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Posts Tagged ‘RFA’

A criação da UEFA em 1954 foi o grande impulsionador para que se fizesse uma grande competição europeia de selecções, sendo que o sonho tornou-se realidade a 5 de Abril de 1958, altura em que República da Irlanda e Checoslováquia deram o pontapé de saída na fase preliminar da prova. Apesar de tudo, esta prova ainda começou de forma algo “coxa”, pois apenas dezassete selecções participaram no certame, contando-se as ausências de países como a Alemanha Ocidental, Bélgica, Itália e Inglaterra. Na fase final, disputada em França, destacou-se a União Soviética, equipa que contou com o genial Yashin e o cerebral Netto como grandes artífices do título europeu.

Matateu ajudou a eliminar a RDA

Portugal mostrou-se superior aos alemães de leste

O campeonato da Europa arrancou com uma fase preliminar onde apenas entraram checoslovacos e irlandeses, sendo que a Checoslováquia respondeu ao desaire da primeira mão (0-2), com um triunfo categórico (4-0) no duelo decisivo.

Finda essa ronda, chegou-se aos oitavos de final, onde a Roménia venceu a Turquia (3-0 e 0-2), a Espanha superou a Polónia (4-2 e 3-0), a URSS eliminou a Hungria (3-1 e 1-0), a França esmagou a Grécia (7-1 e 1-1), a Jugoslávia superiorizou-se à Bulgária (2-0 e 1-1), a Áustria triunfou diante da Noruega (1-0 e 5-2) e a Checoslováquia passeou diante da Dinamarca (3-2 e 5-1).

Portugal, que tinha como principais estrelas Coluna e Matateu, teve como adversário a República Democrática da Alemanha, tendo vencido as duas partidas diante dos germânicos e, dessa forma, conseguido o apuramento para os quartos de final. Em Berlim Oriental, a equipa das quinas venceu por 2-0, com golos de Matateu e Coluna, enquanto, no Porto, o triunfo foi por 3-2, com dois tentos de Coluna e outro de Cavém a superiorizarem-se aos golos de Vogt e Kohle.

Qualidade de Coluna não foi suficiente para superar a Jugoslávia

Lusos incapazes de contrariar poder jugoslavo

Os quartos de final haviam de ficar marcados pela recusa da Espanha de defrontar a União Soviética. A imposição do General Franco devia-se ao facto deste não concordar com o regime comunista praticado em Moscovo. Como tal, os soviéticos apuraram-se para a fase final sem jogar.

Portugal, por sua vez, teve como adversário a Jugoslávia e até teve um início auspicioso, marcado por um triunfo (2-1) no Estádio Nacional com golos de Santana e Matateu. Contudo, na segunda mão, Kostic comandou uma equipa jugoslava a uma vitória categórica por 5-1, num jogo em que o tento de Cavém teve pouca importância para o desenlace final.

Nos outros duelos desta ronda, a Checoslováquia superou a Roménia (2-0 e 3-0) e a França não deu hipóteses à Áustria (5-2 e 4-2).

Just Fontaine foi baixa de peso para a França

França desiludiu na fase final

A fase final do Euro 1960 foi disputada em França e contou com a presença da equipa gaulesa, URSS, Checoslováquia e o carrasco português: Jugoslávia.

O sorteio das meias-finais da prova colocou franceses em confronto com os jugoslavos e os soviéticos em confronto com os checoslovacos, sendo que os gauleses, orfãos das estrelas do Mundial 58 Kopa e Fontaine, até estiveram a vencer por 4-2, mas acabaram vergados a uma derrota por 5-4 com os jugoslavos, enquanto os soviéticos superaram tranquilamente os checoslovacos por três bolas a zero.

Desiludida por ter sido afastada de uma final que se iria disputar na sua capital, a França foi bastante desmoralizada para o encontro dos terceiros e quartos lugares, sendo que o desaire (0-2) nessa partida diante da Checoslováquia acabou por não surpreender.

Yashin era a estrela da URSS

Final * URSS 2-1 Jugoslávia

Na final, defrontavam-se duas selecções da Europa de Leste, mas que tinham abordagens distintas ao jogo. A Jugoslávia era uma equipa criativa e espectacular, com uma forma de jogar quase “brasileira”, enquanto os soviéticos eram um conjunto frio e eficaz que parecia obra de um qualquer laboratório de Moscovo.

A partida começou por se inclinar na direcção do conjunto mais espectacular, pois, ao minuto 41, Galic conseguia superar, finalmente, o mítico Yashin, guarda-redes que, entre as fases preliminares e final, apenas havia sofrido um golo até aquele momento.

Contudo, o terreno empapado beneficiava o maior poderio físico dos soviéticos que, ao quarto minuto do segundo tempo, chegaram ao empate por Metreveli.

Com o resultado empatado (1-1) a partida foi se desenrolando com alguma superioridade jugoslava, mas golos, esses, não apareceram até ao final dos noventa minutos, tendo o desafio que seguir para prolongamento. Aí, a superioridade física da URSS tornou-se evidente e, ao minuto 114, Ponedelnik correspondeu da melhor forma a um cruzamento de Meskhi, para garantir a vitória soviética (2-1) e a conquista do primeiro campeonato da Europa.

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RDA e Chile empataram a uma bola no Mundial 74

A qualificação para o Mundial 1974, que se disputaria na República Federal da Alemanha, teve um playoff de apuramento intercontinental que colocava, frente a frente, as selecções do Chile e da União Soviética. No primeiro jogo, a 26 de Setembro de 1973, em Moscovo, o resultado saldou-se num empate e, assim, a 21 de Novembro, iria disputar-se em Santiago do Chile, o jogo decisivo para o último passaporte para o campeonato do mundo. Contudo, ao mesmo tempo, o Chile havia vivido um golpe de estado patrocinado pelos EUA, que fez com que Pinochet derrubasse o socialista e legitimamente eleito: Salvador Allende. Em plena guerra fria, ninguém acreditaria que os soviéticos não aproveitassem o momento para um protesto político e, de facto, foi o que fizeram…

O Chile chegava a este playoff após ter superado um grupo com as selecções do Peru e da Venezuela. Como havia sido o vencedor de grupo com pior performance (atrás de Argentina e Uruguai), seria obrigado a superar a selecção com registo identico, mas do continente europeu: URSS (superou a França e a Rep. Irlanda para chegar a este jogo decisivo).

Poucos dias antes do primeiro jogo (a disputar em Moscovo), no dia 11 de Setembro de 1973, o Chile viveu um golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet e com o total apoio dos Estados Unidos. Essa acção militar derrubou o socialista e democraticamente eleito: Salvador Allende, sendo que grande parte dos partidários e apoiantes de Allende foram detidos, torturados e, até, executados no Estádio Nacional de Santiago do Chile.

Após o primeiro jogo disputado na URSS e que terminou com um nulo, os soviéticos afirmaram que não pretendiam viajar para Santiago do Chile e, muito menos, jogar num “Estádio da Morte” que havia sido palco de atrocidades contra partidários socialistas. Em plena guerra fria, era uma decisão lógica de protesto contra a intervenção norte-americana num país de governo socialista e pró-soviético.

Assim sendo, na segunda mão, disputada a 21 de Novembro de 1973, os soviéticos cumpriram a promessa e não compareceram ao jogo. Devido a isso, o Chile iria apurar-se, automáticamente, devido a falta de comparência, no entanto, os sul-americanos não deixaram de fazer uma encenação que demonstrasse a sua superioridade sobre os soviéticos.

No dia do desafio, os chilenos entraram mesmo em campo e, perante milhares de espectadores, alguns jogadores sul-americanos deram um pontapé de saída e avançaram por um meio campo deserto para fazerem um golo simbólico que foi seguido de um pseudo apito final.

O Chile avançava para o Mundial da RFA, onde foi eliminado logo na primeira fase, pois na fase de grupos, apenas empatou com a Alemanha Oriental (1-1) e Austrália (0-0), perdendo com a Alemanha Ocidental (0-1). Nesse campeonato do mundo, todos os seus jogos ficaram marcados por protestos contra o regime, exibidos nas bancadas por exilados políticos.

Os soviéticos, esses, já tinham feito o seu protesto, não aparecendo ao jogo da segunda mão e permitindo que, assim, se disputasse um jogo fantasma naquele que ficou conhecido com o Estádio da Morte…

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Era uma selecção sublime, aquele Brasil que venceu o Mundial 1970 disputado no México. Jogadores como Pelé, Jairzinho, Rivelino ou Tostão deram um espectáculo de magia, alegria e criatividade, explanado num futebol ofensivo que permitiu aos canarinhos vencerem todos os seis jogos que disputaram e marcarem 19 golos. Um exemplo do poderio brasileiro foi a forma como venceram a final: 4-1 à Itália, num jogo dominado totalmente pela equipa de Pelé. Este foi também o primeiro campeonato do mundo com substituições (duas na altura) e com cartões…

Primeira Fase

Tal como no Chile 1962 e no Inglaterra 1966, a primeira fase foi composta por quatro grupos  de quatro equipas, passando os dois primeiros de cada grupo para os quartos de final. Este foi, no entanto, o primeiro campeonato do mundo com substituições e, também, com cartões, uma ideia do Árbitro Ken Aston após parar nos semáforos de uma rua de Londres e pensar que os sinais amarelo e vermelho podiam ser uma forma de parar a violência. Outra estreia neste campeonato do mundo foi o facto da Adidas ter-se encarregado, pela primeira vez, da bola do Mundial. A estreia aconteceu com a Telstar, uma bola branca com hexágonos pretos.

No Grupo A, México e URSS, não deram hipóteses a Bélgica e El Salvador, pois após empatarem entre si (0-0), aztecas (1-0 à Bélgica e 4-0 a El Salvador) e soviéticos (4-1 à Bélgica e 2-0 a El Salvador) venceram os seus adversários e apuraram-se facilmente para os oitavos de final. Destaque, também, para o facto do soviético Byshovets ter sido o primeiro atleta a ver um cartão amarelo num campeonato do mundo.

Mais equilibrado foi o Grupo B, composto por Itália, Uruguai, Suécia e Israel. Neste agrupamento, apuraram-se a Itália (1ª), que venceu a Suécia (1-0), empatando com Uruguai (0-0) e Israel (0-0) e o Uruguai, que além do empate com os italianos, venceu Israel (2-0) e perdeu com a Suécia (0-1). Os suecos, mesmo vencendo os uruguaios, acabaram eliminados, pois apesar de terem terminado com os mesmos pontos dos celestes, tiveram pior “goal-average”.

Por outro lado, o Grupo C foi um autêntico passeio para o Brasil, que venceu Checoslováquia (4-1), Inglaterra (1-0) e Roménia (3-2), qualificando-se facilmente para a segunda fase e em primeiro lugar. Neste agrupamento, os ingleses também asseguraram o passaporte para os quartos de final, pois apesar de terem perdido com os canarinhos, venceram Roménia (1-0) e Checoslováquia (1-0) e asseguraram o segundo lugar.

Por fim, o Grupo D foi dominado pela Alemanha Ocidental, que venceu Marrocos (2-1), Bulgária (5-2) e Peru (3-1) e conquistou facilmente o primeiro lugar. O outro apurado, foi o Peru, que apesar de ter perdido com os germânicos, não deu hipóteses a Bulgária (3-2) e Marrocos (3-0), terminando na segunda posição. Neste agrupamento, há ainda a destacar a quarta presença em campeonatos do mundo do alemão Seelar (esteve presente em 1958, 62, 66 e 70), ainda assim, não se tratava de um record, pois o mexicano Carbajal havia estado presente em cinco (1950, 54, 58, 62 e 66).

Quartos de Final

O Uruguai-União Soviética foi um duelo muito disputado e só ficou decidido no prolongamento, ao minuto 117, após um golo do uruguaio Espárrago. Os soviéticos ainda apresentaram um protesto oficial, pois entenderam que a bola já tinha saído de campo no momento do centro do qual resultou o tento, contudo, a FIFA rejeitou o apelo.

Menos equilibrado foi o Itália-México, pois os “azzurri”, que até começaram a perder (golo de González aos 13 minutos), deram a volta ao resultado e acabaram por vencer, facilmente, por quatro bolas a uma.

Por outro lado, o Brasil-Peru foi um jogo espectacular que colocou, frente a frente, o mágico Brasil de Pelé e o surpreendente Peru de Cubillas. Nesse jogo, o antigo jogador do FC Porto até fez um golo, ao contrário de Pelé, que ficou em branco, todavia, foi o Brasil que venceu o jogo (4-2), graças aos golos de Rivelino, Tostão (2) e Jairzinho.

Por fim, Alemanha Ocidental e Inglaterra disputaram a última vaga nas semi-finais. Num ambiente adverso (os mexicanos revelaram grande hostilidade aos ingleses durante todo o jogo), A equipa dos três leões chegou mesmo a estar a vencer por 2-0 e parecia lançada para o apuramento, todavia, a fria equipa germânica conseguiu chegar à igualdade antes dos 90 minutos. No prolongamento, a RFA foi mais feliz e garantiu a vitória graças a um golo do bombardeiro Gerd Müller (106′).

Meias-Finais

Na primeira meia final, o Brasil até entrou a perder com o Uruguai (Cubilla abriu o activo aos 19 minutos), mas depois a equipa canarinha puxou dos galões e soube dar a volta ao resultado com golos de Clodoaldo (45′), Jairzinho (76′) e Rivelino (90′), vencendo a partida por 3-1.

Por outro lado, a outra semi-final (Itália-Alemanha Ocidental) só se decidiu no prolongamento. A Itália marcou logo aos sete minutos e o resultado (1-0 para os italianos), manteve-se inalterado até aos 90 minutos, quando Schnellinger empatou a partida e forçou o tempo extra. No prolongamento, assistimos a um jogo fantástico, com a Itália a fazer o 2-1 e o 3-2, mas com os germânicos a empatarem sempre a partida. No entanto, aos 111 minutos, Rivera fez o 4-3 e, dessa vez, os alemães já não conseguiram responder, ficando fora da final. Neste desafio, temos ainda de destacar Beckebauer que deslocou a clavícula e jogou os últimos 30 minutos com o braço ao peito.

Terceiro e Quarto Lugar

É sempre um jogo ingrato, uma espécie de final menor, que, muitas vezes, trás pouca motivação aos intervenientes. Ainda assim, a Alemanha Ocidental não quis perder a oportunidade de atingir o último lugar no pódio e, conseguiu esse objectivo, vencendo o Uruguai, graças um golo solitário de Overath (27′).

Final* Brasil 4-1 Itália

O resultado pode dar a ideia de que a Itália, que não perdeu qualquer jogo até esta final e que tinha jogadores como Riva, Facchetti e Domenghini, teve uma má tarde, mas isso não correspondeu à verdade.

O Brasil tinha, na verdade, uma equipa fantástica e, apesar da inegável qualidade da selecção “azzurra”, conseguiu vencer o jogo com uma facilidade e clareza impressionante.

Marcou primeiro, por Pelé (18′), ainda permitiu a igualdade, na sequência de um golo de Boninsegna (37′), mas depois foi uma auto-estrada de magia, criatividade e golos, que foram três: Gérson (66′), Jairzinho (71′) e Carlos Alberto (89′), mas podiam ter sido mais, perante uma Itália que foi incapaz de responder à provavelmente melhor selecção da história.

Uma vitória justíssima e que garantia o tricampeonato mundial aos canarinhos, que, depois deste título, entrariam num jejum que durou 24 anos…

Números do Mundial 1970

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Itália

Terceiro Classificado: Alemanha Ocidental

Quarto Classificado: Uruguai

Eliminados nos Quartos de Final: URSS, Peru, México e Inglaterra

Eliminados na Fase de Grupos: Bélgica, El Salvador, Suécia, Israel, Roménia, Checoslováquia, Bulgária e Marrocos

Melhor Marcador: Gerd Müller (Alemanha Ocidental) – 10 golos

Equipa do Mundial 1970: Mazurkiewicz (Uruguai); Carlos Alberto (Brasil), Schwarzenbeck (Alemanha Ocidental), Beckenbauer (Alemanha Ocidental) e Facchetti (Itália); Clodoaldo (Brasil), Overath (Alemanha Ocidental) e Rivelino (Brasil); Jairzinho (Brasil), Pelé (Brasil) e Gerd Müller (Alemanha Ocidental).

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Disputado na pátria do futebol, que sempre exaltou a ética, a moral e os bons costumes, o Mundial 66 foi uma competição com protestos, más arbitragens e, até, algumas matreirices. Um bom exemplo foi o de obrigar Portugal a fazer uma viagem longa até Londres nas meias finais, quando a equipa das quinas tinha o direito de disputar essa partida com a Inglaterra em Liverpool. Ainda assim, foi um campeonato do mundo pleno de qualidade, que serviu para confirmar o enorme talento de Eusébio ao Mundo, provar que os norte-coreanos também sabiam jogar futebol (a Itália que o diga) e, acima de tudo, dar o primeiro e único título mundial à Inglaterra.

Primeira Fase

A primeira fase do campeonato do mundo foi exactamente igual ao Chile 62: dezasseis selecções divididas em quatro grupos de quatro, em que se apuravam os dois primeiros para os quartos de final.

No Grupo A, a Inglaterra demonstrou que era uma séria candidata ao ceptro mundial, ao vencer um agrupamento difícil, graças às vitórias diante de México (2-0) e França (2-0) e ao empate diante do Uruguai (0-0). Neste grupo, os sul-americanos também se apuraram, pois além de terem empatado com os ingleses e com o México (0-0), a vitória diante da França (2-1) foi suficiente para o passaporte para os quartos de final.

Outro agrupamento sem surpresas foi o Grupo B, onde Alemanha Ocidental e Argentina se superiorizaram a Espanha e Suíça. Os germânicos venceram a Suíça (5-0) e a Espanha (2-1), empatando com os sul-americanos (0-0), enquanto os argentinos, além do empate com os alemães, venceram, igualmente, helvéticos (2-0) e espanhóis (2-1).

Por outro lado, no Grupo C, surgiu a primeira grande surpresa. Apesar do Brasil ter chegado inferiorizado a Inglaterra, poucos acreditariam que os canarinhos fossem eliminados num grupo com Hungria, Bulgária e Portugal. No entanto, os brasileiros, apesar de terem vencido o primeiro jogo (2-0 aos búlgaros), perderam com a Hungria (1-3) e, também, com Portugal (1-3), num desafio em que Morais, com uma marcação implacável a Pelé, anulou o astro brasileiro. Neste agrupamento, o grande vencedor foi Portugal que começava a surpreender o Mundo, pois além da vitória diante do Brasil, os portugueses também venceram os magiares (3-1) e  a Bulgária (3-0). O outro apurado foi a Hungria, a quem bastou vencer os canarinhos (3-1) e búlgaros (3-1) para se apurar para os quartos de final.

Por fim, o Grupo D também assistiu a um escândalo e este foi bem maior que o que se viveu no grupo luso. Num agrupamento totalmente dominado pela União Soviética, que venceu Coreia do Norte (3-0), Itália (1-0) e Chile (2-1), italianos e coreanos chegaram ao último jogo para decidirem quem seria o segundo classificado. Os europeus haviam vencido o Chile (2-0) e os asiáticos apenas tinham empatado (1-1) e, assim, bastava um empate à Itália. No entanto, os azzurri não encararam o jogo com a devida atenção e acabaram por perder (0-1) com os norte-coreanos, graças a um golo de Pak Doo-Ik (41′). Esta eliminação italiana levou a Federação local a fechar as fronteiras da Série A a jogadores estrangeiros durante mais de uma dezena de anos.

Quartos de Final

O primeiro jogo dos quartos de final foi o Inglaterra-Argentina e, além da vitória inglesa (1-0), este jogo teve uma história deveras curiosa. Aos 35 minutos, o argentino Rattin foi expulso por palavras, mas o curioso é que nem ele falava alemão nem o juiz germânico (Kreitlen) falava espanhol. Como tal, o atleta sul-americano recusou-se a sair de campo, exigindo um tradutor. O jogo esteve parado durante sete minutos e só com a intervenção da polícia é que Rattin abandonou o campo. Este episódio levou a FIFA a implementar o sistema de cartões (amarelos e vermelhos) no Mundial seguinte.

Depois, numa partida em que os uruguaios acabaram reduzidos a nove aos onze minutos, a Alemanha Ocidental goleou o Uruguai por quatro a zero e seguiu, tranquilamente, para as meias-finais.

Por outro lado, o Portugal-Coreia do Norte foi um jogo muito mais equilibrado e emocionante. Aos 25 minutos, o Mundo abria a boca de espanto com a vantagem asiática de três bolas a zero, no entanto, não contaram com a resposta de Portugal e, acima de tudo, de Eusébio, que, até ao intervalo, fez dois tentos e reduziu a desvantagem para apenas um golo (2-3). Depois do descanso, o Pantera Negra fez mais dois tentos e assegurou a reviravolta total no resultado. Até ao apito final, José Augusto ainda fez outro golo e colocou o resultado final em 5-3 para Portugal, numa das cambalhotas mais históricas em campeonatos do mundo.

Por fim, os quartos de final encerraram com um duelo equilibrado entre URSS e Hungria, que os soviéticos venceram por 2-1.

Meias-Finais

A primeira semi-final foi vencida pela Alemanha Ocidental que se superiorizou à URSS (2-1) num jogo bastante intenso e que contou com a expulsão do soviético Cislenko (44′).

Na segunda meia-final, Portugal e Inglaterra defrontaram-se em Wembley para o acesso à final. O jogo era para ser disputado em Liverpool, onde os portugueses haviam defrontado os norte-coreanos, mas a pressão inglesa para que o encontro passasse para Londres foi muito forte e a FIFA acabou por aceder ao pedido. Nessa partida, o cansaço da selecção nacional devido à inesperada viagem, aliado a uma marcação implacável de Stiles a Eusébio diminuiu, em muito, as possibilidades lusitanas. Assim sendo, Portugal acabou por perder com a Inglaterra (1-2) e o Pantera Negra terminou o desafio em lágrimas sentindo que, afinal, tinha estado a um passo de uma final de um campeonato do mundo.

Terceiro e Quarto Lugar

Não era o jogo que Portugal e URSS quereriam disputar, todavia, ambos queriam, ao menos, chegar ao pódio do Mundial 66. Num jogo intenso, a selecção das quinas adiantou-se aos 13 minutos, graças a um penalti de Eusébio, mas Malafeev igualou a partida a dois minutos do intervalo. A partir daqui, o jogo foi muito equilibrado e a vitória podia ter caído para qualquer lado, todavia, a dois minutos do fim, Torres bateu Yashin e garantiu a melhor classificação de Portugal num Mundial de futebol.

Final* Inglaterra 4-2 RFA

Ingleses e alemães defrontavam-se numa final inédita na tentativa de conquistarem uma Taça que já havia conhecido uma história bem atribulada.

Exposta em Londres durante dois meses e meio e guardada por seis guardas, a Taça Jules Rimet foi roubada a 20 de Março de 1966 para espanto do Mundo. Ainda assim, uma semana depois, o objecto foi encontrado por um cão chamado Pickles num jardim de Londres e embrulhada em papel de jornal. Com a Taça Jules Rimet recuperada, o jogo pode iniciar-se com a certeza de que o vencedor iria ter algo de muito especial para levantar no momento do triunfo.

Tratou-se de uma final intensa e com várias variações no marcador. Os alemães marcaram primeiro, aos 12 minutos, por Haller, mas os ingleses conseguiram dar a cambalhota no marcador com golos de Hurst (18′) e Peters (78′).

Já se fazia a festa em Wembley, mas aos 90 minutos, na sequência de uma falta inexistente, Weber empatou a partida e levou o jogo a prolongamento.

Após terem sido obrigados a disputar o prolongamento na sequência de uma falta que não existiu, os ingleses chegariam à vantagem, aos 101 minutos, graças a uma bola que não transpôs totalmente a linha de baliza. O autor do golo que não o devia ser, foi Hurst, que, em cima do final do prolongamento, completou o hat-trick e fez o 4-2 final.

Foi a primeira e, até hoje, única vitória da selecção da rosa num campeonato do mundo, mas, na verdade, quem mais brilhou no Mundial 66 foi um atacante moçambicano de seu nome: Eusébio da Silva Ferreira.

Números do Mundial 1966

Campeão: Inglaterra

Vice-Campeão: RFA

Terceiro Classificado: Portugal

Quarto Classificado: URSS

Eliminados nos Quartos de Final: Argentina, Uruguai, Coreia do Norte e Hungria

Eliminados na Fase de Grupos: México, França, Espanha, Suíça, Chile, Itália, Brasil e Bulgária

Melhor Marcador: Eusébio (Portugal) – 9 golos

Equipa do Mundial 1966: Banks (Inglaterra); Cohen (Inglaterra), Moore (Inglaterra), Beckenbauer (RFA) e Schnellinger (RFA); Voronin (URSS) e Coluna (Portugal); Simões (Portugal), Haller (RFA), Bobby Charlton (Inglaterra) e Eusébio (Portugal).

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A equipa portuguesa que perdeu (1-3) com Marrocos

A 16 de Outubro de 1985, o país ria do desplante de José Torres. O seleccionador nacional havia pedido, num romantismo épico: “Ao menos deixem-me sonhar!” O sonho era a qualificação para o campeonato do mundo de 86, mas passava por Portugal ganhar onde nunca ninguém tinha ganho (na Alemanha) e a Suécia perder na Checoslováquia. Nesse dia, o povo português nem estava muito virado para a partida, pois ninguém acreditava que a selecção das quinas vencesse em Estugarda. Nas redacções dos jornais, soube-se, pouco antes do início do jogo, que afinal a Suécia tinha mesmo perdido na Checoslováquia e, assim, “só” faltava vencermos a Alemanha Ocidental. Nesse momento, os jogadores começaram a acreditar no sonho e, aos sete minutos da segunda parte, Carlos Manuel, descaído para a esquerda, ainda longe da grande área, desferiu um remate divino que sobrevoou Schumacher e entrou no ângulo da baliza alemã. Após o tento, o resto do jogo tornou-se penoso, com Portugal encostado às cordas e o país suspenso a cada remate que os alemães atiravam ao poste. No entanto, os deuses estavam com a selecção e conseguimos a qualificação. Pena foi o que aconteceu depois, no México, que fez muita gente arrepender-se de nos termos apurado…

 

Portugal, apesar de fazer dois jogos (Inglaterra e Polónia) em altitude baixa (Monterrey) e outro (Marrocos) em altitude média (Guadalajara), estava com o fantasma da altitude, pois, se passasse aos oitavos de final, poderia ter de jogar na Cidade do México (2238 metros) ou Léon (1800 metros). Assim, a escolha de Saltillo seria, na opinião da delegação portuguesa, uma boa escolha para quem pensava chegar à fase final.

A escolha de Saltillo, todavia, veio a revelar-se desastrosa. O problema não era a cidade, pois, por exemplo, a Inglaterra também lá estava, mas pelo Hotel, que se encontrava inundado de jornalistas e, pela noite, de umas quantas “meninas da noite”. Depois, o campo de treinos estava numa encosta e, assim, Portugal treinava num relvado que subia na primeira parte e descia na segunda…

Mas o desastre da preparação portuguesa não se ficou por aqui. Portugal não conseguia arranjar um adversário para fazer um jogo particular competitivo e, quando finalmente pensava haver arranjado, quem surgiu foi um grupo de profissionais de indústria hoteleira que pediram dispensa dos seus trabalhos para jogarem com Portugal. Em Monterrey, o jogo foi uma risada completa. A Equipa das quinas fez onze golos a brincar e os jogadores lusitanos rebolavam-se no chão a rir. Infelizmente, as risadas não chegaram à Cidade do México onde o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol continuava a sua estadia.

Entretanto começou a maré de reivindicações. Os jogadores queixavam-se dos baixos prémios, pois, na realidade, estavam no México com uma diária de 4000 escudos. Um jornalista inglês confidenciou mesmo que, com essa diária, a Inglaterra não teria ali um único jogador. A incapacidade de Portugal ter feito um único jogo que fosse contra uma equipa minimamente competitiva era outra das razões que incomodavam e de sobremaneira os jogadores. Começava-se a perceber que o Mundial 1986 seria um desastre.

Curiosamente, o Mundial até começou bem. No primeiro jogo, diante da Inglaterra, com um onze cauteloso, Portugal venceu por 1-0, graças a um golo de Carlos Manuel (75′). No final da partida, entre abraços e lágrimas, José Torres declarava: “Há qualquer coisa que me ajuda quando caio.” Infelizmente, a ajuda divina terminou aqui.

Antes do segundo jogo, diante da Polónia, o guarda-redes titular, Manuel Bento, lesionou-se e ficou impossibilitado de jogar o resto do campeonato do mundo. Assim, avançou Damas, contudo, o guarda-redes leonino não estava psicologicamente preparado e entrou em depressão. Entretanto, o jogo com a Polónia foi um desastre e Portugal perdeu 1-0, graças a um golo de Smolarek aos 22 minutos da segunda metade.

Depois de ter feito os dois primeiros jogos em Monterrey, Portugal viajou para Guadalajara para defrontar Marrocos. A viagem foi uma peripécia completa, pois o avião atrasou-se várias horas e, devido à tempestade, tornou-se um percurso bastante assustador. Ainda assim, tudo parecia simples para Portugal, pois, na verdade, bastava empatarmos com Marrocos para seguirmos em frente.

Diz-se que, José Faria, seleccionador marroquino fez chegar à comitiva nacional um bilhete em que propunha um empate a dois golos, situação que apuraria as duas selecções. A resposta de Torres foi irónica: “Está bem e somos nós os primeiros a marcar dois golos…”

Na verdade, foram os marroquinos a marcar não dois, mas três golos, sendo que o golo de Diamantino, perto do final, não fez mais que minimizar a vergonha de uma derrota (1-3) com a selecção magrebina. No entanto, a eliminação já parecia irreversível, pois, no treino da véspera, os jogadores portugueses treinaram-se sem entusiasmo, sem se saber se por cansaço, por ecos de tudo o que se tinha passado ou, simplesmente, por subestimarem Marrocos.

No dia seguinte, o Jornal “A Bola” titulou: “Adios México, afinal o que viemos cá fazer?” Um título que, infelizmente, resume a triste presença portuguesa no Mundial 1986.

Deixo apenas um pequeno vídeo do golo que apurou Portugal para o seu segundo campeonato do mundo

 

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Em pleno Mundial do Chile, após Pelé se ter lesionado no segundo jogo da fase de grupos, diante da Checoslováquia, os brasileiros pensaram que haviam perdido as hipóteses de se sagrarem bicampeões do mundo. Contudo, um jogador para o qual todos os adversários tinham o mesmo nome e todos os jogos a mesma importância resolveu fazer de Pelé, iniciando uma sequência de jogos fenomenais que empurraram o Brasil para a conquista do título mundial. Assim sendo, o sétimo campeonato do mundo foi conquistado pela selecção canarinha, graças a um atleta de pernas tortas, que fazia sempre a mesma finta, mas sempre com sucesso: Mané Garrincha.

Primeira Fase

Este campeonato do mundo, realizado no Chile, teve um sistema em tudo semelhante ao que veremos no Mundial da África do Sul, sendo que a única diferença foi a presença de 16 selecções em vez das actuais 32.

No Grupo A, a URSS qualificou-se como primeira classificada após vencer  a Jugoslávia (3-1) e o Uruguai (2-1) e empatar com a Colômbia (4-4). No jogo com os colombianos, Yashin foi criticado por, depois dos soviéticos estarem a ganhar 4-1, ter facilitado e sofrido alguns golos questionáveis. A pressão foi muito grande mas o “Aranha Negra” acabou por manter a titularidade e, em 1963, acabou por ganhar a Bola de Ouro. Até hoje, foi o único guarda-redes a consegui-lo. Também neste grupo, os jugoslavos, apesar da derrota com os soviéticos, apuraram-se como segundos classificados, graças às vitórias sobre a Colômbia (5-0) e Uruguai (3-1).

Por outro lado, no Grupo B, a Alemanha Ocidental foi a selecção mais forte, vencendo a Suíça (2-1) e o Chile (2-0) e empatando, a zero, com a Itália. Logo abaixo dos germânicos, ficou a selecção anfitriã que, apesar de ter perdido com a RFA, venceu helvéticos (3-1) e italianos (2-0), apurando-se também para os quartos de final. O jogo entre Chile e Itália foi muito intenso e ficou conhecido como a batalha de Santiago. No meio de várias expulsões, curiosa foi a primeira, a do italiano Ferrini, pois este recusou-se a sair de campo e só a polícia conseguiu tirá-lo de lá.

Depois, no Grupo C, o Brasil ficou em primeiro lugar, após vitórias diante da Espanha (2-1) e México (2-0) e um empate diante da Checoslováquia (0-0). Neste grupo, também se apuraram os checoslovacos que, além do empate com o Brasil, venceram a Espanha (1-0) e perderam com o México (1-3). A grande desilusão do agrupamento foram os “nuestros hermanos” que chegaram a este mundial como a selecção da ONU por terem várias estrelas internacionais (Puskas e Di Stéfano eram exemplos), mas acabaram por cair logo na primeira fase.

Por fim, o Grupo D foi vencido pela Hungria, que venceu a Inglaterra (2-1) e Bulgária (6-1), empatando, depois, com a Argentina (0-0). Quem acompanhou os húngaros no apuramento para a segunda fase foi a equipa dos três leões, pois apesar da derrota com os magiares e do empate a zero com os búlgaros, venceu os argentinos (3-1). Um triunfo que se revelou decisivo na passagem aos quartos de final.

Quartos de Final

No primeiro desafio dos quartos de final, a União Soviética foi surpreendida pelo Chile, que venceu por duas bolas a uma. Após a primeira fase, poucos acreditariam no desaire soviético, mas a equipa anfitriã, muito matreira, acabou por conseguir o passaporte para as meias finais.

Ainda assim, as surpresas não ficaram por aqui, pois a Hungria (perdeu 1-0 com a Checoslováquia) e a Alemanha Ocidental (perdeu 1-0 com a Jugoslávia) que também  haviam vencido os seus grupos caíam, assim, diante de selecções teoricamente mais fracas.

Assim sendo, a única equipa que confirmou o favoritismo nos quartos de final foi o Brasil. A equipa canarinha venceu a Inglaterra por 3-1, num jogo em que Garrincha bisou e ainda se deu ao luxo de falhar um penalti.

Meias-Finais

O jogo mais emocionante das semiMas-finais foi, claramente o Brasil-Chile. O campeão do mundo defrontou a equipa anfitriã e venceu a partida com relativa facilidade por 4-2. No entanto, Garrincha, que voltou a bisar, acabou expulso devido a uma picardia com o chileno Sánchez. Essa expulsão assustou os brasileiros que não o queriam fora da final e, assim, iniciou-se uma enorme pressão ao árbitro e ao assistente uruguaio: Esteban Marino. A pressão foi tal, que o árbitro escreveu no relatório que não viu a infração de Garrincha e, como tal, a FIFA despenalizou o anjo das pernas tortas.

Por outro lado, a outra partida saldou-se numa vitória da Checoslováquia diante da Jugoslávia por três bolas a uma. Isto significava que teríamos um Brasil-Checoslováquia na final do campeonato do mundo.

Terceiro e Quarto Lugar

O duelo para atribuição do terceiro e quarto lugar apenas foi decidido em cima do apito final. Nesse momento, Rojas não perdoou e garantiu o terceiro lugar ao Chile. Assim sendo, a Jugoslávia teve de se contentar com o quarto lugar.

Final* Brasil 3-1 Checoslováquia

Esta final tinha à partida um vencedor anunciado. O Brasil podia não ter Pelé, mas tinha o melhor Garrincha de sempre e isso, durante o Mundial, bastou.

Apesar de ter começado a partida a perder, graças a um golo de Masopust (15′), os brasileiros nunca perderam a calma e, dois minutos depois, Amarildo empatou a partida.

A equipa checoslovaca era compacta e defendia muito bem. Assim sendo, foi conseguindo adiar o segundo golo canarinho por diversas vezes. Ainda assim, aos 69 minutos, Zito quebrou finalmente a cortina checoslovaca e fez o 2-1 para os brasileiros.

Esse golo decidiu o jogo, pois os europeus foram incapazes de reagir, sofrendo ainda um terceiro golo, apontado por Vává (78′).

Pouco depois terminava o desafio e o campeonato do mundo. O Brasil era bicampeão muito graças à magia de um grande senhor do futebol: Mané Garrincha.

Números do Mundial 1962

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Checoslováquia

Terceiro Classificado: Chile

Quarto Classificado: Jugoslávia

Eliminados nos Quartos de Final: Alemanha Ocidental, União Soviética, Hungria e Inglaterra

Eliminados na Fase de Grupos: Uruguai, Colômbia, Itália, Suíça, México, Espanha, Argentina e Bulgária

Melhor Marcador: Jerkovic (Jugoslávia) – 5 golos

Equipa do Mundial 1962: Schrojf (Checoslováquia); Djalma Santos (Brasil), Mauro (Brasil), Sánchez (Chile) e Schnellinger (RFA); Voronin (URSS) e Masopust (Checoslováquia); Garrincha (Brasil), Bobby Charlton (Inglaterra), Albert (Hungria) e Vává (Brasil).

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Em 1982, a Argélia escandalizava o Mundo após vencer a República Federal da Alemanha por duas bolas a uma. Jogadores como Madjer ou Assad tornavam-se conhecidos do grande público e percebeu-se que, pela primeira vez, uma equipa magrebina podia passar à segunda fase do Mundial. Contudo, após perderem com a Áustria, acabaram eliminados após uma estranha vitória germânica diante dos austríacos por uma bola a zero. Nesse jogo, ambas as equipas não forçaram, pois sabiam que aquele resultado apurava as duas para a 2ª fase. Assim, a Argélia despediu-se do campeonato do mundo, mas o perfume daquele futebol perdurou até hoje, à espera que, um dia, volte a renascer. Veremos se esse dia chegará, este ano, na África do Sul…

A Qualificação

A Argélia teve uma caminhada muito difícil para a África do Sul. Na 2º Fase, integrada no Grupo 6, a Argélia sofreu bastante para se impor a Gâmbia e Senegal, superando esses dois rivais por apenas um ponto.

Depois, na 3ª Fase, num grupo com Egipto, Zâmbia e Ruanda, os argelinos chegaram ao último jogo (no campo do Egipto) a precisarem de perder por menos de dois golos para se apurarem para o campeonato do mundo. No entanto, nesse desafio, acabaram por sofrer o 2-0 no minuto 95, ficando as duas selecções norte-africanas empatadas em diferença de golos e confronto directo.

Assim sendo, argelinos e egípcios tiveram de fazer um desempate, no Sudão, para decidir quem iria ao Mundial. Aí, os argelinos foram mais felizes, vencendo por 1-0 (golo de Yahia) e apurando-se para o Mundial sul-africano.

2ª Fase: Grupo 6 – Classificação

  1. Argélia 10 pts
  2. Gâmbia 9 pts
  3. Senegal 9 pts
  4. Libéria 3 pts

3ª Fase: Grupo C – Classificação

  1. Argélia 13 pts
  2. Egipto 13 pts
  3. Zâmbia 5 pts
  4. Ruanda 2 pts

Playoff

Argélia 1-0 Egipto

O que vale a selecção argelina?

A equipa esteve bem na última Taça de África, onde alcançou as meias finais e tem alguns elementos de qualidade como o médio-ala Matmour e o trinco Yebda. Ainda assim, integrada num grupo com Inglaterra, Estados Unidos e Eslovénia, a Argélia parece ser a selecção mais frágil do agrupamento.

A equipa magrebina costuma jogar num esquema de 3-4-3, com três centrais competentes (Bougherra-Halliche-Yahia), mas que podem ter dificuldades diante de selecções com avançados rápidos e fortes no um contra um. Apesar de terem sofrido poucos golos na fase de qualificação (8 em 12 jogos), irão, no Mundial, encontrar um nível de exigência muito maior e, como não são centrais muito rápidos, poderão criar um grave problema à selecção argelina.

Por outro lado, o meio campo é, provavelmente, o ponto mais forte da equipa magrebina. Costumam jogar com um duplo pivot (Yebda-Mansouri) que sabe defender e atacar com a mesma qualidade e, também, com dois alas muito rápidos: Belhadj (à esquerda) e Matmour (à direita). Os dois alas são muito criativos, criando bastantes situações de desequilíbrios e, principalmente no caso de Belhadj, também defendem muito bem, dando alguma segurança defensiva à Argélia.

Por fim, no ataque, as raposas do deserto apresentam dois jogadores plenos de mobilidade: Djebbour (avançado esquerdo) e Ziani (avançado direito)  e, também, um ponta de lança finalizador: Ghezzal. Apesar de tanto Djebbour como Ziani jogarem nas alas, veremos provavelmente o avançado esquerdo mais no apoio a Ghezzal e Ziani a funcionar, muitas vezes, como quinto elemento do meio campo, transformando o esquema argelino em 3-5-2.

Globalmente os argelinos têm uma equipa de alguma qualidade, todavia, o seu esquema bastante ofensivo, a fragilidade dos centrais no jogo pelo chão e alguma indisciplina táctica deverão condenar os magrebinos ao último lugar do Grupo C.

O Onze Base

A equipa argelina deve, tal como foi dito anteriormente, apresentar um esquema em 3-4-3 com Gaouaoui (ASO Chief) na baliza; Bougherra (Rangers), Halliche (Nacional) e Yahia (Bochum) na defesa; Yebda (Portsmouth) e Mansouri (Lorient) como duplo pivot, Belhadj (Portsmouth) como ala esquerdo, Matmour (Borussia M’Gladbach) como ala direito; e três avançados: Djebbour (AEK), Ghezzal (Siena) e Ziani (Wolfsburgo).

Classificação – Previsão “A Outra Visão”

Aparentemente, os argelinos deverão ser favoritos a ocuparem o último lugar do Grupo C. No entanto, se o seleccionador Rabah Saadane conseguir limar algumas arestas e tornar as raposas do deserto um pouco mais matreiras, poderão surpreender eslovenos e, quiçá, até os norte-americanos. Ainda assim, a possibilidade disso acontecer é muito reduzida

 Calendário – Grupo C (Mundial 2010)

  •  13 de Junho – Argélia vs Eslovénia 
  •  18 de Junho – Argélia vs Inglaterra 
  •  23 de Junho – Argélia vs EUA

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Quatro anos depois dos deuses magiares terem caído na final diante da Alemanha Ocidental, o mundo voltava a assistir a uma equipa de artistas, que chegou à Suécia com ambições moderadas, mas iria deixar a Escandinávia como uma das mais fascinantes selecções que há memória. O Brasil, principalmente após a inclusão de Garrincha e Pelé (então com 17 anos), foi uma autêntica máquina de ataque que não deu hipóteses aos seus adversários e deslumbrou todos os que tiveram a felicidade de os ver ao vivo. Após um percurso com apenas um empate (diante da Inglaterra e ainda sem Garrincha e Pelé), os brasileiros conquistaram o título, na final, diante da Suécia (5-2), provando que, por vezes, o bom futebol, para além da imortalidade, também é recompensado com títulos…

Primeira Fase

Depois do estranho modelo do Mundial 1954, com cabeças de série, o Mundial 58 voltou a um sistema de quatro grupos de quatro, mas com todos a jogarem contra todos. Ainda assim, manteve-se a nuance  que, em caso de igualdade pontual entre segundo e terceiro, estes voltariam a fazer um jogo de desempate.

No Grupo A, a Alemanha Ocidental, campeã em título, seguiu em frente como líder do grupo, após vencer a Argentina (3-1) e empatar com Checoslováquia (2-2) e Irlanda do Norte (2-2). Checoslovacos e irlandeses, empatados no segundo lugar, defrontaram-se, em jogo de desempate, para decidir quem acompanhava os germânicos na passagem aos quartos de final. Aí, os irlandeses foram mais felizes e seguiram em frente após vencerem (2-1). Já os argentinos, além de terminarem em último lugar no grupo, ainda foram recebidos no aeroporto de Buenos Aires com vaias e pedras, obrigando a polícia a escoltá-los até às suas residências.

Por outro lado, no Grupo B, França e Jugoslávia seguiram em frente, enquanto Paraguai e Escócia foram eliminados. Os franceses perderam com a Jugoslávia (2-3), mas venceram Paraguai (7-3) e Escócia (2-1), enquanto os jugoslavos, depois da vitória com os franceses, deram-se ao luxo de empatar com Escócia (1-1) e Paraguai (3-3) e, mesmo assim, apurarem-se para os quartos de final.

No Grupo C, a Suécia aproveitou o factor casa e venceu o agrupamento após vencer o México (3-0) e Hungria (2-1) e empatar a zero com o País de Gales. Empatados no segundo lugar, galeses e magiares fizeram um jogo de desempate e, aí, de forma surpreendente, os britânicos venceram por duas bolas a uma e acompanharam os escandinavos no apuramento para a fase seguinte.

Por fim, no Grupo D, o Brasil foi o líder incontestado após vitórias diante da Áustria (3-0) e União Soviética (2-0) e um nulo diante da Inglaterra (primeiro nulo num Mundial de futebol). Empatados no segundo lugar, soviéticos e ingleses tiveram de fazer um jogo de desempate. Tratavam-se de duas equipas desfalcadas, pois os russos estavam privados de Streltsov (fabuloso avançado do Torpedo), que havia sido acusado de violação e ficou num campo de concentração siberiano até… 1962 e os ingleses haviam perdido grande parte dos jogadores do Manchester United num desastre de avião. No desempate, a União Soviética venceu por 1-0 e seguiu em frente.

Quartos de Final

O Brasil esperava, por certo, vencer com maior facilidade o País de Gales, todavia, a bem organizada equipa galesa, foi dificultando a vida dos canarinhos, que viram a situação desbloqueada, aos 65 minutos, com um golo de Pelé. Com uma magra vitória por 1-0, os brasileiros seguiam para as meias finais.

Quem continuava a surpreender era a França e, principalmente, o seu goleador Just Fontaine. Após fazer seis golos na primeira fase, o avançado de origem marroquina bisou e ajudou os gauleses a vencerem a Irlanda do Norte por quatro bolas a zero.

Por outro lado, a Alemanha Ocidental manteve-se fria e calculista, desvencilhando-se da Jugoslávia (1-0), graças a um golo solitário de Rahn.

Por fim, a Suécia mostrou que tinha uma excelente geração de jogadores e venceu a União Soviética por duas bolas a zero, continuando a perseguir o sonho de chegar à final.

Meias-Finais

Na primeira semi-final, o Brasil defrontou a França e os oito golos do gaulês Fontaine impunham respeito. Contudo, o Brasil, liderado pelo jovem Pelé (fez hat-trick) fez uma excelente exibição e esmagou os franceses (5-2), seguindo para a final.

No outro jogo, a Suécia surpreendeu o mundo e eliminou o campeão do mundo em título: Alemanha Ocidental. Os suecos venceram os germânicos por 3-1 e o sonho do título ficava à distância de um jogo.

Terceiro e Quarto Lugar

Desiludida com a eliminação diante da Suécia, a República Federal da Alemanha não conseguiu arranjar grande motivação para este duelo diante da França. Para piorar o panorama, os alemães tiveram o azar de defrontarem um avançado que, apesar de já ter feito nove golos no mundial, continuava com fome de tentos: Just Fontaine. Assim sendo, foi um desafio sem grande história com os gauleses a vencerem (6-3) e Fontaine a marcar mais quatro golos, terminando o Mundial com 13 golos apontados, um número que, até hoje, nunca foi batido.

Final* Brasil 5-2 Suécia

O entusiasmo em torno da final era grande. Afinal, defrontavam-se a equipa anfitriã e o Brasil, a equipa que mais havia fascinado os adeptos. Para terem uma ideia da loucura inerente ao desafio, três horas antes do apito inicial do francês Maurice Guigue, já o Estádio se encontrava repleto.

A Suécia até entrou melhor e abriu o activo por Liedholm, aos três minutos. Este jogador tinha 36 anos e havia ficado fora de outros mundiais por se ter tornado profissional pelo Milan. Entretanto, havia feito uma promessa que, se jogasse algum campeonato do mundo, raparia o cabelo. Assim, foi de cabeça totalmente rapada que capitaneou a selecção escandinava e marcou o primeiro golo da final.

A perder o Brasil reagiu. Primeiro foi um bis de Vavá e, depois, um dos golos mais fantásticos da história do futebol. Um lance repetido vezes sem conta em que Pelé tocou a bola por cima de Bergmark e, sem deixar cair a bola no chão, desferiu um remate colocado sem hipóteses para o guarda-redes Svensson.

Com o 3-1 no marcador, percebeu-se que a vitória não fugiria aos brasileiros. Assim, seguiu-se o 4-1 de Zagallo e nem a redução de Simonsson assustou os canarinhos que, sobre o final, viram Pelé fazer o 5-2 final.

Terminado o desafio, Pelé, grande responsável pela vitória canarinha, iniciou um choro compulsivo e saiu nos ombros dos companheiros, quase desfalecendo de emoção. Bellini, o capitão brasileiro, recebeu, depois, a Taça Jules Rimet das mãos do Rei Gustavo da Suécia, erguendo-a, institivamente, aos céus, como que agradecendo aos deuses do futebol. Esse gesto perdurou para todo o sempre e, até hoje, é imitado por todos os capitães campeões do mundo.

Números do Mundial 1958

Campeão: Brasil

Vice-Campeão: Suécia

Terceiro Classificado: França

Quarto Classificado: RFA

Eliminados nos Quartos de Final: Jugoslávia, País de Gales, União Soviética e Irlanda do Norte

Eliminados na Fase de Grupos: Checoslováquia, Argentina, Hungria, México, Paraguai, Escócia, Inglaterra e Áustria

Melhor Marcador: Just Fontaine (França) – 13 golos

Equipa do Mundial 1958: Gilmar (Brasil); Bergmark (Suécia), Bellini (Brasil) e Nilton Santos (Brasil); Zito (Brasil) e Didi (Brasil); Garrincha (Brasil), Hamrin (Suécia), Pelé (Brasil), Kopa (França) e Fontaine (França).

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O Mundial 1954, disputado na Suíça, parecia destinado à magnífica selecção magiar, uma equipa que foi, sem dúvida, a mais extraordinária da primeira metade dos anos 50. A Hungria não perdia desde Junho de 1950, havia vencido os Jogos Olímpicos de 1952 e cometido a proeza de golearem os ingleses por 6-3 (em Wembley) e 7-1 (em Budapeste). Depois de ter vencido a Alemanha Ocidental na primeira fase por 8-3, os magiares voltaram a encontrar os germânicos na final e ninguém acreditava noutro resultado que não uma nova vitória da grande selecção de Puskas, Kocsis e Hidegkuti. Todavia, em Berna, um novo país, acabado de renascer das cinzas da 2ª Guerra Mundial acabava com o reinado daqueles que eram considerados os deuses do futebol. A Alemanha Ocidental vencia a Hungria por 3-2 e sagrava-se campeã do mundo de futebol.

Primeira Fase

O Mundial 1954 teve uma primeira fase no mínimo curiosa. As 16 selecções participantes foram divididas, naturalmente em quatro grupos de quatro, contudo, em vez de jogarem todos contra todos, criou-se um sistema de dois cabeças de série e dois não cabeças de série que não jogavam entre si. Assim, num grupo de quatro equipas, cada uma apenas fazia dois jogos. Depois, se o segundo e terceiro classificado acabassem empatados, teriam de fazer um jogo de desempate, mesmo que já tivessem jogado entre si. Isto explica o facto de RFA e Suíça terem jogado e vencido, por duas vezes, turcos e italianos para seguirem para os quartos de final.

No Grupo A, os cabelas de série foram Brasil e França, que defrontaram Jugoslávia e México. Neste agrupamento, apuraram-se o Brasil que empatou com a Jugoslávia (1-1) e venceu o México (5-0) e os jugoslavos que, além do empate com os canarinhos, surpreenderam a França (1-0). Neste grupo aconteceu uma história curiosa. O Brasil e a Jugoslávia qualificaram-se empatando entre si, mas os sul-americanos não sabiam que o empate lhes bastava e foram chorar para o balneário até que alguém lhes explicou que, afinal, tinham passado aos quartos de final.

No Grupo BHungria e Turquia defrontaram RFA e Coreia do Sul. Os magiares limitaram-se a passear superioridade e golearam a RFA (8-3) e a Coreia (9-0). No entanto, os turcos, que também golearam os coreanos, mas por 7-0, perderam com a Alemanha Ocidental (1-4) e, assim, tiveram de defrontar novamente os germânicos num jogo de desempate. Aí, os alemães voltaram a ser mais fortes, goleando os turcos (7-2) e acompanhando os hungaros no apuramento para a fase seguinte.

No Grupo C, Uruguai e Áustria, cabeças de série, confirmaram o favoritismo e superiorizaram-se à Escócia e à Checoslováquia. Os uruguaios venceram a Checoslováquia (2-0) e a Escócia (7-0) e os austríacos venceram os escoceses por uma bola a zero e os checoslovacos por cinco bolas a zero. Assim sendo, com duas vitórias e sem sofrerem qualquer golo, Uruguai e Áustria seguiram para os quartos de final.

Por fim, no Grupo D, A Inglaterra e a Itália foram designados como cabeças de série e defrontaram Suíça e Bélgica. Os britânicos apuraram-se em primeiro lugar, após um empate com a Bélgica (4-4) e uma vitória diante da Suíça (2-0). No entanto, a squadra azzurra, perdeu com os helvéticos (1-2) e, assim, mesmo tendo vencido os belgas (4-1), tiveram de jogar com a Suíça um duelo para desempate. Nesse encontro, os anfitriões supreenderam os italianos (4-1) e seguiram em frente.

Quartos de Final

A primeira partida dos quartos de final foi o ÁustriaSuíça, em Lausana. A equipa anfitriã entrou muito bem e, aos 23 minutos, já vencia por três bolas a zero. Contudo, até ao intervalo, os austríacos conseguiram dar a volta e chegaram ao descanso a ganhar 5-4… Na segunda metade, a Áustria manteve a superioridade e acabou por vencer o encontro (7-5).

Em Basileia, o Uruguai, que continuava imbatível em campeonatos do mundo, defrontou a Inglaterra e continuou a mostrar ser uma selecção de topo, pois venceu os britânicos por quatro bolas a duas.

Intenso foi o duelo entre Hungria e Brasil, que terminou com a vitória magiar por quatro bolas a duas. Um húngaro (Bozsik) e dois brasileiros (Nilton Santos e Humberto) foram expulsos e o jogo ficou conhecido como “A batalha de Berna”. A pancadaria chegou mesmo às cabinas onde os seleccionadores se agrediram e Puskas acertou com uma garrafa no brasileiro Pinheiro, que, por isso, teve de levar três pontos na cabeça.

Por fim, a Alemanha Ocidental venceu a Jugoslávia (2-0) e também garantiu o bilhete para as semi-finais.

Meias-Finais

Na primeira semi-final, começou a pairar a ideia que a Hungria estava tão convencida da sua superioridade sobre todos os adversários, que poderia vir a ter um dissabor. No duelo diante do Uruguai, chegaram ao 2-0 no início da segunda metade e começaram a descansar. Aproveitando esse factor, os sul-americanos que, lembre-se, ainda não haviam perdido nenhum jogo em campeonatos do mundo, apoiaram-se na raça do seu futebol e empataram graças a um bis de Holberg. Com o desafio empatado nos noventa minutos, foi necessário jogar o prolongamento e, aí, os magiares foram mais fortes, vencendo por 4-2. Era o primeiro aviso que os húngaros poderiam, afinal, descer à terra.

Pouca história teve a segunda meia-final. Em Basileia, a Alemanha Ocidental, em claro crescente de forma, goleou a Áustria (6-1) e seguiu calmamente para a final do Mundial.

Terceiro e Quarto Lugar

O Uruguai, desiludido pela impossibilidade de disputar a final, teve pouca motivação para a disputa deste encontro e, assim, foi sem surpresa que acabou por perder com a Áustria (1-3), terminando o Mundial 1954 na quarta posição. Por outro lado, a Áustria, graças a estre triunfo, conseguia a melhor classificação de sempre, o terceiro lugar.

Final* RFA 3-2 Hungria

A Hungria entrou neste jogo motivada, mas com uma grande preocupação. Puskas, que havia falhado os jogos com o Brasil e Uruguai, após ter sido lesionado pelos alemães no jogo da primeira fase, continuava diminuido. No entanto, o “Major Galopante”, mesmo coxo, pediu para jogar o encontro decisivo.

Tudo começou bem para os magiares que, aos oito minutos, já venciam por 2-0, graças aos golos de Puskas (6′) e Czibor (8′), contudo, demorou pouco a felicidade da Hungria, pois a Alemanha Ocidental rapidamente empatou com golos de Morlock (10′) e Rahn (18′).

Apesar de, tecnicamente, os hungaros serem muito superiores ao seu adversário, os alemães mostravam uma forma física impressionante, que, na altura, levantou tantas suspeitas que a FIFA, a partir do mundial seguinte, passou a instaurar o controlo anti-doping.

Com o passar do tempo, a sua superioridade física foi se tornando decisiva e, aos 84 minutos, Rahn bisou e fez o 3-2. Pouco depois, terminou a partida com a surpreendente vitória da República Federal da Alemanha.

Quem assistiu a este Mundial e teve o prazer de ver jogar a Hungria, afirma que o futebol cometeu a proeza de não coroar os deuses do jogo. No entanto, a história tem sido mais generosa e a equipa magiar continua a ser lembrada como uma das equipas mais inovadoras e geniais de todos os tempos.

Números do Mundial 1954

Campeão: RFA

Vice-Campeão: Hungria

Terceiro Classificado: Áustria

Quarto Classificado: Uruguai

Eliminados nos Quartos de Final: Suíça, Inglaterra, Brasil e Jugoslávia

Eliminados na Fase de Grupos: França, México, Turquia, Coreia do Sul, Checoslováquia, Escócia, Itália e Bélgica

Melhor Marcador: Kocsis (Hungria) – 11 golos

Equipa do Mundial 1954: Grocics (Hungria); Santamaria (Uruguai), Varela (Uruguai e Andrade (Uruguai); Bozsik (Hungria), Liebrich (RFA) e Czibor (Hungria); Kocsis (Hungria), Fritz Walter (RFA), Rahn (RFA) e Hidegkuti (Hungria). 

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Não será propriamente uma estrela desconhecida, todavia, é um jogador que, na minha opinião, não tem o reconhecimento que merecia. Quando todos de forma quase incessante afirmam que Marco Van Basten (um excelente avançado) foi o melhor ponta de lança de sempre, fico sempre a pensar que não conheceram o bombardeiro, um jogador que não fazia rodriguinhos, não inventava, mas estava sempre no sítio certo e, sempre que recebia a bola, esta acabava, invariavelmente, no fundo da baliza.

Gerd Müller começou a sua carreira no modesto TSV Nördlingen da quinta divisão, onde, na época 1963/64, aos 17 anos, fez 51 golos em 32 jogos. Estes números impressionantes chamaram a atenção do Bayern Munique, que o contratou para a temporada seguinte.

Quando chegou ao clube bávaro, este não estava nos seus melhores momentos, pois encontrava-se na segunda divisão. Contudo, logo na primeira época, Müller fez 43 golos em 37 jogos e ajudou o Bayern a subir à Bundesliga.

Na primeira época no principal campeonato alemão, Müller fez 15 golos e conquistou a Taça da Alemanha. Contudo, acabou por ter uma desilusão no final da temporada, quando Helmut Schön, não o levou ao Mundial 66, dando a seguinte razão: “Müller é gordo, não é um bom jogador de futebol, e faz golos por sorte”

Obviamente que o pobre Schön iria engolir estas palavras. Apesar de baixo (1,73 metros) de pernas grossas e aparentando ter sempre peso a mais, Gerd Müller, na temporada seguinte (66/67), fez 38 golos e deixou de ser conhecido por “der Flick” (o gordo), para “der Bomber” (o bombardeiro). Nessa época o Bayern conquistou a Taça das Taças e a Taça da Alemanha.

A partir daqui, o Bayern entrou na sua fase de ouro e Müller era uma das principais razões para a passagem do Bayern Munique de clube médio alemão, para um colosso europeu. Entre 1969 e 1979, Müller e o Bayern conquistaram 3 Taças dos Campeões (74, 75 e 76); 4 campeonatos alemães (69, 72, 73 e 74) e 2 Taças da Alemanha (69 e 71). Individualmente, o bombardeiro foi o melhor marcador do campeonato alemão por sete(!) vezes.

Pela selecção da Alemanha Ocidental, fez 68 golos em 62 internacionalizações, conquistou o Mundial 74 e o Euro 72 e ainda foi o melhor marcador do Mundial 70.

Em 1979, quando terminou a sua estadia no Bayern, para ir terminar a carreira nos EUA (onde esteve 3 temporadas e continuou a marcar muitos golos…), Müller tinha feito 398 golos em 453 jogos pela equipa de Munique, o que são números fantásticos.

Quando terminou a carreira, em 1982, já ninguém se lembrava dele por ser gordo e, como um treinador o chamou no início da sua carreira, um elefante no meio de puros sangues. Ao invés, todos se lembravam de Müller como um avançado que não era excepcionalmente rápido que parecia fisicamente inapto, mas que, a marcar golos, não teve, não tem e, provavelmente, nunca terá rival… Este vídeo abaixo é um bom exemplo do seu talento.

 

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