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Posts Tagged ‘Mundial 86’

Ablanedo na selecção de Espanha

Produto da Escola de futebol de Mareo, ou seja, a famosa “cantera” do Sporting Gijón, Juan Carlos Ablanedo foi uma das lendas dessa clube asturiano, apenas não tendo maior impacto na selecção espanhola, pois coabitou com outro guarda-redes de excepção: Andoni Zubizarreta. Entre 1983 e 1999 disputou cerca de 400 jogos pelo Sporting Gijón, mesmo tendo sofrido lesões graves que o obrigaram a ficar no estaleiro durante toda a época de 1991/92 e a só fazer duas partidas na sua última temporada. Ainda assim, lesões e Zubizarreta à parte, Ablanedo estará sempre no coração dos adeptos asturianos que, tendo em conta os seus magníficos reflexos, lhe colocaram a carinhosa alcunha de “Gato.”

Toda a carreira no Sporting Gijón

Juan Carlos Ablanedo nasceu a 2 de Setembro de 1963 em Mieres, Astúrias, tendo actuado toda a sua carreira no Sporting Gijón, clube pelo qual disputou cerca de 400 jogos oficiais.

Após boas exibições no clube secundário do Sporting Gijón, a relutância de Vujadin Boskov em apostar num guarda-redes de 1,77 metros levou-o a uma utilização muito intermitente nos primeiros tempos, ainda que tudo tenha mudado com a chegada de José Manuel Díaz Novoa.

Apesar da longa carreira, o guarda-redes nunca conquistou qualquer título ao serviço do Sporting Gijón, ainda que apenas tenha jogado uma época fora do primeiro escalão: a última (1998/99).

Individualmente, ao invés, o guarda-redes espanhol foi sempre muito reconhecido em Espanha, tendo conquistado o Troféu Zamora (título para o melhor guarda-redes numa de terminada temporada) por três vezes.

Apenas quatro internacionalizações mas dois mundiais

Surgindo na mesma altura que apareceu Andoni Zubizarreta, Ablanedo não teve muitas hipóteses de actuar com a camisola da selecção espanhola, somando apenas quatro internacionalizações.

Ainda assim, esteve presente nos campeonatos do Mundo do México (86) e Itália (90) como guarda-redes de reserva. Contudo, em ambas as provas, não disputou qualquer partida.

Assim sendo, o seu melhor momento nas selecções espanholas surgiu ainda no escalão de sub-21, quando foi peça importante na conquista do campeonato da Europa de 1986, pois defendeu três dos quatro penaltis apontados pelos italianos no desempate por castigos máximos que decidiu a final.

Sofreu com as alterações às regras do jogo

Elástico, rápido e muito decidido nas saídas, tanto aos cruzamentos como aos pés dos adversários, Ablanedo tinha, porém, uma lacuna muito grande, pois era muito fraco no jogo de pés.

Esse defeito haveria de lhe prejudicar e muito os últimos anos da sua carreira, pois com o impedimento de se agarrar o esférico após um atraso com os pés, essa lacuna tornou-se mais visível e recorrente durante os desafios.

Apesar de tudo, isso não foi suficiente para que o asturiano deixasse de ser a lenda viva que, por certo, ainda deixa imensas saudades aos adeptos do Sporting Gijón.

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Elkjær com a camisola do Verona

Uma das principais lendas do futebol dinamarquês foi um avançado-centro que combinava agressividade com capacidade de drible, um ponta de lança que nunca desistia de um lance e que era extremamente difícil de marcar pelos defesas contrários. Peça importante de um Verona que haveria de se sagrar surpreendentemente campeão italiano, foi internacional dinamarquês por 69 ocasiões e marcou 38 golos com a camisola da Dinamarca, fazendo parte dos anos de ouro do futebol daquele país nórdico e estando presente em grandes competições como os campeonatos da Europa de 84 e 88 e o Mundial 86. 

Herói de Lokeren após má experiência no Colónia

Preben Elkjær Larsen nasceu a 11 de Setembro de 1957 em Copenhaga, tendo iniciado a sua carreira no Vanlose IF  em 1976. Após apenas 15 jogos (7 golos), o avançado mudou-se para a Alemanha, onde, ao serviço do Colónia, nunca se adaptou à rigidez competitiva germânica.

Assim sendo, no Verão de 1978, transferiu-se para o menos conservador futebol belga, onde haveria de vestir a camisola do Lokeren até 1984. Nesse clube flamengo, Elkjær haveria de marcar 98 golos em 190 jogos do campeonato belga, transformando-se num ídolo para os adeptos do Lokeren, que lhe deram as alcunhas de “Chefe de Lokeren” e “Louco de Lokeren.”

Campeão italiano na época de estreia

No início de 1984/85, o internacional dinamarquês trocou o Lokeren pelo Verona e, logo na primeira temporada, o avançado haveria de ser um elemento importante de um clube italiano que, surpreendentemente, venceu a Série A. No Hellas Verona, Elkjær haveria de ficar até 1988, nunca mais ganhando nenhum título, mas jamais marcando menos de sete golos numa temporada.

Em 1988, regressou à Dinamarca para representar o Vejle, chegando ao seu país natal com o estatuto natural de grande estrela. Contudo, com a camisola do Vejle, Elkjær não foi feliz, acabando minado por lesões que o impediram de brilhar no regresso a terras dinamarquesas e o obrigaram a retirar-se em 1990.

Presente em três grandes competições internacionais de selecções

Internacional dinamarquês por 69 vezes (39 golos), Elkjær esteve presente em dois campeonatos da Europa (84 e 88) e no Mundial 86, tendo marcado dois golos na caminhada dinamarquesa até às meias-finais do Euro 84 e quatro tentos no bom percurso do “Danish Dinamite” até aos oitavos-de-final do Mundial 86.

Menos sorte, porém, teve o avançado dinamarquês no Euro 88, pois não marcou qualquer golo numa competição em que também foi prejudicado pela má actuação colectiva da Dinamarca (não passou da primeira fase, perdendo todos os jogos do seu agrupamento).

Após abandonar a carreira de jogador, ainda treinou o Silkeborg por um curto período, todavia, acabou por rapidamente abandonar a carreira de treinador, dedicando-se, ao invés, a comentar jogos de futebol na televisão.

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Bruno Conti a jogar pela AS Roma

Mágico, criativo, tecnicista, inteligente, rápido e incisivo. Na verdade, todos estas características são verdadeiras, mas, ao mesmo tempo, redutoras para caracterizar o enorme talento do antigo extremo da AS Roma. Campeão de Itália por uma ocasião (82/83) e vencedor da Taça de Itália por quatro vezes, Bruno Conti esteve presente na final da Taça dos Campeões de 1984, que opôs a equipa romana ao histórico Liverpool. Tratou-se de um jogo intenso, que chegou ao final do prolongamento empatado a uma bola e que só se decidiu nos penaltis, onde o extremo italiano, infeliz, falhou um dos castigos, contribuindo para a derrota nesse desempate (2-4). Esse penalti falhado foi, por certo, um castigo muito cruel do destino a um dos melhores jogadores italianos de sempre.

Bruno Conti  nasceu a 13 de Março de 1955 em Nettuno e chegou à principal equipa da Roma em 1973, com 18 anos. Nos primeiros anos da sua carreira, o jovem extremo não teve impacto imediato e, assim, aproveitou dois empréstimos ao Génova (75/76 e 78/79), para crescer como futebolista e preparar-se para atacar a titularidade absoluta no conjunto “giallorosso”.

De facto, foi nos anos 80 que se deu a grande explosão de Bruno Conti que participou em uma das melhores equipas da Roma (a da década de 80), onde, ao lado de jogadores como Tancredi, Falcão e Pruzzo, conquistou um campeonato de Itália, venceu quatro Taças de Itália e esteve presente nessa infeliz final da Taça dos Campeões, perdida diante do Liverpool.

Na AS Roma, Conti foi sempre um extremo explosivo, conhecido por ser mais brasileiro do que os brasileiros e que encarava os adversários sem medo, usando e abusando da sua criatividade, rapidez supersónica e magnífica capacidade de passe. Durante o seu percurso na Roma (1973 a 1990, salvo empréstimos ao Génova), o internacional italiano fez 37 golos em 304 jogos e garantiu, facilmente, o estatuto de lenda do clube romano.

Além do sucesso obtido no clube “giallorosso”, Bruno Conti também fez carreira de grande nível na “squadra azzurra”, sagrando-se campeão do mundo no Espanha 82 e participando no Mundial do México, em 1986, onde a Itália caiu nos oitavos de final. Ao longo de seis anos na selecção transalpina, Conti conseguiu 47 internacionalizações e cinco golos.

Para finalizar, deixo-vos um vídeo do antigo internacional italiano para que possam conhecer ou rever um pouco do seu enorme talento.

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Bochini com a sua camisola de sempre

Bochini era daqueles jogadores que ainda nos faz recordar de um futebol mágico e puro que nos escapou, cruelmente e sem que sequer nos apercebessemos, com a passagem do tempo. Um médio criativo que nos faz viajar a uma época em que o futebol fantasia reinava e em que jogadores como o argentino eram autênticos poetas que, em vez de nos maravilharem com palavras, nos alegravam a vida com mais um drible, um passe fantástico ou um golo que pensávamos ser impossível de obter. Pequenino (1,68 metros) de tamanho, foi sempre enorme dentro das quatro linhas e, nos únicos cinco minutos que jogou em um Mundial (diante da Bélgica nas meias-finais do México 86), recebeu, provavelmente, a sua maior e melhor homenagem de sempre, quando Maradona, ao ver que Bochini ia entrar, sorriu-lhe e disse: “Bien Maestro!”

Ricardo Bochini nasceu a 25 de Janeiro de 1954 em Zárate e apenas conheceu um clube na sua carreira: o Independiente, equipa que representou durante dezanove anos (1972-1991). Durante esse período, o médio ofensivo fez 740 jogos e 107 golos, conquistando inúmeros títulos como quatro Taças dos Libertadores, duas Taças Intercontinentais, três Taças Inter-Americanas e quatro campeonatos da Argentina.

Médio ofensivo com uma técnica fora do vulgar e cujo jogo tinha de passar, invariavelmente, pelos seus pés, Bochini, apesar de ter marcado mais de cem golos na sua carreira, não era um goleador natural. Ao invés, era um jogador que tinha uma excelente capacidade de drible e que parecia sempre descobrir uma linha de passe que, muitas vezes, apenas existia na sua cabeça. Na verdade, os seus passes eram tão geniais que, até hoje, um passe a rasgar a defesa e que deixa um atacante sozinho perante o guarda-redes é conhecido como um “pase bochinesco”. O argentino foi, sem dúvida, um dos melhores números dez da sua época.

Figura que sempre gerou unanimidade entre adeptos e colegas de profissão, foi sempre uma personalidade polémica entre treinadores e dirigentes. Nunca admirou directores, desconfiou de quase todos os jornalistas e sempre recusou empresários, sendo, também, grande crítico dos treinadores defensivos.

Curiosamente, sempre ignorado pelos seleccionadores argentinos para as fases finais de Mundiais, Bochini haveria de participar no Mundial 86, ao ser convocado por Billardo, ironicamente um treinador defensivo. No entanto, no México, apenas jogou cinco minutos e, como tal, sempre afirmou que não se sentia campeão do Mundo.

Era assim Bochini, uma das últimas pérolas de um futebol em estado puro que, infelizmente, teima em desvanecer com o advento da modernidade.

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Em Viena, a 27 de Maio de 1987, um argelino de 28 anos ofereceu, com duas pinceladas de génio, a primeira Taça dos Campeões Europeus ao FC Porto. Um maravilhoso golo de calcanhar e uma inesquecível arrancada pelo flanco esquerdo, seguida de um cruzamento letal para golo de Juary, permitiram aos dragões vencerem o Bayern de Munique (2-1) e conquistarem a terceira Taça dos Campeões para Portugal. É por momentos como esse, que, quem gosta de futebol em geral, e os portistas em particular, jamais esquecerão Rabah Madjer.

O ponta de lança argelino chegou à Europa com 24 anos. Um ano depois de brilhar pela Argélia no Mundial 82, Madjer assinou pelo Racing Club Paris, onde esteve época e meia (50 jogos, 22 golos). Depois, jogou ainda meia época no Tours antes de assinar, no verão de 1985, pelo FC Porto.

Foi no clube português que passou os melhores anos da sua carreira. Esteve no FC Porto entre 1985 e 1991 (tirando meia época no Valência em 1988), onde ganhou três campeonatos, duas Taças de Portugal e a inesquecível Taça dos Campeões conquistada em 1987, no Prater, em Viena, após uma exibição individual espectacular.

Nesse jogo, Madjer e Futre destruiram completamente a defesa do Bayern, porém o argelino foi ainda mais decisivo que o extremo português, pois esteve nos dois momentos chave do jogo, que é como quem diz, nos dois golos. Madjer tornou-se, assim, no jogador mais importante dessa final que o FC Porto ganhou, por 2-1, à equipa bávara.

Durante o período em que esteve no FC Porto, Madjer espalhou magia por onde quer que passasse. Tratava-se de um avançado rápido, criativo, tecnicista e que marcava bastantes golos. O atleta que fez 108 jogos e 50 golos pelos dragões, só não conquistou outros palcos porque nasceu num pequeno país futebolístico.

Ainda assim, Madjer teve o orgulho de participar em dois mundiais (82 e 86) pela Argélia e de ser recordado como um dos melhores jogadores africanos de sempre.

Deixo-vos um vídeo com grandes momentos da carreira de Rabah Madjer, para perceberem melhor a sua enorme qualidade.

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