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Posts Tagged ‘Glasgow Rangers’

A supertaça 2007/08 foi o último título dos leões

Terminou mais uma temporada infeliz do Sporting Clube de Portugal, sendo que este mediano terceiro lugar não pode esconder uma época deplorável que viu o Sporting perder todas as competições que disputou, sendo que as eliminações da Taça de Portugal e da Liga Europa, diante de duas equipas (V. Setúbal e Glasgow Rangers) claramente inferiores aos leões são reveladoras do mau momento que se vive para os lados de Alvalade.

O Sporting acabou o campeonato a, imagine-se, 36 pontos do FC Porto, sendo que os dragões terminaram a competição com mais do dobro das vitórias (27) obtidas pelos verde-e-brancos (13). Mesmo o Benfica, que terminou o campeonato em desaceleração e perdendo pontos surpreendentes, conseguiu terminar a prova com mais quinze pontos que os leões.

Assim sendo, parece lógico que o Sporting precisa de preparar muito bem 2011/12 e, nesse seguimento, é necessário uma análise cuidada ao actual plantel, dividindo os elementos desse mesmo grupo de trabalho em indispensáveis, transferíveis, emprestáveis e dispensáveis.

Na minha opinião, e começando pelos dispensáveis, optava pelos seguintes elementos:

  • Hildebrand
  • Tiago
  • Abel
  • Grimi
  • Anderson Polga
  • Nuno André Coelho
  • Maniche
  • Tales
  • Cristiano
  • Carlos Saleiro

 Obviamente que as razões da dispensa destes elementos depende de factores diferentes. Anderson Polga, Tiago e Abel foram excelentes profissionais, mas estão no fim da linha do seu percurso nos verde-e-brancos, já não acrescentam grande coisa ao plantel em termos de qualidade, sendo que Abel (João Gonçalves) ou Tiago (Vítor Golas) têm soluções internas bem menos onerosas e sem défice em termos de qualidade individual. Quanto a Anderson Polga, até podia falar de Nuno Reis, contudo, o defesa-central emprestado ao Cercle Brugge ainda precisa de rodar pelo menos mais um ano para se poder começar a pensar num regresso a Alvalade.

Quanto a Hilderbrand e Maniche, tratam-se de dois jogadores demasiado caros para o rendimento que apresentaram ao serviço do Sporting, não se justificando a sua continuidade, sendo que tanto o internacional alemão como o internacional português devem ser substituídos por elementos de qualidade, mas necessariamente mais baratos a nível de ordenados. Vicent Enyeama (guarda-redes do Hapoel Telavive) e Rafael Robayo (Médio-centro do Millionarios) são bons exemplos.

Por fim, Nuno André Coelho, Grimi, Tales, Cristiano e Carlos Saleiro não parecem ter qualidade suficiente para se manterem no plantel leonino e devem ser dispensados, sendo que a situação mais simples a de Tales e Cristiano, pois terminam contracto com os verde-e-brancos. Já no caso de Nuno André Coelho, Grimi e Carlos Saleiro, deve ser encontrada uma solução que satisfaça clube e atletas, que poderá passar por um empréstimo ou, até, por um acordo de rescisão, pois dificilmente estes atletas terão mercado, à excepção, talvez, do lateral-esquerdo argentino.

Passando aos emprestáveis, optava por estes dois elementos:

  • Cedric Soares
  • Diogo Salomão
Tanto o lateral/ala-direito como o extremo-esquerdo são elementos que parecem ter condições para serem mais valias no Sporting Clube de Portugal, todavia, acredito que Cedric Soares e Diogo Salomão irão ter muito poucas oportunidades para jogar na próxima temporada e, na minha opinião, ambos os atletas precisam de minutos de jogo para que possam continuar a sua evolução futebolística. Assim sendo, aconselho um empréstimo dos dois a um clube médio/médio-baixo do principal escalão do futebol português.
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Dos emprestáveis, sigo para os transferíveis, ou seja, jogadores com valor para se manterem no plantel do Sporting, mas que, na presença de uma boa proposta, deve ser ponderada a sua saída:
  • Daniel Carriço
  • Yannick Djaló
  • Zapater
  • Simon Vukcevic
Estes três elementos estão nesta lista por situações diferentes. Daniel Carriço é um defesa de qualidade e com mercado, mas, na minha opinião, a sua baixa estatura e fraca impulsão que lhe garantem dificuldades no jogo aéreo, irão impedi-lo sempre de ser o tal patrão da defesa leonina. Assim sendo, uma proposta que supere os 10/12 milhões de euros deve ser imediatamente considerada.
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Yannick Djaló, por sua vez, é um jogador com talento, mas parece-me pouco constante e nunca explodiu da maneira que se esperava, sendo que uma boa  proposta, na ordem dos 8/9 milhões de euros, deve ser suficiente para se negociar a sua saída.
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Depois, apesar de não achar que é o péssimo jogador que muitos vêem em Zapater, entendo que facilmente se encontraria uma jogador de nível superior, sem ser necessário gastar muito dinheiro. Assim sendo, e sabendo que o espanhol tem mercado, aconselhava a venda do aragonês, desde que o valor da transferência não fosse inferior a dois milhões de euros.
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Por fim, Simon Vukcevic é um caso diferente e representa um jogador muito talentoso e com condições para ser dos melhores da Europa, mas que é demasiado problemático e inconstante, sendo que poderá, inclusivamente, ser um destabilizador de balneário. Assim sendo, e apesar de toda a sua qualidade incontestável, penso que o Sporting o deveria vender pelo seu preço de custo e, assim, prescindir de um atleta que pode continuar a revelar-se um problema bicudo.
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Para finalizar, os elementos imprescindíveis, ou seja, os elementos que devem continuar no plantel do Sporting e assumirem-se como a base 2011/12, porque mesmo numa grande revolução de plantel, há que garantir um nível mínimo de continuidade.
  • Rui Patrício
  • Evaldo
  • Torsiglieri
  • João Pereira
  • André Santos
  • Pedro Mendes
  • Izmailov
  • Jaime Valdés
  • Matías Fernandez
  • Hélder Postiga
Assim sendo, chegamos a uma lista de dez jogadores (14, caso não se consiga vender os tais quatro elementos que entendo como transferíveis) +1, que, neste caso, não é um chinês, mas o peruano Carrillo, já contratado pelo Sporting.
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Partindo do princípio que Daniel Carriço, Yannick Djaló, Vukcevic e Zapater ficam no plantel e que Vítor Golas e João Gonçalves regressam de empréstimo, o Sporting fica com 17 jogadores, faltando nove para a tal lista de 23+3 promessas de que falou Godinho Lopes.
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Nesse caso, seriam necessários nove jogadores e, como tal, pensando que os leões avançarão para um 4-3-3/4-2-3-1, acho que o Sporting devia tentar as seguintes contratações:
  • Um guarda-redes de valor para ser o concorrente de Rui Patrício. O referido Enyeama seria uma excelente opção.
  • Um lateral-esquerdo (Wendt é uma possibilidade, Sílvio, pela polivalência, seria o ideal)
  • Dois defesas-centrais de altíssima qualidade (Rodríguez do Sp. Braga e outro, que fosse experiente, uma clara mais-valia e necessariamente mais alto)
  • Um médio-centro de grande pulmão e qualidade que pudesse jogar tanto a “seis” como a “oito”. Rafael Robayo, já referido, seria uma boa aquisição.
  • Um extremo puro, ou seja, um verdadeiro flanqueador, que desse a largura de jogo ao Sporting que a equipa tanto precisa e que fosse uma clara mais valia para o plantel.
  • Dois avançados, sendo um mais posicional e referência atacante (ao que tudo indica, o ex-Besiktas Bobô) e outro mais polivalente e que pudesse jogar sozinho na frente, mas também como avançado de suporte num alternativo 4x4x2 e, se possível, descaído numa das alas na táctica 4x3x3.
  • Por fim, um jogador jovem, tal como Carrillo e que se juntasse a João Gonçalves e ao peruano (não incluo Vítor Golas por se tratar de um guarda-redes e, como tal, uma situação diferente) como uma das três promessas que o novo presidente do Sporting quer ter no plantel.
Na minha opinião, este será o caminho que o Sporting tem de fazer para que possa ser mais competitivo em 2011/12. Dificilmente dará para ser campeão já na próxima temporada, mas pode ser fulcral para que os leões comecem a construir uma equipa que, num futuro próximo, ombreie com dragões e águias pelo lugar mais alto do pódio do futebol nacional.
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Rudnevs evitou quinta-feira sem derrotas

Numa quinta-feira de grandes emoções, o futebol português tem razões para sorrir, pois todas as quatro equipas envolvidas nos dezasseis avos de final da Liga Europa garantiram resultados que lhes permitem sonhar com a passagem aos oitavos de final da prova. Os dragões, pela vitória em Sevilha (2-1), são os que se encontram mais perto desse objectivo, contudo, o Benfica, que venceu o Estugarda (2-1) na Luz, o Sporting que empatou em Glasgow diante do Rangers (1-1) e, até, o Sporting de Braga que perdeu num enorme manto de neve, diante do Lech Poznan (0-1), têm grandes hipóteses de seguirem em frente.

Benfica 2-1 Estugarda

A primeira parte dos encarnados foi má demais para ser verdade. Uma equipa desligada, sem alma e, até, a parecer que olhava o seu adversário do alto de uma pseudo-superioridade que não se verificava no relvado. Assim sendo, foi sem surpresa que os germânicos alcançaram a vantagem no marcador graças a um golo de Harnik (21′).

Veio o intervalo, provavelmente uma dose de gritos de Jorge Jesus, e o Benfica surgiu transfigurado na segunda metade. De facto, os encarnados passaram a pressionar e a empurrar o seu adversário às cordas, reduzindo-o a uma mediocridade que esteve longe de aparentar no primeiro tempo.

Dois golos foram marcados, um por Cardozo (70′) e outro por Jara (81′), mas muitos outros ficaram por concretizar, devido à falta de pontaria dos avançados encarnados e, também, graças à boa exibição do guarda-redes Ulreich.

Ainda assim, este 2-1, aliado ao facto do Estugarda estar longe de ter uma equipa que possa meter grande medo, abre excelentes perspectivas do Benfica superar esta ronda e passar aos oitavos de final da Liga Europa.

Lech Poznan 1-0 Sp. Braga

O frio e a neve assustavam, mas a verdade é que o Sp. Braga, durante toda a primeira parte, foi uma equipa adulta, segura e pressionante, controlando totalmente o jogo, mesmo que não tenha criado grande perigo para a baliza da equipa polaca.

No entanto, após o descanso, a equipa minhota perdeu a frieza do primeiro tempo, parecendo ficar amedrontada com o passar dos minutos. Foi recuando, recuando e apostando quase todas as suas fichas na segurança da sua defesa e, acima de tudo, do guarda-redes Artur Moraes.

Infelizmente para o conjunto português e apesar da excelente exibição do guarda-redes brasileiro, este foi incapaz de suster o remate de Rudnevs (72′) que garantiu uma preciosa mas magra vitória do Lech Poznan por uma bola a zero. Em suma, tudo em aberto para a segunda mão, em Braga.

Sevilha 1-2 FC Porto

Deve estar escrito em algum manual celestial, mas o certo é que o FC Porto costuma ter estrelinha em Sevilha. Ontem, no Sanchez Pizjuan, os azuis e brancos fizeram uma primeira parte sóbria, sem grandes rasgos, mas a suficiente para controlar uma equipa andaluza extremamente dependente do jogo pelas alas para criar perigo. Assim sendo, quando o árbitro apitou para o intervalo, o zero a zero justificava-se plenamente pelo que as equipas fizeram dentro do terreno de jogo.

Após o descanso, todavia, o Sevilha apareceu mais pressionante do que nos primeiros quarenta e cinco minutos, ainda que, curiosamente, acabou por ser o FC Porto a abrir o activo, naquele que foi o seu primeiro lance de perigo do segundo tempo. Livre de James Rodríguez e Rolando, com um toque subtil, a desviar de Palop e a fazer o 0-1.

A perder, os andaluzes arregaçaram as mangas e foram para cima do conjunto português, que passou um mau bocado. Kanouté, aos 65 minutos, empatou a partida e, aos 77 minutos, falhou inacreditavelmente a reviravolta. Luís Fabiano, de cabeça, também esteve perto do 2-1.

Contudo, no meio do vendaval ofensivo dos sevilhanos, quando já poucos acreditavam nessa possibilidade, Cristian Rodríguez aproveitou um erro crasso de Fazio, avançou, chocou com Palop e, na recarga, Freddy Guarín atirou para o 2-1, garantindo aos azuis-e-brancos um excelente resultado para a segunda mão a disputar no Estádio do Dragão.

Glasgow Rangers 1-1 Sporting

O Sporting é, neste momento, uma equipa que por vezes quebra à menor dificuldade, mas ontem, no inferno do Ibrox, foi uma equipa generosa que, mesmo sem fazer uma grande exibição, alcançou um resultado que lhe abre excelentes perspectivas para o jogo da segunda mão.

Durante a primeira parte, assistiu-se a um pacto de não agressão entre portugueses e escoceses, com os lances de perigo a serem muito escassos, salvo as excepções de um remate cruzado de Hélder Postiga (39′), um remate ao lado de Whittaker (40′) e um lance em que Yannick (43′), isolado perante McGregor, desperdiçou.

Contudo, na segunda metade, os protestantes perceberam que o zero a zero não seria um bom resultado para levarem para o Alvalade XXI e aumentaram ligeiramente o ritmo de jogo para tentarem chegar ao golo. Ainda assim, a sua fraca qualidade técnica limitava-os de sobremaneira, percebendo-se que só seriam realmente perigosos em lances de bola parada e/ou cruzamentos para a área.

Sem surpresa, foi assim que chegaram ao 1-0. Aos 68 minutos, na sequência de um pontapé de canto de Weiss, Whittaker, de cabeça, não perdoou e colocou o Glasgow Rangers em vantagem.

Apesar da desvantagem, Paulo Sérgio sabia que esta equipa escocesa está longe de ser um colosso do futebol europeu e, assim, apesar de algo tardiamente, decidiu fazer alguma coisa, lançando Matías Fernandez e Saleiro. Curiosamente, foi na sequência de uma abertura de Saleiro para o cruzamento de João Pereira que surgiu o golo do chileno Matías, que, solto de marcação, atirou de cabeça para o empate (1-1).

Estávamos no minuto 89, mas este Sporting é uma equipa extremamente intranquila e, até ao apito final, ainda sofreu um bocado, ainda que, aí, Rui Patrício tenha estado em grande nível, segurando este 1-1, que dá todas as condições do Sporting, em Alvalade, confirmar o apuramento.

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Depois de uma década de 60 em que o Górnik Zabrze conquistou seis campeonatos polacos e três Taças da Polónia, a consagração internacional surgiu com a fantástica campanha do clube de Zabrze na Taça das Taças (69/70), onde eliminou Olympiakos, Glasgow Rangers, Levski Sófia e AS Roma no caminho para a final diante do Manchester City. Nessa final, a equipa britânica foi mais forte e venceu por duas bolas a uma, todavia, o Górnik Zabrze, pelo magnífico percurso que fez nessa prova europeia, garantiu um lugar muito especial na história do futebol.

Esperou apenas nove anos pelo primeiro grande título

O Górnik Zabrze foi fundado em 1948, apenas três anos após a fronteira polaca ter avançado para oeste no culminar da Segunda Guerra Mundial. Apenas sete anos depois, a equipa havia de conseguir a promoção à primeira divisão, vencendo, no jogo de estreia, o Ruch Chorzów por 3-1.

Em 1957, o clube polaco haveria de conquistar o primeiro campeonato polaco, apoiado na classe da sua grande estrela: Ernst Pohl, repetindo a proeza em 1959 e 1961.

Anos de ouro garantiram pentacampeonato e presença em final europeia

Entre 1963 e 1967, o clube polaco conquistou o pentacampeonato, somando, nessa década de sessenta, seis campeonatos polacos e três Taças da Polónia.

No final da década, em 1969/70, o clube haveria de ter a melhor presença numa prova europeia da sua história, superando Olympiakos (2-2 e 5-0), Glasgow Rangers (3-1 e 3-1), Levski Sófia (2-3 e 2-1) e AS Roma (1-1 e 2-2) para chegar à final da Taça das Taças diante dos ingleses do Manchester City.

Nessa final, o City entrou mais forte e rapidamente vencia por 2-0, sendo que o golo de Oślizło, a meio da etapa complementar, apenas atenuou o desaire e não impediu que a taça viajasse até Inglaterra.

Nos dois anos seguintes, o Górnik Zabrze haveria de conquistar a dobradinha, todavia, essas duas épocas de sucesso acabariam por ser o canto do cisne dos anos dourados do clube polaco.

Sucesso só voltou no final dos anos 80

Entre 1973 e 1984, o clube de Zabrze não haveria de conquistar qualquer título, parecendo estar a cair no esquecimento. Todavia, na segunda metade da década de 80, a equipa polaca voltou a encontrar o caminho do sucesso, conquistando o tetracampeonato (85, 86, 87 e 88) e defrontando grandes equipas europeias como o Anderlecht, Bayern, Real Madrid e Juventus, ainda que tenha sido eliminado por todos esses colossos.

Após esses momentos de glória, a equipa polaca voltou a entrar numa fase de seca de títulos, tendo, inclusivamente, descido à segunda divisão no final da temporada 2008/09. Ainda assim, a triste travessia no segundo escalão apenas durou uma época e, esta temporada, o Górnik Zabrze já se encontra na Ekstraklasa, surgindo, actualmente, na sétima posição.

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O Sporting de Braga não foi feliz no sorteio da Liga dos Campeões. Das cinco hipóteses que a equipa arsenalista dispunha (Celtic, PAOK Salónica, Gent, Young Boys Berna e Unirea), a equipa britânica era claramente a equipa mais forte e com maior experiência europeia. Ainda assim, nada está perdido para a equipa minhota, pois nos últimos anos o Celtic tem perdido qualidade e tem se afastado daquele que se está a tornar o grande dominador do futebol escocês, o Glasgow Rangers. Na verdade, esta equipa escocesa, apesar de ter bons jogadores como o atacante grego Samaras ou o lateral coreano Cha Du-Ri, está longe daquele Celtic de Henrik Larsson, Lennon, Baldé e Petrov que defrontou o FC Porto na final da Taça UEFA em 2003.

Quem é o Celtic Glasgow

Mesmo para o adepto de futebol mais desatento, o Celtic é um clube que dispensa apresentações. Fundado em 1888 por emigrantes irlandeses em Glasgow, este clube simboliza, desde a sua génese, a resistência católica perante aquilo que estes consideram a tirania protestante. Uma resistência de todos os irlandeses que, em tempos, atravessaram o mar da Irlanda para se estabelecerem em Glasgow e que formaram um clube que nunca abandonou as suas raízes. Um clube que tem no verde a sua cor, na bandeira da Irlanda a sua bandeira e nas músicas irlandesas os seus cânticos, num ideal anti-imperialista, anti-colonialista e anti-unionista que fazem do Celtic quase um clube-nação.

Durante toda a sua história, o clube escocês criou uma rivalidade intensa com o Glasgow Rangers, que representa a religião protestante e, acima de tudo, o unionismo britânico. Estes dois clubes dividem, entre si, praticamente todos os títulos domésticos do futebol escocês, sendo que esta superioridade tem-se intensificado nas últimas duas décadas.

O Celtic, para além de ter conquistado 42 campeonatos da Escócia (o último foi em 2007/08), 34 Taças da Escócia (a última foi em 2006/07) e 14 Taças da Liga (a última em 2008/09), pode se orgulhar de ter sido o único clube escocês a ganhar uma Taça dos Campeões (vitória sobre o Inter, no Jamor, em 1967 por 2-1.

No entanto, apesar do passado glorioso da equipa católica, a última época não trouxe motivos para o Celtic festejar. A equipa terminou a Liga Escocesa em segundo lugar, foi eliminada da Taça da Escócia, nas meias-finais pelo modesto Ross County, foi eliminada da Taça da Liga nos quartos de final pelo Hearts e, nas competições europeias, não passou da fase de grupos da Liga Europa.

Como joga

A equipa escocesa deve apresentar ou um 4-4-2 ou um 4-3-3, mas sempre com os mesmos princípios de jogo: algum futebol directo, explorando a capacidade física de jogadores como Fortuné ou Samaras e, também, explorar os flancos onde tem jogadores com boa capacidade técnica como o lateral Cha Du-Ri ou os alas McGeady e Maloney.

Globalmente a equipa escocesa tem um bom conjunto de atletas, ainda que seja bem melhor do meio campo para a frente do que do que no seu sector defensivo, onde, tirando o recém contratado sul-coreano Cha Du-Ri, parece não ter um nível muito elevado.

Por outro lado, a perda de jogadores como o guarda-redes Boruc ou o excelente avançado irlandês: Robbie Keane deixaram o Celtic mais frágil e com mais pontos por onde o Sporting de Braga explorar.

Partindo do princípio que o treinador Neil Lennon colocará toda a carne no assador para defrontar a equipa portuguesa e partindo do princípio que o 4-4-2 será a táctica escolhida, o onze não deve andar longe do seguinte:

McGeady é um jogador de classe

Quem é que o Braga deve ter debaixo de olho – McGeady

Ala direito rápido, incisivo e com uma técnica que o afasta do tradicional jogador britânico, Aiden McGeady é um atleta que pode criar bastantes problemas ao Sporting de Braga. Jogador versátil, que tanto pode jogar como ala direito ou segundo avançado num esquema 4-4-2, mas também como extremo direito num 4-3-3, McGeady é, aos 24 anos, um perigo à solta ao qual os arsenalistas não devem dar um milímetro de espaço. Apesar de ter apenas 24 anos, o jogador do Celtic conta com 32 internacionalizações pela República da Irlanda sendo, assim, um jogador muito experiente que, por certo, não irá tremer nestes importantes desafios com o vice-campeão nacional.

As hipóteses bracarenses

Pela sua história antiga e recente, o Celtic tem de ser considerado favorito para este duelo europeu com o Sporting de Braga. A equipa escocesa está repleta de jogadores internacionais pelos seus países, com talento e experiência o quanto baste para levarem de vencida a equipa portuguesa. Ainda assim, este Celtic Glasgow está longe da qualidade daquele que defrontou Boavista e FC Porto na Taça UEFA 2002/03, pois não há Larsson, não há Petrov e, acima de tudo, não existe aquela poderosa dupla de centrais composta por Baldé e Mjallby. Assim sendo, se os arsenalistas forem matreiros, estiverem concentrados no último reduto e souberem explorar algumas deficiências da defesa escocesa, terão, por certo, boas possibilidades de ultrapassarem esta difícil eliminatória.

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Equilibrio táctico

Chegou de forma surpreendente à equipa, mas mostrou todo o seu valor. Pedro Miguel da Silva Mendes, de 31 anos, é um médio centro, que joga no Sporting Clube de Portugal e espreita a titularidade da selecção nacional.

Começou sua carreira profissional a jogar no Felgueiras (1998/99), emprestado pelo Vitória de Guimarães, onde regressou um ano depois. Em Guimarães jogou quatro temporadas, até se transferir para o FC Porto (2003/04), onde, pelo comando de José Mourinho, mostrou toda a sua capacidade táctica e fez parte de uma equipa ganhadora: Liga dos Campeões, a Liga Portuguesa e a Supertaça num só ano. Em Julho de 2004, transfere-se para a Premier League inglesa, para jogar no Tottenham, onde esteve durante uma época e meia. Seguiu-se a transferência para o Portsmouth em Janeiro de 2006, onde ganhou uma Taça de Inglaterra e esteve até ao verão de 2008. Segue-se uma temporada de bom nível no Glasgow Rangers, onde ganhou um campeonato da Escócia. Na sua segunda época no clube escocês sofre uma lesão que o afasta dos relvados até ao seu ingresso no Sporting, para onde se transfere em Janeiro deste ano. No Sporting cedo ganhou o seu lugar na equipa, sendo uma peça importante para a equipa treinada por Carlos Carvalhal.

A sua presença na selecção remonta a 2002, onde entrou a substituir Rui Costa, num particular contra a Escócia (Portugal ganhou esse jogo por 2-0), mas as suas aparições foram sendo esporádicas. Até que foi chamado à equipa para dois jogos de apuramento para o Mundial 2010. Surpreendentemente, apareceu como titular frente à Hungria, jogando o jogo todo e fazendo uma grande exibição, que não só convenceu os críticos, como se afirmou como uma alternativa válida para aquela posição.

Pedro Mendes é um médio que passa despercebido ao olhar mais desatento, mas é uma peça fundamental no jogo de equipa. Tanto pode jogar a trinco (à frente da defesa), como na posição (8), funcionando como um médio centro mais táctico e focado na equipa. É um jogador que prima pela inteligência dentro de campo e uma capacidade de preencher os espaços muito acima da média. Não é um jogador de rasgos ou momentos mágicos, mas é um ponto de equilíbrio na circulação de bola e nas transições defesa-ataque e ataque-defesa. Sabe posicionar-se nos locais certos, no tempo certo, seja para cortar os ataques contrários, como para “empatar” esses ataques, permitindo que a equipa portuguesa se recomponha. É um jogador que não gosta de ter a bola nos pés por boas razões: não empata o jogo da sua equipa e circula a bola rapidamente, criando fluxo de jogo. O seu ponto fraco é o jogo aéreo, tem apenas 1,73m e não tem uma grande impulsão.

Dentro do esquema táctico de Portugal, poderá ser muito importante a jogar como trinco, num sistema de 4-3-3, funcionando como uma linha de passe de referência na circulação de bola. Num sistema de losango, poderá ser usado, com maior eficácia como um interior que tenha a tarefa de compensações tácticas, do meio campo e da cobertura da subia de laterais – um pouco como a tarefa de Tiago Motta ou Inter de Milão.

Provavelmente será usado como trinco à frente da defesa, mas a sua titularidade não é garantida, já que Pepe (apesar de não ser uma decisão unânime) também é um candidato ao lugar. Dependerá do adversário e de como o seleccionador quiser que a equipa jogue: mais mobilidade ou mais músculo. Uma escolha entre a inteligência táctica de Mendes e a capacidade física de Pepe.

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