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Owairan festeja o seu golo magnífico

Estava quente, muito quente como aquelas tardes do deserto a que Owairan costumava estar habituado e o relógio marcava cinco minutos do encontro: Arábia Saudita-Bélgica a contar para o Mundial 94. Os europeus, já apurados, estavam mais tranquilos e ainda estudavam o adversário quando Saeed Al-Owairan decidiu iniciar a sua corrida imparável no seu próprio meio campo. Passou um belga, passou dois, passou três e o quarto, bem o quarto foi recuando e recuando na expectativa de lhe tirar a bola, mas também foi ultrapassado. Por fim, à saída de Preud’Homme, o saudita sabia que não podia falhar, atirou forte e não falhou. Owairan tornava-se, instantaneamente, no novo Maradona e todos lhe auguravam o grande futuro, porém, a história acabaria por ser-lhe cruel.

Nunca uma equipa do golfo pérsico havia ultrapassado a fase de grupos. Tanto o Kuwait (1982) como o Iraque (1986) e os Emirados Árabes Unidos (1990) haviam sido eliminados precocemente, sendo que apenas o Kuwait havia conseguido fazer um ponto.

Assim sendo, ninguém esperava muito dos sauditas que estavam integrados num grupo com Holanda, Bélgica e Marrocos, pedindo-se apenas dignidade na sua participação.

No primeiro encontro, a Arábia Saudita defrontou a Holanda e criou o primeiro impacto no campeonato do mundo dos Estados Unidos. Após abrir o activo por Amin (19′), os sauditas chegaram ao intervalo a vencer e, mesmo depois de consentirem o empate (Jonk, 50′), foram aguentando a igualdade até ao minuto 86, quando Taument fez o 1-2 final.

Este resultado era um aviso que esta Arábia Saudita era diferente das outras equipas do golfo pérsico. Tratava-se de uma equipa com maior disciplina táctica e, acima de tudo, mais talentosa.

No segundo jogo, os sauditas defrontaram os marroquinos. Como ambas as equipas haviam perdido a primeira partida, era uma espécie de final em que quem vencesse continuava a lutar pelo apuramento e quem perdesse começaria a fazer as malas. Tratou-se de um desafio intenso, mas os Falcões Verdes venceram por 2-1 e, assim, iriam defrontar os belgas com possibilidades reais de chegarem aos oitavos de final.

Nessa partida, os sauditas precisavam de apenas um empate para se apurarem para os oitavos e esse era o mesmo resultado que os europeus necessitavam para garantirem o primeiro lugar no grupo.

Aos cinco minutos, surgiu o momento mágico de Owairan que passou por quatro jogadores belgas e fez o golo inaugural da partida. Os sauditas rejubilaram, mas ao mesmo tempo pensaram que ainda faltavam muitos minutos para o final da partida, temendo que os belgas dessem, facilmente, a volta ao resultado.

No entanto, os sauditas foram heroicos e, inclusivamente, seguraram o triunfo, conquistando o segundo lugar no grupo e consequente apuramento para a 2ª Fase.

Não passaram dos oitavos de final (perderam com a Suécia, 1-3), mas o seu lugar na história estava garantido. Haviam sido a primeira equipa do golfo pérsico a atingir a 2ª Fase do campeonato do mundo. Além disso, Saeed Al-Owairan, graças ao golo “à Maradona”, havia garantido a atenção do mundo do futebol, falando-se, inclusivamente, de uma transferência para um grande clube europeu.

No entanto, existia uma lei na Arábia Saudita que impedia os jogadores locais de actuarem no estrangeiro e, como tal, Owairan via-se privado do sonho de jogar num clube europeu. Ainda assim, o azar do saudita não ficou por aqui.

No ano seguinte, o internacional da Arábia Saudita cometeu adultério, crime grave naquele país. Por isso, esteve um ano preso e levou 60 chicotadas na praça pública.

Depois de cumprir a pena, o “Maradona das Arábias” voltou a jogar futebol e, até, esteve presente no Mundial 1998, todavia, nunca mais foi o mesmo. Aquele grande golo, mais do que o ter catapultado para um plano superior do futebol mundial, acabou por diluir-se na história do futebol e, para Owairan, acabou por ser o início do declínio da sua carreira como jogador de futebol.

Uma crueldade que se agrava quando revemos esse grande golo apontado pelo internacional saudita.

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Fahad Al-Sabah

Faltavam poucos minutos para terminar o França-Kuwait da primeira fase do Mundial 82. Em Valladolid, os franceses venciam a partida e Giresse acabava de fazer o 4-1, quando, de repente, o Sheikh Fahad Al-Sabah, também presidente da Federação do Kuwait, resolveu invadir o relvado e mandar os seus jogadores abandonar o terreno de jogo, porque considerava que o quarto golo “bleu” havia sido apontado de forma ilegal. Entretanto, gerou-se uma enorme confusão no relvado e tudo só ficou resolvido quando o árbitro soviético Miroslav Stupar anulou o golo (curiosamente, limpo) à França. Um momento curioso e que vai ficar recordado, para sempre, com um dos mais bizarros dos campeonatos do mundo.

O Kuwait havia chegado a este campeonato do mundo com expectativas reduzidas, mas, no primeiro jogo, surpreendeu o mundo ao conseguir empatar a uma bola com a forte selecção checoslovaca.

Assim, a equipa do golfo pérsico iria defrontar, no segundo jogo, a equipa francesa, um adversário que estava sobre pressão, pois havia perdido o primeiro jogo com a Inglaterra (1-3). Nessa partida, os franceses foram sempre mais fortes e aos  50 minutos já venciam por três bolas a zero, sendo que nem o golo de Al Buloushi (75′) colocava em causa o seu triunfo.

Como tal, todos ficaram deveras surpreendidos quando após um golo legal de Giresse, Fahad Al-Sabah, indignadíssimo, levantou-se da tribuna e dirigiu-se ao relvado para que os jogadores do Kuwait, em protesto, abandonassem o terreno de jogo. A confusão durou vários minutos e só terminou quando o pobre árbitro soviético, desesperado, acabou por anular o tento.

Curiosamente, a partida até acabou 4-1, pois Bossis, mesmo sobre o cair do pano, ampliou a vantagem gaulesa, mas este episódio acabou por custar caro ao árbitro Miroslav Stupar que viu a FIFA excluí-lo do torneio.

Já a equipa do Kuwait seria eliminada, sem casos, no jogo seguinte, após perder com os ingleses (0-1), mas, de qualquer maneira, já tinha garantido o seu lugar na história do futebol mundial após o gesto do Sheikh Fahad Al-Sabah.

Reveja ou descubra este momento bizarro no vídeo abaixo.

 

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