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Posts Tagged ‘Carlos Carvalhal’

Eduardo será o nº2 para a baliza

Provável segunda escolha para a baliza de Portugal no campeonato da Europa, é um dos casos mais curiosos nesta convocatória, pois trata-se de um guarda-redes que mal jogou ao longo da época 2011/12, devido a estar tapado no Benfica pelo brasileiro Artur Moraes. Ainda assim, mereceu a confiança de Paulo Bento para estar no Euro 2012, talvez por este ainda se recordar das brilhantes actuações de Eduardo ao longo do Mundial 2010, competição onde o ainda guarda-redes encarnado fez a totalidade dos 360 minutos que Portugal somou na África do Sul e apenas sofreu um golo, fatídico, diga-se, de David Villa.

Percurso desportivo

Eduardo dos Reis Carvalho nasceu a 19 de Setembro de 1982 em Mirandela, Portugal, e é um produto das escolas de formação do Sporting Clube de Braga. Entre 2000/01 e 2005/06, o guarda-redes português foi conquistado o seu espaço no Braga B, clube secundário dos arsenalistas onde Eduardo efectuou 110 jogos, tendo, nessa fase, se sentado no banco da equipa principal dos bracarenses várias vezes.

Em 2006/07, os responsáveis do Sp. Braga, perceberam que Eduardo já não poderia continuar a competir convenientemente numa pouco exigente II Divisão nacional e, como tal, emprestaram-no ao Beira-Mar, clube onde o guarda-redes somou 20 jogos oficiais. Na temporada seguinte, Eduardo voltaria a ser cedido, desta feita ao Vitória de Setúbal, onde, sob o comando de Carlos Carvalhal, fez a sua primeira grande época, somando 41 jogos e sendo peça fundamental na conquista da Taça da Liga, após defender três grandes penalidades na final diante do Sporting.

Essa excelente época, valeu-lhe o regresso ao Sp. Braga, clube onde durante duas temporadas foi titular indiscutível, destacando-se a segunda, onde apenas sofreu 20 golos no campeonato, contribuindo para o excelente segundo lugar dos bracarenses nessa edição da Liga Zon Sagres.

No defeso de 2010/11, transferiu-se para o Génova, onde jogou com regularidade durante a época transacta (37 jogos), mas onde nunca convenceu verdadeiramente responsáveis e adeptos do clube da Ligúria. Essa falta de confiança nas suas qualidades foram decisivas para o empréstimo de Eduardo ao Benfica, todavia, aí, o guarda-redes português não foi feliz, tendo somado apenas um jogo no campeonato e oito nas taças domésticas.

Qualidades e Lacunas

Curiosamente Eduardo é um guarda-redes parecido com Rui Patrício, nomeadamente na principal lacuna, pois, tal como o guarda-redes leonino, Eduardo sempre teve problemas com os cruzamentos. A principal diferença é que, ao contrário do habitual titular verde-e-branco, Eduardo nunca conseguiu corrigir tão bem esta deficiência.

Pouco espectacular mas eficaz entre os postes, Eduardo é um guarda-redes que responde com rapidez e eficiência aos problemas que lhe são postos, pois, não sendo especialmente elástico, sabe ocupar com mestria a sua zona de acção, acabando por ser efectivo na defesa da baliza.

Para além disso, trata-se de um líder que sabe comandar muito bem o sector recuado e partilha com Rui Patrício uma especialidade: a defesa de grandes penalidades, sendo, por tudo isto, uma alternativa válida para a baliza caso Rui Patrício se magoe ou seja castigado ao longo do campeonato da Europa.

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O adversário do Sporting de Braga nos dezasseis avos de final da Liga Europa é um clube turco da parte europeia da cidade de Istambul, terceiro mais importante da Turquia e que tem feito um investimento fortíssimo nos últimos anos com a contratação de estrelas como Simão, Quaresma, Manuel Fernandes e o já entretanto retirado Guti. A onze pontos do líder Fenerbahçe no campeonato turco, o Besiktas tentará salvar a época com uma boa campanha nesta Liga Europa, sendo que a equipa da cidade mais importante da Turquia assume-se como favorita para este confronto diante dos arsenalistas.

O Besiktas actua no Estádio Inönü

Quem é o Besiktas?

O Beşiktaş Jimnastik Kulübü  foi fundado em 1903 ainda durante o Império Otomano, tendo conquistado treze campeonatos de Istambul antes da criação do campeonato nacional da Turquia.

Em 1956, criou-se uma Taça Nacional, que era a única competição que juntava todas as equipas da Turquia, sendo que o Besiktas foi o clube que a venceu durante as duas edições que ela durou, sendo o representante turco na Taça dos Campeões nessa altura.

Em 1958/59, criou-se finalmente o campeonato nacional, com o Besiktas a manter-se como um dos grandes clubes turcos desde essa data, conquistando mais onze campeonatos, nove taças da Turquia e oito supertaças, estando apenas atrás de Galatasaray e Fenerbahçe em títulos conquistados.

Carvalhal é o treinador do conjunto turco

Como joga?

O Besiktas actua normalmente num 4x2x3x1 de perfil bastante português, pois é treinado por Carlos Carvalhal e conta no seu habitual onze com jogadores como Manuel Fernandes, Simão, Quaresma e Hugo Almeida. Evoluída tecnicamente, a força da equipa turca está claramente no meio-campo ofensivo, onde conta com jogadores acima da média como os já referidos Simão, Quaresma e Manuel Fernandes.

O ponto mais fraco do conjunto de Istambul e que deverá ser aproveitado é a sua defesa, claramente a um nível inferior ao conjunto que os turcos têm do meio-campo para a frente, revelando-se um sector lento e que no campeonato turco sofre uma média de um golo por jogo.

O onze que os turcos deverão apresentar na Pedreira não deverá andar longe do seguinte: Gonen; Toraman, Sivok, Gulum e Korkmaz; Kavlak e Ernst; Quaresma, Manuel Fernandes e Simão; Hugo Almeida.

Os adeptos do Besiktas amam Quaresma

Quem é que o Braga deve ter debaixo de olho? Quaresma

A alma e poço de criatividade deste conjunto turco é o nosso bem conhecido Quaresma, jogador de 28 anos que se assume como a estrela da companhia, na forma como empurra a equipa para frente e, também, transforma os adeptos no décimo-segundo jogador, pois os fanáticos adeptos do Besiktas adoram-no.

Sem grande sucesso internacional após ter abandonado o FC Porto em 2008, o extremo lusitano reencontrou a alegria do seu futebol na equipa de Istanbul, sendo habitual titular desde que chegou ao Besiktas na temporada passada.

Ao Sporting de Braga, caberá ter o máximo de atenção ao que Quaresma possa fazer no flanco direito do ataque turco, sendo que o lateral-esquerdo escolhido por Leonardo Jardim (Miguel Lopes?) terá de ter atenções redobradas na anulação do perigoso internacional português, até porque anulando Quaresma, anula-se 50% do jogo ofensivo do Besiktas.

Como chegou aos 16/final?

Playoff: Besiktas vs Alania Vladikavkaz (RUS) 3-0 e 0-2

Fase de Grupos: 

  • Besiktas vs Dínamo Kiev (UCR) 1-0 e 0-1
  • Besiktas vs Stoke City (ING) 3-1 e 1-2
  • Besiktas vs Maccabi Telavive (ISR) 5-1 e 3-2
Classificação:
  1. Besiktas 12 pontos
  2. Stoke City (ING) 11 pontos
  3. Dínamo Kiev (UCR) 7 pontos
  4. Maccabi Telavive (ISR) 2 pontos

Confrontos com equipas portuguesas em provas da UEFA

Taça UEFA (2005/06): V. Guimarães vs Besiktas 1-3

Liga dos Campeões (2007/08): Besiktas vs FC Porto 0-1 e 0-2

Liga Europa (2010/11): Besiktas vs FC Porto 1-3 e 1-1

As possibilidades do Sporting Clube de Braga

O Besiktas é favorito para esta eliminatória, pois tem um plantel com jogadores de grande renome internacional e conta com um orçamento que não tem qualquer comparação com o arsenalista. Ainda assim, a equipa bracarense é muito matreira e cínica na forma como actua, podendo, dessa forma, aproveitar a menor qualidade do sector defensivo turco para surpreender com a velocidade de elementos rápidos como Lima, Mossoró ou Alan.

Se o Sporting de Braga conseguir vencer na primeira mão, nem que seja só por 1-0, poderá depois dar a machadada nas aspirações do Besiktas na segunda mão, jogando em contra-ataque em Istambul.

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Equilibrio táctico

Chegou de forma surpreendente à equipa, mas mostrou todo o seu valor. Pedro Miguel da Silva Mendes, de 31 anos, é um médio centro, que joga no Sporting Clube de Portugal e espreita a titularidade da selecção nacional.

Começou sua carreira profissional a jogar no Felgueiras (1998/99), emprestado pelo Vitória de Guimarães, onde regressou um ano depois. Em Guimarães jogou quatro temporadas, até se transferir para o FC Porto (2003/04), onde, pelo comando de José Mourinho, mostrou toda a sua capacidade táctica e fez parte de uma equipa ganhadora: Liga dos Campeões, a Liga Portuguesa e a Supertaça num só ano. Em Julho de 2004, transfere-se para a Premier League inglesa, para jogar no Tottenham, onde esteve durante uma época e meia. Seguiu-se a transferência para o Portsmouth em Janeiro de 2006, onde ganhou uma Taça de Inglaterra e esteve até ao verão de 2008. Segue-se uma temporada de bom nível no Glasgow Rangers, onde ganhou um campeonato da Escócia. Na sua segunda época no clube escocês sofre uma lesão que o afasta dos relvados até ao seu ingresso no Sporting, para onde se transfere em Janeiro deste ano. No Sporting cedo ganhou o seu lugar na equipa, sendo uma peça importante para a equipa treinada por Carlos Carvalhal.

A sua presença na selecção remonta a 2002, onde entrou a substituir Rui Costa, num particular contra a Escócia (Portugal ganhou esse jogo por 2-0), mas as suas aparições foram sendo esporádicas. Até que foi chamado à equipa para dois jogos de apuramento para o Mundial 2010. Surpreendentemente, apareceu como titular frente à Hungria, jogando o jogo todo e fazendo uma grande exibição, que não só convenceu os críticos, como se afirmou como uma alternativa válida para aquela posição.

Pedro Mendes é um médio que passa despercebido ao olhar mais desatento, mas é uma peça fundamental no jogo de equipa. Tanto pode jogar a trinco (à frente da defesa), como na posição (8), funcionando como um médio centro mais táctico e focado na equipa. É um jogador que prima pela inteligência dentro de campo e uma capacidade de preencher os espaços muito acima da média. Não é um jogador de rasgos ou momentos mágicos, mas é um ponto de equilíbrio na circulação de bola e nas transições defesa-ataque e ataque-defesa. Sabe posicionar-se nos locais certos, no tempo certo, seja para cortar os ataques contrários, como para “empatar” esses ataques, permitindo que a equipa portuguesa se recomponha. É um jogador que não gosta de ter a bola nos pés por boas razões: não empata o jogo da sua equipa e circula a bola rapidamente, criando fluxo de jogo. O seu ponto fraco é o jogo aéreo, tem apenas 1,73m e não tem uma grande impulsão.

Dentro do esquema táctico de Portugal, poderá ser muito importante a jogar como trinco, num sistema de 4-3-3, funcionando como uma linha de passe de referência na circulação de bola. Num sistema de losango, poderá ser usado, com maior eficácia como um interior que tenha a tarefa de compensações tácticas, do meio campo e da cobertura da subia de laterais – um pouco como a tarefa de Tiago Motta ou Inter de Milão.

Provavelmente será usado como trinco à frente da defesa, mas a sua titularidade não é garantida, já que Pepe (apesar de não ser uma decisão unânime) também é um candidato ao lugar. Dependerá do adversário e de como o seleccionador quiser que a equipa jogue: mais mobilidade ou mais músculo. Uma escolha entre a inteligência táctica de Mendes e a capacidade física de Pepe.

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No final da Jornada 28, a Liga Sagres poderá ter um novo campeão. Para isso, basta que o Benfica (recebe o Olhanense) faça melhor que o Sp. Braga (desloca-se à Figueira da Foz). Assim sendo, será, por certo uma jornada explosiva que terá também um importantíssimo, o V. Setúbal-FC Porto. Um encontro que colocará frente a frente uma equipa que procura alcançar a manutenção e outra que ainda sonha com a “Champions League”.

 

Benfica-Olhanense

O Benfica, por certo, deseja ser campeão o mais rápido possível e terá esperança que isso aconteça já esta jornada. Para isso, basta vencer (se o Braga empatar ou perder) ou empatar (se os arsenalistas perderem) com a Olhanense. No entanto, as águias não defrontam uma equipa fácil, pois os algarvios, apesar de lutarem pela manutenção, praticam um futebol positivo e já empataram no Dragão (2-2). Assim sendo, prevê-se um excelente jogo no Estádio da Luz.

Naval-Sp. Braga

O campeonato dos bracarenses tem sido excepcional, mas as esperanças no título vão se perdendo à medida que o Benfica não vacila diante de nenhum dos seus adversários. Ainda assim, o Braga tudo fará para adiar ao máximo o título encarnado e também não se pode esquecer que o segundo lugar não está garantido, pois o FC Porto está a cinco pontos… Como tal, diante da tranquila Naval, só a vitória interessa aos arsenalistas.

V. Setúbal-FC Porto

O regresso de Hulk permitiu ao FC Porto mostrar a melhor face da época, todavia, para azar dos portistas, esta nova cara surgiu tarde demais para serem campeões. Ainda assim, existe uma ligeira esperança no segundo lugar e consequente acesso à “Champions League”. Assim sendo, só a vitória interessa diante de uma equipa que, por ainda lutar pela manutenção, tudo fará para dificultar a missão dos dragões.

U. Leiria-Sporting

Nesta altura da época, a garantia matemática do quarto lugar é o único objectivo desportivo dos leões. Contudo, Carvalhal quererá fazer um excelente final de época para mostrar que tinha valor para continuar a treinar os verde e brancos. Assim sendo, diante de um adversário que ainda sonha com a Liga Europa, espera-se que o Sporting dê tudo por alcançar mais uma vitória e garantir, definitivamente, o quarto lugar na Liga Sagres.

Leixões-Académica

Jogo explosivo em Matosinhos. O Leixões, quatro pontos abaixo da linha de água, joga um dos últimos cartuchos para a manutenção na Liga Sagres. Contudo, defronta uma Académica que ainda não está salva e que, por isso, tudo fará para não perder este encontro. Trata-se, sem dúvida, de um duelo a não perder.

 

Nos outros jogos, destaque para o Nacional-P. Ferreira e V. Guimarães-Belenenses. Madeirenses (36 pts.) e Vimarenenses (37 pts.) estão separados por apenas um ponto e lutam pelo último lugar que dá acesso à Liga Europa (o quinto) defrontando adversários que parecem resignados ao meio da tabela (no caso do Paços) e à descida (no caso do Belenenses); Por fim, saliente-se o Rio Ave-Marítimo, entre uma equipa tranquila (vilacondenses) e outra que ainda sonha com a Europa (maritimistas).

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Paulo Sérgio o futuro treinador do Sporting

Após o anúncio da saída de Carlos Carvalhal todos se questionaram quem seria o treinador do Sporting para a próxima temporada. Muito se falou, mas, mais uma vez, todos nós “rematámos ao lado”.

Nomes como Paul Le Guen, Manuel José ou Villas Boas eram falados e todos obedeciam a um critério válido e óbvio. Le Guen, entre outros (não portugueses), seria visto como o estrangeiro de qualidades inquestionáveis, que traria prestígio, métodos de trabalho e uma nova maneira de estar ao clube. Manuel José seria visto como um treinador com grande experiência, conhecedor do futebol português e que após experiências ganhadoras fora de Portugal tinha as condições para treinar e ter sucesso num grande clube português. O caso de Vilas Boas era visto como um treinador jovem e com experiência de trabalho em grandes clubes europeus ao lado de José Mourinho, o que lhe atenuava a pouca experiência “a solo”.

Diferentes critérios que se podiam aceitar para uma escolha que se pedia arrojada. No entanto, o resultado nada teve de arrojado e podemos mesmo dizer que “a montanha pariu um rato”. Pedia-se mais e uma aposta mais arrojada, que fosse capaz de mobilizar os sportinguistas.

Não tenho nada contra Paulo Sérgio, mas apesar de lhe reconhecer valor ao nível técnico-táctico, tenho grandes dúvidas se não será cedo para treinar um clube grande e arrisco-me a dizer que era preferível ficarmos com Carlos Carvalhal – que tem feito um bom trabalho, dentro do possível. Não será cedo para Paulo Sérgio dar o salto? Não tendo largos anos de experiência como treinador, nem qualquer experiência em clubes de topo, arrisco-me a dizer que, apesar das qualidades e potencial, pode não estar preparado para treinar um clube grande.

Nos últimos 20 anos, poucos foram os treinadores campeões em Portugal em situações de falta de experiência (anos de carreira ou experiências ao mais alto nível). Apenas me recordo de Fernando Santos, que treinou o FC Porto numa série de vitórias e sob o “efeito Jardel”, e claro de Bölöni, com uma equipa onde, também, figurava o “Super Mário”. Todos os outros tinham anos de carreira (Trapattoni, Robson, Jaime Pacheco, Jesualdo Ferreira) ou vivência de clubes grandes como jogador/treinador/adjunto (Inácio, Co Adriaanse ou António Oliveira). Se acreditarmos no que o historial do nosso campeonato nos diz, Le Guen, Manuel José e Vilas Boas teriam mais chances de ser campeões do que o treinador escolhido.

Da minha parte, o treinador Paulo Sérgio terá todo o apoio e benefício da dúvida. Mas não posso apoiar uma escolha em que os critérios são pouco claros e o historial de treinadores campeões não corre nada a seu favor. Estará Paulo Sérgio preparado e terá as condições para levar o Sporting ao título de campeão? O tempo o dirá.

PS: uma nota para a participação do Sporting no torneio quadrangular nos Estados Unidos. Dá prestígio participar neste tipo de torneios, mas existe um pormenor de que todos se esqueceram: datas. Como é possível se planear uma época desportiva sem olhar ao calendário? O Sporting joga a 3º pré-eliminatória da Liga Europa a 29 de Julho, enquanto o torneio acaba a 25 do mesmo mês. Quatro dias de diferença, contando que existe uma viagem de oito horas e um jetlag de cinco horas, acrescentando a hipótese de o Sporting jogar fora a primeira mão. Ou o Sporting cancela o torneio, ou tenho grandes dúvidas em relação à condição da equipa para esse jogo.

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Todos nós conhecemos o chamado “efeito borboleta”: o simples bater de asas de uma borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e assim provocar um tufão do outro lado do mundo. No mundo do futebol, este fenómeno acontece mais vezes do que seria de esperar e nem sempre de forma aleatória.

Na passada terça-feira jogou-se o derby lisboeta entre os dois eternos rivais. O Sporting estava a fazer um bom jogo e bastou uma borboleta bater as asas para influenciar o rumo dos acontecimentos. Não querendo entrar em debate sobre quem mereceu ganhar ou se o resultado foi justo, centro o meu texto em torno de como um só fenómeno pode mudar o rumo de um jogo.

Aos 47 minutos de jogo (logo no início da segunda parte), o árbitro faz vista grossa a uma entrada a pés juntos, com o jogo interrompido e pelas costas, do jogador Luisão sobre Liedson. O arbitro vê o lance e mostra o cartão amarelo em vez do cartão vermelho – que segundo as regras se aplicava, implicando a expulsão do referido jogador. A partir daí o jogo decorre de forma (a)normal.

Durante o jogo, houve mais lances para expulsão (para ambos os lados) – como a agressão do mesmo Luisão a Tonel, ou a entrada agressiva de Veloso sobre Ramires, mas o que este lance tem de diferente?

Em primeiro lugar, a forma como o arbitro faz vista grossa e não aplica as regras: foi à frente do arbitro que vê e pune o lance; ao ver o lance tinha obrigatoriamente de expulsar o jogador já que a entrada é clara e não deixa margem para dúvidas; e, se o lance está interrompido não podia punir uma falta para amarelo porque não há disputa de bola num lance, mas sim uma agressão e correspondente vermelho. Em segundo lugar, o efeito psicológico que este lance tem nas duas equipas: no início de uma parte o arbitro decide, de forma escandalosa, não aplicar as leis de jogo e esta decisão inibe uma equipa que se vê descriminada, enquanto relaxa a outra que se sente protegida. Um lance que condiciona o desenrolar de um jogo.

Acrescentemos que na jornada anterior o jogador Izmailov tinha sido expulso, justamente, por uma entrada semelhante e o Sporting é condicionado por não poder contar com o russo na partida seguinte. Na meia final da Taça da Liga, o jogador João Pereira foi expulso no início da partida por uma entrada violenta sobre o jogador Ramires e o Sporting encontra-se condicionado durante quase toda a partida.

Parece-me óbvio que pequenas coisas fazem grandes diferenças sobre o desenrolar de um jogo de futebol. Mas, é deveras preocupante que “o bater das asas das borboletas” não seja uniforme. Mais preocupante ainda é que as entidades responsáveis façam vista grossa e legitimem determinadas situações para uns e as punam para outros.

Sou um grande adepto da inclusão das novas tecnologias no futebol para reduzir a entropia de determinadas decisões, mas há situações que ultrapassam a mera questão do erro humano.

PS: Três notas importantes,

1- As declarações como as do jogador Luisão sobre o lance, em que diz que escorregou, são absurdas. Toda gente viu que foi deliberado, se queremos seriedade no futebol não podemos legitimar este condutas.

2 – O caso de Luisão não é o único caso de protecção que influencia a verdade desportiva e as “virgens ofendidas” que tanto falaram do caso de Bruno Alves na final da taça da liga deviam de ter o mesmo discurso sobre o jogador Luisão.

3 – Uma palavra para Costinha que esteve muito bem ao assumir para si a responsabilidade da conferência de imprensa para falar sobre a dualidade de critérios sobre jogadas semelhantes. Ao mesmo tempo que disse a verdade, protegeu Carlos Carvalhal de um possível castigo por este tipo de declarações. Bom trabalho.

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A decisão de não renovar o contrato com Carlos Carvalhal não deixou ninguém surpreendido, mas o timming do comunicado à CMVM não deixa de ser inoportuno por o Sporting ainda ter uma “mão cheia” de jogos pela frente no objectivo (colocado pelo presidente José Eduardo Bettencourt) de assegurar o quarto lugar no campeonato.

Carvalhal não é o melhor treinador do mundo, nem se esperava que o fosse. Mas também  não é o pior. E pessoalmente, penso que Carvalhal fez o trabalho possível perante as condições que teve para trabalhar: um plantel curto e desequilibrado, chegou a meio da época e herdou um grupo de trabalho “destruído” por um início de época desastroso, teve de lidar com casos graves como o de Sá Pinto e o de Izmailov, pouco tempo para implementar rotinas de jogo numa equipa que tinha quatro anos de um esquema de jogo totalmente diferente, contínuas lesões, falta de protecção interna e externa, etc. O cenário parece-me realmente duro para qualquer treinador e só um nome inquestionável poderia sair imaculado desta situação. Ainda assim, Carvalhal mostrou um profissionalismo exemplar e uma capacidade de aguentar e ultrapassar momentos e situações que, provavelmente, outro treinador não teria a resistência psicológica para o fazer.

Não quero defender a continuidade de Carvalhal nem aplaudir a sua saída. Quero deixar claro a minha admiração por um treinador que merecia mais respeito por parte do Sporting.

Um treinador que não é apresentado em conferência de imprensa, que vê o seu presidente “chorar” pelo seu antecessor, que é enxovalhado na imprensa sem que o Sporting saia em sua defesa, que tem um contracto de 6 meses sem que lhe seja claro as possibilidades da sua continuidade e que vê ser comunicada a sua não continuidade através de um comunicado (o mais correcto seria o próprio Carvalhal fazer esse comunicado numa conferência de imprensa, de preferência no final do último jogo do campeonato) é um treinador que não foi tratado com o respeito que merecia. E isso deixa-me triste e preocupado.

Uma instituição como o Sporting Clube de Portugal deve sempre tratar com dignidade e respeito os seus colaboradores. Por uma questão de bom nome e de ética profissional. Acho totalmente descabido que um treinador que tenha um discurso e uma postura profissional e exemplar no desempenho das suas funções seja tratado da forma como Carlos Carvalhal tem sido pela estrutura directiva do Sporting. Não está em causa as suas capacidades de treinador (que os responsáveis têm o direito e o dever de ajuizar sobre as mesmas), mas sim o respeito e a conduta que uma organização deve ter sobre quem sempre fez o seu melhor em prol do Sporting.

Existe um património humano em todas as organizações que tem valor, e se queremos ser respeitados temos de respeitar. Preocupa-me que o Sporting Clube de Portugal não tenha procedido da melhor maneira para com um profissional do clube e o tenha instrumentalizado desta forma. A grandeza de um clube vê-se dentro e fora de campo. Este tipo de conduta não contribui em nada na valorização e dignificação do meu clube.

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