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Lallana é o maior talento dos "Saints"

No histórico Southampton, neste momento a penar na League One (terceiro escalão) do futebol inglês, actua um dos médios ofensivos mais promissores do Reino Unido: Adam Lallana.

Nascido a 10 de Maio de 1988, em St. Albans, Inglaterra, Adam David Lallana é um produto das escolas do Southampton, clube que representa desde 2000, actuando no futebol sénior desde a época 2006/07.

Pouco utilizado em 2006/07 e 2007/08 (nesta época ainda fez cinco jogos pelo Bournemouth por empréstimo), Lallana assumiu-se como peça influente do Southampton em 2008/09 (43 jogos, 2 golos), explodindo na época seguinte em que marcou 20 golos em 51 jogos.

Na actual temporada, Lallana já leva 10 golos em 32 jogos e continua a demonstrar ser a principal pérola de um clube longe dos tempos de glória.

Rápido, criativo e com excelente capacidade finalizadora

Provavelmente o maior talento do futebol inglês fora da Premier League, Adam Lallana é um médio-ofensivo muito evoluído tecnicamente e com grande mobilidade, que gosta de embalar em velocidade para criar inúmeros desequilíbrios no último terço dos adversários.

Com excelente capacidade de passe e fantástica capacidade finalizadora, o internacional sub-21 inglês tanto pode jogar como “dez”, como, inclusivamente, como segundo avançado, num esquema 4-4-2 de perfil mais continental.

Com apenas 22 anos, e um enorme talento, muitos acreditam que pode ser o verdadeiro herdeiro de outro histórico jogador dos “Saints”: Matthew Le Tissier.

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Eric Dier numa campanha publicitária da Umbro

Na equipa de Juvenis do Sporting e, esporadicamente, na equipa de Juniores dos leões, actua um imponente defesa-central inglês que tem um grande futuro pela frente: Eric Dier.

Nascido a 15 de Janeiro de 1994 em Wimbledon, Eric Jeremy Edgar Dier mudou-se para o Algarve aos seis anos, iniciando a sua carreira em pequenos clubes da região. Posteriormente, aos oito anos, quando se mudou para Cascais, transferiu-se para o Sporting, clube que representa até hoje.

Começou como médio-centro mas impôs-se como defesa-central

Os primeiros tempos do atleta inglês em Alvalade foram passados como médio-centro, todavia, na transição do futebol de sete para o futebol de onze, o treinador Hugo Cruz recuou Eric Dier para defesa-central, posição onde o britânico se cimentou e desenvolve todo o seu futebol.

Ao longo de quase dez anos de Sporting, Eric Dier já fez duplas de centrais com vários atletas em Alvalade, contudo, é com Tobias Figueiredo, atleta com que joga há mais de cinco anos, que parece sentir-se melhor, formando com o atleta português uma dupla de grande qualidade.

Um líder dentro de campo

Eric Dier é um defesa-central imponente (1,88 metros) que, pela sua estatura, é quase intransponível pelo ar, sendo muito importante no futebol aéreo dos leões seja a defender, como a atacar, pois o inglês também marca alguns golos de cabeça.

Ao contrário de Tobias Figueiredo, que é um central mais de choque e que prima mais pela agressividade, Eric Dier é um jogador que fica mais livre, utilizando o seu excelente posicionamento para ir às dobras e colocar-se constantemente em alerta máximo na defesa verde-e-branca.

Tecnicamente evoluído e um autêntico líder em campo, Eric Dier é um atleta com grande qualidade e que, por certo, será um dos grandes valores do futebol mundial.

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Eusébio foi o maior jogador português de sempre

Dispensa apresentações aquele que foi e ainda é o maior jogador de futebol português de todos os tempos: Eusébio da Silva Ferreira. Contratado ao Sporting de Lourenço Marques, após uma série de peripécias que chegaram a obrigar o Benfica a escondê-lo durante uns bons tempos, conquistou inúmeros títulos pelas águias, acabando por nunca se transferir para um grande clube internacional devido a António de Oliveira Salazar que o declarou “património nacional”. Já se retirou há cerca de 35 anos, mas continua bem presente nas memórias dos portugueses, pela força, velocidade, técnica apurada e por aquele poderoso pontapé que parecia, quase sempre, indefensável.

Eusébio a jogar pelo Sp. Lourenço Marques

Despontou no Sporting de Lourenço Marques e gerou luta entre leões e águias

Nascido a 25 de Janeiro de 1942, em Lourenço Marques (agora Maputo), e começou a jogar futebol numa pequena equipa local, “Os Brasileiros”, uma equipa formada em honra dos herois dos jogadores, os intervenientes da grande selecção brasileira da altura.

A admiração por esses jogadores canarinhos era tal, que cada jogador adoptou a alcunha de um jogador dessa selecção brasileira, sendo que Eusébio adoptou a alcunha de Cid, na altura, o grande estratega de todo o processo ofensivo da equipa verde-e-amarela.

Mais tarde, após ter tentado, sem sucesso, inscrever-se no Desportivo, Eusébio acabou por transferir-se para o Sporting de Lourenço Marques, onde, valha a verdade, teve sucesso imediato. Para terem uma ideia, durante os três anos em que actuou na filial leonina, o “Pantera Negra” fez 77 golos em 42 jogos, mostrando uma habilidade e uma capacidade finalizadora do outro mundo.

Esse enorme talento gerou uma enorme guerra entre Sporting e Benfica pela sua aquisição, sendo que essa luta fez com que os encarnados chegassem, inclusivamente, a esconder o jogador numa unidade hoteleira do Algarve, onde acabariam, por, finalmente, assegurar o reforço.

Eusébio num duelo Benfica-Ajax

O “Pantera Negra” rapidamente ganhou destaque no Benfica

Na estreia pelas águias, a 23 de Maio de 1961, num jogo particular diante do Atlético, Eusébio marcou três golos na vitória do Benfica (4-1), mostrando, imediatamente, que não se tratava apenas de uma promessa.

Nos quinze anos seguintes, Eusébio fez 301 jogos a contar para o campeonato nacional pelo Benfica, marcando 317 golos, ou seja, garantindo uma média superior a um golo por jogo. Nas competições europeias, marcou 57 golos em 75 jogos, números deveras impressionantes e difíceis de alcançar por qualquer jogador.

Em termos de títulos colectivos, Eusébio conquistou onze campeonatos nacionais, cinco taças de Portugal e uma Taça dos Campeões, diante do Real Madrid, numa final que o Benfica venceu por 5-3 e o “Pantera Negra” fez dois golos.

Salazar considerou-o tesouro nacional

Salazar nunca deixou que Eusébio emigrasse

Ao longo deste percurso pelo Benfica, o internacional português foi conquistando diversos títulos individuais, sendo duas vezes Bota de Prata da France Football (1962 e 1966), Bota de Ouro europeu em 1968 (42 golos) e 1973 (40 golos), melhor marcador do Mundial 66 (9 golos), entre outros títulos.

Esses títulos, eram apenas o eco do seu talento, que era elogiado por toda a Europa, sendo que, a qualquer momento, se esperava que um grande clube europeu avançasse para a sua aquisição.

Na verdade, vários clubes tentaram adquirir o “Pantera Negra”, sendo emblemática uma proposta da Juventus, em 1964, que obrigou o governo de Salazar a mandá-lo para a tropa e a declará-lo tesouro nacional.

Essa decisão do governo português de o defender como património do país, acabou por impedir Eusébio de atingir um patamar ainda maior no seio do futebol internacional.

Eusébio foi fundamental na reviravolta com a Coreia

Mundial 1966 foi momento alto na selecção das quinas

Durante doze anos (1961-73), Eusébio vestiu a camisola das quinas por 64 ocasiões e marcou 41 golos. Durante esse percurso, e porque os tempos eram outros, Portugal apenas participou numa grande competição, o Mundial 1966 em Inglaterra, mas, aí, o “Pantera Negra” deixou a sua marca.

Durante a competição que Portugal concluiu no terceiro lugar, Eusébio foi a principal figura, apontando nove golos, com destaque para os quatro que marcou nodesafio dos quartos de final com a Coreia do Norte (5-3), num jogo em que o “Pantera Negra” foi fundamental na recuperação de uma desvantagem inicial de três tentos.

Nessa prova, apenas faltou a Eusébio e a Portugal vencerem a Inglaterra, mas nessa fatídica meia-final, alguma matreirice dos ingleses, dentro e fora do campo, acabou por criar todas as condições para que os portugueses acabassem derrotados (1-2).

Eusébio foi campeão americano pelo Toronto

Terminou a carreira entre a América do Norte e pequenas equipas lusas

Quando abandonou o Benfica, em 1975, a democracia já estava instalada em Portugal e Eusébio pode, tardiamente, emigrar para o estrangeiro.

Massacrado pelas inúmeras lesões nos joelhos, Eusébio já não era o mesmo do início da sua carreira, todavia, num futebol menos intenso como o norte-americano, ainda conseguiu deixar a sua marca, sagrando-se, inclusivamente, campeão da NASL (Liga profissional norte-americana) em 1976 pelo Toronto Metros-Croatia.

Além de ter jogado em outras equipas da América do Norte e, inclusivamente, no México (Monterrey), Eusébio também actuou em Portugal na fase final da sua carreira, jogando em clubes como o Beira-Mar e o Sporting de Tomar.

Eusébio retirou-se em 1978, após actuar alguns meses numa frágil e modesta equipa americana (New Jersey Americans), terminando, de forma tímida, um percurso de sucesso que leva muita gente a considerá-lo, até hoje, no rei do futebol português.

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Dragan Dzajic com a camisola da Jugoslávia

Considerado, sem margem para qualquer dúvida, num dos melhores jogadores de sempre da ex-Jugoslávia, Dragan Dzajic foi um ala-esquerdo de grande técnica e qualidade individual, conhecido pelos seus magníficos cruzamentos, fantásticos passes e boa capacidade finalizadora. Autêntico mágico com a bola nos pés, o ex-jogador do Estrela Vermelha apenas não atingiu maior destaque no mundo do futebol, pois jogou a maior parte da sua carreira (tirando dois anos no Bastia) no pouco mediático campeonato jugoslavo. Ainda assim, há quem o recorde e, quem se lembra dele, sabe que foi um dos melhores jogadores a pisar os relvados do futebol mundial.

Nascido a 30 de Maio de 1946 em Ub, na Sérvia, Dragan Dzajic só conheceu um clube em toda a sua carreira interna (Estrela Vermelha).

No gigante de Belgrado, o ala-esquerdo esteve entre 1961 e 1975 e, depois, entre 1977 e 1978, efectuando um total de 615 jogos e 292 golos. Campeão nacional por cinco vezes e vencedor da Taça da Jugoslávia por quatro ocasiões, Dzajic conquistou a medalha de melhor atleta jugoslavo de todos os desportos em 1969 e é um dos únicos cinco atletas a receberem o “Zvezdina zvezda”, ou seja, a estrela do Estrela Vermelha, prémio dado aos jogadores que conseguiram criar um grande impacto no clube sérvio.

Para além de ter actuado grande parte da sua carreira no Estrela Vermelha, Dragan Dzajic também actuou duas temporadas (1975/76 e 1976/77) no Bastia, onde também brilhou e, apesar de não ter conquistado qualquer título, atingiu números impressionantes, pois fez 31 golos em 56 jogos.

Internacional jugoslavo por 86 ocasiões (23 golos), teve o seu jogo mais emblemático na meia-final do Euro 68, quando, diante da Inglaterra, fez um chapéu sobre Gordon Banks, que garantiu a vitória aos jugoslavos por 1-0 e a ida à final, que haveriam de perder (0-2) diante da Itália, no jogo de desempate.

Sobre ele, Pelé disse um dia tratar-se de um “Milagre dos Balcâs – um verdadeiro feiticeiro”, adiantando que tinha pena que ele não fosse brasileiro, pois nunca havia visto tanto talento natural num futebolista. Um grande elogio do “Rei” a um jogador que pelo que fazia com o seu mágico pé esquerdo merecia, sem dúvida, um muito maior destaque do mundo do futebol.

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Germano foi sinónimo de títulos

Dele dizia-se que jogava em qualquer posição com a mesma qualidade, defesa-central de origem, era incapaz de negar-se a jogar fosse em que posição fosse, chegando, inclusivamente, a jogar à baliza numa final da Taça dos Campeões diante do Inter de Milão. Diz quem o viu jogar que era sinónimo de qualidade, uma explosão de classe com percepção notável de jogo, sentido posicional irrepreensível, dois pés de sonho e, como se não bastasse, um fabuloso e temível jogo de cabeça. Esse era Germano, grande estrela de Portugal e do Benfica.

Nascido a 23 de Dezembro de 1932, Germano, apesar de ser eternamente ligado às águias, não iniciou a carreira no Benfica, tendo, até, chegado relativamente tarde aos encarnados. Na génese da sua carreira esteve o Atlético, onde esteve entre 1951/52 e 1959/60, tendo, inclusivamente, disputado a segunda divisão entre 1957 e 1959. Mesmo num clube de menor impacto em Portugal (ainda que, naquele tempo, o Atlético fosse um clube de respeito), Germano já dava mostras de um talento muito grande e, assim, foi sem surpresa que, ao serviço do clube de Alcântara, tenha conquistado as primeiras sete internacionalizações da sua carreira.

No verão de 1960, percebeu-se, claramente, que a qualidade de Germano, então com 27 anos, era demasiado grande para permanecer no Atlético e, assim, foi sem surpresa que o defesa-central se transferiu para o Benfica. Nos encarnados, esteve seis temporadas, o suficiente para conquistar quatro campeonatos nacionais, duas taças de Portugal e, mais importante do que isso, duas taças dos campeões europeus, a primeira em 1960/61, diante do Barcelona (3-2) e a segunda, em 1961/62 diante do Real Madrid (5-3).

Além das duas taças dos campeões conquistadas, Germano também esteve perto de conquistar outras duas, mas perdeu a final de 1963 diante do Milan (1-2) e a de 1965 diante do Inter (0-1), sendo que nesta última de forma completamente dramática, pois após o guarda-redes titular (Costa Pereira) ter dado um valente frango e saído por lesão, Germano teve de assumir a baliza dos encarnados até ao final do jogo, pois, na altura, não eram permitidas substituições. Nesse jogo, mesmo em inferioridade numérica e com Germano na baliza, o Benfica massacrou o Inter que, imagine-se, até jogava em casa, todavia, a sorte não quis nada com as águias que acabaram vergadas a uma derrota tangencial.

Além da carreira de grande qualidade no Atlético e no Benfica, Germano também foi importantíssimo na selecção nacional, tendo alcançado 24 internacionalizações e participado na excelente carreira que Portugal efectuou no Mundial 1966, em Inglaterra (3º lugar). Infelizmente para Germano e para Portugal, o defesa-central lesionou-se logo no primeiro jogo (3-0 à Bulgária) e, assim, foi incapaz de dar um maior contributo à selecção das quinas nesse certame. Há quem diga que, se Germano tivesse disputado todo o campeonato do Mundo, Portugal teria sido campeão do Mundo. Talvez sim, talvez não, mas certo é que Germano terá sempre direito a uma página muito bonita na história do futebol português.

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Le Tissier amava o Southampton

Neste momento o Southampton definha na League One, que é como quem diz na terceira divisão inglesa, mas, até há poucos anos atrás, o clube do sul de Inglaterra estava estável na Premier League, muito graças às capacidades de um médio ofensivo que, jogo após jogo, fazia a diferença: Matthew Le Tissier. Conhecido entre os adeptos do Southampton como “Le God”, o internacional inglês não conheceu outra equipa ao longo da sua longa carreira, recusando todas as propostas de clubes com outros pergaminhos por amor ao Southampton. Jogador com uma qualidade técnica fantástica, um carácter acima de qualquer suspeita e com um amor à camisola pouco habitual para a época em que jogou, “Le God” merecerá sempre um grande destaque na história do futebol.

Matthew Le Tissier nasceu a 14 de Outubro de 1968 em Guernsey, iniciando-se, no futebol, nas camadas jovens de um dos clubes dessa ilha do Canal da Mancha, o Vale Recreation.

Depois de falhar um teste no Oxford United, Le Tissier acabou por assinar, em 1986, pelo Southampton, estreando-se no principal escalão do futebol inglês com uma derrota diante do Norwich City (3-4). Até final da temporada 1986/87, o inglês, com apenas 18 anos, efectuou 24 jogos e 6 golos, assumindo-se como um importante jogador dos “Saints”.

No Southampton, Le Tissier haveria de permanecer toda a sua carreira, ou seja, até ao final da época 2001/02, contabilizando os impressionantes números  de 162 golos em 443 jogos do principal escalão inglês e impedindo sempre que os “Saints” fossem relegados. Parecendo sempre com peso a mais, “Le God” era dotado de uma técnica impressionante, parecendo que tudo o que fazia com a bola era simples. Com uma capacidade finalizadora impressionante e uma força que o faziam resistente a quase todas as entradas dos adversários, Le Tissier era um médio ofensivo quase imparável.

A sua qualidade era tão elevada que, mesmo sem ter jogado por um grande clube inglês, Le Tissier serviu de inspiração para diversos jogadores do actual contexto do futebol mundial. Um bom exemplo é Xavi que, um dia, disse que o internacional inglês tinha uma qualidade que estava para além do expectável, pois era capaz de fintar seis e sete jogadores sem correr, recorrendo, simplesmente, à elevada técnica que possuía.

Le Tissier apenas falhou na selecção, não por falta de qualidade, mas por ter sido quase sempre ignorado pelos seleccionadores da equipa dos três leões. Contabilizando apenas oito internacionalizações, Le Tissier, na véspera do Mundial 98, fez um hat-trick num jogo da selecção B de Inglaterra, mas, ainda assim, Glenn Hoddle recusou-se a levá-lo à fase final do campeonato do mundo numa decisão que destroçou “Le God”

Ainda assim, selecção à parte, Le Tissier teve uma carreira recheada de sucesso e de bons momentos e será, para sempre, lembrado por todos os que gostam de futebol como um dos jogadores com mais qualidade técnica que passou pelos relvados do futebol mundial.


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Esperava-se mais de Ronaldo no Mundial

Até 2010, Portugal havia participado em apenas quatro campeonatos do mundo: 1966, 1986, 2002 e 2006. Curiosamente, nas participações em terras europeias (1966 em Inglaterra e 2006 na Alemanha), Portugal havia feito excelentes campanhas ficando em terceiro e quarto lugar respectivamente, enquanto nas presenças fora da Europa (1986 no México e 2002 na Coreia/Japão) as campanhas foram péssimas, com a selecção das quinas a não passar da fase de grupos, perdendo mesmo com equipas que pareciam acessíveis como Marrocos (1986), Estados Unidos (2002) e Coreia do Sul (2002). Assim sendo, na terceira participação em terras distantes do velho continente, todos ficamos ansiosos para saber se à terceira era de vez e fazíamos uma boa campanha ou se, ao invés, voltávamos a fracassar como no México ou na Coreia/Japão. Curiosamente, acabamos por nem fazer uma coisa nem outra, terminando com uma campanha digna, mas modesta, pois limitamo-nos a cumprir com os serviços mínimos: oitavos de final. A única “consolação”? A Espanha, que nos eliminou, sagrou-se campeã do mundo de futebol. 

A Fase de Grupos 

Integrados no Grupo G com Costa do Marfim, Coreia do Norte e Brasil, percebeu-se, desde cedo, que Portugal iria disputar o apuramento para os oitavos de final com a equipa marfinense. Nesse aspecto, o facto da equipa lusitana defrontar a equipa canarinha na última jornada poderia revelar-se um ponto a favor da nossa selecção como, aliás, se confirmou. 

O primeiro jogo de Portugal, diante da Costa do Marfim, foi, sem sombra de dúvida, o pior da campanha lusitana na África do Sul. Portugal até começou melhor, ficando na retina um grande remate de Cristiano Ronaldo ao poste da baliza de Barry, mas depois, com o passar do tempo, Portugal foi recuando, foi ficando parco em ideias e foi dando, perigosamente, a iniciativa de jogo aos marfinenses. Ronaldo não existia, Danny mostrava ser um equívoco, Paulo Ferreira tinha dificuldades para parar os velozes avançados africanos e Liedson, esse, sozinho na frente, era incapaz de fazer o que fosse perante os gigantes defesas da Costa do Marfim. Neste jogo, salvou-se Coentrão (grande exibição), Eduardo (sempre atento) e o facto de Drogba, completamente isolado, já nos descontos, ter tentado um passe, quando tinha tudo para marcar um golo que, quase de certeza, iria ser fatal para a passagem portuguesa aos oitavos de final. No final, o nulo foi bem melhor que a exibição. 

A equipa lusitana encarou o segundo jogo com os norte-coreanos com algumas cautelas, pois os asiáticos haviam, na primeira partida, perdido apenas por um golo (1-2) com o Brasil. Na primeira parte os asiáticos ainda deram um ar da sua graça com bons processos ofensivos e alguns remates perigosos, mas Portugal chegou ao intervalo a vencer por uma bola a zero e percebia-se que bastaria a equipa das quinas acelarar na segunda parte para fazer mais golos. Na verdade, essa segunda metade, foi o melhor período de Portugal no campeonato do mundo. Com um futebol fluído, com bastantes passes ao primeiro toque e muita velocidade, Portugal foi trucidando o sector recuado norte-coreano. Coentrão e Ronaldo combinavam muito bem no flanco esquerdo, Tiago mostrava ser um autêntico maestro do meio campo e os golos iam se sucedendo. Simão, Tiago (2), Hugo Almeida, Cristiano Ronaldo e Liedson marcaram, assim, seis tentos nos segundos quarenta e cinco minutos e a partida terminou com uma vitória lusa por 7-0, provando que Portugal, quando quer, pode jogar um futebol ofensivo, imaginativo e do agrado do espectador. 

Como se esperava, o Brasil havia vencido a Costa do Marfim (3-1) e, assim, esse resultado aliado ao facto de termos despachado a Coreia do Norte por 7-0, deixava-nos praticamente apurados para a fase seguinte. Ainda assim, Queirós, talvez temendo que os asiáticos pudessem levar um correctivo da equipa africana ao nível do que haviam levado de Portugal, preferiu apresentar uma equipa cautelosa, com Ricardo Costa e Duda como laterais, Ronaldo como ponta de lança e Fábio Coentrão no meio campo. Acabou por ser um jogo bastante enfadonho, com poucas oportunidades de golo e com ambas as equipas contentes com o zero a zero, pois, com esse resultado, o Brasil assegurava o primeiro lugar e Portugal assegurava o apuramento para os oitavos de final. Ainda assim, destaque para a fraca exibição de Ricardo Costa e de Danny que pareciam estar a mais em campo, sendo que o defesa, muitas vezes, até parecia estorvar os companheiros do sector enquanto o jogador do Zenit, perto do fim, na única vez em que fez algo de útil, desperdiçou uma grande oportunidade de dar a vitória a Portugal e colocar-nos no primeiro lugar do agrupamento. Esse falhanço obrigava-nos, assim, a jogar com a Espanha nos oitavos de final. 

Oitavos de Final 

No jogo contra a Espanha, Queirós voltou a surpreender, insitindo na utilização de Ricardo Costa a lateral direito (menos mau que com o Brasil, mas muito fraquinho) e apostando em Hugo Almeida na frente de ataque (uma nulidade), quando se esperava o mais móvel: Liedson. 

Os primeiros quinze minutos de Portugal foram um pesadelo. A Espanha trocava a bola no meio campo lusitano de forma rápida e incisiva, conseguindo criar lances de perigo sucessivos para a baliza de um sempre atento e muitas vezes heroico Eduardo. Ainda assim, com o passar do tempo, Portugal foi equilibrando a partida, conseguindo, até, chegar algumas vezes à baliza de Casillas. 

Neste período, a “Roja” com Villa e Torres a descaírem muito nas alas, ia perdendo alguma objectividade e o jogo foi se arrastando até que Del Bosque, aos 58 minutos, decide tirar Fernando Torres e lançar, no seu lugar, o ponta de lança fixo: Llorente. Esta alteração desorientou totalmente Portugal, que além de não ter sabido reagir à mudança táctiva, viu Carlos Quirós tirar Hugo Almeida, que apesar de ter feito um mau jogo ainda prendia os defesas castelhanos e lançar Danny, deixando Portugal sem referência ofensiva. 

Tantos equívocos não podiam resultar em coisa boa e, pouco depois, David Villa fez o golo da Espanha. Ainda faltava cerca de meia hora, mas para a equipa das quinas o jogo podia ter terminado naquele instante. Queirós, no banco, era incapaz de fazer o que quer que fosse para alterar o rumo dos acontecimentos, apesar de ainda ter tentado emendar a mão, lançando Liedson e voltando a colocar a equipa lusa com uma referência atacante. No entanto, era tarde demais e a alteração foi incapaz de fazer efeito perante uma equipa que se arrastava em campo sem ideias colectivas e sem qualquer rasgo ou momento de inspiração individual. 

Assim sendo, foi sem surpresa que o jogo se arrastou até final, terminando com uma vitória da Espanha por uma bola a zero, num jogo em que ficou a ideia que se Portugal tivesse tido mais ambição podia ter tido outro resultado. 

Conclusão 

Para os apreciadores de estatísticas, temos que admitir que foi a melhor participação de Portugal fora do velho continente (passamos, enfim, a fase de grupos), que foi a vez que sofremos menos golos (apenas um) e que marcámos tantos golos como no Alemanha 2006 (sete, curiosamente todos contra a Coreia do Norte). 

Em termos globais, cumprimos com aquele que podia ser considerado o objectivo mínimo: os oitavos de final. Num grupo com o Brasil e Costa do Marfim, seria extremamente difícil ficar em primeiro lugar, ainda que, agora, analisando a frio, tenhamos a noção que com mais ambição e com um esquema mais arrojado teria sido possível vencer o agrupamento. Ainda assim, termos sido eliminados pela Espanha, nos oitavos de final, sabendo que “nuestros hermanos” acabaram por vencer o Mundial, nunca pode ser encarado como um fracasso absoluto. 

O pior, na verdade, foram as exibições e a atitude competitiva da selecção portuguesa. Tirando os segundos 45 minutos com a Coreia do Norte, Portugal pareceu sempre uma equipa abaixo das suas possibilidades. Mostramos muitos receios, pouca ambição, tivemos sempre mais preocupação em defender do que em assumir o jogo e isso, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre por ser fatal. Carlos Queirós terá, se continuar (como se espera) como seleccionador nacional, que rever algumas das suas ideias e perceber, de uma vez por todas, que jogadores como Ricardo Costa nunca podem ser titulares da nossa equipa, que Duda não acrescenta nada a Portugal, que Ronaldo não pode jogar sozinho na frente e que Hugo Almeida apenas pode ser titular em condições muito especiais. 

No entanto, nem tudo é mau no horizonte futuro. Bosingwa e Nani estão aí a regressar, Rúben Micael será uma opção e Quaresma, agora no Besiktas, também poderá voltar à selecção. Estes jogadores poderão permitir a Carlos Queirós uma mudança no seu paradigma táctico, utilizando um esquema mais ofensivo, mais criativo e, acima de tudo, mais de acordo com a génese daquele que é, na realidade, o futebol português. Veremos se tem a capacidade para o fazer, pois, na verdade, as qualificações para o Euro 2012 estão aí mesmo à porta…

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