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José Mourinho joga o presente e futuro na "Champions"

Mourinho joga o presente e futuro na “Champions”

O Sorteio dos oitavos de final da Liga dos Campeões colocou o Real Madrid no caminho do Manchester United naquele que, provavelmente, é o duelo mais interessante da prova, pois o outro grande desafio (BarcelonaxMilan), acaba por ser apenas um confronto entre dois nomes do passado, pois, actualmente, o Barça é uma equipa infinitamente superior aos “rossoneri”.

No entanto, mais que um grande jogo entre o actual líder da Premier League e o campeão em título da Liga Espanhola, defrontam-se dois antigos rivais da Liga Inglesa, José Mourinho e Alex Ferguson, além de que, mais do que tudo isso, este é um confronto entre o actual e o que muitos dizem futuro treinador do Manchester United.

De facto, existe uma crescente e forte corrente de opinião, entre jornalistas, futebolistas e treinadores do Reino Unido, que defende que José Mourinho é o homem ideal para abraçar o lugar de Alex Ferguson em 2013/14 (ou 2014/15) quando Sir Alex se retirar da sua extensa e gloriosa carreira.

Curiosamente, este duelo surge numa altura em que o Real Madrid já perdeu o campeonato (13 pontos não são recuperáveis no contexto actual da Liga Espanhola) e em que a posição de José Mourinho está cada vez mais fragilizada. De facto, e porque a Taça do Rei conta pouco para a exigente família merengue, só a Liga dos Campeões pode salvar a pele do treinador português.

Na verdade, a ironia começa aqui. José Mourinho dificilmente resistirá a uma eliminação nos oitavos de final da “Champions”, pois sem campeonato espanhol para ganhar e com o fim do percurso europeu, o “Special One” torna-se um treinador demasiado caro para as ambições reduzidas até ao final da temporada 2012/13. Além disso, será o segundo ano consecutivo sem conseguir o tão ambicionado sucesso europeu e isso, valha a verdade, deverá ser fatal para Mourinho.

Assim sendo, o treinador português pode acabar por cair na “Champions” e no Real Madrid com a equipa que muitos avançam que pode ser a sua futura equipa, criando um paradoxo que pode fomentar uma mudança de paradigma. De facto, uma coisa são os “red devils” avançarem para um treinador de sucesso presente e que se assuma como alternativa equiparada a Sir Alex, outra, ao invés, é avançarem para um treinador despedido e que, curiosamente, até caiu com o Manchester United.

Obviamente que tudo isto são suposições e o Real Madrid tem todas as condições para superar o conjunto inglês e, inclusivamente, avançar até à conquista da Liga dos Campeões, todavia, esta partida com o Manchester United acaba por ser muito mais que uma eliminatória da “Champions”, tendo o condão de jogar com o presente e futuro do melhor treinador português de sempre.

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o duelo Ronaldo vs Messi começa a ser nefasto para o futebol português.

Final do Barcelona-Real Madrid. Portugueses saltam para as redes sociais e ruas para festejar (ou reclamar) do resultado do jogo mais importante do futebol espanhol. “Tudo tem a ver com Portugal”, pensei. Afinal, de um lado estavam os fãs de Cristiano Ronaldo, José Mourinho e da legião portuguesa dos merengues, enquanto do outro estão os que não gostam do perfil algo arrogante do treinador português e do melhor jogador português da actualidade. Apesar de achar que a mente lusitana deveria estar mais preocupada com o final do campeonato português e com os jogos dos nossos clubes, dei o desconto… Até ontem.

Ontem era dia de Barcelona-Chelsea, jogo importantíssimo, imperdível. De um lado, um barça que jogava muito da sua época após ficar praticamente arredado da possibilidade de conquistar a liga espanhola, enquanto do outro, o Chelsea, tinha a hipótese de chegar à segunda final da “Champions” da sua história, numa temporada em que, valha a verdade, as coisas não tem lhe saído como era desejável.

Apurou-se o Chelsea com muito sofrimento à mistura, mas o que mais confusão me fez foi o final da partida. Mesmo com Raúl Meireles e Bosingwa na equipa londrina, a felicidade de alguns pelo Chelsea ter superado os catalães não era por estarem a torcer pelos portugueses da equipa londrina, mas, ao invés, por poderem se congratular com um desaire dos “culés.” “Adeptos do Real Madrid”, pensei imediatamente. Do outro lado da barricada, as virgens ofendidas, que empunhavam a espada do “tiki-taka” e de como a vitória “blue” podia significar algo de muito perigoso para o futebol moderno… “Adeptos do Barcelona”, pensei, preocupado…

E estou verdadeiramente preocupado. Preocupado por aquilo que pode ser um futuro muito sombrio para um crescente futebol português que, lembre-se, está no quinto lugar do ranking UEFA de clubes, não falha uma competição internacional de selecções desde 1998 e tem dos melhores jogadores e treinadores do Mundo.

Transtornado porque os portugueses começam a preocupar-se mais com o Real Madrid e o Barcelona do que com o Benfica, FC Porto e Sporting. Porque alguns já preferem ver os duelos internacionais que a nossa liga e, pior, porque já ficam mais felizes ou tristes quando os catalães ou merengues vencem ou perdem do que se fosse com o clube deles…

Este paradigma poderá fazer com que as crianças de hoje cresçam a preocupar-se mais com a “La Liga” ou outro campeonato internacional, que cheguem a adolescência a ver o Barcelona e o Real Madrid e que quando lhes perguntem o seu clube, não saia um natural clube nacional, mas, ao invés, um “Hala Madrid” ou um “Visca el Barça.”

Este fenómeno, natural em países nórdicos, pois estes, com um historicamente fraco campeonato nacional, sempre olharam com atenção redobrada para o campeonato inglês, começa a enraizar-se perigosamente em Portugal, bastando para isso que se olhe para os “facebooks” deste país que insiste na auto-flagelação, mesmo em aspectos em que somos bons, como é claramente o futebol. Se esta ideia prevalecer, o futuro, são estádios cada vez mais vazios, clubes com cada vez menos dinheiro e uma espiral de auto-destruição que pode voltar a devolver o futebol português aos primórdios da sua história, que é como quem diz os 9-1 da Áustria e os 9-0 da Espanha.

No meio disto tudo, o Sporting, amanhã, joga um dos jogos mais importantes da sua vida, podendo alcançar a terceira final europeia da sua história. Contudo, por mais triste que este pensamento seja, temo que os portugueses continuem demasiado preocupados em discutir a eliminação do Barcelona e o resultado do Real Madrid-Bayern de hoje…

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João Manuel marcou o primeiro golo leiriense na Taça UEFA

Derrotado pelo FC Porto (0-1) de José Mourinho na final da Taça de Portugal de 2002/03, o União de Leiria conseguiu um histórico apuramento para a Taça UEFA da época seguinte. Também motivados pelo quinto lugar obtido na Liga Portuguesa de 2002/03, a equipa lusitana foi com boas aspirações a fazer uma boa campanha europeia, todavia, acabou por esbarrar precocemente num adversário norueguês que todos os analistas indicavam que estava completamente ao alcance dos pupilos de Vítor Pontes.

Expulsão de Maciel não justificou desaire de Coleraine

Na época, Portugal estava numa posição bem mais baixa no ranking UEFA e, mesmo só levando duas equipas à Taça UEFA, uma delas tinha de disputar a pré-eliminatória da prova. Nessa ronda, o Leiria teve como adversário um frágil Coleraine, equipa norte-irlandesa que, supunha-se, não criaria quaisquer problemas aos portugueses.

Todavia, na Irlanda do Norte, um fraco jogo da equipa portuguesa acabou por redundar numa derrota (1-2) inesperada, sendo que nem a expulsão de Maciel (55 min.) justifica tudo, pois, nessa altura, já o Coleraine vencia por 2-1. Nesse desafio, valeu o golo do já falecido João Manuel para que o U. Leiria mantivesse boas aspirações de apuramento para a primeira eliminatória.

De facto, na segunda mão, o U. Leiria acabou por vencer por 5-0, num jogo em que a expulsão precoce de um defesa norte-irlandês também ajudou e muito a equipa portuguesa. Apesar de tudo, os golos portugueses só surgiram na segunda metade, cabendo a Ludemar (2), Edson (2) e Caíco.

Aventura leiriense esbarrou no pragmatismo escandinavo

Ao contrário da ronda com o Coleraine, o U. Leiria ia começar a primeira eliminatória a jogar em casa diante do Molde BK, um conjunto norueguês que, sendo mais forte que os norte-irlandeses, não assustava a equipa portuguesa.

Na primeira mão, num jogo amplamente dominado pelo Leiria, faltou eficácia para que os portugueses saíssem da partida com um resultado mais gordo que o 1-0 averbado. Nesse jogo, a diferença ficou vincada num extraordinário golo de Caíco (55 min.), através de um potente remate de longe.

Infelizmente, na segunda mão, a equipa portuguesa acabou por não resistir ao poderio físico do Molde, chegando ao minuto 51 a perder por 2-0, devido aos golos de Hoseth e Hestad.

Seis minutos depois, um golo de Maciel reduzia a desvantagem e colocava mesmo o Leiria em posição de se apurar para a ronda seguinte, todavia, a doze minutos do término da partida, Hoseth bisou e terminou, dessa forma, a aventura leiriense na Taça UEFA 2003/04.

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Mourinho deposita quase todas as esperanças de vencer o Barça em Ronaldo

Mais um duelo entre o Real Madrid e o Barcelona e, como já tem sido (quase sempre) hábito, um domínio total e incontestável dos catalães diante de uns madrilenos mais preocupados em (tentarem) não deixar o Barcelona jogar que em aproveitar os excelentes valores que têm ao dispor no seu plantel para discutirem o jogo com armas semelhantes, ou pelo menos de forma mais digna e consentânea com os históricos pergaminhos de um enorme clube como é o Real Madrid.

Ontem, em pleno Santiago Bernabéu, chegou a ser constrangedor ver a facilidade como o Barcelona trocava de forma segura a bola a todo o campo, perante uma equipa do Real Madrid que não esboçava qualquer reacção para além de recuar em bloco e tentar acertar no jogador do Barcelona que estivesse mais perto para que pudesse parar, constantemente, o ritmo de jogo da equipa de Guardiola.

Na verdade, o 1-2 chega mesmo a ser um resultado simpático, tal foi o domínio do Barça, perante um Real Madrid que apenas existiu nos primeiros quinze minutos, uma altura em que até conseguiu chegar ao golo por mérito desse grande jogador que é Cristiano Ronaldo, mas também por demérito de Piqué, que lhe abriu uma auto-estrada, e Pinto, que abordou de forma muito deficiente o remate do internacional português.

Mas a culpa desta enorme discrepância exibicional entre merengues e catalães também é de José Mourinho que, ontem, fez-me lembrar Jesualdo Ferreira e a sua eterna vontade de inventar em jogos de teor de dificuldade mais elevado, com os (maus) resultados que daí quase sempre advinham.

Perante o plantel que o Real Madrid tinha ao seu dispor para o clássico, seria previsível um onze com Casillas na baliza; um sector defensivo com Sérgio Ramos e Fábio Coentrão nas laterais e Pepe e Ricardo Carvalho no centro; um duplo-pivot no meio-campo com Lass e Xabi Alonso, Özil a “dez”, Ronaldo numa ala, Kaká na outra (ou mesmo Higuaín se quisessem outro tipo de poder de fogo) e Benzema na frente de ataque. Mesmo que quisesse ser mais conservador, havia sempre a hipótese de subir Coentrão para a ala e lançar Marcelo, passando Ronaldo para o flanco direito.

Contudo, Mourinho aproveitou para utilizar um meio-campo com três jogadores quase exclusivamente defensivos (Xabi Alonso, Lass e Pepe), surpreender tudo e todos com a utilização de Altintop na lateral direita (muito esforçado, mas sofreu pesadelos com a acção de Iniesta no seu flanco) e deixar o ataque quase exclusivamente à acção do trio Higuaín-Benzema-Ronaldo.

Durante algum tempo, a estratégia ainda foi resultando, até porque o Barça não estaria à espera de um sistema tão conservador como o utilizado pelo treinador português e, também, pela velocidade e repentismo de Cristiano Ronaldo que, como se sabe, mesmo sozinho e desapoiado, é capaz de ser extremamente perigoso se lhe derem muito espaço como foi o caso do golo que apontou.

No entanto, com o passar dos minutos, os catalães foram se habituando ao sistema e o Real Madrid deixou pura e simplesmente de existir ou, vamos lá, existia mas só do meio-campo para trás, recuado, amedrontado com as movimentações de Messi e companhia, e apenas preocupado em que o jogo terminasse o mais cedo possível.

Ainda pensei, o Real Madrid está a ganhar e isto é uma estratégia para cansar o Barça e procurar fazer o segundo golo em contra-ataque. Mas não, a equipa não esticava com o 1-0, não esticou depois de Puyol empatar a contenda e mal esboçou uma reacção após Abidal ter dado a volta ao resultado. No relvado, restava Pepe a criar conflitos em todos os lances em que intervia, simulando agressões, efectuando entradas duras e, até, pisando de forma intempestiva Messi, num lance que ainda pode custar muito caro ao internacional português.

Uma vez mais, o Real Madrid perdia um jogo com o Barcelona e, mais que isso, perdia de forma clara e sem margem para discussão, mostrando um medo do adversário que deveria envergonhar um clube que sempre foi conhecido pelo futebol atractivo praticado e por enorme cultura de futebol de ataque.

Ontem, ouvi Luís Freitas Lobo dizer que uma coisa é o Real Madrid ser campeão e outra é o Real Madrid ganhar ao Barcelona e estou completamente de acordo. O Real Madrid até poderá ser campeão perdendo todos os jogos com o Barcelona e Mourinho no final recordar que um campeonato se faz em 38 jogos e não em dois contra o Barça, mas devo dizer ao treinador português que já muitos treinadores foram despedidos no Real Madrid sendo campeões e apenas porque o futebol não era o mais apaixonante para o adepto merengue. Além disso, imagine-se que os madrilenos perdem o campeonato (pelo segundo ano consecutivo), a Taça (só um milagre salvará o Real Madrid em Camp Nou) e a Supertaça (que perderam no início da época) para o Barcelona de Guardiola? Restará a “Champions”, mas, aí, também existe Barcelona…

Mourinho tem de repensar o seu futebol e a forma como aborda estes jogos. Ninguém lhe exige nem pode exigir que jogue aberto e sem cautelas porque isso é suicídio perante a equipa catalã, mas o treinador português tem de perceber que mais do que se preocupar em anular o Barcelona, tem de se consciencializar que é necessário criar alguma coisa para vencer. Colocar essa missão exclusivamente nos ombros de Cristiano Ronaldo não é justo nem realista. O português é um fenómeno, mas é humano…

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Tacticamente rigoroso e competente

A chamada de Ricardo Costa foi uma surpresa na convocatória para o mundial da África do Sul e, à partida, o seu espaço na equipa seria reduzido. Apesar de alguma dificuldade em ser imprescindível nos clubes por onde passa, conta com uma carreira recheada de títulos e experiência em equipas vencedoras.

Começou por jogar nas camadas jovens do Boavista, mas transferiu-se para o FC Porto ainda nos escalões de formação. A sua incursão no futebol sénior começou por uma passagem pela equipa B do FC Porto, onde defendeu a camisola azul e branca, na Segunda Divisão B, nas temporadas 1999/00 e 2000/01. Integrou o plantel principal na temporada 2001/02, actuando simultaneamente na equipa B. Mas, foi em 2002/03, pela mão de José Mourinho, que começou a conhecer o sabor da vitória, fazendo parte da magnífica equipa que conquistou dois campeonatos nacionais, uma Taça UEFA, uma Liga dos Campeões e uma Taça de Portugal. Continuou no clube portista e voltou a conquistar títulos (uma Taça Intercontinental, um campeonato nacional e uma Taça de Portugal), mas apesar de fazer parte do plantel até 2007, nunca se impôs como uma peça fundamental na equipa, acabando por rumar ao estrangeiro para jogar no Wolfsburg (2007/08). Na Alemanha, jogou duas temporadas e meia voltou a conhecer a vitória com a conquista do campeonato na época 2008/09, transferindo-se para o Lille a meio da temporada transacta e ajudando o clube francês a alcançar o 4º lugar na liga francesa. Na próxima época irá jogar no Valência de Espanha.

Fez o percurso das camadas jovens somando 23 internaticonalizações sub-21 e marcando presença na equipa olímpica que disputou os Jogos Olímpicos de Atenas (2004). Na selecção principal, estreou-se em 2005 e fez parte das escolhas de Scolari para o Mundial 2006, na Alemanha. Quatro anos depois, volta a marcar presença numa campeonato do mundo e já deu o seu contributo à equipa, no empate frente ao Brasil.

Ricardo Costa não é um central alto (1,83m), nem é especialmente rápido ou tecnicamente dotado. O seu estilo é o de um central duro e de marcação. A sua polivalência, fruto de uma boa capacidade táctica, é uma das suas maiores mais valias no apoio à equipa, podendo, sempre que necessário, desempenhar qualquer posição na defesa – seja como central ou como um lateral mais defensivo que fecha o corredor, como o vimos actuar algumas vezes. Frente ao Brasil jogou fora da sua posição habitual e apesar de sentir dificuldades em alguns lances, contribuiu para a consistência defensiva que a equipa demostrou.

Quando olhamos para os vinte e três escolhidos por Queirós, Ricardo Costa poderá aparentar ser apenas uma opção de recurso, mas a sua experiência e polivalência poderão ser importantes para a consistência da equipa.

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A opção que Queirós desejava?

Fábio Alexandre da Silva Coentrão, de 22 anos, é um jovem promissor que deu nas vistas como médio ala, mas que esta época afirmou-se como defesa esquerdo. Neste mundial poderá espreitar o onze inicial. Pelo menos, os adeptos assim o exigem.

Deu nas vistas no Rio Ave, onde ajudou o clube a subir à primeira divisão na época 2006/07 e ganhou a alcunha de “Figo das Caxinas”. Chegou a estar um mês à experiência no Chelsea de José Mourinho, mas quando foi altura de se transferir para um clube de maior dimensão o seu destino acabou por ser o clube da luz (2007/08). A sua estreia no Sport Lisboa e Benfica não foi feliz e após poucas oportunidades de mostrar o seu valor, foi emprestado, em Jeneiro, ao Nacional da Madeira – para poder jogar com regularidade. Na temporada seguinte (2008/09), foi emprestado ao Real Zaragoza, mas na segunda liga espanhola, não teve muitas oportunidades e acabou por regressar, em Janeiro, ao seu clube de origem – o Rio Ave.

Com a chegada de Jorge Jesus ao Benfica, voltou a ter uma oportunidade e fez uma época de grande qualidade. Começou como uma opção para o lado esquerdo do meio campo, mas as circunstâncias obrigaram a que fosse adaptado a defesa lateral. E foi como defesa que convenceu os amantes de futebol, aparecendo agora como uma opção para a selecção portuguesa.

Fez todo o seu percurso das camadas jovens da selecção, onde actuou como médio. Mas, perante o défice de opções para o lugar de lateral esquerdo (onde joga outro adaptado, Duda), a sua chegada à selecção A acabou por ser natural. A sua estreia aconteceu nos playoffs de qualificação, no jogo contra a Bósnia – curiosamente entrando na segunda parte para jogar como médio.

Coentrão é um jogador que evoluiu muito ao nível táctico e psicológico nesta temporada, dando expressão ao bom trabalho que Jorge Jesus tem feito com vários jogadores. É neste momento um jogador mais inteligente em campo do que o era inicialmente, lendo bem as movimentações da equipa e tendo a noção clara de quando e como deve entrar nos espaços vazios. Este aspecto faz com que seja uma opção muito interessante como defesa, já que tem a noção clara de quando deve subir pelo corredor e integrar o ataque. Ao nível psicológico, é um jogador que apresenta uma confiança elevada nas suas capacidades e não se intimida facilmente – aspecto que pode ser muito importante numa competição em que a pressão atinge níveis muito elevados.

Não são apenas os aspectos de ordem psicológica e táctica que fazem de Coentrão um excelente jogador. Tem uma técnica acima da média, é rapido, cruza bem e tem um bom remate de meia distância. Aspectos que o fazem um jogador completo, capaz de desequilibrar e ser uma mais valia. Como defesa, o ponto fraco de coentrão está ligado à sua estatura: é um jogador baixo (1,78m) e magro, que o fazem vulnerável no jogo aéreo e no confronto físico. Sendo um lateral ofensivo, apesar de não defender mal, a utilização de Coentrão, como titular, num esquema de 4-3-3, obriga a que do lado direito jogue um lateral mais posicional, de modo a equilibrar a defesa – que, dentro do lote de escolhidos, passa pela utilização do mal amado Paulo Ferreira.

Como médio, Coentrão teria dificuldades em se afirmar como indiscutível de uma selecção que conta com Ronaldo, Nani ou Simão. Mas, a posição de defesa esquerdo é um dos pontos fracos da nossa selecção, onde joga um jogador que não conseguiu convencer os adeptos – Duda. Perante este cenário, Coentrão pode ter a oportunidade de mostrar o seu valor e afirmar-se como o titular que a selecção à muito pede para aquele lugar.

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Equilibrio táctico

Chegou de forma surpreendente à equipa, mas mostrou todo o seu valor. Pedro Miguel da Silva Mendes, de 31 anos, é um médio centro, que joga no Sporting Clube de Portugal e espreita a titularidade da selecção nacional.

Começou sua carreira profissional a jogar no Felgueiras (1998/99), emprestado pelo Vitória de Guimarães, onde regressou um ano depois. Em Guimarães jogou quatro temporadas, até se transferir para o FC Porto (2003/04), onde, pelo comando de José Mourinho, mostrou toda a sua capacidade táctica e fez parte de uma equipa ganhadora: Liga dos Campeões, a Liga Portuguesa e a Supertaça num só ano. Em Julho de 2004, transfere-se para a Premier League inglesa, para jogar no Tottenham, onde esteve durante uma época e meia. Seguiu-se a transferência para o Portsmouth em Janeiro de 2006, onde ganhou uma Taça de Inglaterra e esteve até ao verão de 2008. Segue-se uma temporada de bom nível no Glasgow Rangers, onde ganhou um campeonato da Escócia. Na sua segunda época no clube escocês sofre uma lesão que o afasta dos relvados até ao seu ingresso no Sporting, para onde se transfere em Janeiro deste ano. No Sporting cedo ganhou o seu lugar na equipa, sendo uma peça importante para a equipa treinada por Carlos Carvalhal.

A sua presença na selecção remonta a 2002, onde entrou a substituir Rui Costa, num particular contra a Escócia (Portugal ganhou esse jogo por 2-0), mas as suas aparições foram sendo esporádicas. Até que foi chamado à equipa para dois jogos de apuramento para o Mundial 2010. Surpreendentemente, apareceu como titular frente à Hungria, jogando o jogo todo e fazendo uma grande exibição, que não só convenceu os críticos, como se afirmou como uma alternativa válida para aquela posição.

Pedro Mendes é um médio que passa despercebido ao olhar mais desatento, mas é uma peça fundamental no jogo de equipa. Tanto pode jogar a trinco (à frente da defesa), como na posição (8), funcionando como um médio centro mais táctico e focado na equipa. É um jogador que prima pela inteligência dentro de campo e uma capacidade de preencher os espaços muito acima da média. Não é um jogador de rasgos ou momentos mágicos, mas é um ponto de equilíbrio na circulação de bola e nas transições defesa-ataque e ataque-defesa. Sabe posicionar-se nos locais certos, no tempo certo, seja para cortar os ataques contrários, como para “empatar” esses ataques, permitindo que a equipa portuguesa se recomponha. É um jogador que não gosta de ter a bola nos pés por boas razões: não empata o jogo da sua equipa e circula a bola rapidamente, criando fluxo de jogo. O seu ponto fraco é o jogo aéreo, tem apenas 1,73m e não tem uma grande impulsão.

Dentro do esquema táctico de Portugal, poderá ser muito importante a jogar como trinco, num sistema de 4-3-3, funcionando como uma linha de passe de referência na circulação de bola. Num sistema de losango, poderá ser usado, com maior eficácia como um interior que tenha a tarefa de compensações tácticas, do meio campo e da cobertura da subia de laterais – um pouco como a tarefa de Tiago Motta ou Inter de Milão.

Provavelmente será usado como trinco à frente da defesa, mas a sua titularidade não é garantida, já que Pepe (apesar de não ser uma decisão unânime) também é um candidato ao lugar. Dependerá do adversário e de como o seleccionador quiser que a equipa jogue: mais mobilidade ou mais músculo. Uma escolha entre a inteligência táctica de Mendes e a capacidade física de Pepe.

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