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Posts Tagged ‘Carl Zeiss Jena’

A equipa do Leixões que venceu o FC Porto (2-0)

Em 1960/61, Leixões e FC Porto apuram-se para a final da Taça de Portugal e, como esta seria entre dois clubes do norte, a Federação portuguesa de futebol dá a ambos os clubes a possibilidade de se entenderem quanto ao melhor local para disputarem o encontro decisivo. Curiosamente, o jogo acaba por se disputar nas Antas, mas o Leixões, mesmo na casa do adversário, acaba por surpreender tudo e todos, vencendo por 2-0 (golos de Silva e Osvaldo Silva), apurando-se para a Taça das Taças (1961/62), uma competição em que o Leixões iria fazer uma recuperação impressionante e seria obrigado pela NATO a jogar dois jogos fora nos quartos de final…

La Chaux de Fonds e Progresul não pararam o Leixões

Naquela que era apenas a segunda edição da Taça das Taças, o Leixões defrontou, na 1ª Ronda, os suíços do La Chaux de Fonds, uma equipa agora desconhecida, mas que, na altura, somava dois campeonatos suíços e seis taças da Suíça no palmarés. O primeiro jogo, em terras helvéticas, foi um desastre e o Leixões perdeu por 6-2, acreditando-se que a primeira presença europeia da equipa de Matosinhos ia terminar logo ali.

Contudo, na segunda mão, a equipa portuguesa encheu-se de brio e despachou o La Chaux de Fonds por 5-0 com golos de Osvaldo Silva (2), Oliveira (2) e Ventura, apurando-se para os oitavos de final numa partida memorável no pelado do Campo de Santana.

O segundo obstáculo dos leixonenses era uma equipa romena que também tinha bastante mais prestígio na altura do que tem neste momento: Progresul Bucareste. Numa eliminatória equilibrada, o Leixões começou por empatar no Estádio de Alvalade (1-1), para depois ir à Roménia surpreender o adversário vencendo o Progresul por 1-0. Nesta ronda, o marcador de ambos os golos foi a grande estrela da equipa: Osvaldo Silva.

NATO facilitou a vida ao Motor Jena

Nos quartos de final da prova, o sorteio ditou que o Leixões tinha de defrontar uma equipa da Alemanha Oriental, neste caso, o Motor Jena (agora Carl Zeiss Jena). Após chegar-se a acordo para as datas dos jogos em Jena e Lisboa, os germânicos voltam atrás e propõem que o Leixões faça os dois jogos na RDA com todas as despesas pagas.

Os leixonenses não aceitam e obrigam à intervenção da NATO, que nega os vistos de entrada em Portugal aos jogadores alemães (há quem diga que Salazar também dá o seu parecer negativo…) Como a UEFA não se meteu no assunto, o Leixões acabou mesmo por fazer os dois encontros na Alemanha Oriental, empatando 1-1 em Jena e perdendo 3-1 em Gera (campo “neutro”), terminando assim de forma inglória a sua campanha europeia, pois os leixonenses acreditam que, após o tal empate de Jena, teriam superado o clube alemão se o segundo jogo se disputasse em Portugal.

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Perdido na obscuridade da terceira liga alemã está um dos maiores clubes da antiga Alemanha de Leste: Carl Zeiss Jena.
Fundado em 1903 por funcionários da empresa de óptica, Carl Zeiss, o clube de Jena teve o primeiro grande momento da sua história em 1931, quando entrou na Gauliga Mitte (campeonato regional que compreendia as regiões alemãs da Saxónia, Turingia e Anhalt), competição que venceu em 1935, 36, 40 e 41. Essas vitórias permitiram ao 1. SV Jena (como era conhecido na altura) participar no campeonato alemão, contudo, o Jena nunca fez boa figura e jamais passou da fase preliminar.
Após a 2ª Guerra Mundial, a cidade de Jena ficou na parte oriental da Alemanha e, como tal, o actual Carl Zeiss Jena teve de participar na Liga de Futebol da RDA.
Membro fundador da 2ª divisão em 1950, o Jena não teve momentos muito gloriosos na década de 50, contudo, rebaptizado de Motor Jena em 1954, o clube iria vencer a Taça da RDA (1960) e o campeonato da RDA (1963). Foi o primeiro grande passo na sua afirmação como um grande da Alemanha Oriental.
Depois, já novamente como Carl Zeiss Jena, o clube iria, entre 1966 e 1975, viver a fase mais gloriosa da sua história, conquistando mais dois campeonatos (68 e 70) e duas taças (72 e 74). Nessa fase, a equipa também conquistaria meia dúzia de segundos lugares.
No entanto, a partir de 1975, a equipa viveu um ligeiro declínio, apenas interrompido pela conquista da Taça da RDA (1980) e pela final da Taça das Taças (1981) perdida diante do Dinamo Tiblissi (1-2).
A reunificação alemã, ocorrida em 1990, apenas contribuiu para agravar esse declínio e o Carl Zeiss tem andado entre a segunda, terceira e, até, quarta divisão, restando apenas as memórias de épocas gloriosas.

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