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O Mundial 1954, disputado na Suíça, parecia destinado à magnífica selecção magiar, uma equipa que foi, sem dúvida, a mais extraordinária da primeira metade dos anos 50. A Hungria não perdia desde Junho de 1950, havia vencido os Jogos Olímpicos de 1952 e cometido a proeza de golearem os ingleses por 6-3 (em Wembley) e 7-1 (em Budapeste). Depois de ter vencido a Alemanha Ocidental na primeira fase por 8-3, os magiares voltaram a encontrar os germânicos na final e ninguém acreditava noutro resultado que não uma nova vitória da grande selecção de Puskas, Kocsis e Hidegkuti. Todavia, em Berna, um novo país, acabado de renascer das cinzas da 2ª Guerra Mundial acabava com o reinado daqueles que eram considerados os deuses do futebol. A Alemanha Ocidental vencia a Hungria por 3-2 e sagrava-se campeã do mundo de futebol.

Primeira Fase

O Mundial 1954 teve uma primeira fase no mínimo curiosa. As 16 selecções participantes foram divididas, naturalmente em quatro grupos de quatro, contudo, em vez de jogarem todos contra todos, criou-se um sistema de dois cabeças de série e dois não cabeças de série que não jogavam entre si. Assim, num grupo de quatro equipas, cada uma apenas fazia dois jogos. Depois, se o segundo e terceiro classificado acabassem empatados, teriam de fazer um jogo de desempate, mesmo que já tivessem jogado entre si. Isto explica o facto de RFA e Suíça terem jogado e vencido, por duas vezes, turcos e italianos para seguirem para os quartos de final.

No Grupo A, os cabelas de série foram Brasil e França, que defrontaram Jugoslávia e México. Neste agrupamento, apuraram-se o Brasil que empatou com a Jugoslávia (1-1) e venceu o México (5-0) e os jugoslavos que, além do empate com os canarinhos, surpreenderam a França (1-0). Neste grupo aconteceu uma história curiosa. O Brasil e a Jugoslávia qualificaram-se empatando entre si, mas os sul-americanos não sabiam que o empate lhes bastava e foram chorar para o balneário até que alguém lhes explicou que, afinal, tinham passado aos quartos de final.

No Grupo BHungria e Turquia defrontaram RFA e Coreia do Sul. Os magiares limitaram-se a passear superioridade e golearam a RFA (8-3) e a Coreia (9-0). No entanto, os turcos, que também golearam os coreanos, mas por 7-0, perderam com a Alemanha Ocidental (1-4) e, assim, tiveram de defrontar novamente os germânicos num jogo de desempate. Aí, os alemães voltaram a ser mais fortes, goleando os turcos (7-2) e acompanhando os hungaros no apuramento para a fase seguinte.

No Grupo C, Uruguai e Áustria, cabeças de série, confirmaram o favoritismo e superiorizaram-se à Escócia e à Checoslováquia. Os uruguaios venceram a Checoslováquia (2-0) e a Escócia (7-0) e os austríacos venceram os escoceses por uma bola a zero e os checoslovacos por cinco bolas a zero. Assim sendo, com duas vitórias e sem sofrerem qualquer golo, Uruguai e Áustria seguiram para os quartos de final.

Por fim, no Grupo D, A Inglaterra e a Itália foram designados como cabeças de série e defrontaram Suíça e Bélgica. Os britânicos apuraram-se em primeiro lugar, após um empate com a Bélgica (4-4) e uma vitória diante da Suíça (2-0). No entanto, a squadra azzurra, perdeu com os helvéticos (1-2) e, assim, mesmo tendo vencido os belgas (4-1), tiveram de jogar com a Suíça um duelo para desempate. Nesse encontro, os anfitriões supreenderam os italianos (4-1) e seguiram em frente.

Quartos de Final

A primeira partida dos quartos de final foi o ÁustriaSuíça, em Lausana. A equipa anfitriã entrou muito bem e, aos 23 minutos, já vencia por três bolas a zero. Contudo, até ao intervalo, os austríacos conseguiram dar a volta e chegaram ao descanso a ganhar 5-4… Na segunda metade, a Áustria manteve a superioridade e acabou por vencer o encontro (7-5).

Em Basileia, o Uruguai, que continuava imbatível em campeonatos do mundo, defrontou a Inglaterra e continuou a mostrar ser uma selecção de topo, pois venceu os britânicos por quatro bolas a duas.

Intenso foi o duelo entre Hungria e Brasil, que terminou com a vitória magiar por quatro bolas a duas. Um húngaro (Bozsik) e dois brasileiros (Nilton Santos e Humberto) foram expulsos e o jogo ficou conhecido como “A batalha de Berna”. A pancadaria chegou mesmo às cabinas onde os seleccionadores se agrediram e Puskas acertou com uma garrafa no brasileiro Pinheiro, que, por isso, teve de levar três pontos na cabeça.

Por fim, a Alemanha Ocidental venceu a Jugoslávia (2-0) e também garantiu o bilhete para as semi-finais.

Meias-Finais

Na primeira semi-final, começou a pairar a ideia que a Hungria estava tão convencida da sua superioridade sobre todos os adversários, que poderia vir a ter um dissabor. No duelo diante do Uruguai, chegaram ao 2-0 no início da segunda metade e começaram a descansar. Aproveitando esse factor, os sul-americanos que, lembre-se, ainda não haviam perdido nenhum jogo em campeonatos do mundo, apoiaram-se na raça do seu futebol e empataram graças a um bis de Holberg. Com o desafio empatado nos noventa minutos, foi necessário jogar o prolongamento e, aí, os magiares foram mais fortes, vencendo por 4-2. Era o primeiro aviso que os húngaros poderiam, afinal, descer à terra.

Pouca história teve a segunda meia-final. Em Basileia, a Alemanha Ocidental, em claro crescente de forma, goleou a Áustria (6-1) e seguiu calmamente para a final do Mundial.

Terceiro e Quarto Lugar

O Uruguai, desiludido pela impossibilidade de disputar a final, teve pouca motivação para a disputa deste encontro e, assim, foi sem surpresa que acabou por perder com a Áustria (1-3), terminando o Mundial 1954 na quarta posição. Por outro lado, a Áustria, graças a estre triunfo, conseguia a melhor classificação de sempre, o terceiro lugar.

Final* RFA 3-2 Hungria

A Hungria entrou neste jogo motivada, mas com uma grande preocupação. Puskas, que havia falhado os jogos com o Brasil e Uruguai, após ter sido lesionado pelos alemães no jogo da primeira fase, continuava diminuido. No entanto, o “Major Galopante”, mesmo coxo, pediu para jogar o encontro decisivo.

Tudo começou bem para os magiares que, aos oito minutos, já venciam por 2-0, graças aos golos de Puskas (6′) e Czibor (8′), contudo, demorou pouco a felicidade da Hungria, pois a Alemanha Ocidental rapidamente empatou com golos de Morlock (10′) e Rahn (18′).

Apesar de, tecnicamente, os hungaros serem muito superiores ao seu adversário, os alemães mostravam uma forma física impressionante, que, na altura, levantou tantas suspeitas que a FIFA, a partir do mundial seguinte, passou a instaurar o controlo anti-doping.

Com o passar do tempo, a sua superioridade física foi se tornando decisiva e, aos 84 minutos, Rahn bisou e fez o 3-2. Pouco depois, terminou a partida com a surpreendente vitória da República Federal da Alemanha.

Quem assistiu a este Mundial e teve o prazer de ver jogar a Hungria, afirma que o futebol cometeu a proeza de não coroar os deuses do jogo. No entanto, a história tem sido mais generosa e a equipa magiar continua a ser lembrada como uma das equipas mais inovadoras e geniais de todos os tempos.

Números do Mundial 1954

Campeão: RFA

Vice-Campeão: Hungria

Terceiro Classificado: Áustria

Quarto Classificado: Uruguai

Eliminados nos Quartos de Final: Suíça, Inglaterra, Brasil e Jugoslávia

Eliminados na Fase de Grupos: França, México, Turquia, Coreia do Sul, Checoslováquia, Escócia, Itália e Bélgica

Melhor Marcador: Kocsis (Hungria) – 11 golos

Equipa do Mundial 1954: Grocics (Hungria); Santamaria (Uruguai), Varela (Uruguai e Andrade (Uruguai); Bozsik (Hungria), Liebrich (RFA) e Czibor (Hungria); Kocsis (Hungria), Fritz Walter (RFA), Rahn (RFA) e Hidegkuti (Hungria). 

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