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Posts Tagged ‘José Eduardo Bettencourt’

Moutinho já não tinha alegria a jogar pelo Sporting

A saída de João Moutinho para o FC Porto por 11 milhões de euros (mais Nuno André Coelho) pode ter surpreendido muita gente e, até, ter deixado em cólera alguns adeptos leoninos, mas, na verdade, é algo que tem de ser encarado como uma medida legítima da SAD leonina. Desde há uns anos para cá, Moutinho limitava-se a arrastar a si e ao futebol leonino para um deserto de ideias, criatividade e fluidez futebolística, o que prejudicava o jogador João Moutinho e o clube Sporting Clube de Portugal. O declínio do seu futebol foi tão notório que o capitão do Sporting acabou preterido das escolhas de Carlos Queirós para o Mundial 2010.

Muito se falou, ainda em tempos de Paulo Bento, de bufos de balneário e de jogadores que punham em causa a saúde do plantel. Estranhava-se que muitos acontecimentos de foro interno surgissem tão rápido na imprensa e com tantos detalhes que só podiam ter origem em elementos do próprio plantel. Na altura, os nomes de Anderson Polga ou Liedson foram dados como hipóteses, mas, de forma mais tímida, já se sussurrava a possibilidade das fugas de informação virem de João Moutinho.

Ao mesmo tempo, o capitão leonino era cada vez mais uma sombra do jogador que encantou nos tempos de José Peseiro e nas primeiras épocas de Paulo Bento. João Moutinho errava em campo, triste, abatido, quase dando a ideia que apenas ali estava por obrigação. Alguns adeptos começavam a questionar a sua titularidade, até porque, jogadores queridos do plantel como Vukcevic ou Matias Fernandez não eram opção, situação que se tornava incompreensível perante tão pobres exibições de Moutinho.

Assim sendo, tem de ser entendida como legítima a atitude da SAD do Sporting. O jogador podia ter sido vendido a outro clube que não o FC Porto? Bem, supostamente nenhum clube europeu fez uma proposta tão vantajosa e, assim, o Sporting Clube de Portugal limitou-se a vendê-lo ao melhor preço. Se aos 11 milhões de euros, juntarmos 30% de uma futura venda, 50% do passe de Nuno André Coelho e o perdoar da restante dívida de Hélder Postiga, não me parece que tenha sido um mau negócio.

Para além de tudo isto, a possibilidade de Moutinho ser o tal bufo ou, como disse José Eduardo Bettencourt, a tal “maçã podre” que minava o balneário leonino, a sua saída pode ser revelar bem mais valiosa do que o simples valor da transferência e tornar-se um ponto de partida para uma nova era no Sporting Clube de Portugal, uma era com um balneário unido, limpo e blindado ao exterior. Afinal, esse é sempre um ponto de partida para as grandes conquistas, ou estamos enganados?

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Na preparação da próxima temporada muito se fala sobre possíveis reforços do Sporting Clube de Portugal. Mas, se as limitações do Sporting se limitassem a bons jogadores, seriam muito fáceis de resolver. Na preparação da próxima época temos visto à reformulação de alguns departamentos, o que, num sentido pragmático, me leva a crer que está a ser feito algum trabalho neste campo e dar o benefício da dúvida. No entanto, algo me preocupa: a possível incapacidade de gerar expectativas pode condicionar toda uma época.

Alguns dirão que as expectativas se ganham com bons jogos e vitórias. Não deixando de ser um contributo fundamental, a evidência é que o Sporting sai de uma época em que as vitórias foram escassas e precisa de uma “injecção de moral” – que só é possível com um discurso ambicioso, seguido de medidas ao mesmo nível.

Mas que expectativas têm os adeptos do Sporting para a próxima época? Na primeira medida mediática, o anúncio do novo treinador, JEB tem “uma pedra difícil de descalçar”.  Depois do desastre que foi esta época do Sporting, um treinador que perde a qualificação do Guimarães para a Europa, na última jornada, a jogar em casa, gera alguma expectativa ou é capaz de mobilizar os adeptos leoninos? Paulo Sérgio entra em Alvalade como um perdedor e, na situação actual, pode ter efeito danosos ao não criar expectativas nos adeptos. E retira algum “capital de confiança” que é depositado no treinador – aos primeiro desaires as suas capacidades serão postas em causa. Um treinador que se apresenta nestas condições terá margem de manobra muito reduzida e poucas expectativas cria nos adeptos.

E essa falta de expectativa, em que se traduzirá? Provavelmente numa incapacidade de mobilizar a massa associativa, que afectará as vendas de Gamebox e de merchandizing. Financeiramente, como isso se vai traduzir? Provavelmente em menos receitas. E menos receitas afecta a capacidade de trazer melhores jogadores. E entramos num ciclo vicioso: menos futebol espectáculo, menos adeptos no estádio, ainda menos receitas, ainda menos jogadores, ainda menos expectativas, etc. 

O sucesso (sucesso = ser campeão) do Sporting na próxima temporada dependerá, em muito, da capacidade de JEB em criar condições para que os adeptos se mobilizem. Para já as expectativas são baixas, conseguirá inverter a situação?

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O momento do golo de Morais

Na passada Terça-Feira (27 de Abril, 2010) chegou ao fim o percurso de um dos heróis do futebol português e em especial do Sporting Clube de Portugal.

João Pedro Morais, mais conhecido por Morais, ficará para sempre no coração dos sportinguistas e da história desportiva nacional, por ter apontado o célebre “cantinho de Morais” que deu a vitória ao Sporting na finalíssima da Taça das Taças 63-64. No entanto, também teve a sua parte de relevância na campanha da selecção portuguesa no mundial de 1966, ao lesionar Pelé – considerado por muitos o melhor jogador de sempre, com uma entrada dura que impediu o brasileiro de continuar em campo e enfraqueceu a equipa canarinha.

Quando tanto se fala da má época do Sporting e das “Jebardices” do nosso presidente, este momento serve para relembrar que o Sporting não é um clube qualquer, tem um passado de glória construído pelos seus heróis.

Um herói é aquele que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica (in Wikipédia).

Quando a nossa jornada chega ao fim, uns são recordados como Heróis pelos seus feitos em prol do clube – Morais e Damas são dois grandes exemplos do nosso clube.

E agora, mais do que nunca, o Sporting precisa de heróis para se levantar e superar as dificuldades. Não precisa de passeios ao Canadá (espero que não sejam pagos com o dinheiro do Sporting), festas de camisa aberta ou entrevistas a menosprezar o momento que o clube vive. Pede-se atitude, garra, devoção, objectividade, concentração e coerência. E acima de tudo exige-se ambição no discurso e nas acções.

Na esperança de novos heróis, recordo os que já são eternos.

Fica o famoso vídeo do feito heróico – o cantinho de morais.

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A decisão de não renovar o contrato com Carlos Carvalhal não deixou ninguém surpreendido, mas o timming do comunicado à CMVM não deixa de ser inoportuno por o Sporting ainda ter uma “mão cheia” de jogos pela frente no objectivo (colocado pelo presidente José Eduardo Bettencourt) de assegurar o quarto lugar no campeonato.

Carvalhal não é o melhor treinador do mundo, nem se esperava que o fosse. Mas também  não é o pior. E pessoalmente, penso que Carvalhal fez o trabalho possível perante as condições que teve para trabalhar: um plantel curto e desequilibrado, chegou a meio da época e herdou um grupo de trabalho “destruído” por um início de época desastroso, teve de lidar com casos graves como o de Sá Pinto e o de Izmailov, pouco tempo para implementar rotinas de jogo numa equipa que tinha quatro anos de um esquema de jogo totalmente diferente, contínuas lesões, falta de protecção interna e externa, etc. O cenário parece-me realmente duro para qualquer treinador e só um nome inquestionável poderia sair imaculado desta situação. Ainda assim, Carvalhal mostrou um profissionalismo exemplar e uma capacidade de aguentar e ultrapassar momentos e situações que, provavelmente, outro treinador não teria a resistência psicológica para o fazer.

Não quero defender a continuidade de Carvalhal nem aplaudir a sua saída. Quero deixar claro a minha admiração por um treinador que merecia mais respeito por parte do Sporting.

Um treinador que não é apresentado em conferência de imprensa, que vê o seu presidente “chorar” pelo seu antecessor, que é enxovalhado na imprensa sem que o Sporting saia em sua defesa, que tem um contracto de 6 meses sem que lhe seja claro as possibilidades da sua continuidade e que vê ser comunicada a sua não continuidade através de um comunicado (o mais correcto seria o próprio Carvalhal fazer esse comunicado numa conferência de imprensa, de preferência no final do último jogo do campeonato) é um treinador que não foi tratado com o respeito que merecia. E isso deixa-me triste e preocupado.

Uma instituição como o Sporting Clube de Portugal deve sempre tratar com dignidade e respeito os seus colaboradores. Por uma questão de bom nome e de ética profissional. Acho totalmente descabido que um treinador que tenha um discurso e uma postura profissional e exemplar no desempenho das suas funções seja tratado da forma como Carlos Carvalhal tem sido pela estrutura directiva do Sporting. Não está em causa as suas capacidades de treinador (que os responsáveis têm o direito e o dever de ajuizar sobre as mesmas), mas sim o respeito e a conduta que uma organização deve ter sobre quem sempre fez o seu melhor em prol do Sporting.

Existe um património humano em todas as organizações que tem valor, e se queremos ser respeitados temos de respeitar. Preocupa-me que o Sporting Clube de Portugal não tenha procedido da melhor maneira para com um profissional do clube e o tenha instrumentalizado desta forma. A grandeza de um clube vê-se dentro e fora de campo. Este tipo de conduta não contribui em nada na valorização e dignificação do meu clube.

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A época do Sporting acabou, mas nem por isso o clube deixa de ser notícia. Infelizmente pelas piores razões. O caso que envolve Izmailov, Costinha e o departamento médico é o espelho de que o Sporting é como um vulcão, que mesmo estando estável pode entrar em erupção em qualquer momento.

Tudo parecia estar bem em Alvalade, as exibições eram convincentes, a esperança numa final de época estável e capaz de salvar a honra do clube parecia ser uma realidade inabalável graças ao bom trabalho que Carlos Carvalhal vinha a fazer. No entanto, o caso referido vem, de novo, expor a fragilidade da estrutura do Sporting ao nível das relações internas e externas.

As fugas de informação e a má gestão da comunicação do clube – no timming, na forma e no conteúdo, são um dos grandes problemas que o Sporting tem de resolver para a próxima temporada. Esta época fica marcada, não só pelo mau desempenho desportivo, mas pelo discurso incoerente, e por vezes descabido, do presidente José Eduardo Bettencourt, pelo uso de linguagem pouco cuidada dos responsáveis leoninos, pela incapacidade de transmitir qual o projecto e o rumo delineado para o clube. Resumindo, o Sporting sofre de um problema crónico ao nível da comunicação.

Este problema, se não for resolvido rapidamente, pode colocar em causa o projecto e estrutura do clube. É necessário alguém com a capacidade e formação para gerir estes assuntos. A contratação prioritária para o Sporting 2010/2011 é um director de comunicação. 

PS: Uma palavra para Costinha que parece determinado em impor uma nova cultura do clube. No entanto, todas as fases de transição são susceptíveis de turbulência e se “o Ministro” não se fizer rodear de alguém que seja capaz de alinhar essa nova realidade com a percepção existente pode estar a colocar em causa a sua imagem e o sucesso da sua passagem por Alvalade.

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Como adepto e sócio do Sporting Clube de Portugal, sempre me fez muita confusão que um clube que tenha a sua actividade principal na prática desportiva, tivesse da parte dos seus responsáveis um discurso digno de uma banca de investimento ou qualquer outra entidade bancária. Quando um clube passa o tempo a falar em investimentos, acções, activos e passivos em vez de desporto, algo está errado. 

O adepto Sportinguista, desde o projecto Roquete, ouve com atenção, como um paciente que ouve o médico fazer-lhe o diagnóstico, os especialistas em gestão que se apresentam como os únicos que podem gerir salvar o Sporting no mundo do futebol moderno e financeiro. Afinal de contas, eles são os especialistas na matéria e “nós” não percebemos nada destas andanças. 

O medo de um novo Jorge Gonçalves ainda está presente na memória leonina e os estragos da gestão de Vale e Azevedo nos nossos rivais é uma realidade inquestionável. Sempre que o leigo adepto, que não percebe nada do mundo financeiro, vê os iluminados gestores de Alvalade invocarem o “papão que vai destruir o Sporting” a emoção sobrepõem-se à razão. Ao bom estilo americano de G.W.Bush com a luta ao terrorismo (engraçado que até o termo terrorismo já foi usado para os lados de Alvalade), invoca-se um inimigo comum do qual o Sporting tem de se unir e proteger. 

Esta estratégia do “inimigo comum” não é nova e tem sido usada em campanhas políticas desde sempre, é bastante funcional e normalmente usa o medo para convencer o público.  Veja-se este anúncio da campanha de Reagan para a presidência dos Estado Unidos da América, em 1980.

Mas deixemos a questão o inimigo comum de parte. Uma pergunta surge com normalidade: a gestão que tem sido feita por os grandes gestores do nosso clube deve ser exemplar, certo? 

Uma vista de olhos sobre os relatórios e contas do Sporting revela exactamente o contrário. O gráfico seguinte demonstra os resultados financeiros do Sporting desde a linha de gestão que tem sido seguida de à 12 anos para cá (excepção à temporada de 2004/2005 que a venda da R&C provocou um lucro de 65M, mas que não incluí no gráfico por ter criado uma situação anormal e artificial para as contas do clube – o que  me interessa é analisar a actividade corrente sem a perca de património).

 

Analisemos rapidamente o gráfico e numa linguagem perfeitamente perceptível para qualquer leigo nesta matéria. Os resultados operacionais têm sido quase sempre negativos e os resultados líquidos acompanham os resultados operacionais. Com isto percebe-se que o problema do Sporting não é da existência de passivo, mas de uma actividade operacional deficitária que provoca o aumento da dívida.Destaque para dois períodos do gráfico: a) de 2003/2004 a 2005/2006 o esforço da gestão de Dias da Cunha em diminuir os custos salariais; a, b) 2006/2007 o lucro relativo à venda de Nani (25M) fez com que os resultados fossem positivos.

 Estes dados são factuais, contam do relatório & contas do Sporting Clube de Portugal (facilmente consultados no site da CMVM) e parece-me inegável que em 10 anos sob a alçada da gestão de especialistas o Sporting acumulou um prejuízo de 100 Milhões de Euros.  

Não sei em que escola tiraram o curso, mas parece-me que se ainda lá andassem, com resultados destes, Bettencourt, Soares Franco, Dias da Cunha e Roquette certamente estariam chumbados.

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Antes de mais, devo dizer que nunca entendi que Paulo Pereira Cristóvão fosse uma boa opção para o Sporting. Pareceu-me demasiado demagogo e com um discurso que, muitas vezes, me recordou de João Vale e Azevedo. No entanto, tenho que admitir que JEB está, provavelmente, a seguir um caminho quase parecido ao do dono do “Lucky Me”
Desde o Paulo Bento “Forever”, que Bettencourt, de quando em vez, lança a sua parvoíce semanal, todavia, a última semana trouxe, em apenas uma entrevista, três tiradas que, para mim, são assustadoras.

1-“O quarto lugar é o nosso objectivo!” Enganas-te JEB, o objectivo é ganhar todos os jogos até ao final da época e seguir o campeonato com o máximo de dignidade possível. O Sporting nunca pode traçar o quarto lugar como objectivo. Quanto muito, dizias que o Sporting tem a obrigação de não ficar abaixo do quarto lugar. Objectivos desses são para o Nacional e o Vitória de Guimarães.

2- “Gostava que Paulo Bento estivesse no Sporting para sermos os dois a dar o corpo às balas!” Esta é ainda mais assustadora. Depois de Paulo Bento ter saído e ter vindo Carvalhal, JEB exalta o antigo treinador com um mórbido saudosismo. Será que se arrependeu de ter ido buscar Carlos Carvalhal? Será que já não se preocupa com o bem estar do plantel e do actual treinador. Será que já fez reset nesta época e já nada o preocupa? Qualquer das hipóteses é aberrante.

3-“Gostava que o Sp. Braga fosse campeão e não necessito dizer porquê!” Tens razão, não necessitas de dizer porquê. Queres que o Braga seja campeão porque pensas pequenino e porque estás mais preocupado que o Benfica seja campeão do que em tornares o teu clube vencedor…

Depois disto, não há aí ninguém que queira ser Presidente do Sporting? Para além do Paulo Pereira Cristovão claro.

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