Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Garrincha’

Elkeson com a camisola do Botafogo

No Botafogo do Rio de Janeiro actua uma pérola canarinha de grande talento, o médio-ofensivo Elkeson, jogador que, inclusivamente, já foi chamado à selecção brasileira.

Nascido a 13 de Julho de 1989 em Coelho Neto, Brasil, Elkeson de Oliveira Cardoso é um produto das escolas do Vitória da Baía, clube onde se estreou em 2009.

Nesse clube baiano, o médio-ofensivo jogou 99 partidas e marcou 18 golos até se mudar em 2011 para o Botafogo, clube que representa até hoje. No Rio de Janeiro desde Maio do ano transacto, o criativo não sentiu a mudança para terras cariocas, somando já 13 golos em 52 partidas pelo mítico clube de Garrincha.

Médio-ofensivo rápido e talentoso

Elkeson é preferencialmente um “dez” de grande talento individual, mostrando-se tecnicista, rápido e criativo. Com excelente visão de jogo e uma fenomenal capacidade de passe, o brasileiro também se destaca pelo esplêndido e efectivo remate de longe, característica do jogo que o jogador do Botafogo domina perfeitamente.

Apesar de a posição “dez” ser a sua posição natural, a sua velocidade e capacidade de drible, também permitem que actue sobre as alas, todavia, a sua qualidade não sai tão reforçada como numa posição mais central.

Neste momento, com 22 anos, trata-se de um jogador muito cobiçado pela Europa do futebol e podia traduzir-se num reforço de grande qualidade para um clube português.

Read Full Post »

Em pleno Mundial do Chile, após Pelé se ter lesionado no segundo jogo da fase de grupos, diante da Checoslováquia, os brasileiros pensaram que haviam perdido as hipóteses de se sagrarem bicampeões do mundo. Contudo, um jogador para o qual todos os adversários tinham o mesmo nome e todos os jogos a mesma importância resolveu fazer de Pelé, iniciando uma sequência de jogos fenomenais que empurraram o Brasil para a conquista do título mundial. Assim sendo, o sétimo campeonato do mundo foi conquistado pela selecção canarinha, graças a um atleta de pernas tortas, que fazia sempre a mesma finta, mas sempre com sucesso: Mané Garrincha.

Primeira Fase

Este campeonato do mundo, realizado no Chile, teve um sistema em tudo semelhante ao que veremos no Mundial da África do Sul, sendo que a única diferença foi a presença de 16 selecções em vez das actuais 32.

No Grupo A, a URSS qualificou-se como primeira classificada após vencer  a Jugoslávia (3-1) e o Uruguai (2-1) e empatar com a Colômbia (4-4). No jogo com os colombianos, Yashin foi criticado por, depois dos soviéticos estarem a ganhar 4-1, ter facilitado e sofrido alguns golos questionáveis. A pressão foi muito grande mas o “Aranha Negra” acabou por manter a titularidade e, em 1963, acabou por ganhar a Bola de Ouro. Até hoje, foi o único guarda-redes a consegui-lo. Também neste grupo, os jugoslavos, apesar da derrota com os soviéticos, apuraram-se como segundos classificados, graças às vitórias sobre a Colômbia (5-0) e Uruguai (3-1).

Por outro lado, no Grupo B, a Alemanha Ocidental foi a selecção mais forte, vencendo a Suíça (2-1) e o Chile (2-0) e empatando, a zero, com a Itália. Logo abaixo dos germânicos, ficou a selecção anfitriã que, apesar de ter perdido com a RFA, venceu helvéticos (3-1) e italianos (2-0), apurando-se também para os quartos de final. O jogo entre Chile e Itália foi muito intenso e ficou conhecido como a batalha de Santiago. No meio de várias expulsões, curiosa foi a primeira, a do italiano Ferrini, pois este recusou-se a sair de campo e só a polícia conseguiu tirá-lo de lá.

Depois, no Grupo C, o Brasil ficou em primeiro lugar, após vitórias diante da Espanha (2-1) e México (2-0) e um empate diante da Checoslováquia (0-0). Neste grupo, também se apuraram os checoslovacos que, além do empate com o Brasil, venceram a Espanha (1-0) e perderam com o México (1-3). A grande desilusão do agrupamento foram os “nuestros hermanos” que chegaram a este mundial como a selecção da ONU por terem várias estrelas internacionais (Puskas e Di Stéfano eram exemplos), mas acabaram por cair logo na primeira fase.

Por fim, o Grupo D foi vencido pela Hungria, que venceu a Inglaterra (2-1) e Bulgária (6-1), empatando, depois, com a Argentina (0-0). Quem acompanhou os húngaros no apuramento para a segunda fase foi a equipa dos três leões, pois apesar da derrota com os magiares e do empate a zero com os búlgaros, venceu os argentinos (3-1). Um triunfo que se revelou decisivo na passagem aos quartos de final.

Quartos de Final

No primeiro desafio dos quartos de final, a União Soviética foi surpreendida pelo Chile, que venceu por duas bolas a uma. Após a primeira fase, poucos acreditariam no desaire soviético, mas a equipa anfitriã, muito matreira, acabou por conseguir o passaporte para as meias finais.

Ainda assim, as surpresas não ficaram por aqui, pois a Hungria (perdeu 1-0 com a Checoslováquia) e a Alemanha Ocidental (perdeu 1-0 com a Jugoslávia) que também  haviam vencido os seus grupos caíam, assim, diante de selecções teoricamente mais fracas.

Assim sendo, a única equipa que confirmou o favoritismo nos quartos de final foi o Brasil. A equipa canarinha venceu a Inglaterra por 3-1, num jogo em que Garrincha bisou e ainda se deu ao luxo de falhar um penalti.

Meias-Finais

O jogo mais emocionante das semiMas-finais foi, claramente o Brasil-Chile. O campeão do mundo defrontou a equipa anfitriã e venceu a partida com relativa facilidade por 4-2. No entanto, Garrincha, que voltou a bisar, acabou expulso devido a uma picardia com o chileno Sánchez. Essa expulsão assustou os brasileiros que não o queriam fora da final e, assim, iniciou-se uma enorme pressão ao árbitro e ao assistente uruguaio: Esteban Marino. A pressão foi tal, que o árbitro escreveu no relatório que não viu a infração de Garrincha e, como tal, a FIFA despenalizou o anjo das pernas tortas.

Por outro lado, a outra partida saldou-se numa vitória da Checoslováquia diante da Jugoslávia por três bolas a uma. Isto significava que teríamos um Brasil-Checoslováquia na final do campeonato do mundo.

Terceiro e Quarto Lugar

O duelo para atribuição do terceiro e quarto lugar apenas foi decidido em cima do apito final. Nesse momento, Rojas não perdoou e garantiu o terceiro lugar ao Chile. Assim sendo, a Jugoslávia teve de se contentar com o quarto lugar.

Final* Brasil 3-1 Checoslováquia

Esta final tinha à partida um vencedor anunciado. O Brasil podia não ter Pelé, mas tinha o melhor Garrincha de sempre e isso, durante o Mundial, bastou.

Apesar de ter começado a partida a perder, graças a um golo de Masopust (15′), os brasileiros nunca perderam a calma e, dois minutos depois, Amarildo empatou a partida.

A equipa checoslovaca era compacta e defendia muito bem. Assim sendo, foi conseguindo adiar o segundo golo canarinho por diversas vezes. Ainda assim, aos 69 minutos, Zito quebrou finalmente a cortina checoslovaca e fez o 2-1 para os brasileiros.

Esse golo decidiu o jogo, pois os europeus foram incapazes de reagir, sofrendo ainda um terceiro golo, apontado por Vává (78′).

Pouco depois terminava o desafio e o campeonato do mundo. O Brasil era bicampeão muito graças à magia de um grande senhor do futebol: Mané Garrincha.

Números do Mundial 1962

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Checoslováquia

Terceiro Classificado: Chile

Quarto Classificado: Jugoslávia

Eliminados nos Quartos de Final: Alemanha Ocidental, União Soviética, Hungria e Inglaterra

Eliminados na Fase de Grupos: Uruguai, Colômbia, Itália, Suíça, México, Espanha, Argentina e Bulgária

Melhor Marcador: Jerkovic (Jugoslávia) – 5 golos

Equipa do Mundial 1962: Schrojf (Checoslováquia); Djalma Santos (Brasil), Mauro (Brasil), Sánchez (Chile) e Schnellinger (RFA); Voronin (URSS) e Masopust (Checoslováquia); Garrincha (Brasil), Bobby Charlton (Inglaterra), Albert (Hungria) e Vává (Brasil).

Read Full Post »

Quatro anos depois dos deuses magiares terem caído na final diante da Alemanha Ocidental, o mundo voltava a assistir a uma equipa de artistas, que chegou à Suécia com ambições moderadas, mas iria deixar a Escandinávia como uma das mais fascinantes selecções que há memória. O Brasil, principalmente após a inclusão de Garrincha e Pelé (então com 17 anos), foi uma autêntica máquina de ataque que não deu hipóteses aos seus adversários e deslumbrou todos os que tiveram a felicidade de os ver ao vivo. Após um percurso com apenas um empate (diante da Inglaterra e ainda sem Garrincha e Pelé), os brasileiros conquistaram o título, na final, diante da Suécia (5-2), provando que, por vezes, o bom futebol, para além da imortalidade, também é recompensado com títulos…

Primeira Fase

Depois do estranho modelo do Mundial 1954, com cabeças de série, o Mundial 58 voltou a um sistema de quatro grupos de quatro, mas com todos a jogarem contra todos. Ainda assim, manteve-se a nuance  que, em caso de igualdade pontual entre segundo e terceiro, estes voltariam a fazer um jogo de desempate.

No Grupo A, a Alemanha Ocidental, campeã em título, seguiu em frente como líder do grupo, após vencer a Argentina (3-1) e empatar com Checoslováquia (2-2) e Irlanda do Norte (2-2). Checoslovacos e irlandeses, empatados no segundo lugar, defrontaram-se, em jogo de desempate, para decidir quem acompanhava os germânicos na passagem aos quartos de final. Aí, os irlandeses foram mais felizes e seguiram em frente após vencerem (2-1). Já os argentinos, além de terminarem em último lugar no grupo, ainda foram recebidos no aeroporto de Buenos Aires com vaias e pedras, obrigando a polícia a escoltá-los até às suas residências.

Por outro lado, no Grupo B, França e Jugoslávia seguiram em frente, enquanto Paraguai e Escócia foram eliminados. Os franceses perderam com a Jugoslávia (2-3), mas venceram Paraguai (7-3) e Escócia (2-1), enquanto os jugoslavos, depois da vitória com os franceses, deram-se ao luxo de empatar com Escócia (1-1) e Paraguai (3-3) e, mesmo assim, apurarem-se para os quartos de final.

No Grupo C, a Suécia aproveitou o factor casa e venceu o agrupamento após vencer o México (3-0) e Hungria (2-1) e empatar a zero com o País de Gales. Empatados no segundo lugar, galeses e magiares fizeram um jogo de desempate e, aí, de forma surpreendente, os britânicos venceram por duas bolas a uma e acompanharam os escandinavos no apuramento para a fase seguinte.

Por fim, no Grupo D, o Brasil foi o líder incontestado após vitórias diante da Áustria (3-0) e União Soviética (2-0) e um nulo diante da Inglaterra (primeiro nulo num Mundial de futebol). Empatados no segundo lugar, soviéticos e ingleses tiveram de fazer um jogo de desempate. Tratavam-se de duas equipas desfalcadas, pois os russos estavam privados de Streltsov (fabuloso avançado do Torpedo), que havia sido acusado de violação e ficou num campo de concentração siberiano até… 1962 e os ingleses haviam perdido grande parte dos jogadores do Manchester United num desastre de avião. No desempate, a União Soviética venceu por 1-0 e seguiu em frente.

Quartos de Final

O Brasil esperava, por certo, vencer com maior facilidade o País de Gales, todavia, a bem organizada equipa galesa, foi dificultando a vida dos canarinhos, que viram a situação desbloqueada, aos 65 minutos, com um golo de Pelé. Com uma magra vitória por 1-0, os brasileiros seguiam para as meias finais.

Quem continuava a surpreender era a França e, principalmente, o seu goleador Just Fontaine. Após fazer seis golos na primeira fase, o avançado de origem marroquina bisou e ajudou os gauleses a vencerem a Irlanda do Norte por quatro bolas a zero.

Por outro lado, a Alemanha Ocidental manteve-se fria e calculista, desvencilhando-se da Jugoslávia (1-0), graças a um golo solitário de Rahn.

Por fim, a Suécia mostrou que tinha uma excelente geração de jogadores e venceu a União Soviética por duas bolas a zero, continuando a perseguir o sonho de chegar à final.

Meias-Finais

Na primeira semi-final, o Brasil defrontou a França e os oito golos do gaulês Fontaine impunham respeito. Contudo, o Brasil, liderado pelo jovem Pelé (fez hat-trick) fez uma excelente exibição e esmagou os franceses (5-2), seguindo para a final.

No outro jogo, a Suécia surpreendeu o mundo e eliminou o campeão do mundo em título: Alemanha Ocidental. Os suecos venceram os germânicos por 3-1 e o sonho do título ficava à distância de um jogo.

Terceiro e Quarto Lugar

Desiludida com a eliminação diante da Suécia, a República Federal da Alemanha não conseguiu arranjar grande motivação para este duelo diante da França. Para piorar o panorama, os alemães tiveram o azar de defrontarem um avançado que, apesar de já ter feito nove golos no mundial, continuava com fome de tentos: Just Fontaine. Assim sendo, foi um desafio sem grande história com os gauleses a vencerem (6-3) e Fontaine a marcar mais quatro golos, terminando o Mundial com 13 golos apontados, um número que, até hoje, nunca foi batido.

Final* Brasil 5-2 Suécia

O entusiasmo em torno da final era grande. Afinal, defrontavam-se a equipa anfitriã e o Brasil, a equipa que mais havia fascinado os adeptos. Para terem uma ideia da loucura inerente ao desafio, três horas antes do apito inicial do francês Maurice Guigue, já o Estádio se encontrava repleto.

A Suécia até entrou melhor e abriu o activo por Liedholm, aos três minutos. Este jogador tinha 36 anos e havia ficado fora de outros mundiais por se ter tornado profissional pelo Milan. Entretanto, havia feito uma promessa que, se jogasse algum campeonato do mundo, raparia o cabelo. Assim, foi de cabeça totalmente rapada que capitaneou a selecção escandinava e marcou o primeiro golo da final.

A perder o Brasil reagiu. Primeiro foi um bis de Vavá e, depois, um dos golos mais fantásticos da história do futebol. Um lance repetido vezes sem conta em que Pelé tocou a bola por cima de Bergmark e, sem deixar cair a bola no chão, desferiu um remate colocado sem hipóteses para o guarda-redes Svensson.

Com o 3-1 no marcador, percebeu-se que a vitória não fugiria aos brasileiros. Assim, seguiu-se o 4-1 de Zagallo e nem a redução de Simonsson assustou os canarinhos que, sobre o final, viram Pelé fazer o 5-2 final.

Terminado o desafio, Pelé, grande responsável pela vitória canarinha, iniciou um choro compulsivo e saiu nos ombros dos companheiros, quase desfalecendo de emoção. Bellini, o capitão brasileiro, recebeu, depois, a Taça Jules Rimet das mãos do Rei Gustavo da Suécia, erguendo-a, institivamente, aos céus, como que agradecendo aos deuses do futebol. Esse gesto perdurou para todo o sempre e, até hoje, é imitado por todos os capitães campeões do mundo.

Números do Mundial 1958

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Suécia

Terceiro Classificado: França

Quarto Classificado: RFA

Eliminados nos Quartos de Final: Jugoslávia, País de Gales, União Soviética e Irlanda do Norte

Eliminados na Fase de Grupos: Checoslováquia, Argentina, Hungria, México, Paraguai, Escócia, Inglaterra e Áustria

Melhor Marcador: Just Fontaine (França) – 13 golos

Equipa do Mundial 1958: Gilmar (Brasil); Bergmark (Suécia), Bellini (Brasil) e Nilton Santos (Brasil); Zito (Brasil) e Didi (Brasil); Garrincha (Brasil), Hamrin (Suécia), Pelé (Brasil), Kopa (França) e Fontaine (França).

Read Full Post »