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Posts Tagged ‘Chipre’

Tratou-se do único clube cipriota-turco que fundou a Liga de Chipre, surgindo ao lado de outros sete clubes cipriota-gregos: AEL Limassol, Trast AC, Anorthosis Famagusta, Apoel Nicósia, Olympiakos Nicósia, Aris Limassol e EPA Larnaca na estreia do campeonato daquela ilha do Mediterrâneo. Para além disso, foi o único clube a conquistar campeonato, taça e supertaça, tanto da federação cipriota unida, como da federação cipriota-turca, assumindo-se, assim, o Çetinkaya como um clube único no espectro futebolístico da longínqua ilha de Chipre.

Fundado em 1930 como Lefkosa Türk Spor Kulübü

O Çetinkaya Türk Spor Kulübü só surgiu em 1949 e como uma junção de dois clubes cipriota-turcos, o Lefkoşa Türk Spor Kulübü, fundado em 1930 e o Çetinkaya Türk Asnaf Ocağı, fundado em 1943. Após a fusão, o Çetinkaya transformou-se num grande clube do futebol cipriota, tendo conquistado três campeonatos, duas taças e três supertaças até 1955, altura em que a federação cipriota se separou em federação cipriota-turca e federação cipriota-grega.

Desde essa data, o Çetinkaya actua na liga cipriota-turca, competição que não é reconhecida pela UEFA, pois a República de Chipre-Norte, de cultura turca, não é reconhecida como país, mas sim como uma zona da República de Chipre, ocupada, indevidamente, pela Turquia.

Continuou o maior clube cipriota-turco depois da cisão

Desde 1955, o clube que já era o maior clube cipriota-turco na altura em que estes actuavam lado a lado com os clubes cipriota-gregos manteve essa superioridade, tendo conquistado treze campeonatos, dezasseis taças de Chipre-Norte e sete supertaças.

Neste momento, o Çetinkaya, por certo, esperará o fim da divisão política de Chipre para que possa confrontar-se com os grandes clubes da zona grega da Ilha do Mediterrâneo como o Apoel Nicósia, Omónia de Nicósia ou Anorthosis e para que possa disputar as competições europeias, conseguindo, dessa forma, atingir uma glória que lhe estará vedada enquanto estiver limitado ao não reconhecido internacionalmente campeonato de Chipre-Norte.

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Paulo Bento levou Portugal ao Euro 2012

Após uma campanha sinuosa que começou pelo escândalo do empate caseiro com Chipre (4-4) e uma derrota pela margem mínima na Noruega (0-1), Portugal conseguiu finalmente o apuramento para o Euro 2012, após golear a Bósnia (6-2) no Estádio da Luz, no decisivo duelo do playoff. Tratou-se de uma vitória inequívoca, perante uma selecção que está em franca evolução, mas que, valha a verdade, ainda não está no nível da equipa portuguesa, que apesar de não ter um conjunto ao mesmo nível do passado recente, conta com alguns jogadores de classe mundial como Pepe, Fábio Coentrão e Nani, e um verdadeiro fora de série como é Cristiano Ronaldo. Ainda assim, após a ligeira euforia do quinto apuramento consecutivo para o campeonato da Europa, importa analisar os possíveis adversários portugueses no certame.

Subida ao Pote 3 poderá não ter trazido vantagens

Com a vitória diante da Bósnia, Portugal subiu do Pote 4 ao pote 3, o que, curiosamente, pode não ter trazido quaisquer vantagens à equipa das quinas. No Pote 3, Portugal fica automaticamente impedido de defrontar as  selecções da Suécia, Grécia e Croácia, mas passa a poder defrontar as equipas do Pote 4, onde existem três selecções equivalentes às anteriores: Dinamarca, República da Irlanda e República Checa e uma quarta, que, valha a verdade, os lusos quererão por todos os meios evitar: França.

Honestamente, deste último pote, Portugal deverá preferir os irlandeses ou os checos, pois são claramente as equipas mais frágeis, enquanto a Dinamarca, apesar da recente vitória em Copenhaga, também não poderá assustar a equipa das quinas. Por outro lado, a França, apesar da má forma recente, é uma equipa que tradicionalmente não vacila diante de Portugal e a sua colocação no mesmo grupo que o lusitano, criaria, quase de certeza, um grupo da morte no Euro 2012.

Parecem cabeças de série mas é apenas o Pote 2

O segundo pote poderia ser, claramente, um pote de cabeças de série. De facto, neste Pote 2 estão as selecções da Alemanha, Itália e Inglaterra, que perfazem oito títulos mundiais e uma Rússia, que, não sendo uma equipa frágil, será claramente a que todas as outras doze selecções vão desejar defrontar deste pote.

Tradicionalmente, Portugal dá-se melhor com a Inglaterra do que com Itália e Alemanha e, sendo assim, a equipa portuguesa deverá desejar os ingleses logo a seguir aos russos (de longe o fruto apetecido). Entre italianos e alemães, apesar do nome fortíssimo de ambos, temos que realçar que actualmente os germânicos estão bem mais fortes que os transalpinos e, a ter de escolher, seria mais “benéfico” a Portugal que lhe saísse a “squadra azzurra” que a “mannschaft”…

Pote 1: o pote dos desequilíbrios 

Apesar de tudo, o pote mais desequilibrado deste campeonato da Europa é claramente  o Pote 1, que tem as duas equipas mais fortes presentes na competição: Espanha e Holanda e, também, duas das mais frágeis: Ucrânia e Polónia.

Ainda assim, tirando a óbvia divisão “dois-dois”, há que realçar que entre espanhóis e holandeses, a preferência tem de ir para a selecção laranja, com quem nos damos tradicionalmente bem, enquanto entre ucranianos e polacos, a preferência acaba por ser indiferente, pois são ambos países organizadores e têm uma selecção de qualidade equivalente.

Haverá algum grupo de sonho ou de pesadelo?

Numa fase final de um campeonato da Europa nunca se pode falar em grupos de sonho, todavia, existem agrupamentos bem mais fáceis que outros e o melhor grupo para Portugal seria claramente algo parecido com isto:

Ucrânia/Polónia
Rússia
Portugal
República da Irlanda/República Checa/Dinamarca

Por outro lado, o oposto também existe, e existem combinações que poderão criar imensas dificuldades a que Portugal supere esta primeira fase do Euro 2012. Num caso de extrema falta de sorte, Portugal poderá encontrar algo semelhante a isto:

Espanha/Holanda
Alemanha/Itália/Inglaterra
Portugal
França

Taça Latina dentro do campeonato da Europa?

Curiosa a possibilidade da existência de uma mini Taça Latina na fase de grupos do campeonato da Europa, com Espanha, Itália, Portugal e França no mesmo agrupamento. Uma ideia interessante, mas que dificultaria e bastante a primeira missão portuguesa para este certame: apuramento para os quartos de final.

Apesar de tudo o que foi dito, só poderemos avançar com uma melhor análise aquela que vai ser a participação portuguesa após os resultados do sorteio da fase de grupos e, para isso, teremos de aguardar pelo dia 2 de Dezembro, onde tudo será decidido. Esperemos que, nesse dia, os deuses da fortuna estejam connosco e nos afastem dos maiores tubarões do futebol europeu.

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Os adeptos do AEK Larnaca são entusiastas

Quando falamos do actual futebol cipriota é certo que os mais atentos vão reconhecer o nome do AEK Larnaca, equipa que, inclusivamente, chegou a defrontar o Barcelona numa eliminatória da Taça das Taças da temporada 1996/97, tendo empatado a zero em Chipre e perdido 2-0 no Nou Camp. No entanto, o AEK Larnaca é um clube extremamente recente, sendo o resultado da fusão de dois históricos clubes: Pezoporikos Larnaca e EPA Larnaca. Estes dois clubes marcaram uma época no futebol dessa ilha mediterrânica e importa que sejam lembrados.

Pezoporikos Larnaca – O clube do camelo

O Pezoporikos foi fundado em 1927 e as suas cores eram o verde e o branco, sendo que o seu emblemático símbolo era inconfundível pela presença de um camelo. Entre a sua fundação e o momento em que se fundiu com o EPA para formar o AEK Larnaca, o Pezoporikos conquistou dois campeonatos cipriotas (1954 e 1988) e uma Taça de Chipre (1970), sendo que foi segundo classificado do campeonato em oito ocasiões e finalista derrotado da Taça de Chipre em sete.

Sete vezes este clube cipriota participou nas competições europeias, sendo que nunca passou uma eliminatória ou, inclusivamente, ganhou um jogo. De facto, o melhor que este clube conseguiu nas provas da UEFA foram empates com o Slask Wroclaw, Malmö, Cardiff City e FC Zurique.

EPA Larnaca – O clube mais titulado de Larnaca

Fundado em 1930 e dissolvido em 1994  para dar lugar ao AEK Larnaca, o EPA continua a ser o clube que conquistou mais titulos em toda a cidade de Larnaca. Campeão por três ocasiões (1945, 46 e 70) e vencedor da Taça de Chipre por cinco (1945, 46, 50, 53 e 55), o EPA Larnaca foi ainda segundo classificado do campeonato cipriota por cinco ocasiões e perdeu três finais da Taça de Chipre.

Todavia, em termos europeus, o sucesso do EPA é ainda inferior ao do Pezoporikos, tendo apenas participado por três vezes nas competições da UEFA, sem nunca ter passado uma eliminatória e somando seis derrotas nos seis encontros realizados.

AEK Larnaca – Fusão não trouxe o sucesso esperado

Quando Pezoporikos e EPA se fundiram em 1994 e deram lugar ao AEK, esperava-se que Larnaca passasse a ter um clube que pudesse ombrear com os históricos Apoel, Omónia e Anorthosis, todavia, isso não veio a acontecer.

Desde que o AEK existe, o único título importante que a equipa conquistou foi a Taça de Chipre em 2004, quando superou o AEL Limassol na final por 2-1, tendo ainda perdido duas finais da taça em 1996 (0-2 com o Apoel Nicósia) e 2006 (2-3 também com o Apoel Nicósia).

A única consolação do AEK, é que a equipa já conseguiu algo que os seus antecessores nunca conseguiram: triunfos e apuramentos europeus.

Em 1996/97, na pré-eliminatória da Taça das Taças, eliminou o Kotaik Erevan (5-0 e 0-1) da Arménia, sendo depois eliminado na primeira eliminatória pelo Barcelona, ainda que tenha feito uma eliminatória muito digna (0-0 em casa e 0-2 em Nou Camp).

Depois, em 2004/05, na segunda pré-eliminatória da Taça UEFA, entrou muito bem ao vencer os israelitas do Hapoel Petach Tikva (3-0), mas depois acabou por ser eliminado após perder em terras hebraicas por quatro bolas a zero.

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Julen Guerrero foi um símbolo do Athletic

Quando apareceu na alta roda do futebol espanhol, percebeu-se que podíamos estar na presença de um grande fenómeno futebolístico, sendo que a imprensa do país vizinho chegou mesmo a embandeirar em arco e a considerá-lo o “jogador espanhol do século XXI”. Médio-ofensivo com elevada qualidade técnica e de remate de meia distância, Julen Guerrero era o principal símbolo dos bascos do Athletic Bilbau, que viam nele a estrela junto da qual poderiam construir uma equipa que lhes devolvesse os êxitos do passado. Infelizmente para eles e para Espanha, Julen Guerrero entrou em declínio demasiado cedo, nunca atingindo o patamar que chegou a prometer.

Uma vida no Athletic Bilbau

Julen Guerrero López nasceu em Portugalete a 7 de Janeiro de 1974, tendo entrado para as camadas jovens do Athletic Bilbau em 1982, quando tinha apenas oito anos. Depois de fazer todo o seu percurso como jogador juvenil, estreou-se em 1991/92 ao serviço do Bilbau Athletic, a equipa secundária dos leões de Bilbau, equipa pela qual fez 6 golos em 12 jogos.

Na época seguinte, com apenas 18 anos, o médio-ofensivo pegou logo de estaca na principal equipa do Athletic, somando dez golos em 37 jogos e assumindo-se como uma enorme promessa do futebol espanhol. De facto, desde essa temporada e até 2001/02, Julen Guerrero foi sempre titular do Athletic Bilbau e, provavelmente, a sua principal figura, pela enorme qualidade que colocava no jogo ofensivo da equipa basca.

Contudo, a partir de 2002/03, quando tinha apenas 28 anos, o internacional espanhol entrou em declínio, passando a ser menos vezes opção para o Athletic Bilbau e perdendo quase toda a preponderância que tinha ao serviço dos bascos. Assim sendo, e apesar de só ter terminado a carreira no final da época 2005/06, é honesto dizer-se que a sua verdadeira carreira terminou quatro anos antes.

Ainda assim, apesar de ter jogado pouco a partir dos 28 anos, o médio basco somou 116 golos em 430 jogos pelo Athletic Bilbau, que, de facto, são números fantásticos.

Participou em três grandes competições pela selecção espanhola

Julen Guerrero não conquistou qualquer título no Athletic Bilbau e não foi mais feliz nesse aspecto ao serviço de Espanha, ainda que tenha conseguido participar em três grandes competições internacionais pelos “nuestros hermanos” (Mundial 94, Euro 96 e Mundial 98).

Ao todo, o médio-ofensivo somou 41 jogos e 13 golos pela “Roja”, sendo que os momentos mais altos da sua carreira como internacional espanhol foi um hat-trick que fez a Malta (3-0) e outro a Chipre (8-0).

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João Paiva foi uma promessa leonina

Há uns dez anos falava-se dele como o futuro ponta de lança do Sporting e da selecção nacional, um jogador que tinha o “toque de midas” ainda que, ao invés de transformar o que tocava em ouro, limitava-se a transformar tudo o que era esférico a ele endossado em mais um golo. Marcando incontáveis tentos ao longo das camadas jovens verde e brancas, suplantou Vargas como o melhor marcador de sempre das estruturas de base dos leões, mas, na transição para o futebol sénior, acabou por ter um conflito com a estrutura directiva do Sporting, acabando por sair, primeiro para outros clubes portugueses, depois para Chipre (onde teve muito sucesso) e encontrando-se, neste momento, a brilhar nos relvados suíços ao serviço do Lucerna. Eis João Paiva, a prova que também existem goleadores portugueses.

Nascido a 8 de Fevereiro de 1983, João Paiva fez todo o seu percurso referente ao futebol juvenil no Sporting, marcando sempre uma enorme quantidade de golos nos campeonatos nacionais e sendo claramente uma das grandes promessas das camadas jovens verde e brancas.

Em 2001, os leões integraram o jogador na equipa B do Sporting e João Paiva voltou a mostrar dotes de goleador, marcando 20 golos em duas temporadas e amadurecendo o suficiente para chegar à equipa principal dos leões. Todavia, nessa época, surgiram rumores de incompatibilidades entre o atacante e a estrutura directiva do Sporting que acusava João Paiva de pedir 75000 euros para renovar e de exigir a titularidade na equipa principal dos leões. Exigências que o internacional jovem sempre negou ter feito.

Assim sendo, no verão de 2003, João Paiva trocou os leões pelo Marítimo, onde não foi feliz, limitando-se a jogar pela equipa B dos madeirenses, trocando, na época seguinte, os verde-rubros pelo Sp. Espinho, onde, voltou a não encontrar o caminho do sucesso. Nesta fase, pensou-se que seria mais um talento que se iria perder, todavia, João Paiva, ao emigrar, redescobriu o golo.

No Apollon Limassol cipriota, para onde se transferiu em 2005, fez 16 golos em 54 jogos e mostrou-se um avançado móvel e altruísta que aliava a capacidade finalizadora à capacidade desequilibradora, o que o tornou num ídolo para os adeptos locais que ainda o vêem como um Deus.

Esse sucesso no Apollon levou-o a transferir-se, em 2008, para o AEK Larnaca, também de Chipre, mas, aí, problemas com ordenados em atraso, levaram-no a jogar pouco tempo nesse clube e a transferir-se, nesse mesmo ano, para o Lucerna, da Suíça, onde joga até hoje.

No clube helvético, já soma 16 golos em 54 jogos, sendo que, esta temporada, fez quatro golos em seis partidas ajudando o Lucerna a chegar ao primeiro lugar do campeonato suíço. Neste momento, com 27 anos, continua à espera de uma oportunidade na equipa nacional portuguesa sendo que, a possibilidade de ser campeão da Suíça com o Lucerna, pode abrir-lhe essa porta.

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Portugal sentiu na pele a evolução cipriota

Os maus resultados da selecção portuguesa diante de Chipre (empate 4-4) e Noruega (derrota por 1-0) indicaram, claramente, que a equipa das quinas estava à deriva, mas, mesmo não duvidando que a novela à volta do ex-seleccionador Carlos Queirós teve influência nos desfechos negativos, não podemos branquear a evolução de alguns países emergentes no contexto futebolístico, que, outrora, eram “carne para canhão” e, neste momento, batem o pé às nações mais poderosas, como é o caso de Chipre.

Estrangeiros são benéficos quando acrescentam qualidade

Longe vão os tempos em que o Apoel Nicósia foi jogar a Alvalade e saiu derrotado por um copioso dezasseis a um. Neste momento, os clubes cipriotas estão recheados de jogadores estrangeiros de qualidade como o congolês ex-Newcastle e Olympiakos: Lua Lua, o internacional peruano Rengifo, o ex-Marítimo Marcinho ou o internacional grego: Chiotis. Curiosamente, a liga cipriota também está cheia de jogadores portugueses como Paulo Jorge (ex-Braga), Bruno Aguiar (Ex-Benfica) ou Vargas (Ex-Alverca e Leiria), isto para dar apenas alguns exemplos, pois o número de jogadores lusitanos em Chipre ultrapassa a centena.

Este incremento de estrangeiros de qualidade fez Chipre subir bastante no contexto do futebol europeu de clubes e, como tal, começámos a ver equipas como o Anorthosis ou o Apoel Nicósia a chegarem à fase final da Liga dos Campeões, algo que, há cerca de dez anos atrás, seria pouco menos que uma utopia. Para termos uma ideia mais clara dessa evolução, Chipre, que em 2005 se encontrava no 29º lugar do ranking da UEFA, saltou, em apenas cinco anos, para o vigésimo lugar, estando, neste momento, à frente de países como a Bulgária, a Croácia, a Sérvia e a Suécia.

Este exemplo que nos é dado por Chipre, prova que o problema do futebol português e de outros não está nos estrangeiros, mas sim na quantidade e qualidade dos mesmos. Afinal, qual é a logíca de enchermos a nossa liga de estrangeiros de qualidade duvidosa, para depois os jogadores portugueses emigrarem para países como Chipre? Será que atletas como o Hélio Roque, Bruno Aguiar, Paulo Jorge, Vargas, Nuno Morais ou Edgar Marcelino, todos a jogar em Chipre, não teriam lugar na Liga Zon Sagres em deterimento dos contentores de estrangeiros que chegam, anualmente, a Portugal?

Selecção cipriota ganhou com a legião estrangeira

Se pensam que a evolução qualitativa do futebol cipriota se resumiu ao futebol de clubes, estão completamente enganados. Curiosamente, após esta entrada de valores estrangeiros na principal liga desta ilha do Mediterrâneo, também se deu uma evolução da selecção cipriota que, cada vez mais, joga de igual para igual com qualquer selecção.

Por exemplo, na qualificação para o Mundial 2010, a equipa de Chipre venceu, em casa, a Bulgária por 4-1 e, mesmo perdendo todos os jogos que efectuou com Itália e República da Irlanda, fê-lo sempre pela margem mínima, sendo que, na deslocação a Itália, esteve a ganhar 2-0 até bem perto do final do jogo.

Agora, na qualificação para o Euro 2012, foi a vez de Portugal sentir, na pele, o crescimento do futebol cipriota, sendo vergado a um empate (4-4) em Guimarães, num resultado que, por certo, colocou muita gente a olhar o futebol cipriota com outros olhos.

Estes resultados são a prova que o talento estrangeiro não destruiu o aparecimento de talentos locais, nem tirou o lugar aos cipriotas mais experientes, que, depois de carreiras passadas em campeonatos mais competitivos, voltaram a Chipre para contribuirem para a evolução do futebol daquele país.

Assim sendo, assistimos, nos últimos tempos, ao aparecimento de inúmeros jovens talentos locais, como o lateral/extremo: Andreas Avraam (Omónia), o extremo-direito: Georgios Efrem (Omónia) ou o atacante Christofi (Omónia), que, juntamente com jogadores experientes como os avançados Okkas (Anorthosis), Konstantinou (Omónia) e o médio Charalambides (Apoel Nicósia), têm ajudado a selecção cipriota a atingir outro patamar.

Um exemplo que nos chega do leste do Mediterrâneo, que podia servir de exemplo aos responsáveis do futebol indígena.

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A saída de Queiroz surgiu com meses de atraso

Antes de mais, devo admitir que esperei pela inevitabilidade do despedimento de Carlos Queiroz para, finalmente, dar a minha opinião sobre uma novela que, infelizmente, se arrastou demasiado com os terríveis custos de dois desaires incompreensíveis em termos desportivos, como foi o empate caseiro com Chipre (4-4) e a derrota na Noruega (0-1).

O agora ex-seleccionador nacional é, na minha opinião, um profissional competente e com grande talento na criação e implementação de projectos de fundo em termos organizacionais como foi bem patente no projecto de futebol jovem que, nos anos 80, foi criado e com o sucesso que se reconhece. No entanto, durante muito tempo, caiu-se, perigosamente, no erro de  esse talento organizacional de Queiroz ser confundido, várias vezes, com uma suposta capacidade técnica acima do comum, situação que, na verdade, o ex-adjunto de Alex Ferguson não tem.

Queirós, tirando os dois títulos mundiais de sub-20, foi, ao longo da sua carreira, um treinador que pouco conquistou, tendo, inclusivamente, ficado ligado a uma das mais humilhantes derrotas dos leões diante do seu eterno rival Benfica (3-6) e a perda de dois campeonatos por parte do Sporting, em duas temporadas (1993/94 e 1994/95) em que os verde e brancos tiveram dos melhores plantéis da sua história com nomes como Balakov, Figo, Valckx, Paulo Sousa, entre outros. Antes disso, Queirós já havia falhado o apuramento para o Mundial 94, ao serviço da selecção nacional, tendo, nessa altura, sido superado pela Itália e pela…Suíça.

Depois do insucesso total em Portugal em termos de futebol sénior, Queirós encetou um percurso pelo Mundo do futebol, onde passou por campeonatos e selecções menores e onde teve o único momento de algum sucesso na África do Sul, quando apurou os “bafana bafana” para o Mundial 2002. Essa proeza levou-o ao Manchester United, onde permaneceu bastante tempo como adjunto de Alex Ferguson, apenas quebrando essa ligação na temporada 2003/04, quando abraçou a liderança do Real Madrid, numa temporada em que fez os “merengues” terminarem a Liga Espanhola na quarta posição.

Curiosamente, apesar de nunca ter sido um treinador de grande sucesso, Queiroz conseguiu sempre criar uma imagem de grande prestígio no mundo do futebol como treinador e, assim, encarou-se com naturalidade a sua chamada para seleccionador nacional para a caminhada para o Mundial 2010.

Na minha opinião, nunca se deve dar uma segunda hipótese a um treinador que já falhou ao serviço de uma selecção, até porque a pressão dos adeptos sobre ele será sempre superior a um estreante. Ainda assim, quis esperar para ver se Queiroz, para além de por a equipa a jogar (bom) futebol conseguia criar elan, tanto com a equipa, como com os portugueses, situação que Scolari, mesmo não sendo um grande treinador, sempre soube fazer na perfeição.

Na verdade, o percurso de Queiroz na fase de qualificação roçou o medíocre, com Portugal a empatar com a Albânia em casa e a ser incapaz de vencer um simples jogo dos quatro que fez com Suécia e Dinamarca. Ainda assim, uma feliz combinação de resultados fez com que garantíssemos o segundo lugar no grupo e, posteriormente, num playoff diante da pouco cotada da Bósnia, conseguimos o apuramento para o Mundial da África do Sul.

Curiosamente, até acho que os resultados de Portugal no Mundial 2010 foram dignos, pois empatámos com duas boas selecções, goleámos a Coreia do Norte e apenas perdemos, nos oitavos de final, diante da equipa que se sagraria campeã do Mundo: Espanha.

Ainda assim, as exibições, tirando a segunda parte diante da Coreia, foram sempre muito pobres, percebendo-se que Queiroz não havia conseguido incutir na selecção o bom futebol que os adeptos esperam e que, ao longo dos tempos, sempre foi a imagem da equipa lusa.

Mas, se o percurso desportivo no Mundial até podia garantir a Queiroz a permanência na equipa das quinas, os acontecimentos ocorridos na Covilhã com o comité anti-dopagem, obrigavam a que, mal Portugal terminasse a presença no campeonato do Mundo, fosse feita uma reunião de emergência na Federação. Se antes do Mundial, essa situação não se podia por em causa, pois iria colocar em xeque a nossa participação no Mundial 2010, era necessário que se tomassem medidas logo após o certame, pois o apuramento para o Euro iniciava-se logo em Setembro e havia que criar condições para que a equipa portuguesa tivesse sucesso.

Infelizmente, foi tudo mal feito, arrastando-se o caso Queirós por meses a fio e custando-nos, em dois jogos, que Portugal fosse orientado por telemóvel e à distância, por um seleccionador que, na verdade, todos sabíamos que deixaria de o ser.

Agora, após termos feito dois resultados deploráveis e de estarmos, à segunda jornada, a fazer contas para chegarmos ao Euro 2012, é que se tomou a decisão de despedir Queiroz, numa decisão que, além de tardia, apenas prova que a Federação Portuguesa de Futebol é uma organização totalmente desorganizada e que, tal como a selecção, necessita de uma mudança de 180º para que possa, novamente, merecer o respeito dos portugueses.

Vamos esperar pelas eleições e, sinceramente, por sangue novo que possa dar outra alma à Federação. Até lá, esperemos que a escolha do novo treinador seja criteriosa e, acima de tudo, de risco baixo, pois, neste momento, o apuramento para o europeu já se encontra, infelizmente, na corda bamba.

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