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Posts Tagged ‘Mundial 1958’

Just Fontaine foi um goleador de excelência

Just Fontaine foi um goleador de excelência

Ainda é o jogador que marcou mais golos numa fase final de um Campeonato do Mundo (13 em 1958), isto naquele que foi o momento alto da carreira de um jogador que, ao serviço da selecção francesa, somou 30 golos em 21 internacionalizações, numa média de 1,42 golos/jogo. Forte fisicamente, com excelente técnica e controlo de bola, e letal na hora de atirar à baliza, Just Fontaine foi, afinal, um verdadeiro goleador que ficará para sempre na história dos “bleus” e do então gigante Stade Reims.

Nascido em Marrocos

Lenda do futebol gaulês, Just Fontaine nasceu a 18 de Agosto de 1933 no Continente Africano, mais concretamente na actual cidade de Marraquexe, isto numa altura em que grande parte de Marrocos era um protectorado de França.

Sem surpresa, começou a sua carreira ainda em Marrocos, no Casablanca, apenas se mudando para França em 1953, então para presentar o Nice, clube onde somou 83 jogos e 52 golos em três temporadas.

A glória no Reims

No Nice, os golos de Just Fontaine já o tinham catapultado para a conquista de um Campeonato Francês e de uma Taça de França, mas a mudança para o Stade Reims, em 1956/57, abriu o horizonte ao goleador gaulês de muitos outros títulos.

De facto, apontando 145 golos em 152 jogos, isto até 1961/62, Just Fontaine contribuiu para a conquista de mais três Campeonatos de França, uma Taça de França e duas Supertaças. Para além disso, disputou ainda a final da Taça dos Campeões em 1958/59, perdida para o Real Madrid (0-2).

Lesão grave tirou-o precocemente dos relvados

Presente ainda no Mundial 1958, onde foi o melhor marcador da prova com 13 golos, e no qual ajudou a França a conquistar o terceiro lugar, a verdade é que Just Fontaine terá sempre o gosto amargo de ter sido forçado a um precoce abandono dos relvados.

Afinal, em 1960, num jogo com o Sochaux, um defesa adversário teve uma entrada violentíssima à sua perna, deixando-o com tíbia a perónio fracturados. Ora, naqueles tempos, lesões deste tipo representavam praticamente o fim de uma carreira, e se atacante ainda voltou aos relvados depois desse infortúnio, a verdade é que jamais foi o mesmo, acabando por pendurar as botas em 1962, quando tinha apenas 28 anos…

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Adam Matthews no Cardiff City

Quando pensamos no futebol galês, lembramo-nos rapidamente de jogadores como Ian Rush, Dean Saunders, Mark Hughes ou Ryan Giggs. Todos eles marcaram uma era no futebol desta nação britânica ainda que, infelizmente, nunca tenham tido a oportunidade de jogar a fase final de uma grande competição internacional como o Europeu ou o Mundial.

Presente em apenas uma grande competição internacional (Mundial 1958) em toda a sua longa história, o País de Gales pretende agora inverter essa realidade com uma nova geração de jogadores, dos quais se destaca o lateral-direito do Cardiff City: Adam Matthews.

Nascido a 13 de Janeiro de 1992, o defesa galês entrou nas escolas do Cardiff City em 2000, estreando-se como suplente utilizado pela equipa principal dos “bluebirds” a 21 de Abril de 2009, num empate (2-2) diante do Charlton Athletic, em jogo a contar para a segunda divisão inglesa (The Championship).

Na temporada de 2009/10, o lateral-direito aproveitou uma série de lesões no clube galês para se assumir como titular do Cardiff City, tornando-se num dos jogadores mais importantes dos “bluebirds”, pela sua velocidade, capacidade defensiva, cultura táctica elevada, apetência ofensiva e, acima de tudo, por nunca virar a cara à luta. Ideal para um esquema 4-4-2, Matthews também se adaptará facilmente a ser ala num 3-5-2, ou mesmo lateral ofensivo num 5-3-2.

Neste momento, com apenas 18 anos, é pretendido por diversos clubes da Premier League e está à beira de somar a primeira internacionalização pelo País de Gales, sendo, por certo, uma boa aquisição para qualquer clube português de topo. Procurem-no num jogo da selecção galesa e confirmem a minha tese.

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Igor Netto com a Taça do Euro 60

Num URSS-Uruguai do Mundial 1962, o resultado estava igualado a uma bola, quando o atacante da União Soviética, Igor Chislenko, desferiu um remate que entrou na baliza pelo lado de fora da mesma. O árbitro preparava-se para validar o golo, quando Igor Netto, capitão da selecção soviética, se dirigiu ao juiz e informou-o que, na verdade, aquela bola não tinha entrado na baliza. A URSS acabaria por ganhar o jogo na mesma (2-1), mas o que ficou para a posterioridade foi o gesto de Netto, um médio ofensivo de enorme qualidade, classe e carácter e que brilhou ao serviço das duas únicas camisolas que vestiu na sua longa carreira: a da URSS e a do Spartak Moscovo.

 

Igor Aleksandrovich Netto nasceu em Moscovo a 9 de Janeiro de 1930 e começou a actuar no seu clube de sempre (Spartak de Moscovo) em 1949, na altura, como defesa-esquerdo, no entanto, a sua enorme qualidade técnica fê-lo saltar primeiro para médio ala esquerdo e, posteriormente, para um magistral organizador de jogo. Netto era daqueles elementos que conseguia aliar a habitual frieza do futebol soviético, a uma técnica e criatividade quase latina, o que o transformava num jogador único.

No histórico clube de Moscovo, Netto esteve durante 17 anos (1949-1966) e, durante esse período, o médio soviético fez 37 golos em 367 jogos, conquistando cinco campeonatos soviéticos e três Taças da URSS.

Na selecção da União Soviética, num tempo em que os jogos de selecções não abundavam, Igor Netto disputou 54 jogos e apontou 4 golos, tendo conquistado o torneio olímpico de 1956 em Melbourne e o Campeonato da Europa de 1960, disputado em França. Presente no Mundial 1962, onde ajudou a URSS a atingir os quartos de final, Netto falhou o Mundial 1958, numa altura em que estava no auge da sua carreira, por lesão.

Após terminar a carreira como jogador de futebol, iniciou um percurso como treinador, que o levou a treinar o Omónia Nicósia, Shinnik, Selecção do Irão, Panionios e Neftchi Baku, tendo, ainda, sido treinador adjunto do Spartak Moscovo, tal como responsável do centro de formação e prospecção desse mesmo clube moscovita.

Agraciado com a ordem de Lenine em 1957, Igor Netto viu, também, o Estádio de reservas do Spartak Moscovo ter o seu nome. Duas distinções justíssimas para um dos melhores jogadores soviéticos de todos os tempos.

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Quatro anos depois dos deuses magiares terem caído na final diante da Alemanha Ocidental, o mundo voltava a assistir a uma equipa de artistas, que chegou à Suécia com ambições moderadas, mas iria deixar a Escandinávia como uma das mais fascinantes selecções que há memória. O Brasil, principalmente após a inclusão de Garrincha e Pelé (então com 17 anos), foi uma autêntica máquina de ataque que não deu hipóteses aos seus adversários e deslumbrou todos os que tiveram a felicidade de os ver ao vivo. Após um percurso com apenas um empate (diante da Inglaterra e ainda sem Garrincha e Pelé), os brasileiros conquistaram o título, na final, diante da Suécia (5-2), provando que, por vezes, o bom futebol, para além da imortalidade, também é recompensado com títulos…

Primeira Fase

Depois do estranho modelo do Mundial 1954, com cabeças de série, o Mundial 58 voltou a um sistema de quatro grupos de quatro, mas com todos a jogarem contra todos. Ainda assim, manteve-se a nuance  que, em caso de igualdade pontual entre segundo e terceiro, estes voltariam a fazer um jogo de desempate.

No Grupo A, a Alemanha Ocidental, campeã em título, seguiu em frente como líder do grupo, após vencer a Argentina (3-1) e empatar com Checoslováquia (2-2) e Irlanda do Norte (2-2). Checoslovacos e irlandeses, empatados no segundo lugar, defrontaram-se, em jogo de desempate, para decidir quem acompanhava os germânicos na passagem aos quartos de final. Aí, os irlandeses foram mais felizes e seguiram em frente após vencerem (2-1). Já os argentinos, além de terminarem em último lugar no grupo, ainda foram recebidos no aeroporto de Buenos Aires com vaias e pedras, obrigando a polícia a escoltá-los até às suas residências.

Por outro lado, no Grupo B, França e Jugoslávia seguiram em frente, enquanto Paraguai e Escócia foram eliminados. Os franceses perderam com a Jugoslávia (2-3), mas venceram Paraguai (7-3) e Escócia (2-1), enquanto os jugoslavos, depois da vitória com os franceses, deram-se ao luxo de empatar com Escócia (1-1) e Paraguai (3-3) e, mesmo assim, apurarem-se para os quartos de final.

No Grupo C, a Suécia aproveitou o factor casa e venceu o agrupamento após vencer o México (3-0) e Hungria (2-1) e empatar a zero com o País de Gales. Empatados no segundo lugar, galeses e magiares fizeram um jogo de desempate e, aí, de forma surpreendente, os britânicos venceram por duas bolas a uma e acompanharam os escandinavos no apuramento para a fase seguinte.

Por fim, no Grupo D, o Brasil foi o líder incontestado após vitórias diante da Áustria (3-0) e União Soviética (2-0) e um nulo diante da Inglaterra (primeiro nulo num Mundial de futebol). Empatados no segundo lugar, soviéticos e ingleses tiveram de fazer um jogo de desempate. Tratavam-se de duas equipas desfalcadas, pois os russos estavam privados de Streltsov (fabuloso avançado do Torpedo), que havia sido acusado de violação e ficou num campo de concentração siberiano até… 1962 e os ingleses haviam perdido grande parte dos jogadores do Manchester United num desastre de avião. No desempate, a União Soviética venceu por 1-0 e seguiu em frente.

Quartos de Final

O Brasil esperava, por certo, vencer com maior facilidade o País de Gales, todavia, a bem organizada equipa galesa, foi dificultando a vida dos canarinhos, que viram a situação desbloqueada, aos 65 minutos, com um golo de Pelé. Com uma magra vitória por 1-0, os brasileiros seguiam para as meias finais.

Quem continuava a surpreender era a França e, principalmente, o seu goleador Just Fontaine. Após fazer seis golos na primeira fase, o avançado de origem marroquina bisou e ajudou os gauleses a vencerem a Irlanda do Norte por quatro bolas a zero.

Por outro lado, a Alemanha Ocidental manteve-se fria e calculista, desvencilhando-se da Jugoslávia (1-0), graças a um golo solitário de Rahn.

Por fim, a Suécia mostrou que tinha uma excelente geração de jogadores e venceu a União Soviética por duas bolas a zero, continuando a perseguir o sonho de chegar à final.

Meias-Finais

Na primeira semi-final, o Brasil defrontou a França e os oito golos do gaulês Fontaine impunham respeito. Contudo, o Brasil, liderado pelo jovem Pelé (fez hat-trick) fez uma excelente exibição e esmagou os franceses (5-2), seguindo para a final.

No outro jogo, a Suécia surpreendeu o mundo e eliminou o campeão do mundo em título: Alemanha Ocidental. Os suecos venceram os germânicos por 3-1 e o sonho do título ficava à distância de um jogo.

Terceiro e Quarto Lugar

Desiludida com a eliminação diante da Suécia, a República Federal da Alemanha não conseguiu arranjar grande motivação para este duelo diante da França. Para piorar o panorama, os alemães tiveram o azar de defrontarem um avançado que, apesar de já ter feito nove golos no mundial, continuava com fome de tentos: Just Fontaine. Assim sendo, foi um desafio sem grande história com os gauleses a vencerem (6-3) e Fontaine a marcar mais quatro golos, terminando o Mundial com 13 golos apontados, um número que, até hoje, nunca foi batido.

Final* Brasil 5-2 Suécia

O entusiasmo em torno da final era grande. Afinal, defrontavam-se a equipa anfitriã e o Brasil, a equipa que mais havia fascinado os adeptos. Para terem uma ideia da loucura inerente ao desafio, três horas antes do apito inicial do francês Maurice Guigue, já o Estádio se encontrava repleto.

A Suécia até entrou melhor e abriu o activo por Liedholm, aos três minutos. Este jogador tinha 36 anos e havia ficado fora de outros mundiais por se ter tornado profissional pelo Milan. Entretanto, havia feito uma promessa que, se jogasse algum campeonato do mundo, raparia o cabelo. Assim, foi de cabeça totalmente rapada que capitaneou a selecção escandinava e marcou o primeiro golo da final.

A perder o Brasil reagiu. Primeiro foi um bis de Vavá e, depois, um dos golos mais fantásticos da história do futebol. Um lance repetido vezes sem conta em que Pelé tocou a bola por cima de Bergmark e, sem deixar cair a bola no chão, desferiu um remate colocado sem hipóteses para o guarda-redes Svensson.

Com o 3-1 no marcador, percebeu-se que a vitória não fugiria aos brasileiros. Assim, seguiu-se o 4-1 de Zagallo e nem a redução de Simonsson assustou os canarinhos que, sobre o final, viram Pelé fazer o 5-2 final.

Terminado o desafio, Pelé, grande responsável pela vitória canarinha, iniciou um choro compulsivo e saiu nos ombros dos companheiros, quase desfalecendo de emoção. Bellini, o capitão brasileiro, recebeu, depois, a Taça Jules Rimet das mãos do Rei Gustavo da Suécia, erguendo-a, institivamente, aos céus, como que agradecendo aos deuses do futebol. Esse gesto perdurou para todo o sempre e, até hoje, é imitado por todos os capitães campeões do mundo.

Números do Mundial 1958

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Suécia

Terceiro Classificado: França

Quarto Classificado: RFA

Eliminados nos Quartos de Final: Jugoslávia, País de Gales, União Soviética e Irlanda do Norte

Eliminados na Fase de Grupos: Checoslováquia, Argentina, Hungria, México, Paraguai, Escócia, Inglaterra e Áustria

Melhor Marcador: Just Fontaine (França) – 13 golos

Equipa do Mundial 1958: Gilmar (Brasil); Bergmark (Suécia), Bellini (Brasil) e Nilton Santos (Brasil); Zito (Brasil) e Didi (Brasil); Garrincha (Brasil), Hamrin (Suécia), Pelé (Brasil), Kopa (França) e Fontaine (França).

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