frequentes, e cujos sinais já vinham de longe, ainda que o mais tolerante (ou mais varandista) dos adeptos tentava ignorar, como que esperando por um daqueles milagres que jamais surge no clube verde-e-branco.

Uma vez mais, cometeu-se o típico erro tão sportinguista de se querer cortar radicalmente com o passado recente como se tudo o que viesse da direcção anterior estivesse errado. A novidade, desta vez, é que nem sequer se criou um novo paradigma, mesmo que errado.

Não, o que esta direcção conseguiu, isso sim, foi pegar nos erros das administrações de Filipe Soares Franco, José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes, e prescrever uma receita global para o desastre, pautada pelo autismo comunicacional, desvalorização negligente dos seus próprios activos, e uma política de contratações que parece um misto entre uma shortlist do FM 2015 e uma bolorenta base de dados do Carlos Freitas.

Voltou-se, rapidamente, àquele costume tão leonino de achar que se deve contratar aqueles jogadores que ainda ninguém reparou, mas que são certamente craques. Ou aqueles gajos que já falharam em toda a via-láctea mas que certamente vão explodir neste contexto de enorme tranquilidade e estabilidade que é o Sporting Clube de Portugal.

Surreal é também perceber-se que se passou toda a pré-temporada a contratar por catálogo, sem sequer se questionar o treinador sobre qual o perfil dos atletas que pretendia para o seu estilo de jogo. Depois, vende-se o principal ponta de lança sem lhe dar qualquer cavaco por sete milhões de euros e fica-se no plantel com um único “nove”, um ex-jogador de uma equipa da Segunda Liga.

O importante é poupar! Mas gastou-se cinco milhões de euros em Rafael Camacho (quando havia Matheus Pereira) ou três milhões de euros em Eduardo (quando se podia assegurar a continuidade de Gudelj a custo zero).

E quando até se compreendem as contratações, como é o caso de Rosier (7,5 milhões de euros) ou Vietto (7,5 milhões por 50% do passe) estas são feitas por valores completamente exagerados, entrando completamente em choque com o seu real valor de mercado e o próprio discurso da administração.

O último dia do mercado, então, foi uma verdadeira tragicomédia, com Varandas e Hugo Viana a mostrarem todo o seu know-how de scouting, desenterrando da pré-reforma Jesé Rodríguez e Bolasie, e juntando-lhes um brasileiro que apenas é popular no bairro brasileiro onde nasceu e na República Popular de Donetsk.

Entretanto, vendeu-se à pressa o melhor extremo do plantel e ainda se tapa os caminhos do onze principal aos três miúdos que cá ficaram e que verão a sua ascensão completamente bloqueada por três emprestados que, mesmo que se valorizem, serão para ganhos alheios. O mais irónico de tudo, é que dois desses jogadores até foram comprados por esta direcção (Plata e Camacho). Sem palavras.

Esqueceram-se, ao mesmo tempo, de reforços para as três principais lacunas do Sporting: A posição “seis”, onde apenas há o imberbe Doumbia e um Battaglia que vem daquelas lesões que nem sempre garante recuperação plena; a já supra-citada posição “nove”, onde resta Luiz Philippe; e a baliza, onde um bom “scouting” poderia ter facilmente identificado Rajkovic, um dos melhores guarda-redes da actualidade e que saiu para o modesto Reims por menos de meio Rosier.

Impressionante para quem dizia que tinha sempre plano A, B e C para tudo e que só vendia quando já tinha substituto alinhavado. Intrigante, principalmente depois de se ter ouvido tantas vezes que não havia necessidade extrema de vender os melhores activos.

A verdade é que o Sporting termina o mercado de Verão em liquidação total e sem gastar um euro na aquisição de um reforço que seja, quanto mais não fosse o ponta de lança, isto depois de terem despachado um futebolista que marcou 93 golos em 127 jogos por menos dois milhões de euros do que o FC Porto vendeu o seu defesa-central excedentário Osório.

Era engraçado perceber-se onde anda o dinheiro da “Apolo”, do empréstimo obrigacionista e do superavit entre compras e vendas de jogadores. Bem, ao menos agora o excel deve andar porreiro.

O problema vai ser quando as receitas caírem a pique com o mais do que certo divórcio crescente entre os sportinguistas e a sua equipa de futebol. É que ninguém pode sair motivado quando percebe que o plantel do Sporting é talvez ainda pior do que o plantel construído o ano passado pela comissão de gestão.

Mas eles querem lá saber. Primeiro meteu-se a culpa no “Brunão”, agora todo o mal tem o selo: Keizer e, brevemente, outro será o bode expiatório. E olhem que o leão é mesmo uma caixinha de surpresas.

Entretanto um gajo vai tentando rir para não chorar com tanta incompetência de quem pensa que comandar um clube de futebol é ignorar todo o factor emoção e focar-se na racionalidade cientifica da gestão de uma mercearia de esquina.

Afinal, já dizia José Maria Ricciardi que “isto não estava para amadores”, mas sinceramente é uma frase que me ofende ligeiramente.

É que amador sou eu e não conseguia fazer tanta merda.

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Capel estará prestes a despedir-se de Alvalade

Capel estará prestes a despedir-se de Alvalade

Multiplicam-se os rumores de que o internacional espanhol Diego Capel estará muito próximo de trocar o Sporting pelo Génova, supostamente numa transferência que não irá trazer aos verde-e-brancos qualquer mais-valia financeira, isto para além da óbvia poupança nos salários que teriam de ser pagos neste último ano de contrato.

Esta conclusão, mesmo tratando-se de um jogador que terminaria contrato em menos de um ano, e havendo a noção de que este pouco jogou na temporada transacta, não deixa, contudo, de surpreender um pouco, quanto mais não seja pelo facto deste ainda ser relativamente novo (27 anos) e de ter um interessante currículo, ao ponto de ter chegado inclusivamente a ser internacional espanhol.

Claro que os recentes investimentos em salários avultados de jogadores como Bryan Ruiz, Teo Gutiérrez ou Alberto Aquilani terão precipitado a necessidade do Sporting libertar Diego Capel, ou não fosse o extremo um dos mais bem pagos do plantel e excedentário, mas não posso deixar de pensar que todo a “partida de poker” que foi a gestão da situação do internacional espanhol acabou por prejudicar e muito o emblema leonino, que nunca viu grandes proveitos desportivos do extremo nas últimas duas temporadas e ainda acabou por ter prejuízos financeiros onde até poderia ter somado alguns milhões de euros.

Lembre-se que, no Verão de 2013, o primeiro defeso da “Era Bruno de Carvalho”, a comunicação social deu conta da chegada de algumas propostas a Alvalade pelo concurso do internacional espanhol, ainda que tenha reafirmado constantemente a vontade da SAD do Sporting em apenas libertar o atleta por valores a rondar os 6/7 milhões de euros, isto quando as ofertas rondariam os 3/4 milhões de euros, algo que ainda assim permitiria ao Sporting somar, a esse encaixe, mais quatro milhões de euros dos salários referentes a estas duas últimas temporadas em que Diego Capel se foi mantendo em Alvalade.

Nessa altura, ainda assim, e mesmo que já se mostrasse exibicionalmente a um nível bem longe do que o seu vencimento justificava, a verdade é que Diego Capel ainda foi bastante utilizado por Leonardo Jardim, terminando essa época de 2013/14 com 31 jogos (20 como titular) realizados.

Essa situação terá mantido pelo menos o valor de mercado de Diego Capel, sendo que o Verão seguinte, principalmente perante a chegada de Nani, desenhava-se como o momento ideal para a saída do internacional espanhol, abrindo-se assim espaço a uma importante poupança salarial e um sempre interessante encaixe financeiro que poderia certamente chegar aos quatro milhões de euros.

A verdade é que a direcção liderada por Bruno de Carvalho voltou a esticar a corda em demasia, isto num perfil que também já se notou este defeso nos processos de contratação de Ruiz e Gutiérrez (correndo bem) e de Mitroglou (correndo mal), acabando Diego Capel por ficar mais um ano em Alvalade, sendo que este último completamente sem espaço, ultrapassado naturalmente por Nani e André Carrillo e, até, Carlos Mané.

Ora, no futebol, os timings são tudo e, agora, apenas um ano depois, no rescaldo de uma temporada em que Diego Capel somou apenas cinco jogos como titular nos leões e terá custado mais dois milhões de euros aos cofres da SAD, a direcção leonina vê-se “obrigada” a transaccionar o seu passe a custo zero, limitando-se a ter a mais-valia de uma poupança de alguns meses de salários e de uma hipotética mais-valia de uma transferência futura.

Espera-se, assim, que isto sirva de exemplo para Bruno de Carvalho e respectiva direcção, que terá de perceber que a intransigência negocial nem sempre é a melhor solução para a gestão financeira e desportiva de um clube de futebol, sendo que o processo André Carrillo deverá assumir-se, agora, como um teste primordial para a capacidade do jovem presidente leonino em aprender com os próprios erros.

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Jesus é mais-valia do leão

Jesus é mais-valia do leão

Agora que está culminada a mais explosiva contratação do defeso e que passou pelo recrutamento do técnico Jorge Jesus ao Benfica, o Sporting deverá proceder agora aos necessários ajustamentos ao seu plantel e que lhe permitam um forte ataque ao título nacional em 2015/16.

Devo começar por dizer, desde já, que entendo que os verde-e-brancos já têm um plantel com bons valores e que não vejo como necessário que se proceda a contratações à catadupa, devendo-se privilegiar o recrutamento de umas quatro ou cinco mais-valias.

Tal como diria Jorge Gonçalves nos loucos anos 80, o leão precisará essencialmente de “unhas”, ou seja, de jogadores que peguem imediatamente de estaca no onze que vai ser orientado por Jorge Jesus e que também facilitem o crescimento dos inúmeros jovens valores que proliferam em Alvalade.

Que posições são mais deficitárias?

Esta política de contratações cirúrgicas, aliás, tem vindo a ser veiculada pela imprensa como aquela que vai ser seguida por Bruno de Carvalho e Jorge Jesus no defeso, sendo que eu entendo que o Sporting deverá atacar essencialmente cinco jogadores: lateral-direito; defesa-central; médio-ofensivo (ou 9,5); extremo e ponta de lança.

A necessidade de um lateral-direito surge pela aparentemente iminente transferência de Cédric Soares e, também, pelo facto desta ter sido uma posição em que nem o luso-alemão ou Miguel Lopes convenceram na plenitude, sendo aconselhável a contratação de um jogador que permitisse um salto qualitativo claro aos verde-e-brancos.

Um conselho? Pavel Kaderabek

Quanto ao defesa-central, e lembrando a forma como a dupla: Ewerton/Paulo Oliveira estabilizou o sector na parte final da temporada, talvez nem seja esta uma das contratações mais imperiosas, mas entendo que Jorge Jesus não abdicará de assegurar um líder para a defesa, algo muito à imagem do que tinha no Benfica com Luisão.

Um conselho? Bruno Alves

Depois, e dependendo de Jorge Jesus vir a optar pelo esquema 4x3x3 ou 4x4x2, o Sporting irá precisar de um “dez” puro ou de um avançado de suporte, sendo que, para a segunda alternativa, até já existe um jogador plenamente adequado no plantel, como é Fredy Montero, mas seria sempre necessária outra opção.

Um conselho? Eran Zahavi (faz as duas posições)

Perante a saída de Nani, será ainda necessária a contratação de um extremo, isto independentemente do regresso de Zakaria Labyad, internacional marroquino, que, lembre-se, poderá desempenhar as funções de falso ala-esquerdo e “dez”. Esse extremo a contratar, na minha opinião, deverá potenciar essencialmente os movimentos interiores, até porque, no plantel, jogadores como André Carrillo e Carlos Mané já oferecem a verticalidade e profundidade necessária.

Um conselho? Bryan Ruiz ou Lior Refaelov

Por fim, entendo que o Sporting, mesmo que mantenha Islam Slimani nos seus quadros, deverá assegurar outro “target man” no mercado, nomeadamente um futebolista que, ao contrário do internacional argelino, tenha outro tipo de soluções técnicas e um sentido de golo mais apurado. Aqui, aliás, acho que os leões deverão canalizar o grosso do seu investimento financeiro na contratação.

Um conselho? Konstantinos Mitroglou

Havendo um técnico como Jorge Jesus, com estas cinco “unhas”, e sem nenhuma saída de relevo, tenho a certeza que o Sporting seria um fortíssimo candidato ao título em 2015/16.

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A família benfiquista considera-se traída por JJ

A família benfiquista considera-se traída por JJ

O futebol português está completamente virado do avesso, isto em virtude de uma tempestade que está a assolar a segunda circular e que já resultou no despedimento por justa causa de Marco Silva e que, ao que tudo indica, irá terminar com a chegada de Jorge Jesus para o seu lugar.

No entanto, nesta fase em que ainda se questiona se será Rui Vitória o sucessor de Jorge Jesus no Benfica (os adeptos estão a tentar forçar Luís Filipe Vieira a optar precisamente por Marco Silva) e em que se aguarda pela confirmação oficial da mudança do ex-técnico encarnado para Alvalade, parece que o que está na ordem do dia é questionar a atitude de Jorge Jesus em abandonar a Luz rumo ao eterno rival Sporting.

Entre as hostes encarnadas, aliás, a maioria dos adeptos (ilustres ou menos ilustres) classifica a atitude do experiente técnico como uma traição, optando mesmo por transformar o outrora Jesus “Salvador” num autêntico “Judas”. Quanto ao próprio Luís Filipe Vieira, foi igualmente duro na hora da confirmação da saída do técnico, isto mesmo sem nunca o mencionar, sublinhando que a “gratidão define o carácter das pessoas” e confessando-se “desiludido mas não surpreendido”.

Ora, compreendendo a frustração de quem vê partir um treinador que ganhou três campeonatos nos últimos seis anos, isto sem contar com muitos outros títulos, há que perceber as razões que terão levado Jorge Jesus a tomar esta decisão, até porque entendo que este não se importaria de continuar na Luz, onde já tinha a máquina montada há imenso tempo, ao invés de ter de começar um projecto desde a sua génese no arqui-rival.

Acredito, piamente, que Luís Filipe Vieira quereria continuar a contar com Jorge Jesus, mas também não tenho dúvidas de que o presidente do Benfica entendia que este deveria baixar o seu salário e, de certa forma, passar a obedecer a um outro tipo de projecto, mais virado para o aproveitamento de jovens valores e menos virado para investimentos em valores internacionais.

Ora, nesse primeiro ponto, terá surgido o principal problema, uma vez que o experiente técnico de 60 anos, no rescaldo da conquista de 6 dos 8 títulos nacionais disputados nos últimos dois anos, terá entendido como desrespeitoso que sequer colocassem em causa a possibilidade de baixar o seu vencimento.

Luís Filipe Vieira, perante esta postura, e consciente de que Jorge Jesus não será sequer o treinador ideal para abraçar um projecto mais virado para o Caixa Futebol Campus, começa a pensar numa transição no comando técnico do Benfica, ponderando num potencial sucessor (Rui Vitória?) e preparando uma saída de Jorge Jesus para um destino que não causasse mossa ao emblema da Luz.

Ora, acredito que, nesse desiderato, o presidente do Benfica contaria com a ajuda de Jorge Mendes, agente que se prepararia para apresentar soluções mais ou menos interessantes no plano financeiro a Jorge Jesus. Ao mesmo tempo, Jorge Jesus terá percebido as movimentações que se estavam a desenhar e, já com contactos do Sporting (que terá tido informações do que estava a passar e decidiu entrar em cena), opta por ouvir os leões.

Os verde-e-brancos, pelo que se tem lido, optam por lhe oferecer um ordenado chorudo e, talvez ainda mais importante do que isso, plenos poderes, num cenário jamais visto no passado recente, nomeadamente desde que Bruno de Carvalho chegou à presidência do clube de Alvalade.

Depois, há ainda outro factor que não pode ser colocado de parte: Jorge Jesus é sportinguista, tal como o seu pai, que certamente gostaria de ver o filho a treinar o seu clube do coração. E mesmo que todo este processo obedeça a directrizes essencialmente racionais, é inegável que a emoção poderá sempre pesar um pouco.

É, então, por tudo isto que me custa compreender o termo “Judas” aplicado ao treinador do Benfica. O contrato terminou, a proposta de renovação não agradou a Jorge Jesus e este acabou por optar por uma solução que entendeu como mais aliciante para o seu futuro.

Quanto ao Benfica, deve focar-se essencialmente na escolha do sucessor de Jorge Jesus e se me pedirem uma opinião sobre qual seriam as melhores opções, vêm-me rapidamente à mente duas possibilidades: Vítor Pereira e Marco Silva. Ambos bem acima das outras alternativas vinculadas pela comunicação social, como Paulo Bento ou Rui Vitória.

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Marco e Bruno estarão de costas voltadas

Marco e Bruno estarão de costas voltadas

Fim da linha para Marco Silva. É este o cenário adiantado em uníssono pela imprensa desportiva portuguesa, que defende que a vaticinada mas não concretizada saída do jovem treinador luso no último Inverno, irá afinal concretizar-se agora no final desta época de 2014/15.

Sem contar com Jesualdo Ferreira, que Bruno de Carvalho herdou da gestão de Godinho Lopes, manter-se-á a tradição de um treinador por temporada com este novo presidente, algo que, obviamente, não é o melhor cenário para um clube que pretenderá alcançar a estabilidade desportiva.

Marco Silva, na minha opinião, está a fazer uma boa temporada, encontrando-se pontualmente a par da igualmente positiva campanha de Leonardo Jardim no campeonato e juntando-lhe uma boa participação nas competições europeias, onde foi traído pelos seus centrais na Eslovénia e por um péssima arbitragem na Alemanha, isto sem esquecer a possibilidade de ganhar uma Taça de Portugal no próximo dia 31 de Maio, naquilo que, lembre-se, será o primeiro título do futebol verde-e-branco em sete anos.

Então, afinal, o que traiu Marco Silva?

Penso que o problema começou logo na pré-temporada dos rivais e isto porque a sucessão de vendas importantes do Benfica, aliada a um tímido arranque de contratações do FC Porto (Sami, Ricardo, Opare…), terá criado em Bruno de Carvalho a ideia de que o Sporting poderia, claramente, ser um forte candidato ao título, ideia que atingiu os píncaros com o “coelho na cartola” que foi o empréstimo surpresa de Nani.

Nessa fase, obviamente, ainda o líder leonino não estaria à espera de perder a dupla: Rojo/Dier, acreditando possivelmente que manteria pelo menos o luso-inglês, algo que minimizaria a saída do internacional argentino, até porque Paulo Oliveira, jogador com experiência de Primeira Liga, havia sido contratado.

Mas se Bruno de Carvalho ficou surpreendido, isso não o levou a ir ao mercado compensar a sangria defensiva, ou pelo menos não devidamente, em algo que terá certamente deixado Marco Silva melindrado, ainda para mais quando o treinador português pretendia aplicar no leão uma defesa subida, algo que fazia sentido com Rojo e Dier, mas não tanto com Sarr e Maurício.

Central e “dez”, exigências de Marco Silva?

Começa a temporada e o Sporting perde alguns pontos surpreendentes na Liga, muito por culpa da tal frágil defensiva leonina, algo que, valha a verdade, ganhou ainda maior peso pela supra-citada tentativa de Marco Silva em jogar com ela subida, num contexto de pressionar alto o adversário.

Nesta fase, Bruno de Carvalho foi manifestando publicamente a sua insatisfação para com os resultados da equipa, nomeadamente com a famigerada publicação nas redes sociais no pós-desaire com o Vitória de Guimarães (0-3) e terá atingido os píncaros na sequência do empate caseiro com o Moreirense (1-1).

Ora, Marco Silva terá esgrimido os seus argumentos, lembrando a inexistência das devidas compensações das saídas de Dier e Rojo (ainda viria a perder Maurício em Janeiro, mas aí ganhou o upgrade Ewerton) e talvez acrescentando-lhe a ausência de um “dez” puro no plantel.

Tobias e Gauld, ou o contra-atque do Presidente?

O contra-ataque de Bruno de Carvalho, nesse momento, também foi público, mais concretamente quando o presidente assumiu que os reforços para Janeiro seriam os jogadores da equipa B. Na minha opinião, isto não terá sido mais que um ataque a Marco Silva pela sua até então nula aposta nos jovens que iam evoluindo sob o comando de João de Deus, nomeadamente em Tobias Figueiredo, um defesa-central, mas também no “dez” escocês Gauld, uma forte aposta financeira e desportiva do presidente e que até joga numa posição deficitária do plantel verde-e-branco.

Nesta fase, ter-se-á criado uma espécie de paz podre entre o presidente e o treinador do Sporting, em algo que, segundo a imprensa desportiva, dura até ao momento. Afinal, Bruno de Carvalho, provavelmente por razões financeiras e por ver que a massa adepta leonina até estava maioritariamente com o treinador, recuou na decisão de demitir imediatamente Marco Silva. Já o jovem técnico, por seu lado, aceitou permanecer mais alguns meses em Alvalade, ainda que cada vez mais focado em sair por cima e cada vez menos num projecto de longa duração.

Aliás, é notória a mudança na forma de jogar do Sporting a partir de Janeiro, sendo que os leões passaram a ser mais realistas na sua abordagem aos jogos, abdicando do tal projecto de defesa subida e de pressão alta, mas também de uma maior procura de jogo interior e quase replicando, ao invés, o que havia sido deixado por Leonardo Jardim, de um futebol mais defensivamente conservador e de um ataque mais pragmático, com clara insistência nas lateralizações e nos cruzamentos para a área.

Jamor será o capítulo final

Com essa mentalidade, perdeu-se a possibilidade de fazer progredir a equipa, mas, no imediato, Marco Silva conseguiu ir cumprindo aqueles que eram vistos como os objectivos mínimos para que pudesse sair de Alvalade por cima. Ou seja, um terceiro lugar forte (o Sp. Braga já está a 15 pontos), isto apenas atrás de duas equipas com maiores orçamentos e melhores plantéis, e uma presença na final da Taça de Portugal, que, a ser ganha, fará do jovem técnico o primeiro a conquistar um título pelos leões desde 2008.

Esses números serão suficientes para o salto de Marco Silva para um outro qualquer clube, mas estarão longe de fazer o presidente tentar a reconciliação com o técnico a quem ofereceu um contrato de quatro anos, isto porque, para Bruno de Carvalho, e tal como ficou claro na sua última entrevista à “Sporting TV”, o objectivo mínimo para os verde-e-brancos passaria sempre pelo segundo lugar na Liga, algo que replicaria o obtido por Leonardo Jardim e, acima de tudo, catapultaria o leão para o encaixe milionário da fase de grupos da “Champions”.

Depois, acredito, que Bruno de Carvalho terá finalmente percebido que precisa de um treinador com outro perfil. E quando falo de perfil não me refiro a desportivo, mas sim ao nível psicológico. Aliás, o rumor avançado hoje pelo “Record” de que Paulo Fonseca estará na linha da frente para suceder a Marco Silva poderá não ser de todo descabido. Afinal, o actual treinador do Paços de Ferreira tem o mesmo perfil desportivo, mas aparenta ser muito mais “dócil” e passivo na relação que tem com os seus superiores hierárquicos. E isso, na relação com um líder como o presidente do Sporting, tem um grande peso…

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Bruno de Carvalho surpreendeu pela prudência nas palavras

BdC surpreendeu pela prudência nas palavras

Depois de discursos de pole positions e de (na minha opinião) precipitadas candidaturas ao título, surgiu ontem um surpreendentemente prudente Bruno de Carvalho, isto numa pertinente entrevista à “Sporting TV” que deu algumas luzes daquilo que poderá ser o futuro recente do clube de Alvalade.

Antes de mais, destaque para a frontalidade com que o presidente do Sporting assumiu o seu desconhecimento quanto ao valor exacto do orçamento leonino para 2015/16, tendo vincado dois factores essenciais: o desconhecimento se o Sporting supera ou não o playoff de acesso à Liga dos Campeões; e a actual incerteza no patrocínio das camisolas da equipa principal.

Afinal, nestes dois campos específicos, as diferenças são abissais. Começando pelo plano desportivo, o playoff+fase de grupos da Liga dos Campeões representa um encaixe de 14 milhões de euros, enquanto o playoff+fase de grupos da Liga Europa, representa um encaixe de “apenas” 4,3 milhões de euros. Depois, ao nível do patrocínio das camisolas, sabe-se que o Sporting encaixará actualmente cerca de cinco milhões de euros/ano com o patrocínio da PT.

Ou seja, entre o pior e o melhor cenário, existirá uma monstruosa diferença de quase 15 milhões de euros…

Menos defensivo e mais igual ao seu estilo esteve o líder leonino quando confrontado com a necessidade de vender jogadores, sendo que, aí, Bruno de Carvalho foi muito claro: “O Sporting não quer vender qualquer jogador. Não quer!”.

Certo, contudo, é que este ponto estará intimamente ligado ao supra-citado, uma vez que quanto mais negro for o cenário referente ao playoff da “Champions”/patrocínio das camisolas, naturalmente mais obrigatório serão os encaixes extra com a venda de alguns jogadores, até porque é inegável que os verde-e-brancos terão sempre que ir ao mercado para compensar algumas fraquezas existentes no seu plantel, quanto mais não seja a certa saída de Nani e o muito provável abandono do MVP leonino em 2014/15: André Carrillo. E que jeito daria também ao Sporting ter um “dez” puro e um ponta de lança matador…

Fica de qualquer maneira a ideia que o Sporting irá olhar ainda mais para dentro no próximo defeso de Verão, sendo provável que muitos dos reforços sejam jogadores que vão evoluindo na equipa B (Wallyson) ou estão actualmente emprestados a outras equipas (Iuri MedeirosLabyad).

Aliás, o presidente do Sporting reforçou inclusivamente que dos mais de 27 jogadores apontados ao Sporting pela comunicação social “não acertaram em nenhum”, parecendo querer afastar os adeptos de nomes mais emblemáticos como o de John Guidetti ou Bryan Ruiz.

Senti acima de tudo que Bruno de Carvalho está preparado e quis igualmente preparar os adeptos do Sporting para tempos difíceis e que obrigarão os leões a estarem mais unidos do que nunca e conscientes de que ainda não existirão condições para uma candidatura ao título com as mesmas armas dos rivais.

Aliás, o presidente do Sporting terá percebido, espero, que todo o discurso optimista do Verão passado acabou por ser prejudicial a uma equipa jovem e ainda em construção que, numa fase embrionária da época, acabou por sucumbir a essa pressão, perdendo pontos sucessivos que não poderia desperdiçar.

Certo, de qualquer maneira, é que estas duas primeiras temporadas completas com Bruno de Carvalho foram ambas muito positivas, nomeadamente quando confrontadas com o passado recente, sendo que esta campanha actual ainda poderá ser culminada com a primeira conquista do futebol desde 2008, uma Taça de Portugal que faria maravilhas pelo ego dos adeptos leoninos.

Quanto ao futuro, será garantidamente este o caminho tomado ontem por Bruno de Carvalho. Um Sporting realista e consciente das condicionantes financeiras que ainda se vão prolongar, mas sempre ambicioso, embora sem incutir pressões exageradas sobre o plantel e, acima de tudo, sem criar infudadas expectativas sobre os adeptos como foi feito em 2014/15.

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A "Era" Godinho Lopes tem surpreendido

Antes de mais, mas porque alguns sabem e outros suspeitam, eu sou sportinguista. Talvez não seja aquele sportinguista que estão habituados e que destila ódio no Benfica e, numa menor escala, no FC Porto, mas sou daqueles que sente o clube verde-e-branco desde tenra idade, seguindo o clube com paixão desde os seis anos de idade, ou seja, desde a temporada 1989/90.

Apesar de tudo, sempre tive a capacidade de analisar friamente o dia a dia dos leões, criticando sempre que havia algo para criticar, até porque é bem mais fácil criticarmos aquilo de que realmente gostamos, porque até é uma maneira de aliviar o stress e, de certa forma, lidar com a tristeza que isso nos transmite.

E vamos ser sinceros, as duas últimas temporadas foram um desastre e, mesmo o termo desastre, poderá ser entendido como um eufemismo…

Em apenas um par de épocas, conseguimos ficar a uma enorme distância do Benfica e do FC Porto, sendo que mesmo o Braga superou-nos largamente na temporada 2009/10 e, mesmo nesta, só nos cedeu o terceiro lugar, porque, valha a verdade, apostou tudo e mais alguma coisa na sua (excelente) campanha europeia.

Assim sendo, independentemente de termos ficado ligeiramente à frente dos bracarenses no campeonato transcato, penso que é honesto afirmar que pelo combinado das duas últimas temporadas, o Sporting parte no quarto lugar da grelha de partida. Triste? Sim, mas realista.

O plantel da última época, apesar de honestamente não ser tão mau como muitos o pintaram, era, ainda assim, demasiado curto tanto em quantidade como em qualidade para uma equipa do gabarito dos leões. Afinal, quantos jogadores do Sporting teriam lugar no onze do FC Porto ou no Benfica? Rui Patrício em ambos e, quanto muito, João Pereira e Izmailov nos encarnados.

Como tal, a tarefa de qualquer direcção que pegasse no Sporting Clube de Portugal seria sempre hercúlea e, em primeira instância, nunca poderá passar por muito mais que um afastamento valente em relação ao Sporting de Braga e uma aproximação ao Benfica e ao FC Porto. Porque, sinceramente, é extremamente difícil que os leões, em apenas uma temporada, consigam atingir o patamar de equipas que nas últimas duas épocas estiveram anos-luz à frente do Sporting.

Honestamente, o meu candidato preferido nem era Godinho Lopes. Pareceu-me demasiado inseguro e frágil e, sinceramente, pareceu-me perceber muito pouco de futebol. A lista de jogadores, como se veio a confirmar por só ter vindo Rodríguez, verificou-se rapidamente que era pouco fiável e apenas para granjear algumas centenas de votos de sócios mais iludidos e/ou aterrorizados com a ideia de Bruno de Carvalho ser um novo “Vale e Azevedo”…

Ainda assim, o facto de (aparentemente) perceber pouco de futebol acabou por ser um dos grandes trunfos do novo Presidente do Sporting, pois nota-se facilmente que apesar de Godinho Lopes afirmar que “tem sempre a última palavra”, as decisões do planeta futebol, tanto ao nível de dispensas ou contratações passam a 99,9% pela dupla Luís Duque/Carlos Freitas. 

Esta dupla, apesar de não ser perfeita, é um enorme avanço para o Sporting. São duas pessoas que têm um profundo conhecimento do mercado e, no caso de Luís Duque, trata-se de alguém que sabe o que quer e para onde vai, sendo um profissional que irá bater o punho na mesa sempre que verificar que o Presidente está, de certa forma, a limitar ou a condicionar a sua mentalidade de maior risco que quer incutir no Sporting.

Até agora e em poucos meses, a mudança tem sido radical. É verdade que as contratações não tem sido daquelas de chamar dezenas de milhares de jogadores ao estádio, mas têm sido inteligentes e criteriosas: Schaars e Rinaudo (penso que posso contar com o argentino) são dois excelentes médios e que vão dar outra dimensão ao anteriormente frágil miolo leonino; van Wolfswinkel é um “matador”, algo que o Sporting não tem desde a saída de Liedson, sendo também jovem e promissor e Rodríguez é, na minha honesta opinião, melhor que qualquer central do plantel.

Das outras contratações: Arias e Carrillo, vou esperar para ver, pois tratam-se de jogadores com muito potencial, mas que pela tenra idade e reduzida experiência serão sempre incógnitas na sua possível adaptação. Ainda assim, se for criado (como acredito que está a ser criado) um grupo forte e mais competitivo, estes jogadores terão uma possibilidade de sucesso muito maior.

Para além disso, o Sporting contratou um treinador muito competente e com margem de progressão (Domingos) e tem demonstrado uma política de comunicação muito diferente para melhor. Agora, as contratações apenas se sabem (quase) em cima da hora, aumentando exponencialmente a possibilidade de sucesso e, também, fazendo com que os negócios possam ser feitos por um valor bem mais baixo do que o que acontece quando o interesse é demasiado publicitado.

Assim sendo, tem sido um bom começo e, sinceramente, estou esperançado que esta nova direcção do Sporting volte a colocar os leões no caminho do sucesso. Veremos se os leões, finalmente, se aproximam de FC Porto e Benfica, pois isso, para além de ser bom para o Sporting e para os sportinguistas, também seria bastante positivo para dragões e águias e para o futebol português, pois quanto maior for a concorrência, maior é a possibilidade de evolução e competitividade além-fronteiras do nosso desporto rei.

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