Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Eusébio’

Coluna levanta uma Taça de Portugal

Muito se fala de Eusébio da Silva Ferreira e, muitas vezes, se esquece de um médio-centro que, na altura, foi claramente um dos melhores jogadores do Mundo, pelo seu pulmão, qualidade técnica e posicionamento táctico perfeito. Enchendo o campo e nunca fazendo nada ao acaso, Mário Coluna, ou o “Monstro Sagrado” como ficaria eternamente conhecido, era um líder e um criativo, que equilibrava a sua equipa e desequilibrava o adversário, assumindo-se como um grande fenómeno futebolístico pela beleza e eficiência do seu futebol.

Um símbolo do Sport Lisboa e Benfica

Mário Esteves Coluna nasceu a 6 de Agosto de 1935 em Inhaca, Moçambique, tendo iniciado a sua carreira bem cedo no Desportivo de Lourenço Marques, clube histórico da antiga colónia portuguesa.

Em 1954/55, com 19 anos, transferiu-se para o Benfica, clube que representaria até 1969/70. Durante essas longas dezasseis épocas, o “Monstro Sagrado” efectuou 677 jogos (150 golos) pelos encarnados, assumindo-se como o grande líder do meio-campo das águias, ainda que nos primeiros tempos tenha sido testado como avançado-centro por Otto Glória.

Pelo Benfica, conquistou duas taças dos campeões, dez campeonatos nacionais e sete taças de Portugal, tendo estado também presente em outras três finais da Taça dos Campeões, perdidas para o Milan (1963), Inter (1965 e Manchester United (1968).

Após ter dezasseis anos de Benfica, Mário Coluna ainda actuou dois anos pelos franceses do Lyon, antes de se retirar definitivamente no final da temporada 1971/72, à beira de completar 37 anos.

Capitão da selecção nacional no Mundial 66

Entre 1955 e 1968, Mário Coluna efectuou 57 jogos (8 golos) pela selecção nacional portuguesa, tendo sido o capitão da equipa das quinas entre 1966 e 1968.

O seu momento mais alto ao serviço da equipa lusitana, foi ter capitaneado Portugal durante o Mundial 66, quando a equipa de todos nós alcançou o terceiro lugar na prova. Até hoje, a melhor classificação portuguesa num campeonato do Mundo.

Seria um “box to box” de eleição no futebol moderno

Mário Coluna era um médio-centro/interior-esquerdo de grande talento individual, que era capaz de manter os mesmos níveis físicos e exibicionais durante os noventa minutos do jogo. Rápido e com um posicionamento no terreno irrepreensível, era um atleta extraordinário nas transições defesa-ataque e ataque-defesa, sendo aquilo que hoje se chama usualmente de “box to box”.

Autêntico líder dentro de campo, criativo e com um excelente remate de meia distância, tratava-se de um fenómeno que, neste momento, encaixaria em qualquer equipa de topo do futebol mundial.

Anúncios

Read Full Post »

Eusébio foi o maior jogador português de sempre

Dispensa apresentações aquele que foi e ainda é o maior jogador de futebol português de todos os tempos: Eusébio da Silva Ferreira. Contratado ao Sporting de Lourenço Marques, após uma série de peripécias que chegaram a obrigar o Benfica a escondê-lo durante uns bons tempos, conquistou inúmeros títulos pelas águias, acabando por nunca se transferir para um grande clube internacional devido a António de Oliveira Salazar que o declarou “património nacional”. Já se retirou há cerca de 35 anos, mas continua bem presente nas memórias dos portugueses, pela força, velocidade, técnica apurada e por aquele poderoso pontapé que parecia, quase sempre, indefensável.

Eusébio a jogar pelo Sp. Lourenço Marques

Despontou no Sporting de Lourenço Marques e gerou luta entre leões e águias

Nascido a 25 de Janeiro de 1942, em Lourenço Marques (agora Maputo), e começou a jogar futebol numa pequena equipa local, “Os Brasileiros”, uma equipa formada em honra dos herois dos jogadores, os intervenientes da grande selecção brasileira da altura.

A admiração por esses jogadores canarinhos era tal, que cada jogador adoptou a alcunha de um jogador dessa selecção brasileira, sendo que Eusébio adoptou a alcunha de Cid, na altura, o grande estratega de todo o processo ofensivo da equipa verde-e-amarela.

Mais tarde, após ter tentado, sem sucesso, inscrever-se no Desportivo, Eusébio acabou por transferir-se para o Sporting de Lourenço Marques, onde, valha a verdade, teve sucesso imediato. Para terem uma ideia, durante os três anos em que actuou na filial leonina, o “Pantera Negra” fez 77 golos em 42 jogos, mostrando uma habilidade e uma capacidade finalizadora do outro mundo.

Esse enorme talento gerou uma enorme guerra entre Sporting e Benfica pela sua aquisição, sendo que essa luta fez com que os encarnados chegassem, inclusivamente, a esconder o jogador numa unidade hoteleira do Algarve, onde acabariam, por, finalmente, assegurar o reforço.

Eusébio num duelo Benfica-Ajax

O “Pantera Negra” rapidamente ganhou destaque no Benfica

Na estreia pelas águias, a 23 de Maio de 1961, num jogo particular diante do Atlético, Eusébio marcou três golos na vitória do Benfica (4-1), mostrando, imediatamente, que não se tratava apenas de uma promessa.

Nos quinze anos seguintes, Eusébio fez 301 jogos a contar para o campeonato nacional pelo Benfica, marcando 317 golos, ou seja, garantindo uma média superior a um golo por jogo. Nas competições europeias, marcou 57 golos em 75 jogos, números deveras impressionantes e difíceis de alcançar por qualquer jogador.

Em termos de títulos colectivos, Eusébio conquistou onze campeonatos nacionais, cinco taças de Portugal e uma Taça dos Campeões, diante do Real Madrid, numa final que o Benfica venceu por 5-3 e o “Pantera Negra” fez dois golos.

Salazar considerou-o tesouro nacional

Salazar nunca deixou que Eusébio emigrasse

Ao longo deste percurso pelo Benfica, o internacional português foi conquistando diversos títulos individuais, sendo duas vezes Bota de Prata da France Football (1962 e 1966), Bota de Ouro europeu em 1968 (42 golos) e 1973 (40 golos), melhor marcador do Mundial 66 (9 golos), entre outros títulos.

Esses títulos, eram apenas o eco do seu talento, que era elogiado por toda a Europa, sendo que, a qualquer momento, se esperava que um grande clube europeu avançasse para a sua aquisição.

Na verdade, vários clubes tentaram adquirir o “Pantera Negra”, sendo emblemática uma proposta da Juventus, em 1964, que obrigou o governo de Salazar a mandá-lo para a tropa e a declará-lo tesouro nacional.

Essa decisão do governo português de o defender como património do país, acabou por impedir Eusébio de atingir um patamar ainda maior no seio do futebol internacional.

Eusébio foi fundamental na reviravolta com a Coreia

Mundial 1966 foi momento alto na selecção das quinas

Durante doze anos (1961-73), Eusébio vestiu a camisola das quinas por 64 ocasiões e marcou 41 golos. Durante esse percurso, e porque os tempos eram outros, Portugal apenas participou numa grande competição, o Mundial 1966 em Inglaterra, mas, aí, o “Pantera Negra” deixou a sua marca.

Durante a competição que Portugal concluiu no terceiro lugar, Eusébio foi a principal figura, apontando nove golos, com destaque para os quatro que marcou nodesafio dos quartos de final com a Coreia do Norte (5-3), num jogo em que o “Pantera Negra” foi fundamental na recuperação de uma desvantagem inicial de três tentos.

Nessa prova, apenas faltou a Eusébio e a Portugal vencerem a Inglaterra, mas nessa fatídica meia-final, alguma matreirice dos ingleses, dentro e fora do campo, acabou por criar todas as condições para que os portugueses acabassem derrotados (1-2).

Eusébio foi campeão americano pelo Toronto

Terminou a carreira entre a América do Norte e pequenas equipas lusas

Quando abandonou o Benfica, em 1975, a democracia já estava instalada em Portugal e Eusébio pode, tardiamente, emigrar para o estrangeiro.

Massacrado pelas inúmeras lesões nos joelhos, Eusébio já não era o mesmo do início da sua carreira, todavia, num futebol menos intenso como o norte-americano, ainda conseguiu deixar a sua marca, sagrando-se, inclusivamente, campeão da NASL (Liga profissional norte-americana) em 1976 pelo Toronto Metros-Croatia.

Além de ter jogado em outras equipas da América do Norte e, inclusivamente, no México (Monterrey), Eusébio também actuou em Portugal na fase final da sua carreira, jogando em clubes como o Beira-Mar e o Sporting de Tomar.

Eusébio retirou-se em 1978, após actuar alguns meses numa frágil e modesta equipa americana (New Jersey Americans), terminando, de forma tímida, um percurso de sucesso que leva muita gente a considerá-lo, até hoje, no rei do futebol português.

Read Full Post »

Pinga era um jogador genial

Muito antes de aparecer Cristiano Ronaldo, Figo, Futre, ou até Eusébio, jogou no FC Porto um atacante que primava pela genialidade, elevada técnica e poder de remate: Pinga. Chegado aos dragões após os ter humilhado, ao serviço do Marítimo, num jogo em que os madeirenses bateram os portistas por 7-1, Pinga fez uma carreira de excelente nível no FC Porto, conquistando, ao todo, 21 títulos nacionais e tornando-se num dos “Diabos do meio-dia”, alcunha atribuída a ele em conjunto com Valdemar Mota e Acácio Mesquita, após terem ajudado os dragões a vencerem o First Viena, considerado o grande clube europeu da época. Como disse, um dia, Cândido de Oliveira a “A Bola”: “foi um jogador fulgurantíssimo, verdadeiramente genial. Talvez o maior talento do nosso futebol. Tudo nele era prodigioso, um verdadeiro artista”.

Artur de Sousa “Pinga” nasceu a 30 de Setembro de 1909, no Funchal e começou a jogar no Marítimo, onde deu nas vistas, principalmente após a grande exibição que fez numa vitória do Marítimo sobre o FC Porto por sete bolas a uma, em jogo do Campeonato de Portugal.

Em 1930, chegou ao FC Porto, a troco de 500 escudos pagos por baixo da mesa. Aliás, para manter as aparências, Pinga fingia trabalhar na fábrica de Sebastião Ferreira Mendes, que, pouco depois, se tornaria presidente.

Nos dragões, venceu dois campeonatos de Portugal (1931/32 e 1936/37), foi campeão da Liga em 1934/35 e venceu o campeonato nacional da primeira divisão em 1938/39 e 1939/40, chegando a receber 1500 escudos por mês, uma fortuna para a época.

Jogador de grande capacidade técnica e com um poder de remate fora do comum, Pinga fez, em toda a sua carreira e nos únicos dois clubes em que jogou (Marítimo e FC Porto), 394 golos em 400 jogos. Na selecção, numa altura em que os jogos internacionais escasseavam, Pinga fez 9 golos em 21 partidas, o que, para a época, era bastante relevante.

Depois de se retirar, Pinga ainda foi treinador de futebol, tendo, como momento mais alto da sua carreira, a eliminação do Sporting da Taça de Portugal ao serviço do modesto Tirsense.

A ex-estrela do FC Porto acabou por falecer em 1963, quando ainda estava ligado ao desporto-rei, como treinador das camadas jovens dos dragões.

Read Full Post »

Disputado na pátria do futebol, que sempre exaltou a ética, a moral e os bons costumes, o Mundial 66 foi uma competição com protestos, más arbitragens e, até, algumas matreirices. Um bom exemplo foi o de obrigar Portugal a fazer uma viagem longa até Londres nas meias finais, quando a equipa das quinas tinha o direito de disputar essa partida com a Inglaterra em Liverpool. Ainda assim, foi um campeonato do mundo pleno de qualidade, que serviu para confirmar o enorme talento de Eusébio ao Mundo, provar que os norte-coreanos também sabiam jogar futebol (a Itália que o diga) e, acima de tudo, dar o primeiro e único título mundial à Inglaterra.

Primeira Fase

A primeira fase do campeonato do mundo foi exactamente igual ao Chile 62: dezasseis selecções divididas em quatro grupos de quatro, em que se apuravam os dois primeiros para os quartos de final.

No Grupo A, a Inglaterra demonstrou que era uma séria candidata ao ceptro mundial, ao vencer um agrupamento difícil, graças às vitórias diante de México (2-0) e França (2-0) e ao empate diante do Uruguai (0-0). Neste grupo, os sul-americanos também se apuraram, pois além de terem empatado com os ingleses e com o México (0-0), a vitória diante da França (2-1) foi suficiente para o passaporte para os quartos de final.

Outro agrupamento sem surpresas foi o Grupo B, onde Alemanha Ocidental e Argentina se superiorizaram a Espanha e Suíça. Os germânicos venceram a Suíça (5-0) e a Espanha (2-1), empatando com os sul-americanos (0-0), enquanto os argentinos, além do empate com os alemães, venceram, igualmente, helvéticos (2-0) e espanhóis (2-1).

Por outro lado, no Grupo C, surgiu a primeira grande surpresa. Apesar do Brasil ter chegado inferiorizado a Inglaterra, poucos acreditariam que os canarinhos fossem eliminados num grupo com Hungria, Bulgária e Portugal. No entanto, os brasileiros, apesar de terem vencido o primeiro jogo (2-0 aos búlgaros), perderam com a Hungria (1-3) e, também, com Portugal (1-3), num desafio em que Morais, com uma marcação implacável a Pelé, anulou o astro brasileiro. Neste agrupamento, o grande vencedor foi Portugal que começava a surpreender o Mundo, pois além da vitória diante do Brasil, os portugueses também venceram os magiares (3-1) e  a Bulgária (3-0). O outro apurado foi a Hungria, a quem bastou vencer os canarinhos (3-1) e búlgaros (3-1) para se apurar para os quartos de final.

Por fim, o Grupo D também assistiu a um escândalo e este foi bem maior que o que se viveu no grupo luso. Num agrupamento totalmente dominado pela União Soviética, que venceu Coreia do Norte (3-0), Itália (1-0) e Chile (2-1), italianos e coreanos chegaram ao último jogo para decidirem quem seria o segundo classificado. Os europeus haviam vencido o Chile (2-0) e os asiáticos apenas tinham empatado (1-1) e, assim, bastava um empate à Itália. No entanto, os azzurri não encararam o jogo com a devida atenção e acabaram por perder (0-1) com os norte-coreanos, graças a um golo de Pak Doo-Ik (41′). Esta eliminação italiana levou a Federação local a fechar as fronteiras da Série A a jogadores estrangeiros durante mais de uma dezena de anos.

Quartos de Final

O primeiro jogo dos quartos de final foi o Inglaterra-Argentina e, além da vitória inglesa (1-0), este jogo teve uma história deveras curiosa. Aos 35 minutos, o argentino Rattin foi expulso por palavras, mas o curioso é que nem ele falava alemão nem o juiz germânico (Kreitlen) falava espanhol. Como tal, o atleta sul-americano recusou-se a sair de campo, exigindo um tradutor. O jogo esteve parado durante sete minutos e só com a intervenção da polícia é que Rattin abandonou o campo. Este episódio levou a FIFA a implementar o sistema de cartões (amarelos e vermelhos) no Mundial seguinte.

Depois, numa partida em que os uruguaios acabaram reduzidos a nove aos onze minutos, a Alemanha Ocidental goleou o Uruguai por quatro a zero e seguiu, tranquilamente, para as meias-finais.

Por outro lado, o Portugal-Coreia do Norte foi um jogo muito mais equilibrado e emocionante. Aos 25 minutos, o Mundo abria a boca de espanto com a vantagem asiática de três bolas a zero, no entanto, não contaram com a resposta de Portugal e, acima de tudo, de Eusébio, que, até ao intervalo, fez dois tentos e reduziu a desvantagem para apenas um golo (2-3). Depois do descanso, o Pantera Negra fez mais dois tentos e assegurou a reviravolta total no resultado. Até ao apito final, José Augusto ainda fez outro golo e colocou o resultado final em 5-3 para Portugal, numa das cambalhotas mais históricas em campeonatos do mundo.

Por fim, os quartos de final encerraram com um duelo equilibrado entre URSS e Hungria, que os soviéticos venceram por 2-1.

Meias-Finais

A primeira semi-final foi vencida pela Alemanha Ocidental que se superiorizou à URSS (2-1) num jogo bastante intenso e que contou com a expulsão do soviético Cislenko (44′).

Na segunda meia-final, Portugal e Inglaterra defrontaram-se em Wembley para o acesso à final. O jogo era para ser disputado em Liverpool, onde os portugueses haviam defrontado os norte-coreanos, mas a pressão inglesa para que o encontro passasse para Londres foi muito forte e a FIFA acabou por aceder ao pedido. Nessa partida, o cansaço da selecção nacional devido à inesperada viagem, aliado a uma marcação implacável de Stiles a Eusébio diminuiu, em muito, as possibilidades lusitanas. Assim sendo, Portugal acabou por perder com a Inglaterra (1-2) e o Pantera Negra terminou o desafio em lágrimas sentindo que, afinal, tinha estado a um passo de uma final de um campeonato do mundo.

Terceiro e Quarto Lugar

Não era o jogo que Portugal e URSS quereriam disputar, todavia, ambos queriam, ao menos, chegar ao pódio do Mundial 66. Num jogo intenso, a selecção das quinas adiantou-se aos 13 minutos, graças a um penalti de Eusébio, mas Malafeev igualou a partida a dois minutos do intervalo. A partir daqui, o jogo foi muito equilibrado e a vitória podia ter caído para qualquer lado, todavia, a dois minutos do fim, Torres bateu Yashin e garantiu a melhor classificação de Portugal num Mundial de futebol.

Final* Inglaterra 4-2 RFA

Ingleses e alemães defrontavam-se numa final inédita na tentativa de conquistarem uma Taça que já havia conhecido uma história bem atribulada.

Exposta em Londres durante dois meses e meio e guardada por seis guardas, a Taça Jules Rimet foi roubada a 20 de Março de 1966 para espanto do Mundo. Ainda assim, uma semana depois, o objecto foi encontrado por um cão chamado Pickles num jardim de Londres e embrulhada em papel de jornal. Com a Taça Jules Rimet recuperada, o jogo pode iniciar-se com a certeza de que o vencedor iria ter algo de muito especial para levantar no momento do triunfo.

Tratou-se de uma final intensa e com várias variações no marcador. Os alemães marcaram primeiro, aos 12 minutos, por Haller, mas os ingleses conseguiram dar a cambalhota no marcador com golos de Hurst (18′) e Peters (78′).

Já se fazia a festa em Wembley, mas aos 90 minutos, na sequência de uma falta inexistente, Weber empatou a partida e levou o jogo a prolongamento.

Após terem sido obrigados a disputar o prolongamento na sequência de uma falta que não existiu, os ingleses chegariam à vantagem, aos 101 minutos, graças a uma bola que não transpôs totalmente a linha de baliza. O autor do golo que não o devia ser, foi Hurst, que, em cima do final do prolongamento, completou o hat-trick e fez o 4-2 final.

Foi a primeira e, até hoje, única vitória da selecção da rosa num campeonato do mundo, mas, na verdade, quem mais brilhou no Mundial 66 foi um atacante moçambicano de seu nome: Eusébio da Silva Ferreira.

Números do Mundial 1966

Campeão: Inglaterra

Vice-Campeão: RFA

Terceiro Classificado: Portugal

Quarto Classificado: URSS

Eliminados nos Quartos de Final: Argentina, Uruguai, Coreia do Norte e Hungria

Eliminados na Fase de Grupos: México, França, Espanha, Suíça, Chile, Itália, Brasil e Bulgária

Melhor Marcador: Eusébio (Portugal) – 9 golos

Equipa do Mundial 1966: Banks (Inglaterra); Cohen (Inglaterra), Moore (Inglaterra), Beckenbauer (RFA) e Schnellinger (RFA); Voronin (URSS) e Coluna (Portugal); Simões (Portugal), Haller (RFA), Bobby Charlton (Inglaterra) e Eusébio (Portugal).

Read Full Post »

A única presença da Coreia do Norte num campeonato do mundo foi em 1966, mas tratou-se de uma participação surpreendente. Após ultrapassarem o grupo (venceram a Itália e empataram com o Chile), os norte-coreanos defrontaram os portugueses nos quartos de final e estiveram mesmo a ganhar por três bolas a zero. No entanto, Portugal, liderado por Eusébio, soube reagir e acabou por dar a volta ao marcador, vencendo por cinco bolas a três. Agora, 44 anos depois, os asiáticos regressam ao campeonato do mundo com vontade de voltar a surpreender tudo e todos. Ainda assim, os tempos são outros e como o talento norte-coreano não é abundante, prevê-se que a selecção asiática regresse rapidamente e sem grande glória a Pyongyang.

A Qualificação

A campanha norte-coreana na zona asiática de apuramento para o campeonato do mundo conheceu duas fases totalmente distintas.

A primeira etapa, após terem eliminado a extremamente frágil Mongólia (4-1 e 5-1), foi passada com distinção, pois a equipa norte-coreana terminou o Grupo 3 na segunda posição com os mesmos pontos da Coreia do Sul (1º) e não perdeu qualquer desafio, apurando-se facilmente para a fase decisiva.

Contudo, na 3ª e última fase, os norte-coreanos tiveram de sofrer muito para assegurarem o segundo lugar e consequente apuramento para o campeonato do mundo. Sem ser capaz de vencer um único jogo diante de Irão (1-2 e 0-0) e Coreia do Sul (1-1 e 0-1), a Coreia do Norte chegou à última jornada com a necessidade de empatar no difícil campo da Arábia Saudita para se apurar para o Mundial. Tratou-se de uma partida dominada pelos sauditas, mas os coreanos foram heróicos na forma como defenderam o seu último reduto e garantiram o 0-0 final, apurando-se pela segunda vez para um Mundial de futebol.

1ª Fase – Eliminatória

Mongólia 1-4 Coreia do Norte / Coreia do Norte 5-1 Mongólia

3ª Fase: Grupo 3 – Classificação

  1. Coreia do Sul 12 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Jordânia 7 pts
  4. Turquemenistão 1 pt

4ª Fase: Grupo B – Classificação

  1. Coreia do Sul 16 pts
  2. Coreia do Norte 12 pts
  3. Arábia Saudita 12 pts
  4. Irão 11 pts
  5. Emirados Árabes Unidos 1 pt

O que vale a selecção norte-coreana?

Com a noção clara das limitações da selecção asiática, o seleccionador norte-coreano costuma apresentar um 5-3-2 bastante conservador e que faz da segurança defensiva o seu forte. A prova disso foi o facto da Coreia do Norte só ter feito sofrido sete golos em catorze jogos de qualificação para o Mundial da África do Sul.

O quinteto defensivo é composto por três centrais muito inexperientes e frágeis nas bolas paradas: Pak Nam-Chol, Ri Kwang-Chon e Pak Chol-Jin. Atrás deles, a baliza deverá ser entregue a Ri Myong-Guk, um guarda-redes que brilhou na fase de apuramento para o Mundial. Por fim, nas alas, deverá aparecer o experiente e mais ofensivo: Ji Yun-Nam (à esquerda) e o inexperiente e defensivo: Ri Jun-Il (à direita).

Depois, no meio campo, a equipa apresenta um trinco (Ahn Young-Hak) que é dos poucos que jogam no estrangeiro (Japão) e que reforça, ainda mais, a tracção defensiva desta selecção. Na ala esquerda, a equipa deve apresentar o interior: Kim Yong-Jun, pois como o lateral esquerdo é ofensivo, o seleccionador Kim Jong-Hun sente-se obrigado a colocar um jogador que saiba compensar as subidas de Ji Yun-Nam. Por outro lado, na ala direita, deve surgir Mun In-Guk, um jogador veloz e tecnicista que, por certo, aproveitará o facto de Ri Jun-Il ser um lateral muito defensivo para ser um autentico extremo.

Por fim, no ataque, os norte-coreanos devem apostar numa dupla móvel e com qualidade: Hong Yong-Jo e Jong Tae-Se. Tratam-se de dois elementos que actuam no estrangeiro, tendo, assim, condições para dar um toque de experiência internacional à selecção da Coreia do Norte. Desta dupla, destaque para Jong Tae-Se, um jogador virtuoso e claramente com qualidade suficiente para jogar num clube europeu.

Apesar de não ser uma equipa tão frágil como, por exemplo, a Nova Zelândia, os norte-coreanos estão ainda bem longe da elite do futebol mundial.

O Onze Base

A Coreia do Norte, tal como referido anteriormente, deve jogar em 5-3-2 com Ri Myong-Guk (Pyongyang) na baliza; Ri Jun-Il (Sobaesku), Pak Nam-Chol (April 25), Ri Kwang-Chon (April 25), Pak Chol-Jin (Amrokgang) e Ji Yun-Nam (April 25) na defesa; Ahn Young-Hak (Ardija), Kim Yong-Jun (Pyongyang) e Mun In-Guk (April 25) no meio campo; Jong Tae-Se (Kawasaki Frontale) e Hong Yong-Jo (FC Rostov) no ataque.

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Integrada num agrupamento muito difícil com Portugal, Brasil e Costa do Marfim, não é credível que a Coreia do Norte consiga fazer um ponto sequer. Ainda assim, se os adversários os desprezarem, a enorme capacidade de luta norte-coreana aliada à sua defesa numerosa poderá fazer estragos.

Calendário – Grupo G (Mundial 2010)

  •  15 de Junho – Coreia do Norte vs Brasil
  •  21 de Junho – Coreia do Norte vs Portugal
  •  25 de Junho – Coreia do Norte vs Costa do Marfim

Read Full Post »

Campeã em 1966, em casa, a pátria do futebol tem tido imensas dificuldades para se impor por entre a elite do futebol mundial. Desde o ano que consagrou Eusébio, os ingleses têm somado desilusões atrás de desilusões e, por uma ocasião (EUA 94), ficaram, inclusivamente, fora do campeonato do mundo. Ainda assim, com, provavelmente, um dos melhores leques de atletas de que há memória e treinados por um dos melhores treinadores do mundo (Fábio Capello), a equipa dos três leões será, por certo, um dos principais candidatos ao título do certame sul-africano. Resta saber se atletas como Lampard, Gerrard ou Rooney, provam, no campo, a grandeza da actual selecção inglesa e empurram a equipa de sua majestade para o seu segundo título mundial…

A Qualificação

A classificação da selecção britânica para este campeonato do mundo foi uma demonstração de superioridade sobre todos os seus adversários.

A Inglaterra, integrada num grupo matreiro com as selecções da Ucrânia, Croácia, Bielorússia, Cazaquistão e Andorra, venceu nove jogos e apenas perdeu um (Ucrânia, fora, 0-1), quando já se encontrava classificada para o campeonato do mundo. 

Alguns resultados, como as goleadas diante da Croácia (4-1 e 5-1), provam, sem sombra de dúvida, a enorme qualidade que os ingleses demonstraram nesta fase de apuramento e que os levou a terminar o agrupamento com uma vantagem de seis pontos sobre o segundo classificado, a Ucrânia.

Grupo 6 – Classificação

  1. Inglaterra 27 pts
  2. Ucrânia 21 pts
  3. Croácia 20 pts
  4. Bielorússia 13 pts
  5. Cazaquistão 6 pts
  6. Andorra 0 pts

O que vale a selecção inglesa?

Em termos teóricos a Inglaterra é, claramente, uma das melhores equipas do campeonato do mundo. A selecção britânica tem um excelente leque de individualidades, mas, ao mesmo tempo, sabe jogar em equipa, sendo, que, nesse aspecto, os ingleses têm muito que agradecer ao seu técnico: Fábio Capello.

Se a baliza está entregue a um guarda-redes competente, mas longe de ser excepcional (Green), o quarteto defensivo é composto por quatro jogadores da fina flor do futebol mundial: John Terry e Rio Ferdinand como centrais; Ashley Cole e Glen Johnson como laterais.

Depois, no meio campo, a equipa deve jogar com Barry e Lampard como duplo pivot do meio campo, actuando, depois, Gerrard a ala esquerdo e o rapidíssimo e fantasista Theo Walcott como ala direito. Para além destes atletas, a equipa ainda conta com opções com o valor de Aaron Lennon, Wright-Phillips, Joe Cole ou Carrick.

Por fim, no ataque, a dupla escolhida por Fábio Capello deverá ser o avançado móvel: Rooney e, a actuar como ponta de lança mais fixo, Jermaine Defoe. Ainda assim, a selecção dos três leões tem ainda dois avançados de qualidade no banco: Crouch (que marca sempre muitos golos pela Inglaterra) e Heskey, um atacante poderoso e ideal para adversários frágeis fisicamente.

Depois, os britânicos, sempre que o adversário o permitir, poderão, inclusivamente, tirar Barry da equipa base, colocar Gerrard ao lado de Lampard e lançar, na ala esquerda, Joe Cole ou Wright Phillips, tornando a equipa mais ofensiva.

Integrada num agrupamento muito frágil, com Eslovénia, Argélia e Estados Unidos, é bastante provável que os ingleses terminem o Grupo C em primeiro e com vitórias em todos os jogos realizados.

O Onze Base

O onze base dos ingleses será composto por Robert Green (West Ham) na baliza; Um quarteto defensivo com Ashley Cole (Chelsea), na esquerda, Glen Johnson (Liverpool), na direita, e a dupla de centrais: John Terry (Chelsea) e Rio Ferdinand (Manchester United); Depois, um meio campo com Barry (Manchester City) e Lampard (Chelsea) como duplo-pivot do meio campo, sendo o jogador do Chelsea mais ofensivo e a dupla de alas: Gerrard (Liverpool), à esquerda, funcionando mais como interior e Walcott (Arsenal), à direita, funcionando como extremo no puro sentido da palavra; Por fim, na frente, o atacante móvel que dispensa apresentações: Rooney (Manchester United) e o finalizador: Jermaine Defoe (Tottenham).

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

A Inglaterra foi feliz por, na primeira fase, defrontar dois adversários frágeis (Argélia e Eslovénia) e um adversário um pouco mais forte (Estados Unidos), mas que, ainda assim, está bem longe do valor da selecção dos três leões.

Assim sendo, é previsível que a fase de grupos seja um passeio para os ingleses e que estes ganhem todos os jogos, conquistando, tranquilamente, o primeiro lugar do agrupamento.

Calendário – Grupo C (Mundial 2010)

  • 12 de Junho: Inglaterra vs EUA
  • 18 de Junho: Inglaterra vs Argélia
  • 23 de Junho: Inglaterra vs Eslovénia

Read Full Post »

Na ressaca do segundo ano consecutivo sem ser campeão, o Benfica sentiu que tinha de ir buscar um goleador para alcançar o título nacional. Procurou pela América do Sul, África, Europa de Leste e ia desesperando até que a direcção encarnada pensou: “E a Escandinávia? Que tal um novo Magnusson ou um novo Manniche?” Assim chegaria à Luz um sueco, que, apesar de alto, não era louro e era mais tosco que qualquer jogador que tenha vestido a camisola do Benfica: Martin Pringle.

Demorou muito tempo até alguém reparar no “talento” de Pringle e, assim, o ponta de lança só chegou à primeira divisão sueca, em 1994, com 23 anos, para vestir a camisola do Helsingborgs.

No clube de Helsingborg, em duas temporadas, Pringle destacou-se. Marcou 15 golos em 64 jogos, chegou à selecção (sim, é verdade, e até marcou um golo…) e chamou a atenção de alguns clubes britânicos de menor nomeada.

Ainda assim, deve ter ficado boquiaberto com o interesse do Benfica e não demorou a aceitar o convite encarnado, viajando, no defeso de 1996, para Lisboa para jogar pela equipa de Eusébio.

Nos encarnados esteve três temporadas e marcou… seis golos. O sueco mostrou ser um avançado sem nenhuma técnica, mobilidade ou faro de golo, restando-lhe, como qualidades, a entrega e a simpatia fora dos relvados. Na sua passagem pelo Benfica, Pringle chegou mesmo a ser parodiado por programas cómicos, que troçavam da sua “finta da máquina de lavar”. Uma simples finta de passar a bola por um lado para ir buscar pelo outro, que teria sido ensinada por João Vieira Pinto e que o internacional sueco demorou meses a aprender e, mesmo assim, executava mal.

Assim sendo, foi sem surpresa que, em 1999, Pringle abandonou o Benfica e foi para o Charlton Athletic. Em Inglaterra, apesar de continuar a não marcar muitos golos, adaptou-se melhor ao futebol jogado em terras de sua majestade e tornou-se num jogador importante do Charlton. Contudo, em 2001, teve diversas lesões que o obrigaram a ficar um ano fora dos relvados.

Depois, quando regressou, foi emprestado ao Grimsby Town, onde, ao segundo jogo, partiu a perna em dois sítios. Essa grave lesão resultou no final da carreira de Martin Pringle.

Depois de retirado, Pringle tornou-se treinador de futebol feminino, mas, desde 2009, tornou-se treinador de uma equipa masculina da terceira divisão sueca, o Vastra Frolunda. Nesse clube, quando os seus jogadores estão mais desmotivados, pode sempre dizer: “Vamos pessoal, se eu cheguei ao Benfica, vocês também podem ganhar ao Sylvia ou ao Husqvarna…”

Read Full Post »