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Posts Tagged ‘Jesualdo Ferreira’

Jesualdo é essencial para o momento actual do Sporting

Jesualdo é essencial para o momento actual do Sporting

Devo começar por dizer que não acho Jesualdo Ferreira um treinador fora de série. Não é. Trata-se de um treinador demasiado académico, ou seja, daqueles técnicos que dominam quase na perfeição os aspectos teóricos, mas que, depois, têm algum défice na leitura mais instintiva do jogo, acabando por ser demasiado reféns de dogmas.

Para além disso, o “Professor” (a alcunha que lhe é dada encaixa na perfeição pela razão supra-citada…) tem uma concepção de jogo algo conservadora, ou seja, terá sempre dificuldade para ser bem visto por adeptos que anseiam por futebol de ataque e constantes exibições convincentes.

Ora, um Sporting normal (já nem digo um Sporting forte…) sempre teve na sua génese uma certa necessidade de procurar um futebol bonito e atractivo e isso, muitas vezes, faz com que os adeptos deturpem os próprios números na sua mente e se lembrem, simplesmente, daquelas exibições mais míticas.

Querem exemplos? Nunca ouvi nenhum adepto suspirar por Fernando Santos, mas o actual seleccionador grego terminou a época de 2003/04 com 73 pontos e apenas a nove do super-FC Porto campeão europeu de José Mourinho. Nessa época e apesar de terminado a um ponto do Benfica, depois de uma fraca recta final temporada, foi a única equipa que ainda beliscou a superioridade azul-e-branca. Ainda assim, todos o esquecem. Porquê? Porque o futebol não era super-ofensivo, não era esmagador, não era “à Sporting”.

Um ano depois chegou José Peseiro. Tinha uma das melhores equipas do Sporting dos últimos tempos e duas vantagens sobre Fernando Santos: José Mourinho havia saído e o Benfica estava mais fraco que na temporada anterior. Dessa época muitos falam de um Sporting que teve o azar de perder tudo numa semana, que dava goleadas e exibições magistrais. Pois é, mas também se esquecem de muita coisa.

Peseiro não perdeu esse campeonato no Estádio da Luz e com o golo de Luisão. Perdeu por ser derrotado em casa com equipas como o Marítimo, Penafiel ou Nacional e empatar com o Sp. Braga (não confundir com o actual), V. Setúbal, União de Leiria e Académica. Fez uma grande carreira europeia? Fez. Mas sejamos sinceros, que equipas de top eliminou? O Newcastle United (14º da Premier League)? o Middlesbrough (7º)? o AZ (3º da Eredivisie a 23 pontos do PSV)? o Feyenoord (4º)? Já nem vou falar que perdeu a final, em casa, diante do CSKA Moscovo. Avancemos…

Esta atracção leonina por treinadores de futebol vistoso, mesmo que de fim inconsequente, parece tornar Jesualdo Ferreira desajustado ao Sporting actual, contudo, este Sporting não é um Sporting normal.

Esta equipa com 107 anos de história está a passar a maior crise de que há memória e, para o ano, ninguém pode esperar um futebol vistoso e ganhador. A próxima temporada é um ano zero, um ano de reestruturação desportiva e que vai implicar uma novo paradigma. Um paradigma a que, infelizmente, os adeptos verde-e-brancos vão ter de se habituar nas próximas épocas e que passa por o Sporting se consciencializar que não pode competir com o Benfica ou FC Porto. Custa? Claro que sim, mas há que encarar a realidade dura e como ela é.

Neste momento, o Sporting tem de passar por uma “braguização”, que não deve ser entendida por uma colocação ao nível do Sporting de Braga, pois as histórias e potencialidades de ambos os clubes nem se comparam, mas, ao invés, uma aposta mais forte nas estruturas e quando digo estruturas digo internas e externas.

Na minha opinião, o Sporting tem de se fortalecer por dentro e, para isso, tem de afastar todos os elementos supérfluos que por lá habitam e condicionam o crescimento do clube. Bruno de Carvalho parece estar a fazer essa “limpeza” e, aí, estou a cem por cento com o presidente do Sporting.

Depois, há que recuperar os poderes nas altas esferas do futebol português. Foi esse trabalho de base que Luís Filipe Vieira soube fazer, calmamente, ao longo dos anos e com os resultados que se vêem. Lembram-se onde estava o Benfica há doze anos? São coisas que levam tempo, mas têm de ser feitas, pois, caso contrário, o Sporting será sempre um “calimero” das arbitragens, não retirando quaisquer benefícios palpáveis desse constante “choro”.

É neste estado de coisas que entendo que Jesualdo Ferreira é o treinador ideal para o momento actual do leão. Na próxima temporada, o mais importante para o Sporting é diminuir o fosso para os dois actuais gigantes do futebol português e discutir o terceiro lugar com o Sp. Braga. (esqueçam o Paços de Ferreira, que esta época não se repete…)

Para isso, é preciso potenciar uma série de jovens talentosos (as gerações de 93 e 94 são das mais fortes da história do Sporting) e começar a construir uma equipa de futuro. Formar e evoluir têm de ser conceitos fundamentais.

Ora, isso são as principais qualidades de Jesualdo. Já repararam no que tem evoluído Ilori ou Bruma com o “Professor”? E mesmo Rinaudo e Viola? Existe muito trabalho de base e muita paciência do actual treinador do Sporting e, neste momento, é o que o leão precisa.

Por outro lado, perante o plantel ainda mais jovem que o Sporting terá em 2013/14 será necessária outra das grandes qualidades de Jesualdo Ferreira: a gestão psicológica. Será preciso gerir as euforias e as depressões de uma época que, garantidamente, terá das duas coisas e, nisso, o actual treinador verde-e-branco é especialista. De facto, basta verificar  a forma como ele pegou esta temporada numa equipa completamente destruída e com riscos sérios de cair à Liga de Honra e conseguiu fazê-la renascer das cinzas.

Para além disso, é preciso realismo. É preciso perceber que, muitas vezes, há que reconhecer a superioridade do adversário e ser-se mais pragmático e matreiro. Lembram-se do Sporting-FC Porto, que muitos dizem que foi o momento em que o Sporting quebrou finalmente com a época desastrosa? Nesse jogo, Jesualdo Ferreira aceitou a superioridade azul-e-branca e jogou retraído e organizado, arrancando um ponto (podia ter ganho com um van Wolfswinkel mais acertado) e um grande “boost” psicológico para a equipa.

Daqui a dois ou três anos, se tudo correr bem, o Sporting vai precisar de um treinador diferente de Jesualdo Ferreira. Contudo, neste momento, o Sporting precisa mais de um gestor e de um formador que de um treinador de top e, como tal, o meu voto vai para o “Professor”. Que continue o seu excelente trabalho nos leões.

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Mavrias é um talento do Panathinaikos

No Panathinaikos da Superliga da Grécia actua um dos mais promissores jogadores helénicos da actualidade, o médio-ofensivo de 18 anos: Charalampos Mavrias.

Nascido a 21 de Fevereiro de 1994 em Zakynthos, Grécia, Charalampos Mavrias encontra-se na Academia do Panathinaikos desde os 12 anos, tendo passado todas as etapas de formação até se estrear na equipa principal do mítico PAO em 2010/11, temporada onde efectuou 7 jogos.

Na temporada seguinte, Jesualdo Ferreira não se deixou intimidar pela tenra idade da pérola helénica e deu-lhe bastante tempo de utilização, tendo o grego efectuado 24 jogos e um golo.

Essas boas exibições fizeram de Mavrias um jogador essencial, somando o grego três golos em 14 jogos pelo Panathinaikos e tendo, inclusivamente, se estreado na selecção grega, diante da Lituânia a 11 de Setembro.

Veloz e tecnicista

“Charis” Mavrias é um internacional grego que pode actuar tanto a “dez” como a ala-direito, mostrando-se veloz, inteligente em termos tácticos, tecnicista e raçudo.

Com excelente visão de jogo, é conveniente que se privilegie a sua utilização como médio-ofensivo central, ao invés de encostado à ala-direita, ainda que o jovem de 18 anos também seja bastante efectivo encostado à linha.

Para além disso, trata-se de um jogador com um excelente pulmão e uma grande intensidade de jogo, lutando sempre até ao limite das suas forças pela bola.

Em suma, trata-se de um grande talento que interessa descobrir num jogo do Panathinaikos ou, quiçá, da selecção grega.

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Bruno Alves vai deixar saudades no FC Porto

Antes da verdadeira razão deste artigo, gostava de dar crédito a Pinto da Costa por mais um excelente negócio. A venda do central Bruno Alves por 22 milhões de euros é uma excelente manobra de gestão desportiva e que ganha maior impacto quando verificamos que o central portista caminha para os 29 anos e que, Miguel Veloso, uma promessa de apenas 24 anos, foi vendido pelo Sporting por menos de 10 milhões de euros. No entanto, se para o FC Porto este foi um grande negócio, custa-me a entender que o seja para o Bruno Alves. O central portista é um jogador maduro e, na verdade, estava na última oportunidade para dar o salto, mas será que ir para o Zenit pode ser considerado uma boa gestão pessoal da carreira?

Bruno Alves foi um jogador que soube esperar e que, acima de tudo, nunca deixou de trabalhar para alcançar uma posição de destaque no futebol português e internacional. Apesar de ter chegado à equipa principal do FC Porto em 2001, precisou de três empréstimos sucessivos a equipas como o Farense, V. Guimarães e AEK Atenas e, ainda, de uma época quase sem jogar nos dragões (2005/06) quando com Co Adriaanse ao leme, apenas fez sete jogos.

Contudo, na época seguinte, a chegada de Jesualdo Ferreira foi fundamental para Bruno Alves que passou a fazer dupla com Pepe e a destacar-se no centro da defesa portista. Apesar de muitas vezes apelidado de jogador demasiado duro, o central foi conquistando o respeito de colegas, adeptos e da própria imprensa em geral.

Com o passar dos anos, Bruno Alves foi refreando as suas emoções, tornando-se um defesa menos duro, sem, ainda assim, perder a sua eficácia. A sua fama foi galgando fronteiras e, após o excelente campeonato do mundo que fez na África do Sul, o interesse de grandes tubarões da Europa no seu concurso foi sendo publicitada.

Percebia-se, claramente, que o FC Porto não o conseguiria segurar e todos esperavam a transferência do internacional português para uma das principais ligas europeias, todavia, quem acabou por assegurar a contratação do defesa-central acabou por ser o Zenit do campeonato russo.

Sem colocar em causa o valor do clube de São Petersburgo que já ganhou uma prova europeia e vem de um campeonato em claro crescimento, penso que é uma mudança arriscada para o atleta português. Lembrem-se que, no passado, vários jogadores portugueses foram para o campeonato russo (Costinha, Maniche, Jorge Ribeiro, Custódio, etc…), sendo que o resultado foi quase sempre o insucesso e a inadaptação com a justa excepção de Danny, curiosamente futuro companheiro de Bruno Alves no Zenit.

Depois, mesmo que a adaptação seja um sucesso, a Liga russa é um campeonato distante e que tem pouca visibilidade para os grandes clubes europeus. Assim sendo, quando sabemos que o Bruno Alves está quase com 29 anos, a possibilidade de, um dia, cumprir o sonho de jogar num grande clube europeu, num Barça, Manchester United, Inter ou Real Madrid passa a ser quase uma utopia.

Acredito que, financeiramente, este contracto possa ser tão bom para o Bruno Alves como foi para o FC Porto, mas pergunto-me se, para a carreira desportiva do ex-jogador dos dragões, esta transferência possa ser tida como uma boa mudança ou se, ao invés, o defesa-central acabará por chorar o facto de, um dia, ter cedido à força dos rublos…

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Esta época o Porto sentiu a falta de Lucho

Sim, é verdade! A época acabou e não foi o FC Porto que festejou. É estranho, não é? Os adeptos portistas foram habituados a ganhar e quando isso não acontece fica uma sensação de vazio. Esta época, infelizmente, os nossos adversários foram mais fortes e a nossa equipa acordou demasiado tarde.

Jesualdo Ferreira disse sempre que no fim faziam-se as contas. E, fazendo as contas, o FC Porto terminou na 3º posição, com 68 pontos, a oito do campeão e a três do vice-líder. Apesar de a boa recta final, os dragões não conseguiram garantir um lugar de acesso à Liga dos Campeões, o que será um rombo no orçamento.

Mas, afinal, o que correu mal? Comecemos pelo princípio!

O FC Porto partiu para esta temporada sem os dois melhores jogadores das últimas quatro temporadas: Lisandro e Lucho. O primeiro foi facilmente “esquecido” pelo adeptos, como mostram os 25 golos marcados por Falcao, embora sem “Licha” a equipa mudasse a sua forma de jogar. Lisandro López é um avançado mais móvel, que joga facilmente na ala e que vinha regularmente buscar a bola atrás, enquanto o colombiano é um atacante mais fixo.

Se na zona mais avançada a equipa não teve problemas, o mesmo não se pode dizer da linha intermédia. Durante quatro temporadas, o onze jogava ao ritmo de “El Comandante” e foi muito difícil colmatar a ausência do médio argentino. Em minha opinião, Rúben Micael veio tarde e Guarin impôs-se só perto do fim. Em relação a Belluschi, penso que é jogador que terá mais liberdade se jogar mais perto dos avançados.

Em segundo lugar, três jogadores preponderantes na época anterior estiveram em claro sub-rendimento: Bruno Alves, Raul Meireles e Cristian Rodriguez. O central, a quem se esperava que transmitisse a mística portista, passou a temporada amuado por não ter saído e teve atitudes pouco dignas de um capitão. Já os restantes tiveram uma série de lesões, o que prejudicou o seu rendimento.

Toquei num ponto sensível: as lesões. Por vezes, o sucesso de uma equipa depende da inteira disponibilidade dos jogadores mais preponderantes. E, nisso, Jesualdo Ferreira teve azar. Para além dos já referidos Meireles e Rodriguez, houve ainda as lesões de Varela, Rúben Micael, Fernando, Fucile e Farias. O centro de estágio do Olival mais parecia um hospital e a segunda linha foi incapaz de colmatar as ausências da primeira. E a juntar a isto, a suspensão de Hulk.

Devo ser o único adepto portista a considerar que a suspensão do avançado brasileiro foi justa e que a redução de 4 meses para 3 jogos foi uma palhaçada. Mas, a verdade, é que Hulk fez falta e com o seu regresso a equipa recuperou a alegria do jogar futebol.

Porém, acho que as lesões tiveram um aspecto positivo. Foi encontrada uma táctica alternativa, algo que estava a faltar, que favorece as características de Guarin, Rúben Micael, Bellushi e, até, do próprio Hulk.

Apesar de o gabinete de prospecção ter enfiado alguns barretes, como Prediguer e Valeri, também houve jogadores que mostraram que têm categoria para jogar no FC Porto. Falcao foi, sem dúvida, o melhor jogador portista esta época – para mim o terceiro melhor jogador da Liga, a seguir a Javi Garcia e Alan -; Alvaro Pereira faz lembrar Bosingwa, só que no lado oposto; Varela calou aqueles que punham em causa o seu valor; e Miguel Lopes demonstrou que seria titular indiscutível no lado direito da defesa, se não fosse a lesão que o afectou no início da época.

Agora, só nos resta conquistar a Taça de Portugal no próximo domingo. O adversário é teoricamente mais fraco, mas é certo que os jogadores do Chaves farão o jogo das suas vidas. Todos os cuidados são poucos, para o FC Porto salvar “a honra do convento”. Mesmo que se efective a conquista da Taça, a época continua a saber a pouco.

Por último, venho falar sobre o próximo treinador do FC Porto. Em minha opinião, penso que Jesualdo devia suceder a Jesualdo. O professor tem mais um ano e o FC Porto arrisca-se a pagar uma rescisão dispendiosa, em tempos de crise e sem os milhões da Champions. Por outro lado, o único treinador português com carisma para treinar os dragões, Domingos Paciência, deverá continuar em Braga, com o objectivo de levar o principal clube local à Liga dos Campeões. Nos últimos jogos, a equipa estava a demonstrar boa dinâmica em todos os sectores e isso poderá ser afectada com a mudança de treinador. É preciso não esquecer que Jesualdo Ferreira tem um bem sucedido passado de azul-e-branco e não é por não ser campeão, numa época em que nem sempre contou com os elementos preponderantes do plantel, que deixa de ser um treinador com qualidade.

Também penso que para a próxima época, Pinto da Costa deverá procurar um médio-defensivo e um lateral-esquerdo, em caso de lesões de Fernando e Alvaro Pereira. Há ainda dois jogadores, Ukra e Castro, que gostaria de ver no plantel principal no próximo ano.

P.S. Aproveito para dar os parabéns aos justos campeões nacionais. O FC Porto não foi pentacampeão, porque encontrou um super-Benfica. O segundo lugar também não foi possível, pois o Braga, que também está de parabéns, demonstrou estar ao nível dos principais clubes portugueses. 

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Paulo Sérgio o futuro treinador do Sporting

Após o anúncio da saída de Carlos Carvalhal todos se questionaram quem seria o treinador do Sporting para a próxima temporada. Muito se falou, mas, mais uma vez, todos nós “rematámos ao lado”.

Nomes como Paul Le Guen, Manuel José ou Villas Boas eram falados e todos obedeciam a um critério válido e óbvio. Le Guen, entre outros (não portugueses), seria visto como o estrangeiro de qualidades inquestionáveis, que traria prestígio, métodos de trabalho e uma nova maneira de estar ao clube. Manuel José seria visto como um treinador com grande experiência, conhecedor do futebol português e que após experiências ganhadoras fora de Portugal tinha as condições para treinar e ter sucesso num grande clube português. O caso de Vilas Boas era visto como um treinador jovem e com experiência de trabalho em grandes clubes europeus ao lado de José Mourinho, o que lhe atenuava a pouca experiência “a solo”.

Diferentes critérios que se podiam aceitar para uma escolha que se pedia arrojada. No entanto, o resultado nada teve de arrojado e podemos mesmo dizer que “a montanha pariu um rato”. Pedia-se mais e uma aposta mais arrojada, que fosse capaz de mobilizar os sportinguistas.

Não tenho nada contra Paulo Sérgio, mas apesar de lhe reconhecer valor ao nível técnico-táctico, tenho grandes dúvidas se não será cedo para treinar um clube grande e arrisco-me a dizer que era preferível ficarmos com Carlos Carvalhal – que tem feito um bom trabalho, dentro do possível. Não será cedo para Paulo Sérgio dar o salto? Não tendo largos anos de experiência como treinador, nem qualquer experiência em clubes de topo, arrisco-me a dizer que, apesar das qualidades e potencial, pode não estar preparado para treinar um clube grande.

Nos últimos 20 anos, poucos foram os treinadores campeões em Portugal em situações de falta de experiência (anos de carreira ou experiências ao mais alto nível). Apenas me recordo de Fernando Santos, que treinou o FC Porto numa série de vitórias e sob o “efeito Jardel”, e claro de Bölöni, com uma equipa onde, também, figurava o “Super Mário”. Todos os outros tinham anos de carreira (Trapattoni, Robson, Jaime Pacheco, Jesualdo Ferreira) ou vivência de clubes grandes como jogador/treinador/adjunto (Inácio, Co Adriaanse ou António Oliveira). Se acreditarmos no que o historial do nosso campeonato nos diz, Le Guen, Manuel José e Vilas Boas teriam mais chances de ser campeões do que o treinador escolhido.

Da minha parte, o treinador Paulo Sérgio terá todo o apoio e benefício da dúvida. Mas não posso apoiar uma escolha em que os critérios são pouco claros e o historial de treinadores campeões não corre nada a seu favor. Estará Paulo Sérgio preparado e terá as condições para levar o Sporting ao título de campeão? O tempo o dirá.

PS: uma nota para a participação do Sporting no torneio quadrangular nos Estados Unidos. Dá prestígio participar neste tipo de torneios, mas existe um pormenor de que todos se esqueceram: datas. Como é possível se planear uma época desportiva sem olhar ao calendário? O Sporting joga a 3º pré-eliminatória da Liga Europa a 29 de Julho, enquanto o torneio acaba a 25 do mesmo mês. Quatro dias de diferença, contando que existe uma viagem de oito horas e um jetlag de cinco horas, acrescentando a hipótese de o Sporting jogar fora a primeira mão. Ou o Sporting cancela o torneio, ou tenho grandes dúvidas em relação à condição da equipa para esse jogo.

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O FC Porto venceu em Vila do Conde, mas esteve longe de ser brilhante. Na minha óptica, a vitória foi justa, pois triunfou a equipa que mais procurou o golo. Mais uma vez, Jesualdo Ferreira precisou de recorrer ao salvador do costume, que tinha estado ausente da equipa durante alguns meses por lesão. Quem sabe esse factor não nos custou alguns pontos … 

Penso que é indiscutível a importância que Farias tem na equipa portista. No Dragão, “El Tecla” nunca foi titular, mas tem-se revelado um suplente de luxo. O avançado é um jogador de área, embora contra o Rio Ave tenha demonstrado uma mobilidade acima do que lhe é habitual. 

Na altura em que se falou da troca com o brasileiro Kléber, achei que se tratava de decisão precipitada da SAD azul e branca – seria mais uma esta época. O argentino pode não ser sempre titular, mas é o útil para resolver jogos complicados. Por outro lado, o avançado brasileiro teria de passar por um período de adaptação e poderia não se adaptar à equipa. 

Neste encontro, além de Farias, destaco apenas Hélton que efectuou algumas defesas de bom nível, permitindo segurar os três pontos. Hulk e Rúben Micael, que tinham estado bem nas últimas partidas, estiveram apagados, enquanto Tomás Costa foi uma nulidade. 

Os dragões continuam ainda na luta pelo segundo lugar. Agora só resta vencer os jogos que faltam e no final fazer as contas. Na próxima quarta-feira, o FC Porto joga contra a mesma equipa, mas, desta vez, a contar para a Taça de Portugal. O resultado da primeira mão permite pensar que a final do Jamor está quase garantida, contudo a equipa portista não deve dormir à sombra de bananeira.

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O adepto de futebol pode ter alturas em que está decepcionado com a sua equipa, mas, lá no fundo, acredita sempre na vitória, por mais inesperadas que sejam as probabilidades. Eu sou assim: eu estou muito aborrecido com a época do FC Porto, mas, apesar das recentes exibições desastrosas, acreditei que o meu clube iria conquistar a Taça da Liga e o regresso de Fernando aos treinos deixou-me mais esperançado.

Comecei a perder as esperanças, quando soube que Varela não seria opção para o resto da época. E fiquei com vontade de desligar a televisão no momento do frango de Nuno. Mesmo assim, continuei a acreditar, porque o Porto costuma vender caras as derrotas. Não foi isso, porém, o que aconteceu. Aliás, salvo raras excepções, este dragão anda muito manso e é facilmente derrotado.

Contra o Benfica, o FC Porto voltou a andar perdido dentro de campo e as atitudes irracionais de Raul Meireles e Bruno Alves ao longo da partida são inexplicáveis. Com as saídas de Lucho e Pedro Emanuel, os adeptos contavam com este dois elementos para a continuação da famosa mística e serem vozes fortes no balneário. A verdade é que têm estado em claro sub-rendimento e têm tido atitudes pouco dignas de capitães. Aliás, até fiquei admirado pelo facto de estes dois internacionais terem acabado o jogo.

Do actual plantel, muito poucos são os elementos que merecem vestir a camisola azul e branca. Não há mística, nem empenho. E isso, frente a um rival, é imperdoável. O resultado de 3-0 acaba por ser lisongeiro, pois este super Benfica poderia ter marcado muito mais.

Também reconheço que as ausências de jogadores importantes têm sido nuclear para os recentes maus resultados. Esta época, Jesualdo Ferreira já se viu privado, por largos momentos, de Fucile, Fernando, Raul Meireles, Varela, Rodríguez, Mariano, Hulk e Farias. Deste todos, talvez o mal amado Mariano seja o jogador menos espectacular, mas já provou, por diversas alturas, que é um jogador útil. E neste momento o FC Porto só tem disponível um extremo: Cristian Rodríguez. Claro que isto não é desculpa para os maus resultados, antes pelo contrário, pois as segundas opções deveriam ter melhor qualidade, principalmente a meio-campo. A recente má fase dos dragões está directamente relacionada com a ausência de Fernando, um jogador sem rival no plantel.

Contudo, no caso dos extremos e ponta-de-lanças, não havia muito mais a fazer. O gabinete de prospecção do FC Porto preveniu-se para estas situações de lesões ou castigos nestas posições, mas houve demasiado azar ao mesmo tempo. Também penso que devia ter sido contratado mais um extremo, em Janeiro, para prevenir o longo castigo de Hulk, que já era esperado. Talvez seja altura de apostar em jovens, como Alex e Caetano, embora o primeiro também esteja a contas com uma lesão.

Penso que a chave para a decisão da Taça da Liga esteve mesmo nas aquisições de Inverno e nas segundas opções. Rúben Micael teve um começo promissor no Porto, mas tem vindo a realizar exibições deprimentes. Enquanto os novos elementos do Benfica, Airton, Éder Luís e Alan Kardec, a demonstram ser opções viáveis. Também Carlos Martins e Rúben Amorim provaram ser excelentes alternativas aos habituais titulares.

Por último, queria lamentar os incidentes ocorridos antes do encontro, provocados por adeptos afectos ao FC Porto. Adeptos desses não são dignos da grandeza de um clube como o nosso e nem da arte que é o futebol.

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