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Peres Bandeira era o seleccionador

Agora que estamos à beira de nova participação no Mundial de sub-20, desta feita, a disputar na Colômbia, achei interessante recordar aquela que foi a primeira presença portuguesa no certame. Há trinta e dois anos, no Japão, Portugal participou na segunda edição do Mundial de sub-20, levando uma equipa de jogadores cheios de sonhos a terras nipónicas e efectuando uma participação digna, mas sem grande brilho, pois a equipa lusitana não haveria de passar dos quartos de final. Ainda assim, a equipa das quinas conseguiu revelar jogadores que haveriam de ser bastante importantes no futebol nacional como Zé Beto, Quim, Bastos Lopes ou Diamantino e tornou-se percursora de uma nova mentalidade futebolística que, dez anos mais tarde, iria garantir o título mundial em Riade…

Surpreendente derrota com o Canadá não evitou apuramento

Portugal estreou-se da pior forma no Mundial de sub-20, perdendo de forma inesperada com o Canadá (1-3) no primeiro jogo do Grupo C. Após um golo de Branko Segota (7′), Grilo (46′) ainda empatou para a equipa nacional, todavia, Segota (66′) novamente e Nagy (79′) garantiram o triunfo da equipa canadiana. Com este resultado, Portugal via-se obrigado a não perder com o Paraguai para continuar a sonhar com o apuramento para os quartos de final.

Curiosamente, num jogo que se previa bem mais complicado que o disputado com a equipa da América do Norte, os lusos haveriam de surpreender vencendo os sul-americanos por 1-0 (golo de Ferreira aos 23 minutos). Graças a este magro triunfo e caso o Canadá-Paraguai não terminasse empatado, bastaria a Portugal um empate diante da Coreia do Sul para assegurar a passagem aos oitavos de final.

Antes de começar o jogo com os sul-coreanos, soube-se que o Paraguai havia vencido o Canadá por 3-0 e, assim, bastaria mesmo um empate à equipa das quinas para seguir em frente na prova. Diante de uma Coreia que precisava de vencer, o jogo foi duro e intenso, contudo, Portugal defendeu-se bastante bem e segurou um precioso nulo que colocava a equipa nacional nos quartos de final do Mundial de sub-20.

Uruguai foi carrasco no prolongamento

Nos quartos de final, Portugal defrontou o Uruguai, equipa que era super-favorita, pois havia vencido União Soviética (1-0), Hungria (2-0) e Rep. Guiné (5-0), vencendo facilmente o Grupo D.

Contudo, Portugal, treinado por Peres Bandeira, foi fazendo de tudo para evitar o golo uruguaio, utilizando todas as manhas habituais do futebol luso para impedir o tento dos favoritos sul-americanos.

A estratégia resultou na perfeição até ao minuto 94, quando Ruben Paz, já no prolongamento, fez o golo que garantiu à equipa uruguaia a vitória (1-0) e o apuramento para as semi-finais. Portugal terminava assim, nos quartos de final, a primeira presença num Mundial de sub-20.

Maradona com a taça do Mundial sub-20

Argentina campeã com o goleador Ramon Diaz e… Diego Maradona

O grande vencedor deste Mundial de Sub-20 foi a Argentina que conquistou o certame, vencendo todos os jogos da prova, marcando 20 golos e sofrendo apenas dois.

Na fase de grupos, os sul-americanos despacharam Indonésia (5-0), Jugoslávia (1-0) e Polónia (4-1), superando depois a Argélia (5-0) nos quartos de final, Uruguai (2-0) nas semi-finais e União Soviética (3-1) na final.

As estrelas dos argentinos foram o avançado Ramon Diaz, que marcou oito golos e foi o melhor marcador da prova e, também, Diego Maradona, que com apenas dezoito anos, mostrou todo o seu talento e assumiu-se como a principal estrela do Mundial de sub-20.

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A equipa bracarense entrou da melhor forma na Liga dos Campeões, vencendo o Celtic de Glasgow por três bolas a zero e dando boas indicações para a época que se avizinha. No entanto, é indesmentível que este Sporting de Braga está mais fraco que a equipa da época passada, pois perdeu atletas do calibre de Hugo Viana, Luís Aguiar, Eduardo ou Evaldo, sendo que apenas o guarda-redes (Quim) e o lateral-esquerdo (Elderson) parecem ter substitutos à altura. Ainda assim, os arsenalistas têm, no seu plantel, jogadores de qualidade e com condições para fazerem mais uma excelente época.

Assim sendo, irei explanar, de seguida, aquele que deve ser, na minha opinião, o onze base dos bracarenses para a época 2010/2011.

Na baliza, a titularidade de Quim está assegurada, contudo, devido à grave lesão que sofreu, o internacional português terá de ser substituído por algum tempo na baliza bracarense. Nesse período, optaria por Artur, um guarda-redes brasileiro com experiência de futebol italiano (jogou no Siena, Cesena e Roma), que pode garantir tranquilidade ao sector recuado dos arsenalistas.

Na defesa, a dupla de centrais (Moisés-Rodríguez) seria a minha escolha. Tratam-se de dois jogadores que são competentes tanto pelo ar como pelo chão e que formam, provavelmente, a dupla mais segura da Liga Portuguesa. Por outro lado, nas laterais, optava por Elderson (à esquerda) e por Sílvio (à direita). O nigeriano é um lateral seguro a defender e muito bom a atacar, dinamizando o seu flanco e garantindo mais soluções ofensivas. Por outro lado, o jovem português é um lateral mais conservador que, não sendo mau no capítulo ofensivo é na defesa que se destaca, podendo ajudar imensamente no equilíbrio defensivo do Sp. Braga.

Depois, no centro do meio campo, optaria por um duplo pivot (Salino-Vandinho) e com Mossoró como nº10. Neste esquema, o ex-Nacional seria um jogador com obrigações defensivas e ofensivas, jogando como box to box e garantindo a ligação entre o trinco (Vandinho), jogador mais defensivo e posicional e o médio ofensivo (Mossoró), um jogador criativo e com liberdade ofensiva, que apareceria preferencialmente ao centro, mas também cairia nas alas, fazendo uso da sua mobilidade e polivalência.

Por fim, no ataque, optaria por um trio de jogadores móveis, rápidos e com bastante criatividade (Matheus-Meyong-Alan). Os extremos brasileiros iriam trocar constantemente de posições entre eles e com o próprio Mossoró, aparecendo preferencialmente nas alas, mas procurando constantemente as diagonais para o centro para criarem desequilíbrios e chegarem o golo. Por outro lado, o avançado camaronês também iria fazer uso da sua mobilidade para cair muitas vezes nos flancos, mas teria de ter a obrigação de estar mais vezes no centro, para servir tanto de referência nos cruzamentos e nas assistências dos colegas como para fazer tabelinhas com os três criativos (Alan-Mossoró-Matheus) para que estes pudessem aparecer em boas posições para concretizar.

Tendo ainda jogadores como Andrés Madrid, Lima ou Paulo César no banco, este Sp. Braga pode voltar a surpreender neste campeonato 2010/11.

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Regularidade e segurança

Regularidade e segurança

A chamada do guarda-redes Daniel Fernandes não era esperada, mas só se pode falar em surpresa para os que não conhecem o jogador. Aos 26 anos, Daniel Márcio Fernandes é um guarda-redes de características muito interessantes.

Filho de pai português e mãe checa, nasceu no Canadá, onde começou a jogar no Vancouver Whitecaps FC, e mudou-se para Portugal ainda miúdo. Em 2000 assinou pelo FC Porto, mas acabou por rumar ao Celta de Vigo em 2002, onde foi emprestado ao Jaahn Regensburg da Alemanhã, ajudando o clube alemão a subir à segunda divisão.

Seguiu-se um período experimental no clube grego PAOK, onde jogou com regularidade e mostrou qualidades, sendo elogiado pela sua estabilidade dentro de campo. E acabou por ser chamado à selecção nacional de Portugal, onde foi a segunda opção para a qualificação do Euro 2008.

Em 2008 o Vlf Bochum da Alemanha demonstrou interesse na sua contratação e adquiriu o seu passe por 1,2 milhões de euros. Na Bundesliga foi titular na primeira época, ajudando o clube a manter-se no primeiro escalão alemão. Esta temporada perdeu o lugar para o alemão Heerwagen, e com a saída do treinador Koller do clube, o seu espaço ficou cada vez mais reduzido, originando a sua saída – em nota de curiosidade, sem Daniel Fernandes, o Bochum acabaria por descer de divisão esta temporada, contrastando com manutenção na temporada anterior. Em Janeiro, é emprestado ao Iraklis, da Grécia, onde fez 10 jogos, falhando apenas os dois últimos encontros da temporada.

A sua carreira na selecção começou com uma convocatória em 2006, mas só se estreou um ano depois, num jogo frente ao Kuwait, onde entrou a substituir Quim. Continuou a ser chamado ocasionalmente, mas só jogou jogos particulares. Ultimamente não tinha marcado presença nas convocatórias de Carlos Queirós, mas acabou por estar entre os escolhidos que vão representar Portugal na África do Sul.

Não é um guarda-redes que jogue para o espectáculo, nem um guarda-redes de grande elasticidade, mas é um “monstro na baliza” que por vezes faz lembrar um guarda-redes de andebol. Fazendo uso do seu 1,94 metros e 93 kilos, Daniel Fernandes marca uma presença significativa dentro da grande área, aliando o seu bom posicionamento à regularidade e segurança que demonstra quando aborda um lance. Ao contrário dos restantes guarda-redes portugueses, é muito bom a sair-se aos cruzamentos. E também é muito rápido a sair da baliza. No que respeita ao jogo com os pés, não é a sua especialidade, mas joga simples e sem complicar.

Provavelmente não somará um único minuto de jogo durante este mundial. Mas, é uma opção válida, capaz de corresponder se for necessário. A presença numa fase final desta natureza pode ser importante para o seu crescimento como atleta. E no que respeita ao futuro da selecção, Daniel Fernandes será uma aposta séria. Perante a sua qualidade e potencial, não será surpreendente que venha a jogar em clubes de maior dimensão.

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O guarda-redes da selecção

O guarda-redes da selecção

O provável titular da baliza da selecção chama-se Eduardo dos Reis Carvalho, faz 28 anos em Setembro e é um guarda-redes maduro, que subiu a pulso na sua carreira, conquistando o seu lugar nos clubes por onde passou.

Proveniente da formação do Sporting de Braga, teve uma passagem ligeira pelo Beira-Mar em 2006/07, onde jogou 15 jogos, mas foi no Vitória de Setubal, em 2007/08, pela mão de Carlos Carvalhal, que se revelou no escalão principal do futebol nacional. Nessa temporada apenas falhou 1 jogo na primeira liga, totalizando 29 jogos nessa competição e conquistando aquele que é, ainda, o seu único trofeu: a Taça da Liga, onde deu nas vistas ao defender três grandes penalidades na final da competição.

As suas performances chamaram a atenção de Jorge Jesus que lhe deu uma oportunidade no plantel do Sporting de Braga. Oportunidade que agarrou de imediato, fazendo todos os jogos da liga e chegando à selecção nacional.

Como todos os jogadores, Eduardo tem os seus defeitos e virtudes. Por não ser um guarda-redes “de espectáculo”, nem ter os reflexos do “homem-aranha”, vê muitas vezes o seu valor questionado. No entanto, tem uma qualidade extremamente importante para quem defende uma baliza: é um líder na defesa, que a organiza muito bem, transmitindo ordem e confiança aqueles que jogam à sua frente. Uma qualidade fundamental e típica dos grandes guarda-redes (como Peter Schmeichel), mas que passa despercebida ao olhar menos atento.

E qual o seu maior pecado? Os cruzamentos. Uma falha transversal aos guarda-redes portugueses das últimas gerações (Ricardo, Quim e Rui Patrício sofrem do mesmo síndroma) e que nos pode ser fatal. Dois exemplos vêm à memória e levam-nos a afirmar que os cruzamentos têm sido um calcanhar de Aquiles da nossa selecção: Ricardo no jogo do Euro 2008 frente à Alemanha, e Quim no jogo de apuramento para este mundial frente à Dinamarca, em Alvalade.

É verdade que Eduardo não reúne o consenso popular e muitos, especialmente adeptos do actual campeão nacional, defendem que Quim deveria defender as redes da equipa das quinas. Um caso curioso e irónico em que o actual guarda-redes do Sporting de Braga é apontado como possível reforço do clube onde joga Quim, que é treinado pelo treinador que lançou Eduardo. E que apesar de diferente na sua essência, lembra a discussão entre Baía e Ricardo.

A escolha de Eduardo para a baliza nacional não é uma escolha que se possa considerar ridícula, tem o seu fundamento. Também não é uma escolha que passa sem levantar questões em relação às alternativas existentes. Em especial o caso de Quim, em quem Carlos Queirós parece ter perdido a confiança depois de ter sido mal batido em dois golos frente à Dinamarca.

Queirós responderá pela sua escolha, Eduardo joga neste Mundial a transferência para um clube de maior dimensão e ambos sabem que o desenrolar dos acontecimentos decidirá para que lado irá pesar a balança.

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Finalizada a época, a principal conclusão que podemos tirar é que o S.L. Benfica voltou a jogar “à Benfica” sendo que o mérito pertence em grande parte a Jorge Jesus. Mas, apesar do nome bíblico, não considero que aquilo que se passou este ano tenha sido fruto de um milagre. Foi, sim, fruto das capacidades e da inteligência de um grande treinador.

O primeiro mérito de Jesus está relacionado com a filosofia de jogo. O Benfica começou a jogar ao ataque, mostrando ser superior e não deixando o adversário respirar. Passou a pressionar no campo todo e a jogar 90 minutos com intensidade máxima. Os jogadores passaram a acreditar nas suas capacidades e que eram melhores de que o adversário. Ou seja, que a vitória chegaria mais cedo ou mais tarde. Resumindo, com Jesus o Benfica começou a jogar “à Benfica”.

Realce-se ainda a forma como Jesus “armou” a equipa e na forma como geriu o plantel.

Defesa

Jesus, tal como os antigos técnicos, apostou no guarda-redes mais experiente: Quim, que apesar de ser limitado deu segurança à defesa.

No quarteto defensivo, Luisão foi o líder e manteve a defesa calma e organizada. Jesus deu muito maior liberdade a David Luiz, que devido às suas capacidades físicas, conseguia subir e desequilibrar no ataque. Na defesa devido à sua rapidez conseguia dobrar e controlar os adversários mais rápidos.

Nas alas defensivas o Benfica sempre teve limitações, no entanto Jesus conseguiu que Maxi resolvesse, enquanto tinha força física, e que Amorim o substituísse, sempre que necessário (trocava raça e força física, por inteligência e qualidade de passe). Na esquerda descobriu Coentrão que, mais do que um defesa esquerdo, era um médio, o que tornou a ala esquerda do Benfica bastante ofensiva.

Meio – Campo

No meio campo temos de destacar o trabalho de Javi Garcia. Para mim foi o esteio de todo o futebol do Benfica. Só foi possível o adiantamento de Coentrão, Maxi e David Luiz devido às coberturas que eram feitas por Javi. Um jogador taticamente perfeito que lia o jogo de forma a que fosse possível o Benfica atacar com muitos sem perder o equilíbrio. 

E para além de defender, Javi também saia a jogar através de passe curto. Fazia o seu trabalho e depois deixava os restantes médios trabalharem um pouco. É caso para retribuir o gesto de amor ao Benfica pois os Benfiquistas também te amam.

Nos restantes médios incluímos Carlos Martins, Ruben Amorim, Pablo Aimar, Ramires, e claro Di Maria. Este merece um destaque pois sempre foi um jogar muito inconsequente e com Jesus não perdeu as suas características, a sua identidade, e começou a trabalhar para a equipa. Foi um dos jogadores mais importantes e desequilibradores da equipa. Junto com Coentrão constituiu uma ala esquerda temível.

Ataque

No ataque Jesus percebeu que o Benfica, devido ao futebol ofensivo praticado, precisava de uma referência mais física na área. Este posto foi muito bem ocupado por “Tacuara” Cardozo que se tornou melhor marcador do Campeonato e o melhor da Liga Europa (empatado com Pizarro). 

Mas este desempenho muito se deveu ao entendimento fantástico com Saviola. Saviola foi importantíssimo para fazer a ponte entre o meio campo e o ataque, ajudando a criar linhas de passe e espaço para os seus colegas entrarem na zona de finalização e marcarem.

Uma nota ainda para Weldon que quando foi chamado resolveu e ajudou o Benfica a alcançar pontos bastante importantes.

Adeptos

Jesus também soube gerir muito bem os Adeptos. Percebeu que estes poderiam empurrar a equipa e empenhou-se em acordar o vulcão adormecido. Esta gestão teve vantagens para a equipa de futebol ao nível da motivação, mas também para a saúde financeira do clube.

Conclusão: Goste-se ou não, o Sport Lisboa e Benfica é grande!

Nota: Peço desculpa aos jogadores, elementos da equipa técnica e dirigentes não referidos ao longo do texto, mas todos vocês também são campeões. Obrigado!

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