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Posts Tagged ‘Costa do Marfim’

Stéphane no Olhanense

No Atlético Clube de Portugal da Liga Orangina evolui um bom defesa-esquerdo oriundo das camadas jovens do FC Porto. Refiro-me, obviamente, a Stéphane.

Nascido a 1 de Novembro de 1989 em Bingerville, Costa do Marfim, Stéphane Agbre Dasse é, ainda assim, um internacional burquinês que chegou ao futebol português em 2006 para representar os júniores do FC Porto.

Entre 2008 e 2010, o jogador esteve emprestado ao Olhanense, mas se a primeira época, na Liga de Honra, foi positiva para o burquinês (30 jogos), a segunda, no escalão principal, não foi famosa, pois Stéphane apenas foi utilizado em seis jogos oficiais.

Atlético é o seu terceiro destino distinto por empréstimo do FC Porto

Assim sendo, foi sem surpresa que, na temporada passada, o jogador voltou a ser emprestado a um clube da Liga Orangina, neste caso o Penafiel, clube onde foi utilizado com relativa regularidade (17 jogos), mas sem ter explodido como os responsáveis azuis-e-brancos por certo esperariam.

Acreditando que o internacional pelo Burquina Faso precisa ainda de maior experiência competitiva, os responsáveis técnicos dos dragões voltaram a emprestar Stéphane nesta temporada, sendo que, desta feita, o destino foi o Atlético. No clube da Tapadinha, o burquinês assume-se como titular indiscutível e um dos bons valores do Atlético, somando vinte jogos e boas exibições individuais.

Lateral-esquerdo precisa de ganhar inteligência posicional

Stéphane é um jogador rápido e raçudo que defende com segurança e ataca com critério, podendo ser usado como defesa-esquerdo mais posicional e conservador ou, caso o treinador pretenda, funcionando como elemento de maior risco, avançando mais no terreno.

Um dos pontos fracos do jovem burquinês, todavia, é alguns momentos de desconcentração posicional que fazem com que Stéphane cometa erros graves no sector defensivo.

Contudo, pelas suas características que dispõe, e caso consiga se tornar um jogador mais “concentrado” do ponto de vista táctico, estou certo que o burquinês tem futebol mais que suficiente para actuar no principal escalão do futebol português.

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Wilfried a festejar um golo pelo Sparta Praga

No Vitesse da Liga Holandesa, actua um dos mais promissores atacantes africanos da actualidade, o internacional marfinense: Wilfried Bony.

Nascido a 10 de Dezembro de 1988 em Bingerville, Costa do Marfim, Wilfried Bony iniciou a sua carreira no seu país natal, ao serviço do Issia Wazi, clube pelo qual se sagrou o melhor marcador da liga marfinense em 2007.

Essas boas exibições valeram-lhe a transferência para a Europa e para o Sparta Praga, clube que representou entre o Verão de 2008 até ao final de 2010, tendo marcado 21 golos em 58 jogos do campeonato checo.

Após a aventura na República Checa, o internacional marfinense voltou a mudar de ares em Janeiro de 2011, transferindo-se para os holandeses do Vitesse. Nesse clube da Eredivisie, ainda vai dando os primeiros passos na adaptação ao futebol holandês, mas, ainda assim, já marcou três golos em sete partidas.

Avançado rápido e com frieza na hora de rematar

Wilfried Bony é um avançado frio, possante e muito rápido, que se movimenta constantemente nas zonas avançadas do terreno, criando imensos problemas aos defesas que o têm de marcar.

Não sendo um portento de técnica, também não é completamente “tosco” nesse aspecto específico do jogo, sendo capaz de marcar golos de belo efeito com ambos os pés. Para além disso, e apesar de não ser muito alto (1,83 metros), é muito perigoso no jogo aéreo, concretizando com regularidade de cabeça.

Pelas suas características, trata-se de um avançado-centro que tanto pode jogar sozinho na frente como ao lado de outro ponta de lança, pois adapta-se perfeitamente a ambos os esquemas. Neste momento, com apenas 22 anos, o internacional marfinense tem tudo para crescer ainda mais no panorama futebolístico europeu.

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Coulibaly é uma força da natureza

A Costa do Marfim já foi eliminada do campeonato do Mundo de sub-17, mas saltou à vista a magnífica performance do atacante Souleymane Coulibaly que, em apenas quatro jogos, fez nove golos, já sendo considerado o novo Didier Drogba.

Nascido a 26 de Dezembro de 1994 na Costa do Marfim, Souleymane Coulibaly cedo viajou até é Itália, onde representa o Siena nas camadas jovens do clube transalpino.

No campeonato italiano, só se deve estrear na temporada de 2011/12, ainda que seja provável que abandone o Siena, após o magnífico campeonato do Mundo de sub-17 que fez, apontando nove golos e fazendo exibições fantásticas nos quatro jogos que efectuou pelos marfinenses.

Avançado possante e goleador

Souleymane Coulibaly é um ponta de lança com um sentido de baliza impressionante, situação que pode ser facilmente detectada pelo facto de ter realizado uma média superior a dois golos por jogo no último campeonato do Mundo de sub-17.

Com um remate extremamente forte e colocado, uma técnica bastante apreciável, grande velocidade e um enorme poder físico, o atacante marfinense é um avançado que tanto pode jogar sozinho na frente omo ao lado de outro ponta de lança sem qualquer problema. Ainda assim, tendo apenas 1,72 metros, e se se pretender dar poder no jogo aéreo é preferível colocar um atacante mais posicional perto dele.

Neste momento, com apenas 16 anos, é um pérola que tem tudo para atingir o topo do futebol mundial, ainda que haja sempre o risco de tal como o fenómeno ganês Lamptey, se perder no sinuoso percurso do futebol sénior.

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Zohore é um talento dinamarquês

No FC Copenhaga actua um dinamarquês de origem marfinense que tem tudo para ser um dos grandes pontas de lança da nova geração: Kenneth Zohore.

Nascido a 31 de Janeiro de 1994, em Copenhaga, Kenneth Dahrup Zohore é filho de um marfinense que, curiosamente, é primo da super-estrela Didier Drogba, tendo iniciado a sua carreira nas camadas jovens do modesto Skjold, com apenas sete anos de idade.

Depois de uma passagem pelo KB, Kenneth Zohore chegou ao FC Copenhaga em 2010, tendo se estrado na equipa principal do gigante da capital dinamarquesa a 7 de Março de 2010, numa vitória diante do AGF (5-0), quando tinha apenas 16 anos e 37 dias, tornando-se no jogador mais novo de sempre a estrear-se no principal escalão da Dinamarca.

Desde que se estreou pelo FC Copenhaga, Kenneth Zohore já fez 16 jogos (1 golo), notando-se que vai conquistando o seu espaço, devagarinho, na equipa, não saltando etapas da sua formação.

Goleador da selecção sub-17 da Dinamarca

Kenneth Zohore é um ponta de lança muito possante e com um físico impressionante (1, 88 metros, 85 kg), jogando muito bem de costas para a baliza e sendo muito difícil de marcar. Pelas suas características, podemos imaginar que se trata de um “target man” puro, daqueles que ficam parados à espera da bola, mas o internacional sub-19 dinamarquês é muito mais que isso.

Apesar do seu físico, Zohore é um jogador muito móvel e rápido, sendo extremamente perigoso quando embala em velocidade. Bom de cabeça e a rematar com os dois pés (preferencialmente o esquerdo), o dinamarquês é também um jogador com boa visão de jogo, sabendo verificar quando um colega está em melhor posição para facturar.

Podendo jogar tanto sozinho na frente, como na companhia de outro ponta de lança, Kenneth Zohore é, assim, um jogador com um talento impressionante e que, por certo, não demorará a dar o salto para um campeonato de maior renome. Neste momento, com apenas 17 anos e impressionantes números ao serviço da selecção dinamarquesa de sub-17 (18 jogos, 11 golos), trata-se de um avançado que devem seguir num dos próximos jogos do FC Copenhaga.

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Depois de ter regressado à Ligue 1 em 2000, após um duro percurso de três temporadas no segundo escalão do futebol francês, o Lille tem conseguido cimentar-se como um dos bons clubes franceses da actualidade, conseguindo ficar seis vezes do quinto lugar para cima e participando por três vezes na Liga dos Campeões. Apesar da retoma, o Lille continua longe dos tempos de glória vividos nas décadas de 40 e 50, quando a equipa do norte de França conquistou 2 campeonatos e cinco taças de França, sendo, neste momento, uma equipa de qualidade, mas que se mantém abaixo de gigantes gauleses como o Marselha, Bordéus ou Lyon.

Quem é o Lille

O Lille foi fundado em 1944, resultado da fusão entre o SC Fives e Olympique Lillois, tendo sucesso imediato, pois, na primeira vez que participou no campeonato francês de futebol (1945/46), sagrou-se campeão nacional. Nesse mesmo ano, conquistou, igualmente, a Taça de França e iniciou um percurso que, durante cerca de dez anos, transformou o Lille num dos maiores clubes gauleses, pois, entre 1946 e 1954, a equipa do norte de França conquistou 2 campeonatos (46 e 54) e cinco taças de França (46, 47, 48, 53 e 54).

No entanto, se o sucesso surgiu rapidamente, o declínio também não se fez esperar, com a equipa, após o último título nacional, a entrar num rápido declínio que teve como ponto mais negro a descida à terceira divisão e, em 1969, o abandono do estatuto de clube profissional.

Em 1970, a equipa regressou à segunda divisão e recuperou o estatuto de clube profissional, mas, apesar das melhorias financeiras, a equipa manteve-se com resultados modestos, transformando-se, primeiro, num clube que mais parecia um elevador entre a primeira e segunda divisão e, posteriormente, num clube estável no primeiro escalão, mas que apenas somava classificações modestas.

Posteriormente, em 1997, a equipa voltou a descer à Ligue 2, permanecendo lá por três temporadas, contudo, em 2000, quando o Lille regressou ao primeiro escalão, conseguiu cimentar-se e atingir boas classificações, terminando a maior parte dos campeonatos do quinto lugar para cima. Na década de 2000, o Lille também foi capaz de se estrear na Liga dos Campeões, participando por três vezes na mais importante prova de clubes da UEFA.

O ano passado, o Lille terminou o campeonato francês na quarta posição e qualificou-se para a fase de grupos da Liga Europa após afastar os romenos do Vaslui (0-0 e 2-0).

Como joga

O Lille costuma actuar num 4-3-3 de perfil ofensivo, que explora a grande velocidade das suas duas grandes estrelas: os extremos Gervinho e Eden Hazard.

Apesar de ser muito perigosa no ataque, a equipa gaulesa também é bastante segura na defesa, onde conta com o guarda-redes internacional francês Landreau e dois centrais muito altos e fortes: Rozehnal e Rami. No meio-campo, o Lille conta com três jogadores que garantem grande solidez táctica que são o trinco Mavuba e dois box to box de grande qualidade e disciplina táctica: Balmont e Cabaye.

Assim sendo, graças a grande segurança que a defesa e o meio-campo asseguram, o Lille garante enorme liberdade aos dois extremos (Gervinho e Hazard), dois jogadores de enorme talento, sendo que o belga é um ala de perfil mais puro, que procura a linha e os lances de um contra um e o marfinense, ao invés, é um jogador que gosta de forçar as diagonais para o centro, de forma a encontrar espaço para o remate ou para a combinação com o perigoso e móvel goleador francês: Pierre-Alain Frau.

Em príncipio, esta será a equipa que o Lille irá apresentar, hoje, para o duelo com os verde e brancos:

Gervinho é um avançado perigoso

Quem é que os leões devem ter debaixo de olho – Gervinho

O polivalente avançado de 23 anos é, claramente, um dos grandes destaques deste Lille, sendo um jogador que alia a velocidade à criatividade para colocar em sentido as defesas contrárias.

Criado nas escolas de dois clubes do seu país (Mimosas e Tomoudi), Gervinho entrou na Europa, em 2004, pela porta do Beveren, onde se destacou pela sua velocidade e imprevisibilidade. Após 61 jogos e 13 golos pelo clube belga, o internacional marfinense mudou-se, em 2007, para o Le Mans da liga francesa, onde, durante duas temporadas, assumiu-se como um avançado versátil e de grande intensidade competitiva.

Desde 2009, encontra-se no Lille, onde tem refinado todas as suas qualidades e variado entre a posição de extremo ou de segundo avançado. No clube do norte de França, Gervinho efectuou 32 jogos e marcou 13 golos, o que dá uma média muito interessante de quase um golo a cada dois jogos. No entanto, o internacional marfinense não se resume, simplesmente, aos golos que marca, sendo também um excelente jogador de equipa que sabe criar espaços e combina muito bem com o ponta de lança.

Em suma, trata-se de um jogador de grande qualidade que terá de merecer a máxima atenção da equipa técnica leonina.

As hipóteses leoninas

Em termos de plantel, pensamos que Sporting e Lille têm equipas muito semelhantes em termos de qualidade individual e colectiva.

Assim sendo, serão, por certo, dois duelos muito equilibrados e que vão exigir enorme concentração por parte das duas equipas intervenientes. Depois, a equipa que conseguir ter maior sangue frio e frieza competitiva irá, por certo, conseguir os melhores resultados e, aí, esperamos que a equipa mais concentrada seja o Sporting Clube de Portugal.

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Ouattara na selecção marfinense

O Sporting estava no defeso da época 1995/96 e havia perdido jogadores como Balakov, Figo ou Juskowiak, precisando de reforçar vários sectores para ter uma equipa competitiva. A equipa leonina fez uma prospecção longa e entendeu que, no FC Sion, estavam os substitutos de Balakov (Assis) e de Juskowiak (Ouattara). Ambos vinham com as melhores referências e, logo na primeira jornada do campeonato, Ouattara brilhou, fazendo um grande golo após uma grande cavalgada pelo meio campo portista. Os adeptos empolgaram-se, pensando estar ali uma grande pérola negra, um novo Weah, no entanto, rapidamente se desiludiram, pois o tempo ia passando e os golos, esses, eram tão raros como água no deserto. 

Ahmed Ouattara iniciou a carreira no Africa Sports, aos 19 anos, e esteve nesse clube marfinense durante seis temporadas, mostrando ser um avançado possante e com boa relação com o golo. As boas exibições e os muitos tentos apontados pelo jovem jogador chamaram a atenção do FC Sion que o contratou para a época 1994/95. 

Na Suíça, Ouattara esteve apenas uma temporada, mas, juntamente com Assis, brilhou bastante, marcando diversos golos e sendo muito importante da boa época que a equipa helvética fez (conquistou a Taça da Suíça e terminou o campeonato na sexta posição). 

Essas exibições chamaram a atenção do Sporting que viu em Ouattara um substituto de qualidade para o polaco Juskowiak. Os primeiros jogos foram promissores com Ouattara a marcar um excelente golo ao FC Porto, na primeira jornada do campeonato, num lance em que a sua força foi fundamental para passar Jorge Costa e Vítor Baía. 

Os adeptos empolgaram-se mas Ouattara nunca conseguiu cumprir com as expectativas. A sua passagem pelo Sporting de cerca de temporada e meia apenas rendeu seis golos em 27 partidas, ficando a ideia de um avançado lutador, simpático, mas, acima de tudo, desengonçado e trapalhão. 

Após a passagem pelos leões, Ouattara voltou ao FC Sion, passando depois por Basileia e Extremadura, sempre perseguido pelas lesões e sem ser capaz de mostrar as qualidades que, um dia, o fizeram jogar no Sporting. 

Em 2000, o marfinense regressou a Portugal para uma época no Salgueiros. Pensou-se que, numa equipa mais pequena, Ouattara pudesse brilhar mas foi puro engano. O internacional pela Costa do Marfim passou a maior parte da época no banco e apenas fez um golo, curiosamente na última jornada da temporada 2000/01. 

Terminada essa época, Ouattara regressou ao África Sports, terminando a carreira em 2002. Uma carreira longa, mas recheada de lesões e promessas que, infelizmente para o marfinense, nunca se vieram a cumprir. 

Ainda assim, hoje, enquanto trabalha para a federação marfinense, Ouattara deve-se lembrar de quando pisava o relvado do antigo Estádio de Alvalade e os adeptos leoninos cantavam, a plenos pulmões, o célebre: “Uh-Ah-Ouattara! 

Reveja o célebre golo de Ouattara, nas Antas, no primeiro jogo da época 1995/96. 

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Esperava-se mais de Ronaldo no Mundial

Até 2010, Portugal havia participado em apenas quatro campeonatos do mundo: 1966, 1986, 2002 e 2006. Curiosamente, nas participações em terras europeias (1966 em Inglaterra e 2006 na Alemanha), Portugal havia feito excelentes campanhas ficando em terceiro e quarto lugar respectivamente, enquanto nas presenças fora da Europa (1986 no México e 2002 na Coreia/Japão) as campanhas foram péssimas, com a selecção das quinas a não passar da fase de grupos, perdendo mesmo com equipas que pareciam acessíveis como Marrocos (1986), Estados Unidos (2002) e Coreia do Sul (2002). Assim sendo, na terceira participação em terras distantes do velho continente, todos ficamos ansiosos para saber se à terceira era de vez e fazíamos uma boa campanha ou se, ao invés, voltávamos a fracassar como no México ou na Coreia/Japão. Curiosamente, acabamos por nem fazer uma coisa nem outra, terminando com uma campanha digna, mas modesta, pois limitamo-nos a cumprir com os serviços mínimos: oitavos de final. A única “consolação”? A Espanha, que nos eliminou, sagrou-se campeã do mundo de futebol. 

A Fase de Grupos 

Integrados no Grupo G com Costa do Marfim, Coreia do Norte e Brasil, percebeu-se, desde cedo, que Portugal iria disputar o apuramento para os oitavos de final com a equipa marfinense. Nesse aspecto, o facto da equipa lusitana defrontar a equipa canarinha na última jornada poderia revelar-se um ponto a favor da nossa selecção como, aliás, se confirmou. 

O primeiro jogo de Portugal, diante da Costa do Marfim, foi, sem sombra de dúvida, o pior da campanha lusitana na África do Sul. Portugal até começou melhor, ficando na retina um grande remate de Cristiano Ronaldo ao poste da baliza de Barry, mas depois, com o passar do tempo, Portugal foi recuando, foi ficando parco em ideias e foi dando, perigosamente, a iniciativa de jogo aos marfinenses. Ronaldo não existia, Danny mostrava ser um equívoco, Paulo Ferreira tinha dificuldades para parar os velozes avançados africanos e Liedson, esse, sozinho na frente, era incapaz de fazer o que fosse perante os gigantes defesas da Costa do Marfim. Neste jogo, salvou-se Coentrão (grande exibição), Eduardo (sempre atento) e o facto de Drogba, completamente isolado, já nos descontos, ter tentado um passe, quando tinha tudo para marcar um golo que, quase de certeza, iria ser fatal para a passagem portuguesa aos oitavos de final. No final, o nulo foi bem melhor que a exibição. 

A equipa lusitana encarou o segundo jogo com os norte-coreanos com algumas cautelas, pois os asiáticos haviam, na primeira partida, perdido apenas por um golo (1-2) com o Brasil. Na primeira parte os asiáticos ainda deram um ar da sua graça com bons processos ofensivos e alguns remates perigosos, mas Portugal chegou ao intervalo a vencer por uma bola a zero e percebia-se que bastaria a equipa das quinas acelarar na segunda parte para fazer mais golos. Na verdade, essa segunda metade, foi o melhor período de Portugal no campeonato do mundo. Com um futebol fluído, com bastantes passes ao primeiro toque e muita velocidade, Portugal foi trucidando o sector recuado norte-coreano. Coentrão e Ronaldo combinavam muito bem no flanco esquerdo, Tiago mostrava ser um autêntico maestro do meio campo e os golos iam se sucedendo. Simão, Tiago (2), Hugo Almeida, Cristiano Ronaldo e Liedson marcaram, assim, seis tentos nos segundos quarenta e cinco minutos e a partida terminou com uma vitória lusa por 7-0, provando que Portugal, quando quer, pode jogar um futebol ofensivo, imaginativo e do agrado do espectador. 

Como se esperava, o Brasil havia vencido a Costa do Marfim (3-1) e, assim, esse resultado aliado ao facto de termos despachado a Coreia do Norte por 7-0, deixava-nos praticamente apurados para a fase seguinte. Ainda assim, Queirós, talvez temendo que os asiáticos pudessem levar um correctivo da equipa africana ao nível do que haviam levado de Portugal, preferiu apresentar uma equipa cautelosa, com Ricardo Costa e Duda como laterais, Ronaldo como ponta de lança e Fábio Coentrão no meio campo. Acabou por ser um jogo bastante enfadonho, com poucas oportunidades de golo e com ambas as equipas contentes com o zero a zero, pois, com esse resultado, o Brasil assegurava o primeiro lugar e Portugal assegurava o apuramento para os oitavos de final. Ainda assim, destaque para a fraca exibição de Ricardo Costa e de Danny que pareciam estar a mais em campo, sendo que o defesa, muitas vezes, até parecia estorvar os companheiros do sector enquanto o jogador do Zenit, perto do fim, na única vez em que fez algo de útil, desperdiçou uma grande oportunidade de dar a vitória a Portugal e colocar-nos no primeiro lugar do agrupamento. Esse falhanço obrigava-nos, assim, a jogar com a Espanha nos oitavos de final. 

Oitavos de Final 

No jogo contra a Espanha, Queirós voltou a surpreender, insitindo na utilização de Ricardo Costa a lateral direito (menos mau que com o Brasil, mas muito fraquinho) e apostando em Hugo Almeida na frente de ataque (uma nulidade), quando se esperava o mais móvel: Liedson. 

Os primeiros quinze minutos de Portugal foram um pesadelo. A Espanha trocava a bola no meio campo lusitano de forma rápida e incisiva, conseguindo criar lances de perigo sucessivos para a baliza de um sempre atento e muitas vezes heroico Eduardo. Ainda assim, com o passar do tempo, Portugal foi equilibrando a partida, conseguindo, até, chegar algumas vezes à baliza de Casillas. 

Neste período, a “Roja” com Villa e Torres a descaírem muito nas alas, ia perdendo alguma objectividade e o jogo foi se arrastando até que Del Bosque, aos 58 minutos, decide tirar Fernando Torres e lançar, no seu lugar, o ponta de lança fixo: Llorente. Esta alteração desorientou totalmente Portugal, que além de não ter sabido reagir à mudança táctiva, viu Carlos Quirós tirar Hugo Almeida, que apesar de ter feito um mau jogo ainda prendia os defesas castelhanos e lançar Danny, deixando Portugal sem referência ofensiva. 

Tantos equívocos não podiam resultar em coisa boa e, pouco depois, David Villa fez o golo da Espanha. Ainda faltava cerca de meia hora, mas para a equipa das quinas o jogo podia ter terminado naquele instante. Queirós, no banco, era incapaz de fazer o que quer que fosse para alterar o rumo dos acontecimentos, apesar de ainda ter tentado emendar a mão, lançando Liedson e voltando a colocar a equipa lusa com uma referência atacante. No entanto, era tarde demais e a alteração foi incapaz de fazer efeito perante uma equipa que se arrastava em campo sem ideias colectivas e sem qualquer rasgo ou momento de inspiração individual. 

Assim sendo, foi sem surpresa que o jogo se arrastou até final, terminando com uma vitória da Espanha por uma bola a zero, num jogo em que ficou a ideia que se Portugal tivesse tido mais ambição podia ter tido outro resultado. 

Conclusão 

Para os apreciadores de estatísticas, temos que admitir que foi a melhor participação de Portugal fora do velho continente (passamos, enfim, a fase de grupos), que foi a vez que sofremos menos golos (apenas um) e que marcámos tantos golos como no Alemanha 2006 (sete, curiosamente todos contra a Coreia do Norte). 

Em termos globais, cumprimos com aquele que podia ser considerado o objectivo mínimo: os oitavos de final. Num grupo com o Brasil e Costa do Marfim, seria extremamente difícil ficar em primeiro lugar, ainda que, agora, analisando a frio, tenhamos a noção que com mais ambição e com um esquema mais arrojado teria sido possível vencer o agrupamento. Ainda assim, termos sido eliminados pela Espanha, nos oitavos de final, sabendo que “nuestros hermanos” acabaram por vencer o Mundial, nunca pode ser encarado como um fracasso absoluto. 

O pior, na verdade, foram as exibições e a atitude competitiva da selecção portuguesa. Tirando os segundos 45 minutos com a Coreia do Norte, Portugal pareceu sempre uma equipa abaixo das suas possibilidades. Mostramos muitos receios, pouca ambição, tivemos sempre mais preocupação em defender do que em assumir o jogo e isso, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre por ser fatal. Carlos Queirós terá, se continuar (como se espera) como seleccionador nacional, que rever algumas das suas ideias e perceber, de uma vez por todas, que jogadores como Ricardo Costa nunca podem ser titulares da nossa equipa, que Duda não acrescenta nada a Portugal, que Ronaldo não pode jogar sozinho na frente e que Hugo Almeida apenas pode ser titular em condições muito especiais. 

No entanto, nem tudo é mau no horizonte futuro. Bosingwa e Nani estão aí a regressar, Rúben Micael será uma opção e Quaresma, agora no Besiktas, também poderá voltar à selecção. Estes jogadores poderão permitir a Carlos Queirós uma mudança no seu paradigma táctico, utilizando um esquema mais ofensivo, mais criativo e, acima de tudo, mais de acordo com a génese daquele que é, na realidade, o futebol português. Veremos se tem a capacidade para o fazer, pois, na verdade, as qualificações para o Euro 2012 estão aí mesmo à porta…

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