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Posts Tagged ‘José Peseiro’

Keizer

Keizer desenvolveu muitos talentos no Ajax

Antes de mais tenho de agradecer ao trabalho desempenhado por Tiago Fernandes nas últimas semanas.

Afinal, tratava-se de uma equipa completamente à deriva, que aliava o inexistente processo ofensivo a uma incapacidade defensiva que permitia que qualquer adversário conseguisse disputar (e por vezes mesmo dominar) o jogo com o Sporting, somando ocasiões de golo atrás de ocasiões de golo. E quando isso chega a acontecer com o Loures e o Estoril, está tudo dito…

Com o jovem técnico, reconheço que a mudança esteve longe de ser assombrosa (jamais haveria tempo para isso), mas é inegável que o processo defensivo melhorou exponencialmente, conseguindo o Sporting ser uma equipa muito mais segura defensivamente nos últimos três jogos. Ofensivamente, por outro lado, as coisas melhoraram pouco, mas a verdade é que se ultrapassou esta fase com duas vitórias no campeonato e um empate com o Arsenal. Melhor seria (quase) impossível.

Ironicamente, chegamos à 10ª jornada a apenas dois pontos do líder. Os mesmos dois pontos a que estávamos há duas jornadas atrás, ainda com José Peseiro, e que fizeram com que todos caíssem em cima de Francisco Varandas por este ter despedido o coleccionador de insucessos.

Nesse período, gerou-se, aliás, uma ridícula campanha a roçar o “Je suis Peseiro”, ignorando-se o mau futebol crónico, os quatro golos encaixados no recinto do então último, a derrota caseira com uma equipa secundária ou a aflição com o modesto Loures. O que importava era defender o indefensável em prejuízo do Sporting.

É nesses momentos, que me pergunto se certas personalidades da nossa praça se prestam a certas figurinhas por má fé, ou apenas por uma incapacidade crónica de constatar para além do óbvio. Chega a ser constrangedor verificar a impossibilidade que têm de distinguir o processo do resultado, ignorando que um bom resultado nem sempre é resultado de um processo pensado, mas apenas de uma casualidade, um golpe de sorte que jamais durará para sempre.

Felizmente, e como sucedeu com a grande maioria dos sportinguistas, Frederico Varandas constatou o óbvio e percebeu que era preciso afastar José Peseiro e trazer um outro treinador que pudesse trazer uma filosofia de jogo ao Sporting.

Acredito piamente que o holandês não foi a primeira escolha do presidente do Sporting, mas, pelo perfil, não tenho quaisquer dúvidas que o mesmo encaixa perfeitamente no modelo que Frederico Varandas idealizou e que teria como primeira opção: Leonardo Jardim.

As premissas, afinal, são óbvias: um treinador pedagógico, que tenha uma aprofundada base teórico-prática num clube de renome (no caso de Marcel Keizer estamos apenas e só a falar do Ajax), e que tenha igualmente no seu ADN a capacidade de potenciar jovens talentos e de praticar bom futebol.

Quem tiver boa memória irá igualmente recordar que o Sporting já teve um treinador estrangeiro que preenchia os mesmos requisitos: Mirko Jozic. Uma vez mais, os “pseudo-entendidos do futebol” irão colar-lhe ao insucesso de um quarto lugar, esquecendo que o croata foi, no fundo, o verdadeiro potenciador do penúltimo título nacional conquistado pelos leões, ou não fosse ele a construir o trabalho de base que seria depois aproveitado na época seguinte por Augusto Inácio.

Ironicamente (ou talvez não), a Marcel Keizer já foi aplicada uma espécie de certidão de óbito. Isto antes do primeiro jogo ou mesmo primeiro treino.

Os argumentos são variados e começam no facto do holandês ter sido despedido no seu único trabalho num clube sénior de relevo (sem sequer investigarem o porquê desse mesmo despedimento) e de ter passado demasiado tempo a trabalhar em camadas jovens/divisões secundárias. Acima de tudo, de falta de experiência.

E não posso ser desonesto, tenho de reconhecer que é uma opção de risco, mas ao menos indica um projecto. E o Sporting precisa acima de tudo disso: de um projecto.

Por outro lado, o adepto comum também tem de perceber que o sucesso consolidado nem sempre está de mãos dadas com o sucesso momentâneo e que por vezes esse sucesso momentâneo acaba por mascarar erros estruturais que se vão pagar mais adiante.

Lembram-se do Benfica 2004/05, que foi campeão? A esse sucesso momentâneo sucederam-se quatro temporadas em que o Benfica nem sequer conseguiu chegar a um segundo lugar, chegando mesmo a acabar um desses campeonatos atrás de uma equipa que vinha da segunda divisão.

Por outro lado, entre 2010 e 2013, o mesmo Benfica não ganhou absolutamente nada de relevo, mas soube se manter fiel a uma estrutura de pensamento que acabaria por redundar num tetracampeonato. É o processo.

E é precisamente isso que espero que o Sporting ganhe com a chegada de Keizer. Um processo bem definido e que deverá ser essencialmente assente na renovação de toda a estrutura da formação para que esta volte à excelência de tempos não muito distantes (em que era a mais importante base de recrutamento do clube); um grande incremento da rede de scouting para a detecção de jovens promessas internacionais a preços ainda acessíveis; e a implementação de um modelo de jogo atractivo para o espectador e que seja transversal a todas as equipas do universo Sporting.

Se será o treinador holandês a pessoa certa para levar a cabo este trabalho? Não sei. Mas de uma coisa tenho a certeza: daquilo que conheço do seu trabalho de campo e consciente do sítio de onde vem, as bases estão todas lá.

De qualquer maneira, Keizer, tal como qualquer treinador que viesse no seu lugar e que pretendesse implementar uma ideia de jogo, terá de ter a paciência que nenhum adepto precisou de ter com Leonardo Jardim, Marco Silva ou Jorge Jesus.

É que o holandês herda uma equipa cujas dinâmicas de cinco temporadas foram abruptamente destruídas em poucos meses. Com a agravante de uma classificação enganadora e que não é minimamente consentânea com aquilo que o Sporting produziu em campo.

Uma espécie de ano zero até ao Verão, e o benefício da dúvida de todos os sportinguistas, é tudo o que lhe desejo.

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Peseiro

José Peseiro fracassou uma vez mais

Costuma-se dizer que uma mentira repetida muitas vezes pode tornar-se uma verdade e lembrava-me sempre disso quando se iniciava uma discussão sobre a primeira passagem de José Peseiro pelo Sporting.

Rotulado de treinador do “quase”, José Peseiro era muitas vezes colocado num patamar de vítima, lembrando os seus defensores de que o técnico ficou muito perto da conquista do título nacional e de ganhar uma competição europeia.

Esse é, afinal, um hábito recorrente do típico adepto futebolístico português, e que deriva da sua quase intrínseca incapacidade de ver para além do resultado final, ignorando todo o processo e vicissitudes que levaram a esse destino.

“Ganhou ou não ganhou?” é aquela fraca e recorrente argumentação que permite facilmente identificar esta estirpe de gente que prolifera no Mundo do futebol, mas também se encontra nas outras áreas de opinião. Mas não pensem que isto está circunscrito às conversas de café. Existem inúmeros jornalistas e pseudo-jornalistas da nossa praça que se alimentam desta falácia.

Ora, José Peseiro, de tão fraco, nem sequer permitia que essa gente se pudesse apoiar no “ganhou ou não ganhou”, porque, com sorte ou trabalho, a verdade é que ele nunca ganhou nada de relevante. Mas, existia sempre aquela irritante retórica do “excelente campeonato e Taça UEFA que só teria sido perdida por manifesto azar”…

Mas terá sido mesmo assim? Ignoremos propaganda e vamos cingir-nos aos factos:

José Peseiro somou 61 pontos em 34 jornadas desse campeonato nacional de 2004/05, o que resulta numa média de 1,79 pontos/jogo, perdendo a Liga para um Benfica que somou 65 pontos em 34 jornadas, numa pouco superior média de 1,91 pontos/jogo.

Para terem uma ideia, nas treze temporadas seguintes o Sporting apenas por três vezes terminou o campeonato com pior média de pontos: 2009/10 (4.º); 2010/11 (3.º) e 2012/13 (7.º), épocas em que acabou a 28, 36 e novamente 36 pontos de distância do primeiro lugar.

Aliás, a prestação de José Peseiro nessa Liga é tão fraca que o Sporting 2011/12, que terminou em quarto lugar, atingiu uma média de pontos (1,97) que lhe teria permitido ser campeão em 2004/05.

Perceba-se uma coisa: Obter uma média de dois pontos/jogo é uma banalidade no campeonato português. E mesmo o Sporting, que nunca foi campeão nessas 13 temporadas, atingiu essa média em oito ocasiões, com Paulo Bento (3 vezes), Jorge Jesus (3), Marco Silva e Leonardo Jardim.

Ou seja, um treinador que não o consegue fazer não pode ser rotulado de técnico do “quase”, mas sim de medíocre.

Passemos agora ao por muitos saudado périplo “uefeiro” de José Peseiro em 2004/05.

“Ah, o Sporting fez uma grande campanha.”; “Que noites gloriosas contra grandes equipas europeias”; etc, etc, etc…

Ora, o Sporting chegou à essa final, que haveria de perder ridiculamente em casa, após o seguinte percurso:

1ª eliminatória: vs Rapid Viena (2-0 e 0-0) – havia de ser campeão austríaco nessa época.

Fase de grupos: vs Panionios (4-1) – havia de ser 11.º no campeonato grego; vs D. Tiblissi (4-0) – havia de ser campeão da Geórgia; vs Sochaux (0-1) – havia de ser 10.º no campeonato francês; e vs Newcastle (1-1) – havia de ser 14.º na Premier League.

Fase a eliminar: vs Feyenoord (2-1 e 2-1) – havia de ser quarto classificado no campeonato holandês; Middlesbrough (3-2 e 1-0) – havia de ser 7.º na Premier League; Newcastle (0-1 e 4-1); e AZ (2-1 e 2-3) – havia de ser terceiro classificado no campeonato holandês…

É isto um percurso épico?

E depois perder a final contra um adversário que, até aí, tinha como melhor prestação europeia o último lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões 1992/93 e que, na temporada 2003/04, não tinha passado da 2.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões, eliminado que foi pelo colosso macedónio: Vardar?

Épico é eliminar o Manchester City, como fez Sá Pinto em 2011/12, ou bater-se de frente contra o Chelsea, Juventus, Real Madrid ou Barcelona como fizeram Marco Silva ou Jorge Jesus.

José Peseiro apenas beneficiou de um campeonato fraco e de muita sorte nos sorteios europeus para criar a ideia do “quase”, que, no fundo, foi apenas resultado da sua mediocridade.

É que, quando conjugações cósmicas ocorrem, até Jaime Pacheco pode ser campeão com o Boavista ou José Rachão (V. Setúbal) e José Mota (Aves) podem ganhar uma Taça de Portugal. E Peseiro nem isso conseguiu, com o Sporting.

Portanto, ao enésimo insucesso, espero que termine finalmente o “mito” e a sua carreira como treinador de alto nível. Sinceramente, já não tenho paciência para ambas as coisas.

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Peseiro não tem o ADN dos vencedores

José Peseiro é um excelente treinador do panorama futebolístico português. Dotado de elevados conhecimentos e com uma visão abrangente do desporto rei, o actual técnico do Sporting de Braga é conhecido por colocar as equipas a jogarem um futebol romântico e bastante agradável à vista, todavia, falha em algo extremamente importante: ganhar nos momentos chave.

A situação já não é nova. No Sporting, muitos ainda idolatram o ano do quase, esquecendo que José Peseiro, em 34 jornadas, fez 61 pontos, ou seja, menos onze que Paulo Bento (entrou à sétima jornada) na época seguinte e menos doze que Fernando Santos em 2003/04. Para terem uma ideia do fraco desempenho global dos três grandes nessa temporada, lembre-se que o Benfica de Trapattoni foi campeão com 65 pontos, enquanto o FC Porto de Mourinho foi campeão em 2003/04 com 82 pontos e o de Co Adriaanse foi campeão em 2005/06 com 79 pontos.

Nessa temporada, o Sporting tinha tudo para ser campeão nacional, pois tinha muito melhor plantel que o Benfica e, tendo um plantel equivalente ao do FC Porto, beneficiava de uma maior estabilidade que uma equipa azul-e-branca ainda a digerir a saída de José Mourinho. Ao contrário do que muitos dizem, os leões não perderam esse campeonato graças à cabeçada de Luisão, mas, ao invés, por uma série de resultados impensáveis, como perder em casa com o Penafiel (0-2) e Marítimo (0-1) ou somar empates caseiros com equipas como o U. Leiria, V. Setúbal e Académica.

Também nessa altura, era habitual o Sporting perder pontos na recta final dos jogos, foi assim na derrota (2-3) na Choupana ou no empate (2-2) em Aveiro. Era um futebol apaixonante, ofensivo, mas que, quando tinha a presa dento do saco, muitas vezes não o sabia fechar, permitindo volte-faces dolorosos como o da final da Taça UEFA diante do CSKA Moscovo.

Ontem, mal vi Beto sair de forma disparatada no lance do golo de van Persie, disse em voz alta: “O Sp. Braga ainda vai perder este jogo.” Fui preconceituoso, admito, mas não me enganei e, mais grave do que isso, vejo que José Peseiro não mudou nada de há oito temporadas para cá. Continua o mesmo romântico que coloca sorrisos nos adeptos, apenas para depois transformar esses sorrisos em desespero, à medida que os minutos passam e a bonança se transforma em tempestade.

A falha de Beto no lance do empate dos “red devils” é gritante, mas o Sp. Braga não podia ter continuado com o mesmo esquema de jogo diante dos ingleses. José Peseiro não soube resguardar a equipa e não deixa de ser irónico que o Manchester United, a perder no recinto de uma equipa menos cotada, consiga empatar num lance em que os bracarenses estavam descompensados em zona defensiva. Convido o José Peseiro a ver o vídeo do Celtic-Barcelona de ontem e a tirar algumas ilações.

O ex-treinador do Sporting continua a revelar os mesmos problemas. Excelente técnico a montar a equipa, é pouco lesto a alterá-la, denotando muitos problemas em reagir a alterações tácticas do adversário e acabando, invariavelmente, por permitir cambalhotas no marcador de jogos que, aparentemente, pareciam ganhos.

Enquanto isso se mantiver, dificilmente José Peseiro deixará de ser o treinador do “quase”, mantendo-se, ao invés, como um treinador que as pessoas simpatizam, mas que nunca será visto como um treinador ganhador. O futuro pode contrariar-me, mas, pelos últimos exemplos, a máxima parece manter-se “Uma vez Peseiro, para sempre Peseiro…”

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Moutinho já não tinha alegria a jogar pelo Sporting

A saída de João Moutinho para o FC Porto por 11 milhões de euros (mais Nuno André Coelho) pode ter surpreendido muita gente e, até, ter deixado em cólera alguns adeptos leoninos, mas, na verdade, é algo que tem de ser encarado como uma medida legítima da SAD leonina. Desde há uns anos para cá, Moutinho limitava-se a arrastar a si e ao futebol leonino para um deserto de ideias, criatividade e fluidez futebolística, o que prejudicava o jogador João Moutinho e o clube Sporting Clube de Portugal. O declínio do seu futebol foi tão notório que o capitão do Sporting acabou preterido das escolhas de Carlos Queirós para o Mundial 2010.

Muito se falou, ainda em tempos de Paulo Bento, de bufos de balneário e de jogadores que punham em causa a saúde do plantel. Estranhava-se que muitos acontecimentos de foro interno surgissem tão rápido na imprensa e com tantos detalhes que só podiam ter origem em elementos do próprio plantel. Na altura, os nomes de Anderson Polga ou Liedson foram dados como hipóteses, mas, de forma mais tímida, já se sussurrava a possibilidade das fugas de informação virem de João Moutinho.

Ao mesmo tempo, o capitão leonino era cada vez mais uma sombra do jogador que encantou nos tempos de José Peseiro e nas primeiras épocas de Paulo Bento. João Moutinho errava em campo, triste, abatido, quase dando a ideia que apenas ali estava por obrigação. Alguns adeptos começavam a questionar a sua titularidade, até porque, jogadores queridos do plantel como Vukcevic ou Matias Fernandez não eram opção, situação que se tornava incompreensível perante tão pobres exibições de Moutinho.

Assim sendo, tem de ser entendida como legítima a atitude da SAD do Sporting. O jogador podia ter sido vendido a outro clube que não o FC Porto? Bem, supostamente nenhum clube europeu fez uma proposta tão vantajosa e, assim, o Sporting Clube de Portugal limitou-se a vendê-lo ao melhor preço. Se aos 11 milhões de euros, juntarmos 30% de uma futura venda, 50% do passe de Nuno André Coelho e o perdoar da restante dívida de Hélder Postiga, não me parece que tenha sido um mau negócio.

Para além de tudo isto, a possibilidade de Moutinho ser o tal bufo ou, como disse José Eduardo Bettencourt, a tal “maçã podre” que minava o balneário leonino, a sua saída pode ser revelar bem mais valiosa do que o simples valor da transferência e tornar-se um ponto de partida para uma nova era no Sporting Clube de Portugal, uma era com um balneário unido, limpo e blindado ao exterior. Afinal, esse é sempre um ponto de partida para as grandes conquistas, ou estamos enganados?

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Paim nas camadas jovens do Sporting

Sempre me disseram maravilhas de ti, mesmo muito antes de te ver jogar pela primeira vez. Sempre me falaram da forma positiva como encaravas o jogo, a jogada, o adversário. Sempre me disseram que eras o maior talento da tua geração e, talvez, da década.

Obviamente que, até confirmarmos no terreno, duvidamos e pensamos que estão a exagerar. No entanto, após te ver a primeira vez com a bola nos pés, estávamos em 2004 ou 2005, percebi que tudo o que diziam era verdade e que, na realidade, podias ser um fenómeno. A partir daí, tudo passou a fazer sentido, até a arriscada frase de Cristiano Ronaldo “Se acham que eu sou bom, esperem até ver Fábio Paim“.

A partir de um certo momento, todas as pré-épocas esperei que pudesses dar o salto e chegar à equipa principal do Sporting. Mesmo com 18 anos, pensei que pudesses encaixar no plantel de José Peseiro, no rescaldo daquela época em que os leões podiam ter ganho tudo e nada venceram.

Mas os anos passaram e os empréstimos sucederam-se: Ol. Moscavide, Trofense, Paços de Ferreira… Infelizmente, não te destacavas, não explodias, parecia sempre faltar alguma coisa. Foste para o Chelsea e pensei que os ares ingleses te iriam fazer bem, que irias crescer, explodir e que a tua magia iria, finalmente, atingir os palcos que merece. Infelizmente, foi mais uma desilusão.

Dizem-me que não tens cabeça, que és frágil psicologicamente e que te julgas melhor do que realmente és. Dizem-me que não te esforças e que só queres noite, carros e miúdas. Dizem-me que nunca irás ser nada e que nunca vais passar do Real Massamá, que, por incrível que pareça é onde estás agora.

Ainda assim, gosto de me cingir ao teu talento e a tudo que um dia vi e me fascinou. Quero acreditar que ainda podes dar a volta por cima e seres um jogador de topo. Talvez já não vás a tempo de ser o Cristiano Ronaldo, mas, aos 22 anos, ainda tens muito para mostrar e dar ao futebol.

Cabe agora a ti dares o passo em frente e encarares o futuro com trabalho, humildade e optimismo. Se o fizeres, tenho a certeza que tu e todos os que gostam de futebol vão ficar felizes.

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O Sporting Clube de Portugal joga hoje a passagem aos quartos de final da Liga Europa. Um momento importante para o clube, que eu, como sportinguista, espero que seja de alegria e sucesso. O bom momento vivido pelo Sporting, muito por mérito do treinador Carlos Carvalhal (que joga neste jogo a sua continuidade em Alvalade para a próxima temporada), não deve servir para ignorarmos alguns episódios da história recente do clube. É nos bons momentos que devemos reflectir, pois nos maus momentos podemos cair na tentação emotiva de arranjar culpados à força. 

Uma questão que me tem intrigado, desde há algum tempo para esta parte, tem sido a facilidade com que as notícias do foro interno do clube são do domínio público (a rapidez e detalhe como o recente episódio ocorrido entre o atleta Liedson e o ex-director para o futebol Sá Pinto passou para a esfera pública é um bom exemplo). As situações de fuga de informação não são recentes e merecem que nos debrucemos sobre as causas das mesmas. A dedução é lógica e a questão surge: Quem é o bufo? 

Desconhecendo as razões que levam alguém a expor e fragilizar a vida da sua entidade patronal e a vida profissional dos seus colegas, é certo que alguém o faz. E faz há já algum tempo, pelo menos desde o tempo em que José Peseiro foi treinador do Sporting. Com certeza que será alguém com acesso directo ao balneário, pois a informação é “fresca” e “detalhada”. Quem com acesso ao balneário está no clube desde, pelo menos, a temporada 2004/05? Excluindo a hipótese de ser alguém da equipa técnica, já que esta mudou três vezes desde 2005, resta a hipótese de ser um jogador. Tiago, Polga, João Moutinho e Liedson são os “sobreviventes desse tempo, mas seria injusto acusar alguém sem que houvesse uma certeza ou indícios fortes para tal. 

O único indício que temos é que existe alguém a tornar público episódios que deveriam ser do foro privado do clube e os responsáveis do Sporting Clube de Portugal não podem ignorar esse facto. 

PS: Um bufo é um género de sapo da família Bufonidae. Este género é normalmente responsável pelos casos de intoxicação por bufotoxina. É caso para dizer que o meu Sporting anda a engolir muitos sapos.

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Todos recordamos a época 2004/05. Na jornada 31, Peseiro poupa bastantes jogadores para uma deslocação difícil a Braga. Na altura, parecia óbvio que o então treinador leonino apostava todas as suas fichas na Taça UEFA e deixava o campeonato para segundo plano. Todavia, o incrível aconteceu e o Sporting, com Pinilla endiabrado, foi ganhar 3-0 a Braga e ficou em condições priveligiadas para ser campeão, levando Peseiro a apostar em ganhar as duas competições. Infelizmente para os sportinguistas, o resultado foi o que se viu.
O Benfica de Jorge Jesus passa agora pelo mesmo dilema. Com um excelente onze, mas com alguma falta de banco, os encarnados vêem-se com condições reais de vencerem Liga Europa e Liga Sagres, mas será que têm pulmão para as duas competições?
Nota-se, claramente, um decréscimo de forma do “Glorioso” nesta segunda volta, situação que, curiosamente, costuma acontecer às equipas de JJ (lembram-se do Felgueiras (95/96)?) e os jogos com Belenenses e Hertha foram claros exemplos desse afrouxamento competitivo.
Assim sendo, o Benfica entra nesta difícil fase com uma enorme dúvida existencial: Meter todas as fichas numa competição ou dar tudo por tudo por ambas? Óbviamente que os adeptos quererão que os encarnados tentem ganhar tudo, mas as suas ambições são sempre moldadas pelo coração e não pela razão. Depois, se o Benfica não ganhar nada, vão esquecer tudo isso e culpablizar o elo mais fraco, o treinador…
Um difícil dilema para Jorge Jesus decidir, sempre com o fantasma do Sporting de Peseiro a pairar no ar…

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