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Posts Tagged ‘Julio César’

LigaAinda a uma jornada do final da Liga, mas com quase todas as contas referentes à prova resolvidas, importa escolher aqueles que foram, para mim, as principais figuras individuais da prova, tanto ao nível do treinador como de um hipotético melhor onze do campeonato nacional.

Treinador: Jorge Jesus (Benfica) – Penso que será unânime esta escolha, isto sem esquecer que, perante as condições colocadas à sua disposição, também Marco Silva fez uma excelente campanha. Afinal, o treinador das águias ganhou mesmo o bicampeonato e isto perdendo inúmeras das figuras de 2013/14 e diante de um FC Porto que tinha mais e melhores soluções.

Guarda-Redes: Júlio César (Benfica) – Muita gente torceu o nariz à contratação deste internacional brasileiro, que chegava a Portugal numa fase descendente da carreira e já com um espectro de lesões. A verdade, contudo, é que o “Imperador” conseguiu dar sempre segurança e confiança ao sector recuado, impedindo que os encarnados sentissem em demasia a saída de Jan Oblak.

Lateral-Direito: Danilo (FC Porto) – Na sua última temporada em Portugal, isto antes de dar o salto para o Real Madrid, o internacional brasileiro fez uma fantástica campanha, sendo sempre importante na profundidade ofensiva que oferecia pelo flanco direito, e isto sem nunca colocar em causa a segurança defensiva do seu flanco.

Defesa-Central: Luisão (Benfica) – Juntamente com Júlio César, foi o grande responsável pela segurança defensiva dos encarnados em 2014/15, assumindo-se sempre como a verdadeira voz de comando da defesa do Benfica e tendo inclusivamente tempo para ajudar Jardel a crescer do seu lado.

Defesa-Central: Aderlan Santos (Sporting de Braga) – Surpreende que este defesa-central brasileiro ainda não tenha dado o salto para um clube com outros pergaminhos, uma vez que, jogo após jogo, mostra que é a grande referência do eixo defensivo arsenalista, onde parece muitas vezes intransponível. Mais uma excelente época.

Lateral-Esquerdo: Alex Sandro (FC Porto) – Diz-se que estará igualmente a caminho do FC Porto, tal como sucede com o compatriota e ainda colega Danilo e percebe-se claramente porquê, uma vez que o internacional brasileiro é sempre seguro no processo defensivo e consegue ainda ser fulcral no ataque, onde consegue desequilíbrios com e sem bola, fruto da sua técnica apurada e inteligência posicional.

Médio-Defensivo: William Carvalho (Sporting) – Demorou a engrenar e, mesmo no auge, esteve algo longe dos melhores momentos de 2013/14, vítima que foi da mudança estratégica que Marco Silva implementou no leão. Ainda assim, foi claramente o melhor “seis” do campeonato, conseguindo equilibrar defensivamente o leão, isto ao mesmo tempo que era muitas vezes igualmente o “oito” e o “dez”.

Médio-Centro: Óliver Torres (FC Porto) – Emprestado pelo Atlético de Madrid, é quase garantido que a passagem do internacional sub-21 espanhol pelo futebol português se resumirá apenas a esta temporada. Afinal, o prodigioso médio mostrou imaginação, inteligência táctica, criatividade e uma superior visão de jogo, num cocktail que só poderá parar brevemente na titularidade num colosso europeu.

Ala/Extremo-Direito: André Carrillo (Sporting) – Nani chegou esta temporada a Alvalade para dar a tal capacidade de desequilíbrio que havia faltado ao leão em 2013/14, mas acabou por ser “La Culebra” a decidir saltar para a ribalta e ofuscar inclusivamente o internacional português. Foram incontáveis as assistências do internacional peruano e isto sem esquecer as igualmente incontáveis vezes em que o extremo leonino conseguiu assumir-se como o verdadeiro abre-latas do ataque. Será uma grande perda para o Sporting se sair mesmo no Verão.

Ala/Extremo-Esquerdo: Nico Gaitán (Benfica) – Com “La Culebra” a assumir-se como o mais entusiasmante “extremo puro” desta Liga, ressurgiu novamente no flanco oposto o melhor “falso extremo” da prova. Afinal, Nico Gaitán, que joga como ala e pensa como um “dez”, voltou a ser o principal criador do meio-campo ofensivo encarnado, naquele seu superior futebol que alia a capacidade desequilibradora de um ala com a visão de jogo e a construção de um “dez”.

Avançado-Centro: Jonas (Benfica) – Tal como Júlio César, chegou ao Benfica sob o espectro de alguma desconfiança, mas a verdade é que quebrou rapidamente com a mesma, assumindo-se, juntamente com Nico Gaitán, como a principal figura deste campeonato. Afinal, naquela zona híbrida entre o “dez” e o “nove”, o internacional brasileiro conseguiu ser criador e finalizador, chegando à 33.ª jornada com 18 golos e participação em muitos outros mais.

Ponta de Lança: Jackson Martínez (FC Porto)  Todo o segundo avançado anseia pela companhia ideal e num Mundo perfeito a companhia de Jonas seria “Cha Cha Cha”, atacante que se prepara para ser novamente o melhor marcador do campeonato. Fabuloso finalizador, que alia esse factor a uma fantástica capacidade física e inteligência posicional, Jackson Martínez promete deixar muitas saudades quando abandonar o Dragão.

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Jesus e Jonas foram fulcrais no bicampeonato

Jesus e Jonas foram fulcrais no bicampeonato

O Benfica conquistou ontem o bicampeonato, um feito que, acredito, apenas alguns dos mais fanáticos adeptos encarnados seriam capazes de apostar, sem rodeios, no início da actual temporada.

Afinal, a SAD das águias, no último defeso, perdeu jogadores fulcrais como Jan Oblak, Siqueira, Ezequiel Garay, Lazar Markovic, Rodrigo ou Cardozo, isto sem esquecer jogadores que poderiam ganhar importância perante alguns destes ilustres abandonos como Bernardo Silva ou André Gomes.

Em contraponto, o Benfica viu chegar inúmeros jogadores, ainda que, na minha opinião, o destaque tenha de ser dado essencialmente a dois desses reforços, nomeadamente Júlio César, que conseguiu minimizar a saída daquele que é neste momento um dos melhores “keepers” do Mundo, e Jonas, a verdadeira mais-valia que as águias asseguraram em 2014/15, um finalizador e desequilibrador num só futebolista. Um craque.

O verdadeiro milagre de Jesus

Mas se Júlio César e Jonas foram fulcrais neste bicampeonato do Benfica, é igualmente necessário destacar o enorme mérito de Jorge Jesus, que, finalmente, venceu um campeonato em que partiu verdadeiramente atrás do rival FC Porto.

Afinal, depois de ter o melhor plantel em 2009/10 e 2013/14 (nesta temporada a diferença era mesmo gigantesca para o FC Porto), Jorge Jesus viu-se finalmente obrigado a ter de se superiorizar a um plantel que, valha a verdade, tinha mais e melhores soluções e conseguiu-o com inteligência e pragmatismo, não perdendo nenhum jogo, nem sofrendo qualquer golo do seu rival nortenho.

É certo que, para isso, este Benfica, teve de viver uma metamorfose, em algo que, aliás, começou no Verão de 2013, no rescaldo do ano do “quase”, quando os encarnados perderam Campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal em poucas semanas.

O “rolo compressor” já só aparece a espaços

Eu, admito, era um fã confesso do “rolo compressor” que era o Benfica 2009/10, uma equipa que jogava sempre ao ataque, do primeiro ao último minuto, fosse o jogo no Bonfim ou em Anfield Road, mas também percebo perfeitamente que Jorge Jesus foi entendendo que nem sempre tinha plantel para esse tipo de futebol ofensivo constante, sendo que a experiência o foi obrigando a colocar essa arrogância futebolística de lado.

Três campeonatos consecutivos perdidos para o FC Porto tiveram, afinal, o seu peso, especialmente o último, o de 2012/13, quando as águias já tinham um super-plantel, superior inclusivamente ao orientado por Vítor Pereira, e mesmo assim saíram vergadas no célebre clássico em que Jesus ajoelhou.

Nesse seguimento, o Benfica é agora uma equipa que já só apresenta alguns lampejos do tal “rolo compressor” em alguns jogos em casa com adversários declaradamente mais fracos, onde a magia de jogadores como Jonas ou Gaitán vai fazendo estragos. Em muitos outros encontros, ao invés, Jorge Jesus já não tem qualquer problema em baixar linhas e jogar apenas e só para o resultado, tal como fez por exemplo em Alvalade, algo absolutamente impensável há poucos anos atrás.

Jardel e Pizzi foram boas invenções

Não sou de longe um fã de Jardel e tenho a perfeita noção da quebra que foi para o Benfica passar de Garay para o brasileiro, mas tenho de valorizar, e muito, a potencialização que foi feita ao atleta por parte do treinador encarnado, que, consciente de que Jardel não tem a velocidade do internacional argentino, recuou ligeiramente a linha defensiva, isto por forma a que o brasileiro desse a melhor resposta possível na sua primeira temporada como titular absoluto.

Ali, ao lado do capitão Luisão, de longe o melhor defesa-central a jogar em Portugal, Jardel foi ganhando confiança, em algo que se traduziu em exibições que, não sendo de todo brilhantes, foram quase sempre competentes e fulcrais para manter a segurança no sector defensivo do Benfica.

De lembrar, igualmente, mais um “oito” que Jorge Jesus inventou, desta feita o internacional português Pizzi, que saiu da ala para se assumir como um “box-to-box” que começa a fazer esquecer Enzo Pérez, mais um jogador importantíssimo que o treinador do Benfica perdeu esta época, ainda que este apenas em Janeiro.

Talisca do céu ao inferno

Quem por um lado foi muito importante numa fase inicial da época, nomeadamente na era “pré-Jonas”, foi o jovem reforço brasileiro Anderson Talisca, futebolista que, enquanto actuou como avançado de suporte, foi somando golos decisivos e logo numa fase em que o Benfica jogava um futebol muito pobre.

Porém, com Jonas a atingir a plenitude da sua forma, Jorge Jesus preferiu (e com razão) colocar Jonas no lugar de Anderson Talisca, procurando posteriormente fazer do ex-jogador do Bahia o “oito” de chegada à área

Ora, esse projecto acabou por falhar redondamente, com Anderson Talisca a jamais conseguir efectuar exibições de qualidade nessa posição específica do terreno e acabando naturalmente ultrapassado por Pizzi.

Que difícil será substituir Gaitán

Já fiz aqui um artigo a distinguir os dois tipos de extremos e até apresentei os dois alas do Benfica como exemplos emblemáticos dessa diferença, com Eduardo Salvio a apresentar-se como o extremo de contexto mais puro, mais vertical e unidimensional, enquanto Nico Gaitán é o chamado “falso-extremo”, que sabe fazer diagonais na procura de criar desequilíbrios em zonas centrais.

Ora, neste contexto, será sempre complicado substituir Eduardo Salvio, um extraordinário jogador, mas ainda mais difícil será arranjar um sucessor para Nico Gaitán, futebolista que deverá abandonar o plantel do Benfica no próximo Verão e que, juntamente com Jonas, é a principal mais-valia deste conjunto encarnado.

Afinal, desde que o Benfica ficou orfão de um “dez” puro com a perda de importância e consequente saída de Pablo Aimar, tem sido Gaitán, a partir do flanco esquerdo, que tem minimizado essa clara perda na zona criadora, sabendo, com mestria, ser o maestro do jogo ofensivo encarnado. Diz-se que não há insubstituíveis e Jorge Jesus até o tem provado, mas o internacional argentino será o que mais se aproximará disso.

Necessários retoques para 2015/16

É sempre complicado falar agora dos retoques que o Benfica terá de fazer na próxima temporada, até porque ainda não se sabe qual será a dimensão das saídas, embora já se fale dos prováveis abandonos de pelo menos três jogadores, mais concretamente: Gaitán, Salvio e Maxi Pereira.

Ora, a concretizarem-se essas três saídas, é naturalmente obrigatória a devida compensação para qualquer um dos jogadores, mas, mesmo no contexto do actual plantel, serão sempre necessários reforços para que o Benfica possa tornar-se numa equipa com maior qualidade e profundidade.

Acima de tudo, será necessária a contratação de um lateral-esquerdo que possa concorrer e quiçá superiorizar-se ao actual titular Eliseu (o elo mais fraco do onze encarnado), sendo igualmente importante que o Benfica assegure mais um defesa-central que ofereça garantias (Lisandro e César não parecem convencer verdadeiramente Jesus) e quiçá outro “oito”, até porque Pizzi não parece ter um verdadeiro concorrente nesta fase e pode igualmente ter de voltar à sua posição de origem (ala/extremo) na próxima época.

Permanência de Jesus será o maior reforço

De qualquer maneira, verdadeiramente importante para o Benfica será a permanência de Jorge Jesus como treinador principal em 2015/16, ele que, nos últimos seis anos, tem sido o rosto de um projecto que conseguiu trazer de volta o conjunto encarnado para o topo do futebol português.

Ao longo desse percurso, o experiente treinador luso soube fazer evoluir inúmeros jogadores, “inventou” outros e ainda conseguiu ele próprio progredir, corrigindo os seus próprios erros e catapultando-se a si e ao próprio Benfica para outro patamar.

Nesse seguimento, parece claro que, qualquer cenário que não seja a permanência de Jorge Jesus, assumir-se-á sempre como um passo atrás para o Benfica, que precisará naturalmente de tempo para adaptar-se às ideias de um hipotético novo treinador. Ora isso, valha a verdade, será um percurso sempre mais penoso do que qualquer nova revolução no plantel que Jorge Jesus tenha de vir a enfrentar em 2015/16…

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O mal-amado Peixoto é alternativa para a esquerda

Enquanto o FC Porto (até ver com a base do plantel 2010/11 sólida) e o Sporting (mesmo com muitas contratações, com o plantel quase definido neste início de Julho), o Benfica vive um enorme mar de indefinições em que o lado esquerdo da defesa é o ponto mais preocupante.

De facto, após a saída de Fábio Coentrão, o Benfica até tem três hipóteses para a posição de lateral-esquerdo, todavia, Carole, Shaffer e César Peixoto estão muito longe de agradar aos adeptos e, inclusivamente, a Jorge Jesus, que, no passado, apenas acreditou em Peixoto e mais para o colocar a ala-esquerdo do que, propriamente, no lado canhoto da defesa.

Esta situação preocupa consideravelmente os adeptos encarnados que vivem o paradoxo de terem quase uma dezena de alternativas atacantes e, depois, sentem que a defesa está a ser negligenciada. De facto, mesmo o centro da defesa poderá gerar preocupações neste início de temporada, pois Luisão e Garay encontram-se na Copa América e o Benfica corre o risco de perder Roderick para o Mundial sub-20, ficando apenas com Jardel e Miguel Vítor para o importante compromisso da terceira pré-eliminatória da “Champions League”, levando todos a pensar se o empréstimo de Sidnei não poderia ter esperado mais algumas semanas…

Para além de tudo isto, o Benfica ainda vive outro problema que passa pelo excesso de estrangeiros. Mesmo com um elevado número de jogadores a poderem ser inscritos (17 na UEFA e 19 na Liga de Clubes), os  encarnados vivem um problema enorme para encaixarem os vários estrangeiros que ainda estão no plantel, sendo muito por esta razão que Melgarejo (recém-contratado) deverá ser emprestado ao Paços de Ferreira e que Júlio César, caso Roberto não saia, também seja cedido, vindo um guarda-redes português para o seu lugar.

No meio disto tudo, não podemos escamotear que Jorge Jesus é o treinador com maior responsabilidades dos três grandes, pois já terminou a temporada passada numa situação complicada com os adeptos encarnados, que não lhe perdoam uma época bastante abaixo das (elevadíssimas) expectativas criadas no início da temporada. Ora, pelo exemplo da época passada, todos percebemos que um início de época titubeante pode ser fatal para as aspirações do Sport Lisboa e Benfica.

Apesar de tudo, a pré-época ainda está no seu início e os encarnados saberão como agir, até porque será suposto que tenham aprendido com os erros cometidos em 2010/11. Para o bem do Benfica, dos adeptos encarnados e do futebol português em geral, todos esperamos que as águias superem as dificuldades e sejam uma equipa forte no contexto nacional e internacional em 2011/12.

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Um grande talento na baliza do Almería

Um dos melhores guarda-redes da Liga Espanhola actua num dos clubes mais fragéis desse mesmo campeonato, o Almería, e chama-se Diego Alves.

Nascido a 24 de Junho de 1985, no Rio de Janeiro, começou nos escalões de formação do Botafogo, passando, em 2004, para o Atlético Mineiro. No galo, foi conquistando rapidamente o seu espaço e acabou por tornar-se num dos esteios da equipa que venceu a segunda divisão em 2006 e o campeonato mineiro em 2007.

Essas excelentes exibições, aliadas a um enorme talento, tornaram-no um alvo apetecível para clubes europeus, sendo que, nesse mesmo ano de 2007, Diego Alves transferiu-se para os espanhóis do Almería.

Nesse clube da Liga Espanhola já fez, em três épocas e meia, noventa e quatro jogos, assumindo-se como a grande figura da equipa. Muito seguro, corajoso e elástico, trata-se de um guarda-redes de grande talento, que apenas sofre mais golos por actuar numa equipa com poucas soluções dentro do forte campeonato espanhol.

Na verdade, se a equipa se mantém no principal campeonato do país vizinho há três anos e meio, muito deve às grandes exibições deste guarda-redes brasileiro, que ainda não tem nenhuma internacionalização porque se encontra tapado na selecção canarinha por atletas como Júlio César, Doni ou Gomes.

Prevê-se que, num futuro próximo, o guarda-redes brasileiro mude para um clube europeu com outros pergaminhos, mas, até lá, convido-o a segui-lo num jogo do Almería e descobrir todo o seu talento.

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Roberto foi uma aposta de Rui Costa

Hoje não vou falar do Sport Lisboa e Benfica, mas sim da magia que é o futebol, o desporto mais espectacular e imprevisível do Mundo. Ninguém esquece a reviravolta na final da Champions League de 1999, onde o Manchester United deu a volta ao jogo nos descontos. Tal como ninguém esquece a final do Euro 96, em que Oliver Bierhoff entra e torna-se o ídolo dos alemães ao marcar os dois golos (o último no prolongamento) que derrotaram a República Checa.

Num plano muito mais micro, também nenhum Benfiquista vai esquecer o jogo de sábado e a aventura de Roberto, pois são estas novelas de final imprevisível que fazem do Futebol o desporto do povo. Quem no passado Sábado assistiu ao jogo do Sport Lisboa e Benfica, tanto no estádio como na televisão, assistiu a um dos melhores episódios de uma novela que se arrasta desde o primeiro jogo do Benfica na pré-época contra o Sion.

Esta novela não tem gémeas separadas à nascença, nem trios amorosos, mas tem um guarda-redes que custou 8,5 milhões e demonstrava muita falta de confiança, um treinador que acreditava que este guarda-redes era capaz de milagres, e um guarda-redes, até agora suplente, que esperava por uma oportunidade para “deitar abaixo” o menino 8,5 milhões.

Quando tudo se preparava para que Roberto fosse emprestado, este episódio veio dar um novo rumo à história. Foi uma daquelas reviravoltas que só são possíveis no futebol. Entre críticas a Roberto e bastantes aplausos para Júlio César  (até exagerados), o Benfica começou o jogo a ganhar. Mas ninguém esperava que Maxi Pereira e Júlio César ajudassem Roberto. Quando vi que era grande penalidade apenas pensei: “Se defende é herói. Se sofre golo o Benfica muito provavelmente não ganha o jogo (equipa ia ficar nervosa) e Roberto (mesmo sem culpa) ia ficar associado a nova derrota do Benfica”. Mas, a verdade é que, em apenas um lance de futebol, Roberto passou de “frangueiro” a herói.

Para mim, ele não pode ser tão mau como parecia, mas também não consigo ver Roberto como um grande guarda-redes só porque defendeu uma grande penalidade (Michael Thomas também marcou um golo que deu o título ao Arsenal e não é por isso que foi um grande jogador). Vejo nele qualidades mas também muitos problemas de confiança. Esta é a melhor oportunidade para segurar o lugar e mostrar o seu valor. Esta grande penalidade caiu do céu para Roberto, foi um presente de Deus.

Apesar de este ser um espaço dedicado ao Benfica, esta não é a história de Roberto, nem uma crónica a falar do Benfica, mas sim uma crónica a falar da beleza do futebol. É por tudo isto que eu amo este jogo.

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Roberto tem estado na mira dos benfiquistas

É com algum desânimo que começo a escrever a minha primeira crónica sobre o Sport Lisboa e Benfica na época 2010/2011. Após uma época em que a única desilusão foi a derrota com o Liverpool em Anfield Road por 4-1 e em que o Sport Lisboa e Benfica perdeu apenas dois jogos no campeonato, a época oficial 2010/2011 começou com uma derrota na Supertaça Cândido de Oliveira e duas derrotas no Campeonato Nacional, isto em apenas duas jornadas.

A equipa não será a mesma? Jorge Jesus não é o mestre da táctica? Será tudo culpa do menino 8,5 milhões?

Enumero aqui alguns problemas:

1. Começo pelo Guarda-Redes. Sofrer 6 golos em 3 jogos? Não percebo como Roberto custa 8,5 milhões e o Eduardo apenas 4 milhões e nós vamos comprar o mais caro. Não percebo como Roberto pode ser tão mau. Aliás, não acredito que Roberto seja assim tão mau. Mas também não acredito no Júlio César e no Moreira. Solução? Não sei.

2. Que defesa é aquela? Não se sabem posicionar numa bola parada? Andam desconcentrados? Acordem para a vida.

3. Que meio campo é aquele? Onde está o Javi? Aimar não aguenta mais de 30 minutos. Gaitan não é ala. Amorim que seria o substituto ideal de Ramires está em má forma. Carlos Martins que foi o melhor na pré-época não joga. Não percebo.

4. Ataque? Aquilo é um ataque? Apenas 2 golos marcados em 3 jogos? Cardozo ainda se mexe menos do que era normal. Saviola anda perdido. O jogador mais perigoso no ataque do Benfica é o seu defesa-esquerdo: Fábio Coentrão.

5. Forma Física: Parecem um bando de reformados. Quem os treina?

6. Dinâmica: Equipa não tem dinâmica, não se percebe como uma equipa que era muito móvel e imprevisível agora parece que não tem ideias. Jesus, desaprendeste?

7. Disciplina: Nem comento. Na Supertaça devíamos ter acabado o jogo com 8. Andam descontrolados?

8. A cara de Jesus. Onde está a arrogância que tanto me agradava? Agora olhamos para a cara de Jesus e parece que tem medo e não sabe o que fazer para mudar as coisas.

Eu continuo a acreditar em Jorge Jesus, Rui Costa, LFV e nos jogadores, mas algo tem de ser feito. Isto não é normal. E não é com contratações “à pressa” que vamos resolver os nossos problemas.

Continuo a acreditar que o Sport Lisboa e Benfica será campeão e que fará uma boa Champions League. Se eu acreditava que era possível recuperar uma eliminatória depois de perder em Vigo por 7-0, porque não vou acreditar que isto é apenas uma fase que será ultrapassada?

Força Benfica!

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Uma equipa que nunca falhou um campeonato do mundo e que, para além disso, já conquistou cinco títulos mundiais, nunca pode ser riscada dos candidatos à vitória final. Os brasileiros continuam com a fantasia de sempre, mas, desde a chegada de Dunga, apoiaram-se num pragmatismo que lhes ajudou a conquistar tanto a Copa América como a Taça das Confederações. Para além disso, a fase de apuramento para o Mundial 2010 foi um autêntico passeio para os canarinhos que até se deram ao luxo de abrandar o ritmo nos últimos jogos. Assim sendo, mesmo com a polémica da não inclusão de Ronaldinho, este Brasil volta a um campeonato do mundo com o lema de sempre: ser campeão.

A Qualificação

Nunca ninguém sequer questiona a possibilidade de o Brasil não se apurar para o campeonato do mundo, todavia, desta vez a facilidade dos canarinhos em se apurarem tem de ser destacada.

Obviamente integrados na zona sul-americana de classificação, os canarinhos fizeram uma bela campanha que teve como pontos altos a vitória na Argentina (3-1) e Uruguai (4-0).

A facilidade de apuramento foi tão notória que, nos últimos jogos, o Brasil abrandou o ritmo e deu-se ao luxo de perder no campo da Bolívia (1-2) e empatar, em casa, com a Venezuela (0-0).

Assim sendo, é com a moral em alta devido à superioridade patenteada na fase de qualificação que os brasileiros chegam à África do Sul para disputarem o campeonato do mundo.

Zona sul-americana – Classificação

  1. Brasil 34 pts
  2. Chile 33 pts
  3. Paraguai 33 pts
  4. Argentina 28 pts
  5. Uruguai 24 pts
  6. Equador 23 pts
  7. Colômbia 23 pts
  8. Venezuela 22 pts
  9. Bolívia 15 pts
  10. Peru 13 pts

O que vale a selecção brasileira?

Só o nome Brasil impõe, imediatamente, respeito, todavia, na realidade, os canarinhos são muito mais que os simples pentacampeões mundiais. A equipa canarinha assegura uma importante mistura de talento puro com jogadores tacticamente evoluídos e experientes, sendo uma equipa forte e com todas as condições para assegurar o hexacampeonato.

Habitualmente o sector mais frágil do Brasil, desta vez a baliza é um dos pontos fortes da selecção canarinha graças à presença de Júlio César. O guarda-redes do Inter dispensa apresentações e é a garantia que não deverá ser por aí que o Brasil irá ter problemas neste campeonato do mundo.

Por outro lado, o quarteto defensivo também tem uma qualidade acima da média. Se a dupla de centrais: Juan-Lúcio é garantia de experiência e segurança no sector recuado, os laterais: Michel Bastos (à esquerda) e Maicon (à direita) são a garantia de qualidade tanto a defender como a atacar. Estes dois jogadores terão, na verdade, que ter um grande pulmão, pois na ausência de extremos, o Brasil depende muito deles para o flanqueamento do seu futebol.

Depois, no meio campo, o Brasil deverá utilizar um duplo pivot composto por dois médios defensivos: Gilberto Silva-Felipe Melo, dois jogadores com a obrigação de darem equilíbrio táctico a uma equipa com laterais de tracção ofensiva. Por outro lado, os alas deverão ser Kaká (à esquerda) e Ramires (à direita), dois jogadores que apesar de partirem dos flancos deverão fazer constantemente diagonais para o centro. No entanto, se o jogador do Benfica será um elemento que servirá, preferencialmente, para o equilíbrio táctico do onze, o jogador do Real Madrid irá funcionar como desequilibrador, aparecendo diversas vezes como número dez e organizador do jogo canarinho.

Por fim, no ataque, o Brasil deverá optar pela dupla: Robinho-Luís Fabiano. Neste esquema, Robinho será um avançado vagabundo que irá aparecer tanto nos flancos de forma a compensar a ausência de extremos, como na frente de ataque para combinar com o outro atacante ou finalizar. Por outro lado, o avançado do Sevilha será um finalizador puro que servirá de referência ofensiva, ainda que, pelas suas características, também tenha alguma mobilidade no ataque.

O Onze Base

Actuando em 4-4-2, o Brasil deverá, assim, utilizar Júlio César (Inter) na baliza; Michel Bastos (Lyon), Juan (Roma), Lúcio (Inter) e Maicon (Inter); Gilberto Silva (Panathinaikos), Felipe Melo (Juventus), Kaká (Real Madrid) e Ramires (Benfica) no meio campo; Robinho (Santos) e Luís Fabiano (Sevilha) no ataque.

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Integrado num grupo com Portugal, Costa do Marfim e Coreia do Norte, o Brasil é o principal candidato ao primeiro lugar do agrupamento. Não sendo um grupo fácil, os brasileiros, pela sua experiência e talento, deverão se superiorizar aos seus adversários com naturalidade.

Calendário – Grupo G (Mundial 2010)

  • 15 de Junho: Brasil vs Coreia do Norte
  • 20 de Junho: Brasil vs Costa do Marfim
  • 25 de Junho: Brasil vs Portugal

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