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Chippo no FC Porto

As apresentações do FC Porto costumavam ter sempre uma surpresa e essa surpresa era, invariavelmente, um jogador de futebol. Esse elemento seria, supostamente, a cereja em cima de um bolo (leia-se plantel) que se esperava ganhador e que mantivesse a habitual hegemonia dos dragões no futebol nacional. Realmente, algumas vezes surgia um jogador de qualidade, que era simplesmente útil ou inclusivamente fazia a diferença. No entanto, outras vezes surgiam jogadores cuja qualidade era pouco mais que nula e que apenas serviriam para aumentar, exponencialmente, o nível de assobios no antigo Estádio das Antas. Um exemplo deste último caso foi um trinco marroquino apresentado no início da época 1996/97: Youssef Chippo.

Chippo iniciou a sua carreira no KAC Kenitra do seu país natal, onde se estreou aos 18 anos e onde permaneceu por quatro temporadas antes de emigrar para a Arábia Saudita, onde jogou no Al-Hilal na época de 1995/96.

As exibições ao serviço do clube saudita levaram-no à selecção de Marrocos e deixaram de água na boca um olheiro portista que talvez tenha visto o jogo da vida de Youssef Chippo, pois só isso explica que o tenha indicado como contratação válida para a época 1996/97.

Apresentado com pompa e circunstância, Chippo era referenciado como um médio centro com grande qualidade defensiva, mas que também sabia incorporar-se na manobra ofensiva. Infelizmente para os azuis e brancos, o internacional marroquino, ao longo de três temporadas, revelou-se um jogador fraquinho tecnicamente, duro de rins e com pouca qualidade tanto defensiva como atacante.

Ainda assim, Chippo nunca impediu o FC Porto de conquistar títulos e a prova disso é que, no período em que esteve nos dragões, os azuis e brancos foram sempre campeões. No entanto, os mais supersticiosos não acreditavam que pudesse haver uma relação entre os títulos e o internacional marroquino, mas a verdade é que, após a sua saída no final da época 1998/99, a equipa portista esteve três anos seguidos sem conquistar o título nacional…

Alheio a essa suposta maldição, Chippo continuou a sua carreira em Inglaterra e no Coventry City. Chegou para jogar na Premier League, mas durou apenas duas temporadas essa viagem pela primeira liga do futebol inglês, não porque tenha saído do Coventry e de Inglaterra, mas porque rapidamente ajudou os “sky blues” a descerem à segunda divisão.

No segundo escalão do futebol inglês esteve duas temporadas, sendo que na primeira ajudou o Coventry City a terminar no meio da tabela, mas, na segunda, foi um dos obreiros de uns “sky blues” que ficaram a apenas quatro pontos de descerem à terceira divisão.

Percebendo que o abismo esperava o seu clube, o Presidente do Coventry rapidamente dispensou Chippo que, assim, em 2003, foi jogar para o Qatar, onde, por certo, ganhou muito dinheiro no Al-Saad e Al-Wakrah. Depois de três temporadas no Qatar, voltou a Marrocos e ao Kenitra, onde fez mais uma temporada.

Já com uma carreira longa, Chippo não se rendia à retirada e ainda tentou, em 2007, voltar à Europa por duas ocasiões. No entanto, as experiências no Hibernian da Escócia e no Hammarby da Suécia terminaram sempre com os clubes a abdicarem da aquisição do internacional marroquino.

Após esses fracassos, Chippo retirou-se definitivamente do futebol, mas ainda hoje se orgulha de ter vestido a camisola marroquina por 62 vezes (8 golos) e de, um dia, ter representado um dos maiores clubes da Europa, o Futebol Clube do Porto.

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Trata-se apenas da segunda participação dos marfinenses no campeonato do mundo e, na primeira (Alemanha 2006), a Costa do Marfim nem sequer passou da primeira fase. Ainda assim, se bem se lembram, os africanos foram colocados no grupo da morte com Argentina, Holanda e Sérvia, acabando por ser eliminados com uma vitória (diante da Sérvia e Montenegro) e duas derrotas pela margem mínima. Quatro anos depois, os marfinenses regressam a um campeonato do mundo com muita qualidade e mais experiência internacional. Novamente num grupo complicado, atletas como Drogba, Yaya Touré, Kalou ou Kolo Touré têm qualidade suficiente para surpreender portugueses, norte-coreanos e brasileiros no Grupo G.

A Qualificação

A campanha marfinense nas duas fases de apuramento da zona africana de qualificação para o campeonato do mundo foi brilhante. A equipa africana fez, ao todo, doze jogos: venceu oito e empatou quatro, apurando-se facilmente para o Mundial da África do Sul.

Na segunda fase, integrada num grupo com Moçambique, Madagáscar e Botswana, a Costa do Marfim apurou-se vencendo os seus adversários em casa e empatando fora, terminando o agrupamento com quatro pontos de vantagem sobre Moçambique (2º).

Depois, na terceira e última fase, os marfinenses foram ainda mais impressionantes, pois tendo como adversários: Guiné-Conacri, Burkina Faso e Malawi, venceram cinco encontros e apenas empataram um (Malawi, fora, 1-1), terminando, novamente, com quatro pontos de avanço em relação ao segundo classificado (Burkina Faso).

2ª Fase: Grupo 7 – Classificação

  1. Costa do Marfim 12 pts
  2. Moçambique 8 pts
  3. Madagáscar 6 pts
  4. Botswana 5 pts

3ª Fase: Grupo E – Classificação

  1. Costa do Marfim 16 pts
  2. Burkina Faso 12 pts
  3. Malawi 4 pts
  4. Guiné-Conacri 3 pts

O que vale a selecção marfinense?

A Costa do Marfim é, neste momento, a mesma equipa talentosa que se deslocou à Alemanha para disputar o Mundial 2006, mas tem uma vantagem: muito mais experiência internacional.

Os marfinenses costumam apresentar um esquema 4-3-3 com tracção ofensiva, típica das selecções africanas. Apesar de ser uma equipa equilibrada em termos de soluções, o ponto mais forte dos elefantes é, claramente, o ataque.

Na baliza, está claramente o elemento mais frágil da Costa do Marfim: Barry. O guarda-redes do Lokeren é muito inseguro e tem um nível muito inferior ao restante onze marfinense. Depois, o quarteto defensivo é composto por uma dupla de centrais com qualidade tanto pelo ar como pelo chão: Kolo Touré-Bamba e por dois laterais de motivações opostas. Boka, lateral esquerdo, é um elemento mais defensivo e que cola muitas vezes aos centrais para ajudar nos lances de bola parada. Por outro lado, o lateral direito Eboué é muito mais ofensivo e, apesar de defender com competência, será no capítulo atacante que o jogador do Arsenal será mais importante.

Depois, no meio campo, os marfinenses devem apresentar um duplo pivot defensivo: Zokora-Yaya Touré. São dois excelentes médios de contenção, que terão como principal missão dar consistência defensiva aos elefantes, libertando para as missões ofensivas,  o nº 10: Romaric, um atleta muito inteligente tacticamente e que saberá ser uma ajuda na defesa sempre que necessário.

Por fim, no ataque, os elefantes deverão apresentar dois extremos (Gervinho-Kalou) e um ponta de lança fixo (Drogba). Os extremos são atletas muito versáteis que podem jogar tanto à esquerda como à direita e que são exímios nas diagonais para o centro, procurando criar desequilíbrios nos últimos redutos contrários. Por outro lado, Drogba dispensa apresentações, pois trata-se de um dos melhores pontas de lança da actualidade, um jogador letal, que se movimenta como ninguém na área. Ainda assim, como tem estado lesionado, não é de colocar de parte a hipótese de não poder jogar e, assim, deverá avançar no seu lugar o goleador: Doumbia. Um jogador que, nas últimas épocas, brilhou ao serviço do Young Boys.

Integrada no Grupo G com Brasil, Portugal e Coreia do Norte, a Costa do Marfim aparenta ser muito superior aos norte-coreanos, mas, ao mesmo tempo, parece ainda estar abaixo do nível luso e canarinho.

O Onze Base

Esquematizada num 4-3-3, a Costa do Marfim deverá apresentar Barry (Lokeren) na baliza; Boka (Estugarda), Kolo Touré (Manchester City), Bamba (Hibernian) e Eboué (Arsenal) na defesa; Zokora (Sevilha), Yaya Touré (Barcelona) e Romaric (Sevilha) no meio campo; Kalou (Chelsea), Gervinho (Lille) e Drogba (Chelsea) no ataque.

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Superior aos norte-coreanos e aparentemente inferior a portugueses e brasileiros, os marfinenses seriam os favoritos a terminarem na terceira posição. Ainda assim, jogando no seu continente e sabendo que Portugal, costuma, muitas vezes, jogar abaixo das suas capacidades, os elefantes poderão surpreender e assegurar o apuramento para os oitavos de final do campeonato do mundo.

Calendário – Grupo G (Mundial 2010)

  • 15 de Junho: Costa do Marfim vs Portugal
  • 20 de Junho: Costa do Marfim vs Brasil
  • 25 de Junho: Costa do Marfim vs Coreia do Norte

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