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Esperava-se mais de Ronaldo no Mundial

Até 2010, Portugal havia participado em apenas quatro campeonatos do mundo: 1966, 1986, 2002 e 2006. Curiosamente, nas participações em terras europeias (1966 em Inglaterra e 2006 na Alemanha), Portugal havia feito excelentes campanhas ficando em terceiro e quarto lugar respectivamente, enquanto nas presenças fora da Europa (1986 no México e 2002 na Coreia/Japão) as campanhas foram péssimas, com a selecção das quinas a não passar da fase de grupos, perdendo mesmo com equipas que pareciam acessíveis como Marrocos (1986), Estados Unidos (2002) e Coreia do Sul (2002). Assim sendo, na terceira participação em terras distantes do velho continente, todos ficamos ansiosos para saber se à terceira era de vez e fazíamos uma boa campanha ou se, ao invés, voltávamos a fracassar como no México ou na Coreia/Japão. Curiosamente, acabamos por nem fazer uma coisa nem outra, terminando com uma campanha digna, mas modesta, pois limitamo-nos a cumprir com os serviços mínimos: oitavos de final. A única “consolação”? A Espanha, que nos eliminou, sagrou-se campeã do mundo de futebol. 

A Fase de Grupos 

Integrados no Grupo G com Costa do Marfim, Coreia do Norte e Brasil, percebeu-se, desde cedo, que Portugal iria disputar o apuramento para os oitavos de final com a equipa marfinense. Nesse aspecto, o facto da equipa lusitana defrontar a equipa canarinha na última jornada poderia revelar-se um ponto a favor da nossa selecção como, aliás, se confirmou. 

O primeiro jogo de Portugal, diante da Costa do Marfim, foi, sem sombra de dúvida, o pior da campanha lusitana na África do Sul. Portugal até começou melhor, ficando na retina um grande remate de Cristiano Ronaldo ao poste da baliza de Barry, mas depois, com o passar do tempo, Portugal foi recuando, foi ficando parco em ideias e foi dando, perigosamente, a iniciativa de jogo aos marfinenses. Ronaldo não existia, Danny mostrava ser um equívoco, Paulo Ferreira tinha dificuldades para parar os velozes avançados africanos e Liedson, esse, sozinho na frente, era incapaz de fazer o que fosse perante os gigantes defesas da Costa do Marfim. Neste jogo, salvou-se Coentrão (grande exibição), Eduardo (sempre atento) e o facto de Drogba, completamente isolado, já nos descontos, ter tentado um passe, quando tinha tudo para marcar um golo que, quase de certeza, iria ser fatal para a passagem portuguesa aos oitavos de final. No final, o nulo foi bem melhor que a exibição. 

A equipa lusitana encarou o segundo jogo com os norte-coreanos com algumas cautelas, pois os asiáticos haviam, na primeira partida, perdido apenas por um golo (1-2) com o Brasil. Na primeira parte os asiáticos ainda deram um ar da sua graça com bons processos ofensivos e alguns remates perigosos, mas Portugal chegou ao intervalo a vencer por uma bola a zero e percebia-se que bastaria a equipa das quinas acelarar na segunda parte para fazer mais golos. Na verdade, essa segunda metade, foi o melhor período de Portugal no campeonato do mundo. Com um futebol fluído, com bastantes passes ao primeiro toque e muita velocidade, Portugal foi trucidando o sector recuado norte-coreano. Coentrão e Ronaldo combinavam muito bem no flanco esquerdo, Tiago mostrava ser um autêntico maestro do meio campo e os golos iam se sucedendo. Simão, Tiago (2), Hugo Almeida, Cristiano Ronaldo e Liedson marcaram, assim, seis tentos nos segundos quarenta e cinco minutos e a partida terminou com uma vitória lusa por 7-0, provando que Portugal, quando quer, pode jogar um futebol ofensivo, imaginativo e do agrado do espectador. 

Como se esperava, o Brasil havia vencido a Costa do Marfim (3-1) e, assim, esse resultado aliado ao facto de termos despachado a Coreia do Norte por 7-0, deixava-nos praticamente apurados para a fase seguinte. Ainda assim, Queirós, talvez temendo que os asiáticos pudessem levar um correctivo da equipa africana ao nível do que haviam levado de Portugal, preferiu apresentar uma equipa cautelosa, com Ricardo Costa e Duda como laterais, Ronaldo como ponta de lança e Fábio Coentrão no meio campo. Acabou por ser um jogo bastante enfadonho, com poucas oportunidades de golo e com ambas as equipas contentes com o zero a zero, pois, com esse resultado, o Brasil assegurava o primeiro lugar e Portugal assegurava o apuramento para os oitavos de final. Ainda assim, destaque para a fraca exibição de Ricardo Costa e de Danny que pareciam estar a mais em campo, sendo que o defesa, muitas vezes, até parecia estorvar os companheiros do sector enquanto o jogador do Zenit, perto do fim, na única vez em que fez algo de útil, desperdiçou uma grande oportunidade de dar a vitória a Portugal e colocar-nos no primeiro lugar do agrupamento. Esse falhanço obrigava-nos, assim, a jogar com a Espanha nos oitavos de final. 

Oitavos de Final 

No jogo contra a Espanha, Queirós voltou a surpreender, insitindo na utilização de Ricardo Costa a lateral direito (menos mau que com o Brasil, mas muito fraquinho) e apostando em Hugo Almeida na frente de ataque (uma nulidade), quando se esperava o mais móvel: Liedson. 

Os primeiros quinze minutos de Portugal foram um pesadelo. A Espanha trocava a bola no meio campo lusitano de forma rápida e incisiva, conseguindo criar lances de perigo sucessivos para a baliza de um sempre atento e muitas vezes heroico Eduardo. Ainda assim, com o passar do tempo, Portugal foi equilibrando a partida, conseguindo, até, chegar algumas vezes à baliza de Casillas. 

Neste período, a “Roja” com Villa e Torres a descaírem muito nas alas, ia perdendo alguma objectividade e o jogo foi se arrastando até que Del Bosque, aos 58 minutos, decide tirar Fernando Torres e lançar, no seu lugar, o ponta de lança fixo: Llorente. Esta alteração desorientou totalmente Portugal, que além de não ter sabido reagir à mudança táctiva, viu Carlos Quirós tirar Hugo Almeida, que apesar de ter feito um mau jogo ainda prendia os defesas castelhanos e lançar Danny, deixando Portugal sem referência ofensiva. 

Tantos equívocos não podiam resultar em coisa boa e, pouco depois, David Villa fez o golo da Espanha. Ainda faltava cerca de meia hora, mas para a equipa das quinas o jogo podia ter terminado naquele instante. Queirós, no banco, era incapaz de fazer o que quer que fosse para alterar o rumo dos acontecimentos, apesar de ainda ter tentado emendar a mão, lançando Liedson e voltando a colocar a equipa lusa com uma referência atacante. No entanto, era tarde demais e a alteração foi incapaz de fazer efeito perante uma equipa que se arrastava em campo sem ideias colectivas e sem qualquer rasgo ou momento de inspiração individual. 

Assim sendo, foi sem surpresa que o jogo se arrastou até final, terminando com uma vitória da Espanha por uma bola a zero, num jogo em que ficou a ideia que se Portugal tivesse tido mais ambição podia ter tido outro resultado. 

Conclusão 

Para os apreciadores de estatísticas, temos que admitir que foi a melhor participação de Portugal fora do velho continente (passamos, enfim, a fase de grupos), que foi a vez que sofremos menos golos (apenas um) e que marcámos tantos golos como no Alemanha 2006 (sete, curiosamente todos contra a Coreia do Norte). 

Em termos globais, cumprimos com aquele que podia ser considerado o objectivo mínimo: os oitavos de final. Num grupo com o Brasil e Costa do Marfim, seria extremamente difícil ficar em primeiro lugar, ainda que, agora, analisando a frio, tenhamos a noção que com mais ambição e com um esquema mais arrojado teria sido possível vencer o agrupamento. Ainda assim, termos sido eliminados pela Espanha, nos oitavos de final, sabendo que “nuestros hermanos” acabaram por vencer o Mundial, nunca pode ser encarado como um fracasso absoluto. 

O pior, na verdade, foram as exibições e a atitude competitiva da selecção portuguesa. Tirando os segundos 45 minutos com a Coreia do Norte, Portugal pareceu sempre uma equipa abaixo das suas possibilidades. Mostramos muitos receios, pouca ambição, tivemos sempre mais preocupação em defender do que em assumir o jogo e isso, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre por ser fatal. Carlos Queirós terá, se continuar (como se espera) como seleccionador nacional, que rever algumas das suas ideias e perceber, de uma vez por todas, que jogadores como Ricardo Costa nunca podem ser titulares da nossa equipa, que Duda não acrescenta nada a Portugal, que Ronaldo não pode jogar sozinho na frente e que Hugo Almeida apenas pode ser titular em condições muito especiais. 

No entanto, nem tudo é mau no horizonte futuro. Bosingwa e Nani estão aí a regressar, Rúben Micael será uma opção e Quaresma, agora no Besiktas, também poderá voltar à selecção. Estes jogadores poderão permitir a Carlos Queirós uma mudança no seu paradigma táctico, utilizando um esquema mais ofensivo, mais criativo e, acima de tudo, mais de acordo com a génese daquele que é, na realidade, o futebol português. Veremos se tem a capacidade para o fazer, pois, na verdade, as qualificações para o Euro 2012 estão aí mesmo à porta…

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Uma opção para o corredor esquerdo

Naturalmente um médio ala, durante a qualificação foi a primeira opção de Queirós para o lado esquerdo da defesa, mas a ascensão de Fábio Coentrão dificulta a sua permanência no onze. A impossibilidade de Nani jogar o Mundial pode levar a que o seleccionador veja em Duda uma opção para o lado esquerdo do meio campo.

Sérgio Paulo Barbosa Valente,  mais conhecido por Duda, é um médio esquerdo, de 29 anos e que joga no Malaga CF, em espanha – o país onde fez toda a sua carreira. Proveniente das escolas do Vitória de Guimarães, não chegou a fazer nenhum jogo sénior em Portugal, assinando pelo Cádiz FC – onde esteve duas temporadas. Chega ao Málaga FC em 2001/02, mas não se impôs de imediato na equipa, tendo sido emprestado na temporada seguinte ao Levante. Após essa temporada ganhou progressivamente o seu lugar na equipa, mas com a descida do Málaga à segunda divisão, Duda transfere-se para o Sevilha (2006/07). Apesar de ser um suplente bastante utilizado, não se impõe no Sevilha e após duas épocas regressa ao Málaga (primeiro ano por empréstimo, depois a título definitivo), onde agarra a titularidade, afirmando-se como um jogador importante da equipa.

Na selecção, estreia-se em 2007, mas perante a dificuldade em conquistar um lugar como médio, numa posição onde Portugal tem vários jogadores talentosos, não se impõe na equipa. Mas, perante a falta de um lateral esquerdo na selecção, Duda foi usado, durante a fase de qualificação para o Mundial, como opção de recurso para a lateral esquerda da defensiva portuguesa.

Duda é preferencialmente um médio ala, conhecido por ser um jogador de bom remate, que cruza bastante bem e que auxilia nas tarefas defensivas. No entanto, tem as suas limitações. Não é excepcionalmente rápido para um extremo, nem é um desiquilibrador no confronto directo com os adversários. A sua adaptação a defesa esquerdo não tem convencido os adeptos, que não o vêem como a opção ideal para o lugar. Apesar de  ter alguma utilidade nos processos ofensivos, como defesa é um jogador baixo (1,74m), sem capacidade de choque no confronto físico e sem rotinas tácticas do lugar, tornando-o débil na consistência defensiva – obrigando a jogar com um trinco mais defensivo, caso de Pepe.

Perante as boas indicações dadas por Coentrão, a sua titularidade na defesa pode ser comprometida e a sua utilização pode passar por um regresso ao meio campo, como suplente de um dos alas titulares.

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Uma peça de equilíbrio táctico

Uma peça de equilíbrio táctico

Com a impossibilidade de Bosingwa estar presente na fase final do campeonato do mundo, a discussão pelo lugar de lateral direito ficou em aberto.

Vários nomes surgiram em agenda para além dos que acabaram por ser convocados: Ruben Amorim, João Pereira ou mesmo Miguel Lopes. Jogadores dos três grandes nacionais e que integraram a pré-convocatória do seleccionador. No entanto, Queirós optou por jogadores com experiência na selecção (Miguel e Paulo Ferreira), com quem já tinha trabalhado e que sabia com o que podia contar – um critério válido e coerente quando existe pouco tempo de trabalho para integrar jogadores novos numa área que necessita de aprendizagem de rotinas, o sector defensivo.

Analisemos então Paulo Ferreira. Nascido em Janeiro de 1979, o jogador de 31 anos é um lateral polivalente que tanto pode jogar na ala direita, como na ala esquerda da defesa.

Iniciou a sua carreira no Estoril, onde jogou até 1999/00, tendo-se transferido posteriormente para o Vitória de Setúbal. Em Setúbal jogou duas épocas com grande regularidade, chegando a despertar o interesse do Sporting. Mas, seria o Porto a assegurar a sua contratação, pela mão de José Mourinho. No Porto, Paulo Ferreira jogou duas temporadas foi sempre titular, fez exibições de grande regularidade, dando equilíbrio e segurança à equipa e ganhou quase tudo o que podia ganhar: dois campeonatos, uma taça de Portugal, uma Supertaça Portuguesa, um Taça UEFA e uma Liga dos Campeões. Mais uma vez pela mão de Mourinho, transfere-se para o Chelsea, em 2004, onde joga actualmente. Apesar de começar a sua aventura em Londres como titular, Paulo Ferreira foi perdendo lugar na equipa do Chelsea a partir da sua segunda temporada.

Apesar de perder o fulgor no seu clube, na selecção foi sempre uma opção válida para Scolari e para Queirós, jogando à direita e à esquerda sempre que necessário e marcou presença em todas as competições internacionais desde 2004.

Paulo Ferreira é um lateral que agrada mais aos técnicos com quem trabalha do que aos adeptos que o vêm jogar. Não é um lateral rápido e desiquilibrador que entusiasma a plateia com rasgos individuais ou desequilíbrios na parte ofensiva do jogo – apesar de ser ser bom nos cruzamentos para a área. O seu grande talento é a regularidade e capacidade táctica, cumprido à risca com as ordens que vêm do banco e dando consistência defensiva à equipa. Não sendo um gigante, é um jogador alto para a posição de lateral (1,82m), o que pode ser útil para compensar o défice de altura que a nossa selecção, por regra, tem em relação a alguns adversários.

Numa equipa que deverá jogar com três jogadores de tarefas claramente ofensivas e um lateral esquerdo de características atacantes (tanto Duda como Fábio Coentrão são laterais ofensivos), Paulo Ferreira pode desempenhar um papel muito importante no equilíbrio da equipa, libertando o génio dos alas Cristiano Ronaldo, Simão ou Nani.

Pela sua regularidade, experiência e “encaixe no sistema táctico” deverá ser o titular da selecção – pelo menos em jogos mais equilibrados e que requerem maiores cuidados defensivos. No entanto, parece-nos uma opção limitada do ponto de vista ofensivo, pelo que em jogos ou situações em que for necessário um forcing atacante mais acentuado faz todo o sentido que seja uma peça a sacrificar.

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Poderíamos pensar que com o mundial à porta e o final da época de clubes este seria um tempo mais calmo e com menos notícias. Um período para planear a próxima temporada e reflectir sobre a que passou. Parece que o Sporting está a fazer isso mesmo, mas a comunicação social montou um circo mediático que já vimos noutras paragens, não muito longe da nossa casa.

Comecemos pelo Sporting. Temos vindo a defender que o Sporting necessita de uma reformulação interna e parece que o presidente do nosso clube nos fez a vontade: primeiro um director desportivo a assumir as responsabilidades, depois um novo director de comunicação – há  muito sugerido no A Outra Visão, um novo responsável pelo marketing do clube e agora um nome que muitos sportinguistas ansiavam que caísse – Salema Garção. Uma saída que passou despercebida a alguns, mas caiu na boa graça de muito sportinguistas que já algum tempo pediam o seu afastamento. Sinais de mudança por Alvalade que começam pela base do clube e também sinais de que parece haver um esforço para criar uma nova estrutura directiva. Mas de reforços ainda nada se sabe.

No entanto, a comunicação social continua a “bombardear” o universo verde e branco com sucessivos nomes de possíveis reforços. Cada dia há um novo nome e com a quantidade de jogadores sugeridos o Sporting já poderia ter construído uma equipa.

Este fenómeno era comum do outro lado da segunda circular, que no final de uma temporada via, todos os dias, as capas dos jornais exibir nomes de jogadores referenciados para o seu clube. Assim foi durante anos a fio. De peito feito e cheios de orgulho, os adeptos do nosso rival diziam que era a grandeza do seu clube que fazia vender jornais e alimentava essa especulação. Pura ilusão. Não era nada mais do que um aproveitamento dos jornais das expectativas dos adeptos após o insucesso desportivo  e não a prova do valor de uma marca.

Não deixa de ser engraçado que se o Sporting vendesse todo o seu plantel e contratasse todos os jogadores que foram sugeridos nos media, teria um plantel bastante interessante. Vejamos a possibilidade de construir um plantel de 24 jogadores, que não sendo o mais equilibrado não deixa de ser um bom exercício:

Gr: Carrizo, Hilário, Benaglio

Defesas: Duda, Evaldo, Rodriguez, Lazzaretti, Geromel, José Castro, Ansaldi

Médios: Petrovic, Maniche, Diego Souza, Deco, Hugo Viana, Tiago, Luis Aguiar, Drenthe, Nuno Assis

Avançados: Quaresma, Alan, Milan Baros, Raffael, Valdes

Outras opções poderiam ter sido incluídas, como os casos de Lulinha, Mercado, Vitor Gomes, Pereya, Nilson, Marcos, Moreira, Nadir Belhadj, entre outros.

A especulação parece não ter limites e hoje, dia 20 de Maio, não consigo deixar de pensar quantos planteis poderão ser construídos no espaço de um mês, ou seja, a 20 de Junho. Parece-me que só há uma maneira de travar este circo: apresentar reforços o mais depressa possível. Até porque a nossa época começa cedo.

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