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Posts Tagged ‘Campeonato do Mundo’

Gilmar é uma lenda do Santos e do Brasil

Quando se pensa em grandes guarda-redes, rapidamente nos vem à memória os nomes de jogadores como Michel Preud’Homme, Schumacher, Jean-Marie Pfaff ou Dino Zoff, sendo normal a tendência de ignorarmos os grandes guarda-redes de outros continentes como o sul-americano. De facto, entre os anos 50 e 60, no auge de um guarda-redes internacionalmente muito mais badalado como era o soviético Lev Yashin, o brasileiro Gilmar garantiu o direito de entrar na história do futebol, tanto pela sua enorme qualidade entre os postes, como pelos títulos e acima de tudo por ser o único guarda-redes a sagrar-se bicampeão do Mundo como titular da sua selecção.

Uma carreira dividida entre o Corinthians e o Santos

Gylmar dos Santos Neves “Gilmar” nasceu a 22 de Agosto de 1930 em Santos, Brasil, e foi formado nas escolas do modesto Jabaquara, tendo apenas se estreado em termos profissionais em 1951 ao serviço do Corinthians.

No “timão”, Gilmar permaneceu durante dez anos, efectuando 486 jogos e conquistando três campeonatos paulistas e dois torneios-Rio/São Paulo. Contudo, esses títulos foram todos conquistados entre 1951 e 1954. Assim sendo, em 1962, já com 31 anos, cansado do jejum de títulos e com conflitos com o Presidente do Corinthians, preferiu mudar de ares e transferiu-se para o Santos.

No clube de Pelé, Gilmar haveria de conhecer a melhor fase da sua carreira, permanecendo no Santos até 1969 e tendo conquistado inúmeros títulos pelo “peixe”, destacando-se duas taças intercontinentais, duas taças dos libertadores, quatro taças Brasil (a competição brasileira mais importante da época) e cinco campeonatos paulistas. Nesse período, Gilmar efectuou 330 jogos pelo Santos e garantiu por direito próprio o estatuto de ídolo do histórico clube paulista.

Dois títulos mundiais numa carreira de 16 anos com a canarinha

Gilmar foi internacional brasileiro entre 1953 e 1969 (ano em que se retirou dos relvados), tendo somado 94 internacionalizações e participado nos campeonatos do Mundo de 1958, 62 e 66.

Se no campeonato do Mundo de 1966 em Inglaterra, Gilmar não tenha sido feliz, pois apenas efectuou dois jogos e acabou eliminado na fase de grupos, tudo tinha sido diferente em 1958 e 1962, quando o histórico guarda-redes foi peça fundamental da equipa brasileira que conquistou os campeonatos do Mundo na Suécia e no Chile.

A última internacionalização de Gilmar foi a 12 de Junho de 1969 num jogo particular com a Inglaterra disputado no Maracanã, que o Brasil venceu por duas bolas a uma.

Um guarda-redes que marcava a diferença pela frieza

Gilmar era um guarda-redes que parecia sempre imperturbável, não esboçando qualquer reacção especial no seguimento de uma grande defesa ou de um frango.

Alto, calmo, corajoso e elástico, o internacional brasileiro tinha todas as qualidades exigidas a um guarda-redes de topo, tendo mantido-as durante toda a sua carreira e dando inclusivamente a ideia de as refinar com o passar dos anos.

Diz-se que um dia, após a conquista das taças intercontinentais pelo Santos de Gilmar, perguntou-se a Lev Yashin se ainda se achava o melhor guarda-redes do Mundo e o soviético, de pronto, atirou: “Eu o melhor guarda-redes do Mundo? Não! É Gilmar.” Naquele momento, talvez Yashin tivesse toda a razão…

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Coen Moulijn é uma lenda do Feyenoord

Uma das maiores lendas dos holandeses do Feyenoord, foi um extremo-esquerdo de enorme talento individual e que esteve presente em alguns dos mais bonitos momentos do gigante de Roterdão no contexto futebolístico internacional: Coen Moulijn. Avançado rápido, tecnicista e com enorme sentido de baliza, gostava de colar ao flanco esquerdo onde, invariavelmente, surpreendia constantemente os defesas contrários, graças ao seu enorme arsenal de fintas e inteligência no jogo. Falecido já durante este ano, pode ter abandonado fisicamente este planeta, mas nunca deixará de ter um lugar muito especial no coração dos adeptos do Feyenoord e da selecção laranja.

Uma vida ao serviço do Feyenoord

Coenraadt “Coen” Moulijn nasceu a 15 de Janeiro de 1937, em Roterdão, Holanda, e começou a jogar futebol num pequeno clube de Roterdão, o Xerxes. Nessa equipa modesta, estreou-se profissionalmente na época 1954/55, marcando quatro golos em 38 partidas oficiais.

As boas exibições ao serviço do Xerxes, valeram a Coen Moulijn a transferência para o Feyenoord, um dos maiores clubes de futebol da Holanda. Na equipa de Roterdão, haveria de permanecer entre 1955 e 1972, ou seja, até final da sua carreira, marcando 84 golos em 487 jogos e conquistando cinco campeonatos holandeses, duas taças da Holanda, uma Taça dos Campeões e uma Taça Intercontinental.

Nunca jogou uma grande competição pela Holanda

Coen Moulijn foi internacional holandês por 38 vezes (4 golos) entre 1956 e 1969, mas teve o azar de ser contemporâneo de uma das fases mais negativas do futebol das túlipas.

De facto, nesse período, a Holanda foi incapaz de se qualificar para o campeonato do Mundo ou da Europa, privando a lenda do Feyenoord de participar num grande certame internacional de selecções.

A personificação do futebol-arte

O extremo-esquerdo holandês era um avançado que gostava de colar à linha como o usual extremo da altura, mas já tinha a inteligência e a sagacidade de perceber que o seu enorme talento permitia-lhe aparecer noutras zonas para benefício da sua equipa.

De facto, Coen Moulijn foi dos primeiros extremos a saber fazer diagonais para o centro com qualidade e de forma efectiva, marcando inúmeros golos ao longo da carreira.

Com muita qualidade técnica e uma enorme classe e elegância, o internacional holandês era a personificação do futebol-arte, acabando por ser o primeiro rastilho daquela que seria a super-Holanda dos anos 70…

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Ilídio Vale também teve boas individualidades

Apesar de Portugal se ter imposto principalmente pela sua qualidade colectiva, existem jogadores que se destacaram individualmente dos demais, levando-nos a acreditar que possam ter um maior futuro no Mundo do futebol, dadas as enormes capacidades que revelaram no campeonato mundial disputado na Colômbia. Nesse seguimento, escolhi oito jogadores portugueses que, na minha opinião, demonstraram mais qualidade e talento para que consigam superar a difícil transição para o futebol profissional. Esses jogadores são Mika, Cedric, Mário Rui, Roderick, Nuno Reis, Danilo, Caetano e Nélson Oliveira.

Mika é um guarda-redes elástico

Mika – Guarda-redes – 20 anos – Benfica

Com enorme envergadura (1,88 metros), Michael Simões dos Santos “Mika” tem tudo para vingar no futebol profissional, pois reune todas as qualidades para um jogador da sua posição.

Ao longo do campeonato do Mundo, Mika assumiu-se como um guarda-redes frio, seguro pelo ar e pelo chão, destacando-se pelos bons reflexos e maturidade de realce para alguém tão jovem.

Ainda assim, numa fase tão embrionária do seu crescimento futebolístico, talvez se justificasse o empréstimo a um clube onde pudesse jogar, do que se manter como terceiro guarda-redes do Benfica.

Cedric espera crescer na Briosa

Cédric Soares – Lateral-direito – 19 anos – Sporting (cedido à Académica)

Lançado precocemente na equipa principal do Sporting durante a época passada, Cedric Soares foi uma das boas surpresas neste campeonato do Mundo de sub-20.

Bom no processo ofensivo e nas transições defesa/ataque e ataque/defesa, o actual jogador da briosa é muito bom tecnicamente e nunca se retrai perante a oposição, mostrando ser raçudo e guerreiro o quanto baste.

Neste momento, cedido à Académica, terá todas as possibilidades para continuar a crescer como futebolista e tornar-se uma alternativa para o Sporting e para selecção nacional.

Mário Rui é um lateral-esquerdo talentoso

Mário Rui – Lateral-esquerdo – 20 anos – Parma (cedido ao Gubbio)

Apesar de muito jovem, Mário Rui já passou por Sporting, Benfica e Valência, estando agora ligado contratualmente ao Parma, ainda que tenha sido cedido ao modesto Gubbio da Série B italiana.

Actuando numa posição onde Portugal é historicamente fraco (Fábio Coentrão é uma das felizes excepções…), Mário Rui surpreendeu pela velocidade e pela capacidade como sobre no terreno com a bola controlada, sendo muito efectivo tanto no capítulo do cruzamento, como, inclusivamente, na finalização.

O seu empréstimo a um modesto clube da Série B poderá ajudá-lo na adaptação ao difícil calcio e a permitir-lhe evoluir de forma decisiva em termos tácticos.

Roderick é uma aposta de futuro dos encarnados

Roderick – Defesa-central – 20 anos – Benfica (cedido ao Servette)

Outra das confirmações portuguesas neste campeonato do Mundo de sub-20 foi Roderick Miranda, um defesa-central que pouco jogou na última temporada ao serviço do Benfica, mas que acaba de ser cedido ao Servette para que possa actuar com maior regularidade.

Defesa-central alto (1,91 metros) e possante, é muito bom no jogo aéreo, mas também é extremamente competente pelo chão, assumindo-se como um jogador rigoroso e eficaz na abordagem aos lances, raramente perdendo a calma ou o posicionamento no terreno de jogo.

Agora, nesta temporada no campeonato suíço, veremos como o defesa-central evolui e se já conseguirá garantir um lugar no plantel encarnado para 2012/13.

Nuno Reis tem brilhado em Brugge

Nuno Reis – Defesa-central – 20 anos – Sporting (cedido ao Cercle Brugge)

A seguir a Nélson Oliveira, Nuno Reis foi claramente o jogador que mais me entusiasmou ao longo do campeonato do Mundo, demonstrando qualidades que o podem elevar a um patamar elevadíssimo no contexto futebolístico luso.

Jogador sóbrio, seguro e eficaz, trata-se de um defesa-central que parece estar sempre no sítio certo para o desarme ou para dobrar um colega, assumindo-se ainda como um líder natural e revelando enormes qualidades técnicas para subir com a bola controlada sempre que para isso tenha chances.

Titular indiscutível do Cercle Brugge em 2010/11, volta nesta temporada ao clube belga para continuar o seu crescimento futebolístico e preparar-se para o inevitável, que é como quem diz, a titularidade no Sporting Clube de Portugal.

Danilo espera vingar em Itália

Danilo Pereira – Médio-defensivo – 19 anos – Parma

Uma das razões para Portugal ter aguentado seis jogos sem sofrer qualquer golo foi um médio-defensivo de origem guineense e que surpreendeu bastante na Colômbia: Danilo Pereira.

Guerreiro incansável na luta do miolo, Danilo não é um jogador muito refinado em termos técnicos, mas assume-se de elevada importância pela enorme envergadura física, eficaz capacidade de desarme e pela forma como ajuda os centrais no processo defensivo e tapa todos os caminhos para a área.

Ligado contratualmente ao Parma, terá poucas hipóteses de jogar nos “gialloblu” e precisará  de ser emprestado a um clube onde possa jogar com regularidade e continuar a evoluir futebolísticamente, pois sabemos que esta fase é fulcral no crescimento de qualquer atleta.

Caetano é um poço de talento

Caetano – Extremo-esquerdo – 20 anos – Paços de Ferreira

Um dos poucos poços de criatividade da equipa nacional na Colômbia residiu na capacidade técnica de um jogador que tem futebol nos genes (o pai actuou inúmeros anos no Tirsense e chegou a ser internacional A) e se assumiu como um extremo desconcertante: Caetano.

Rápido, tecnicamente muito evoluído e com grande objectividade em todas suas movimentações, Caetano foi uma pincelada de classe numa equipa maioritariamente operária, dando mesmo a ideia que poderia e deveria ter sido ainda mais utilizado do que foi ao longo do Mundial.

Pérola do Paços de Ferreira, está no clube certo para continuar a sua ascensão no futebol português, sendo provável que dê um salto para um clube de outra envergadura daqui a uma ou duas épocas.

Nélson Oliveira poderá ser o futuro “nove” luso

Nélson Oliveira – Ponta de lança – 20 anos – Benfica

O ponta de lança da equipa das quinas sagrou-se com toda a justiça o segundo melhor jogador do campeonato do Mundo, prémio mais que merecido para um jogador que, por vezes, parecia lutar contra o Mundo e mesmo assim conseguia fazer o que pretendia, tal como é exemplo o golo que marcou ao Brasil.

Abandonado entre os centrais adversários durante todo o Mundial, Nélson Oliveira nunca cedeu às dificuldades, tornando-se, ao invés, num pesadelo para os adversários, que não sabiam como parar um avançado possante (1,86 metros) mas que também reúne inúmeras qualidades técnicas e de finalização.

Neste momento, após os empréstimos ao Rio Ave e Paços de Ferreira, terá a sua prova de fogo ao serviço da equipa sénior do Benfica, todavia, nesta fase, já ninguém duvida que o destino do avançado-centro será o sucesso ao serviço das águias e da equipa principal portuguesa.

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Svenssen foi um grande futebolista norueguês

Morreu ontem um atleta que, há cerca de cinquenta anos e oriundo de um país com poucas tradições futebolísticas, consagrou-se como o segundo jogador de todo o Mundo a conseguir 100 internacionalizações: Thorbjørn Svenssen. Defesa-central norueguês de grande talento individual, revelou sempre uma enorme fidelidade ao Sandefjord, único clube que representou durante a sua longa carreira de vinte e duas épocas.

22 anos de muitos jogos mas zero títulos

Thorbjørn Svenssen nasceu a 22 de Abril de 1924 e, durante todo o seu percurso como jogador de futebol, só conheceu um clube, o Sandefjord. Nesse clube norueguês, esteve entre 1945 e 1966, fazendo mais de 600 jogos em 22 épocas como sénior.

Apesar de ter jogado mais de vinte anos no Sandefjord, Svenssen nunca conquistou nenhum título ao serviço do clube escandinavo, sendo que, ainda assim, esteve perto de o fazer por três ocasiões: em 1955/56, quando foi segundo classificado no campeonato norueguês; em 1957, quando perdeu a final da Taça da Noruega com o Fredrikstad (0-4); e em 1959, quando voltou a perder a final da Taça da Noruega, dessa feita com o Viking (1-3).

O primeiro grande símbolo da selecção norueguesa

O defesa-central estreou-se pela selecção da Noruega a 11 de Junho de 1947, num duelo com a Polónia. Bastante talentoso e grande líder dentro de campo, assumiu a braçadeira de capitão quando cumpriu a décima segunda internacionalização num jogo diante do Egipto na noite de Natal de 1948.

Conhecido como “Klippen” (Rocha) por ser muito forte e rigoroso na marcação, Svenssen, durante catorze anos (1947-61), foi presença constante na selecção norueguesa, ao ponto de fazer 104 internacionalizações. Na altura, foi apenas o segundo jogador a fazê-lo, seguindo as pisadas do inglês Billy Wright.

Apesar da longa carreira internacional, o defesa-central norueguês acabou por ser prejudicado pela fraca qualidade do colectivo escandinavo e, assim, nunca actuou em nenhum campeonato da Europa ou do Mundo.

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Augenthaler levanta mais um título

Defesa-central alto, forte e imponente, foi um grande símbolo do único clube que conheceu ao longo da sua carreira sénior: Bayern de Munique e, também, da selecção da Alemanha Ocidental. Durante dezasseis anos, Klaus Augenthaler brilhou com essas duas camisolas mostrando ser um jogador que jamais virava a cara à luta e que dificultava ao máximo a vida aos avançados contrários que, muitas vezes, desesperavam na incapacidade de o ultrapassar. Versátil, terminou a carreira como líbero, mantendo todas as qualidades que, valha a verdade, não se resumiam ao plano defensivo, pois Augenthaler marcou mais de cinquenta golos ao longo da sua longa carreira.

Uma lenda do Bayern de Munique

Klaus Augenthaler nasceu a 26 de Setembro de 1957 em Fürstenzell, na Baviera, tendo feito quase todo o seu percurso juvenil ao serviço do modesto FC Vilshofen. Depois, em 1975, transferiu-se para o Bayern, onde começou nas camadas jovens, mas rapidamente chegou à equipa sénior.

Entre 1975 e o final da sua carreira em 1991, Klaus Augenthaler jogou sempre no Bayern. Efectuou 404 jogos (52 golos) pelo gigante bávaro e conquistou nove campeonatos alemães e três taças da Alemanha. Durante esse longo percurso, Augenthaler jogou uma final da Taça dos Campeões (perdeu, em 1982, 0-1 com o Aston Villa) e, ausente por castigo, viu os seus colegas perderem a final da Taça dos Campeões de 1987, por 2-1, com o FC Porto.

Campeão do Mundo pela Alemanha Ocidental

O defesa germânico fez, ao longo da carreira, 27 jogos pela selecção da Alemanha Ocidental, tendo participado no Mundial 1986 e no Mundial 1990.

No campeonato do Mundo do México, Augenthaler começou por ser titular nos dois primeiros jogos da Alemanha, ainda que depois tenha sido preterido nos restantes cinco, vendo, do banco, a equipa germânica perder a final do Mundial 1986 diante da Argentina de Diego Maradona (2-3).

Por outro lado, quatro anos mais tarde, no Mundial de Itália, Klaus Augenthaler foi titular durante os sete jogos da equipa alemã e, dessa forma, contribuiu de forma decisiva para um percurso imaculado dos germânicos que se sagraram campeões do Mundo após vencerem a Argentina, na final, por 1-0, graças a um golo de Andreas Brehme.

Um defesa duro e que marcava golos com regularidade

Não sendo muito alto (1,82 metros), Klaus Augenthaler era muito forte no jogo aéreo, sendo, também, quase intransponível com a bola junto à relva. Sempre disponível para lutar pela posse de bola, era implacável com os adversários que tinham imensa dificuldade em batê-lo.

Defesa-central de origem, foi, com o avançar da carreira, recuando para libero, sendo o percursor de grandes jogadores germânicos da posição como Mathias Sammer e Lothar Matthäus.

Dono de um forte pontapé, marcou 52 golos ao longo da sua carreira, nomeadamente através de remates de meia distância, fosse em jogo corrido ou em lances de bola parada.

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