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Zambrano tem qualidade para atingir o topo

Zambrano tem qualidade para atingir o topo

Quem tem acompanhado as exibições do Peru nesta Copa América tem ficado certamente encantado com a qualidade da sua dupla de centrais composta por Carlos Zambrano e Carlos Ascues, e se o segundo, que até passou pelo Benfica, já tem muita qualidade, a verdade é que é o seu colega, do Eintracht Frankfurt, o mais fascinante.

Trata-se de um futebolista nascido a 10 de Julho de 1989 em Callao, Peru, e que começou a sua carreira no modesto Cantolao, ainda que cedo tenha emigrado para Alemanha, e para representar o poderoso Schalke 04. Nesse emblema de Gelsenkirchen iria concluir o seu percurso nas camadas jovens e iria estrear-se na Bundesliga em 2009/10, tendo somado 16 jogos.

Um esteio no Eintracht Frankfurt

Em 2010/11, contudo, mudou-se para o St. Pauli, clube que representaria por duas temporadas, tendo somado 21 partidas na primeira, com o clube de Hamburgo ainda na Bundesliga, e apenas 10 na segunda, já na 2. Bundesliga, essencialmente devido a uma grave lesão no tendão de Aquiles

Ainda assim, consciente da qualidade do internacional peruano, o Eintracht Frankfurt não hesitou em avançar para a sua contratação no Verão de 2012, sendo que Carlos Zambrano já soma 91 jogos oficiais pelas “águias”, num registo que poderia ser ainda superior se o defesa-central não tivesse sido vítima de uma rotura de ligamentos do joelho na última temporada.

Merece outro patamar

Talvez tenha sido as graves lesões que tenham impedido Carlos Zambrano de já ter atingido um patamar superior ao Eintracht Frankfurt, uma vez que a qualidade intrínseca do internacional peruano merecia claramente que este estivesse num dos clubes de topo do futebol europeu.

Afinal, o jovem de 25 anos destaca-se pela sua capacidade de liderança e posicionamento inteligente, sendo ainda rápido, raçudo, forte no jogo aéreo e muito eficaz no capítulo do desarme e da antecipação.

Movimentando-se em campo com grande classe, é ainda de destacar a excelente técnica de Carlos Zambrano, jogador que é o ideal para iniciar o processo de construção, até porque é igualmente forte e criterioso no capítulo do passe curto e longo.

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Obdulio Varela confunde-se com a história do futebol uruguaio

Chamavam-lhe o “Chefe Negro” por ser um incontestável líder autoritário e para sempre será “El Gran Capitan”, jogador possuidor de enormes capacidades psicológicas e capaz de impor um espírito de vitória em toda a sua equipa que, por vezes, era cumprir metade do caminho até ao triunfo final. Médio-centro raçudo, era importantíssimo em todas as movimentações no miolo, fosse a defender ou a atacar, sendo o pêndulo de todo o jogo do Peñarol ou da selecção uruguaia. Campeão Mundial em 1950, vencedor da Copa América em 1942 e com inúmeros títulos domésticos no bolso, há quem diga que é impossível entender a génese do futebol uruguaio sem se conhecer a história e características de Obdulio Varela.

Começou no Deportivo Juventud mas os anos de ouro passou-os no Peñarol

Obdulio Jacinto Muiños Varela nasceu a 20 de Setembro de 1917 em Paysandú, Uruguai, no seio de uma família modesta e iniciou a sua carreira em 1936 no Deportivo Juventud. Dois anos depois, o médio-centro haveria de se transferir para o Montevideu Wanderers, clube por onde se manteve durante cinco anos e onde efectuou exibições que lhe valeram a chegada à selecção uruguaia em 1939 e a transferência para o Peñarol em 1943.

No histórico clube aurinegro, Obdulio Varela haveria de permanecer até ao final da sua carreira, ou seja, até 1955, tendo marcado uma época no seio do Peñarol, clube pelo qual conquistou seis campeonatos uruguaios, para além de inúmeros outros títulos domésticos de menor interesse desportivo.

Campeão mundial e sul-americano pelo Uruguai

Varela estreou-se pela selecção uruguaia em 1939, num duelo da Copa América diante do Chile e que o Uruguai venceu por 3-2, tendo disputado um total de 45 jogos e marcado nove golos pela “La Celeste.”

Participando em cinco copas América, foi finalista em 1939 e 1941, tendo conquistado a competição para selecções da América do Sul em 1942, numa prova disputada no Uruguai e em que a selecção celeste venceu todos os seis jogos do Torneio, superando Chile (6-1), Equador (7-0), Brasil (1-0), Paraguai (3-1), Peru (3-0) e Argentina (1-0).

Em termos de campeonatos do Mundo, Varela teve o azar de não poder ter participado em nenhum Mundial nos anos 40, pois, com o advento da Segunda Guerra Mundial, nenhuma competição se disputou nessa década. Contudo, no único campeonato do Mundo que disputou, em 1950, o médio-centro teria a suprema felicidade de se sagrar campeão mundial, depois de superar o Brasil no duelo decisivo (2-1). Esse jogo, conhecido internacionalmente por “Maracanazo” é tido, ainda hoje, como uma das maiores surpresas de sempre do futebol.

Um psicólogo e motivador nato

O internacional uruguaio conservou sempre a mesma postura imponente que incutia respeito a colegas e adversários, ficando célebre pelos seus encorajadores discursos. Na véspera do jogo decisivo com o Brasil para o Mundial 50, Varela ouviu um dirigente uruguaio dizer que uma derrota por 4-0 seria um resultado positivo, mas o médio-centro, consciente que era dos mais veteranos de uma equipa de jovens, disse aos colegas para não olharem para as bancadas (repletas com 200 mil brasileiros), pois o jogo disputava-se ali mesmo na relva.

Mais tarde, já com as equipas perfiladas no relvado, Varela notou que os fotógrafos uruguaios pareciam mais interessados em tirar fotografias aos jogadores canarinhos que aos próprios compatriotas e atirou, de raiva: “Deixem esses macacos. Os campeões do Mundo vamos ser nós! E foram. Era assim Obdulio Varela, “El Gran Capitan.”

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André Carrillo é uma grande promessa do futebol peruano

Uma das grandes promessas do futebol peruano e sul-americano é um médio-ofensivo/avançado de suporte do Alianza Lima e de que se fala que pode reforçar o Sporting Clube de Portugal: André Carrillo.

Nascido a 14 de Junho de 1991 em Lima, Peru, e começou a sua carreira futebolística no modesto Esther Grande, que representou até ao ano de 2007. Depois, transferiu-se para o Alianza Lima, onde terminou o seu percurso como jogador juvenil e se estreou no futebol sénior a 5 de Dezembro de 2009 numa igualdade (2-2) com o Club Deportivo Universidad César Vallejo.

Desde essa data, André Carrillo já efectuou 16 jogos (3 golos) pelo Alianza Lima e tornou-se numa das figuras da selecção sub-20 do Peru, sendo, neste momento, pretendido por vários clubes europeus como o FC Groningen, Lázio e Sporting.

Velocidade, mobilidade e técnica são predicados do peruano

André Carrillo é um elemento muito veloz, possuindo uma evoluída técnica individual e uma excelente mobilidade. Para além disso, trata-se de um jogador com elevado poder de desmarcação e frieza na hora de atirar à baliza.

Polivalente, tanto pode jogar como “dez” como segundo avançado, sendo que as suas características aconselhem que jogue na posição “dez” num 4x2x3x1 e como avançado de suporte em qualquer variante do 4x4x2.

Neste momento, com apenas 20 anos, trata-se de um elemento de enorme talento individual e que, por certo, seria uma excelente adição ao plantel 2011/12 do Sporting.

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Portugal sentiu na pele a evolução cipriota

Os maus resultados da selecção portuguesa diante de Chipre (empate 4-4) e Noruega (derrota por 1-0) indicaram, claramente, que a equipa das quinas estava à deriva, mas, mesmo não duvidando que a novela à volta do ex-seleccionador Carlos Queirós teve influência nos desfechos negativos, não podemos branquear a evolução de alguns países emergentes no contexto futebolístico, que, outrora, eram “carne para canhão” e, neste momento, batem o pé às nações mais poderosas, como é o caso de Chipre.

Estrangeiros são benéficos quando acrescentam qualidade

Longe vão os tempos em que o Apoel Nicósia foi jogar a Alvalade e saiu derrotado por um copioso dezasseis a um. Neste momento, os clubes cipriotas estão recheados de jogadores estrangeiros de qualidade como o congolês ex-Newcastle e Olympiakos: Lua Lua, o internacional peruano Rengifo, o ex-Marítimo Marcinho ou o internacional grego: Chiotis. Curiosamente, a liga cipriota também está cheia de jogadores portugueses como Paulo Jorge (ex-Braga), Bruno Aguiar (Ex-Benfica) ou Vargas (Ex-Alverca e Leiria), isto para dar apenas alguns exemplos, pois o número de jogadores lusitanos em Chipre ultrapassa a centena.

Este incremento de estrangeiros de qualidade fez Chipre subir bastante no contexto do futebol europeu de clubes e, como tal, começámos a ver equipas como o Anorthosis ou o Apoel Nicósia a chegarem à fase final da Liga dos Campeões, algo que, há cerca de dez anos atrás, seria pouco menos que uma utopia. Para termos uma ideia mais clara dessa evolução, Chipre, que em 2005 se encontrava no 29º lugar do ranking da UEFA, saltou, em apenas cinco anos, para o vigésimo lugar, estando, neste momento, à frente de países como a Bulgária, a Croácia, a Sérvia e a Suécia.

Este exemplo que nos é dado por Chipre, prova que o problema do futebol português e de outros não está nos estrangeiros, mas sim na quantidade e qualidade dos mesmos. Afinal, qual é a logíca de enchermos a nossa liga de estrangeiros de qualidade duvidosa, para depois os jogadores portugueses emigrarem para países como Chipre? Será que atletas como o Hélio Roque, Bruno Aguiar, Paulo Jorge, Vargas, Nuno Morais ou Edgar Marcelino, todos a jogar em Chipre, não teriam lugar na Liga Zon Sagres em deterimento dos contentores de estrangeiros que chegam, anualmente, a Portugal?

Selecção cipriota ganhou com a legião estrangeira

Se pensam que a evolução qualitativa do futebol cipriota se resumiu ao futebol de clubes, estão completamente enganados. Curiosamente, após esta entrada de valores estrangeiros na principal liga desta ilha do Mediterrâneo, também se deu uma evolução da selecção cipriota que, cada vez mais, joga de igual para igual com qualquer selecção.

Por exemplo, na qualificação para o Mundial 2010, a equipa de Chipre venceu, em casa, a Bulgária por 4-1 e, mesmo perdendo todos os jogos que efectuou com Itália e República da Irlanda, fê-lo sempre pela margem mínima, sendo que, na deslocação a Itália, esteve a ganhar 2-0 até bem perto do final do jogo.

Agora, na qualificação para o Euro 2012, foi a vez de Portugal sentir, na pele, o crescimento do futebol cipriota, sendo vergado a um empate (4-4) em Guimarães, num resultado que, por certo, colocou muita gente a olhar o futebol cipriota com outros olhos.

Estes resultados são a prova que o talento estrangeiro não destruiu o aparecimento de talentos locais, nem tirou o lugar aos cipriotas mais experientes, que, depois de carreiras passadas em campeonatos mais competitivos, voltaram a Chipre para contribuirem para a evolução do futebol daquele país.

Assim sendo, assistimos, nos últimos tempos, ao aparecimento de inúmeros jovens talentos locais, como o lateral/extremo: Andreas Avraam (Omónia), o extremo-direito: Georgios Efrem (Omónia) ou o atacante Christofi (Omónia), que, juntamente com jogadores experientes como os avançados Okkas (Anorthosis), Konstantinou (Omónia) e o médio Charalambides (Apoel Nicósia), têm ajudado a selecção cipriota a atingir outro patamar.

Um exemplo que nos chega do leste do Mediterrâneo, que podia servir de exemplo aos responsáveis do futebol indígena.

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RDA e Chile empataram a uma bola no Mundial 74

A qualificação para o Mundial 1974, que se disputaria na República Federal da Alemanha, teve um playoff de apuramento intercontinental que colocava, frente a frente, as selecções do Chile e da União Soviética. No primeiro jogo, a 26 de Setembro de 1973, em Moscovo, o resultado saldou-se num empate e, assim, a 21 de Novembro, iria disputar-se em Santiago do Chile, o jogo decisivo para o último passaporte para o campeonato do mundo. Contudo, ao mesmo tempo, o Chile havia vivido um golpe de estado patrocinado pelos EUA, que fez com que Pinochet derrubasse o socialista e legitimamente eleito: Salvador Allende. Em plena guerra fria, ninguém acreditaria que os soviéticos não aproveitassem o momento para um protesto político e, de facto, foi o que fizeram…

O Chile chegava a este playoff após ter superado um grupo com as selecções do Peru e da Venezuela. Como havia sido o vencedor de grupo com pior performance (atrás de Argentina e Uruguai), seria obrigado a superar a selecção com registo identico, mas do continente europeu: URSS (superou a França e a Rep. Irlanda para chegar a este jogo decisivo).

Poucos dias antes do primeiro jogo (a disputar em Moscovo), no dia 11 de Setembro de 1973, o Chile viveu um golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet e com o total apoio dos Estados Unidos. Essa acção militar derrubou o socialista e democraticamente eleito: Salvador Allende, sendo que grande parte dos partidários e apoiantes de Allende foram detidos, torturados e, até, executados no Estádio Nacional de Santiago do Chile.

Após o primeiro jogo disputado na URSS e que terminou com um nulo, os soviéticos afirmaram que não pretendiam viajar para Santiago do Chile e, muito menos, jogar num “Estádio da Morte” que havia sido palco de atrocidades contra partidários socialistas. Em plena guerra fria, era uma decisão lógica de protesto contra a intervenção norte-americana num país de governo socialista e pró-soviético.

Assim sendo, na segunda mão, disputada a 21 de Novembro de 1973, os soviéticos cumpriram a promessa e não compareceram ao jogo. Devido a isso, o Chile iria apurar-se, automáticamente, devido a falta de comparência, no entanto, os sul-americanos não deixaram de fazer uma encenação que demonstrasse a sua superioridade sobre os soviéticos.

No dia do desafio, os chilenos entraram mesmo em campo e, perante milhares de espectadores, alguns jogadores sul-americanos deram um pontapé de saída e avançaram por um meio campo deserto para fazerem um golo simbólico que foi seguido de um pseudo apito final.

O Chile avançava para o Mundial da RFA, onde foi eliminado logo na primeira fase, pois na fase de grupos, apenas empatou com a Alemanha Oriental (1-1) e Austrália (0-0), perdendo com a Alemanha Ocidental (0-1). Nesse campeonato do mundo, todos os seus jogos ficaram marcados por protestos contra o regime, exibidos nas bancadas por exilados políticos.

Os soviéticos, esses, já tinham feito o seu protesto, não aparecendo ao jogo da segunda mão e permitindo que, assim, se disputasse um jogo fantasma naquele que ficou conhecido com o Estádio da Morte…

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Era uma selecção sublime, aquele Brasil que venceu o Mundial 1970 disputado no México. Jogadores como Pelé, Jairzinho, Rivelino ou Tostão deram um espectáculo de magia, alegria e criatividade, explanado num futebol ofensivo que permitiu aos canarinhos vencerem todos os seis jogos que disputaram e marcarem 19 golos. Um exemplo do poderio brasileiro foi a forma como venceram a final: 4-1 à Itália, num jogo dominado totalmente pela equipa de Pelé. Este foi também o primeiro campeonato do mundo com substituições (duas na altura) e com cartões…

Primeira Fase

Tal como no Chile 1962 e no Inglaterra 1966, a primeira fase foi composta por quatro grupos  de quatro equipas, passando os dois primeiros de cada grupo para os quartos de final. Este foi, no entanto, o primeiro campeonato do mundo com substituições e, também, com cartões, uma ideia do Árbitro Ken Aston após parar nos semáforos de uma rua de Londres e pensar que os sinais amarelo e vermelho podiam ser uma forma de parar a violência. Outra estreia neste campeonato do mundo foi o facto da Adidas ter-se encarregado, pela primeira vez, da bola do Mundial. A estreia aconteceu com a Telstar, uma bola branca com hexágonos pretos.

No Grupo A, México e URSS, não deram hipóteses a Bélgica e El Salvador, pois após empatarem entre si (0-0), aztecas (1-0 à Bélgica e 4-0 a El Salvador) e soviéticos (4-1 à Bélgica e 2-0 a El Salvador) venceram os seus adversários e apuraram-se facilmente para os oitavos de final. Destaque, também, para o facto do soviético Byshovets ter sido o primeiro atleta a ver um cartão amarelo num campeonato do mundo.

Mais equilibrado foi o Grupo B, composto por Itália, Uruguai, Suécia e Israel. Neste agrupamento, apuraram-se a Itália (1ª), que venceu a Suécia (1-0), empatando com Uruguai (0-0) e Israel (0-0) e o Uruguai, que além do empate com os italianos, venceu Israel (2-0) e perdeu com a Suécia (0-1). Os suecos, mesmo vencendo os uruguaios, acabaram eliminados, pois apesar de terem terminado com os mesmos pontos dos celestes, tiveram pior “goal-average”.

Por outro lado, o Grupo C foi um autêntico passeio para o Brasil, que venceu Checoslováquia (4-1), Inglaterra (1-0) e Roménia (3-2), qualificando-se facilmente para a segunda fase e em primeiro lugar. Neste agrupamento, os ingleses também asseguraram o passaporte para os quartos de final, pois apesar de terem perdido com os canarinhos, venceram Roménia (1-0) e Checoslováquia (1-0) e asseguraram o segundo lugar.

Por fim, o Grupo D foi dominado pela Alemanha Ocidental, que venceu Marrocos (2-1), Bulgária (5-2) e Peru (3-1) e conquistou facilmente o primeiro lugar. O outro apurado, foi o Peru, que apesar de ter perdido com os germânicos, não deu hipóteses a Bulgária (3-2) e Marrocos (3-0), terminando na segunda posição. Neste agrupamento, há ainda a destacar a quarta presença em campeonatos do mundo do alemão Seelar (esteve presente em 1958, 62, 66 e 70), ainda assim, não se tratava de um record, pois o mexicano Carbajal havia estado presente em cinco (1950, 54, 58, 62 e 66).

Quartos de Final

O Uruguai-União Soviética foi um duelo muito disputado e só ficou decidido no prolongamento, ao minuto 117, após um golo do uruguaio Espárrago. Os soviéticos ainda apresentaram um protesto oficial, pois entenderam que a bola já tinha saído de campo no momento do centro do qual resultou o tento, contudo, a FIFA rejeitou o apelo.

Menos equilibrado foi o Itália-México, pois os “azzurri”, que até começaram a perder (golo de González aos 13 minutos), deram a volta ao resultado e acabaram por vencer, facilmente, por quatro bolas a uma.

Por outro lado, o Brasil-Peru foi um jogo espectacular que colocou, frente a frente, o mágico Brasil de Pelé e o surpreendente Peru de Cubillas. Nesse jogo, o antigo jogador do FC Porto até fez um golo, ao contrário de Pelé, que ficou em branco, todavia, foi o Brasil que venceu o jogo (4-2), graças aos golos de Rivelino, Tostão (2) e Jairzinho.

Por fim, Alemanha Ocidental e Inglaterra disputaram a última vaga nas semi-finais. Num ambiente adverso (os mexicanos revelaram grande hostilidade aos ingleses durante todo o jogo), A equipa dos três leões chegou mesmo a estar a vencer por 2-0 e parecia lançada para o apuramento, todavia, a fria equipa germânica conseguiu chegar à igualdade antes dos 90 minutos. No prolongamento, a RFA foi mais feliz e garantiu a vitória graças a um golo do bombardeiro Gerd Müller (106′).

Meias-Finais

Na primeira meia final, o Brasil até entrou a perder com o Uruguai (Cubilla abriu o activo aos 19 minutos), mas depois a equipa canarinha puxou dos galões e soube dar a volta ao resultado com golos de Clodoaldo (45′), Jairzinho (76′) e Rivelino (90′), vencendo a partida por 3-1.

Por outro lado, a outra semi-final (Itália-Alemanha Ocidental) só se decidiu no prolongamento. A Itália marcou logo aos sete minutos e o resultado (1-0 para os italianos), manteve-se inalterado até aos 90 minutos, quando Schnellinger empatou a partida e forçou o tempo extra. No prolongamento, assistimos a um jogo fantástico, com a Itália a fazer o 2-1 e o 3-2, mas com os germânicos a empatarem sempre a partida. No entanto, aos 111 minutos, Rivera fez o 4-3 e, dessa vez, os alemães já não conseguiram responder, ficando fora da final. Neste desafio, temos ainda de destacar Beckebauer que deslocou a clavícula e jogou os últimos 30 minutos com o braço ao peito.

Terceiro e Quarto Lugar

É sempre um jogo ingrato, uma espécie de final menor, que, muitas vezes, trás pouca motivação aos intervenientes. Ainda assim, a Alemanha Ocidental não quis perder a oportunidade de atingir o último lugar no pódio e, conseguiu esse objectivo, vencendo o Uruguai, graças um golo solitário de Overath (27′).

Final* Brasil 4-1 Itália

O resultado pode dar a ideia de que a Itália, que não perdeu qualquer jogo até esta final e que tinha jogadores como Riva, Facchetti e Domenghini, teve uma má tarde, mas isso não correspondeu à verdade.

O Brasil tinha, na verdade, uma equipa fantástica e, apesar da inegável qualidade da selecção “azzurra”, conseguiu vencer o jogo com uma facilidade e clareza impressionante.

Marcou primeiro, por Pelé (18′), ainda permitiu a igualdade, na sequência de um golo de Boninsegna (37′), mas depois foi uma auto-estrada de magia, criatividade e golos, que foram três: Gérson (66′), Jairzinho (71′) e Carlos Alberto (89′), mas podiam ter sido mais, perante uma Itália que foi incapaz de responder à provavelmente melhor selecção da história.

Uma vitória justíssima e que garantia o tricampeonato mundial aos canarinhos, que, depois deste título, entrariam num jejum que durou 24 anos…

Números do Mundial 1970

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Itália

Terceiro Classificado: Alemanha Ocidental

Quarto Classificado: Uruguai

Eliminados nos Quartos de Final: URSS, Peru, México e Inglaterra

Eliminados na Fase de Grupos: Bélgica, El Salvador, Suécia, Israel, Roménia, Checoslováquia, Bulgária e Marrocos

Melhor Marcador: Gerd Müller (Alemanha Ocidental) – 10 golos

Equipa do Mundial 1970: Mazurkiewicz (Uruguai); Carlos Alberto (Brasil), Schwarzenbeck (Alemanha Ocidental), Beckenbauer (Alemanha Ocidental) e Facchetti (Itália); Clodoaldo (Brasil), Overath (Alemanha Ocidental) e Rivelino (Brasil); Jairzinho (Brasil), Pelé (Brasil) e Gerd Müller (Alemanha Ocidental).

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O Chile já participou em sete campeonatos do mundo, todavia, tirando um terceiro lugar conquistado em casa (1962), o melhor que conseguiu foi alcançar os oitavos de final no França 98, numa competição em que, curiosamente, não venceu nenhum jogo (três empates e uma derrota). Ainda assim, a equipa chilena está bastante motivada para o Mundial da África do Sul, pois tem uma das melhores gerações de jogadores de sempre e, para além disso, fez uma excelente fase de qualificação, terminando na segunda posição, apenas um ponto atrás do vencedor do agrupamento: Brasil. Agora, em terras sul-africanas, tudo o que seja abaixo dos oitavos de final terá de ser encarado como uma grande desilusão para os sul-americanos.

A Qualificação

Os chilenos fizeram uma fase de apuramento de grande qualidade na zona sul-americana de qualificação, acabando na segunda posição a apenas um ponto do Brasil (1º) e terminando o agrupamento com uma vantagem de nove pontos em relação à primeira equipa que não se qualificou directamente para a África do Sul (Uruguai).

Durante o seu percurso, o Chile teve resultados brilhantes como a dupla vitória diante da Colômbia (4-2 e 4-0) ou triunfos em campos difíceis como o do Paraguai (2-0), Bolívia (2-0) ou Venezuela (3-2).

Assim sendo, foi mesmo com algum brilhantismo que a selecção chilena garantiu o passaporte para o Mundial 2010.

Zona sul-americana – Classificação

  1. Brasil 34 pts
  2. Chile 33 pts
  3. Paraguai 33 pts
  4. Argentina 28 pts
  5. Uruguai 24 pts
  6. Equador 23 pts
  7. Colômbia 23 pts
  8. Venezuela 22 pts
  9. Bolívia 15 pts
  10. Peru 13 pts

O que vale a selecção chilena?

A equipa chilena é uma equipa de grande qualidade,vocacionada para o ataque e usando um esquema muito ofensivo em 4-3-3 será, por certo, garantia de futebol atractivo em terras sul-africanas.

A baliza deverá estar entregue a Bravo, guarda-redes de qualidade. Depois, o quarteto defensivo deverá ser composto pela dupla de centrais: Medel-Vidal e pelos laterais: Ponce (à esquerda) e Isla (à direita). Neste sector, temos de destacar a curiosidade de os dois centrais serem, normalmente, usados como médios defensivos nos seus clubes. Tratam-se de dois jogadores de excelente qualidade pelo chão, mas que, por vezes, têm alguma dificuldade no jogo aéreo, nomeadamente Medel que é muito baixo. Por outro lado, nas laterais, encontramos dois jogadores muito diferentes, pois Ponce é mais defensivo, ajudando muitas vezes o centro da defesa, enquanto Isla é muito ofensivo, sendo, muitas vezes, quase um extremo.

No meio campo, a equipa chilena deverá optar por um duplo-pivot composto por dois jogadores que tanto sabem defender e recuperar bolas como iniciar o processo ofensivo: Carmona e Millar. Depois, mais à frente, deverá jogar o bem conhecido Mátias Fernández. No esquema da selecção sul-americana, o papel do jogador do Sporting é extremamente importante, pois é por ele que passa quase toda a construção ofensiva do Chile.

Por fim, no ataque, os chilenos deverão optar por dois extremos: Beauséjour (à esquerda) e Alexis Sánchez (à direita). Estes dois atletas devem ter missões ligeiramente diferentes, pois enquanto Beauséjour será um extremo puro, que se preocupará mais em criar desequilíbrios no flanco esquerdo, Sánchez será um falso extremo que aproveitará o facto de Isla subir muito pelo flanco direito para fazer diagonais para o centro e aparecer, muitas vezes, colado ao ponta de lança. Esse avançado centro será, obviamente, a estrela do futebol chileno (Humberto Suazo), um atacante rápido e explosivo, que, na hora da verdade, raramente falha.

Em suma, podemos dizer que o Chile apresenta, neste mundial, uma equipa equilibrada e talentosa com reais condições de fazer uma excelente campanha.

O Onze Base

Como referido anteriormente, a selecção sul-americana deverá apresentar um 4-3-3 de pensamento ofensivo com Bravo (Real Sociedad) na baliza; Ponce (Universidad Católica), Medel (Boca Juniors), Vidal (Leverkusen) e Isla (Udinese) na defesa; Carmona (Reggina), Millar (Colo Colo) e Mátias Fernández (Sporting) no meio campo; Beauséjour (América), Alexis Sánchez (Udinese) e Humberto Suazo (Saragoça) no ataque.

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Integrada no Grupo H com Espanha, Suíça e Honduras e partindo do principio que o primeiro lugar (Espanha) e o último (Honduras), parecem, aparentemente entregues, espera-se que a selecção de Marcelo Bielsa lute com a Suíça pelo segundo posto. Nessa disputa, apesar da boa qualidade helvética, o Chile, com mais talento natural, deverá ter uma ligeira vantagem.

Calendário – Grupo H (Mundial 2010)

  • 16 de Junho: Chile vs Honduras
  • 21 de Junho: Chile vs Suíça
  • 25 de Junho: Chile vs Espanha

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