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Posts Tagged ‘Jules Rimet’

Com o mundo em rebuliço, mais que o Mundial desejado este foi o Mundial possível. A Espanha, dizimada pela Guerra Civil, recusou participar, a Áustria, invadida pela Alemanha, foi, também, impossibilitada de entrar na competição e argentinos e uruguaios também recusaram viajar até França, pois sentiram-se traídos por Jules Rimet que havia prometido a alternância de continentes entre Europa e América do Sul, faltando, depois, à palavra. Com tantas ausências, a que se juntava a já habitual ausência inglesa, este Mundial disputado em França facilitou a tarefa italiana que, assim, se assumiu como a grande potência futebolística da época. Mesmo num país hostil, com os franceses a protestarem por todo o lado contra os italianos, a squadra azzurra confirmou a sua enorme qualidade e tornou-se bicampeã do mundo.

Oitavos de Final

O modelo deste campeonato do mundo foi uma cópia exacta do Mundial anterior, disputado em Itália e, assim, a competição foi disputada em jogos a eliminar até à final. A única diferença foi a presença de apenas 15 selecções, pois a Áustria, que havia sofrido o “Anschluss” (anexação germânica), foi impedida, à última hora, de participar no certame. Assim sendo, a Suécia, que iria defrontar os austríacos, apurou-se automaticamente para os quartos de final.

Em Paris, disputou-se um dos mais interessantes encontros desta ronda, opondo Alemanha (reforçada com atletas austríacos) e Suíça. Num jogo equilibrado, a partida terminou (1-1) após prolongamento e foi necessário jogo de desempate. Na partida decisiva, Hitler esteve de ouvido colado ao rádio até ao 2-0 para os germânicos. Convencido da superioridade alemã, recusou-se a ouvir o resto do jogo, pedindo, apenas, que lhe dissessem o resultado final. Imaginem como se deve ter sentido quando lhe disseram que a Alemanha acabou por perder (2-4) com a Suíça e que havia sido eliminada da competição.

Em Toulouse, a Roménia defrontava uma desconhecida selecção de Cuba, que, com tantas desistências, participava sem ter feito fase de qualificação. No primeiro jogo, cubanos e romenos empataram a três bolas, num jogo em que o guarda-redes Caravajales foi o grande herói com defesas atrás de defesas que impediram a vitória da Roménia. No entanto, no jogo de desempate, todos estranharam a ausência do guarda-redes cubano. Pensou-se que estivesse lesionado ou doente, mas, na verdade, apenas tinha aceito o convite da rádio cubana para comentar o jogo. Curiosamente, mesmo sem Caravajales, Cuba venceu 2-1 e seguiu para os quartos.

Por outro lado, a Hungria, em Reims, goleou a selecção das Índias Orientais Holandesas (actual Indonésia) por seis bolas a zero, num jogo sem história e que demonstrou a gritante diferença de valor entre os dois conjuntos.

Grande superioridade também demonstrou a equipa da casa, a França, que venceu a Bélgica por três bolas a uma, mas podia ter vencido por muitos golos mais.

Nos restantes jogos, destaque para todos terem sido decididos após prolongamento. A Checoslováquia venceu a Holanda por 3-0; a Itália sofreu imenso para vencer a Noruega por 2-1 (após 1-1 nos 90 minutos); e o Brasil venceu a Polónia num jogo fantástico por 6-5, após um empate a quatro bolas no tempo regulamentar.

Quartos de Final

A Suécia que havia garantido o apuramento directo para os quartos devido à ausência austríaca, defrontou, nesta fase, a surpreendente equipa de Cuba. Depois da eliminação da Roménia, esperava-se que os cubanos dessem trabalho aos suecos, mas, na verdade, apenas deram trabalho aos jornalistas que tiveram dificuldade em apontar todos os marcadores dos oito golos da equipa escandinava. Os cubanos despediam-se, assim, do Mundial, com uma pesada derrota por oito bolas a zero.

Por outro lado, o Brasil defrontou a Checoslováquia em Toulouse e o jogo foi uma autêntica batalha campal com três expulsões (duas para os sul-americanos e uma para os europeus). A partida terminou empatada a uma bola e foi necessário disputar um jogo de desempate, que foi bem diferente do primeiro encontro, pois a agressividade havia sido tão grande na primeira partida, que os brasileiros tinham nove jogadores lesionados e os checoslovacos oito. Nesse segundo jogo, os brasileiros foram mais fortes (em termos futebolísticos…) e venceram por duas bolas a uma.

Nas restantes partidas da ronda, a Itália confirmou a sua candidatura ao bicampeonato ao vencer, em Paris, a França, por três bolas a uma; e a Hungria superiorizou-se ao carrasco dos germânicos, a Suíça, por duas bolas a zero.

Meias-Finais

Itália e Brasil disputaram a presença na final do Mundial em Marselha e a confiança era elevada na comitiva canarinha. Os brasileiros acreditavam de tal maneira na sua superioridade, que o seleccionador Ademar Pimenta, optou por fazer descansar Tim (o armador de jogo) e o goleador e estrela da equipa: Leónidas da Silva. No entanto, a Itália acabou por vencer o jogo por duas bolas a uma e, assim, os brasileiros acabaram por pagar a sua arrogância. No dia seguinte, “La Gazzetta dello Sport”, prestigiado jornal desportivo italiano, exaltou a vitória com um título que punha a nu a ideologia fascista: “Saudamos o triunfo da inteligência italiana sobre a força bruta dos negros.” Afinal, estávamos em vésperas da 2ª Guerra Mundial.

Menos emocionante foi a outra meia-final, pois a Hungria, em Paris, venceu a Suécia por 5-1. Curiosamente, os suecos até marcaram logo no primeiro minuto, mas, depois, acabaram “atropelados” pelo futebol ofensivo dos magiares.

Terceiro e Quarto Lugar

Tal como no Mundial anterior, voltou a disputar-se um encontro de atribuição do terceiro e quarto lugar. Já com Leónidas da Silva em campo, o Brasil venceu a Suécia por quatro bolas a duas. Os suecos, tal como no encontro com os húngaros, voltaram a estar em vantagem (2-0), mas acabaram por, uma vez mais, permitirem a cambalhota no marcador.

Final * Itália 4-2 Hungria

Na final, a Itália tinha uma enorme vantagem física sobre o seu adversário, a Hungria. Os italianos haviam sido os únicos a viajarem de avião entre os jogos, pois tinham uma aeronave para o efeito, disponibilizada por Mussolini.

Durante o jogo decisivo, notou-se que, apesar das equipas serem equilibradas do ponto de vista técnico, a superioridade física e táctica dos italianos era abissal. Com uma entrada dominadora, os italianos chegaram rapidamente à vantagem por Colaussi (6′) e nem o golo do empate de Titkos (8′) parou a locomotiva azzurra que, até ao intervalo, fez mais dois golos (Piola 16′ e Colaussi 35′) e chegou ao descanso a ganhar 3-1.

Na segunda metade, a Hungria ainda reduziu, aos 70 minutos, por Sarosi, mas esse golo de pouco valeu aos magiares, pois, doze minutos mais tarde, Piola fez o 4-2 final e acabou com as dúvidas sobre o vencedor do Mundial 1938.

Bicampeões do mundo, os italianos, quando chegaram a Roma foram recebidos em delírio e receberam, pela conquista do Mundial, 8000 liras. Um ano depois, estoirou a 2ª Guerra Mundial e o campeonato do mundo só regressaria em 1950.

Números do Mundial 1938

Campeão: Itália

Vice-Campeão: Hungria

Terceiro classificado: Brasil

Quarto classificado: Suécia

Eliminados nos quartos de final: Cuba, França, Suíça e Checoslováquia

Eliminados nos oitavos de final: Alemanha, Roménia, Holanda, Bélgica, Índias Orientais Holandesas (actual Indonésia), Noruega e Polónia

Melhor Marcador: Léonidas (Brasil) – 8 golos

Equipa do Mundial 1938: Planicka (Checoslováquia); Domingos (Brasil) e Rava (Itália); Zezé (Brasil), Andreolo (Itália) e Locatelli (Itália); Sarosi (Hungria), Meazza (Itália), Biavati (Itália), Titkos (Hungria) e Leónidas (Brasil).

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Jules Rimet, o então Presidente da FIFA, muito penou pela criação de um campeonato do Mundo e, após muitos anos de espera, esse torneio teria a sua estreia, em 1930, no Uruguai. Foi uma competição curiosa, pois não existiu fase de qualificação e todas as selecções participantes surgiram na competição por convite. Como nessa altura as viagens transatlânticas eram muito caras, nenhuma selecção europeia pretendia participar, mas, após a FIFA concordar em custear as despesas da travessia, quatro selecções do velho continente acabaram por viajar até à América do Sul: Bélgica, França, Roménia e Jugoslávia. A ausência de selecções europeias de topo, explicava-se por o amadorismo ainda imperar e, como tal, os jogadores não estarem dispostos a abandonarem os seus empregos para irem jogar uma competição, que, na época, não lhes ia dar dinheiro. Assim sendo, sem as grandes equipas da Europa e com o Brasil desfalcado dos jogadores paulistas (devido a uma quezília entre estes e os cariocas), a vitória acabou por sorrir à equipa da casa, o Uruguai.

Primeira Fase

Como o número de selecções participantes era ímpar (13), dividiram-se as equipas em quatro grupos desiguais. Um teria quatro equipas e os restantes três. Apenas se apuraria o primeiro de cada grupo para as meias-finais.

No Grupo 1, o único com quatro selecções, estavam Argentina, Chile, França e México. Os favoritos eram os argentinos e confirmaram esse favoritismo, após vencerem França (1-0), México (6-3) e Chile (3-1), ficando em primeiro lugar do grupo com nove pontos.

No Grupo 2, composto por Jugoslávia, Brasil e Bolívia, os jugoslavos acabaram por surpreender os brasileiros e qualificaram-se para as semi-finais. A equipa europeia venceu o Brasil (2-1) e a Bolívia (4-0), para conquistar o primeiro lugar.

No Grupo 3, o Uruguai não deu hipóteses a Peru (1-0) e Roménia (4-0) e venceu calmamente o grupo, mostrando, desde logo, que era um grande favorito à vitória final.

No Grupo 4, surgiu, provavelmente a maior surpresa da primeira fase da competição, com os Estados Unidos a superiorizarem-se a Bélgica (3-0) e Paraguai (3-0) e a apurarem-se para as meias finais do Campeonato do Mundo.

Meias-Finais

Na primeira meia-final, defrontaram-se Argentina e Estados Unidos em Montvideu. Nesse encontro, os argentinos não deram qualquer hipótese aos norte-americanos e venceram por 6-1, um resultado pesado  e que demonstrou claramente a diferença de valor entre as duas selecções.

Na segunda meia-final, a equipa da casa defrontava a Jugoslávia e esperava-se um jogo equilibrado depois dos europeus terem eliminado o Brasil na fase de grupos. Todavia, os uruguaios mostraram ser muito mais fortes que os jugoslavos e acabaram por golear (6-1), curiosamente o mesmo resultado da outra meia-final.

Final * Uruguai 4-2 Argentina

A competição terminava com um duelo entre aquelas que provaram ser as melhores equipas da competição desde o primeiro momento: Uruguai e Argentina. Assim sendo, esperava-se um grande jogo e, na verdade, essa suspeita confirmou-se.

A equipa da casa entrou melhor e, aos 12 minutos, colocou-se em vantagem com um golo de Dorado (12′). No entanto, a fortíssima equipa argentina deu a volta com golos de Peucelle (20′) e Stábile (37′).

A perderem ao intervalo, os uruguaios temiam perder a final na sua própria casa, todavia, numa segunda parte muito forte, o Uruguai soube empurrar a Argentina para o seu meio campo e acabou por marcar três golos (Cea 57′; Iriarte 69′; e Castro 89′), vencendo a partida por 4-2 e conquistando o primeiro Campeonato do Mundo.

Números do Mundial 1930

Campeão: Uruguai

Vice-Campeão: Argentina

Terceiros classificados: Estados Unidos e Jugoslávia

Eliminados na fase de grupos: Chile, França, México, Brasil, Bolívia, Roménia, Peru, Paraguai e Bélgica

Melhor Marcador: Guillermo Stábile (Argentina) – 8 golos

Equipa do Mundial 1930: Thepot (França); Nasazzi (Uruguai) e Mascheroni (Uruguai); Torres (Chile), Fausto (Brasil) e Juan Evaristo (Argentina); Peucelle (Argentina), Scarone (Uruguai), Stábile (Argentina), Cea (Uruguai) e McGhee (Estados Unidos)

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