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Gaitán e Salvio são dois extremos que pensam e executam o futebol de maneira completamente diferente

Gaitán e Salvio são extremos que pensam e executam o futebol de maneira bem diferente

Na minha concepção de ver o desporto rei, existem dois tipos de extremos no futebol moderno: um extremo de linha e de profundidade, que costumamos chamar de “extremo puro”; e o extremo de diagonais e de constante procura do espaço interior, que classificamos como “falso extremo”.

Ora, em equipas que jogam declaradamente com dois alas/extremos, é normal que se procure actuar com um “extremo puro” e um “falso extremo”, situação que permite aumentar as soluções ofensivas, uma vez que as equipas poderão ir alternando pela lateralização ou interiorização da jogada, sendo que essa multiplicação de opções se torna ainda mais vincada se os alas tiverem a capacidade de trocar facilmente de flanco.

Aliás, quando olhamos para os “três grandes”, percebemos que todos optam regularmente por um extremo mais vertical num flanco e por outro com características opostas no outro:

Benfica -> Gaitán (falso-extremo) e Salvio (extremo puro)
FC Porto -> Brahimi (falso-extremo) e Tello/Quaresma (extremo puro)
Sporting -> Nani (falso-extremo) e Carrillo (extremo puro)

Claro que, dentro de cada estilo de extremo, existem sempre diferenças claras entre certos jogadores:

Por exemplo, Nico Gaitán pensa muito mais como um “dez” do que Nani, sendo que o internacional argentino é o exemplo mais emblemático da Liga de um falso ala-extremo que sabe compensar, em conjunto com as inteligentes recuos de Jonas, o facto do Benfica não usar um “dez” de raiz como era por exemplo Pablo Aimar.

Por outro lado, o MVP do Sporting em 2014/15, André Carrillo, apesar de ser preferencialmente um extremo de profundidade, é um jogador que consegue procurar zonas centrais com maior facilidade do que jogadores mais unidimensionais, como são Eduardo Salvio ou Tello, algo que até devia ser mais usado por Marco Silva, por forma de contrariar a excessiva lateralização de jogo ofensivo leonino.

Inegável, todavia, é que todos os debates para definir quem é o melhor extremo, que muitas vezes são iniciados por adeptos e comunicação social, pecam muitas vezes por isto mesmo, pela incapacidade de compreenderem que é tão complicado comparar Nani a Salvio como será comparar Jackson Martínez a Jonas, outros dois jogadores que actuam na mesma posição mas têm funções dentro do terreno que estão longe de ser semelhantes.

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Josué seria uma mais-valia para o novo Sporting

Josué seria uma mais-valia para o novo Sporting

van Wolfswinkel já partiu e, por certo, muitos outros vão abandonar o plantel verde-e-branco. Alguns como Boulahrouz, Jeffrén ou Adrien Silva dificilmente deixarão saudades na massa associativa leonina, contudo, as previsíveis saídas de elementos como Rui Patrício, Diego Capel ou mesmo Bruma prometem deixar a família sportinguista à beira de um ataque de nervos e de uma claro medo do futuro.

Ainda assim, penso que não há razões para temores gigantescos. Se houver critério e se souber escolher, é perfeitamente possível fazer uma equipa que possa lutar pelo terceiro lugar na próxima temporada e que garanta, pelo menos, o quarto lugar da classificação geral.

Muitos de vós vão dizer que o quarto lugar não é um lugar à “Sporting” e que mesmo o terceiro é limitado para aquilo que deviam ser as ambições verde-e-brancas. Contudo, desde 2009/10, passaram-se quatro temporadas e, em duas delas, os leões ficaram em quarto lugar, nesta vão ficar na mais remota e positiva das hipóteses no quinto e, em 2010/11, é verdade que os verde-e-brancos atingiram o terceiro lugar, mas foi in extremis e devido ao Sporting de Braga ter priorizado a campanha europeia nessa temporada (atingiu a final da Liga Europa).

Se a isto acrescentarmos que o orçamento nessas temporadas foi sempre superior ao que vamos ter em 2013/14, concluímos que o quarto lugar deve ser apontado como o objectivo mínimo, esperando, obviamente, poder lugar por algo superior a isso. Realisticamente, superior ao quarto só existe o terceiro, pois FC Porto e Benfica, por mais que possa custar aos verde-e-brancos, estão num patamar inalcançável na actualidade.

Assim sendo, há que preparar um plantel menos oneroso e que privilegie a evolução. Ou seja, a aposta tem de ser feita em jogadores jovens que possam evoluir e não em jogadores que apesar de poderem dar um incremento de qualidade a curto-prazo, não possam ser rentabilizados. A crise financeira não o permite.

Nesse sentido, torço o nariz a contratações de jogadores como Edinho, Cícero ou Hugo Viana. Existem alternativas mais jovens, e com margem de progressão bem mais promissora. Para o ano vai existir uma espécie de ano zero em Alvalade e um ano zero só faz sentido se houver um projecto de crescimento sustentado assente nessa primeira pedra. É assim que penso e seria assim que formaria o plantel do Sporting para 2013/14.

Num mero exercício hipotético e pegando no tal plantel de 20 jogadores que Bruno de Carvalho quer implementar na próxima época, este seria uma hipótese perfeitamente viável para um orçamento de 20 milhões de euros, que se pensa ser a base de 2013/14.

  • Guarda-Redes: Marcelo Boeck e Douglas (ex-V. Guimarães)
  • Lateral-Direito: Miguel Lopes e Cédric Soares
  • Lateral-Esquerdo: Jefferson (ex-Estoril)
  • Defesa-Central: Marcos Rojo, Tiago Ilori, Eric Dier e Steven Vitória (ex-Estoril)
  • Médio-Defensivo: Rinaudo e Gonçalo Santos (ex-Estoril)
  • Médio-Centro: André Martins e Schaars
  • Médio-Ofensivo: Labyad e Josué (ex-Paços de Ferreira)
  • Extremo/Avançado: André Carrillo, Bruma e Viola 
  • Ponta de Lança: Ghilas (ex-Moreirense) e Suk (ex-Marítimo)

Perante um plantel curto como o previsto, é preciso apostar na polivalência de alguns jogadores e mesmo as posições que foram pensadas com apenas um jogador (lateral-esquerdo), terão sempre em mente a possibilidade de haver jogadores que, não tendo essa como posição prioritária, poderão lá actuar, como é exemplo Marcos Rojo (a lateral-esquerdo).

Para além disso, existe sempre a equipa B, e, para a próxima temporada, futebolistas como Zezinho, João Mário, Ricardo Esgaio, Diego Rubio ou Vítor Golas seriam chamados sempre que necessário, promovendo-se, dessa forma, uma motivação extra para a equipa secundária, pois, com um plantel principal mais curto, os recrutamentos à equipa B serão naturalmente mais frequentes.

Obviamente que a manutenção de jogadores com elevado potencial como Bruma, Labyad, Carrillo, Dier, Ilori ou Marcos Rojo, para além da aquisição de outros como Josué ou Ghilas terá um custo elevado para um orçamento limitado, todavia, convenhamos que, mesmo com um orçamento de cerca de 20 milhões, será possível fazê-lo desde que se abdique dos jogadores que eu passo a citar.

Para vender porque é impossível mantê-los

  • Rui Patrício
  • Diego Capel

Para vender porque o rendimento/vencimento não justifica a sua permanência no clube

  • Adrien Silva
  • Jeffrén
  • Elias (está emprestado ao Flamengo, mas seria importante conseguir fazer já algum encaixe)
  • Gelson Fernandes (está emprestado, mas seria importante conseguir fazer já algum encaixe)
  • André Santos (actualmente emprestado ao Deportivo, a cedência termina no final da época e seria importante tentar fazer um encaixe, mesmo que mínimo)
  • Diogo Salomão (actualmente emprestado ao Deportivo, a cedência termina no final da época e seria importante tentar fazer um encaixe, mesmo que mínimo)

Para libertar mesmo que a custo zero

  • Boulahrouz
  • Bojinov
  • Pranjic
  • Evaldo

Para usar como contrapartida para facilitar contratações ou, em último caso, libertar a custo zero, mantendo partes do passe

  • Nuno Reis
  • Renato Neto
  • Wilson Eduardo
  • Owusu

Na minha opinião, este seria um excelente arrumar de casa para uma temporada que se espera de verdadeira transição, prometendo, acima de tudo, um plantel mais competitivo, barato e com uma excelente margem de progressão e de ganhos financeiros futuros. Na verdade, tem de se começar rapidamente a mudança de paradigma e estou convicto que assim seria a forma mais acertada.

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João Pereira será o lateral-direito titular

Aos 28 anos, João Pereira estreia-se numa grande competição internacional e logo como provável titular, dado ao afastamento da selecção portuguesa daquele que seria o seu mais sério concorrente na posição de lateral-direito: José Bosingwa. Inicialmente um extremo-direito, mas que, com o tempo, foi recuando no terreno, João Pereira é um jogador de sangue na guelra e que nunca dá nenhum lance por perdido, acabando muitas vezes traído pelo seu feitio algo conflituoso que o levam a somar acções disciplinares e, também, algumas desconcentrações fatais.

Percurso desportivo

João Pedro da Silva Pereira nasceu em Lisboa a 25 de Fevereiro de 1984 e é um produto das escolas do Benfica, clube para onde se transferiu, ainda no escalão de escolas, oriundo do Domingos Sávio.

Nos encarnados, fez toda a formação e estreou-se na equipa principal em 2003/04, como extremo-direito, tendo jogado com interessante regularidade com José António Camacho (35 jogos, 5 golos). No ano seguinte, com Trapattoni, os índices de utilização mantiveram-se altos (34 jogos, 1 golo)

Os problemas, no Benfica, começaram em 2005/06, quando após um incidente com Koeman acabou inclusivamente na equipa B das águias, tendo se transferido para o Gil Vicente a meio da época, clube onde acabou a temporada como titular.

No clube de Barcelos, João Pereira manteve-se na temporada seguinte, uma campanha de 2006/07 que acabou por ser na Liga de Honra devido à descida do Gil Vicente, situação motivada pelo caso Mateus. Nesse ano, o internacional português fez 25 jogos e garantiu a transferência para o Sp. Braga, regressando, dessa forma, ao primeiro escalão do futebol português.

Nos arsenalistas, esteve duas épocas e meia, onde se destacou pela regularidade (93 jogos, 2 golos) e qualidade exibicional, acabando por ser natural o salto para o Sporting.

Ora, nos verde-e-brancos, e mesmo numa fase complicada destes em termos desportivos, João Pereira tem sido um dos intocáveis, somando impressionantes 105 jogos nas últimas duas temporadas e meia.

Qualidades e Lacunas

Inicialmente um extremo-direito, João Pereira mantém algumas características dessa posição, pois continua a ser um jogador muito ofensivo, que encara os adversários sem medo e que procura tanto o cruzamento como as diagonais para o centro do terreno.

Todavia, esse perfil demasiado ofensivo expõe em demasia as suas costas, sendo que, no Sporting, esses problemas se tornavam mais visíveis quando, ao invés de Izmailov ou Pereirinha, actuava à sua frente um jogador com menos consciência defensiva como Carrillo.

Para além disso, João Pereira é um jogador demasiado agressivo, sendo isso muitas vezes positivo na forma como intimida e desarma os adversários, mas também existindo a outra face da moeda, que passa por inúmeras admoestações que o condicionam no seu desempenho.

Em suma, trata-se de um jogador que poderá oferecer profundidade ofensiva ao futebol da equipa das quinas, mas que terá de se mostrar especialmente concentrado, para que esse incremento de qualidade atacante não signifique igualmente o ruir do castelo defensivo que está a ser preparado por Paulo Bento.

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A Liga ZON Sagres foi considerada a 4ª melhor do Mundo

Numa altura em que a proibição da publicidade da Bwin pode levantar sérios problemas nas finanças dos clubes portugueses e, inclusivamente, pode por em causa a existência de provas como a Taça da Liga, importa lembrar que o futebol cá do burgo é das poucas indústrias de sucesso e exportáveis que nós temos.

Segundo o ranking da Federação Internacional da História e Estatística do Futebol (IFFHS) apenas três campeonatos superaram a liga portuguesa no ano passado: Espanha, Inglaterra e Brasil, sendo que a nossa liga encontra-se à frente de provas como a Bundesliga, Série A ou Ligue 1.

Obviamente, que estatísticas valem o que valem e que apenas o mais optimista analista poderá ver a Liga Zon Sagres como uma competição superior à principal prova da Alemanha ou de Itália, todavia, é de louvar o que é feito cá no burgo, principalmente tendo em conta a diferença de meios existentes entre os maiores clubes portugueses e, inclusivamente, clubes médios de Itália, Espanha e Inglaterra.

Desde há quase duas décadas para cá, muitas vezes fizeram o “funeral” à competitividade do futebol português, tendo os “profetas da desgraça” começado por dizer que não resistiríamos à Lei Bosman e depois ao incremento de dinheiro existente em campeonatos outrora menos abastados como o russo, ucraniano ou turco.

Apesar de tudo, a liga portuguesa foi resistindo, continuando a fazer excelentes resultados lá fora, sendo que desde o ano 2000, já conquistamos uma Liga dos Campeões, duas taças UEFA/Liga Europa e assistimos à presença de três diferentes equipas portuguesas em finais e cinco em meias-finais de provas reguladas pela UEFA.

Conseguimos isso tudo com meios muito inferiores aos principais campeonatos europeus, sendo curiosa a reacção do treinador do Valência quando Jorge Jesus lhe confidenciou qual era o orçamento do Benfica, incomparavelmente inferior ao clube “ché”, mas atingindo resultados muito superiores ao do clube da Comunidade Valenciana. Também acredito, sinceramente, que os treinadores de Celtic, Sevilha, Liverpool e até Dínamo Kiev corariam de vergonha quando soubessem quais eram os meios financeiros da equipa portuguesa que os eliminou na Liga dos Campeões/Liga Europa da temporada transacta.

Este sucesso desportivo, faz com que o nosso principal campeonato atraia bons valores internacionais, contando-se inúmeros talentos de bom renome a jogarem na nossa liga, situação que, todavia, devia ser melhor aproveitada, como fonte de exportação da nossa Liga para outros países. De facto, a quantidade de sul-americanos de grande qualidade que existe em Portugal, exigia que a Liga fosse mais incisiva na promoção do nosso campeonato na América do Sul, apoiando-se no sucesso dos nossos clubes portugueses na UEFA, mas, também, na atractividade que será para um sul-americano ver jogadores consagrados como Aimar, Garay, Elias, Hulk, Luisão ou Matías, assim como as estrelas de amanhã como James, Carrillo ou Danilo.

Por outro lado, a nossa liga continua com laços afectivos bem profundos com as nossas antigas colónias em África, que continuam a seguir apaixonadamente o nosso futebol como se o deles se tratasse. Ali é outro ponto em que devemos apostar, nomeadamente na ascendente Angola, mas sem esquecer todos os outros países lusófonos que seguem o Benfica, FC Porto, Sporting e outros clubes nacionais com uma paixão indescritível.

Devíamos apresentar a nossa liga como um campeonato do presente, mas também uma competição que poderá mostrar o que podem ser os futuros craques. Devíamos relembrar que foi daqui que saíram grandes talentos internacionais como Cristiano Ronaldo, Nani, Di María ou Pepe.

Contudo, continuamos demasiado embrulhados em pequenas guerrinhas e “fait-divers” como as mensagens presentes no corredor dos balneários de Alvalade, para nos debruçarmos numa realidade que nos escapa a cada dia e que passa pelo facto do nosso campeonato e do nosso futebol ainda ser das poucas coisas que devíamos potenciar no exterior como um produto de enorme qualidade e de orgulho português. Infelizmente, como em quase tudo na vida, temo que só nos vamos aperceber verdadeiramente deste facto demasiado tarde…

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Pereirinha não justifica estar no plantel do Sporting

Chegamos ao Natal e, tal como antes se tornou uma triste tradição para o clube verde-e-branco, o Sporting encontra-se uma vez mais numa posição difícil na luta pelo título nacional. Já a quatro pontos de distância do duo da frente, Domingos Paciência proibiu os seus jogadores de perderem pontos na deslocação a Coimbra, mas o certo é que os leões voltaram a tropeçar, muito por culpa dos falhanços de van Wolfswinkel (e também de um escandaloso de Onyewu…), mas também por terem dado novamente 45 minutos de avanço ao seu adversário. Uma parte inteira com Pereirinha no relvado em deterimento de um dos jovens jogadores mais talentosos do futebol actual, o peruano Carrillo.

Custa-me a entender essa insistência quase obsessiva pela utilização de um elemento que não vingou em clubes como o V. Guimarães e o modesto Kavala, mas que depois de não ter lugar em planteis leoninos bem mais fracos que o actual, foi incorporado por Domingos Paciência para esta temporada e até tem jogado com surpreendente regularidade.

Dirão, por certo, que jogadores como Izmailov, Jeffrén ou até Matías (outro erro de casting de Domingos, como extremo-direito) estão lesionados e isso diminui as opções do treinador leonino para essa posição, mas, quando há Carrillo, fará sentido a utilização de Pereirinha?

Muitos argumentarão que Pereirinha dá uma consistência defensiva muito mais acertada que o internacional peruano, mas custa-me compreender que num jogo com a Académica, seja Domingos Paciência a estar preocupado com Diogo Valente e não Pedro Emanuel a preocupar-se com Carrillo. Além disso, mesmo pensando que Domingos não queria arriscar e pretendia dar uma tracção mais defensiva a ala-direita, não seria mais lógico apostar no jovem Arias, do que insistir na utilização de alguém que nada acrescenta ao jogo verde-e-branco?

O empate que afasta ainda mais os leões do duo da frente, aliado à forma como a alteração de Pereirinha por Carrillo transfigurou para muito melhor o jogo dos leões deve servir de exemplo para que Domingos Paciência perceba que com todo o respeito pelo atleta Bruno Pereirinha, este não tem qualidade suficiente para integrar o plantel do Sporting, principalmente perante elementos que, actuando na sua posição, têm um rendimento incomparavelmente superior.

Para bem da equipa verde-e-branca e dos seus adeptos, é expectável que a última pobre exibição do jogador formado em Alvalade abra as portas da titularidade da extrema-direita leonina para outras opções, sendo que as iminentes recuperações de Izmailov e Jeffrén deverão dar uma ajuda decisiva a Domingos Paciência nesse capítulo.

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A "Era" Godinho Lopes tem surpreendido

Antes de mais, mas porque alguns sabem e outros suspeitam, eu sou sportinguista. Talvez não seja aquele sportinguista que estão habituados e que destila ódio no Benfica e, numa menor escala, no FC Porto, mas sou daqueles que sente o clube verde-e-branco desde tenra idade, seguindo o clube com paixão desde os seis anos de idade, ou seja, desde a temporada 1989/90.

Apesar de tudo, sempre tive a capacidade de analisar friamente o dia a dia dos leões, criticando sempre que havia algo para criticar, até porque é bem mais fácil criticarmos aquilo de que realmente gostamos, porque até é uma maneira de aliviar o stress e, de certa forma, lidar com a tristeza que isso nos transmite.

E vamos ser sinceros, as duas últimas temporadas foram um desastre e, mesmo o termo desastre, poderá ser entendido como um eufemismo…

Em apenas um par de épocas, conseguimos ficar a uma enorme distância do Benfica e do FC Porto, sendo que mesmo o Braga superou-nos largamente na temporada 2009/10 e, mesmo nesta, só nos cedeu o terceiro lugar, porque, valha a verdade, apostou tudo e mais alguma coisa na sua (excelente) campanha europeia.

Assim sendo, independentemente de termos ficado ligeiramente à frente dos bracarenses no campeonato transcato, penso que é honesto afirmar que pelo combinado das duas últimas temporadas, o Sporting parte no quarto lugar da grelha de partida. Triste? Sim, mas realista.

O plantel da última época, apesar de honestamente não ser tão mau como muitos o pintaram, era, ainda assim, demasiado curto tanto em quantidade como em qualidade para uma equipa do gabarito dos leões. Afinal, quantos jogadores do Sporting teriam lugar no onze do FC Porto ou no Benfica? Rui Patrício em ambos e, quanto muito, João Pereira e Izmailov nos encarnados.

Como tal, a tarefa de qualquer direcção que pegasse no Sporting Clube de Portugal seria sempre hercúlea e, em primeira instância, nunca poderá passar por muito mais que um afastamento valente em relação ao Sporting de Braga e uma aproximação ao Benfica e ao FC Porto. Porque, sinceramente, é extremamente difícil que os leões, em apenas uma temporada, consigam atingir o patamar de equipas que nas últimas duas épocas estiveram anos-luz à frente do Sporting.

Honestamente, o meu candidato preferido nem era Godinho Lopes. Pareceu-me demasiado inseguro e frágil e, sinceramente, pareceu-me perceber muito pouco de futebol. A lista de jogadores, como se veio a confirmar por só ter vindo Rodríguez, verificou-se rapidamente que era pouco fiável e apenas para granjear algumas centenas de votos de sócios mais iludidos e/ou aterrorizados com a ideia de Bruno de Carvalho ser um novo “Vale e Azevedo”…

Ainda assim, o facto de (aparentemente) perceber pouco de futebol acabou por ser um dos grandes trunfos do novo Presidente do Sporting, pois nota-se facilmente que apesar de Godinho Lopes afirmar que “tem sempre a última palavra”, as decisões do planeta futebol, tanto ao nível de dispensas ou contratações passam a 99,9% pela dupla Luís Duque/Carlos Freitas. 

Esta dupla, apesar de não ser perfeita, é um enorme avanço para o Sporting. São duas pessoas que têm um profundo conhecimento do mercado e, no caso de Luís Duque, trata-se de alguém que sabe o que quer e para onde vai, sendo um profissional que irá bater o punho na mesa sempre que verificar que o Presidente está, de certa forma, a limitar ou a condicionar a sua mentalidade de maior risco que quer incutir no Sporting.

Até agora e em poucos meses, a mudança tem sido radical. É verdade que as contratações não tem sido daquelas de chamar dezenas de milhares de jogadores ao estádio, mas têm sido inteligentes e criteriosas: Schaars e Rinaudo (penso que posso contar com o argentino) são dois excelentes médios e que vão dar outra dimensão ao anteriormente frágil miolo leonino; van Wolfswinkel é um “matador”, algo que o Sporting não tem desde a saída de Liedson, sendo também jovem e promissor e Rodríguez é, na minha honesta opinião, melhor que qualquer central do plantel.

Das outras contratações: Arias e Carrillo, vou esperar para ver, pois tratam-se de jogadores com muito potencial, mas que pela tenra idade e reduzida experiência serão sempre incógnitas na sua possível adaptação. Ainda assim, se for criado (como acredito que está a ser criado) um grupo forte e mais competitivo, estes jogadores terão uma possibilidade de sucesso muito maior.

Para além disso, o Sporting contratou um treinador muito competente e com margem de progressão (Domingos) e tem demonstrado uma política de comunicação muito diferente para melhor. Agora, as contratações apenas se sabem (quase) em cima da hora, aumentando exponencialmente a possibilidade de sucesso e, também, fazendo com que os negócios possam ser feitos por um valor bem mais baixo do que o que acontece quando o interesse é demasiado publicitado.

Assim sendo, tem sido um bom começo e, sinceramente, estou esperançado que esta nova direcção do Sporting volte a colocar os leões no caminho do sucesso. Veremos se os leões, finalmente, se aproximam de FC Porto e Benfica, pois isso, para além de ser bom para o Sporting e para os sportinguistas, também seria bastante positivo para dragões e águias e para o futebol português, pois quanto maior for a concorrência, maior é a possibilidade de evolução e competitividade além-fronteiras do nosso desporto rei.

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A supertaça 2007/08 foi o último título dos leões

Terminou mais uma temporada infeliz do Sporting Clube de Portugal, sendo que este mediano terceiro lugar não pode esconder uma época deplorável que viu o Sporting perder todas as competições que disputou, sendo que as eliminações da Taça de Portugal e da Liga Europa, diante de duas equipas (V. Setúbal e Glasgow Rangers) claramente inferiores aos leões são reveladoras do mau momento que se vive para os lados de Alvalade.

O Sporting acabou o campeonato a, imagine-se, 36 pontos do FC Porto, sendo que os dragões terminaram a competição com mais do dobro das vitórias (27) obtidas pelos verde-e-brancos (13). Mesmo o Benfica, que terminou o campeonato em desaceleração e perdendo pontos surpreendentes, conseguiu terminar a prova com mais quinze pontos que os leões.

Assim sendo, parece lógico que o Sporting precisa de preparar muito bem 2011/12 e, nesse seguimento, é necessário uma análise cuidada ao actual plantel, dividindo os elementos desse mesmo grupo de trabalho em indispensáveis, transferíveis, emprestáveis e dispensáveis.

Na minha opinião, e começando pelos dispensáveis, optava pelos seguintes elementos:

  • Hildebrand
  • Tiago
  • Abel
  • Grimi
  • Anderson Polga
  • Nuno André Coelho
  • Maniche
  • Tales
  • Cristiano
  • Carlos Saleiro

 Obviamente que as razões da dispensa destes elementos depende de factores diferentes. Anderson Polga, Tiago e Abel foram excelentes profissionais, mas estão no fim da linha do seu percurso nos verde-e-brancos, já não acrescentam grande coisa ao plantel em termos de qualidade, sendo que Abel (João Gonçalves) ou Tiago (Vítor Golas) têm soluções internas bem menos onerosas e sem défice em termos de qualidade individual. Quanto a Anderson Polga, até podia falar de Nuno Reis, contudo, o defesa-central emprestado ao Cercle Brugge ainda precisa de rodar pelo menos mais um ano para se poder começar a pensar num regresso a Alvalade.

Quanto a Hilderbrand e Maniche, tratam-se de dois jogadores demasiado caros para o rendimento que apresentaram ao serviço do Sporting, não se justificando a sua continuidade, sendo que tanto o internacional alemão como o internacional português devem ser substituídos por elementos de qualidade, mas necessariamente mais baratos a nível de ordenados. Vicent Enyeama (guarda-redes do Hapoel Telavive) e Rafael Robayo (Médio-centro do Millionarios) são bons exemplos.

Por fim, Nuno André Coelho, Grimi, Tales, Cristiano e Carlos Saleiro não parecem ter qualidade suficiente para se manterem no plantel leonino e devem ser dispensados, sendo que a situação mais simples a de Tales e Cristiano, pois terminam contracto com os verde-e-brancos. Já no caso de Nuno André Coelho, Grimi e Carlos Saleiro, deve ser encontrada uma solução que satisfaça clube e atletas, que poderá passar por um empréstimo ou, até, por um acordo de rescisão, pois dificilmente estes atletas terão mercado, à excepção, talvez, do lateral-esquerdo argentino.

Passando aos emprestáveis, optava por estes dois elementos:

  • Cedric Soares
  • Diogo Salomão
Tanto o lateral/ala-direito como o extremo-esquerdo são elementos que parecem ter condições para serem mais valias no Sporting Clube de Portugal, todavia, acredito que Cedric Soares e Diogo Salomão irão ter muito poucas oportunidades para jogar na próxima temporada e, na minha opinião, ambos os atletas precisam de minutos de jogo para que possam continuar a sua evolução futebolística. Assim sendo, aconselho um empréstimo dos dois a um clube médio/médio-baixo do principal escalão do futebol português.
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Dos emprestáveis, sigo para os transferíveis, ou seja, jogadores com valor para se manterem no plantel do Sporting, mas que, na presença de uma boa proposta, deve ser ponderada a sua saída:
  • Daniel Carriço
  • Yannick Djaló
  • Zapater
  • Simon Vukcevic
Estes três elementos estão nesta lista por situações diferentes. Daniel Carriço é um defesa de qualidade e com mercado, mas, na minha opinião, a sua baixa estatura e fraca impulsão que lhe garantem dificuldades no jogo aéreo, irão impedi-lo sempre de ser o tal patrão da defesa leonina. Assim sendo, uma proposta que supere os 10/12 milhões de euros deve ser imediatamente considerada.
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Yannick Djaló, por sua vez, é um jogador com talento, mas parece-me pouco constante e nunca explodiu da maneira que se esperava, sendo que uma boa  proposta, na ordem dos 8/9 milhões de euros, deve ser suficiente para se negociar a sua saída.
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Depois, apesar de não achar que é o péssimo jogador que muitos vêem em Zapater, entendo que facilmente se encontraria uma jogador de nível superior, sem ser necessário gastar muito dinheiro. Assim sendo, e sabendo que o espanhol tem mercado, aconselhava a venda do aragonês, desde que o valor da transferência não fosse inferior a dois milhões de euros.
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Por fim, Simon Vukcevic é um caso diferente e representa um jogador muito talentoso e com condições para ser dos melhores da Europa, mas que é demasiado problemático e inconstante, sendo que poderá, inclusivamente, ser um destabilizador de balneário. Assim sendo, e apesar de toda a sua qualidade incontestável, penso que o Sporting o deveria vender pelo seu preço de custo e, assim, prescindir de um atleta que pode continuar a revelar-se um problema bicudo.
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Para finalizar, os elementos imprescindíveis, ou seja, os elementos que devem continuar no plantel do Sporting e assumirem-se como a base 2011/12, porque mesmo numa grande revolução de plantel, há que garantir um nível mínimo de continuidade.
  • Rui Patrício
  • Evaldo
  • Torsiglieri
  • João Pereira
  • André Santos
  • Pedro Mendes
  • Izmailov
  • Jaime Valdés
  • Matías Fernandez
  • Hélder Postiga
Assim sendo, chegamos a uma lista de dez jogadores (14, caso não se consiga vender os tais quatro elementos que entendo como transferíveis) +1, que, neste caso, não é um chinês, mas o peruano Carrillo, já contratado pelo Sporting.
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Partindo do princípio que Daniel Carriço, Yannick Djaló, Vukcevic e Zapater ficam no plantel e que Vítor Golas e João Gonçalves regressam de empréstimo, o Sporting fica com 17 jogadores, faltando nove para a tal lista de 23+3 promessas de que falou Godinho Lopes.
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Nesse caso, seriam necessários nove jogadores e, como tal, pensando que os leões avançarão para um 4-3-3/4-2-3-1, acho que o Sporting devia tentar as seguintes contratações:
  • Um guarda-redes de valor para ser o concorrente de Rui Patrício. O referido Enyeama seria uma excelente opção.
  • Um lateral-esquerdo (Wendt é uma possibilidade, Sílvio, pela polivalência, seria o ideal)
  • Dois defesas-centrais de altíssima qualidade (Rodríguez do Sp. Braga e outro, que fosse experiente, uma clara mais-valia e necessariamente mais alto)
  • Um médio-centro de grande pulmão e qualidade que pudesse jogar tanto a “seis” como a “oito”. Rafael Robayo, já referido, seria uma boa aquisição.
  • Um extremo puro, ou seja, um verdadeiro flanqueador, que desse a largura de jogo ao Sporting que a equipa tanto precisa e que fosse uma clara mais valia para o plantel.
  • Dois avançados, sendo um mais posicional e referência atacante (ao que tudo indica, o ex-Besiktas Bobô) e outro mais polivalente e que pudesse jogar sozinho na frente, mas também como avançado de suporte num alternativo 4x4x2 e, se possível, descaído numa das alas na táctica 4x3x3.
  • Por fim, um jogador jovem, tal como Carrillo e que se juntasse a João Gonçalves e ao peruano (não incluo Vítor Golas por se tratar de um guarda-redes e, como tal, uma situação diferente) como uma das três promessas que o novo presidente do Sporting quer ter no plantel.
Na minha opinião, este será o caminho que o Sporting tem de fazer para que possa ser mais competitivo em 2011/12. Dificilmente dará para ser campeão já na próxima temporada, mas pode ser fulcral para que os leões comecem a construir uma equipa que, num futuro próximo, ombreie com dragões e águias pelo lugar mais alto do pódio do futebol nacional.

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