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Bimbo Binder era sinónimo de golos

O maior goleador e mito do futebol austríaco é um histórico avançado do Rapid de Viena que ficou eternamente conhecido por “Bimbo” Binder. Internacional por 20 vezes, foi peça fundamental do mítico “Wunderteam”, grande equipa austríaca que acabou por ter existência mais curta do que o esperado devido ao “Anschluss” (anexação da Áustria pela Alemanha Nazi). Avançado-centro à moda antiga, tratava-se de um ponta de lança que passeava pelas zonas ofensivas com uma quase exagerada tranquilidade, mas cujo futebol se resumia a uma mera e simples formalidade: marcar golos, muitos golos…

Uma carreira inteira no Rapid Viena

Nascido a 1 de Dezembro de 1911, Franz “Bimbo” Binder iniciou a sua carreira futebolística em 1930, tendo actuado sempre no mesmo clube (Rapid Viena) até ao final da sua carreira em 1949.

Durante esse período, o ponta de lança austríaco marcou 1006 golos em 756 jogos, um registo impressionante que lhe dá uma média de 1,33 golos por jogo. Para além disso, Bimbo Binder é dos poucos jogadores a marcarem mais de 1000 golos no Mundo do futebol, estando ao lado de lendas como Gerd Müller ou Pelé.

Vencedor de quatro campeonatos austríacos e, curiosamente, de um campeonato alemão e uma Taça da Alemanha (o Rapid Viena disputava competições germânicas na altura em que a Áustria foi anexada pela Alemanha), Bimbo Binder foi ainda o melhor marcador do campeonato austríaco em 1933, 1937 e 1938 e do campeonato alemão em 1939, 1940 e 1941.

Internacional austríaco e… alemão

Bimbo Binder foi internacional austríaco por 19 vezes (16 golos) e alemão por nove ocasiões (10 golos), tendo, dessa forma, se assumido como goleador com as duas camisolas.

Apesar de tudo, o magnífico ponta de lança nunca disputou nenhuma grande competição internacional, fosse pela Áustria ou pela Alemanha, sendo essa uma das poucas lacunas que tem na sua carreira futebolística.

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Sandro Mazzola no Inter

O seu pai, Valentino Mazzola, foi um dos melhores jogadores italianos de sempre, acabando por falecer precocemente, no desastre de avião de Superga, quando vinha de Portugal, onde havia participado na homenagem a um jogador do Benfica: Francisco Ferreira. Mas, se o pai foi grande, o filho não foi inferior, tornando-se num dos grandes símbolos do Inter de Milão e da “squadra azzurra”. Interior-direito de grande qualidade técnica e capacidade finalizadora, foi, durante toda a sua carreira, jogador de uma equipa só, sinal de uns tempos que, infelizmente, já lá vão.

Alessandro (Sandro) Mazzola nasceu a 8 de Novembro de 1942 em Turim e, durante a sua carreira desportiva de dezassete anos (1960-77), só conheceu um clube, o Inter de Milão.

Nesse longo percurso, Sandro Mazzola fez 417 jogos e marcou 116 golos, demonstrando ser um interior-direito muito criativo, com grande controlo de bola, superior visão de jogo e uma fantástica capacidade finalizadora.

Participando numa equipa que, na altura, foi baptizada de “La Grande Inter”, conquistou quatro campeonatos da Série A (1963, 65, 66 e 71), duas taças dos campeões (1964 e 65) e duas taças intercontinentais (1964 e 65).

E, em termos de taças dos campeões, além dos títulos de 1964 (venceu na final o Real Madrid por 3-1) e de 1965 (venceu o Benfica por 1-0), podia ter conquistado a terceira taça em 1967, mas, no Estádio Nacional em Lisboa, acabou derrotado pelo Celtic Glasgow (1-2).

Além de ter brilhado e conquistado muitos títulos nos “nerazzurri”, Sandro Mazzola também construiu uma carreira de sucesso ao serviço da selecção italiana, tendo realizado 70 jogos (22 golos) pela “squadra azzurra” e conquistado o título de campeão da Europa em 1968. Participando em três campeonatos do Mundo (1966, 70 e 74), Mazzola alcançou mesmo a final em 1970, todavia, acabou derrotado pelo super-Brasil de Pelé e companhia (1-4).

Uma carreira longa e recheada de títulos em que Sandro Mazzola conseguiu, por direito próprio, deixar de ser apenas o filho de Valentino para ser, ele próprio, um símbolo do futebol italiano.

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Dragan Dzajic com a camisola da Jugoslávia

Considerado, sem margem para qualquer dúvida, num dos melhores jogadores de sempre da ex-Jugoslávia, Dragan Dzajic foi um ala-esquerdo de grande técnica e qualidade individual, conhecido pelos seus magníficos cruzamentos, fantásticos passes e boa capacidade finalizadora. Autêntico mágico com a bola nos pés, o ex-jogador do Estrela Vermelha apenas não atingiu maior destaque no mundo do futebol, pois jogou a maior parte da sua carreira (tirando dois anos no Bastia) no pouco mediático campeonato jugoslavo. Ainda assim, há quem o recorde e, quem se lembra dele, sabe que foi um dos melhores jogadores a pisar os relvados do futebol mundial.

Nascido a 30 de Maio de 1946 em Ub, na Sérvia, Dragan Dzajic só conheceu um clube em toda a sua carreira interna (Estrela Vermelha).

No gigante de Belgrado, o ala-esquerdo esteve entre 1961 e 1975 e, depois, entre 1977 e 1978, efectuando um total de 615 jogos e 292 golos. Campeão nacional por cinco vezes e vencedor da Taça da Jugoslávia por quatro ocasiões, Dzajic conquistou a medalha de melhor atleta jugoslavo de todos os desportos em 1969 e é um dos únicos cinco atletas a receberem o “Zvezdina zvezda”, ou seja, a estrela do Estrela Vermelha, prémio dado aos jogadores que conseguiram criar um grande impacto no clube sérvio.

Para além de ter actuado grande parte da sua carreira no Estrela Vermelha, Dragan Dzajic também actuou duas temporadas (1975/76 e 1976/77) no Bastia, onde também brilhou e, apesar de não ter conquistado qualquer título, atingiu números impressionantes, pois fez 31 golos em 56 jogos.

Internacional jugoslavo por 86 ocasiões (23 golos), teve o seu jogo mais emblemático na meia-final do Euro 68, quando, diante da Inglaterra, fez um chapéu sobre Gordon Banks, que garantiu a vitória aos jugoslavos por 1-0 e a ida à final, que haveriam de perder (0-2) diante da Itália, no jogo de desempate.

Sobre ele, Pelé disse um dia tratar-se de um “Milagre dos Balcâs – um verdadeiro feiticeiro”, adiantando que tinha pena que ele não fosse brasileiro, pois nunca havia visto tanto talento natural num futebolista. Um grande elogio do “Rei” a um jogador que pelo que fazia com o seu mágico pé esquerdo merecia, sem dúvida, um muito maior destaque do mundo do futebol.

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Friedenreich com a camisola canarinha

Num jogo de vida ou morte entre o São Paulo e o Guarani, a equipa do São Paulo, obrigada a vencer, chegou ao intervalo com uma igualdade que desesperava os adeptos. No meio da pressão aos jogadores, um adepto do Tricolor Paulista abeirou-se o goleador Arthur Friedenreich e disse-lhe que lhe pagava um conto de réis (muito dinheiro na altura) por cada golo que o avançado marcasse na segunda metade. Logo no primeiro minuto da etapa complementar, Friedenreich fez o primeiro, logo a seguir o segundo e, pouco depois, o terceiro. O adepto, agora desesperado pelo rombo na carteira, implorava-lhe que parasse, mas “El Tigre” que marcou mais de 1300 golos na carreira, replicou-lhe dizendo: “Só mais um, de choro”. Assim foi, fez o quarto e só aí parou de marcar, sendo que, mal acabou o desafio, rapidamente foi cobrar o dinheiro ao adepto tricolor. Era assim Arthur Friedenreich, um dos primeiros grandes goleadores do futebol mundial.

Nascido a 18 de Julho de 1892 em São Paulo, Arthur Friedenreich era filho de um emigrante alemão e de uma afro-brasileira, sendo, assim, um dos primeiros grandes jogadores mestiços do futebol brasileiro.

Durante a sua longa carreira de 26 anos, passou por diversos clubes como o Germânia, o Ypiranga ou o Flamengo, mas foi no Paulistano e, também, no São Paulo, onde jogou entre 1930 e 1935 que assumiu uma posição de maior destaque.

Melhor marcador da Liga Paulista por nove ocasiões, o avançado brasileiro marcou mais de 1300 golos na carreira, mais do que, por exemplo, Pelé. E isto numa altura em que havia muito menos jogos para disputar do que há agora. Goleador temível, o avançado era muito mais do que um simples marcador de golos, era um desequilibrador e um jogador com grande capacidade táctica e técnica, o que o destacava dos demais.

Internacional brasileiro por 22 vezes (10 golos), conquistou duas Copas América e apenas falhou a primeira edição do campeonato do mundo, em 1930, porque existiu uma divergência entre os responsáveis das federações de São Paulo e do Rio de Janeiro que impediu que os melhores jogadores paulistas pudessem viajar até ao Uruguai.

Apesar disso, Arthur Friedenreich irá sempre ser recordado como um dos maiores jogadores do futebol mundial, sendo que, muito antes da coroação de Pelé como rei, já Friedenreich havia conseguido essa alcunha, quando em 1925, numa digressão do Brasil pela Europa, foi intitulado pelos europeus como o “Rei do Futebol”.

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Era uma selecção sublime, aquele Brasil que venceu o Mundial 1970 disputado no México. Jogadores como Pelé, Jairzinho, Rivelino ou Tostão deram um espectáculo de magia, alegria e criatividade, explanado num futebol ofensivo que permitiu aos canarinhos vencerem todos os seis jogos que disputaram e marcarem 19 golos. Um exemplo do poderio brasileiro foi a forma como venceram a final: 4-1 à Itália, num jogo dominado totalmente pela equipa de Pelé. Este foi também o primeiro campeonato do mundo com substituições (duas na altura) e com cartões…

Primeira Fase

Tal como no Chile 1962 e no Inglaterra 1966, a primeira fase foi composta por quatro grupos  de quatro equipas, passando os dois primeiros de cada grupo para os quartos de final. Este foi, no entanto, o primeiro campeonato do mundo com substituições e, também, com cartões, uma ideia do Árbitro Ken Aston após parar nos semáforos de uma rua de Londres e pensar que os sinais amarelo e vermelho podiam ser uma forma de parar a violência. Outra estreia neste campeonato do mundo foi o facto da Adidas ter-se encarregado, pela primeira vez, da bola do Mundial. A estreia aconteceu com a Telstar, uma bola branca com hexágonos pretos.

No Grupo A, México e URSS, não deram hipóteses a Bélgica e El Salvador, pois após empatarem entre si (0-0), aztecas (1-0 à Bélgica e 4-0 a El Salvador) e soviéticos (4-1 à Bélgica e 2-0 a El Salvador) venceram os seus adversários e apuraram-se facilmente para os oitavos de final. Destaque, também, para o facto do soviético Byshovets ter sido o primeiro atleta a ver um cartão amarelo num campeonato do mundo.

Mais equilibrado foi o Grupo B, composto por Itália, Uruguai, Suécia e Israel. Neste agrupamento, apuraram-se a Itália (1ª), que venceu a Suécia (1-0), empatando com Uruguai (0-0) e Israel (0-0) e o Uruguai, que além do empate com os italianos, venceu Israel (2-0) e perdeu com a Suécia (0-1). Os suecos, mesmo vencendo os uruguaios, acabaram eliminados, pois apesar de terem terminado com os mesmos pontos dos celestes, tiveram pior “goal-average”.

Por outro lado, o Grupo C foi um autêntico passeio para o Brasil, que venceu Checoslováquia (4-1), Inglaterra (1-0) e Roménia (3-2), qualificando-se facilmente para a segunda fase e em primeiro lugar. Neste agrupamento, os ingleses também asseguraram o passaporte para os quartos de final, pois apesar de terem perdido com os canarinhos, venceram Roménia (1-0) e Checoslováquia (1-0) e asseguraram o segundo lugar.

Por fim, o Grupo D foi dominado pela Alemanha Ocidental, que venceu Marrocos (2-1), Bulgária (5-2) e Peru (3-1) e conquistou facilmente o primeiro lugar. O outro apurado, foi o Peru, que apesar de ter perdido com os germânicos, não deu hipóteses a Bulgária (3-2) e Marrocos (3-0), terminando na segunda posição. Neste agrupamento, há ainda a destacar a quarta presença em campeonatos do mundo do alemão Seelar (esteve presente em 1958, 62, 66 e 70), ainda assim, não se tratava de um record, pois o mexicano Carbajal havia estado presente em cinco (1950, 54, 58, 62 e 66).

Quartos de Final

O Uruguai-União Soviética foi um duelo muito disputado e só ficou decidido no prolongamento, ao minuto 117, após um golo do uruguaio Espárrago. Os soviéticos ainda apresentaram um protesto oficial, pois entenderam que a bola já tinha saído de campo no momento do centro do qual resultou o tento, contudo, a FIFA rejeitou o apelo.

Menos equilibrado foi o Itália-México, pois os “azzurri”, que até começaram a perder (golo de González aos 13 minutos), deram a volta ao resultado e acabaram por vencer, facilmente, por quatro bolas a uma.

Por outro lado, o Brasil-Peru foi um jogo espectacular que colocou, frente a frente, o mágico Brasil de Pelé e o surpreendente Peru de Cubillas. Nesse jogo, o antigo jogador do FC Porto até fez um golo, ao contrário de Pelé, que ficou em branco, todavia, foi o Brasil que venceu o jogo (4-2), graças aos golos de Rivelino, Tostão (2) e Jairzinho.

Por fim, Alemanha Ocidental e Inglaterra disputaram a última vaga nas semi-finais. Num ambiente adverso (os mexicanos revelaram grande hostilidade aos ingleses durante todo o jogo), A equipa dos três leões chegou mesmo a estar a vencer por 2-0 e parecia lançada para o apuramento, todavia, a fria equipa germânica conseguiu chegar à igualdade antes dos 90 minutos. No prolongamento, a RFA foi mais feliz e garantiu a vitória graças a um golo do bombardeiro Gerd Müller (106′).

Meias-Finais

Na primeira meia final, o Brasil até entrou a perder com o Uruguai (Cubilla abriu o activo aos 19 minutos), mas depois a equipa canarinha puxou dos galões e soube dar a volta ao resultado com golos de Clodoaldo (45′), Jairzinho (76′) e Rivelino (90′), vencendo a partida por 3-1.

Por outro lado, a outra semi-final (Itália-Alemanha Ocidental) só se decidiu no prolongamento. A Itália marcou logo aos sete minutos e o resultado (1-0 para os italianos), manteve-se inalterado até aos 90 minutos, quando Schnellinger empatou a partida e forçou o tempo extra. No prolongamento, assistimos a um jogo fantástico, com a Itália a fazer o 2-1 e o 3-2, mas com os germânicos a empatarem sempre a partida. No entanto, aos 111 minutos, Rivera fez o 4-3 e, dessa vez, os alemães já não conseguiram responder, ficando fora da final. Neste desafio, temos ainda de destacar Beckebauer que deslocou a clavícula e jogou os últimos 30 minutos com o braço ao peito.

Terceiro e Quarto Lugar

É sempre um jogo ingrato, uma espécie de final menor, que, muitas vezes, trás pouca motivação aos intervenientes. Ainda assim, a Alemanha Ocidental não quis perder a oportunidade de atingir o último lugar no pódio e, conseguiu esse objectivo, vencendo o Uruguai, graças um golo solitário de Overath (27′).

Final* Brasil 4-1 Itália

O resultado pode dar a ideia de que a Itália, que não perdeu qualquer jogo até esta final e que tinha jogadores como Riva, Facchetti e Domenghini, teve uma má tarde, mas isso não correspondeu à verdade.

O Brasil tinha, na verdade, uma equipa fantástica e, apesar da inegável qualidade da selecção “azzurra”, conseguiu vencer o jogo com uma facilidade e clareza impressionante.

Marcou primeiro, por Pelé (18′), ainda permitiu a igualdade, na sequência de um golo de Boninsegna (37′), mas depois foi uma auto-estrada de magia, criatividade e golos, que foram três: Gérson (66′), Jairzinho (71′) e Carlos Alberto (89′), mas podiam ter sido mais, perante uma Itália que foi incapaz de responder à provavelmente melhor selecção da história.

Uma vitória justíssima e que garantia o tricampeonato mundial aos canarinhos, que, depois deste título, entrariam num jejum que durou 24 anos…

Números do Mundial 1970

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Itália

Terceiro Classificado: Alemanha Ocidental

Quarto Classificado: Uruguai

Eliminados nos Quartos de Final: URSS, Peru, México e Inglaterra

Eliminados na Fase de Grupos: Bélgica, El Salvador, Suécia, Israel, Roménia, Checoslováquia, Bulgária e Marrocos

Melhor Marcador: Gerd Müller (Alemanha Ocidental) – 10 golos

Equipa do Mundial 1970: Mazurkiewicz (Uruguai); Carlos Alberto (Brasil), Schwarzenbeck (Alemanha Ocidental), Beckenbauer (Alemanha Ocidental) e Facchetti (Itália); Clodoaldo (Brasil), Overath (Alemanha Ocidental) e Rivelino (Brasil); Jairzinho (Brasil), Pelé (Brasil) e Gerd Müller (Alemanha Ocidental).

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Disputado na pátria do futebol, que sempre exaltou a ética, a moral e os bons costumes, o Mundial 66 foi uma competição com protestos, más arbitragens e, até, algumas matreirices. Um bom exemplo foi o de obrigar Portugal a fazer uma viagem longa até Londres nas meias finais, quando a equipa das quinas tinha o direito de disputar essa partida com a Inglaterra em Liverpool. Ainda assim, foi um campeonato do mundo pleno de qualidade, que serviu para confirmar o enorme talento de Eusébio ao Mundo, provar que os norte-coreanos também sabiam jogar futebol (a Itália que o diga) e, acima de tudo, dar o primeiro e único título mundial à Inglaterra.

Primeira Fase

A primeira fase do campeonato do mundo foi exactamente igual ao Chile 62: dezasseis selecções divididas em quatro grupos de quatro, em que se apuravam os dois primeiros para os quartos de final.

No Grupo A, a Inglaterra demonstrou que era uma séria candidata ao ceptro mundial, ao vencer um agrupamento difícil, graças às vitórias diante de México (2-0) e França (2-0) e ao empate diante do Uruguai (0-0). Neste grupo, os sul-americanos também se apuraram, pois além de terem empatado com os ingleses e com o México (0-0), a vitória diante da França (2-1) foi suficiente para o passaporte para os quartos de final.

Outro agrupamento sem surpresas foi o Grupo B, onde Alemanha Ocidental e Argentina se superiorizaram a Espanha e Suíça. Os germânicos venceram a Suíça (5-0) e a Espanha (2-1), empatando com os sul-americanos (0-0), enquanto os argentinos, além do empate com os alemães, venceram, igualmente, helvéticos (2-0) e espanhóis (2-1).

Por outro lado, no Grupo C, surgiu a primeira grande surpresa. Apesar do Brasil ter chegado inferiorizado a Inglaterra, poucos acreditariam que os canarinhos fossem eliminados num grupo com Hungria, Bulgária e Portugal. No entanto, os brasileiros, apesar de terem vencido o primeiro jogo (2-0 aos búlgaros), perderam com a Hungria (1-3) e, também, com Portugal (1-3), num desafio em que Morais, com uma marcação implacável a Pelé, anulou o astro brasileiro. Neste agrupamento, o grande vencedor foi Portugal que começava a surpreender o Mundo, pois além da vitória diante do Brasil, os portugueses também venceram os magiares (3-1) e  a Bulgária (3-0). O outro apurado foi a Hungria, a quem bastou vencer os canarinhos (3-1) e búlgaros (3-1) para se apurar para os quartos de final.

Por fim, o Grupo D também assistiu a um escândalo e este foi bem maior que o que se viveu no grupo luso. Num agrupamento totalmente dominado pela União Soviética, que venceu Coreia do Norte (3-0), Itália (1-0) e Chile (2-1), italianos e coreanos chegaram ao último jogo para decidirem quem seria o segundo classificado. Os europeus haviam vencido o Chile (2-0) e os asiáticos apenas tinham empatado (1-1) e, assim, bastava um empate à Itália. No entanto, os azzurri não encararam o jogo com a devida atenção e acabaram por perder (0-1) com os norte-coreanos, graças a um golo de Pak Doo-Ik (41′). Esta eliminação italiana levou a Federação local a fechar as fronteiras da Série A a jogadores estrangeiros durante mais de uma dezena de anos.

Quartos de Final

O primeiro jogo dos quartos de final foi o Inglaterra-Argentina e, além da vitória inglesa (1-0), este jogo teve uma história deveras curiosa. Aos 35 minutos, o argentino Rattin foi expulso por palavras, mas o curioso é que nem ele falava alemão nem o juiz germânico (Kreitlen) falava espanhol. Como tal, o atleta sul-americano recusou-se a sair de campo, exigindo um tradutor. O jogo esteve parado durante sete minutos e só com a intervenção da polícia é que Rattin abandonou o campo. Este episódio levou a FIFA a implementar o sistema de cartões (amarelos e vermelhos) no Mundial seguinte.

Depois, numa partida em que os uruguaios acabaram reduzidos a nove aos onze minutos, a Alemanha Ocidental goleou o Uruguai por quatro a zero e seguiu, tranquilamente, para as meias-finais.

Por outro lado, o Portugal-Coreia do Norte foi um jogo muito mais equilibrado e emocionante. Aos 25 minutos, o Mundo abria a boca de espanto com a vantagem asiática de três bolas a zero, no entanto, não contaram com a resposta de Portugal e, acima de tudo, de Eusébio, que, até ao intervalo, fez dois tentos e reduziu a desvantagem para apenas um golo (2-3). Depois do descanso, o Pantera Negra fez mais dois tentos e assegurou a reviravolta total no resultado. Até ao apito final, José Augusto ainda fez outro golo e colocou o resultado final em 5-3 para Portugal, numa das cambalhotas mais históricas em campeonatos do mundo.

Por fim, os quartos de final encerraram com um duelo equilibrado entre URSS e Hungria, que os soviéticos venceram por 2-1.

Meias-Finais

A primeira semi-final foi vencida pela Alemanha Ocidental que se superiorizou à URSS (2-1) num jogo bastante intenso e que contou com a expulsão do soviético Cislenko (44′).

Na segunda meia-final, Portugal e Inglaterra defrontaram-se em Wembley para o acesso à final. O jogo era para ser disputado em Liverpool, onde os portugueses haviam defrontado os norte-coreanos, mas a pressão inglesa para que o encontro passasse para Londres foi muito forte e a FIFA acabou por aceder ao pedido. Nessa partida, o cansaço da selecção nacional devido à inesperada viagem, aliado a uma marcação implacável de Stiles a Eusébio diminuiu, em muito, as possibilidades lusitanas. Assim sendo, Portugal acabou por perder com a Inglaterra (1-2) e o Pantera Negra terminou o desafio em lágrimas sentindo que, afinal, tinha estado a um passo de uma final de um campeonato do mundo.

Terceiro e Quarto Lugar

Não era o jogo que Portugal e URSS quereriam disputar, todavia, ambos queriam, ao menos, chegar ao pódio do Mundial 66. Num jogo intenso, a selecção das quinas adiantou-se aos 13 minutos, graças a um penalti de Eusébio, mas Malafeev igualou a partida a dois minutos do intervalo. A partir daqui, o jogo foi muito equilibrado e a vitória podia ter caído para qualquer lado, todavia, a dois minutos do fim, Torres bateu Yashin e garantiu a melhor classificação de Portugal num Mundial de futebol.

Final* Inglaterra 4-2 RFA

Ingleses e alemães defrontavam-se numa final inédita na tentativa de conquistarem uma Taça que já havia conhecido uma história bem atribulada.

Exposta em Londres durante dois meses e meio e guardada por seis guardas, a Taça Jules Rimet foi roubada a 20 de Março de 1966 para espanto do Mundo. Ainda assim, uma semana depois, o objecto foi encontrado por um cão chamado Pickles num jardim de Londres e embrulhada em papel de jornal. Com a Taça Jules Rimet recuperada, o jogo pode iniciar-se com a certeza de que o vencedor iria ter algo de muito especial para levantar no momento do triunfo.

Tratou-se de uma final intensa e com várias variações no marcador. Os alemães marcaram primeiro, aos 12 minutos, por Haller, mas os ingleses conseguiram dar a cambalhota no marcador com golos de Hurst (18′) e Peters (78′).

Já se fazia a festa em Wembley, mas aos 90 minutos, na sequência de uma falta inexistente, Weber empatou a partida e levou o jogo a prolongamento.

Após terem sido obrigados a disputar o prolongamento na sequência de uma falta que não existiu, os ingleses chegariam à vantagem, aos 101 minutos, graças a uma bola que não transpôs totalmente a linha de baliza. O autor do golo que não o devia ser, foi Hurst, que, em cima do final do prolongamento, completou o hat-trick e fez o 4-2 final.

Foi a primeira e, até hoje, única vitória da selecção da rosa num campeonato do mundo, mas, na verdade, quem mais brilhou no Mundial 66 foi um atacante moçambicano de seu nome: Eusébio da Silva Ferreira.

Números do Mundial 1966

Campeão: Inglaterra

Vice-Campeão: RFA

Terceiro Classificado: Portugal

Quarto Classificado: URSS

Eliminados nos Quartos de Final: Argentina, Uruguai, Coreia do Norte e Hungria

Eliminados na Fase de Grupos: México, França, Espanha, Suíça, Chile, Itália, Brasil e Bulgária

Melhor Marcador: Eusébio (Portugal) – 9 golos

Equipa do Mundial 1966: Banks (Inglaterra); Cohen (Inglaterra), Moore (Inglaterra), Beckenbauer (RFA) e Schnellinger (RFA); Voronin (URSS) e Coluna (Portugal); Simões (Portugal), Haller (RFA), Bobby Charlton (Inglaterra) e Eusébio (Portugal).

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Em pleno Mundial do Chile, após Pelé se ter lesionado no segundo jogo da fase de grupos, diante da Checoslováquia, os brasileiros pensaram que haviam perdido as hipóteses de se sagrarem bicampeões do mundo. Contudo, um jogador para o qual todos os adversários tinham o mesmo nome e todos os jogos a mesma importância resolveu fazer de Pelé, iniciando uma sequência de jogos fenomenais que empurraram o Brasil para a conquista do título mundial. Assim sendo, o sétimo campeonato do mundo foi conquistado pela selecção canarinha, graças a um atleta de pernas tortas, que fazia sempre a mesma finta, mas sempre com sucesso: Mané Garrincha.

Primeira Fase

Este campeonato do mundo, realizado no Chile, teve um sistema em tudo semelhante ao que veremos no Mundial da África do Sul, sendo que a única diferença foi a presença de 16 selecções em vez das actuais 32.

No Grupo A, a URSS qualificou-se como primeira classificada após vencer  a Jugoslávia (3-1) e o Uruguai (2-1) e empatar com a Colômbia (4-4). No jogo com os colombianos, Yashin foi criticado por, depois dos soviéticos estarem a ganhar 4-1, ter facilitado e sofrido alguns golos questionáveis. A pressão foi muito grande mas o “Aranha Negra” acabou por manter a titularidade e, em 1963, acabou por ganhar a Bola de Ouro. Até hoje, foi o único guarda-redes a consegui-lo. Também neste grupo, os jugoslavos, apesar da derrota com os soviéticos, apuraram-se como segundos classificados, graças às vitórias sobre a Colômbia (5-0) e Uruguai (3-1).

Por outro lado, no Grupo B, a Alemanha Ocidental foi a selecção mais forte, vencendo a Suíça (2-1) e o Chile (2-0) e empatando, a zero, com a Itália. Logo abaixo dos germânicos, ficou a selecção anfitriã que, apesar de ter perdido com a RFA, venceu helvéticos (3-1) e italianos (2-0), apurando-se também para os quartos de final. O jogo entre Chile e Itália foi muito intenso e ficou conhecido como a batalha de Santiago. No meio de várias expulsões, curiosa foi a primeira, a do italiano Ferrini, pois este recusou-se a sair de campo e só a polícia conseguiu tirá-lo de lá.

Depois, no Grupo C, o Brasil ficou em primeiro lugar, após vitórias diante da Espanha (2-1) e México (2-0) e um empate diante da Checoslováquia (0-0). Neste grupo, também se apuraram os checoslovacos que, além do empate com o Brasil, venceram a Espanha (1-0) e perderam com o México (1-3). A grande desilusão do agrupamento foram os “nuestros hermanos” que chegaram a este mundial como a selecção da ONU por terem várias estrelas internacionais (Puskas e Di Stéfano eram exemplos), mas acabaram por cair logo na primeira fase.

Por fim, o Grupo D foi vencido pela Hungria, que venceu a Inglaterra (2-1) e Bulgária (6-1), empatando, depois, com a Argentina (0-0). Quem acompanhou os húngaros no apuramento para a segunda fase foi a equipa dos três leões, pois apesar da derrota com os magiares e do empate a zero com os búlgaros, venceu os argentinos (3-1). Um triunfo que se revelou decisivo na passagem aos quartos de final.

Quartos de Final

No primeiro desafio dos quartos de final, a União Soviética foi surpreendida pelo Chile, que venceu por duas bolas a uma. Após a primeira fase, poucos acreditariam no desaire soviético, mas a equipa anfitriã, muito matreira, acabou por conseguir o passaporte para as meias finais.

Ainda assim, as surpresas não ficaram por aqui, pois a Hungria (perdeu 1-0 com a Checoslováquia) e a Alemanha Ocidental (perdeu 1-0 com a Jugoslávia) que também  haviam vencido os seus grupos caíam, assim, diante de selecções teoricamente mais fracas.

Assim sendo, a única equipa que confirmou o favoritismo nos quartos de final foi o Brasil. A equipa canarinha venceu a Inglaterra por 3-1, num jogo em que Garrincha bisou e ainda se deu ao luxo de falhar um penalti.

Meias-Finais

O jogo mais emocionante das semiMas-finais foi, claramente o Brasil-Chile. O campeão do mundo defrontou a equipa anfitriã e venceu a partida com relativa facilidade por 4-2. No entanto, Garrincha, que voltou a bisar, acabou expulso devido a uma picardia com o chileno Sánchez. Essa expulsão assustou os brasileiros que não o queriam fora da final e, assim, iniciou-se uma enorme pressão ao árbitro e ao assistente uruguaio: Esteban Marino. A pressão foi tal, que o árbitro escreveu no relatório que não viu a infração de Garrincha e, como tal, a FIFA despenalizou o anjo das pernas tortas.

Por outro lado, a outra partida saldou-se numa vitória da Checoslováquia diante da Jugoslávia por três bolas a uma. Isto significava que teríamos um Brasil-Checoslováquia na final do campeonato do mundo.

Terceiro e Quarto Lugar

O duelo para atribuição do terceiro e quarto lugar apenas foi decidido em cima do apito final. Nesse momento, Rojas não perdoou e garantiu o terceiro lugar ao Chile. Assim sendo, a Jugoslávia teve de se contentar com o quarto lugar.

Final* Brasil 3-1 Checoslováquia

Esta final tinha à partida um vencedor anunciado. O Brasil podia não ter Pelé, mas tinha o melhor Garrincha de sempre e isso, durante o Mundial, bastou.

Apesar de ter começado a partida a perder, graças a um golo de Masopust (15′), os brasileiros nunca perderam a calma e, dois minutos depois, Amarildo empatou a partida.

A equipa checoslovaca era compacta e defendia muito bem. Assim sendo, foi conseguindo adiar o segundo golo canarinho por diversas vezes. Ainda assim, aos 69 minutos, Zito quebrou finalmente a cortina checoslovaca e fez o 2-1 para os brasileiros.

Esse golo decidiu o jogo, pois os europeus foram incapazes de reagir, sofrendo ainda um terceiro golo, apontado por Vává (78′).

Pouco depois terminava o desafio e o campeonato do mundo. O Brasil era bicampeão muito graças à magia de um grande senhor do futebol: Mané Garrincha.

Números do Mundial 1962

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Checoslováquia

Terceiro Classificado: Chile

Quarto Classificado: Jugoslávia

Eliminados nos Quartos de Final: Alemanha Ocidental, União Soviética, Hungria e Inglaterra

Eliminados na Fase de Grupos: Uruguai, Colômbia, Itália, Suíça, México, Espanha, Argentina e Bulgária

Melhor Marcador: Jerkovic (Jugoslávia) – 5 golos

Equipa do Mundial 1962: Schrojf (Checoslováquia); Djalma Santos (Brasil), Mauro (Brasil), Sánchez (Chile) e Schnellinger (RFA); Voronin (URSS) e Masopust (Checoslováquia); Garrincha (Brasil), Bobby Charlton (Inglaterra), Albert (Hungria) e Vává (Brasil).

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