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Posts Tagged ‘José Roquette’

Como adepto e sócio do Sporting Clube de Portugal, sempre me fez muita confusão que um clube que tenha a sua actividade principal na prática desportiva, tivesse da parte dos seus responsáveis um discurso digno de uma banca de investimento ou qualquer outra entidade bancária. Quando um clube passa o tempo a falar em investimentos, acções, activos e passivos em vez de desporto, algo está errado. 

O adepto Sportinguista, desde o projecto Roquete, ouve com atenção, como um paciente que ouve o médico fazer-lhe o diagnóstico, os especialistas em gestão que se apresentam como os únicos que podem gerir salvar o Sporting no mundo do futebol moderno e financeiro. Afinal de contas, eles são os especialistas na matéria e “nós” não percebemos nada destas andanças. 

O medo de um novo Jorge Gonçalves ainda está presente na memória leonina e os estragos da gestão de Vale e Azevedo nos nossos rivais é uma realidade inquestionável. Sempre que o leigo adepto, que não percebe nada do mundo financeiro, vê os iluminados gestores de Alvalade invocarem o “papão que vai destruir o Sporting” a emoção sobrepõem-se à razão. Ao bom estilo americano de G.W.Bush com a luta ao terrorismo (engraçado que até o termo terrorismo já foi usado para os lados de Alvalade), invoca-se um inimigo comum do qual o Sporting tem de se unir e proteger. 

Esta estratégia do “inimigo comum” não é nova e tem sido usada em campanhas políticas desde sempre, é bastante funcional e normalmente usa o medo para convencer o público.  Veja-se este anúncio da campanha de Reagan para a presidência dos Estado Unidos da América, em 1980.

Mas deixemos a questão o inimigo comum de parte. Uma pergunta surge com normalidade: a gestão que tem sido feita por os grandes gestores do nosso clube deve ser exemplar, certo? 

Uma vista de olhos sobre os relatórios e contas do Sporting revela exactamente o contrário. O gráfico seguinte demonstra os resultados financeiros do Sporting desde a linha de gestão que tem sido seguida de à 12 anos para cá (excepção à temporada de 2004/2005 que a venda da R&C provocou um lucro de 65M, mas que não incluí no gráfico por ter criado uma situação anormal e artificial para as contas do clube – o que  me interessa é analisar a actividade corrente sem a perca de património).

 

Analisemos rapidamente o gráfico e numa linguagem perfeitamente perceptível para qualquer leigo nesta matéria. Os resultados operacionais têm sido quase sempre negativos e os resultados líquidos acompanham os resultados operacionais. Com isto percebe-se que o problema do Sporting não é da existência de passivo, mas de uma actividade operacional deficitária que provoca o aumento da dívida.Destaque para dois períodos do gráfico: a) de 2003/2004 a 2005/2006 o esforço da gestão de Dias da Cunha em diminuir os custos salariais; a, b) 2006/2007 o lucro relativo à venda de Nani (25M) fez com que os resultados fossem positivos.

 Estes dados são factuais, contam do relatório & contas do Sporting Clube de Portugal (facilmente consultados no site da CMVM) e parece-me inegável que em 10 anos sob a alçada da gestão de especialistas o Sporting acumulou um prejuízo de 100 Milhões de Euros.  

Não sei em que escola tiraram o curso, mas parece-me que se ainda lá andassem, com resultados destes, Bettencourt, Soares Franco, Dias da Cunha e Roquette certamente estariam chumbados.

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