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Posts Tagged ‘Campeonato Paulista’

Rojas com a camisola do Colo Colo

Dele se dizia que foi o grande ídolo de Michel Preud’Homme, um guarda-redes que fazia da velocidade, elasticidade, coragem e frieza entre os postes, qualidades que o superiorizavam aos melhores dos “porteros” sul-americanos. Contemporâneo de um Chile mais discreto que o actual, jamais teve a felicidade de disputar um campeonato do Mundo, ainda que a sua lenda se perpetuasse e difundisse pelo Mundo, que abria a boca de espanto por cada defesa impossível efectuada pelo chileno. Por culpa própria, acabou por ser obrigado a terminar a carreira mais cedo do que desejaria devido a um incidente num Brasil-Chile a contar para a qualificação para o Itália 90. Um acontecimento triste, que o impediu de ser ainda maior do que foi.

Um vencedor no Chile e no Brasil

Roberto Antonio Rojas Saavedra nasceu a 8 de Agosto de 1957 em Santiago do Chile e iniciou a sua carreira no modesto Aviación em 1975. Nesse clube chileno permaneceu até 1981, quando se transferiu para o Colo Colo, conjunto onde haveria de começar a construir a sua lenda.

Entre 1981 e 1987, o guarda-redes conhecido pelo “Condor” conquistou dois campeonatos do Chile e uma Copa Chile, tendo efectuado grandes exibições, garantido um lugar efectivo na selecção chilena e uma transferência para o São Paulo.

No futebol canarinho, Rojas não baixou de nível, tornando-se uma figura do “tricolor paulista” e ajudando-o a conquistar dois campeonatos paulistas (1987 e 1989).

Carreira terminou aos 32 anos devido ao episódio da “Fogueiteira do Maracanã”

A 3 de Setembro de 1989, o Chile disputava um jogo decisivo na qualificação para o Mundial 90 em Itália, defrontando o Brasil no Maracanã. Neste jogo, o Brasil apenas precisava de um empate, enquanto o Chile era obrigado a vencer para chegar ao campeonato do Mundo.

No segundo tempo, com o Chile a perder por 1-0, Rojas simulou ter sido atingido por uma tocha para que o jogo fosse interrompido e a equipa chilena pudesse vencer o encontro na secretaria. Contudo, após visionamento de imagens e de uma confissão do próprio guarda-redes, percebeu-se que a tocha jamais havia tocado no “Condor” Rojas.

Afinal, tudo não tinha passado de um plano para tentar impedir a eliminação do Chile, que consistia em pedir o cancelamento da partida por falta de segurança. Rojas entraria em campo com uma lâmina de barbear escondida na luva e, em determinado momento, cortaria o próprio rosto, fingindo que algo o haveria atingido. O sinalizador, portanto, foi apenas uma coincidência. No entanto, com a farsa descoberta, Rojas acabou banido da prática do futebol.

Até esse momento, o chileno somava 49 internacionalizações pela “Roja”, tendo sido peça fundamental no segundo lugar obtido pelo Chile na Copa América de 1987.

Um génio entre os postes

Roberto Rojas era daqueles guarda-redes que pareciam perfeitos, pois além de raramente cometer um erro, efectuava defesas que pareciam humanamente impossíveis.

Muito rápido, saía-se aos pés dos avançados com a velocidade e sagacidade de um gato, sendo ainda imperial no jogo aéreo e um autêntico elástico na forma como ia buscar as bolas aos locais mais difíceis.

Com um perfeito posicionamento entre os postes e agindo como um líder do sector recuado, ficou a ideia que se não fosse a sua carreira ter terminado de forma tão precoce, poderia ter atingido um patamar ainda superior no contexto futebolístico mundial.

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Gilmar é uma lenda do Santos e do Brasil

Quando se pensa em grandes guarda-redes, rapidamente nos vem à memória os nomes de jogadores como Michel Preud’Homme, Schumacher, Jean-Marie Pfaff ou Dino Zoff, sendo normal a tendência de ignorarmos os grandes guarda-redes de outros continentes como o sul-americano. De facto, entre os anos 50 e 60, no auge de um guarda-redes internacionalmente muito mais badalado como era o soviético Lev Yashin, o brasileiro Gilmar garantiu o direito de entrar na história do futebol, tanto pela sua enorme qualidade entre os postes, como pelos títulos e acima de tudo por ser o único guarda-redes a sagrar-se bicampeão do Mundo como titular da sua selecção.

Uma carreira dividida entre o Corinthians e o Santos

Gylmar dos Santos Neves “Gilmar” nasceu a 22 de Agosto de 1930 em Santos, Brasil, e foi formado nas escolas do modesto Jabaquara, tendo apenas se estreado em termos profissionais em 1951 ao serviço do Corinthians.

No “timão”, Gilmar permaneceu durante dez anos, efectuando 486 jogos e conquistando três campeonatos paulistas e dois torneios-Rio/São Paulo. Contudo, esses títulos foram todos conquistados entre 1951 e 1954. Assim sendo, em 1962, já com 31 anos, cansado do jejum de títulos e com conflitos com o Presidente do Corinthians, preferiu mudar de ares e transferiu-se para o Santos.

No clube de Pelé, Gilmar haveria de conhecer a melhor fase da sua carreira, permanecendo no Santos até 1969 e tendo conquistado inúmeros títulos pelo “peixe”, destacando-se duas taças intercontinentais, duas taças dos libertadores, quatro taças Brasil (a competição brasileira mais importante da época) e cinco campeonatos paulistas. Nesse período, Gilmar efectuou 330 jogos pelo Santos e garantiu por direito próprio o estatuto de ídolo do histórico clube paulista.

Dois títulos mundiais numa carreira de 16 anos com a canarinha

Gilmar foi internacional brasileiro entre 1953 e 1969 (ano em que se retirou dos relvados), tendo somado 94 internacionalizações e participado nos campeonatos do Mundo de 1958, 62 e 66.

Se no campeonato do Mundo de 1966 em Inglaterra, Gilmar não tenha sido feliz, pois apenas efectuou dois jogos e acabou eliminado na fase de grupos, tudo tinha sido diferente em 1958 e 1962, quando o histórico guarda-redes foi peça fundamental da equipa brasileira que conquistou os campeonatos do Mundo na Suécia e no Chile.

A última internacionalização de Gilmar foi a 12 de Junho de 1969 num jogo particular com a Inglaterra disputado no Maracanã, que o Brasil venceu por duas bolas a uma.

Um guarda-redes que marcava a diferença pela frieza

Gilmar era um guarda-redes que parecia sempre imperturbável, não esboçando qualquer reacção especial no seguimento de uma grande defesa ou de um frango.

Alto, calmo, corajoso e elástico, o internacional brasileiro tinha todas as qualidades exigidas a um guarda-redes de topo, tendo mantido-as durante toda a sua carreira e dando inclusivamente a ideia de as refinar com o passar dos anos.

Diz-se que um dia, após a conquista das taças intercontinentais pelo Santos de Gilmar, perguntou-se a Lev Yashin se ainda se achava o melhor guarda-redes do Mundo e o soviético, de pronto, atirou: “Eu o melhor guarda-redes do Mundo? Não! É Gilmar.” Naquele momento, talvez Yashin tivesse toda a razão…

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Elias é internacional canarinho

O reforço mais caro da história do Sporting Clube de Portugal é um médio-centro internacional brasileiro de grande pulmão e boa qualidade técnica que, a espaços, faz lembrar o ex-jogador do Benfica, Ramires. Falo, obviamente, de Elias.

Nascido a 16 de Maio de 1985 em São Paulo, Brasil, Elias Mendes Trindade fez todo o seu percurso como jogador juvenil no Palmeiras, ainda que nunca tenha envergado a camisola do clube paulista como sénior.

Após abandonar o Palmeiras, iniciou a sua carreira profissional em 2005, no Náutico, tendo passado depois pelo São Bento, Juventus (São Paulo) e Ponte Preta. As boas exibições realizadas, nomeadamente no Ponte Preta onde foi vice-campeão paulista em 2008, valeram-lhe a transferência para o Corinthians.

O novo reforço leonino deixou saudades no Timão

Um ídolo da torcida no Corinthians

Elias permaneceu no Timão entre 2008 e o final de 2010, tendo realizado 160 jogos (58 golos) pelo clube paulista e sendo visto como um dos grandes ídolos dos exigentes adeptos do gigante brasileiro. No Corinthians, o internacional brasileiro ajudou o clube a regressar à primeira divisão logo em 2008, e foi peça fundamental nas conquistas do campeonato paulista e da Taça do Brasil no ano de 2009.

Essa ascensão meteórica ao serviço do Timão, valeu a Elias a chegada a internacional brasileiro e, também, uma transferência para o Atlético de Madrid a meio da temporada 2010/11. Contudo, no clube madrileno, Elias nunca confirmou na totalidade o que demonstrou ao serviço do Corinthians, transferindo-se neste defeso para o Sporting por 8,8 milhões de euros.

Elias já é sócio do Sporting

Um guerreiro com boa técnica

Elias é um médio-centro de enorme pulmão, daqueles que não param um segundo em constantes transições defesa/ataque e ataque/defesa e actua sempre no limite das suas forças.

Rápido, inteligente em termos tácticos e com boa técnica, é ideal para funcionar como elemento mais ofensivo de um duplo-pivot, ainda que também funcione muito bem como interior-direito ou mesmo médio-direito.

Com uma boa meia-distância e aparecendo muitas vezes em zona de tiro, é jogador para ajudar a resolver os problemas de finalização do Sporting, até porque o internacional brasileiro costuma terminar as temporadas com uma excelente média de golos.

Em suma, um reforço muito caro, mas que, pelas suas características, poderá ser bastante útil para a equipa leonina nesta temporada de 2011/12.

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