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Posts Tagged ‘República da Irlanda’

A criação da UEFA em 1954 foi o grande impulsionador para que se fizesse uma grande competição europeia de selecções, sendo que o sonho tornou-se realidade a 5 de Abril de 1958, altura em que República da Irlanda e Checoslováquia deram o pontapé de saída na fase preliminar da prova. Apesar de tudo, esta prova ainda começou de forma algo “coxa”, pois apenas dezassete selecções participaram no certame, contando-se as ausências de países como a Alemanha Ocidental, Bélgica, Itália e Inglaterra. Na fase final, disputada em França, destacou-se a União Soviética, equipa que contou com o genial Yashin e o cerebral Netto como grandes artífices do título europeu.

Matateu ajudou a eliminar a RDA

Portugal mostrou-se superior aos alemães de leste

O campeonato da Europa arrancou com uma fase preliminar onde apenas entraram checoslovacos e irlandeses, sendo que a Checoslováquia respondeu ao desaire da primeira mão (0-2), com um triunfo categórico (4-0) no duelo decisivo.

Finda essa ronda, chegou-se aos oitavos de final, onde a Roménia venceu a Turquia (3-0 e 0-2), a Espanha superou a Polónia (4-2 e 3-0), a URSS eliminou a Hungria (3-1 e 1-0), a França esmagou a Grécia (7-1 e 1-1), a Jugoslávia superiorizou-se à Bulgária (2-0 e 1-1), a Áustria triunfou diante da Noruega (1-0 e 5-2) e a Checoslováquia passeou diante da Dinamarca (3-2 e 5-1).

Portugal, que tinha como principais estrelas Coluna e Matateu, teve como adversário a República Democrática da Alemanha, tendo vencido as duas partidas diante dos germânicos e, dessa forma, conseguido o apuramento para os quartos de final. Em Berlim Oriental, a equipa das quinas venceu por 2-0, com golos de Matateu e Coluna, enquanto, no Porto, o triunfo foi por 3-2, com dois tentos de Coluna e outro de Cavém a superiorizarem-se aos golos de Vogt e Kohle.

Qualidade de Coluna não foi suficiente para superar a Jugoslávia

Lusos incapazes de contrariar poder jugoslavo

Os quartos de final haviam de ficar marcados pela recusa da Espanha de defrontar a União Soviética. A imposição do General Franco devia-se ao facto deste não concordar com o regime comunista praticado em Moscovo. Como tal, os soviéticos apuraram-se para a fase final sem jogar.

Portugal, por sua vez, teve como adversário a Jugoslávia e até teve um início auspicioso, marcado por um triunfo (2-1) no Estádio Nacional com golos de Santana e Matateu. Contudo, na segunda mão, Kostic comandou uma equipa jugoslava a uma vitória categórica por 5-1, num jogo em que o tento de Cavém teve pouca importância para o desenlace final.

Nos outros duelos desta ronda, a Checoslováquia superou a Roménia (2-0 e 3-0) e a França não deu hipóteses à Áustria (5-2 e 4-2).

Just Fontaine foi baixa de peso para a França

França desiludiu na fase final

A fase final do Euro 1960 foi disputada em França e contou com a presença da equipa gaulesa, URSS, Checoslováquia e o carrasco português: Jugoslávia.

O sorteio das meias-finais da prova colocou franceses em confronto com os jugoslavos e os soviéticos em confronto com os checoslovacos, sendo que os gauleses, orfãos das estrelas do Mundial 58 Kopa e Fontaine, até estiveram a vencer por 4-2, mas acabaram vergados a uma derrota por 5-4 com os jugoslavos, enquanto os soviéticos superaram tranquilamente os checoslovacos por três bolas a zero.

Desiludida por ter sido afastada de uma final que se iria disputar na sua capital, a França foi bastante desmoralizada para o encontro dos terceiros e quartos lugares, sendo que o desaire (0-2) nessa partida diante da Checoslováquia acabou por não surpreender.

Yashin era a estrela da URSS

Final * URSS 2-1 Jugoslávia

Na final, defrontavam-se duas selecções da Europa de Leste, mas que tinham abordagens distintas ao jogo. A Jugoslávia era uma equipa criativa e espectacular, com uma forma de jogar quase “brasileira”, enquanto os soviéticos eram um conjunto frio e eficaz que parecia obra de um qualquer laboratório de Moscovo.

A partida começou por se inclinar na direcção do conjunto mais espectacular, pois, ao minuto 41, Galic conseguia superar, finalmente, o mítico Yashin, guarda-redes que, entre as fases preliminares e final, apenas havia sofrido um golo até aquele momento.

Contudo, o terreno empapado beneficiava o maior poderio físico dos soviéticos que, ao quarto minuto do segundo tempo, chegaram ao empate por Metreveli.

Com o resultado empatado (1-1) a partida foi se desenrolando com alguma superioridade jugoslava, mas golos, esses, não apareceram até ao final dos noventa minutos, tendo o desafio que seguir para prolongamento. Aí, a superioridade física da URSS tornou-se evidente e, ao minuto 114, Ponedelnik correspondeu da melhor forma a um cruzamento de Meskhi, para garantir a vitória soviética (2-1) e a conquista do primeiro campeonato da Europa.

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van Breukelen é uma lenda holandesa

Hans van Breukelen foi um guarda-redes holandês de grande qualidade e que criará sempre um travo amargo na boca dos portugueses, nomeadamente dos benfiquistas, pois foi ele que defendeu o penalti de Veloso, que havia de entregar a Taça dos Campeões, em 1988, ao PSV Eindhoven. Contudo, falar do internacional holandês e apenas nos lembrarmos desse momento fatídico para os encarnados é extremamente redutor e injusto. 73 vezes internacional pela Holanda, selecção pela qual venceu o campeonato da Europa em 1988, vencedor do campeonato holandês por seis vezes e da Taça da Holanda por três ocasiões, van Breukelen marcou uma era do futebol holandês, sendo, claramente, um dos melhores guarda-redes holandeses de todos os tempos.

Destacou-se no FC Utrecht

Johannes Franciscus “Hans” van Breukelen nasceu a 4 de Outubro de 1956 em Utrecht e iniciou a sua carreira profissional vinte anos depois no clube mais representativo da sua cidade natal, o FC Utrecht.

Entre 1976 e 1982, o lendário guarda-redes holandês efectuou 142 jogos pelo FC Utrecht, tendo sido titular absoluto entre 1978/79 e 1981/82. Ainda assim, durante esse período, van Breukelen não conquistou qualquer título, tendo como momento mais alto a final da Taça da Holanda em 1981/82, competição que o FC Utrecht acabou por perder para o AZ.

Substituiu Peter Shilton na terra de Robin Hood

Já com a época de 1982/83 em andamento, o internacional holandês acabou por trocar a liga holandesa pela inglesa, transferindo-se para o Nottingham Forest, onde teria a difícil missão de fazer esquecer Peter Shilton.

No clube da cidade popularizada por Robin Hood, van Breukelen haveria de fazer duas temporadas de bom nível em termos individuais, mas voltaria a não conquistar qualquer título colectivo, ainda que em 1983/84 a época tenha sido de muito boa qualidade, pois o Nottingham Forest foi terceiro no campeonato e alcançou as meias-finais da Taça UEFA.

Eternizou-se no PSV

Em 1984, van Breukelen regressou ao campeonato holandês e, desta feita, para actuar por um dos clubes mais representativos dos Países Baixos, o PSV.

No gigante de Eindhoven, o internacional holandês haveria de permanecer por dez temporadas, ou seja, até ao final da sua carreira desportiva, tendo sido sempre titular e tendo conseguido, finalmente, alcançar os tão ambicionados títulos colectivos.

De facto, no PSV, van Breukelen fez 308 jogos e conquistou seis campeonatos holandeses, três taças da Holanda e, acima de tudo, a Taça dos Campeões em 1987/88, quando o clube de Eindhoven superou o Benfica na final (0-0, 6-5 g.p.) após o guarda-redes holandês ter defendido o penalti decisivo do lateral Veloso.

Para além disso, o internacional holandês conquistou o título de melhor guarda-redes da Holanda por quatro ocasiões (1987, 88, 91 e 92).

Esteve numa fase dourada da Laranja Mecânica

van Breukelen actuou na selecção holandesa entre 1980 e 1992, tendo alcançado 73 internacionalizações e participado nos campeonatos da Europa de 1980, 88 e 92 e no Mundial de 1990.

O momento mais alto da sua carreira na Laranja Mecânica, foi, claramente, a conquista do Campeonato da Europa em 1988, em casa, quando a Holanda entrou mal (derrota com a União Soviética por 1-0), mas depois superou Inglaterra (3-1), Rep. Irlanda (1-0), Alemanha Ocidental (2-1) e União Soviética (2-0) para conquistar o ambicionado título continental.

Guarda-redes frio e muito seguro

van Breukelen era um guarda-redes que parecia ocupar toda a baliza, tal era a qualidade do seu posicionamento e a inteligência de movimentos entre os postes.

Líder dentro de campo, não se cansava de dar indicações aos companheiros de equipa, parecendo comandar todo o sector defensivo com um rigor inacreditável.

Apesar de toda a segurança e sobriedade, van Breukelen era muito elástico e conseguia, de quando em vez, efectuar defesas espectaculares, no entanto, foi na segurança e na eficácia de processos que o internacional holandês mais se destacou e, assim, garantiu um lugar na história do futebol.

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A equipa espanhola que ganhou 12-1 a Malta

A 21 de Dezembro de 1983, a Espanha recebia Malta em jogo a contar para o Grupo 7 de qualificação para o Euro 84. Para estar presente no campeonato europeu de França, a equipa castelhana tinha de vencer os malteses por onze golos de diferença, pois só assim superaria os holandeses no saldo de golos. A missão era quase impossível e mais complicada se tornou quando os malteses, picados por alguma arrogância dos meios de comunicação do país vizinho deram tudo em campo, colocando-se todos atrás da linha da bola e tentando, a todo o custo, evitar aquilo que seria uma escandalosa goleada de Espanha. No início, tudo lhes correu bem, com Malta a chegar, inclusivamente, ao 1-1, mas, depois, o milagre de Sevilha aconteceu, com os castelhanos a vencerem Malta por doze bolas a uma…

A Espanha chegava a este jogo decisivo a dois pontos da Holanda (a vitória valia dois pontos naquela altura), após ter obtido os seguintes resultados: duas vitórias diante da Islândia (1-0 e 1-0); uma vitória e um empate diante da República da Irlanda (2-0 e 3-3); uma vitória e uma derrota diante da Holanda (1-0 e 1-2); e uma vitória diante de Malta (3-2).

A confiança dentro da comitiva espanhola era mínima, pois se a equipa maltesa havia perdido, por exemplo, com a República da Irlanda por 8-0, também havia feito resultados bem mais interessantes como a derrota tangencial, com esta mesma Espanha (2-3).

Assim sendo, quando o jogo se iniciou, quase ninguém acreditava no milagre e os poucos que acreditavam deixaram de o fazer quando Degiorgio (24′), respondeu a um golo de Santillana (16′) para empatar a partida.

Até ao intervalo, a equipa espanhola ainda se colocou a vencer por duas bolas de diferença (3-1), graças a mais dois golos de Santillana, todavia, 0 3-1 era muito escasso para quem ainda precisava de marcar mais nove golos para estar no Euro 84.

Contudo, no segundo tempo, empurrados pelo público, os espanhóis foram carregando sobre os malteses e os golos foram surgindo a uma velocidade impressionante. Rincón (4), Maceda (2), novamente Santillana e Sarabia marcaram oito golos em trinta e cinco minutos e, a dez minutos do final, a Espanha estava a apenas um golo de cumprir o sonho.

Chegada a esta fase e ainda com dez minutos para jogar, seria uma enorme desilusão não conseguir o salvador décimo segundo golo e esse tento acabou mesmo por surgir, por intermédio de Señor, aos 83 minutos. Graças a esse tento, a Espanha venceu Malta por 12-1 e classificou-se para o Euro 84, às custas de uma incrédula Holanda, que rapidamente levantou muitas suspeitas sobre os números deste duelo.

Polémicas à parte, a Espanha disputou o campeonato da Europa em França e até teve participação de grande qualidade, atingindo a final, onde perdeu, diante da equipa anfitriã, por duas bolas a zero.

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A defesa do penalti de Daniel Timofte

Após ter sido o herói irlandês, ao defender um penalti do romeno Daniel Timofte no Mundial Itália 90, que garantiu, à República da Irlanda, o apuramento para os quartos de final desse campeonato do mundo, Pat Bonner tornou-se uma lenda e até o Papa resolveu-lhe prestar uma homenagem. Quando o guarda-redes irlandês, profundamente católico, se abeirou de João Paulo II, a única coisa que lhe saiu foi: “Santidade, eu sou guarda-redes.” A chorar, viu o Papa sorrir e dizer-lhe: “Eu sei, meu filho, em Cracóvia, quando era moço, também joguei nessa posição…” Pat Bonner era assim, uma figura mítica e que cativava todos os que o conheceram e/ou tiveram o prazer de o ver jogar.

Patrick Bonner nasceu em Burtonport, na Rep. Irlanda, a 24 de Maio de 1960 e, depois de ter jogado até aos quinze anos no Eire, foi descoberto, em 1975, pelo Leicester City, que o levou para as suas camadas jovens.

No clube inglês, permaneceu por três temporadas, até que, em 1978, o Celtic viu-o em acção na Taça de Inglaterra em Juniores e não perdeu tempo a contratá-lo. Foi a última aquisição do mítico treinador escocês Jock Stein e viria a tornar-se numa lenda dos “bhoys”

Ao chegar ao bastião dos irlandeses em Glasgow, Pat Bonner disse que não queria ser mais um guarda-redes do Celtic, mas, ao invés, ser “O” guarda-redes do Celtic e assim foi! O irlandês esteve nos “bhoys” durante 20 temporadas (78-98), fazendo 642 jogos em todas as competições oficiais e conquistando cinco campeonatos da Escócia (1979, 81, 82, 86 e 88), quatro Taças da Escócia (1980, 88, 89 e 95) e uma Taça da Liga (1983), assumindo-se como um líder incontestado dentro e fora do relvado.

Por outro lado, na selecção irlandesa, Pat Bonner também fez uma carreira de respeito, obtendo 80 internacionalizações e participando nas fases finais do Euro 88, Mundial 90 e Mundial 94. Durante esse percurso, há que destacar uma genial exibição na vitória sobre a Inglaterra (1-0) na fase de grupos do Euro 88 e uma conjunto de grandes exibições no Itália 90, que ajudaram a República da Irlanda a atingir os quartos de final da prova.

Corajoso, com excelentes reflexos, bom a sair-se da baliza e fantástico a lançar o ataque com os seus longos pontapés, Bonner, foi, na sua época, um dos melhores guarda-redes do futebol mundial. Um número 1 lendário que deixou muitas saudades aos adeptos do Celtic e da República da Irlanda.

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Poucos lusos viram o golo de Cherrad em directo

O Marítimo disputou, na passada quinta feira, um importantíssimo jogo diante dos irlandeses do Sporting Fingal, a contar para a Liga Europa. Tratou-se de um jogo intenso, disputado, com bastantes mudanças no marcador e que terminou com a vitória madeirense por três bolas a duas. Aqui, no “A Outra Visão”, fizemos a nossa parte, analisando o adversário dos verde-rubros e, depois do desafio, fazendo o rescaldo do jogo, dando ao Marítimo a dignidade que merece.

No entanto, se os jornais desportivos ainda deram alguma atenção ao pós-desafio, entendo que muito mais devia ter sido feito na antevisão do jogo. Não vi nenhuma tentativa de análise  ao clube irlandês e aos seus jogadores, ou uma reportagem na República da Irlanda, enfim, o que costumam fazer quando o jogo europeu é de algum dos três grandes do nosso futebol.

Para piorar o panorama, nenhuma televisão portuguesa se dignou a transmitir o desafio (tirando a regional RTP Madeira), apesar de, ao longo destes dias, não nos terem poupado ao visionamento de diversos jogos particulares de interesse reduzido das grandes equipas do futebol luso.

Estas situações não contribuem para melhorar o panorama desportivo nacional. Se já consideram que, em termos desportivos, o nosso país é refém do futebol (e com alguma razão), não o tornem, para além disso, refém dos três grandes, como se o futebol português não precisasse dos outros clubes para sobreviver.

Infelizmente, estas situações criam, no adepto mais desatento, a ideia de que jogos como o Marítimo-Sporting Fingal não têm importância e que são meros jogos de pré-época. A questão é que mesmo para um adepto dos três grandes, o resultado de jogos como este têm uma importância fulcral e que pode, num futuro próximo, significar importantes encaixes financeiros e, até, a evolução do futebol português.

Como sabem, existe um ranking da UEFA que define o número de participantes de cada país nas duas provas europeias de clubes. Esse ranking é obtido através de uma divisão simples dos pontos conquistados pelos clubes de um país a dividir pelo número de clubes desse mesmo país que disputaram naquela época, as provas da UEFA.

Portugal terminou a época passada na décima posição, o que lhe garantiu, nesta temporada, duas equipas na Liga dos Campeões e três na Liga Europa, contudo, como o ranking é definido pelos últimos cinco anos, deita-se fora, todas as temporadas, a quinta época mais distante e, assim, encontramo-nos, neste momento, em oitavo lugar, tendo o sexto lugar a pouco pontos de distância.

Ora esse sexto lugar seria extremamente importante para as contas lusas, pois, além de três equipas na Liga Europa, significaria três equipas na Liga dos Campeões, sendo que duas delas teriam acesso directo à fase de grupos. Essa situação, a concretizar-se, seria bastante benéfica para o futebol nacional, pois iria representar mais dinheiro para os clubes e a possibilidade de conjuntos que não os três grandes terem mais facilidades em chegarem à “Champions”.

No entanto, para isso acontecer, temos de fazer o maior número de pontos possível e, assim, todos os pontos são importantes, sejam conquistados pelo Benfica, FC Porto, Sporting, Braga ou… Marítimo.

Assim sendo, vamos passar a ver o futebol de outra forma, sendo menos sectaristas e percebendo que o futebol não se resume ou extingue nos três grandes. Percebam que apoiando o Marítimo ou qualquer outro dos chamados “pequenos clubes”, incentivando-o, e mesmo apoiando-o financeiramente com as verbas de uma transmissão televisiva, estão a criar condições para que ele fique mais forte e tenha mais condições de triunfar em qualquer jogo europeu.

Essa situação irá criar condições para que esses clubes façam mais pontos e, como tal, para que o ranking de Portugal na UEFA suba, permitindo que a Liga Portuguesa coloque mais clubes nas provas da UEFA e, por conseguinte, ganhe mais dinheiro.

Nada cresce unicamente pelo topo (três grandes) e só apoiando as bases (“pequenos clubes”) podemos criar condições para que todos saiam beneficiados com uma Liga mais forte, mais competitiva e com mais sucesso internacional.

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O Sporting de Braga não foi feliz no sorteio da Liga dos Campeões. Das cinco hipóteses que a equipa arsenalista dispunha (Celtic, PAOK Salónica, Gent, Young Boys Berna e Unirea), a equipa britânica era claramente a equipa mais forte e com maior experiência europeia. Ainda assim, nada está perdido para a equipa minhota, pois nos últimos anos o Celtic tem perdido qualidade e tem se afastado daquele que se está a tornar o grande dominador do futebol escocês, o Glasgow Rangers. Na verdade, esta equipa escocesa, apesar de ter bons jogadores como o atacante grego Samaras ou o lateral coreano Cha Du-Ri, está longe daquele Celtic de Henrik Larsson, Lennon, Baldé e Petrov que defrontou o FC Porto na final da Taça UEFA em 2003.

Quem é o Celtic Glasgow

Mesmo para o adepto de futebol mais desatento, o Celtic é um clube que dispensa apresentações. Fundado em 1888 por emigrantes irlandeses em Glasgow, este clube simboliza, desde a sua génese, a resistência católica perante aquilo que estes consideram a tirania protestante. Uma resistência de todos os irlandeses que, em tempos, atravessaram o mar da Irlanda para se estabelecerem em Glasgow e que formaram um clube que nunca abandonou as suas raízes. Um clube que tem no verde a sua cor, na bandeira da Irlanda a sua bandeira e nas músicas irlandesas os seus cânticos, num ideal anti-imperialista, anti-colonialista e anti-unionista que fazem do Celtic quase um clube-nação.

Durante toda a sua história, o clube escocês criou uma rivalidade intensa com o Glasgow Rangers, que representa a religião protestante e, acima de tudo, o unionismo britânico. Estes dois clubes dividem, entre si, praticamente todos os títulos domésticos do futebol escocês, sendo que esta superioridade tem-se intensificado nas últimas duas décadas.

O Celtic, para além de ter conquistado 42 campeonatos da Escócia (o último foi em 2007/08), 34 Taças da Escócia (a última foi em 2006/07) e 14 Taças da Liga (a última em 2008/09), pode se orgulhar de ter sido o único clube escocês a ganhar uma Taça dos Campeões (vitória sobre o Inter, no Jamor, em 1967 por 2-1.

No entanto, apesar do passado glorioso da equipa católica, a última época não trouxe motivos para o Celtic festejar. A equipa terminou a Liga Escocesa em segundo lugar, foi eliminada da Taça da Escócia, nas meias-finais pelo modesto Ross County, foi eliminada da Taça da Liga nos quartos de final pelo Hearts e, nas competições europeias, não passou da fase de grupos da Liga Europa.

Como joga

A equipa escocesa deve apresentar ou um 4-4-2 ou um 4-3-3, mas sempre com os mesmos princípios de jogo: algum futebol directo, explorando a capacidade física de jogadores como Fortuné ou Samaras e, também, explorar os flancos onde tem jogadores com boa capacidade técnica como o lateral Cha Du-Ri ou os alas McGeady e Maloney.

Globalmente a equipa escocesa tem um bom conjunto de atletas, ainda que seja bem melhor do meio campo para a frente do que do que no seu sector defensivo, onde, tirando o recém contratado sul-coreano Cha Du-Ri, parece não ter um nível muito elevado.

Por outro lado, a perda de jogadores como o guarda-redes Boruc ou o excelente avançado irlandês: Robbie Keane deixaram o Celtic mais frágil e com mais pontos por onde o Sporting de Braga explorar.

Partindo do princípio que o treinador Neil Lennon colocará toda a carne no assador para defrontar a equipa portuguesa e partindo do princípio que o 4-4-2 será a táctica escolhida, o onze não deve andar longe do seguinte:

McGeady é um jogador de classe

Quem é que o Braga deve ter debaixo de olho – McGeady

Ala direito rápido, incisivo e com uma técnica que o afasta do tradicional jogador britânico, Aiden McGeady é um atleta que pode criar bastantes problemas ao Sporting de Braga. Jogador versátil, que tanto pode jogar como ala direito ou segundo avançado num esquema 4-4-2, mas também como extremo direito num 4-3-3, McGeady é, aos 24 anos, um perigo à solta ao qual os arsenalistas não devem dar um milímetro de espaço. Apesar de ter apenas 24 anos, o jogador do Celtic conta com 32 internacionalizações pela República da Irlanda sendo, assim, um jogador muito experiente que, por certo, não irá tremer nestes importantes desafios com o vice-campeão nacional.

As hipóteses bracarenses

Pela sua história antiga e recente, o Celtic tem de ser considerado favorito para este duelo europeu com o Sporting de Braga. A equipa escocesa está repleta de jogadores internacionais pelos seus países, com talento e experiência o quanto baste para levarem de vencida a equipa portuguesa. Ainda assim, este Celtic Glasgow está longe da qualidade daquele que defrontou Boavista e FC Porto na Taça UEFA 2002/03, pois não há Larsson, não há Petrov e, acima de tudo, não existe aquela poderosa dupla de centrais composta por Baldé e Mjallby. Assim sendo, se os arsenalistas forem matreiros, estiverem concentrados no último reduto e souberem explorar algumas deficiências da defesa escocesa, terão, por certo, boas possibilidades de ultrapassarem esta difícil eliminatória.

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Cherrad festeja o segundo golo maritimista

Mitchell Van der Gaag alertou que o Sporting Fingal estava com maior ritmo de jogo e que o Marítimo tinha começado a trabalhar há apenas um mês. E a falta de ritmo dos madeirenses notou-se principalmente no primeiro tempo, mas também por mérito da estratégia dos irlandeses. O quinto lugar da época transacta foi muito saboroso e importante, mas teve a desvantagem da equipa ter de começar os trabalhos mais cedo e ter pouco tempo para construir um plantel.

Contudo, não foi esse o motivo do resultado magro alcançado diante de um total desconhecido do futebol europeu. O desfecho final deveu-se, sobretudo, a um problema que transita da época passada: a consistência defensiva. Na época transacta, a equipa sofreu 43 golos e, por isso, é estranho num sector cujo reforço era primordial, ver apenas um elemento que não transitou da temporada transacta. Este problema defensivo reside na falta de solidez dos centrais, que foi bem visível no primeiro golo adversário. Felizmente, continuamos a contar com bons executantes e o conjunto parece continuar com a mesma veia goleadora.

Perante um adversário fechado, os verde-rubros tiveram muitos problemas em encontrar espaços e as transições eram demasiado lentas. Os laterais, Ricardo Esteves e Alonso, tinham dificuldades em subir pelos flancos; Marquinho não se conseguia soltar; Kanu esteve perdido dentro de campo e Baba não era a referência atacante que a equipa precisava. Só através das linhas de passe encontradas por Tchô e alguns rasgos de Djalma é que o perigo rondava a baliza contrária.

Depois aconteceu o impensável: o golo do Fingal. Uma desatenção do flanco esquerdo, aliado à falta de agressividade dos centrais. Se os irlandeses já estavam a jogar fechado e sem pressas, então a vencer o ritmo ficou mais lento.

O técnico maritimista notou que era preciso maior rapidez e presença na área. Logo, lançou Cherrad e Danilo Dias no jogo. Os dois elementos entraram muito bem e deram maior velocidade ao jogo verde-rubro. O argelino foi a referência na área que a equipa precisava, enquanto o atacante brasileiro jogou mais como médio-atacante, recuando várias vezes em busca da bola.

No segundo tempo, os jogadores do Marítimo demonstraram garra e vontade de virar os acontecimentos, algo que foi compensado com a reviravolta no marcador. E quando tudo parecia resolvido e os madeirenses procuravam o golo da tranquilidade, Ricardo Esteves tem uma paragem cerebral e oferece o empate ao adversário. Até final, o Fingal voltou a ameaçar com uma bola na barra, mas um dos habituais choveirinhos foi parar miraculosamente aos pés de Tchô que garantiu a magríssima vantagem para a segunda-mão.

Dentro de uma semana, em Dublin, o Marítimo terá de jogar de forma cautelosa para garantir a passagem para a próxima eliminatória e espero que Rafael Miranda esteja totalmente recuperado. O trinco brasileiro é um bom recuperador de bolas e é rápido a fazer a transição para o ataque, algo que faltou no jogo da primeira-mão.

Queria ainda abordar a forma como foi feito o “empréstimo” do Estádio da Madeira ao Marítimo. O Nacional, na pessoa do seu presidente, Rui Alves, cedeu de forma contrariada as suas instalações e fez de tudo para prejudicar a prestação dos verde-rubros na Liga Europa. Quase impediram a equipa de treinar, cortaram diversos serviços logísticos e, no dia do jogo, encerraram o parque de estacionamento. Só faltou colocarem armadilhas no balneário … Não é novidade para ninguém a grande rivalidade dos dois principais dos clubes da Madeira, mas que ao menos haja cordialidade e bom senso, quando, em jogo, está também a promoção da ilha.

Por último, quero felicitar os cerca de três mil adeptos verde-rubros que se dirigiram à Choupana. A bancada destinada aos sócios, com capacidades para 2500 pessoas, estava quase lotada. No Estádio da Madeira estava o triplo da assistência nacionalista na época passada. É nestas alturas que se vêem os verdadeiros maritimistas e mostramos a mística do maior clube das ilhas. Em relação àqueles que ficaram em casa, porque se recusam a meter os pés no campo do rival, merecem o meu total desprezo e repúdio. Um emblema com o historial e a grandeza do Marítimo dispensa adeptos de conveniência.

Agora, é esperar que o clube alcance um resultado positivo na Irlanda, para dentro de duas/três semanas voltarmos a dar alegria à cinzenta Choupana. 

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