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Jiménez é uma aposta forte do Benfica para 2015/16

Jiménez é uma aposta forte do Benfica para 2015/16

O mais recente reforço do Benfica para a nova temporada é o internacional mexicano Raúl Jiménez, futebolista que começou a destacar-se no América do seu país natal, mas que chega à Luz oriundo dos espanhóis do Atlético de Madrid, clube que representou na temporada transacta.

Trata-se de um ponta de lança nascido a 5 de Maio de 1991 em Tepeji, México, e que é precisamente um produto das camadas jovens do América, emblema que representou entre 1998 e 2014, sendo que, nos últimos três desses anos, actuou ao nível da equipa sénior.

Aí, o possante atacante (190 cm, 80 kg) assumiu-se como uma excelente referência ofensiva, ou não tivesse somado 38 golos em 103 jogos oficiais, e conquistado inclusivamente uma transferência para o Atlético de Madrid a troco de 11 milhões de euros.

O salto para a capital espanhola, todavia, não correu particularmente bem ao internacional mexicano, que raramente conseguiu encontrar o seu espaço junto do onze do Atlético de Madrid, terminando a época de 2014/15 com apenas seis jogos como titular (mais 21 como suplente utilizado) e somente um golo apontado.

Tem potencial mas sentiu o salto para a Europa

Raúl Jiménez é o típico futebolista que temos de analisar através de duas vertentes, mais concretamente o seu valor actual e o seu valor potencial, sendo que o segundo é muito superior ao primeiro, em virtude do internacional mexicano ainda não parecer minimamente adaptado ao futebol do Velho Continente.

Afinal, o ponta de lança de 23 anos tem, realmente, tudo para ser um ponta de lança de grande qualidade no espectro do futebol mundial, uma vez que é fortíssimo fisicamente, algo que lhe permite ser muito forte nos duelos individuais e no jogo aéreo (é letal na finalização de cabeça), mas consegue aliar isso a uma técnica individual muito apreciável no passe, drible e finalização com o pé esquerdo, assim como a uma assinalável mobilidade.

O problema, contudo, é que Raúl Jiménez sentiu em demasia o salto do mais anárquico futebol mexicano para o mais intenso e evoluído futebol europeu, sendo que o ponta de lança, nos “colchoneros”, via-se muitas vezes facilmente engolido pelas organizações defensivas adversárias e com dificuldades extremas para se libertar dessas amarras.

Essa inadaptação, aliás, até prejudicou-o bastante no capítulo da decisão, sendo que era recorrente ver o ponta de lança a definir mal as jogadas, desperdiçando boas ocasiões para oferecer soluções interessantes para a sua equipa.

Certo, de qualquer maneira, é que o campeonato português é bem menos exigente que o espanhol, podendo então este passo atrás na carreira afigurar-se como a melhor decisão para um ponta de lança que, assim que se adaptar aos princípios do futebol europeu, tem tudo para ser um goleador de elite.

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Damm tem na velocidade o seu ponto forte

Jürgen Damm tem na velocidade o seu ponto forte

Se o jornal “A Bola” colocou hoje Héctor Villalba na órbita do Benfica, a verdade é que a comunicação social mexicana está a apontar outro extremo-direito aos encarnados, mais concretamente o jovem Jürgen Damm, de 22 anos, que vai evoluindo no Pachuca.

Trata-se de um futebolista nascido a 7 de Novembro de 1992 em Tuxpan, México, e que também tem nacionalidade alemã, país de origem do seu avô paterno.

Quanto à sua carreira futebolística, esta iniciou-se nas camadas jovens do Atlas, tendo Jürgen Damm passado posteriormente para o Estudiantes Tecos, clube onde se estreou profissionalmente em 2011/12 e no qual somou 26 jogos até o abandonar no Verão de 2013.

Grande impacto no Pachuca

O destino seguinte na carreira do extremo-direito de 22 anos foi o Pachuca, emblema que representa até hoje e pelo qual soma 77 jogos (cinco golos), o que diz bem da sua importância.

Esse bom desempenho, aliás, até já lhe valeu a estreia pela selecção principal mexicana, isto num jogo diante do Equador (1-0), no passado dia 28 de Março de 2015, em que substituiu o portista Héctor Herrera a sete minutos do apito final.

Um dos mais velozes do planeta

Onde Jürgen Damm mais se destaca é no capítulo da velocidade, sendo que o internacional mexicano é capaz de ultrapassar os 35 km/h com bola, num registo que o transforma no segundo futebolista mais rápido do Mundo, apenas superado pelo internacional galês Gareth Bale (Real Madrid).

Essa velocidade estonteante, aliada a uma interessante capacidade técnica, transforma-o num extremo muito vertical e perigoso em lances de um contra um, principalmente em contra-ataques/transições rápidas. Ainda assim, é imperioso que corrija alguns aspectos específicos do seu jogo, nomeadamente ao nível do posicionamento táctico e da finalização.

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Agostinho Oliveira era o seleccionador

Após a nossa selecção ter conquistado o bicampeonato mundial de sub-20, a ideia era atacar o tricampeonato na longínqua Austrália, esperando, no mínimo dos mínimos, que Portugal superasse a primeira fase da prova. Contudo, a equipa treinada por Agostinho Oliveira e que contava com jogadores como Costinha, Litos, Andrade, Porfírio ou Bambo acabou por fazer uma prova deplorável, perdendo todos os jogos que disputou e abandonando a competição sem honra nem glória. Podemos sempre dizer que o grupo era complicado (Gana, Alemanha e Uruguai) e que nunca nos adaptámos ao facto dos jogos se disputarem nas manhãs portuguesas, todavia, para a história fica a pior participação portuguesa de sempre num Mundial sub-20.

A equipa portuguesa que esteve na Austrália

Três jogos, três derrotas

Portugal estreou-se no Mundial de sub-20 diante da poderosa Alemanha, que contava com jogadores como Jancker, Hamann ou Ramelow. Num jogo extremamente disputado e equilibrado, a equipa lusitana haveria de sucumbir perto do final do jogo, graças a um tento do inevitável Carsten Jancker, iniciando a prova de forma negativa.

No segundo duelo, diante do Uruguai, Portugal estava obrigado a não perder para continuar a sonhar com o apuramento para os quartos de final. Entrando a perder com um golo madrugador de Fabián O’Neill (esse mesmo que chegou a jogar na Juventus), a equipa portuguesa conseguiu igualar a contenda, graças a um golo de Bambo, que havia de ser o único golo que Portugal marcaria na competição. Perto do fim, quando já todos pareciam resignados à igualdade, o mesmo O’Neill haveria de bisar e dar a vitória à equipa sul-americana, levando a que o jogo de Portugal, na última jornada, diante do Gana, fosse meramente para cumprir calendário.

Desmotivada e sem nenhum objectivo desportivo, a equipa das quinas rapidamente sucumbiu à equipa africana, sofrendo dois golos na primeira parte e deixando o jogo escoar até final na segunda sem qualquer intensidade competitiva. A derrota (0-2) fez com que os portugueses abandonassem a competição sem qualquer ponto e garantiu o apuramento aos ganeses para a fase seguinte.

Jardel pouco jogou na prova

Brasil campeão com Marcelinho Paulista e… Mário Jardel

O Brasil conquistou o campeonato do Mundo graças às grandes exibições de Adriano um avançado que, na altura, representava os suíços do Neuchatel Xamax, marcou quatro golos na prova e foi considerado o melhor jogador do Mundial sub-20. Nessa equipa, também brilhava Marcelinho Paulista  e estava presente Mário Jardel que, porém, apenas fez 12 minutos durante toda a competição.

Na fase de grupos, o Brasil venceu o agrupamento D, empatando com a Arábia Saudita (0-0) e vencendo México (2-1) e Noruega (2-0). Depois, nos quartos de final, os canarinhos superaram os Estados Unidos (3-0) e, nas meias finais, foi a vez da equipa anfitriã (Austrália) sucumbir por duas bolas a zero.

Por fim, na final, a equipa brasileira defrontou a poderosa selecção do Gana, que contava com autênticas promessas como Samuel Kuffour, Nii Lamptey, Charles Akonnor ou o nosso bem conhecido Emmanuel Duah. Nesse duelo, o Brasil até esteve a perder graças a um golo de Duah (15′), todavia, Yan (50′) e Gian (88′) deram a volta ao marcador e garantiram o título mundial à equipa verde-e-amarela. Foi o terceiro título do Brasil no Mundial sub-20.

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"No pasa nada, tenemos a Arconada" era o que cantavam os adeptos da Real Sociedad

Um dos principais jogadores da história da Real Sociedad e da selecção espanhola foi o guarda-redes Luis Arconada, um atleta que marcou uma época no futebol europeu no final da década de 70 e durante toda a década de 80. Duas vezes campeão espanhol e vice-campeão europeu ao serviço de Espanha, Arconada era um guarda-redes de extraordinários reflexos que lhe permitiam fazer defesas (quase) impossíveis e efectuar exibições que vão ficar para sempre na memória dos adeptos da Real Sociedad e de Espanha. Afinal, não era por acaso que os adeptos donostiarras cantavam “No pasa nada, tenemos a Arconada”.

Arconada só conheceu um clube em toda a sua carreira

Produto das escolas da Real Sociedad, Luis Arconada actuou toda a sua carreira nesse clube de San Sebastián, tendo passado pelas camadas jovens, equipa secundária e, obviamente, conjunto principal.

Entre 1974 e 1989 (período em que representou a equipa A da Real Sociedad), Luis Arconada vestiu a camisola do clube basco por 551 ocasiões, tendo conquistado dois campeonatos espanhóis (1980/81 e 1981/82), uma Taça do Rei (1986/87) e uma Supertaça espanhola (1981/82). Individualmente, conquistou três troféus Zamora (1979/80, 1980/81 e 1981/82), prémio atribuído aos guarda-redes com menor rácio de golos sofridos por jogos efectuados no campeonato espanhol.

Desde que abandonou a Real Sociedad, todos os guarda-redes que vestiram a camisola do clube basco têm tido dificuldade em quebrar a lenda de Arconada, que, invariavelmente, leva adeptos e imprensa a estabelecerem constantes comparações que em nada facilitam a vida dos novos guarda-redes do clube de San Sebastián.

Grande figura da selecção espanhola

Luis Arconada representou Espanha por 68 ocasiões entre 1977 e 1985, tendo estado presente nos campeonatos do Mundo de 1978 (suplente não utilizado numa prova em que os espanhóis não passaram da primeira fase) e 1982 (titular e capitão de uma equipa eliminada na segunda fase de grupos).

Em termos de campeonato da Europa, esteve presente no de 1980, em que a Espanha não passou da primeira fase, e de 1984, onde ajudou “nuestros hermanos” a alcançarem a final, mas onde acabou por ficar ligado à derrota espanhola no duelo decisivo por duas bolas a zero diante da França, ao falhar uma defesa fácil a livre de Platini.

Era previsível que Luís Arconada fosse titular durante o Mundial 1986 a disputar no México, contudo, uma grave lesão sofrida ao serviço da Real Sociedad na época 1985/86, acabou por significar o fim precoce do seu reinado na baliza da selecção espanhola.

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Kikin a festejar o golo ao Belenenses

No defeso de 2006/07, chegava ao Benfica um atacante mexicano que se pensava que pudesse ser uma enorme mais valia para o plantel encarnado: Kikin Fonseca. Com bastante crédito na América Central e tendo marcado um golo a Portugal no Mundial 2006, o internacional mexicano parecia ter tudo para vingar no Estádio da Luz, entusiasmando os adeptos das águias, que já sonhavam com muitos golos e grandes exibições. No entanto, apesar de ter deixado excelente impressão pela capacidade de luta e pela entrega no terreno de jogo, o trajecto do avançado mexicano no Benfica acabou por ser demasiado curto, pois Kikin limitou-se a marcar 3 golos em 13 jogos, regressando ao México, menos de seis meses depois.

Apareceu no La Piedad e explodiu no Pumas

Nascido a 2 de Outubro de 1979, José Francisco “Kikin” Fonseca Guzmán iniciou a sua carreira no La Piedad em 2001, onde fez 28 partidas, sendo que a maior parte delas tenham sido como suplente. No ano seguinte, trocou o La Piedad pelo Pumas, brilhando até ao final de 2004, com 24 golos em 80 jogos e excelentes exibições individuais.

Posteriormente, no início de 2005, Kikin transferiu-se para o Cruz Azul, numa das mais caras transferências de sempre do futebol mexicano. Durante época e meia, o avançado raçudo provou que o histórico clube mexicano tinha acertado na sua contratação, marcando 25 golos em 48 jogos.

Passagem fugaz pelo Benfica

O sucesso ao serviço do Cruz Azul, aliado a um bom campeonato do Mundo de 2006 ao serviço do México, levaram os responsáveis encarnados a avançarem para a sua contratação no defeso de 2006/07. Chegado ao Benfica, esperava-se muito de Kikin Fonseca, mas o certo é que o atacante mexicano apesar de demonstrar ser um atacante com qualidades, como a enorme entrega, a raça e a mobilidade, nunca foi capaz de se revelar aquilo que os benfiquistas mais esperavam dele, um goleador.

De facto, em época e meia, Kikin Fonseca marcou 3 golos em 13 jogos, sendo dois deles num desafio para a Taça de Portugal diante do Oliveira do Bairro. Curiosamente, os três golos que marcou (o outro foi diante do Belenenses para o campeonato) surgiram nos dois últimos jogos que fez pelo Benfica, dando a ideia que talvez se tenha ido embora quando se começava a adaptar ao futebol português.

Regresso ao México

Após a curta experiência encarnada, o internacional mexicano regressou ao seu país natal, tendo se transferido para o Tigres. Nesse clube, haveria de permanecer até 2011, sendo um habitual titular, mas não revelando uma média de golos por aí além, pois apenas marcou 15 em 109 jogos.

Este ano, trocou o Tigres pelo Atlante, onde soma 5 golos em 8 jogos e mantém-se como um dos bons avançados do futebol mexicano.

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Esperava-se mais de Ronaldo no Mundial

Até 2010, Portugal havia participado em apenas quatro campeonatos do mundo: 1966, 1986, 2002 e 2006. Curiosamente, nas participações em terras europeias (1966 em Inglaterra e 2006 na Alemanha), Portugal havia feito excelentes campanhas ficando em terceiro e quarto lugar respectivamente, enquanto nas presenças fora da Europa (1986 no México e 2002 na Coreia/Japão) as campanhas foram péssimas, com a selecção das quinas a não passar da fase de grupos, perdendo mesmo com equipas que pareciam acessíveis como Marrocos (1986), Estados Unidos (2002) e Coreia do Sul (2002). Assim sendo, na terceira participação em terras distantes do velho continente, todos ficamos ansiosos para saber se à terceira era de vez e fazíamos uma boa campanha ou se, ao invés, voltávamos a fracassar como no México ou na Coreia/Japão. Curiosamente, acabamos por nem fazer uma coisa nem outra, terminando com uma campanha digna, mas modesta, pois limitamo-nos a cumprir com os serviços mínimos: oitavos de final. A única “consolação”? A Espanha, que nos eliminou, sagrou-se campeã do mundo de futebol. 

A Fase de Grupos 

Integrados no Grupo G com Costa do Marfim, Coreia do Norte e Brasil, percebeu-se, desde cedo, que Portugal iria disputar o apuramento para os oitavos de final com a equipa marfinense. Nesse aspecto, o facto da equipa lusitana defrontar a equipa canarinha na última jornada poderia revelar-se um ponto a favor da nossa selecção como, aliás, se confirmou. 

O primeiro jogo de Portugal, diante da Costa do Marfim, foi, sem sombra de dúvida, o pior da campanha lusitana na África do Sul. Portugal até começou melhor, ficando na retina um grande remate de Cristiano Ronaldo ao poste da baliza de Barry, mas depois, com o passar do tempo, Portugal foi recuando, foi ficando parco em ideias e foi dando, perigosamente, a iniciativa de jogo aos marfinenses. Ronaldo não existia, Danny mostrava ser um equívoco, Paulo Ferreira tinha dificuldades para parar os velozes avançados africanos e Liedson, esse, sozinho na frente, era incapaz de fazer o que fosse perante os gigantes defesas da Costa do Marfim. Neste jogo, salvou-se Coentrão (grande exibição), Eduardo (sempre atento) e o facto de Drogba, completamente isolado, já nos descontos, ter tentado um passe, quando tinha tudo para marcar um golo que, quase de certeza, iria ser fatal para a passagem portuguesa aos oitavos de final. No final, o nulo foi bem melhor que a exibição. 

A equipa lusitana encarou o segundo jogo com os norte-coreanos com algumas cautelas, pois os asiáticos haviam, na primeira partida, perdido apenas por um golo (1-2) com o Brasil. Na primeira parte os asiáticos ainda deram um ar da sua graça com bons processos ofensivos e alguns remates perigosos, mas Portugal chegou ao intervalo a vencer por uma bola a zero e percebia-se que bastaria a equipa das quinas acelarar na segunda parte para fazer mais golos. Na verdade, essa segunda metade, foi o melhor período de Portugal no campeonato do mundo. Com um futebol fluído, com bastantes passes ao primeiro toque e muita velocidade, Portugal foi trucidando o sector recuado norte-coreano. Coentrão e Ronaldo combinavam muito bem no flanco esquerdo, Tiago mostrava ser um autêntico maestro do meio campo e os golos iam se sucedendo. Simão, Tiago (2), Hugo Almeida, Cristiano Ronaldo e Liedson marcaram, assim, seis tentos nos segundos quarenta e cinco minutos e a partida terminou com uma vitória lusa por 7-0, provando que Portugal, quando quer, pode jogar um futebol ofensivo, imaginativo e do agrado do espectador. 

Como se esperava, o Brasil havia vencido a Costa do Marfim (3-1) e, assim, esse resultado aliado ao facto de termos despachado a Coreia do Norte por 7-0, deixava-nos praticamente apurados para a fase seguinte. Ainda assim, Queirós, talvez temendo que os asiáticos pudessem levar um correctivo da equipa africana ao nível do que haviam levado de Portugal, preferiu apresentar uma equipa cautelosa, com Ricardo Costa e Duda como laterais, Ronaldo como ponta de lança e Fábio Coentrão no meio campo. Acabou por ser um jogo bastante enfadonho, com poucas oportunidades de golo e com ambas as equipas contentes com o zero a zero, pois, com esse resultado, o Brasil assegurava o primeiro lugar e Portugal assegurava o apuramento para os oitavos de final. Ainda assim, destaque para a fraca exibição de Ricardo Costa e de Danny que pareciam estar a mais em campo, sendo que o defesa, muitas vezes, até parecia estorvar os companheiros do sector enquanto o jogador do Zenit, perto do fim, na única vez em que fez algo de útil, desperdiçou uma grande oportunidade de dar a vitória a Portugal e colocar-nos no primeiro lugar do agrupamento. Esse falhanço obrigava-nos, assim, a jogar com a Espanha nos oitavos de final. 

Oitavos de Final 

No jogo contra a Espanha, Queirós voltou a surpreender, insitindo na utilização de Ricardo Costa a lateral direito (menos mau que com o Brasil, mas muito fraquinho) e apostando em Hugo Almeida na frente de ataque (uma nulidade), quando se esperava o mais móvel: Liedson. 

Os primeiros quinze minutos de Portugal foram um pesadelo. A Espanha trocava a bola no meio campo lusitano de forma rápida e incisiva, conseguindo criar lances de perigo sucessivos para a baliza de um sempre atento e muitas vezes heroico Eduardo. Ainda assim, com o passar do tempo, Portugal foi equilibrando a partida, conseguindo, até, chegar algumas vezes à baliza de Casillas. 

Neste período, a “Roja” com Villa e Torres a descaírem muito nas alas, ia perdendo alguma objectividade e o jogo foi se arrastando até que Del Bosque, aos 58 minutos, decide tirar Fernando Torres e lançar, no seu lugar, o ponta de lança fixo: Llorente. Esta alteração desorientou totalmente Portugal, que além de não ter sabido reagir à mudança táctiva, viu Carlos Quirós tirar Hugo Almeida, que apesar de ter feito um mau jogo ainda prendia os defesas castelhanos e lançar Danny, deixando Portugal sem referência ofensiva. 

Tantos equívocos não podiam resultar em coisa boa e, pouco depois, David Villa fez o golo da Espanha. Ainda faltava cerca de meia hora, mas para a equipa das quinas o jogo podia ter terminado naquele instante. Queirós, no banco, era incapaz de fazer o que quer que fosse para alterar o rumo dos acontecimentos, apesar de ainda ter tentado emendar a mão, lançando Liedson e voltando a colocar a equipa lusa com uma referência atacante. No entanto, era tarde demais e a alteração foi incapaz de fazer efeito perante uma equipa que se arrastava em campo sem ideias colectivas e sem qualquer rasgo ou momento de inspiração individual. 

Assim sendo, foi sem surpresa que o jogo se arrastou até final, terminando com uma vitória da Espanha por uma bola a zero, num jogo em que ficou a ideia que se Portugal tivesse tido mais ambição podia ter tido outro resultado. 

Conclusão 

Para os apreciadores de estatísticas, temos que admitir que foi a melhor participação de Portugal fora do velho continente (passamos, enfim, a fase de grupos), que foi a vez que sofremos menos golos (apenas um) e que marcámos tantos golos como no Alemanha 2006 (sete, curiosamente todos contra a Coreia do Norte). 

Em termos globais, cumprimos com aquele que podia ser considerado o objectivo mínimo: os oitavos de final. Num grupo com o Brasil e Costa do Marfim, seria extremamente difícil ficar em primeiro lugar, ainda que, agora, analisando a frio, tenhamos a noção que com mais ambição e com um esquema mais arrojado teria sido possível vencer o agrupamento. Ainda assim, termos sido eliminados pela Espanha, nos oitavos de final, sabendo que “nuestros hermanos” acabaram por vencer o Mundial, nunca pode ser encarado como um fracasso absoluto. 

O pior, na verdade, foram as exibições e a atitude competitiva da selecção portuguesa. Tirando os segundos 45 minutos com a Coreia do Norte, Portugal pareceu sempre uma equipa abaixo das suas possibilidades. Mostramos muitos receios, pouca ambição, tivemos sempre mais preocupação em defender do que em assumir o jogo e isso, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre por ser fatal. Carlos Queirós terá, se continuar (como se espera) como seleccionador nacional, que rever algumas das suas ideias e perceber, de uma vez por todas, que jogadores como Ricardo Costa nunca podem ser titulares da nossa equipa, que Duda não acrescenta nada a Portugal, que Ronaldo não pode jogar sozinho na frente e que Hugo Almeida apenas pode ser titular em condições muito especiais. 

No entanto, nem tudo é mau no horizonte futuro. Bosingwa e Nani estão aí a regressar, Rúben Micael será uma opção e Quaresma, agora no Besiktas, também poderá voltar à selecção. Estes jogadores poderão permitir a Carlos Queirós uma mudança no seu paradigma táctico, utilizando um esquema mais ofensivo, mais criativo e, acima de tudo, mais de acordo com a génese daquele que é, na realidade, o futebol português. Veremos se tem a capacidade para o fazer, pois, na verdade, as qualificações para o Euro 2012 estão aí mesmo à porta…

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Monumento à “Guerra do Futebol” nas Honduras

Estávamos em Junho de 1969 e El Salvador e as Honduras disputavam uma eliminatória de tudo ou nada na zona de apuramento da CONCACAF para o México 1970. As Honduras venceram o primeiro jogo (1-0), enquanto os salvadorenhos venceram o segundo (3-0) e o desempate (1-0) na cidade do México. Durante todos os encontros, houve confrontos graves, principalmente na partida em El Salvador, confrontos que derivavam de problemas já antigos que geraram perseguições, expulsões e, imagine-se, uma guerra, que ficaria conhecida para sempre como: “A Guerra do Futebol”.

Com o México automaticamente apurado como país organizador do Mundial 1970, abria-se uma vaga para uma selecção de segunda linha da CONCACAF.  Honduras, El Salvador, Haiti e EUA superaram a primeira fase e apuraram-se para as meias finais que designou os seguintes jogos: EUA vs Haiti e El Salvador vs Guatemala.

Naquela altura, El Salvador e as Honduras tinham bastantes e graves problemas sociais e etnicos, pois os salvadorenhos, apesar de terem o dobro da população das Honduras, tinham um país cinco vezes mais pequeno que os hondurenhos e, assim, criaram uma grande vaga de emigração para as Honduras em busca de terrenos agícolas onde pudessem trabalhar.

Nessa época, os terrenos agrícolas hondurenhos eram, na sua quase totalidade, controlados por grandes latifundiários e por grandes empresas internacionais. Cansados dessa situação, os hondurenhos fizeram uma reforma agríciola que protegia o agricultor local e começou a desapropriar os salvadorenhos que trabalhavam nas Honduras. Essa situação tornou-se mais fácil, pois a maior parte dos emigrantes de El Salvador estavam nas Honduras de forma ilegal e a trabalharem terrenos que não lhes pertenciam.

Esta situação era muito delicada e, na verdade, apenas precisava de um rastilho para despoletar algo de muito grave. Um jogo de futebol, ainda para mais de apuramento para um Mundial, tornava-se a desculpa perfeita.

A primeira partida, disputada nas Honduras, foi vencida pela equipa local (1-0) e, a segunda, jogada em El Salvador, foi vencida pelos salvadorenhos (3-0). Em ambos os jogos, houve confrontos graves entre pessoas das duas nacionalidades, além de perseguições de hondurenhos em El Salvador e, principalmente, de salvadorenhos nas Honduras.

O desempate (na altura o que contavam eram as vitórias e não as margens de golo das mesmas) disputou-se no México e foi ganho por El Salvador (1-0), que assim iria avançar para jogar a final com o Haiti, mas, naquela altura, pouco interessou, pois todos já esperavam algo de muito grave.

A prova de que esse medo tinha razão de ser foi uma guerra, que se iniciou no mês seguinte aos jogos de apuramento, ou seja em Julho (dia 14 para sermos mais exactos). Os salvadorenhos invadiram e controlaram territorio hondurenho, até que, no dia 20 de Julho, foi decretado o cessar fogo, ainda que os militares de El Salvador só tenham começado a abandonar as Honduras nos primeiros dias de Agosto. Morreram 3000 (900 salvadorenhos e 2100 hondurenhos) no decurso da “Guerra do Futebol”.

Em Setembro, a selecção de El Salvador disputou mesmo a eliminatória com o Haiti e venceu-a (2-1, 0-3 e 1-0), apurando-se para um Mundial de má memória, pelos jogos de apuramento terem ajudado a gerar a “Guerra do Futebol” e, também, porque, no Mundial própriamente dito, os salvadorenhos foram eliminados logo na primeira fase devido às derrotas com Bélgica (0-3), México (0-4) e União Soviética (0-2).

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