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Posts Tagged ‘Emirados Árabes Unidos’

Mahmoud a jogar pelo Iraque

Os bons avançados podem aparecer em qualquer lugar, sendo que, em algumas ocasiões, até surgem em locais em que, por ventura, nunca nos atreveríamos a procurar, como a antiga Mesopotâmia. Aí, mais concretamente no Iraque, nasceu um dos melhores avançados do futebol asiático. Um goleador rápido, tecnicista, que se desmarca com grande facilidade e que tem um pontapé capaz de derrubar um gigante. Perdido na Liga do Qatar, Younis Mahmoud é, aos 27 anos, um jogador suficientemente maduro e preparado para uma aventura europeia, desde que, obviamente, lhe dêem uma oportunidade.

Younis Mahmoud começou a sua carreira nas camadas jovens de clubes iraquianos como o Al-Dibs e Kirkuk FC, antes de, em 2001, com 18 anos, se estrear no futebol sénior ao serviço do Al-Talaba.

O impacto no futebol iraquiano e do Médio Oriente foi instantâneo e, assim, foi sem surpresa que rapidamente chegou à selecção do Iraque e, em 2003, teve a primeira experiência fora do seu país, quando esteve algum tempo no Al-Whada dos Emirados Árabes Unidos.

Depois de uma passagem rápida pelo clube árabe, Mahmoud assinou, em 2004, pelo Al-Khor do campeonato do Qatar, iniciando, aí, uma carreira de grande sucesso no futebol desse país árabe.

Entre 2004 e 2006, o internacional iraquiano fez 46 golos em 55 jogos e tornou-se, sem qualquer sombra de dúvida, na grande estrela do Al-Khor. Essas exibições chamaram à atenção do actual grande dominador da Liga do Qatar (Al-Gharafa) que o adquiriu em 2006, não se arrependendo da aquisição do jogador do Iraque.

Desde que chegou ao Al-Gharafa, onde tem a honra de jogar ao lado de Juninho Pernambucano, Mahmoud já conquistou três campeonatos do Qatar e, acima de tudo, em 106 jogos fez 84 golos, confirmando ser um avançado temível, que marca golos de qualquer maneira e que, ao mínimo espaço, é letal.

Neste momento, com 27 anos, percebe-se que o internacional iraquiano ainda podia evoluir mais se chegasse ao futebol do velho continente. Com um enorme talento, Younis Mahmoud seria uma excelente aquisição para qualquer clube médio no actual contexto do desporto rei europeu.

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A única presença da Coreia do Norte num campeonato do mundo foi em 1966, mas tratou-se de uma participação surpreendente. Após ultrapassarem o grupo (venceram a Itália e empataram com o Chile), os norte-coreanos defrontaram os portugueses nos quartos de final e estiveram mesmo a ganhar por três bolas a zero. No entanto, Portugal, liderado por Eusébio, soube reagir e acabou por dar a volta ao marcador, vencendo por cinco bolas a três. Agora, 44 anos depois, os asiáticos regressam ao campeonato do mundo com vontade de voltar a surpreender tudo e todos. Ainda assim, os tempos são outros e como o talento norte-coreano não é abundante, prevê-se que a selecção asiática regresse rapidamente e sem grande glória a Pyongyang.

A Qualificação

A campanha norte-coreana na zona asiática de apuramento para o campeonato do mundo conheceu duas fases totalmente distintas.

A primeira etapa, após terem eliminado a extremamente frágil Mongólia (4-1 e 5-1), foi passada com distinção, pois a equipa norte-coreana terminou o Grupo 3 na segunda posição com os mesmos pontos da Coreia do Sul (1º) e não perdeu qualquer desafio, apurando-se facilmente para a fase decisiva.

Contudo, na 3ª e última fase, os norte-coreanos tiveram de sofrer muito para assegurarem o segundo lugar e consequente apuramento para o campeonato do mundo. Sem ser capaz de vencer um único jogo diante de Irão (1-2 e 0-0) e Coreia do Sul (1-1 e 0-1), a Coreia do Norte chegou à última jornada com a necessidade de empatar no difícil campo da Arábia Saudita para se apurar para o Mundial. Tratou-se de uma partida dominada pelos sauditas, mas os coreanos foram heróicos na forma como defenderam o seu último reduto e garantiram o 0-0 final, apurando-se pela segunda vez para um Mundial de futebol.

1ª Fase – Eliminatória

Mongólia 1-4 Coreia do Norte / Coreia do Norte 5-1 Mongólia

3ª Fase: Grupo 3 – Classificação

  1. Coreia do Sul 12 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Jordânia 7 pts
  4. Turquemenistão 1 pt

4ª Fase: Grupo B – Classificação

  1. Coreia do Sul 16 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Arábia Saudita 12 pts
  4. Irão 11 pts
  5. Emirados Árabes Unidos 1 pt

O que vale a selecção norte-coreana?

Com a noção clara das limitações da selecção asiática, o seleccionador norte-coreano costuma apresentar um 5-3-2 bastante conservador e que faz da segurança defensiva o seu forte. A prova disso foi o facto da Coreia do Norte só ter feito sofrido sete golos em catorze jogos de qualificação para o Mundial da África do Sul.

O quinteto defensivo é composto por três centrais muito inexperientes e frágeis nas bolas paradas: Pak Nam-Chol, Ri Kwang-Chon e Pak Chol-Jin. Atrás deles, a baliza deverá ser entregue a Ri Myong-Guk, um guarda-redes que brilhou na fase de apuramento para o Mundial. Por fim, nas alas, deverá aparecer o experiente e mais ofensivo: Ji Yun-Nam (à esquerda) e o inexperiente e defensivo: Ri Jun-Il (à direita).

Depois, no meio campo, a equipa apresenta um trinco (Ahn Young-Hak) que é dos poucos que jogam no estrangeiro (Japão) e que reforça, ainda mais, a tracção defensiva desta selecção. Na ala esquerda, a equipa deve apresentar o interior: Kim Yong-Jun, pois como o lateral esquerdo é ofensivo, o seleccionador Kim Jong-Hun sente-se obrigado a colocar um jogador que saiba compensar as subidas de Ji Yun-Nam. Por outro lado, na ala direita, deve surgir Mun In-Guk, um jogador veloz e tecnicista que, por certo, aproveitará o facto de Ri Jun-Il ser um lateral muito defensivo para ser um autentico extremo.

Por fim, no ataque, os norte-coreanos devem apostar numa dupla móvel e com qualidade: Hong Yong-Jo e Jong Tae-Se. Tratam-se de dois elementos que actuam no estrangeiro, tendo, assim, condições para dar um toque de experiência internacional à selecção da Coreia do Norte. Desta dupla, destaque para Jong Tae-Se, um jogador virtuoso e claramente com qualidade suficiente para jogar num clube europeu.

Apesar de não ser uma equipa tão frágil como, por exemplo, a Nova Zelândia, os norte-coreanos estão ainda bem longe da elite do futebol mundial.

O Onze Base

A Coreia do Norte, tal como referido anteriormente, deve jogar em 5-3-2 com Ri Myong-Guk (Pyongyang) na baliza; Ri Jun-Il (Sobaesku), Pak Nam-Chol (April 25), Ri Kwang-Chon (April 25), Pak Chol-Jin (Amrokgang) e Ji Yun-Nam (April 25) na defesa; Ahn Young-Hak (Ardija), Kim Yong-Jun (Pyongyang) e Mun In-Guk (April 25) no meio campo; Jong Tae-Se (Kawasaki Frontale) e Hong Yong-Jo (FC Rostov) no ataque.

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Integrada num agrupamento muito difícil com Portugal, Brasil e Costa do Marfim, não é credível que a Coreia do Norte consiga fazer um ponto sequer. Ainda assim, se os adversários os desprezarem, a enorme capacidade de luta norte-coreana aliada à sua defesa numerosa poderá fazer estragos.

Calendário – Grupo G (Mundial 2010)

  •  15 de Junho – Coreia do Norte vs Brasil
  •  21 de Junho – Coreia do Norte vs Portugal
  •  25 de Junho – Coreia do Norte vs Costa do Marfim

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Owairan festeja o seu golo magnífico

Estava quente, muito quente como aquelas tardes do deserto a que Owairan costumava estar habituado e o relógio marcava cinco minutos do encontro: Arábia Saudita-Bélgica a contar para o Mundial 94. Os europeus, já apurados, estavam mais tranquilos e ainda estudavam o adversário quando Saeed Al-Owairan decidiu iniciar a sua corrida imparável no seu próprio meio campo. Passou um belga, passou dois, passou três e o quarto, bem o quarto foi recuando e recuando na expectativa de lhe tirar a bola, mas também foi ultrapassado. Por fim, à saída de Preud’Homme, o saudita sabia que não podia falhar, atirou forte e não falhou. Owairan tornava-se, instantaneamente, no novo Maradona e todos lhe auguravam o grande futuro, porém, a história acabaria por ser-lhe cruel.

Nunca uma equipa do golfo pérsico havia ultrapassado a fase de grupos. Tanto o Kuwait (1982) como o Iraque (1986) e os Emirados Árabes Unidos (1990) haviam sido eliminados precocemente, sendo que apenas o Kuwait havia conseguido fazer um ponto.

Assim sendo, ninguém esperava muito dos sauditas que estavam integrados num grupo com Holanda, Bélgica e Marrocos, pedindo-se apenas dignidade na sua participação.

No primeiro encontro, a Arábia Saudita defrontou a Holanda e criou o primeiro impacto no campeonato do mundo dos Estados Unidos. Após abrir o activo por Amin (19′), os sauditas chegaram ao intervalo a vencer e, mesmo depois de consentirem o empate (Jonk, 50′), foram aguentando a igualdade até ao minuto 86, quando Taument fez o 1-2 final.

Este resultado era um aviso que esta Arábia Saudita era diferente das outras equipas do golfo pérsico. Tratava-se de uma equipa com maior disciplina táctica e, acima de tudo, mais talentosa.

No segundo jogo, os sauditas defrontaram os marroquinos. Como ambas as equipas haviam perdido a primeira partida, era uma espécie de final em que quem vencesse continuava a lutar pelo apuramento e quem perdesse começaria a fazer as malas. Tratou-se de um desafio intenso, mas os Falcões Verdes venceram por 2-1 e, assim, iriam defrontar os belgas com possibilidades reais de chegarem aos oitavos de final.

Nessa partida, os sauditas precisavam de apenas um empate para se apurarem para os oitavos e esse era o mesmo resultado que os europeus necessitavam para garantirem o primeiro lugar no grupo.

Aos cinco minutos, surgiu o momento mágico de Owairan que passou por quatro jogadores belgas e fez o golo inaugural da partida. Os sauditas rejubilaram, mas ao mesmo tempo pensaram que ainda faltavam muitos minutos para o final da partida, temendo que os belgas dessem, facilmente, a volta ao resultado.

No entanto, os sauditas foram heroicos e, inclusivamente, seguraram o triunfo, conquistando o segundo lugar no grupo e consequente apuramento para a 2ª Fase.

Não passaram dos oitavos de final (perderam com a Suécia, 1-3), mas o seu lugar na história estava garantido. Haviam sido a primeira equipa do golfo pérsico a atingir a 2ª Fase do campeonato do mundo. Além disso, Saeed Al-Owairan, graças ao golo “à Maradona”, havia garantido a atenção do mundo do futebol, falando-se, inclusivamente, de uma transferência para um grande clube europeu.

No entanto, existia uma lei na Arábia Saudita que impedia os jogadores locais de actuarem no estrangeiro e, como tal, Owairan via-se privado do sonho de jogar num clube europeu. Ainda assim, o azar do saudita não ficou por aqui.

No ano seguinte, o internacional da Arábia Saudita cometeu adultério, crime grave naquele país. Por isso, esteve um ano preso e levou 60 chicotadas na praça pública.

Depois de cumprir a pena, o “Maradona das Arábias” voltou a jogar futebol e, até, esteve presente no Mundial 1998, todavia, nunca mais foi o mesmo. Aquele grande golo, mais do que o ter catapultado para um plano superior do futebol mundial, acabou por diluir-se na história do futebol e, para Owairan, acabou por ser o início do declínio da sua carreira como jogador de futebol.

Uma crueldade que se agrava quando revemos esse grande golo apontado pelo internacional saudita.

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Apesar de já não serem aquele grupo de bons rapazes que, em 1954, fez duas partidas, marcou zero golos e sofreu dezasseis, continuam a ter um percurso modesto nos campeonatos do mundo de futebol. A equipa sul-coreana participou em sete mundiais e, em seis deles, não passou da primeira fase. No único em que o conseguiu fazer (Coreia/Japão 2002), atingiu o quarto lugar, todavia, fê-lo após arbitragens muito duvidosas diante de Itália e Espanha. Ainda assim, a equipa asiática tem demonstrado algum crescimento e, no último mundial, apesar da eliminação precoce, conseguiu empatar com a França e vencer o Togo. Assim sendo, integrada num grupo onde Grécia e Nigéria lhe dão algumas esperanças de qualificação, cabe à Coreia do Sul mostrar que continua a evoluir ou, ao invés, que ainda não tem estofo para defrontar as melhores selecções do futebol mundial.

A Qualificação

Apesar da zona asiática de qualificação não ser a mais competitiva, temos de destacar o imaculado percurso dos sul-coreanos que, em duas fases de qualificação, não perderam qualquer jogo.

Na 3ª fase, defrontaram Coreia do Norte, Jordânia e Turquemenistão, vencendo três partidas e empatando outras três. Os sul-coreanos ficaram, assim, em primeiro lugar do grupo com os mesmos pontos do segundo: Coreia do Norte.

Apurados para a 4ª e última fase, encontraram nesse agrupamento: Coreia do Norte (de novo), Arábia Saudita, Irão e Emirados Árabes Unidos. Aqui, os sul-coreanos mostraram-se ainda mais impressionantes, pois ganharam o grupo com uma vantagem de quatro pontos sobre o segundo, novamente a Coreia do Norte. No seu percurso, que não teve nenhuma derrota, temos de destacar a vitória na Arábia Saudita (2-0) e os empates nos sempre difíceis campos do Irão (1-1) e Coreia do Norte (1-1).

Assim sendo, os sul-coreanos, com relativa facilidade, garantiram o acesso ao campeonato do mundo de futebol.

3ª Fase: Grupo 3 – Classificação

  1. Coreia do Sul 12 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Jordânia 7 pts
  4. Turquemenistão 1 pt

4ª Fase: Grupo B – Classificação

  1. Coreia do Sul 16 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Arábia Saudita 12 pts
  4. Irão 11 pts
  5. Emirados Árabes Unidos 1 pt

O que vale a selecção sul-coreana?

A equipa asiática actua em 4-4-2, num esquema muito ofensivo em que os laterais sobem muito no terreno. Esta ideologia atacante sempre foi a génese do futebol sul-coreano, mas acentuou-se na estadia do seleccionador Guus Hiddink.

Na defesa, os centrais são competentes, mas são o ponto mais frágil de um sector que conta com um guarda-redes muito experiente (Lee Woon-Jae) e dois laterais muito ofensivos e de grande qualidade: Lee Young-Pyo, um jogador que passou grande parte da carreira na Europa e Cha Du-Ri, lateral direito do Friburgo.

Depois, no meio campo, os sul-coreanos jogam com dois médios centro: Kim Nam-Il (um trinco puro) e Kim Jung-Woo (um box to box) e dois alas: Park Ji-Sung (A grande estrela da equipa), que joga à esquerda e Lee Chung-Yong, que actua no flanco oposto. Neste sector, os alas voltam a ser os melhores elementos, pois têm enorme inteligência táctica e, quando os laterais sobem no terreno, são exímios a flectirem para o meio de forma a criarem desequilíbrios.

Por fim, no ataque, actua um ponta de lança mais fixo: Lee Dong-Gook e um avançado centro muito inteligente, rápido e móvel: Park Chu-Young. O primeiro não é um fora de série, mas, devido às características do avançado móvel, acaba por encaixar muito bem no esquema sul-coreano.

Globalmente, se pensarmos em valores individuais, esta equipa está ao nível da Nigéria e da Grécia. Todavia, com uma dupla de centrais mediana, o seu futebol extremamente ofensivo poderá criar-lhe problemas. Principalmente contra a calculista selecção helénica, pois a Argentina, essa, está num patamar acima.

Assim sendo, se souber optar, em certas ocasiões, por um futebol mais realista e abdicar da essência atacante do seu futebol poderá, até, ficar em segundo lugar. Caso contrário, o realismo grego ou o poder físico nigeriano poderá obrigá-los a fazerem mais cedo as malas.

O Onze Base

A Coreia do Sul deverá jogar com o veteraníssimo Lee Woon-Jae (Suwon) na baliza; um quarteto defensivo com Lee Young-Pyo (Al Hilal), à esquerda, Cha Du-Ri (Friburgo), à direita, e a dupla de centrais: Cho Yong-Hung (Jeju United) e Lee Jung-Soo (Kashima Antlers); depois, no meio campo, jogará Park Ji-Sung (Manchester United), à esquerda, Lee Chung-Yong (Bolton), à direita, e, no miolo, a dupla: Kim Nam-Il (Tomsk) e Kim Jung-Woo (Gwangjiu); por fim, o ataque será entregue à dupla: Lee Dong-Gook (Chombuk) e Park Chu-Young (Mónaco)

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Em condições normais é o principal candidato ao último lugar do Grupo B. Contudo, se conseguir incutir algum realismo ao seu futebol, poderá complicar a vida a gregos e nigerianos, pois, tecnicamente, os sul-coreanos têm uma equipa de grande qualidade. Veremos se o seleccionador Huh Jung-Moo consegue trabalhar esta nuance táctica e, assim, surpreender os seus adversários directos.

 Calendário – Grupo B (Mundial 2010)

  •  12 de Junho – Coreia do Sul vs Grécia
  •  17 de Junho – Coreia do Sul vs Argentina
  •  23 de Junho – Coreia do Sul vs Nigéria

 

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