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Bale herdou de Giggs o estatuto de principal craque galês

Bale herdou de Giggs o estatuto de principal craque galês

Numa fase em que as fases finais do Campeonato da Europa aumentaram para 24 equipas e em que o País de Gales até teve um excelente arranque na fase de qualificação, bem patenteado pelos oito pontos em quatro jogos, volta-se a equacionar a possibilidade da selecção britânica voltar a uma grande competição internacional, meta que falha desde 1958, quando esteve presente no Campeonato do Mundo, na Suécia.

Foi, aliás, essa a única vez que os galeses estiveram presentes na fase final de uma das duas maiores competições futebolísticas do planeta (Mundial ou Europeu), sendo que, mesmo nos anos 80, com jogadores de grande nível como Ian Rush, Mark Hughes, Southall ou Dean Saunders, o sonho foi sendo constantemente adiado, não deixando de ser curioso que a modesta Islândia tenha sido o grande carrasco no apuramento para os Mundiais de 1982 (empatou em Gales quando bastava uma vitória aos britânicos para se qualificarem para a prova) e 1986 (ganhou 1-0 a Gales em Reiquiavique, naquela que foi a sua única vitória na fase de apuramento, mas que acabou por custar mais um mundial em casa para os britânicos).

Mais recentemente, na década de 90, embalada pelo talento quase solitário de Ryan Giggs, o País de Gales voltou a aproximar-se por duas vezes de duas grandes competições, nomeadamente o Mundial 94, quando perderam em casa com a Roménia (1-2), num último jogo em que uma vitória daria a passagem para os Estados Unidos; e em 2004, quando falharam a viagem para o Europeu, em Portugal, num playoff disputado ao centímetro com a Rússia (0-0 e 0-1).

Não estar presente em nenhuma grande competição de selecções, aliás, terá sido a grande lacuna que existiu na carreira da lenda do Manchester United, situação que Gareth Bale, jogador que se assume como o sucessor de Ryan Giggs no papel de principal craque do País de Gales quererá certamente evitar, sendo de aproveitar o facto de estar num grupo de qualificação sem nenhum tubarão (Bélgica, Bósnia, Israel, Chipre e Andorra) e consciente de que duas selecções se apuram directamente para o Euro 2016, havendo ainda espaço para uma terceira disputar o playoff.

Inegável, ainda assim, é que havendo outros belos jogadores na equipa britânica, como Joe Allen (Liverpool) ou Aaron Ramsey (Arsenal), é com alguma naturalidade que caem nos ombros do extremo do Real Madrid quase todas as responsabilidades de comandar o País de Gales até ao Euro 2016, terminando, dessa forma, com um longo jejum de quase 60 anos sem ir a uma grande competição de selecções.

Consegui-lo, aliás, permitirá que os galeses deixem um pouco o râguebi de lado e, por momentos, coloquem novamente o futebol no topo da sua esfera mediática desportiva, isto ao mesmo tempo que ajudará certamente Gareth Bale a atingir algo que parece ser inevitável na sua carreira e que passará por tornar-se no melhor futebolista galês de sempre.

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Rhys Griffiths é garantia de golos

Costuma-se dizer que ninguém marca muitos golos por acaso, pois mesmo que o campeonato seja fraco, o atleta tem de ter um mínimo de qualidade para fazer tentos atrás de tentos. Assim sendo, não podemos ignorar a capacidade goleadora de Rhys Griffiths.

Nascido a 1 de Março de 1980, em Cardiff, Rhys Griffiths iniciou a sua carreira  em 2001, no Cwmbram Town, sem grande sucesso. Posteriormente, entre 2002 e 2005, vestiu a camisola de vários clubes como o Haverfordwest Town, Port Talbot Town ou Carmarthen Town, mas, nesses clubes da Liga Galesa, apenas se destacou no Haverfordwest, onde, em duas passagens (2002 e 2003/04), fez 19 golos em 57 jogos.

No entanto, a época de 2005/06 acabou por ser de viragem na carreira do ponta de lança galês, que, ao serviço do Port Talbot Town, fez 28 golos em 32 jogos, sagrando-se o melhor marcador da Liga Galesa e mostrando uma capacidade finalizadora até aí jamais vista. Essa elevada produtividade, chamou à atenção do Llanelli que o adquiriu para a temporada seguinte e onde o avançado se mantém até aos dias de hoje.

Nesse clube galês, Rhys Griffiths manteve a veia goleadora e, ao longo de quatro temporadas e meia, já fez 131 golos em 124 jogos, o que lhe dá uma impressionante média de mais de um golo por jogo e lhe garantiu o título de melhor marcador do campeonato galês nas quatro épocas que já completou no Llanelli.

Avançado alto (1,91 metros) e possante, Griffiths é o puro ponta de lança britânico, muito resistente ao choque e que, mal recebe a bola, apenas tem olhos para a baliza. Está longe de ter uma técnica evoluída, mas, quando é bem servido, raramente falha, seja de cabeça ou de pé esquerdo. A sua fantástica capacidade goleadora granjeou-lhe a alcunha de “The Fireman” (o bombeiro).

Neste momento, com 30 anos, não será, por certo, uma opção a ter em conta por um clube grande de Portugal, mas acredito que seria uma excelente opção para um clube médio que viva, constantemente, com problemas de finalização.

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Gunter quando estava nos Spurs

Todos temos sido bombardeados com a grande evolução do lateral-esquerdo galês Gareth Bale, mas, no País de Gales, a qualidade não se extingue no jogador do Tottenham, como é prova o lateral-direito do Nottingham Forest: Chris Gunter.

Criado nas escolas do Cardiff City, onde chegou com apenas oito anos de idade, estreou-se pela equipa principal desse clube galês com apenas 17 anos, na época 2006/07, mantendo-se na equipa principal do Cardiff City por temporada e meia. Nesse clube do segundo escalão do futebol inglês, Gunter começou a mostrar ser um lateral muito ofensivo e com grande talento, chamando a atenção de equipas como o Everton e o Tottenham, sendo que foram os spurs a ganharem a corrida do jovem galês.

Em White Hart Lane, esteve cerca de um ano, mas perante a elevada concorrência, raramente foi opção, apenas fazendo cinco jogos nesse período. Assim sendo, foi sem surpresa que acabou por se transferir para o Nottingham Forest em Março de 2009. Primeiro, chegou por empréstimo, mas, no defeso de 2009/10, foi adquirido em definitivo pelo Forest.

Desde que está no clube do segundo escalão de Inglaterra, o lateral-esquerdo tem sido sempre titular, assumindo-se como um lateral de qualidade, muito ofensivo e, curiosamente, parecido na forma de jogar com o seu compatriota Bale. Rápido, com boa técnica e bom pulmão, é ideal para um esquema com laterais ofensivos, seja em 4-4-2, 4-3-3 ou, até, em 5-3-2. Capitalizando todas as suas qualidades no flanco direito, também pode jogar no lado esquerdo da defesa, cumprindo sem qualquer problema.

Neste momento, com apenas 21 anos e já internacional galês por 25 vezes, trata-se de um jogador muito interessante para clubes portugueses interessados num lateral rápido, inteligente e que defende e ataca sempre com grande intensidade e entrega ao jogo.

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Adam Matthews no Cardiff City

Quando pensamos no futebol galês, lembramo-nos rapidamente de jogadores como Ian Rush, Dean Saunders, Mark Hughes ou Ryan Giggs. Todos eles marcaram uma era no futebol desta nação britânica ainda que, infelizmente, nunca tenham tido a oportunidade de jogar a fase final de uma grande competição internacional como o Europeu ou o Mundial.

Presente em apenas uma grande competição internacional (Mundial 1958) em toda a sua longa história, o País de Gales pretende agora inverter essa realidade com uma nova geração de jogadores, dos quais se destaca o lateral-direito do Cardiff City: Adam Matthews.

Nascido a 13 de Janeiro de 1992, o defesa galês entrou nas escolas do Cardiff City em 2000, estreando-se como suplente utilizado pela equipa principal dos “bluebirds” a 21 de Abril de 2009, num empate (2-2) diante do Charlton Athletic, em jogo a contar para a segunda divisão inglesa (The Championship).

Na temporada de 2009/10, o lateral-direito aproveitou uma série de lesões no clube galês para se assumir como titular do Cardiff City, tornando-se num dos jogadores mais importantes dos “bluebirds”, pela sua velocidade, capacidade defensiva, cultura táctica elevada, apetência ofensiva e, acima de tudo, por nunca virar a cara à luta. Ideal para um esquema 4-4-2, Matthews também se adaptará facilmente a ser ala num 3-5-2, ou mesmo lateral ofensivo num 5-3-2.

Neste momento, com apenas 18 anos, é pretendido por diversos clubes da Premier League e está à beira de somar a primeira internacionalização pelo País de Gales, sendo, por certo, uma boa aquisição para qualquer clube português de topo. Procurem-no num jogo da selecção galesa e confirmem a minha tese.

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Vukcevic prepara-se para fazer o golo do Sporting

Leões e maritimistas venceram os seus compromissos referentes à terceira pré-eliminatória da Liga Europa, diante de FC Nordsjaelland e Bangor City, respectivamente. A equipa verde e branca foi à Dinamarca vencer por uma bola a zero, num jogo em que o resultado pode dar a ideia de um jogo equilibrado, mas que, na verdade, apenas reflecte a enorme ineficácia do Sporting no encontro. Por outro lado, os verde-rubros venceram, na Choupana, uma frágil equipa galesa por oito bolas a duas, num encontro em que ficou bem patente a diferença de valores entre as duas formações, sendo que a existência de equipas como o Bangor City nesta fase da competição devia levar a UEFA a repensar os moldes da mesma.

FC Nordsjaelland 0-1 Sporting

Os dinamarqueses até entraram muito bem no jogo e, logo na primeira jogada, Nicki Nielsen apareceu na cara do guarda-redes leonino, mas este, com o pé, impediu o golo inaugural do FC Nordsjaelland

Pensou-se que esta equipa dinamarquesa pudesse ser mais forte do que o esperado, mas foi puro engano. Com o passar do tempo, o Sporting foi pegando no jogo e passou a dominá-lo completamente, chegando com relativa facilidade à baliza do guarda-redes Hansen.

O domínio leonino foi se intensificando e foi sem qualquer surpresa que, aos 24 minutos, Vukcevic aproveitou um excelente passe de Maniche para contornar o guarda-redes dinamarquês e colocar o Sporting na frente do jogo e da eliminatória.

Até ao descanso, o Sporting continuou a ter o controlo absoluto do encontro, mas, apesar de ter chegado algumas vezes com perigo à baliza contrária, foi incapaz de ampliar o marcador.

Após o intervalo, a premissa do desafio não se alterou e os leões continuaram a procurar ampliar a vantagem para garantirem maior tranquilidade para o jogo da segunda mão.

No entanto, a equipa verde e branca não foi feliz e, apesar de ter tido bastantes oportunidades para, pelo menos, fazer o segundo golo, esse tento nunca apareceu. Nesse capítulo, o jogador mais infeliz foi Hélder Postiga, pois rematou com perigo aos 57 minutos, mas um dinamarquês salvou sobre a linha de golo e depois, aos 75 minutos, foi o poste que negou o golo ao avançado.

Ainda assim, apesar da magra vantagem, o Sporting, pela sua enorme superioridade sobre esta equipa dinamarquesa, não deve ter dificuldades para, em Alvalade, confirmar o apuramento para o playoff de acesso à fase de grupos da Liga Europa.

Marítimo 8-2 Bangor City

O Marítimo, por certo, esperava uma equipa com um valor aproximado ao do Sporting Fingal, todavia, saiu-lhe um grupo de rapazes bem inferior aos irlandeses.

Durante a primeira parte, os madeirenses, mesmo sem fazerem um grande jogo e sem sequer acelerarem, garantiram uma vantagem de dois golos (Tchô, 33′ e Danilo 38′) e ainda viram o defesa galês Brewerton ver o segundo amarelo aos 45 minutos, deixando a equipa maritimista em superioridade numérica no relvado.

Essa expulsão aliada à fraca qualidade do conjunto britânico fazia prever uma goleada e o golo de Baba, logo aos seis minutos da segunda metade, dava força a essa previsão. No entanto, esse terceiro golo não teve continuidade imediata e o Marítimo ia desperdiçando golos perante uma equipa galesa que, naquela altura, reduzida a dez unidades e encostada às cordas, apenas pretendia sair da Choupana com o mínimo de golos sofridos possível.

Ainda assim, aos 74 minutos, aconteceu o inimaginável, quando Ward, de muito longe, disparou um míssil que embateu na trave e acabou por entrar na baliza madeirense. Estava feito o 3-1, um resultado que não sendo preocupante, era escasso para tamanha superioridade verde-rubra.

Todavia, esse golo galês teve o condão de acordar a equipa portuguesa que, a partir desse momento, aumentou a velocidade e a intensidade de jogo, passando a estilhaçar, totalmente, o reduto defensivo do Bangor City.

No seguimento dessa alteração de atitude, as oportunidades de golo sucederam-se e, com elas, os golos. Entre os 76 e os 80 minutos, a equipa madeirense fez quatro golos, apontados por Danilo (76′), Baba (77′), Tchô (79′) e Kanu (80′) e deixou o marcador num 7-1 que deixava a eliminatória resolvida.

A partir daqui, a intensidade baixou, mas o Marítimo ainda teve tempo para fazer o oitavo golo (Fidelis 90′) e para provar que a sua defensiva ainda precisa de ajustes, pois a frágil equipa galesa, reduzida a dez e apenas a pretender que o jogo terminasse o quanto antes, ainda conseguiu reduzir sobre o apito final, graças a um golo de Jebb.

Com este resultado, a passagem ao playoff da Liga Europa está garantida e a viagem da próxima semana ao País de Gales será um mero passeio.

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“O futebol são onze contra onze e, no final, ganham os alemães…” foi assim que um dia, Gary Lineker, fantástico atacante inglês, resumiu a essência do desporto rei. O avançado pretendia dar ênfase à frieza germânica que, no momento chave, raramente dava hipóteses aos adversários. Tricampeã mundial (1954, 74 e 90) ainda antes da reunificação alemã, a “mannschaft” não tem, neste momento, as estrelas de outrora e a situação agravou-se com a lesão do motor do meio campo: Ballack. Ainda assim, a Alemanha nunca é uma selecção para encarar de ânimo leve. Afinal, foram vice-campeões da Europa em 2008 e terceiros classificados no Mundial 2006. Números muito positivos para uma selecção sem estrelas, mas sempre com um colectivo forte, frio e, acima de tudo, letal.

A Qualificação

Integrada no Grupo 4 da zona europeia com Rússia, Finlândia, País de Gales, Azerbaijão e Liechtenstein, a Alemanha não teve dificuldades em apurar-se, terminando o agrupamento em primeiro lugar e sem perder (oito vitórias e dois empates).

Curiosamente, apesar de excelentes resultados como as vitórias em Gales (2-0) e os dois triunfos diante dos russos (2-1 e 1-0), a equipa germânica foi incapaz de vencer a Finlândia, empatando fora (3-3) e em casa (1-1).

Ainda assim, foi um apuramento fácil e que mostrou todo o poderio de uma equipa que, mesmo desprovida de grandes estrelas, é sempre para respeitar e ter em conta.

Grupo 4 – Classificação

  1. Alemanha 26 pts
  2. Rússia 22 pts
  3. Finlândia 18 pts
  4. País de Gales 12 pts
  5. Azerbaijão 5 pts
  6. Liechtenstein 2 pts

 O que vale a selecção germânica?

A equipa alemã vale, essencialmente, pelo seu todo. É uma equipa muito forte em termos físicos e tácticos, que demonstra grande frieza e raramente falha na hora H.

Curiosamente, a defesa, que costuma ser sempre um poço de experiência, deverá apresentar alguns elementos de futuro, que irão dar à “mannschaft” frescura e capacidade ofensiva sem lhe tirar a sua habitual segurança. Wiese, um guarda-redes experiente, mas ainda jovem (28 anos) deverá ser o titular da baliza, o jovem lateral do Hoffenheim: Beck, deverá ser o dono do lado direito da defesa, Lahm (26 anos) é indiscutível no flanco esquerdo e Mertesacker (25 anos) titularíssimo no centro defensivo. Assim sendo, o único atleta experiente deverá ser o companheiro de Mertesacker no centro da defesa: Friedrich (31 anos). Todavia, não será totalmente descabida a hipótese do central do Hertha ser preterido pela jovem promessa do Bayern: Badstuber.

Se a defesa alemã é muito jovem, o meio campo é outra prova do claro rejuvenescimento do futebol germânico. Privado de Ballack, o meio campo deverá funcionar em losango, com Khedira (23 anos) como vértice mais defensivo, Trochowski (26 anos) como ala esquerdo, Schweinsteiger (25 anos) como ala direito e Özil (21 anos) como nº 10. Um sector que perde em experiência e capacidade defensiva, mas ganha em criatividade e capacidade ofensiva. Ainda assim, a ausência de Ballack foi um rude golpe e transformou este sector no mais frágil da selecção alemã.

Por fim, o ataque, deverá ser entregue a Podolski (avançado mais móvel) e Mário Gomez (ponta de lança mais fixo). São dois atletas que combinam muito bem e que vão garantir grande poder de fogo à Alemanha. No entanto, a “mannschaft” não se fica por aqui em termos ofensivos e a prova de que este é o sector mais forte da equipa é o facto de atletas como Cacau, Klose e Kiessling estarem no banco.

Integrada no Grupo D, com Gana, Sérvia e Austrália, a Alemanha é claramente a selecção mais forte do grupo e deverá prová-lo em campo com maior ou menor dificuldade.

O Onze Base

A Alemanha deverá apresentar um 4-4-2 losango com Wiese (Werder Bremen) na baliza; Um quarteto defensivo com Lahm (Bayern), Mertesacker (Werder Bremen), Friedrich (Hertha) e Beck (Hoffenheim); Depois, o trinco deverá ser Khedira (Leverkusen), o interior esquerdo: Trochowski (Hamburgo), o interior direito: Schweinsteiger (Bayern) e o nº 10: Özil (Werder Bremen); Por fim, na frente, deverão jogar o atacante móvel: Podolski (Colónia) e o ponta de lança fixo: Mario Gomez (Bayern).

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

A Alemanha é superior a qualquer dos seus adversários do Grupo D e, como tal, é pouco provável que Sérvia, Gana ou Austrália, lhe causem problemas de maior na primeira fase. Ainda assim, a equipa germânica, pela falta de experiência, deverá ter dificuldades a partir da fase a eliminar.

Calendário – Grupo D (Mundial 2010)

  • 13 de Junho: Alemanha vs Austrália
  • 18 de Junho: Alemanha vs Sérvia
  • 23 de Junho: Alemanha vs Gana 

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Quatro anos depois dos deuses magiares terem caído na final diante da Alemanha Ocidental, o mundo voltava a assistir a uma equipa de artistas, que chegou à Suécia com ambições moderadas, mas iria deixar a Escandinávia como uma das mais fascinantes selecções que há memória. O Brasil, principalmente após a inclusão de Garrincha e Pelé (então com 17 anos), foi uma autêntica máquina de ataque que não deu hipóteses aos seus adversários e deslumbrou todos os que tiveram a felicidade de os ver ao vivo. Após um percurso com apenas um empate (diante da Inglaterra e ainda sem Garrincha e Pelé), os brasileiros conquistaram o título, na final, diante da Suécia (5-2), provando que, por vezes, o bom futebol, para além da imortalidade, também é recompensado com títulos…

Primeira Fase

Depois do estranho modelo do Mundial 1954, com cabeças de série, o Mundial 58 voltou a um sistema de quatro grupos de quatro, mas com todos a jogarem contra todos. Ainda assim, manteve-se a nuance  que, em caso de igualdade pontual entre segundo e terceiro, estes voltariam a fazer um jogo de desempate.

No Grupo A, a Alemanha Ocidental, campeã em título, seguiu em frente como líder do grupo, após vencer a Argentina (3-1) e empatar com Checoslováquia (2-2) e Irlanda do Norte (2-2). Checoslovacos e irlandeses, empatados no segundo lugar, defrontaram-se, em jogo de desempate, para decidir quem acompanhava os germânicos na passagem aos quartos de final. Aí, os irlandeses foram mais felizes e seguiram em frente após vencerem (2-1). Já os argentinos, além de terminarem em último lugar no grupo, ainda foram recebidos no aeroporto de Buenos Aires com vaias e pedras, obrigando a polícia a escoltá-los até às suas residências.

Por outro lado, no Grupo B, França e Jugoslávia seguiram em frente, enquanto Paraguai e Escócia foram eliminados. Os franceses perderam com a Jugoslávia (2-3), mas venceram Paraguai (7-3) e Escócia (2-1), enquanto os jugoslavos, depois da vitória com os franceses, deram-se ao luxo de empatar com Escócia (1-1) e Paraguai (3-3) e, mesmo assim, apurarem-se para os quartos de final.

No Grupo C, a Suécia aproveitou o factor casa e venceu o agrupamento após vencer o México (3-0) e Hungria (2-1) e empatar a zero com o País de Gales. Empatados no segundo lugar, galeses e magiares fizeram um jogo de desempate e, aí, de forma surpreendente, os britânicos venceram por duas bolas a uma e acompanharam os escandinavos no apuramento para a fase seguinte.

Por fim, no Grupo D, o Brasil foi o líder incontestado após vitórias diante da Áustria (3-0) e União Soviética (2-0) e um nulo diante da Inglaterra (primeiro nulo num Mundial de futebol). Empatados no segundo lugar, soviéticos e ingleses tiveram de fazer um jogo de desempate. Tratavam-se de duas equipas desfalcadas, pois os russos estavam privados de Streltsov (fabuloso avançado do Torpedo), que havia sido acusado de violação e ficou num campo de concentração siberiano até… 1962 e os ingleses haviam perdido grande parte dos jogadores do Manchester United num desastre de avião. No desempate, a União Soviética venceu por 1-0 e seguiu em frente.

Quartos de Final

O Brasil esperava, por certo, vencer com maior facilidade o País de Gales, todavia, a bem organizada equipa galesa, foi dificultando a vida dos canarinhos, que viram a situação desbloqueada, aos 65 minutos, com um golo de Pelé. Com uma magra vitória por 1-0, os brasileiros seguiam para as meias finais.

Quem continuava a surpreender era a França e, principalmente, o seu goleador Just Fontaine. Após fazer seis golos na primeira fase, o avançado de origem marroquina bisou e ajudou os gauleses a vencerem a Irlanda do Norte por quatro bolas a zero.

Por outro lado, a Alemanha Ocidental manteve-se fria e calculista, desvencilhando-se da Jugoslávia (1-0), graças a um golo solitário de Rahn.

Por fim, a Suécia mostrou que tinha uma excelente geração de jogadores e venceu a União Soviética por duas bolas a zero, continuando a perseguir o sonho de chegar à final.

Meias-Finais

Na primeira semi-final, o Brasil defrontou a França e os oito golos do gaulês Fontaine impunham respeito. Contudo, o Brasil, liderado pelo jovem Pelé (fez hat-trick) fez uma excelente exibição e esmagou os franceses (5-2), seguindo para a final.

No outro jogo, a Suécia surpreendeu o mundo e eliminou o campeão do mundo em título: Alemanha Ocidental. Os suecos venceram os germânicos por 3-1 e o sonho do título ficava à distância de um jogo.

Terceiro e Quarto Lugar

Desiludida com a eliminação diante da Suécia, a República Federal da Alemanha não conseguiu arranjar grande motivação para este duelo diante da França. Para piorar o panorama, os alemães tiveram o azar de defrontarem um avançado que, apesar de já ter feito nove golos no mundial, continuava com fome de tentos: Just Fontaine. Assim sendo, foi um desafio sem grande história com os gauleses a vencerem (6-3) e Fontaine a marcar mais quatro golos, terminando o Mundial com 13 golos apontados, um número que, até hoje, nunca foi batido.

Final* Brasil 5-2 Suécia

O entusiasmo em torno da final era grande. Afinal, defrontavam-se a equipa anfitriã e o Brasil, a equipa que mais havia fascinado os adeptos. Para terem uma ideia da loucura inerente ao desafio, três horas antes do apito inicial do francês Maurice Guigue, já o Estádio se encontrava repleto.

A Suécia até entrou melhor e abriu o activo por Liedholm, aos três minutos. Este jogador tinha 36 anos e havia ficado fora de outros mundiais por se ter tornado profissional pelo Milan. Entretanto, havia feito uma promessa que, se jogasse algum campeonato do mundo, raparia o cabelo. Assim, foi de cabeça totalmente rapada que capitaneou a selecção escandinava e marcou o primeiro golo da final.

A perder o Brasil reagiu. Primeiro foi um bis de Vavá e, depois, um dos golos mais fantásticos da história do futebol. Um lance repetido vezes sem conta em que Pelé tocou a bola por cima de Bergmark e, sem deixar cair a bola no chão, desferiu um remate colocado sem hipóteses para o guarda-redes Svensson.

Com o 3-1 no marcador, percebeu-se que a vitória não fugiria aos brasileiros. Assim, seguiu-se o 4-1 de Zagallo e nem a redução de Simonsson assustou os canarinhos que, sobre o final, viram Pelé fazer o 5-2 final.

Terminado o desafio, Pelé, grande responsável pela vitória canarinha, iniciou um choro compulsivo e saiu nos ombros dos companheiros, quase desfalecendo de emoção. Bellini, o capitão brasileiro, recebeu, depois, a Taça Jules Rimet das mãos do Rei Gustavo da Suécia, erguendo-a, institivamente, aos céus, como que agradecendo aos deuses do futebol. Esse gesto perdurou para todo o sempre e, até hoje, é imitado por todos os capitães campeões do mundo.

Números do Mundial 1958

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Suécia

Terceiro Classificado: França

Quarto Classificado: RFA

Eliminados nos Quartos de Final: Jugoslávia, País de Gales, União Soviética e Irlanda do Norte

Eliminados na Fase de Grupos: Checoslováquia, Argentina, Hungria, México, Paraguai, Escócia, Inglaterra e Áustria

Melhor Marcador: Just Fontaine (França) – 13 golos

Equipa do Mundial 1958: Gilmar (Brasil); Bergmark (Suécia), Bellini (Brasil) e Nilton Santos (Brasil); Zito (Brasil) e Didi (Brasil); Garrincha (Brasil), Hamrin (Suécia), Pelé (Brasil), Kopa (França) e Fontaine (França).

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